domingo, 30 de setembro de 2012

Noção do ridículo


"O Sporting é mais forte que o Braga e o SLB perderá (deseja-se) muitos pontos nos jogos fora. Daqui a 1 semana estará (SCP) isolado no 2.º lugar (Benfica cairá em Paços de Ferreira), e chegara ao Dragão com hipóteses de apanhar o 1.º (o FCP perderá pelo menos 2 pontos em Vila do Conde).

Amanhã, goleada. Depois vitória sobre o Estoril, nova vitória com o Videoton e tudo ficará mais desanuviado. Veremos depois o que acontece no Dragão mas a certeza de que logo a seguir venceremos a AAC em casa, o Setúbal em Setúbal e o Braga depois em casa.


ps,
"Fomos altamente prejudicados", Maxi Pereira. Passam a vida a ser beneficiados mas nada dizem sobre isso, e quando de muito em muito tempo aparece um lance onde tem razões de queixa, falam como se estivesse tudo contra eles. Aquele clube não tem a noção do ridículo."
by MM em Lateral esquerdo dia 24 de Setembro pouco depois da meia-noite

Realmente há quem não tenha noção do ridículo, este MM é especialista nisso.


Joseph LemUs, o espião internacional


Disserta Joseph LemUs, nos seus maravilhosos tratados de grande benfiquismo e eloquência gloriosa, sobre a Assembleia-Geral - pondo a nu o resultado de intensas pesquisas, redes de contactos e teias de influências que tem por todo o planeta, incluindo a Madragoa e a zona norte da Musgueira - e a origem desse estranhíssimo fenómeno chamado democracia, que a Lemos, por ter princípios, irrita sobremaneira:

«Como marginais que são e conhecendo os meios em que chafurdam, nada mais fizeram do que convencer meias dúzia de rufias das claques marginais, principalmente, segundo a informação credível que me chegou, dos nazis NN, e alguns benfiquistas da velha guarda possuidora de considerável  número de votos, que se deixaram embalar e porque não dizer, prostituir-se, com a cantilena anti-Vieira .
Tudo indica que a Geração Bastarda esteve em peso na coordenação das operações mas, como sempre, na obscura posição encapotada.
Nem os petardos lhes insuflam coragem.»

É extraordinário como um acupunctor na Flórida (o ofício encapotado que o espião escolheu para não dar muito nas vistas) consegue obter este nível de aprofundamento da realidade - o mundo é este lugar próximo, milhares e milhares de quilómetros reduzidos ao pó da informação mais credível, fidedigna, honesta. Repare-se no grau de especificidade: o blogue Geração Benfica orquestrou todo um malévolo plano - na "obscura posição encapotada", necessariamente, porque formado por verdadeiros párias da sociedade benfiquista - enquanto convencia os "nazis NN" (malandros) e "alguns benfiquistas da velha guarda" (tolinhos que se deixam facilmente enganar porque não têm acesso à internet nem podem, que pena, ser convencidos pelos textos de garbosa índole que LemUs, o espião do ocidente, escreve nas noites mais solitárias, em que nem as agulhas que metodicamente coloca em redor do ânus o aliviam daquela memória de infância em que acaba dramática e recorrentemente aos gritinhos histéricos de clemência a uma voz e um falo que ele não vê mas tristemente sente).

Tudo isto de uma perversão abominável. Escribas de um blogue em conluio com os nazis NN que por sua vez se promiscuíram com uns tantos velhos numa orgia de democraticidade nojenta e anti-benfiquista! Mas LemUS vai mais longe, sempre sustentado na "informação credível que me chegou", e chama os bois pelos nomes:

«No entanto, teria bastado um pequeno rasgo de valentia, por exemplo, o Viriato, o mais "visível" parolo e rançoso tosco da camarilha com estofo de cão mandado, identificar-se publicamente em gesto de coragem e afirmação, ao mesmo tempo assumir as convicções do bando. 
O quê???
E o Geração? E o Sombra? E o Vermelhusco? E o Eagle1? E o mal cheiroso Conde? E o porco anafado do Vendetta?»



Estes os grandes cabecilhas do vergonhoso movimento de Quinta-feira passada: escribas do Geração e também Vitto Vendetta - o rapaz que um dia enviou a LemUs informação do mais alto quilate mediático e que ele utilizou de boa-fé, percebendo depois que fora mais uma vez, e já são tantas, analmente vilipendiado a sangue frio. De facto, não se pode acreditar em ninguém e LemUs desde esse dia tomou medidas drásticas: informadores só os que ele conhece pessoalmente e lhe dão claras e inequívocas garantias de sucesso junto dos seus leitores - a quem ele faz o favor de explicar, com sacrifícios pessoais (mormente o tempo que abdica de acupunctar mais um bocadinho ou exaustivamente pesquisar no Google as origens da oligofrenia, doença de que infelizmente padece desde muito novo), todo o verdadeiro benfiquismo e suas malhas mais escabrosas que sobrevivem nas veias dos parasitas blogosféricos. 

E o Ricardette, esse que é primo de Bruno Carvalho e tem relações promíscuas com homens casados em lagares de azeite (Azeite Andorinha, "segundo a informação credível que me chegou"), que se terá passado com ele? Terá ido à Assembleia mostrar a face ou, como os seus amantes e colegas de subversão, ter-se-á escondido, encapotado, sob o nefasto manto da virtualidade, qual pária deslocado para uma qualquer Flórida deste mundo?

«E o Ricardette? Este possivelmente não pôde ir por se lhe ter avariado o vibrador que sempre o acompanha. Como iria a "belezura" viajar de carro e manifestar-se sem o aparelhómetro metido para lhe acariciar o "ego" e dar largas ao seu contentamento?
Que gente corajosa!!! Eu disse corajosa???
Alguém viu alguma vez a cobardia dar a cara? Nunca!»



Já o esperávamos: Ricardette não compareceu. E a explicação, embora LemUs não saiba com segurança e a 100 por cento o que se terá passado ("possivelmente"), só pode ter tido repercussão nos seus pesadelos nocturnos: vibradores, aparelhómetros, metidos, contentamento. Para LemUs a compreensão do mundo é este universo de eternas enrabadelas nas quais inclui todos os pensamento e todas as pessoas, na esperança de que um dia alguém o abrace e lhe diga que já passou, que há vida para além disso, que um dia isso também será esquecido, que ele não teve culpa de nada, que a vida às vezes é injusta; mesmo para um honesto, conhecedor, repleto de contactos e teias de informação, verdadeiro, humilde e oligofrénico espião internacional.


 

Ontem era tarde


sábado, 29 de setembro de 2012

De volta à liderança. Aproveitemos.

Golos, assistências e situações de desequilíbrio (7 jogos oficiais)


Os critérios estão explicados aqui.




Golos
Assistências
Situações de desequilíbrio
Rodrigo
3
1
1
Salvio
2
1
4
Bruno César


1
Cardozo
4


Luisão


1
Enzo Pérez
1

1
Melgarejo

1
1
Aimar

3

Nolito
1
1
1
Maxi

3
1
Lima
3

1

O produto do trabalho de Sénica

O Benfica acabou de vencer a Supertaça em hóquei em patins. Um título a juntar a outros que o excelente trabalho de Luís Sénica tem proporcionado ao Benfica. É ele o grande obreiro desta equipa de campeões. Já venceu dois títulos europeus, Taça de Portugal, Supertaças e há uns meses o Campeonato Nacional, depois de mais de uma década a penar no deserto. Mantém-te por muitos anos, Luís. És o maior.

Qual a melhor dupla?

Com a excelente entrada de Lima na equipa do Benfica - 3 golos em pouco mais de 100 minutos e uma clara qualidade na forma como se movimenta -, e conhecendo o apreço que Jesus tem pela utilização de dois avançados, qual a melhor solução?

- Lima e Cardozo
- Cardozo e Rodrigo
- Rodrigo e Lima
 
 

Lima resolve (e fiquemo-nos por aqui)



Entre Tumultos



Aos 10 minutos de jogo – jogado – já tinha o enredo feito para o início do meu texto: um apagão e 2 golos para cada lado faziam antever, mais uma vez, emoções fortes num palco diferente: na Mata Real.
Num terreno pequeno e com condições complicadas, a questão do apagão é preocupante no que se refere a segurança. Para além da quebra dos níveis de concentração dos jogadores e da quebra da parte física dos mesmos, põe em causa a segurança de todos os presentes. Apesar das condições terceiro mundistas que se vivem por esses estádios fora neste Nosso Portugal, valha-nos a atitude e postura civilizadas de todos os intervenientes até à data.
É algo que acontece, é verdade, até porque a falha de electricidade não foi apenas no Estádio foi geral. A verdadeira questão não se limita às falhas mas às condições em que ocorrem e o que daí pode advir.

Passando ao que interessa, o jogo propriamente dito.
Sem brilhantismo a que nada se deveu o apagão, o Benfica fez o que lhe competia para ganhar. Em mais um recital de golos perdidos, Lima resolveu. No sítio certo, na altura exacta, fez o que se pede a um PL: marcou! Mas como é humano também falhou. A diferença é que teve mais vezes sucesso e isso é o que define um bom PL de um PL vulgar. Quanto a mim, elejo-o o homem do jogo. 
Muito boa esta concorrência entre ele e o Takuara. Acima de tudo para o Benfica.

Numa 1ª parte muito morna, o Benfica começa a perder no único lance desenhado – e bem – pela Equipa do Paços. A defesa parecia ainda não ter reposto os níveis de concentração entretanto perdidos com o apagão.
 O Benfica repõe a igualdade no minuto seguinte, podendo agradecer às mãozinhas de manteiga de Cássio e ao faro de Lima! Com mais de meia hora para jogar, controla o jogo quer a nível de posse de bola, ainda que por uma pequena vantagem,  quer em nº de ataques, quer em cantos (6, contra 0 do Paços!). Não significa tudo… em remates, o equilíbrio entre as 2 equipas fazia parte das estatísticas e o empate foi o resultado com que saíram para o balneário.
Mais um vez, durante a 1ª parte, senti que faltava ali “A” peça. A peça que articulasse com magia o jogo ofensivo. Via Rodrigo e Lima demasiado recuados a vir buscar jogo.
Já sabía que Aimar não estava mas uma  “peça” saltou do banco: Gaitan!
Na minha opinião foi ele que deslinhou aquele novelo. Que falta nos faz este Gaitan..
Martins, entrando para o lugar do lento Matic completou a seguir o que faltava: puxar a Equipa para a frente.
O remate ao poste de Gaitan foi o aviso, o golo de Lima a seguir, num sentido de oportunidade à PL, resolveu a questão.  Só o soubemos aos 94 minutos porque o 2º golo do Benfica fez despertar o Paços que, até ao apito final, ainda deu um ar da sua graça, tendo sido da competência do Rei Artur fechar a 7 chaves os 3 pontos que selaram a vitória do Benfica.

Não sei se será impressão minha mas vejo o Maxi algo instável nestes últimos jogos. Nada a apontar à sua inigualável raça – e não lhe fica mal “Aquela” braçadeira - mas os lances de desconcentração e atrapalhação têm sido frequentes nos jogos. Ao contrário de Melgarejo que, sem grandes invenções, lá vai acertando o passo.

Matic lento. É o defeito que lhe aponto. Talvez por alguma falta de ritmo e entrosamento, mas ainda assim, e tendo em conta foi chamado a substituir, tenho poucas dúvidas que mais uns jogos e conseguirá relegar para 2º plano esta “carência”.
Apesar de ter algumas reservas, fruto de um passado recente e ainda na minha memória,

Enzo Peres tem vindo progressivamente a deitar abaixo essas reservas. Nunca pus em causa o seu “talento”, mas o equilíbrio emocional e a capacidade de o manter enquanto profissional, não é menos importante e aí ele não teve o melhor cartão de visita. Tem estado bem e hoje não foi excepção mas talvez ainda não tenha abatido as reservas suficientes para dizer muito mais do que o que acabei de dizer.

Menção honrosa  a Jardel! É de realçar quando um jogador consegue fazer esquecer outro, da importância de Luisão, de forma tão natural e sem sobressaltos. Principalmente quando todos duvidavam disso! Foi o grande obreiro do 1º do Benfica, num cabeceamento como mandam as regras.
Há lacunas no Plantel, mas não é na dupla de centrais que elas se têm manifestado.

Salvio! Um jogador extraordinário. Mesmo estando uns furinhos abaixo dos 2 primeiros jogos, é de uma presença e de uma intempestividade natas. O homem quando decide meter a 2ª leva literalmente tudo à frente. Foi o que aconteceu hoje com uma arrancada que termina num remate em arco que passa a centímetros do poste! Uma pena não ter marcado, o lance pedia um final perfeito!

E assim seguimos, devagarinho.. Uns mais confiantes que outros mas seguimos, através de tanto tumulto.
Próxima linha: Champions; Paragem: Barcelona in Estádio da Luz. Eu vou lá estar. Porque faço parte do Grupo dos mais crentes talvez.
Fé, paixão, doença, loucura, amor seja o que fôr, excepto racionalidade, admito-o. 
O apoio ao Benfica e a quem veste o Manto é uma constante. Inegociável, imutável, instranponível. Sejam quais forem os tumultos. Esses são outras lutas, travadas noutros locais, mas sempre pelo mesmo: Sport Lisboa e Benfica.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Boa Noite, Dr. Gomes da Silva

O Ricardo tem um grande defeito: é um gajo exageradamente modesto. Como tal, recusa-se a transcrever aquilo que foi a sua intervenção na Assembleia Geral de ontem à noite. Após muita insistência, e por consideração a mim enquanto membro do blogue, lá me enviou um email com aquilo que, em traços gerais, foi a sua intervenção - refira-se que o facto de eu ter ameaçado apagar todos os posts do tasco em nada contribuiu para essa decisão. Como o discurso foi de improviso o texto abaixo pode não traduzir na íntegra, palavrinha por palavrinha, tudo o aquilo que foi dito. Agora leiam depressa antes que ele venha aqui apagar isto.

“Boa noite. Eu julgava que vinha assistir à AG do Benfica, mas afinal acabei na AG do benfiquinha. O benfiquinha é um clube no qual um dos seus vice passa metade do discurso de apresentação do relatório e contas a falar nos feitos das escolinhas de basket - feitos que naturalmente aplaudimos, mas que nada têm a ver com o que está realmente em causa. O benfiquinha é um clube que persegue no seu local de trabalho os sócios com opiniões divergentes. Boa noite, Rui Gomes da Silva.

O benfiquinha é um clube que tem um Presidente que apoia corruptos para a Liga e para a Federação. É um clube que ganha 2 campeonatos em 10 anos e tem orgulho disso. O benfiquinha no fundo [virei-me para o Vieira] é este senhor que aqui está, um Presidente que, em vez de ter vergonha na cara e demitir-se, vem para uma Assembleia mexer no telemóvel e meter as mãos na cara para não o verem. Um benfiquista sério já se tinha demitido. Eu não quero este benfiquinha.

VIVÓ BENFICA!”

Os abutres saíram à rua


Surpresa: ainda há Benfica. Quando se pensava que os adeptos tinham todos entrado numa espiral de autismo e subserviência a uns senhores que de Benfica só têm o facto de o dirigirem - e mal -, a massa decidiu apareceu e dizer: "basta!". Basta de tanta incompetência. Basta de tanto engano. Basta de tanto desrespeito, de tanta mentira, de tanta incongruência, de tanto despesismo, de tão fraca cultura vencedora. Ao contrário do que alguns dizem, o Benfica não saiu a perder. Pelo contrário, reforçou-se e pode a partir deste momento garantir um futuro condizente com a sua História, com os seus valores, com a sua génese. Se as escolhas serão as melhores, ninguém sabe; espera-se que sim. Do que já muita gente não tem dúvidas nenhumas é de que, com estes, o caminho é para o abismo. E isso, passados tantos e tantos anos de cegueira, é decisivo. Um clube como o Benfica não pode viver com medo de mudança a viver de fantasmas. Os verdadeiros fantasmas estiveram ali à nossa frente, a brincar com os telemóveis.

O chumbo de ontem é um apoio inequívoco não a Fernando Gomes mas ao Benfica. É um passe de sobrevivência, uma ávida vontade de ter a dirigir o clube gente que, em vez de dormir nas Assembleias ou rir em sinal de gozo ou meter as mãos na cara de vergonha, saiba assumir as suas acções e enfrentar o juízo popular. Queremos um Presidente e uma Direcção que falem verdade aos benfiquistas, que cumpram o que prometem, que sejam dignos da memória, que sejam competentes, sérios, apaixonados. Que saibam o que é verdadeiramente "vencer" e não este grupo de incompetentes para os quais 2 campeonatos em 10 anos é motivo de grande orgulho e regozijo. Só um defensor do benfiquinha mais deformado pode defender estes senhores para o Benfica. Mas eles existem.

Existem e de idades e circunstâncias muito diferentes. O benfiquista jovem, com acesso a toda a informação sobre o clube, é apoiante desta direcção por três motivos: ou é burro ou tem algum interesse ou é louco. Há muitos que não são burros nem loucos. Resta-nos a segunda opção. Há, no entanto, outro tipo de benfiquista: o mais experimentado. São os senhores que se colocam nas primeiras filas a levantar o braço com os seus 50 votos. A estes devemos todos o nosso respeito, mesmo que discordemos das suas opções. Na sua maioria, não estão a par do que verdadeiramente se passa no clube; compram o "A BOLA" - braço político de Vieira - todos os dias, vão aos jogos e, de vez em quando, vão jogar cartas para a Sala de Convívio. Viram um Benfica grandioso, exultaram com os seus feitos e depois caíram na depressão mais profunda aquando das passagens de Damásio e Azevedo. Naturalmente, têm medo desses tempos. Compreensivelmente, hesitam e duvidam da mudança. Com algum sentido, para a vivência que têm, preferem a mediocridade actual ao desconhecido. E portanto merecem-nos todo o respeito. Insultá-los ou coagi-los não é, de forma alguma, um acto de benfiquismo, é outra coisa qualquer que deslustra a história democrática do Benfica. Por mais incredulidade e raiva que a incompetência dos que nos dirigem nos tragam, é fundamental ter presente o respeito por quem construiu um Benfica glorioso. Que isso fique bem claro para o futuro: não se depõe uma Direcção de mal-educados com insultos a outros benfiquistas. 

A votação foi clara e inequívoca. A forma como foi feita é que de claro tem muito pouco. Em 2012 termos de assistir ao espectáculo deprimente de dois senhores a contar os papelinhos nas mãos dos adeptos é absurdo - não é só pelo facto de a contagem obviamente entrar no campo da subjectividade (alguém consegue garantir o mínimo de credibilidade a um sistema de contagem deste tipo?), é também porque expõe o clube a um atraso evolutivo completamente desnecessário. Uma votação electrónica ou, se quiserem manter um sistema mais palpável, o voto nas urnas são as soluções que podem no imediato e para a próxima Assembleia corrigir este estranho anacronismo.

A Direcção fará de tudo para que haja uma colagem do extintor rebentado aos adeptos que chumbaram o Relatório e Contas - faz parte dos incapazes quererem resistir a todo o custo. Haverá muitas teorias, muitas suposições e conspirações, quererão desrespeitar os adeptos, misturando-os com uma minoria que usou de estratégias erradas e, em alguns casos, vergonhosas. Mas quem lá esteve sabe bem que a grande parte dos que votaram contra é um conjunto de pessoas que só quer bem ao Benfica, que respeita os outros e defende o espírito democrático que este clube, com algumas excepções (Vieira na linha da frente), sempre teve. A todos os que educadamente votaram contra e a todos os egrégios benfiquistas que votaram a favor, o meu obrigado. Aos radicais que desrespeitaram o clube e aos benfiquistas esclarecidos que votaram a favor, o meu desprezo. Não se constrói Benfica com tanta falta de cérebro.

Chegados aqui, o quê? Ninguém sabe. 

É possível - é, aliás, muito provável - que para Vieira isto tenha sido só um acaso, um acidente de percurso, e que continue a sua saga de autismo, agarrado ao poder - qualquer benfiquista que se preocupe com o clube, na situação dele, demitir-se-ia logo ali. Antes da noite de ontem só com o inenarrável Damásio esta situação tinha ocorrido. Vieira fugiu a sete pés do pavilhão, Damásio demitiu-se. Façam vocês as vossas contas sobre isto.

É possível - é mesmo muito possível - que tenhamos a sequela do filme "vamos manchar a história democrática do Benfica". Depois da vergonhosa antecipação de eleições em 2009, só falta mesmo a Vieira repetir a dose. E depois vocês façam as contas sobre isto.

O que não me parece possível, ou provável, é que a imberbe oposição existente - nem sequer falo de Carvalho, um estranho senhor que, ainda assim, não merece ser insultado - aproveite mais uma oportunidade de ouro de constituir uma equipa séria e competente para, organizada, trazer uma esperança ao coração dos adeptos. Uns porque se vendem - Varandas nem sequer foi à Assembleia -, outros porque têm dúvidas - Tavares e Rangel esperam o momento apropriado, que deverá ser em 2050 - e outros porque, enfim, não estão para isso, não podem ou não têm dinheiro para garantir um crédito que sustente o abismo financeiro no qual o Benfica está inequivocamente metido. 

Resta-nos esperar. Com serenidade e comprometimento com os nossos ideais. E dar não um cartão amarelo - tão temido pelos situacionistas de algibeira - mas um claro e benfiquista cartão vermelho a esta gente. E, podem crer, quando isso acontecer, aparecerão candidatos. Uns maus, outros assim-assim e outros que trarão ao Benfica o que desejamos. É tempo de fazer regressar o clube a um patamar de benfiquismo apaixonado e credível. O mote está lançado, saibamos a partir de agora proporcionar o próximo passo. Os abutres saíram à rua.



Roubada ao Cabelo do Aimar



Ontem vi-te na Assembleia Geral

Nós, aqui no "Ontem", estamos orgulhosos do nosso "minino".

(Foto descaradamente roubada ao Blog de Leste)

Respondendo à resposta



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Não te estejas a cagar para o Benfica.


Concordes ou discordes desta Direcção, sejas abutre, papagaio, vieirista, moço de recados, lambe-botas, anti-benfiquista, chulo, deficiente mental, proxeneta, vira-casaca, afialhado, aburguesado, tiagopintado, macacóide, alimária, pária social, corrupto, mentecapto, palhaço, instrumentalizado, lambe-cus, varino, peixeiro, ardina, sócio, adepto, simpatizante, cagalhão rasteiro ou troca-tintas.

Amanhã às 20h30. Faz pelo Benfica. 



Também temos coração


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Restaura-me o Benfica






Em noites destas, cheias de água a cair das estrelas, ou no calor do sol de Lisboa, acontecia sempre o momento "vai lá fazer compras que eu vou com o puto ao Benfica". A minha mãe baralhava-se muito com estes momentos porque lhe parecia que, para o meu Pai, o Benfica era em todo o lado, e, apesar de imaginar com agrado umas horas de libertação feminina - sem homens ao redor, com ar de enfado, enquanto ela experimentava aquelas peças de roupa extraordinárias que obviamente lhe faltavam no armário; feitos para ela, como recusar? -, sentia com preocupação aquela coisa de estar em todo o lado o Benfica. 

No meio da estrada entre Borba e Vila Viçosa, entre as montanhas de mármore, ou nas profundezas das serras minhotas; nos largos canaviais do Oeste, debruados a pinhais e ondas a bater nas rochas, ou no frio de Trás-os-Montes, onde era possível - pensava ela - que ali, naquele sítio agreste, não havia Benfica, sempre aparecia o momento em que o meu Pai dizia: "vai lá olhar as pedras ou cheirar o verde lacrimejante do Minho ou ver o horizonte do mar que, se for corrido em frente, vai dar ao fundo dos astros... que eu vou com o puto ao Benfica". Não havia segunda escolha, o Benfica estava mesmo em todo o lado.

Eram noites como as de hoje, em que a água se estatelava nas pedras do chão, ou então eram dias que reflectiam o Sol nas paredes das casas de Lisboa e nos inundavam os olhos com uma cegueira momentânea e que sabia bem a beber cerveja, que abandonávamos a minha mãe ao desafio da faina em centros comerciais em caves bafientas onde se juntavam as melhores modas mundiais com tabacarias a cheirar a cigarrilhas. Não sei se ia feliz, mas aceitava a omnipresença do Benfica como um facto a que não podia recorrer em tribunal - "Consegue provar que não há Benfica em todo o recanto do mundo?". Talvez fosse mais fácil aceitar os desígnios divinos e absorver-se, ela, nos requisitos humanos. E era assim que nós - eu, o puto, e o meu Pai - iamos passar mais uma tarde, ou noite talvez, à sede do Benfica.

A sede do Benfica tinha aquele orgasmo especial de se anunciar ao mundo sem medos - um enorme símbolo inundando duas ruas, encostando-se tranquilo no "v" que as esquinas fazem. Era logo uma alegria ver o Benfica escarrapachado nas paredes, a águia tanto mirando os que subiam como os que desciam, embora esta segunda versão não fosse aceite em todos os debates mais acesos. Havia quem dissesse que a águia só olhava para um lado, com medo do futuro, mas eu nessa altura não sabia que viria 1994 e portanto mantinha-me fiel à primeira imagem: os olhos aquilinos rodavam e rodopiavam entre ruas e cheiros, provavelmente atraídos pelos odores e sons que, de lá do lugar dos homens, chegavam com fumo e fartas fomes. 

Era para mim estranho que aquilo não fosse o Estádio da Luz, visto que, ao entrar, o benfiquismo era o mesmo e em doses peculiares - havia quem jogasse bilhar com o cachecol vestido; camisolas da adidas postas nas paredes; gente bebendo cerveja e uísques gritando Benfica. Os sócios tinham um ar compenetrado de associativismo sério e responsável: só bebiam até cair; vomitar não, que era de paneleiragem - assumi desde novo que a paneleiragem fosse o Sporting, mas depois percebi que se referiam a umas drag-queen que eles viam da varanda em noites em que a emoção do jogo era tanta que o piso vermelho da mesa de bilhar se rasgava na diagonal, mirrando perante os olhares atentos dos atletas. Quando era assim, desta forma, sem solução aparente, alguém podia gritar "VIVÓ BENFICA!", que as almas se enchiam de um brio orgulhoso e esqueciam de que amanhã era dia de ir ver dos panos da mesa. 

Fumavam muito, os consócios, enchiam os pulmões de fumo e soltavam pelo ar pequenos símbolos do Benfica que iam voando por cima dos matraquilhos até esbararrarem, menos nítidos, nas fotos do Rogério Pipi ou do Santana ou do Bermudes. As fotos pregadas na parede mas sem serem fixas - acontecia-me beber o meu Trina de Laranja e, já alcoolizado, ver um jogo de cabeçadas entre os atletas da parede junto à varanda e dos jogadores que ficavam de cara a preto e branco junto ao bar. O meu Pai ia ali como se fosse a uma igreja, ia despedir-se ao mesmo tempo que ia matar a sede da alma: chegávamos e pedíamos bebidas, mostrava-me as fotografias na parede, apontava para os troféus, dizia coisas de que não me lembro mas eram parecidas, tenho a certeza que eram parecidas, com uma reza e depois jogávamos com os benfiquistas enquanto o pano não rasgava naquelas noites - dias? - em que drag-queens ou então mulheres às compras iam para ali para a vida dos humanos. 

Eu ia à varanda tentar tocar no símbolo. O meu Pai punha-me ao colo e deixava-me tocar no símbolo. Bastava um toque com o dedo mindinho para sentir o Benfica nas suas profundezas de clube de afectos. A noite caía sobre Lisboa e as luzes acendiam-se avisando o mundo de que era necessária visão, os humanos preenchiam as ruas, falando e gesticulando como humanos, sem saberem a alegria de ficar junto à águia, compondo-lhe as patas sobre o cachecol que anuncia "De todos, um", mesmo que a águia estivesse a voar por cima de nós, irrepetível no voo. O meu Pai dizia-me "isto é o Benfica" e é possível que na emoção da infância eu tenha deixado cair uma lágrima paneleira sobre os paneleiros que passavam na rua - do Sporting ou não. 

Hoje deixo lágrimas paneleiras sempre que ali vou encher o bandulho à Casa do Alentejo ou ver um concerto ou beber ginja ou outra coisa qualquer como ficar deitado numa rua à espera dos humanos - experimentem, é bom, ninguém quer saber. Com uma morcela nos beiços e três litros de vinho depois, então, é dramático. O Benfica está ali mas já não está ali - a minha mãe regozija-se neste momento. Aquilo é um lugar de peregrinação transformado em ninho de ratos e ruínas de um Benfica que um dia existiu. Se não for pedir muito, quero voltar a tocar no símbolo e estragar com o meu puto o pano vermelho da mesa de bilhar.