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terça-feira, 24 de maio de 2016

Comemorar o golo com um salto


Quem roubou ao futebol o salto, aquele salto, que, mal a bola entrava na baliza, fazia a perna direita ganhar balanço para o voo na vertical de braços no ar e joelhos flectidos? Para onde foi, quem ficou com ele, terá desaparecido essa repentina viagem à infância que cada jogador fazia assim que o golo era golo?

José Augusto não saía de onde estava: saltava na vertical duas e três vezes. Pulava e pulava, com os braços descontrolados, parecia um moinho de brincar soprado por uma gloriosa ventania; já Simões, mais junto ao relvado, elevava as costas das chuteiras ao rabo enquanto tentava ganhar altura: era um salto como se fosse um boneco de madeira articulado por uma mão divina; Torres elevava-se aos céus, punha-se a dar cabeçadas nas nuvens a confirmar o golo; Coluna no miolo via à distância a bola passar a linha e então saltava enquanto corria ou corria enquanto saltava, voando.

Eusébio precisava de balanço: primeiro corria como um louco, criança pela relva, como se ainda andasse descalço pelo Bairro de Mafalala. Ria que nem um perdido para o público. Ia direito a ele. Depois mudava de direcção, começava a correr em círculos, de braço direito no ar como se fosse o mastro de um navio que eternamente furasse as ondas com a força da felicidade. Os colegas andavam atrás dele pelo campo, a bola já parada dentro da baliza, e então ele saltava. Ganhava dois ou três metros ao chão, ficava do tamanho do Terceiro Anel. Saltavam os corações do Povo Benfiquista naquele salto. Naquele momento dentro do golo em que tudo deixa de existir. Só existe o golo, o marcador do golo e um grito prestes a acontecer. Um salto colectivo, glorioso, universal.


sábado, 5 de dezembro de 2015

O Futebol - Chico Buarque

Para estufar esse filó
Como eu sonhei

Se eu fosse o Rei
Para tirar efeito igual
Ao jogador
Qual
Compositor
Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental
Que um chute a gol
Com precisão
De flecha e folha seca

Parafusar algum joão
Na lateral
Não
Quando é fatal
Para avisar a finta enfim
Quando não é
Sim
No contrapé
Para avançar na vaga geometria
O corredor
Na paralela do impossível, minha nega
No sentimento diagonal
Do homem-gol
Rasgando o chão
E costurando a linha

Parábola do homem comum
Roçando o céu
Um
Senhor chapéu
Para delírio das gerais
No coliseu
Mas
Que rei sou eu
Para anular a natural catimba
Do cantor
Paralisando esta canção capenga, nega
Para captar o visual
De um chute a gol
E a emoção
Da idéia quando ginga

(Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi para Mané para
Didi para
Pagão para Pelé e Canhoteiro)


sábado, 19 de abril de 2014

Reservado



Desde ontem têm chegado ao facebook do “Ontem” dezenas de fotografias oriundas dos mais diversos lugares do país e do mundo que documentam uma reserva nacional e internacional das praças mais emblemáticas de cada região.

Devo dizer-vos que é delicioso receber, ver e publicar tamanho benfiquismo. É emocionante rever toda a nossa grandeza. É apaixonante sentir toda a nossa volúpia vermelha.

O país e o mundo estão reservados para nós, estão reservados para o Benfica. Já nada o pode impedir, seja hoje, amanhã, na próxima semana, no próximo mês, o mundo vai explodir de vermelho, uma onda, um mar, um tsunami de proporções incalculáveis atingirá qualquer cantinho deste ou doutro qualquer mundo onde bata um coração vermelho sangue.

Cá como lá, seremos campeões. E de cá para lá vai a nossa melhor homenagem e o nosso maior Obrigado. Eusébio, Sr. Coluna e demais habitantes da tribuna Cósmica, este é vosso, é nosso, é do Benfica.

A quem se pergunta pela mística do Benfica, terá aqui a sua resposta. A quem duvida que o Benfica é mais especial que os especiais, mais que os melhores, terá a sua prova. A quem desconhece a dimensão do Benfica, verá e não esquecerá o universo pintado de Vermelho.

Sejam bem-vindos ao glorioso mundo do Benfica!


P.S. Ainda que não seja este o timing correcto, mas porque este foi o primeiro post que fiz desde o sucedido, gostaria de endereçar a Luís Filipe Vieira e a toda sua família, as mais sentidas condolências

terça-feira, 21 de maio de 2013

A amante do Costa Pereira



Não sei a que propósito está um penso higiénico gigante a dividir os adeptos mas aceito tranquilamente que entre Milan e Benfica o sangue de vermelho escarlate inundasse o estádio em transbordos necessitados de medidas drásticas que estancassem aquele rio festivo. Há um manto negro, bordado a dourados, com uma coroa no centro por cima do que parece ser um portão de um palácio e em baixo gente de fato amenamente conversando e cruzando as pernas. 

 Um polícia, ou o que parece ser um polícia, abre os braços tocando ao de leve no nariz de Coluna - nos anos 60 era intensa a luta contra o uso de cocaína, embora ninguém o admitisse. Veladamente, tocavam ao de leve nos artistas e inspeccionavam-lhes as narinas, como se nada fosse. Coluna manteve-se sério e sereno, menosprezando aquele claro desrespeito ao jogo e à sua conduta. Os ares que lhe davam, se os havia, eram de etílico ingerido antes do encontro, coisa pouca, quase nada, um cheirinho (calma!) de moscatel de Setúbal, aqui e ali uma medronheira enquanto se atavam as botas pesadas. Tudo para além disto era boato e coisas lá dos tontos dos ingleses. 

 À esquerda, um poste que nasce no primeiro anel e sobe até ao tecto da estrutura - poste naturalmente britânico, muito visto pelos estádios de Sua Majestade e às vezes em Portugal, embora em Barcelos tenham decidido abdicar das estruturas bamboleantes do antigo estádio, onde uma vez fui ver o Benfica subindo da estrada para as bancadas por umas escadas de madeira com um dos mastros despegado do resto dos toros horizontais, numa clara alusão ao facto do difícil que é apanhar um Galo. 

 Há ali gente - ou havia, não sei bem se estão todos connosco, vamos assumir: não estão - que passará o jogo dando cabeçadas no vizinho do lado, sempre que quiserem ver o Eusébio e o Coluna levarem grandes ceifadas dos italianos catenaccios - dirão: "well, excuse me, mister, won´t you take a look around?" e farão grandes juras de vingança ao amigo que lhes comprou o bilhete para trás do poste. 

 Nota-se, no entanto, à direita uma certa zona desértica, provavelmente fruto dos cheiros que os ultramarinos adeptos do Benfica emanavam e que ao olfacto mais refinado do adepto inglês parecia coisa das áfricas e de memórias nefastas - houve alguns, inclusivamente, que, num vergonhoso gesto de falta de "fair-play", decidiram abandonar o jogo em protesto - se era para se darem com pretos, então tinham ido à casa de putas, que pelo menos ali ninguém os via. Este gesto ainda hoje é falado - embora estranhamente olvidado pelos meios de comunicação mais atentos - nos corredores das conversas entre adeptos e só não mereceu devida punição por parte das instâncias responsáveis porque se estavam a guardar para verter tudo uns anos depois, aquando de um certo jogo, não nos recordamos bem, entre o Liverpool e a Juventus. Coisas estranhas, de facto, podem passar-se em frente a um relvado. Ninguém sabe ao que vai quando se decide a ir observar uma bola laranja ser pontapeada por brancos e pretos - e até mulatos! - a um antro do "soccer". 

 O porquê de estar um homem de kilt com uma bandeirinha caída sobre os pés em frente aos polícias e adeptos com tarjas ainda hoje resiste no silêncio sepulcral do imaginário futebolístico. É possível que, à falta de vestimenta devidamente lavada, engomada e dobrada por parte da esposa, o senhor tenha decidido explorar todas as suas raízes serranas das quais às vezes tinha vergonha, outras sentia orgulho, mas disso, porque caminhamos em terrenos baldios das suposições mais inqualificáveis, pretendemos fugir a sete pés, visto que acabámos de visualizar um número 3 com um homem dentro.

 Desconhece-se a origem do senhor, o nome ou as preferências gastronómicas; o certo é que caminha, entre o fotógrafo e o árbitro, numa diagonal lancinante, virado para o seu lado do campo, cheio de medo do Benfica. Não nos opomos a tal opção, afinal falamos apenas e somente do bicampeão europeu, muito provavelmente tricampeão, se o árbitro e as circunstâncias assim o permitirem. Agora que olhamos com a merecida atenção, reparamos que, na primeira fila, se encontra um homem de azul, dando pequenas dicas, mezinhas, inadmissíveis truques ao "3" italiano, tudo isto nas costas do árbitro que, de uma forma vesga, consegue ler os símbolos dos clubes nas camisolas dos capitães enquanto valida o aperto de mão. 

 Desconfio sempre de gente que leve junto ao coração tão grande insígnia da FIFA. Se a isto adicionarmos a popa ultrajante e um certo ar de enfado, de quem está mortinho para largar aquele sol que mais parece vindo dos calores da Andaluzia, onde passava grandes temporadas de chinelos e meias brancas, camisolas da selecção e canecas de cerveja na mão, começamos a compreender que o destino do Benfica naquela tarde estava dramaticamente pintado a tragédia. Com o indicador da mão direita, coça o colhão direito; com o cotovelo do braço esquerdo, lesiona o cotovelo direito de Coluna. Sobre isto, meus amigos, nuncia vi a Fifa pronunciar-se. 

 É evidente que Mário Coluna teve uma erecção - chega de tanto fantasioso justificar sobre o tema. A explicação é simples: Coluna envergava aquilo que parecia ser uma bandarilha com a qual - julgava ele, o ingénuo! - acabaria com o toiro italiano, fosse aos 3 minutos fosse no fim do jogo. Mário - que já vinha quentinho do balneário; relembre-se todo o tratado sobre hábitos alcoólicos explorado acima - puxa, de forma metódica, o galhardete do Milan para juntos dos dedos, enquanto observa a natureza de Cesare, prepara-se mentalmente para uma faena imperial, sob a coroa britânica, mirando não os olhos mas os gestos, e todo o estratégico plano - fotografado, aliás, pelo homem que, agachado, tira essa imagem memorável das costas do árbitro para a posteridade - foi por água abaixo com uma entrada assassina desse anti-benfiquista, abutre mesmo!, chamado Trapattoni, um homem que teve a veleidade de, anos mais tarde, vir conspurcar o Benfica com um título de campeão nacional, numa altura em que a prioridade seria a valorização de activos. Podemos agora culpar Giovanni pela entrada ríspida que aniquilou o nosso motor do meio-campo, mas acima de tudo devemos responsabilizar o italiano por ter vindo destruir a ideologia actual, vencendo um campeonato em detrimento de dotar a SAD de vendas astronómicas que pagassem juros sobre juros sobre juros que depois não são pagos. Os italianos sempre foram muito malucos. 

 Do que eu não me esqueço é da bola laranja, enfiada num jardim de cal em redondel. Está ali vendo tudo, o couro brilhando sob o sol de Wembley, à espera, desesperada, de um pontapé e depois do golo e do abraço das redes e do regresso à cal e dos voos para as áreas e dos aconchegos das cabeças e das idas e voltas - eterna diáspora -, de um lado para o outro, indecisa, depois segura, indo e vindo, para trás e para a frente, de costas, em contra-mão, aos soluços, aos gemidos, às voltinhas. Vê os pés do Coluna abertos, cheios de vontade; vê os pés do Maldini, fechados, hesitando; vê os pés do árbitro e ignora. 

 A bola laranja fez golo três vezes e nas três aninhou-se nos braços dos guarda-redes. Infelizmente para nós, gostava mais do Costa Pereira.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A amante do Costa Pereira


Não sei a que propósito está um penso higiénico gigante a dividir os adeptos mas aceito tranquilamente que entre Milan e Benfica o sangue de vermelho escarlate inundasse o estádio em transbordos necessitados de medidas drásticas que estancassem aquele rio festivo. Há um manto negro, bordado a dourados, com uma coroa no centro por cima do que parece ser um portão de um palácio e em baixo gente de fato amenamente conversando e cruzando as pernas.

Um polícia, ou o que parece ser um polícia, abre os braços tocando ao de leve no nariz de Coluna - nos anos 60 era intensa a luta contra o uso de cocaína, embora ninguém o admitisse. Veladamente, tocavam ao de leve nos artistas e inspeccionavam-lhes as narinas, como se nada fosse. Coluna manteve-se sério e sereno, menosprezando aquele claro desrespeito ao jogo e à sua conduta. Os ares que lhe davam, se os havia, eram de etílico ingerido antes do encontro, coisa pouca, quase nada, um cheirinho (calma!) de moscatel de Setúbal, aqui e ali uma medronheira enquanto se atavam as botas pesadas. Tudo para além disto era boato e coisas lá dos tontos dos ingleses.

À esquerda, um poste que nasce no primeiro anel e sobe até ao tecto da estrutura - poste naturalmente britânico, muito visto pelos estádios de Sua Majestade e às vezes em Portugal, embora em Barcelos tenham decidido abdicar das estruturas bamboleantes do antigo estádio, onde uma vez fui ver o Benfica subindo da estrada para as bancadas por umas escadas de madeira com um dos mastros despegado do resto dos toros horizontais, numa clara alusão ao facto do difícil que é apanhar um Galo.

 


 
Há ali gente - ou havia, não sei bem se estão todos connosco, vamos assumir: não estão - que passará o jogo dando cabeçadas no vizinho do lado, sempre que quiserem ver o Eusébio e o Coluna levarem grandes ceifadas dos italianos catenaccios - dirão: "well, excuse me, mister, won´t you take a look around?" e farão grandes juras de vingança ao amigo que lhes comprou o bilhete para trás do poste.

Nota-se, no entanto, à direita uma certa zona desértica, provavelmente fruto dos cheiros que os ultramarinos adeptos do Benfica emanavam e que ao olfacto mais refinado do adepto inglês parecia coisa das áfricas e de memórias nefastas - houve alguns, inclusivamente, que, num vergonhoso gesto de falta de "fair-play", decidiram abandonar o jogo em protesto - se era para se darem com pretos, então tinham ido à casa de putas, que pelo menos ali ninguém os via. Este gesto ainda hoje é falado - embora estranhamente olvidado pelos meios de comunicação mais atentos - nos corredores das conversas entre adeptos e só não mereceu devida punição por parte das instâncias responsáveis porque se estavam a guardar para verter tudo uns anos depois, aquando de um certo jogo, não nos recordamos bem, entre o Liverpool e a Juventus. Coisas estranhas, de facto, podem passar-se em frente a um relvado. Ninguém sabe ao que vai quando se decide a ir observar uma bola laranja ser pontapeada por brancos e pretos - e até mulatos! - a um antro do "soccer".

O porquê de estar um homem de kilt com uma bandeirinha caída sobre os pés em frente aos polícias e adeptos com tarjas ainda hoje resiste no silêncio sepulcral do imaginário futebolístico. É possível que, à falta de vestimenta devidamente lavada, engomada e dobrada por parte da esposa, o senhor tenha decidido explorar todas as suas raízes serranas das quais às vezes tinha vergonha, outras sentia orgulho, mas disso, porque caminhamos em terrenos baldios das suposições mais inqualificáveis, pretendemos fugir a sete pés, visto que acabámos de visualizar um número 3 com um homem dentro.

Desconhece-se a origem do senhor, o nome ou as preferências gastronómicas; o certo é que caminha, entre o fotógrafo e o árbitro, numa diagonal lancinante, virado para o seu lado do campo, cheio de medo do Benfica. Não nos opomos a tal opção, afinal falamos apenas e somente do bicampeão europeu, muito provavelmente tricampeão, se o árbitro e as circunstâncias assim o permitirem. Agora que olhamos com a merecida atenção, reparamos que, na primeira fila, se encontra um homem de azul, dando pequenas dicas, mezinhas, inadmissíveis truques ao "3" italiano, tudo isto nas costas do árbitro que, de uma forma vesga, consegue ler os símbolos dos clubes nas camisolas dos capitães enquanto valida o aperto de mão.

Desconfio sempre de gente que leve junto ao coração tão grande insígnia da FIFA. Se a isto adicionarmos a popa ultrajante e um certo ar de enfado, de quem está mortinho para largar aquele sol que mais parece vindo dos calores da Andaluzia, onde passava grandes temporadas de chinelos e meias brancas, camisolas da selecção e canecas de cerveja na mão, começamos a compreender que o destino do Benfica naquela tarde estava dramaticamente pintado a tragédia. Com o indicador da mão direita, coça o colhão direito; com o cotovelo do braço esquerdo, lesiona o cotovelo direito de Coluna. Sobre isto, meus amigos, nuncia vi a Fifa pronunciar-se.

É evidente que Mário Coluna teve uma erecção - chega de tanto fantasioso justificar sobre o tema. A explicação é simples: Coluna envergava aquilo que parecia ser uma bandarilha com a qual - julgava ele, o ingénuo! - acabaria com o toiro italiano, fosse aos 3 minutos fosse no fim do jogo. Mário - que já vinha quentinho do balneário; relembre-se todo o tratado sobre hábitos alcoólicos explorado acima - puxa, de forma metódica, o galhardete do Milan para juntos dos dedos, enquanto observa a natureza de Cesare, prepara-se mentalmente para uma faena imperial, sob a coroa britânica, mirando não os olhos mas os gestos, e todo o estratégico plano - fotografado, aliás, pelo homem que, agachado, tira essa imagem memorável das costas do árbitro para a posteridade - foi por água abaixo com uma entrada assassina desse anti-benfiquista, abutre mesmo!, chamado Trapattoni, um homem que teve a veleidade de, anos mais tarde, vir conspurcar o Benfica com um título de campeão nacional, numa altura em que a prioridade seria a valorização de activos. Podemos agora culpar Giovanni pela entrada ríspida que aniquilou o nosso motor do meio-campo, mas acima de tudo devemos responsabilizar o italiano por ter vindo destruir a ideologia actual, vencendo um campeonato em detrimento de dotar a SAD de vendas astronómicas que pagassem juros sobre juros sobre juros que depois não são pagos. Os italianos sempre foram muito malucos.

Do que eu não me esqueço é da bola laranja, enfiada num jardim de cal em redondel. Está ali vendo tudo, o couro brilhando sob o sol de Wembley, à espera, desesperada, de um pontapé e depois do golo e do abraço das redes e do regresso à cal e dos voos para as áreas e dos aconchegos das cabeças e das idas e voltas - eterna diáspora -, de um lado para o outro, indecisa, depois segura, indo e vindo, para trás e para a frente, de costas, em contra-mão, aos soluços, aos gemidos, às voltinhas. Vê os pés do Coluna abertos, cheios de vontade; vê os pés do Maldini, fechados, hesitando; vê os pés do árbitro e ignora.

A bola laranja fez golo três vezes e nas três aninhou-se nos braços dos guarda-redes. Infelizmente para nós, gostava mais do Costa Pereira.


sábado, 28 de julho de 2012

Tantas saudades do Estádio da Luz




Para estufar esse filó
Como eu sonhei

Se eu fosse o Rei
Para tirar efeito igual
Ao jogador
Qual
Compositor
Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental
Que um chute a gol
Com precisão
De flecha e folha seca
Parafusar algum joão
Na lateral
Não
Quando é fatal
Para avisar a finta enfim
Quando não é
Sim
No contrapé
Para avançar na vaga geometria
O corredor
Na paralela do impossível, minha nega
No sentimento diagonal
Do homem-gol
Rasgando o chão
E costurando a linha
Parábola do homem comum
Roçando o céu
Um
Senhor chapéu
Para delírio das gerais
No coliseu
Mas
Que rei sou eu
Para anular a natural catimba
Do cantor
Paralisando esta canção capenga, nega
Para captar o visual
De um chute a gol
E a emoção
Da idéia quando ginga
(Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi para Mané para
Didi para
Pagão para Pelé e Canhoteiro)