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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Vítor Baptista e... o outro.

 
Na sequência do post sobre Vítor Baptista, o leitor Conde do Vimioso enviou-nos uma história pessoal sobre o Maradona de Setúbal e outro jogador do Benfica, Barros. Aí está ela:


«O VÍTOR BAPTISTA E... O OUTRO

O outro é o Barros, também jogador do Benfica na altura embora tenha chegado ao Benfica um ano antes do Victor.

Conheci-os aos dois no ano de 1971 na Policia Militar em Lisboa onde eram geralmente colocados os jogadores dos dois grandes clubes de Lisboa por aqui havia mais facilidades de serem dispensados mas também aí se continuava a sentir a rivalidade.

Quando o oficial de dia era do Sporting ia a procuras dos desenfiados do Benfica e o contrário também acontecia embora menos enfâse já que na verdade andava lá um oficial que era um lagartoide fanático e os jogadores do Benfica era avisados para que no dia em que aquele indigente estava de serviço deveriam aparecer pelo menos à formatura da manhã.

Castigados entre os jogadores também havia e foi de castigo que eu conheci em um fim de semana, na piscina do quartel aquele que viria a ser (((embora já fosse, mas menos conhecido))) um jogador fora de série e um ser humano que só fazia o que lhe apetecia, sendo que nada planeava.

Estivemos nesse dia, Maio ou Junho, ainda ele era jogador do Vitória de Setúbal mas já contratado pelo Benfica. Acresce como facto curioso que nesse dia o Benfica jogava em Setúbal para o campeonato e ganhou como era normal nessa época.

Para o Victor era a normalidade absoluta, nada o perturbava, nem demonstrava o sentimento para o qual pendia o seu coração.

Como acima referi o Barros até fazia parte do meu pelotão e dormia (((nunca o ouvi ressonar porque devia dormir mas nunca dormiu))) na cama por cima da minha e então quando o dito oficial lagartoide estava de serviço era certinho o Barros aparecer pela manhãzinha e dizer-me:

Mano empresta aí a gillete (((não se sabia ainda dessa doença terrível))) que tenho que me ir apresentar ao lagarto e assim por muitas vezes.

Entretanto fui mobilsado para o Ultramar e o Barros também mas ele não foi pois pagou 25 contos a um veterano PM já com dois anos de serviço em Lisboa.

Este homem do mundo e dele desprotegido levava o serviço de PM ao extremo do rigor e muitas vezes criava embaraços mesmo a nós graduados.

Entretanto chega a S.Tomé uma revista editada em Angola que relatava as peripécias do barros na noite. Lá se dizia que ele tinha queimado com a ponta do cigarro uma corista dos Parque Mayer com quem andaria de amores.

Claro que a minha aproximação com o barros foi maior do que com o próprio Victor mas, alguns anos mais tarde foram os dois contratados pelo Boavista onde o Victor seria figura de proa como foi sempre toda a vida e aí surgiu nova aproximação.

Pensem o que quiserem mais o Victor tinha a coragem dos inteligentes (((possivelmente demais))) e era genuíno tanto dentro como fora do campo, andando sempre a frente no tempo.

Ele já usava brinco, calças de ganga rotas, barba de oito dias ou de meses, cabelo enorme e desalinhado e por isso o Victor não era indiferente para ninguém.

Uma noite apareceram-me no café onde para. O Victor com o aspecto de sempre mas de socos o que me deixou meio embasbacado perante os amigos, o barros que ao contrário do Victor era oriundo da classe média usava também o cabelo e barba grandes mas vertia com distinção.

A pergunta que fiz ao Victor tinha vindo publicada  em um jornal algum tempo antes: 

OH Victor, então agora vais a cavalo para os treinos??? 

Com a sua habitual descontracção respondeu-me:

Uns vão a pé, outros de carro e eu vou de cavalo, qual o problema e depois até tem vantagens pois não preciso de andar à procura de estacionamento.

A árvore está lá sempre e o cavalo enquanto espera preso por mim ainda se vai alimentado.

Fiquei desarmado.

Aquele era o Victor.

Claro que soube de outras peripécias dele que muita gente também saberá, como aquela de um jogo que o Benfica ia fazer à Rússia para as competições europeias, era Mortimore o treinador que deu ordens para que tudo aparecesse no aeroporto de fato e gravata, mas:

O Victor apareceu com a suas jeans rotas e aí o Mortimore deixou-o em terra.

Como já referi o Victor teve o condão de viver sempre como quis, fazer o que quis e isso não é para qualquer um mas para mim era demasiado inteligente , um génio que viveu uma vida de génio e morreu como os génios.

Em tempos de Eusébio apreguou aos quatro ventos:

"EU SOU O MAIOR"»