As palavras ficam a ecoar-me na cabeça. Tenho este defeito.
Fico a pensar nas coisas e quanto mais penso mais quero falar delas.
Principalmente quando as palavras são pomposas mas ocas de sentido.
As entrevistas deste presidente do Benfica são fenomenais para títulos de
jornais. Se queremos ficar entusiasmados agarremo-nos às Capas nos quiosques e
deixemos de lado o muito de nada integral.
Mais de uma década das mesmas coisas, das mesmas promessas e
das mesmas repetições.
Recentemente temos no nosso clube muita gente com tiques de
senado. Não são senadores. São aproveitadores de bons momentos para se sentirem
superiores. O que é falso só pode soar a falso.
No Benfica temos obrigação de ser pró-futebol, de
defendermos os mais altos valores da sociedade e do desporto. Está-nos no
sangue enquanto clube. Contudo, outra coisa é o que está no sangue de cada um,
de cada individuo. Quem não o é finge mal ser.
Faltou muita seriedade ao presidente do Benfica. Quis
brincar com a inteligência das pessoas e passar de fininho pela chuva. Não
conseguiu, não devia ter tentado e saiu risonhamente encharcado.
Pessoas frontais nunca têm tanta necessidade de lembrar que o são.
Entrevista fraca. Pobre. Má. Triste.
Pela postura, pelo discurso, pelo modo como abordou a ida à
comissão de arbitragem, pelo modo como falou da parceria com o Jorge Mendes,
pelo modo como ignorantemente abordou a vida profissional do seu filho, pela
forma como falou de um projecto do qual o clube faz parte, pela palha sobre os
15M e pela incoerente, simplista e falsa abordagem que fez à saída do Jorge
Jesus.
Este presidente do Benfica resume-se a uma coisa positiva:
Seixal.
É aqui o seu grande mérito e é aqui que sempre brilha nas entrevista.
Não é pela abordagem aos jovens jogadores, não é pela forma
como estes são ou não aproveitados no clube, é pela obra.
O Seixal é o grande legado de Luis Felipe Vieira e quando
fala desta obra é quando mais entusiasma.
Aqui dou os parabéns ao presidente do Benfica. A qualidade
do Seixal, os frutos que dá e o maravilhoso trabalho que lá se faz são mérito
seu.
O Seixal é Benfica, o Seixal é o futuro do Benfica, o Seixal
tem de ser ainda mais o presente do Benfica e o Seixal é benfiquismo. É aquilo
que mais pode orgulhar os benfiquistas e é aquilo que melhor alimenta todos
aqueles, que como eu, sonham há anos por ver uma maior identidade Benfica neste
Benfica.
Deixo um conselho a Luis Felipe Vieira:
Entrevistas só sobre a obra do Seixal. Uma hora a falar
sobre o que se fez, como se planeou, como se desenvolveu, futuros projectos,
como se vão fazer, ponto de situação. Uma hora a dissecar este magnifico sonho.
Aí sim poderíamos estar perante uma magnifica entrevista deste presidente.
Desabafo 2:
“Se eu quero vender por 45 ou por 50, ele é que tem de
ir o vender, não sou eu que vou vendê-lo.
As pessoas não
vão pensar que chegam aqui ao estádio da luz a comprar os jogadores do Benfica.
Pode haver um ou outro jogador.
Agora, se nós não estivermos no mercado de certeza absoluta que somos
desconhecidos.”
Alguém percebeu
alguma coisa desta trapalhada?
Pagamos uma
percentagem à Gestifute para fazerem um trabalho que é público que o presidente
do Benfica tem andado a fazer.
Os jogadores do
Benfica são desconhecidos no mercado, os clubes não mandam observadores aos
jogos do Benfica, os desempenhos dos jogadores a nível interno e europeu não
são visíveis além fronteiras e aquilo da "montra europeia" é um mito.
O mito à volta
da venda do Guedes lá caiu.
Quanto ao Ederson parece que nos estão destinados uns
30% parcelarmente pagos.
