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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Saídas de Janeiro


Falarei apenas sobre as saídas mais ou menos certas, uma delas já confirmada e a outra já aceite como tal, do actual plantel do Benfica, ou seja, as saídas de Nelson Oliveira e Enzo Perez.

Começando pela saída mais importante, ainda que não esteja confirmada, parece-me claro que o rotundo falhanço europeu do Benfica precipitou a saída de Enzo Perez. Ainda assim, não tenho por certo que, caso o Benfica continuasse nas provas da UEFA o Argentino se manteria no plantel. Seja como for, o facto (quase consumado) é que não contaremos com o médio para lá do que já se encontra disputado.

A importância de Enzo no plantel em geral, e no sistema e modelo de jogo de Jorge Jesus em particular é por demais conhecida e reconhecida, por isso não há muito a debater sobre o quanto nos fará falta sua capacidade para preencher espaços nos mais diversos momentos do jogo. Mais importante agora é perceber quem pode, ainda que de forma mitigada, colmatar o vazio que Enzo deixa na sua esteira. 

Olhando para os actuais disponíveis vejo três soluções que podem ser percorridas por Jorge Jesus:

1 – A mais óbvia e já algo anunciada, Pizzi: O outrora ala Português, segundo palavras do próprio treinador, tem sido trabalhado para poder assumir a posição de Enzo, ainda que, penso eu, num papel de suplente do Argentino e não tanto numa ideia de substituto. Nas poucas aparições que fez até ao momento, Pizzi tem-se demonstrado claramente capaz de assumir as funções ofensivas que JJ pretende do jogador daquela posição, mas defensivamente parece ainda estar longe do que lhe é exigível - o melhor exemplo disso é a falta de agressividade demonstrada no golo de Pardo na semana passada. 

2 - A que penso ser a preferida de JJ, Talisca: O médio Brasileiro tem perdido algum do fulgor inicial (algo que se explica muito pelo melhor conhecimento dos adversários e também por algum, e natural, desgaste físico de alguém que não teve férias), mas é e continuará a ser uma aposta muito firme e pessoal do nosso treinador. Com a entrada inevitável de Jonas para o 11 base, a manutenção de Lima no mesmo, e percebendo que Talisca cresce no jogo à medida que lhe é possível encarar o mesmo de frente, isto é, em movimentações de trás para a frente e não no inverso, revelando aqui uma grande falta de rotinas e instinto na posição de avançado, penso que JJ verá no jovem Brasileiro o melhor sucessor de Enzo, até porque é rápido, tem boa estampa física, não tem medo de assumir o jogo, possui uma excelente meia-distância e revela ainda uma forte vontade de beber tudo o que JJ lhe queira transmitir (característica muito apreciada por JJ em qualquer jogador).

3 - A menos provável, mas que eu não rejeitaria à partida, Samaris: O médio Grego tem revelado bastantes dificuldades na compreensão do que lhe é pedido por JJ na posição 6 (ou 4, usando a numeração de JJ que deriva da escola holandesa). Samaris, tal como Pizzi, tem revelado tremendas dificuldades de agressividade e posicionamento defensivo, muito por não estar habituado a um papel tão exigente ao nível posicional. É verdade que no Olimpakos já actuava como médio defensivo (como referiu JJ), mas também não é menos verdade que no clube Grego o fazia num sistema que contemplava uma dupla de médios defensivos (ou duplo pivô como agora se diz), tornando assim a função muito menos exigente do ponto de vista individual. É verdade também que Samaris, quando num sistema de dois médios recuados, era normalmente o escolhido para ser o designado box-to-box, ou seja, o elemento com maior liberdade criativa e posicional dessa dupla. Ou seja, talvez lhe assente melhor, e lhe seja de melhor compreensão, o papel de médio centro até aqui desempenhado por Enzo. O problema é a falta de quem assuma aquele que é o seu papel neste momento, sendo que, com os regressos de Amorim e Fejsa, esse problema se possa resolver e permita pensar em Samaris para uma função mais avançada de uma forma mais consistente.

Independentemente da solução que seja adoptada, não me parece que alguma tenha o sucesso de Enzo. Pode argumentar-se que se escreveu e disse o mesmo sobre a saída de Matic em Janeiro passado, é verdade. Mas não menos verdade é que eu mesmo, por essa altura, aqui escrevi que, sem embargo de ser uma perda importante, a verdadeira saída trágica naquele momento seria a de Garay e/ou de Enzo, pois para a posição 6 JJ gosta mais de alguém com o perfil de Javi ou Fejsa (mais posicionais e fortes no momento defensivo e nas bolas aereas) que propriamente Matic, ainda que este seja muito mais jogador que os outros. É tudo uma questão de encaixe nas dinâmicas e ideias colectivas do treinador. Com Enzo e a posição 8 (ou tão só médio-centro) a música é outra, pois o Argentino é/era a personificação mais que perfeita do que JJ pretende daquela posição.

Já confirmada está também a saída, por empréstimo, de Nélson Oliveira. A saída em si, e mesmo o empréstimo em geral, é algo que compreendo e até concordo, pois já se viu de forma clara e inequívoca que o jovem avançado não conta para JJ. O que não entendo é o destino da sua saída. O Swansea conta no seu plantel com avançados de créditos firmadissimos, falo de Gomis e Bony (este último chegou a ser muito cobiçado por JJ para reforçar o Benfica), logo, não vejo que o Nelson Oliveira possa ter minutos de jogo assinaláveis de forma tranquila. É certo que Bony estará ausente do clube enquanto disputar a CAN, mas essa ausência é muito restrita no tempo.

Mais uma vez acho que o Benfica escolhe mal os clubes onde coloca os seus jogadores que, segundo o presidente, quer ver evoluir ao ponto de se afirmarem no clube. Lá para Maio, caso as coisas corram de forma normal, será fácil dizer que Nelson Oliveira falhou mais um empréstimo, esquecendo-se toda a gente que o clube escolhido estava longe de ser o melhor.

Já o disse por mais de uma vez, se queremos emprestar um jogador para que ele possa evoluir favoravelmente e tenha minutos de jogo, esse empréstimo deve ser guiado tendo em conta os planteis dos clubes interessados e os treinadores que os dirigem, caso contrário, em vez de ajudarmos o jogador a evoluir, estaremos apenas a cavar-lhe a sepultura. Este empréstimo é muito semelhante ao que o Benfica fez ao Deportivo, ou seja, um clube média/pequena dimensão de uma liga superior à Portuguesa, mas com o lugar de avançado claramente preenchido.

O exemplo do sucedido com Bruno Gaspar, na presente temporada, deveria ser muito mais vezes seguido, mas infelizmente este é apenas a excepção e não a regra.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Só boas notícias



Do dia de ontem sobram 3 excelentes noticias. A permanência e Enzo, a chegada de Cristante e a renovação do empréstimo de Sílvio, fazem deste plantel algo muito melhor do que seria sem estes 3 acontecimentos.

Há ainda a considerar que deixaremos de ler todos os dias que é “amanhã” que Enzo vai para Valencia. Deixaremos de ter que saber todos os dias que é no “próximo fim-de-semana” que Peter Lim vem a Lisboa buscar o Argentino. Ou seja, a imprensa escrita portuguesa terá de arranjar novo tema para nos invadir os olhos e ouvidos até à náusea, mas eles são bons nisso.

A adição de Sílvio ao plantel reforça-nos em 3 posições: Lateral direito, lateral esquerdo e, por consequência de nova e solução para a lateral direita da defesa, pode haver a deslocação de André Almeida para o centro onde tem jogado e dado bem conta do recado.

Quanto ao médio italiano, estou muito curioso para ver o que pode sair dali. Confesso que apenas vi um jogo dele com olhos de ver, ainda na NextGen Series ao serviço da equipa primavera do Milan. E do que vi, gostei muito, mas muito mesmo. Naturalmente que um jogo e num escalão etário inferior, não pode ser conclusivo, por isso não posso adiantar muito sobre o jogador, mas não deixo de estar expectante com esta contratação.

A única noticia menos positiva que fica deste defeso é o falhanço na contratação de um avançado com as características que Jorge Jesus pediu, ou seja, semelhante a Rodrigo. Por um lado Abel Hernandez (não vejo nele um jogador próximo de Rodrigo, mas ok) que recusou a transferência e de Joel Campbell (este sim, muito mais próximo de poder dar o que oferecia Rodrigo). Sendo assim, lá iremos ter que levar com Jara, pelo menos, até Janeiro. Fica a sugestão para Jorge Jesus: E porque não Nélson Oliveira em vez do Franco Esforçado Mas Fraco Jara?

Fechada a janela de transferências, e olhando aos planteis dos 3 candidatos ao titulo, embora com algumas mudanças em todos, continuo a achar aquilo que disse antes do inicio do campeonato quando falei sobre os nossos rivais, ou seja, o Porto tem o plantel mais forte, o Benfica tem um 11 muito competitivo, mas perde para os azuis e brancos na profundidade do seu banco, e o Sporting tem o 11 e restante plantel mais fracos dos 3.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A 5ª



Ponto prévio: Para um clube da nossa dimensão não pode ser aceitável termos somado ontem apenas a 5ª Supertaça Cândido de Oliveira. Vamos lá aumentar esse palmarés.

Do jogo de ontem, mais um com contornos épicos, sobram boas notas de análise, a destacar:

            Enzo: Sr. Presidente, já deu para entender o porquê de, desportivamente falando, ser imprescindível manter o nosso “cavallino rampante”? Enquanto o Argentino teve pulmões (1ª parte) o nosso domínio foi avassalador. Enquanto manteve as pernas (2ª parte) fomos melhores. Depois do motor deste Ferrari ter rendido a alma ao criador (prolongamento) fomos quase banais e em nada superiores ao adversário. Enzo é a cola mágica que agarra toda a equipa num bloco coeso. Ataca, defende, pressiona, assiste, remata. Enzo é… Enzo.

            Talisca: Confesso que foi para mim uma surpresa a titularidade do Brasileiro no jogo de ontem. Vinha rotulado de 10, mas a pré-época deu a entender que JJ via em Talisca a principal alternativa a uma eventual saída de Enzo. O jogo de ontem mostrou um Talisca muito mais assertivo no jogo. Pisando zonas mais próximas do que, presumivelmente, ocupava na sua anterior equipa, o Brasileiro demonstrou uma boa dinâmica e boa capacidade para desempenhar o papel que antes era atribuído a Rodrigo. Parece-me ser mais por aqui e não tanto pela posição 8 que pode passar o melhor futuro de Talisca neste Benfica. Falhou na concretização e nalgumas tomadas de decisão, quer no timing quer na decisão em si. Mas não deixam de ser excelentes indicadores de um jovem que está a dar os seus primeiros passos na Europa.

            Jardel: O mesmo de sempre, quer no positivo, quer no negativo. Esforçado e com uma grande capacidade de entrega ao jogo, não deixa de ser um jogador limitado no plano táctico e técnico. Comete demasiados erros de posicionamento e ainda mais aflitivos erros no passe, compensado essas falhas com uma luta até ao limite. Não sendo um prodígio, parece-me o melhor parceiro para Luisão neste momento, embora gostasse de perceber quanto pode valer Lisandro ao lado do Girafa ou, na pior das hipóteses, seria aconselhável a chegada de um central capaz de assumir a titularidade do Benfica. Para o nível interno, Jardel vai chegando, mas não creio que se possa esperar o mesmo num nível de Liga dos Campeões.

            Artur: Do inferno ao céu em três defesas. O guardião Brasileiro foi o herói de ontem, é justo reconhece-lo, mas não é menos justo dizer que esteve a centímetros, por mais de uma vez, de ser o vilão. Sem embargo dos penaltis que defendeu, durante os 120 minutos de jogo, Artur explicou, mais uma vez, a razão de ser imperiosa a chegada de um GR capaz de assumir a titularidade. Tecnicamente nunca foi o prodígio, mas tem capacidade para ser regular, o problema de Artur é mesmo psicológico. É aflitivo ver a forma como um Artur desconfiado de si próprio se faz a cada lance e é tão fácil ver Artur desconfiado de si. Creio que o Benfica precisa de um novo GR e Artur precisa de um novo clube onde possa expurgar a sombra do insucesso que lhe paira na cabeça a cada lance em que intervém. Obrigado Artur, mas mais não.

No global foi uma boa exibição, especialmente no primeiro tempo, ainda que a finalização tenha sido confrangedora. Criamos muitas e boas oportunidades de golo, mas um num jogo de campeonato tanto erro na finalização tinha-nos valido um empate e a consequente perda de 2 pontos. 120 minutos frente a um adversário que havia jogado na passada quinta-feira sem marcar qualquer golo, não é trágico, mas é preocupante, ainda que, normalmente, a capacidade de finalização das equipas de JJ seja sempre elevada ao longo das épocas.

O jogo de ontem reforça-me ainda a convicção de que, mesmo com Gaitan e Enzo, temos um bom 11 para o nível interno, mas um 11 sofrível para a Liga dos Campeões. Mas há que ter sempre presente uma questão: Não se ganham campeonatos com 11.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Enzo

O folhetim habitual que anuncia a saída de jogadores do Benfica começou hoje com a noticia do Correio da Manhã. Enzo seu chantagista malvado.

Benfiquistas, na hora do anuncio da saída de Enzo, não se esqueçam disto:

"Antes de vir para o Mundial renovei por mais dois anos. Se quisesse sair, não teria renovado. Estou mais do que feliz em Portugal. A minha filha nasceu em Portugal, é portuguesa também."

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Uma excelente notícia

Foi hoje oficializada, através da comunicação à CMVM, a renovação, por mais dois anos, com Enzo Pérez.

Esta renovação contratual pode não significar a continuidade do médio Argentino, mas pelo menos dá ao Benfica uma outra capacidade negocial em caso de possíveis negociações com outros clubes.

Mesmo não significando a permanência certa de Enzo, esta renovação premeia aquele que é, na minha opinião, o elemento mais importante da equipa montada por Jorge Jesus. Considero que o clube deve envidar todos os esforços possíveis com o intuito de assegurar a continuidade de Enzo. Como o Argentino não temos outro, nem será fácil encontrar por preço acessível, nem tão pouco com o seu grau de entendimento do pretendido por Jorge Jesus da sua posição.

Enzo Pérez confere ao meio-campo do Benfica uma robustez física impressionante aliada a uma excelente capacidade ofensiva durante os 90 minutos de cada jogo. A importância de Enzo na estratégia de jogo de Jorge Jesus está bem evidente nos números conseguidos pelo Argentino: dos 57 jogos disputados pelo Benfica durante a época, Enzo participou em 47, somando um total de 3357 minutos.


Para além do valor desportivo que Enzo demonstra a cada jogo, este é ainda um jogador que carrega e personifica toda a mística do que se costuma chamar “um jogador à Benfica”. Enzo sabe, respira e é Benfica, sendo por isso um importante elo de ligação entre adeptos e equipa. Não, não é o jogador da casa, mas o Benfica já é a sua casa.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Limpinho



Este sim, este foi o derby mais limpinho dos últimos anos. Vitória justa, escassa, arbitragem de bom nível e duas equipas leais. Assim dá gosto ver futebol.

A nossa vitória foi tão clara, justa e escassa que facilmente se condensam os 90 minutos num só pensamento: Leonardo Jardim mudou e perdeu, Jorge Jesus manteve e venceu. Simples assim.

Como havia dito no dia de ontem, os técnicos optaram por manter as escolhas para início de jogo. Não obstante, se é verdade que o Benfica apresentou o 11 e estratégia mais lógicas, o mesmo não podemos dizer do Sporting. Leonardo Jardim alterou as figuras do seu “11 tipo” (por obrigação, mas também por opção), mas mais importante que isso, alterou também o seu habitual figurino táctico. Apareceu no jogo da forma que eu menos esperava, ou seja, organizado num 4x4x2 clássico e semelhante ao do Benfica, com André Martins descaído para a ala direita, com Heldon pela esquerda e com uma dupla atacante constituída por Montero e Slimani. Não esperava que Jardim actuasse de início num 4x4x2 clássico por duas razões: 1 – Ao faze-lo perderia a vantagem numérica a meio-campo que o seu sistema habitual lhe permitia e 2 – Porque sempre que opta por este sistema (normalmente na fase final de cada partida em que se encontra com resultado desfavorável), o timoneiro verde e branco fá-lo sempre recorrendo a dois alas puros, coisa que não apresentou no 11 inicial de hoje.

A juntar a alguma “confusão táctica” lançada por Jardim, a equipa entrou em jogo demasiado ansiosa e a acusar o momento de se encontrar em casa do grande rival a discutir a liderança. Por tudo isto, Leonardo Jardim só venceu uma das apostas iniciais: Heldon. Com efeito, o ex-Marítimo fez a cabeça em água a Maxi. O Cabo-Verdiano foi, de longe, o elemento mais esclarecido e que mais dificuldades criou ao Benfica durante todo o jogo, expondo a já conhecida fragilidade defensiva do lateral Uruguaio, mas também alguma e preocupante debilidade física do nosso guerreiro.

Do nosso lado, a equipa entrou com uma personalidade e determinação tremendas, assumindo o jogo e expondo toda a ansiedade da juventude leonina no jogo. Enzo e Fejsa foram tremendos na luta pelo meio-campo e claramente superiores a Adrien e Dier (até por aqui estranhei a opção táctica de Leonardo Jardim). A velocidade imprimida por Markovic, Rodrigo e Gaitan fez o resto. Gaitan e Enzo foram os maestros do belíssimo tango que hoje dançamos, ainda que sem par.

Fomos uma equipa coesa, com linhas juntas e que impediu a circulação de bola do adversário que, com défice de qualidade no miolo, foi incapaz de construir de forma satisfatória, obrigando o Sporting a optar pelo jogo directo onde Garay, Luisão e Fejsa foram donos e senhores do espaço aéreo.

Esta capacidade de juntar linhas é facilitada pela dupla Lima-Rodrigo que são extremamente eficazes na ajuda ao sector intermédio da equipa na função de condicionar a saída de bola adversária. Esta dupla permite uma maior coesão colectiva que qualquer outra dupla que tenha na sua composição Cardozo.

Lima pode andar afastado dos golos, mas tem sido tremendo no trabalho colectivo e o principal responsável pelo ressurgimento do melhor Rodrigo, pois apresenta uma amplitude de movimentos muito superior ao Paraguaio, o que facilita a abertura de espaços para as entradas desde trás do avançado Espanhol.

Com isto não menorizo a capacidade goleadora e características individuais de Tacuara. Antes considero ser esta a dupla mais adequada para este tipo de jogos.

Gostaria ainda realçar, mais uma vez, a fantástica evolução do nosso menino d’oiro dos Balcãs. Que era rápido, bom tecnicamente, genial na desmarcação e empolgante na condução, já todos sabíamos e facilmente o verificamos. Mas este Markovic está incomparavelmente melhor que o Markovic do golo genial em Alvalade na primeira volta. Tal como já tinha demonstrado frente ao FCP no mês passado, o jovem prodígio já revela uma maturidade táctica muito assinalável. Markovic já não é só aquele talento selvagem que chegou ao Benfica em Junho. Hoje é um jogador que compreende o colectivo e que se faz compreender ao colectivo. Markovic já não é um jogador de momentos, é hoje um jogador de e para todo o jogo. Parabéns a ele pela evolução e a Jorge Jesus pelo trabalho.

Fica ainda, e novamente, um amargo de boca e incredulidade por mais uma tentativa de substituição depois dos 90 minutos e com o mesmo protagonista de sempre: André Gomes. Foi ainda algo incompreensível ver Jorge Jesus fazer entrar Ruben Amorim por troca com Rodrigo procurando dar consistência ao meio-campo e com isso controlar melhor o jogo, coisa que concordo, para minutos depois fazer sair Enzo para entrar Cardozo, voltando assim à procura da vertigem numa altura que se pedia cérebro.

P.S. No dia de ontem, o Sporting anunciou, através de comunicado, que iria comparecer ao jogo de hoje na Luz. Apetece perguntar: Com que fundamento alteraram a decisão? E falta de comparência não é punida com derrota por 3-0?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Este gin-tónico leva duas rodelas de Lima

1) Regresso de Lima aos golos - dois e excelentes.

2) Enzo Pérez é o maior.

3) 4 anos depois, Jesus ainda não percebeu que consegue melhores oportunidades de golo e melhor futebol se jogar apenas com um avançado do que com dois. Hoje foi a lição nº 3241. De nada servirá. No próximo jogo, lá teremos a fórmula antiga.

4) O Benfica ganhou 3 jogos sem Cardozo. O importante aqui é perceber que teorias facciosas anti ou pró Cardozo são tontas porque extremistas. Nem Cardozo é insubstituível nem é totalmente dispensável. Há mais do que preto e branco no futebol.

5) Rodrigo marcou (numa oferta adversária), mas continua a fazer exibições fracas.

6) Enzo Pérez é o maior.

7) Fejsa é um óptimo jogador.

8) Raul José tem um telemóvel de 96.

9) Enzo Pérez é o maior.

10) Liderança pela primeira vez no Campeonato. Agora deixem-se estar aí, que a gente gosta.

11) Há quantos anos não estavam Benfica e Sporting à frente do Porto?



domingo, 10 de novembro de 2013

Estou vivo



Por muito que Jorge Jesus diga que não mudou o sistema táctico, por muito que custe a Jorge Jesus admitir que mudou por força das derrotas, por força dos seus próprios falhanços, parece-me ser indesmentível que esta nova formula táctica do Benfica com 3 médios de corredor central declarados e uma ideia de jogo mais pausada e emocionalmente mais controlada tem os seus resultados à vista.

O derby de ontem, tal como já havia sido o jogo na Grécia, foi lançado nestas bases tácticas, com o trio formado por Matic, Enzo e R. Amorim a controlarem todas as operações a meio-campo, roubando tempo e espaço aos médios leoninos e demonstrando qualidade na hora de construir. Com estas unidades em campo, o Benfica relaciona-se melhor com o espaço, havendo menos espaço entre unidades e, por isso, maior facilidade nas ajudas defensivas e na criação de linhas de passe no momento ofensivo.

O Sporting, tal como já tinha acontecido com o Olimpiakos, marcou o 1º golo na primeira e única oportunidade criada através de lances de bola corrida durante os 90 minutos, e em mais dois erros primários do Benfica na defesa de lances de bola parada, tudo o resto foi luta a meio campo e domínio do Benfica.

É verdade que sentimos algumas dificuldades após a lesão de R. Amorim, talvez porque Jorge Jesus caiu na tentação de trocar o médio Português por um extremo (Cavaleiro), colocando Gaitan ao meio, no papel que até ali havia sido de Enzo, mas Gaitan está longe de ser Enzo no que a capacidade e voluntarismo defensivos diz respeito e Markovic não teve a capacidade de transporte de bola que Gaitan teve, até ali, pela esquerda. Mas esse desequilíbrio causado pela má opção táctica de Jorge Jesus, foi mitigado pela opção de Leonardo Jardim que na busca do golo também trocou um médio (A. Martins) por um avançado (Slimani). Ainda assim, ainda que essas dificuldades tenham sido evidentes, reforço, fomos capazes de manter o controlo do jogo, caindo apenas pela questão, que já se torna desesperante, das bolas paradas defensivas.

Ao contrário do que considerou Jorge Jesus, eu acho que a entrada de Lima ia sendo determinante, mas para um desfecho semelhante ao que temos vivido com o “mestre da tática”. Entrando Lima para a saída de um esgotado Enzo, a equipa voltou ao sistema “antigo” e ao que isso tem de melhor e… pior. Voltamos a ser uma equipa a correr desenfreadamente para a frente, mesmo depois do 4-3, voltamos a ser uma equipa completamente partida a meio (a 3 minutos dos 120 é visível uma linha de 6 jogadores a defender e 4 na zona do grande circulo), facto que só não melhor aproveitado pelo Sporting pela sua falta de experiencia e matreirice, pois contra equipas com esses predicados já vimos por diversas vezes que sofremos, e muito.

Para finalizar gostaria de falar de Gaitan. É verdade que Enzo foi, mais uma vez, gigante no meio-campo, desmultiplicando-se em 2/3/4 “Enzos” para se entregar à equipa. Não é menos verdade que Cardozo foi absolutamente letal, marcando 3 grandes golos. Mas Gaitan voltou a provar que, querendo, é o jogador mais genial deste Benfica. Gaitan é daqueles que leva gente aos estádios, é daqueles que se funde com a bola num bailado só alcance dos predestinados, assim haja disponibilidade mental e compromisso com o colectivo.