Quando se começaram a ouvir/ler
os primeiros rumores que davam conta do interesse do Benfica no extremo Português
do Atlético de Madrid, ainda que lhe reconheça qualidade, afirmei, em conversa
entre amigos, “deve ser especulação para vender jornais”.
No entanto, os ditos rumores não
paravam, pelo contrário aumentavam. As “certezas” de que o Benfica estaria
interessado na contratação de Pizzi eram cada vez maiores e já não podia ser um
caso de mera especulação jornalística que procura o lucro, tinha de ser mais
qualquer coisa.
Por isso, e fazendo contas ao
plantel, perguntei: “Para quê?”. Então o plantel já não estava dotado de
soluções viáveis para a posição? Havia/há Gaitan, Salvio, Ola John, Markovic e
Sulejmani que, em princípio farão parte do plantel. “Deve estar alguém para
sair”, pensei eu. Quem? Gaitan é sempre um dos nomes mais falados quando se
aborda o assunto de saídas do plantel, tem sido anunciado o interesse do Man.
City em Salvio, bem como foi tornado publico o interesse do AC Milan em Ola
John. Ou seja, dos 5 nomes apresentados, 3 podem constituir uma saída (não me
parece “admissível” mais que isso). “Boa medida”, apressei-me eu.
Porém, havia esquecido que Urreta
ainda faz parte do plantel, logo, a pergunta “para quê?” voltou a surgir. “Será
que pensam perder mais que um jogador daquela posição?” Se assim for, ficaríamos
com menos 2 dos 5 que fazem parte do plantel (não coloco a hipótese de serem
vendidos os 3), ou seja, aos 3 que sobrariam, poder-se-ia juntar Urreta e teríamos
o “problema” resolvido, até porque no plantel ainda há soluções de recurso,
caso assim seja necessário, como Melgarejo, Rodrigo ou Enzo. Logo, a questão do
número de opções não seria justificação suficiente para a contratação de Pizzi.
Tentando não ser negativista ou
abutre, coloquei a hipótese de se equacionar a vinda de Pizzi pela questão da
nacionalidade, podendo haver dificuldades em encontrar gente suficiente que
havia sido formada localmente para a lista a enviar para a UEFA. Logo, para
enquadrar a aquisição de Pizzi, já teria de colocar 3 factores que deveriam
acontecer cumulativamente: 1 – Saída de um dos extremos do plantel, 2 – saída de
outro extremo e 3 – a necessidade de haver jogadores formados localmente.
Chegado aqui, ocorreu-me outra
pergunta (sou pior que os miúdos), “para quê gastar dinheiro num jogador que
servirá para fazer numero, quando há Miguel Rosa (embora não seja extremo de
origem, jogou muitas vezes, e muito bem, nessa posição durante a ultima época
na equipa B) que seria uma solução a custo 0 e, talvez, com um custo salarial
mais reduzido?”. A resposta não foi fácil, mas ainda assim, querendo reduzir ao
mínimo a minha vontade de dizer mal, consegui “engolir” a embirração de Jorge
Jesus com o Miguel e decidi aceitar, sem mais perguntas, a contratação de Pizzi.
Estava já eu convencido da lógica
da contratação e sou “apanhado” pela notícia de que o extremo ex-atlético ia
rumar ao Español de Barcelona por empréstimo do Benfica, ou seja, todas as
minhas “explicações” para a contratação caíram por terra. Para fazer número não
era, pois os emprestados não “fazem número”; Por ser melhor que Urreta também
não seria, porque não fica no plantel; Para suprir alguma saída também não é,
porque caso ela ocorra de que nos serve o Pizzi estando no Español?
Eu tentei, juro que tentei, mas
não consegui encontrar a resposta à pergunta inicial e, por isso, lanço o
repto a quem consiga: Pizzi, por quanto e para quê?