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sábado, 23 de junho de 2012

Debate da BTV - análise no pós-jogo

Acabei de ver o programa Debate, na Benfica TV. Mais uma vez sobre a blogosfera, com quatro convidados - o JG, do Redpass; o Fialho, do Vedeta da Bola; o João Tomaz, do Benfiquistas desde pequeninos e um tal de Paulo Silva, do Avante p´lo Benfica. Como no anterior, em que Pedro Ferreira sustentou todo o programa (pelo menos do ponto de vista do interesse de opinião), desta vez coube a JG a função de levar o programa para fora do âmbito da banalidade. E muito bem. 

É sempre bom quando assistimos a gente interessada em debater os assuntos do clube, sem amarras nem pretensões a mais do que simplesmente dar a sua opinião sobre temas que muitas vezes são relegados para segundo plano, perdidos que andamos todos em culpar os insucessos do clube com os árbitros apoiados pelo homem que inequivocamente é apoiado pelo nosso Presidente. Espera, há aqui algo que não bate certo. Então nós criticamos quem domina o futebol português, mas apoiamos quem apoia inequivocamente uma das cabeças mais importantes do sistema? O benfiquismo tem razões transcendentes. Deixemo-lo assim, por agora.

Ao tal Paulo Silva, ouvi pouco, quase não falou. Mas chegou-me a ideia principal que trouxe à mesa de conversações: está na blogosfera para dizer bem; mal, diz entre amigos. É uma ideia curiosa, esta, e muito difundida por aí. É como se a blogosfera fosse a nossa mulher e nós uns beatos religiosos. Em casa, à missionário e baixinho para não acordar as crianças; fora, vai-se às putas e comem-se rapazinhos de 5 anos. Louve-se a capacidade que estes benfiquistas têm de se dividrem em vários: o benfiquista de casa, o benfiquista da blogosfera, o benfiquista da rua, o benfiquista do trabalho, o benfiquista do metro, o benfiquista do parque, o benfiquista da montanha e o benfiquista do mar. Venha Enid Blyton fazer uma saga que isto tem tudo para vender aos magotes.

Depois João Tomaz e a sua tranquilidade desarmante. É um bom conversador e - por já o ter conhecido pessoalmente posso afirmá-lo - um bom benfiquista. Mas há uma excessiva diplomacia ali que não colhe, para mim, grandes votos - um estar bem com tudo e todos, quando há assuntos que exigem outro tipo de abordagem, não necessariamente agressiva, mas assertiva e frontal. Vejo Tomaz na Direcção do Benfica daqui a uns aninhos. E, tendo em conta quem lá está hoje, não virá mal ao mundo.

Sobre Fialho, o que dizer? Estava ali como capanga da conversa. Sempre que a coisa entornava para uma crítica, lá aparecia o defensor-mor do castelo, com a sua falinha mansa, o seu aparte, o seu "olhe que", o seu "por outro lado...", aquele jeito de quem consegue escrever ao mesmo tempo que Oliveira é um dos rostos claros do sistema e depois vir dizer que afinal é apenas um homem de negócios com quem o Benfica deverá negociar e ao qual devemos uma série de coisas. O Fialho já está para lá de afialhar-se. O Fialho é o Fialho. Uma série de banalidades, defesa do regime e um afastar de responsabilidades e ambições. Para ele, diz-nos no programa, fundamental é escrever de livre vontade, sem pretensões. E os camarotes, pá? 

Por fim, JG. Não fosse ele e não teria ficado tanto tempo a assistir ao programa. Tocou em pontos fundamentais, de frente, sem curvas, disse o que pensava e foi coerente com o que tem vindo a escrever há muito tempo. Abordou a questão da incompetência na comunicação e no marketing e sobretudo refutou a ideia de que no Benfica se dá uma verdadeira importância ao que se passa de qualidade na blogosfera. Não dá e JG defendeu, bem, que, por exemplo, no Sporting se fazem esforços muito mais organizados para uma reunião de ideias e pessoas que possam, através dos blogues, criar um movimento gerador de projectos estruturados para o clube. Transcrevo aqui parte de um texto do PLF, do blogue sportinguista "Bancada Nova", para que se compreenda o que de bem se faz no Sporting e que não se faz no Benfica - e que é, afinal, tão simples, se houver vontade, atenção e verdadeira intenção de ouvir os adeptos e absorver as suas melhores ideias:

«Há cerca de um ano fui convidado – entre muitos outros participantes nas redes sociais – para uma reunião na sala do Conselho Directivo, pelo Pedro Cunha Ferreira, no âmbito daquilo que era referido como a “iniciativa digital” do Sporting (...) Essa reunião contou com a presença do presidente do clube – Godinho Lopes – que se predispôs a esclarecer as dúvidas que as pessoas na reunião tinham, e ainda – no seu final e para fazer uma visita de cortesia ao Museu e ao relvado – do seu Vice-Presidente, Paulo Pereira Cristóvão. Portanto, o Sporting fez-se representar ao mais alto nível e por três(!) dirigentes (alguém imagina o Benfica ou o FCPorto a fazer isto?). Ficou acordado entre todos que aquele seria um grupo de trabalho, que estaria aberto a mais iniciativas digitais, e que àquela reunião inicial se seguiriam outras reuniões.»


Estão a ver o Benfica a fazer isto? Imaginam Vieira, João Gabriel e, vá, Gomes da Silva sentadinhos à mesa com bloggers a responderem a dúvidas e a procurarem um debate com os adeptos? Eu também não. Mas é este o caminho e o futuro só poderá passar por largar o autismo que se vive no Benfica em relação aos seus adeptos (que não são clientes, são ADEPTOS) e começar uma aproximação e uma química de respeito e gratidão. Enquanto viverem como reizinhos em castelos, vão continuar mais longe do sucesso. Mas esta é uma discussão que teremos nos próximos tempos, lá mais para Agosto, quando o clima e não só aquecerem até temperaturas quase impossíveis.

Agradeço ao JG o que disse de nós. E não, não temos problema nenhum contigo. Temos divergências que na maior parte das vezes são saudáveis e servem para encontrar soluções. Do que te ouvi hoje, parece-me que convergimos mais do que o contrário. E, quando assim é, todo o debate sai mais valorizado. Da minha parte, como sócio do clube, agradeço a tua participação no programa. Se é para ir à televisão do Benfica, ao menos que seja assim: construir e acrescentar. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Benfica acima de tudo!

O Pedro Ferreira, da Tertúlia Benfiquista, é um dos bloggers que, tendo uma visão sobre o clube que nem sempre corresponde à minha, mais respeito neste meio de tascas virtuais. Muito por aquilo que escreve e como o escreve mas também porque, fazendo parte do Jornal do clube e da Benfica TV (aqui como convidado, parece-me), nunca o vi fazer figuras ridículas e submissas - ao contrário de outros, já aqui bastante malhados, um em particular, que decidiu contradizer tudo o que tinha dito antes.

De modo que fiquei curioso quando me disseram que este blogue, e especificamente eu, havíamos sido referenciados num programa sobre a blogosfera que passou ontem na televisão do clube. E mais espantado fiquei quando ouvi ao Pedro uma pequena queixa de que teria sido no passado alvo de alguma crítica da minha parte. Sinceramente, não me recordo, Pedro, porque te tenho em consideração - já critiquei o blogue, pelo rumo que tem tido nos últimos anos, mas parece-me que com a ressalva de que tu continuavas a manter o nível que a Tertúlia teve durante muito tempo. Se te sentiste melindrado com alguma queixa ou farpa menos apropriada, desde já me desculpo porque, como disse atrás, aprecio bastante a tua forma de viver o Benfica. Fica, no entanto, a ressalva, para que nos não equivoquemos. E agradeço o elogio.


À parte isso, devo confessar que o debate foi muito pobre, só ganhando algum interesse quando - lá está - o Ferreira dissertava sobre os temas. O resto dos comentadores - um que desconheço totalmente e os outros dois que conheço da Tertúlia - enveredaram por um discurso de "defesa do Benfica" que me parecia uma coisa de igreja adventista do 7º dia, contradizendo-se de cada vez que abordavam um tema. 


Primeiro, defendiam a ideia de que a blogosfera tem um poder muito reduzido (noção com a qual estou a 100 por cento de acordo) e que havia quem achasse que os blogues são mais do que aquilo que eles são (mais uma vez, concordo). Mas, de repente, para defenderem a sua forma de estar e ser benfiquistas - Gonçalo até diz: "eu compreendo todas as outras opiniões mas eu ponho acima de tudo o Benfica", o que não sei se é compreender assim tão bem as outras opiniões mas posso ser eu e o meu benfiquismo "violento" - dizem que nos blogues não devemos falar mal das opções técnicas e estratégicas do clube porque "estamos a dar força aos rivais". 

Então mas em que é que ficamos? Isto - este lugar de palavras atiradas umas vezes com reflexão, outras de raiva e catarse (concordamos, Carlos) - é importante ou não é? Fiquei confuso no meio daquilo tudo. E depois o senhor de barba que desconheço mas com um sotaque nortenho benfiquista que é sempre apreciável também não me esclareceu - manteve a bitola dos outros dois: dizer mal das nossas políticas é dar força aos rivais e à comunicação social. E eu a pensar que isto não tinha importância nenhuma ou uma importância tão reduzida que chega a ser ridículo o peito feito de alguns ilustres bloggers. 


A ver se nos entendemos: esta merda, como a certa altura é dito e bem no programa, não é representativa de quase nada. Eu na blogosfera encontro uma oposição aos dirigentes do Benfica que, quando estou no estádio, no tasco ou na rua, não aparece. A maior parte dos benfiquistas adora o Vieira, defende-o de todos os ataques, crê genuinamente que é com ele que o Benfica um dia - pode ser daqui a 50 anos, não sabemos - vai conseguir ganhar dois campeonatos consecutivos. Sim, isto tem um poder ridículo e nada condizente com a realidade. Aceitemos isto e deixemos os discursos incongruentes para fundamentar as nossas opiniões, quando nos convém. 


Criticar o que está mal feito no clube é não só um direito mas um dever. Não dá força a ninguém nem tem de dar - só dará se a estrutura for fraca e é, mas nesse caso a culpa não será decididamente de uns quantos bloggers que acham todo este circo que se passa no Benfica uma afronta à História do clube. E não deixa de ser curioso que defensores acérrimos e violentos de Vieira passem o tempo a desculpar-se com as arbitragens. 

Meus caros, vocês não têm legitimidade para falar nas arbitragens. É assim e é muito simples. Não porque há erros técnicos do Jesus ou incompetência do Vieira, como diz o Carlos, mas porque o Presidente que vocês apoiam deu o aval a um corrupto de tomar conta do poder no futebol português - para além das várias relações promíscuas que mantém com outros agentes corruptores (só o Fialho acha que o Oliveira é um apenas um homem de negócios; nem vocês acham isso). É como chamar hipócritas aos portistas por festejarem títulos sabendo que eles estão impregnados de batota: estão e são hipócritas, tal qual um benfiquista que aceita que o Presidente que defende apoie um corrupto para a Liga e para a Federação e, ainda assim, passe o tempo a dizer que foi prejudicado. Mas estavam à espera de quê, de uma estratégia genial que, de repente, mudasse o rumo dos últimos 30 anos? 


"Roma não paga a traidores", diz o Pedro, no meio da sonolência de um programa que insiste no mesmo erro hipócrita. É lógico, Pedro. E obrigado, Pedro. Haja alguém que, na Benfica TV, admite que foi (e é) um erro de graves repercussões para o Benfica andar de mãos dadas com corruptos. E é importante realçar outro factor: há quem, na blogosfera, analise os acontecimentos após eles terem ocorrido - o que não falta por aí agora é gente a dizer mal do Vieira e do apoio ao Gomes e das relações com o Oliveira e do Emerson a época inteira e das tácticas suicidas do Jesus e do Roberto na época passada. O que falta, e sempre faltou, é gente que analise antes de elas acontecerem. Mas existe quem o faça. Nós fazemo-lo - com as responsabilidades e exposição ao insulto que conhecemos -, outros fazem-no (Eterno Benfica, Céu Encarnado, Geração Benfica, Ndrangheta, etc) e, por algum motivo obscuro, esta visão das coisas - reflexão, antecipação de problemas, discussão crítica, problematização - é tida como um benfiquismo que não é bem o benfiquismo que deve existir. 

"O Benfica acima de tudo", pois claro que sim, Gonçalo, só que tu és um benfiquista que és dos bons, daqueles que faz entediantes análises banais ao que se passou num jogo - "Nolito entrou aos 62 minutos de jogo para o lugar de Gaitán, que tinha uma ligeira lesão no joelho esquerdo" ou que nunca assumiu uma posição frontal contra toda a podridão que existe no nosso clube; é tudo culpa dos outros, não é? Até o Jesus, que agora é-te Deus, era mau porque tinha falado na playstation -, daqueles que defendem o Benfica "acima de tudo" mas que, claro, compreendem todas as outras opiniões. E andamos nisto: este autismo mascarado de benfiquismo melhor que os outros. É o problema da incapacidade de análise: redunda sempre numa incompreensão do que é diferente.