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quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Cosme Damião e Francisco Stromp coram de vergonha
É execrável o estado a que chegou a relação Benfica-Sporting. Não pelos clubes, não por alguns adeptos - pelos dirigentes.
De um lado, um Presidente incendiário que, desde que chegou ao poder, percebeu que só o manteria se explorasse o chip anti-Benfica que está instalado na maioria dos sportinguistas. Arranjou uma equipa de mentecaptos, espalhou-os pelas várias televisões e passou a estabelecer a estratégia de lançar merda para a ventoinha semanalmente. Desde ataques inacreditáveis a um miúdo de 18 anos, passando por se imiscuir em assuntos privados do Benfica sem qualquer fundamento no discurso até colocar gente como o Inácio a atacar vergonhosamente a honra de gente boa como João Alves. A Sporting TV passa o tempo todo a falar em Benfica, Benfica, Benfica, árbitros, árbitros, Benfica, vouchers, Benfica, Benfica. O Sporting tem um Presidente que não olha a meios para atingir os fins. O problema é que a maioria sportinguista parece gostar da fantochada.
Do nosso lado, a hipocrisia na cara do Presidente. Armado em estadista - agora que ganha, porque já o vimos insultar toda a gente ou entrar em directo aos gritos por programas de televisão -, pede aos benfiquistas que não falem no Sporting enquanto envia para todas as televisões sanguessugas que monopolizam a conversa sempre com o mesmo: Jesus, Bruno de Carvalho Jesus, Jesus, Sporting, Jesus. Uma destas bestas é Vice Presidente do nosso clube. Os comentadores da Benfica TV passam 90 por cento dos programas a falar em Jesus, Jesus, Jesus, Bruno de Carvalho, Sporting, Jesus. O Presidente engana descaradamente os benfiquistas - alimentando secretamente uma guerra estúpida de insultos, processos e ameaças com o Sporting - e ainda tem a lata de lhes pedir que não falem no rival. Mas a maioria parece gostar da fantochada.
O meu avô era Sportinguista - ensinou-me a admirar e respeitar o Sporting. Mas esse era outro Sporting. Um Sporting que só vive no pensamento e nas acções de uma minoria de sportinguistas. Felizmente, conheço alguns.
O meu Pai era Benfiquista - ensinou-me a amar e a defender sempre o Benfica. Mas esse era outro Benfica. Um Benfica que só vive no pensamento e nas acções de uma minoria de benfiquistas. Felizmente, conheço alguns.
A luta não deveria ser entre sportinguistas e benfiquistas. Deveria ser entre sportinguistas e benfiquistas que não aceitam o que estes Presidentes idiotas estão a fazer aos nossos clubes e os sportinguistas e benfiquistas que não só aceitam como gostam deste diário chafurdar na lama que só envergonha quem fundou e fez crescer estes dois gloriosos clubes.
domingo, 23 de março de 2014
O motorista Abílio
19:43,
semáforo vermelho na Praça de Espanha. Vemos de cima, com câmara
panorâmica. À esquerda da imagem, filas de carros amontoam-se uns nos
outros, junto às árvores. Esperando. À direita, saem avançando devagar,
depois acelerando outros carros. Contornam as curvas de passeios, levam
luzes, cai a noite. Para onde irá esta gente? Dentro de 4 ou 5 horas, a
Praça estará entregue a viajantes
solitários, esporádicos, nocturnos. Agora não. Tudo cheio e cansado.
Cada um dos humanos sentados na sua casa de rodas leva o coração e a
vida, a tristeza e a esperança, fazendo pontos de embraiagem, depois
seguindo em segunda, terceira, segunda outra vez, terceira, quarta. E a
quinta, a necessária e urgente quinta, que os leve ao sonho, onde está?
Olhos desfocados no horizonte de um céu que ainda tem rosa e lua a rebentar, luzes difusas de casas que abriram cozinhas para o mundo, Abílio espera pelo verde enquanto ouve o hino da Taça dos Clubes Campeões Europeus - chama-lhe sempre assim, detesta o novo acordo ortográfico e as estrangeirices. Sobe-lhe a música dos pedais às pernas, dos joelhos ao estômago, do peito aos olhos. O narrador anuncia: «As equipas estão alinhadas no relvado, o árbitro suíço está vestido de amarelo, o Estádio está composto. Diria um pouco mais de meia-casa. Jorge Fonseca, o que achas?» e o Jorge Fonseca dirá, com os pés no terreno, que talvez esteja menos de pouco mais de meia-casa e que houve uma homenagem a um antigo jogador do Benfica, devidamente premiado com uma medalha por parte do Presidente que «desceu até ao relvado».
Nada disto Abílio ouviu, perdido a focar uma marquise onde lhe parecia que estavam os seus pais e avós, a casa antiga que o tinha criado, a lareira grande com bancos dentro, sacas de batatas e pimentos vermelhos metidos em caixas de cartão com imagens de morangos do lado de fora. Vivia-se bem naquele tempo, poucos luxos é certo mas talvez houvesse uma dignidade entretanto desaparecida na confusão da cidade de luzes e marquises, semáforos, o som do motor, o táxi a debitar chamamentos com vozes de uma mulher a perguntar latitudes. Qual a latitude das saudades?
O verde apareceu, Abílio carregou no acelerador, levantou a embraiagem, pôs a mão na primeira e pensou que o Benfica tinha de ganhar aquele jogo. Ia a fazer o 11 na cabeça, perdendo-se sempre no lateral-esquerdo e nos médios, sem saber se era o brasileiro que tinha chegado se o sérvio que era muito bom, quando viu uma mão acenar-lhe. É um jogo curioso, o de Abílio, esse de tentar concluir pelo menos três factos sobre a pessoa antes de ela entrar no carro. Há anos que faz isto, surpreendendo-se sempre com a percentagem de acerto. Abílio procura adivinhar três características sobre o seu cliente antes que o cliente abra a porta da sua viatura: profissão, clube de futebol e estado civil. As pessoas têm luzes sem se aperceberem.
Desta vez, porém, Abílio ia inundado de afectos e saudades. Tinha a infância toda no colo e um jogo do Benfica na rádio. Não fez o exercício, limitou-se a parar, esperar pela escolha que o cliente faz da porta a abrir - sempre mais interessantes os que decidem ir a seu lado em vez do refúgio dos lugares traseiros -, ouvir as latitudes - sempre as latitudes -, assentir com um gesto robótico, dizer que "sim, senhor" e seguir viagem por entre as ruas de Lisboa, que apesar de tudo e dos anos ainda o surpreendem pela variedade de becos esconsos, linhas tortas, probições de sinais, belezas que encontra sem aviso nem alertas. O cliente escolheu refugiar-se; para Abílio um alívio. Podia ouvir o Benfica, lembrar-se do arroz de tomate da mãe e ir estando atento ao telemóvel não fosse a ex-mulher ligar-lhe num assomo de ternura. A verdade é que Abílio tinha pena de não poder ver o Benfica, de não poder ir ver se o refogado já estava no ponto para pedir à mãe o privilégio de atirar o caldo de tomate ao encontro das cebolas amolecidas, de não poder voltar a casa e ter uma pessoa à sua espera. Eram 12 horas por dia enfiado no cubículo, intervalos espaçados para um cigarro e almoço. O resto dividir espaço com desconhecidos, receber dinheiro, dar moedas, dizer "Bom dia", depois "Boa tarde", já sem chama "Boa noite".
«Goooooooooooooooooooooooooooo oooooooooooooooooooooooooooooo oooooooooooolo,
golo, golo, golo, golo, golo, goooooooooooooooooooooooolo, Taca, Taca,
Taca, Taca, Taca, Taaaaaaaaaaaaaaaaaaaaacuaaaaaa aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaara ,
Benfica, golo, golo, golo, golo, goooooooooooooooolo, Enzo flectiu na
direita, fintou um adversário, deixou em Maxi que cruzou para a área e
Cardozo finalizou de cima para baixo, golo, golo, golo, é
goooooooooooooooolo do Benfica!». Foi desta forma que Abílio recebeu da
rádio a bola no peito, esperou pela gravidade e rematou para as redes.
Gritou, gritou muito, tudo, gritou o mundo contra os vidros dianteiros,
contra os semáforos e luzes e prédios e praças e becos e carros, contra
os Bons-dias, os Boas-noites e as Boas-tardes, os jogos de adivinhação
sobre vidas dos clientes, as saudades do arroz de tomate, das ternuras
da ex-mulher, dos insultos das pessoas, das moedas do bem e do mal, dos
trocos. Ia passando tão perto do golo, seguindo Segunda Circular
adentro, em frente à Luz, que sentiu ainda a maresia do cabeceamento de
Cardozo, o vento que a bola levou até à baliza, as pernas dos adeptos,
os braços dos adeptos, o grito dos adeptos ecoando pelo Estádio.
Não tinha cachecol, agarrou-se ao pequeno galhardete que tinha agarrado ao retrovisor, beijou-o, soltou impropérios, esmurrou o ar tantas vezes que os átomos em cima do volante acabaram estatelados contra o vidro da frente, cantou: «BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA». Foi só depois, muito depois, 2 minutos e 43 segundos depois (eternidade do golo), que se lembrou do cliente que levava no carro. Um senhor aprumado, bigode aparado, elegante, rindo-se muito e fazendo com o punho direito um sinal de comunhão e felicidade. Foi o dia em que Cosme Damião andou pela primeira vez num táxi.
Olhos desfocados no horizonte de um céu que ainda tem rosa e lua a rebentar, luzes difusas de casas que abriram cozinhas para o mundo, Abílio espera pelo verde enquanto ouve o hino da Taça dos Clubes Campeões Europeus - chama-lhe sempre assim, detesta o novo acordo ortográfico e as estrangeirices. Sobe-lhe a música dos pedais às pernas, dos joelhos ao estômago, do peito aos olhos. O narrador anuncia: «As equipas estão alinhadas no relvado, o árbitro suíço está vestido de amarelo, o Estádio está composto. Diria um pouco mais de meia-casa. Jorge Fonseca, o que achas?» e o Jorge Fonseca dirá, com os pés no terreno, que talvez esteja menos de pouco mais de meia-casa e que houve uma homenagem a um antigo jogador do Benfica, devidamente premiado com uma medalha por parte do Presidente que «desceu até ao relvado».
Nada disto Abílio ouviu, perdido a focar uma marquise onde lhe parecia que estavam os seus pais e avós, a casa antiga que o tinha criado, a lareira grande com bancos dentro, sacas de batatas e pimentos vermelhos metidos em caixas de cartão com imagens de morangos do lado de fora. Vivia-se bem naquele tempo, poucos luxos é certo mas talvez houvesse uma dignidade entretanto desaparecida na confusão da cidade de luzes e marquises, semáforos, o som do motor, o táxi a debitar chamamentos com vozes de uma mulher a perguntar latitudes. Qual a latitude das saudades?
O verde apareceu, Abílio carregou no acelerador, levantou a embraiagem, pôs a mão na primeira e pensou que o Benfica tinha de ganhar aquele jogo. Ia a fazer o 11 na cabeça, perdendo-se sempre no lateral-esquerdo e nos médios, sem saber se era o brasileiro que tinha chegado se o sérvio que era muito bom, quando viu uma mão acenar-lhe. É um jogo curioso, o de Abílio, esse de tentar concluir pelo menos três factos sobre a pessoa antes de ela entrar no carro. Há anos que faz isto, surpreendendo-se sempre com a percentagem de acerto. Abílio procura adivinhar três características sobre o seu cliente antes que o cliente abra a porta da sua viatura: profissão, clube de futebol e estado civil. As pessoas têm luzes sem se aperceberem.
Desta vez, porém, Abílio ia inundado de afectos e saudades. Tinha a infância toda no colo e um jogo do Benfica na rádio. Não fez o exercício, limitou-se a parar, esperar pela escolha que o cliente faz da porta a abrir - sempre mais interessantes os que decidem ir a seu lado em vez do refúgio dos lugares traseiros -, ouvir as latitudes - sempre as latitudes -, assentir com um gesto robótico, dizer que "sim, senhor" e seguir viagem por entre as ruas de Lisboa, que apesar de tudo e dos anos ainda o surpreendem pela variedade de becos esconsos, linhas tortas, probições de sinais, belezas que encontra sem aviso nem alertas. O cliente escolheu refugiar-se; para Abílio um alívio. Podia ouvir o Benfica, lembrar-se do arroz de tomate da mãe e ir estando atento ao telemóvel não fosse a ex-mulher ligar-lhe num assomo de ternura. A verdade é que Abílio tinha pena de não poder ver o Benfica, de não poder ir ver se o refogado já estava no ponto para pedir à mãe o privilégio de atirar o caldo de tomate ao encontro das cebolas amolecidas, de não poder voltar a casa e ter uma pessoa à sua espera. Eram 12 horas por dia enfiado no cubículo, intervalos espaçados para um cigarro e almoço. O resto dividir espaço com desconhecidos, receber dinheiro, dar moedas, dizer "Bom dia", depois "Boa tarde", já sem chama "Boa noite".
«Goooooooooooooooooooooooooooo
Não tinha cachecol, agarrou-se ao pequeno galhardete que tinha agarrado ao retrovisor, beijou-o, soltou impropérios, esmurrou o ar tantas vezes que os átomos em cima do volante acabaram estatelados contra o vidro da frente, cantou: «BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA». Foi só depois, muito depois, 2 minutos e 43 segundos depois (eternidade do golo), que se lembrou do cliente que levava no carro. Um senhor aprumado, bigode aparado, elegante, rindo-se muito e fazendo com o punho direito um sinal de comunhão e felicidade. Foi o dia em que Cosme Damião andou pela primeira vez num táxi.
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
110 Gloriosos anos
Quando, há 110 anos, Cosme Damião e amigos fundaram o
Sport Lisboa e decidiram atribuir-lhe o lema “E Pluribus Unum”, talvez estivessem longe de imaginar o alcance do
acto que acabavam de ter.
Criar um clube que se perpetuaria no tempo e juntar-lhe
um lema de unidade, de comunhão, é acto tão genial que quase nos leva a
questionar a sua intenção.
Tenham eles ou não percebido o alcance que poderiam
ter, o facto é que este lema marca toda a vida do clube. Não vejo outra frase,
outro pensamento que defina melhor toda o pluralidade unida que significa o
Sport Lisboa e Benfica.
Ao longo destes 110 anos o clube já teve, vivos,
milhares de milhões de adeptos, de ambos os sexos, de todos os credos, raças e
origens, atravessando gerações. Todos diferentes entre si e todos unidos no
Benfica. Todos desconhecidos de todos, mas todos unidos pela família a que
pertencemos, a família Benfiquista.
Tivessem ou não adivinhado a dimensão que o clube
atingiria, tal qual eles sonharam, todos fomos, somos e seremos Benfica.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Os Mágicos de Vermelho Coluna
A partida decorria, diluía-se, arrastava-se insossa como
que inebriada pela melancólica tristeza que invade a alma Benfiquista, num
estádio apaziguado, esquecido e vazio de si, rumo a um desfecho esperado e
anunciado.
A dado momento, sente-se um Monstruoso e Sagrado silvo
de impaciência que culmina na subtileza de um enlace que Katsouranis decide
oferecer ao maior clube que já representou. Ali, naquele momento, o Grego veste
o fato de assistente a um qualquer Mágico que quisesse tomar o palco. A nação
vermelha, entendida em ajudantes de magia, decide atribuir-lhe uma justa, e
talvez última, ovação.
O assistente retira-se do palco deixa-o inteirinho
para o Nico Mágico Gaitan. O Argentino, mestre em truques e ilusões, agarra na
bola e, enquanto ela lhe sorri, de uma penada, fá-la sobrevoar uma mole de
gente, de preto e branco vestida, fazendo-a aterrar e adormecer feliz no fundo
das redes.
Não satisfeito, o mestre de cerimónia Jorge Jesus faz
subir ao palco Lazar Poeta Markovic que nos fez saborear um delicioso rascunho
do seu novo conto de fadas.
Ir ao Estádio da Luz é assim, pagar por um jogo de
futebol e assistir a poesia declamada ao ritmo de um Glorioso bailado, digno de
uma qualquer Monstruosa história Sagrada de Reis Cósmicos.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Morreu o Sr. Coluna
O universo Benfiquista está, novamente, de luto. O
Grande Capitão Sr. Mário Monstro Sagrado Coluna decidiu juntar-se a Eusébio e
Cosme Damião.
O Benfica do 4º anel já tem fundadores e presidente,
já há muito tinha treinador e “carregadores de piano”, recentemente recebeu o
reforço do Rei, mas ainda lhe faltava um Grande Capitão, um Grande Senhor.
Era sabido que o clube Cósmico andava em prospecção
terrena para colmatar tão importante lacuna. Há muito que se ouviam rumores de
que o Sr. Mário Coluna era o principal alvo da cobiça Cósmica. Já aquando da
contratação do Rei se foi falando, à boca pequena, da possibilidade de vermos o
nosso Monstro Sagrado seguir-lhe os passos.
A pressão do jovem prodígio D’Eusébio para que o clube
lhe juntasse o Grande Capitão e Cicerone foi tanta que Cosme, homem de largas
vistas, não olhou a meios para reeditar a sociedade de sucesso entre Sr. Coluna
e Rei Eusébio.
E assim, em nome de um 4º anel cada vez mais forte, o
Sport Lisboa e Benfica chora, mais uma vez, uma irreparável perda.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Onde andas tu Benfica?
De há uns tempos a esta parte têm sido revelados
sinais preocupantes quanto à exigência dos adeptos face ao rendimento
desportivo da equipa de futebol do Benfica. Desde o conformismo com que se
encaram as derrotas sucessivas em competições obrigatórias ao apoio da
renovação com um técnico que ficará na história do clube como o treinador que
mais perdeu e em cenários de vitória mais do que favorável, os exemplos de
conformismo e alegria pelo medianismo têm sido mais que muitos.
O mais recente prende-se com a eliminação (mais uma)
da Liga dos Campeões na sua fase mais prematura. Os argumentos têm sido muitos
e escabrosos, mas o mais patético e anti-adn Benfica de todos tem sido o de que
fizemos 10 ponto enquanto o FC Porto se ficou apenas pelos 5.
Se já é mau que se aceite uma eliminação destas na
Liga dos Campeões - com o tal plantel que os mesmos apelidaram como o melhor
dos últimos 30 anos (que Cosme Damião lhes perdoe, pois não sabem o que dizem)
e com o ou um dos maiores orçamentos da história do clube - é ainda pior
desvalorizar a eliminação com a comparação com outro qualquer emblema que não
pertencesse ao nosso grupo, piorando com a ridícula comparação com o FCP.
Como é possível acharmos que o plantel do Benfica não
exige uma presença na fase a eliminar da Liga dos Campeões? Como é possível
compreender a eliminação face ao Olimpiakos? Como é possível entender que não
temos plantel de Liga dos Campeões e ao mesmo tempo ver na fase a eliminar o
Olimpiakos? Como é possível medir a nossa capacidade com a mediocridade alheia?
Isto não é Benfica, isto não é o Benfica que eu
conheço e fiz por conhecer. O Benfica de Cosme Damião não toleraria 3 eliminações
destas, o Benfica de Cosme Damião não argumentaria de forma acéfala e estupida,
o Benfica de Cosme Damião não mede o seu sucesso pelo insucesso alheio, o Benfica
de Cosme Damião vence por si e para si, no Sport Lisboa e Benfica de Cosme
Damião, tudo o que não seja vencer é intolerável.
Onde andas tu Benfica?
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Abençoado 4º Anel
A Sala de Convívio do 4º Anel é um lugar bonito. Não tem fronteiras porque não há paredes nem portas; é uma sala muito grande que vai daqui até ao infinito, de sedas nas janelas que não existem e nuvens nas mesas. Vemos os seus passeantes chegar de mansinho, parece que voam ou planam. Se houvesse fotografias e o mar dos céus não as tivesse inundado, veríamos o golo do Torres em voo rasante, o toque delicado e submerso do Julinho, o imperial cabeceamento do Águas, a fórmula mágica do Espírito Santo, a fuga desconcertante do Vítor Baptista.
Todos agora aqui nesta mesa feita de cogumelos e almofadas. Sentamo-nos os seis. O meu Pai chegou e somos sete. Veio agora o Miklós e ficámos 8. Pomos as cartas na mesa, alguém as baralha - o Águas adora ser o croupier, acha que nós não sabemos os seus truques de bicampeão europeu. Cosme Damião traz-nos as bebidas, diz que não bebe, está cheio de sono e só apareceu para ser escrito nesta crónica. Todos nos levantamos, brindamos à sua memória, as cartas à espera no verde-nuvem da mesa-nuvem da sala-nuvem. Carregamo-lo às costas até à cama-nuvem e abandonamo-lo num sonho de moscatel.
De regresso à mesa, todos já olhando as cartas e o fumo dos cigarros escorrendo pelos átomos, um deles, o Torres, pergunta-me:
- E o Benfica, Ricardo? E o Benfica?
- Está muito calor aqui. Liguem a ventoinha. Julinho, avança.
O Julinho avança sobre a ventoinha, deixa um vento agradável na mesa e começamos a jogar. O Miklós dá demasiados sinais de não ter um bom jogo e antes que alguém o perceba decide mudar de foco, perguntando-me:
- Somos campeões, não somos?
Peço à menina que nos traga mais uns uísques. Alguém há-de pagar. A sala sem música, só o ruído bom das vozes e dos risos irónicos dos jogadores. Alguns fumam charutos, outros esperam pelas bebidas. Há ali qualquer coisa muito para além, muito indecifrável, pode ser que sejam as nuvens. O Vítor Baptista tem uma cabeleira loira na cabeça, dois olhos de estrondosos acidentes, as mãos aos desatinos, chupando-lhes as unhas. Diz:
- Agora, enquanto jogamos, o Benfica está a dar 5 ao Sporting. Não é, Ricardo?
- Falta a esta mesa amendoins, tremoços e um chouriço assado. Espírito Santo, faz qualquer coisa, pá. Vai buscar a assadeira.
O jogo decorre sem problemas de maior. O Julinho continua a ganhar e a deixar adversários pelo relvado. Neste momento só eu, o Julinho e o meu Pai ainda jogamos nesta varanda milenar e astronómica de estarmos todos sobre o universo, esplanada em cima da existência, barraca-foguete pelo caos das estrelas. O meu Pai:
- O Benfica anda a ser bem cuidado?
Perdi o jogo. Falhei na sequência das cartas. Despedi-me deles e voltei ao mundo dos abaixo do 4º anel. Eles lá não sabem. Eles lá são felizes.
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