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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Jonas anti-tempo



Há uma certa maneira de Jonas jogar à bola que me deixa saudoso da minha vida.
Lembro-me de mim na adolescência. Sou eu ali no canto do ciclo a fumar cigarros e a dar beijos às miúdas quando o Jonas avança pelo campo, faz triangulação, recebe, finge que remata, deixa cair o guarda-redes, depois golo.

É provável que eu goste do Jonas porque sinto falta das sandes de tulicreme e manteiga, das saudades daquilo que eu senti há muitos anos. Já tocou, a professora de Matemática está à espera mas eu ainda tenho a Vitorina ao meu colo a cheirar a perfume de flores e a língua dela parece um helicóptero.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Viver 3 anos na ignorância


Foi hoje publicada uma entrevista feita pelo “Conversas à Benfica” ao treinador Rui Vitória. Antes de entrar no conteúdo da mesma, gostaria de elogiar a disponibilidade do treinador do Benfica para este tipo de entrevista/conversa que sai completamente do registo habitual e que, por isso, permite abordar temas diferentes dos habituais e, mais do que isso, aborda-los de forma diferente. Por isso, parabéns a Rui Vitória e ao “Conversas à Benfica”!

A entrevista foi vasta e variada, mas gostaria de me debruçar mais sobre os momentos em que o treinador aborda os aspectos mais concretos do jogo, começando pelo processo de jogo da equipa:

A dada altura é questionado o porquê de o processo de jogo ter sido alterado do 4x4x2 para o 4x3x3. Se é natural que o entrevistador cometa este tipo de lapso, é absolutamente inadmissível que um treinador, seja de que escalão for, não consiga corrigir de imediato a pergunta, porque processo de jogo é uma coisa e sistema tactivo outra, podendo ou não depender um do outro. Por aqui se entende o que pensa Rui Vitória sobre o processo colectivo das equipas que treina. Cada um que retire daqui as suas próprias conclusões;

A conversa vai fluindo e na justificação das escolhas que faz, nomeadamente para as alas, Rui Vitória refere, por exemplo, que “Cervi tem um bom entrosamento com Grimaldo”. Mais uma vez, o treinador do Benfica observa as escolhas partindo do individual, isto é, determinados jogadores desenvolveram naturalmente um bom entrosamento, então as escolhas vão por ali e não porque o treinador tenha uma ideia maior para todo o conjunto, fazendo escolhas em função dessa ideia maior, em função do plano colectivo, não. As escolhas partem do individual somando-se umas às outras;

Há ainda a justificação para o pouco rendimento de Ferreyra: O treinador do Benfica justifica esse menor rendimento (e não falo de golos) com factores emocionais e sociais. Em momento algum é capaz de fazer uma análise futebolística ao jogador e à forma como se enquadra ou não nas ideias colectivas. Ou seja, Rui Vitória faz depender o rendimento do jogador de factores que são absolutamente incontroláveis por si, não sabendo explicar quais os factores que dependem do treinador e que podem ou não ajudar Ferreyra a ter um enquadramento competitivo melhor. Sabemos assim, pela boca do próprio, que se Ferreyra render algo antes de sair (a ideia que fica é que Janeiro será o limite para a estada do Argentino no clube), tal acontecerá por completa aleatoriedade, como quase tudo o que acontece em campo na equipa do Benfica, diga-se;

Por fim (ainda que não tenha sido esta a ordem cronológica da conversa) Jonas. Rui Vitória reduz a participação do melhor jogador do Benfica ao momento/gesto da finalização, Rui Vitória acha que o jogador mais completo do plantel participa apenas no momento mais reduzido do jogo, Rui Vitória ignora por completo a infinidade de coisas que Jonas dá à equipa para lá dos golos que concretiza e/ou assiste, Rui Vitória não vê a quantidade de jogo interior que Jonas produz (e que se esgota nele, percebendo-se aqui o porquê), Rui Vitória nunca percebeu a qualidade de decisão com e sem bola que génio Brasileiro aporta ao jogo colectivo do Benfica. No fundo, Rui Vitória não faz ideia do que é e do que vale o seu melhor jogador, mesmo que trabalhe com ele há mais de 3 épocas desportivas. Se é normal/compreensível que o adepto resuma o jogo de Jonas aos golos/assistências, ver o seu treinador faze-lo é simplesmente absurdo e aterradoramente revelador.

domingo, 2 de dezembro de 2018

A (des)Confiante Goleada

"Na primeira parte desgastámos o adversário, na segunda foi uma dinâmica muito forte. Quem viu o jogo sentiu essa confiança e vai mais satisfeito para casa."

São estas coisas que me assustam. A certeza que o treinador do Benfica acredita mesmo nisto.

Vamos lá pensar um pouco o jogo de ontem.

Rui Vitória olha para os primeiros 45 minutos e vê uma estratégia de desgaste do adversário. E acredita nisso.

Não. Não houve nada a funcionar naquela primeira parte. Não houve uma estratégia a funcionar. Não houve. Foi simplesmente miserável. Equipa desligada, sem alma e sem futebol. Não houve qualquer desgaste do adversário. Um jogo ofensivo lento e com espaço para o adversário ir no seu tempo tentando aproximações à nossa área. Sem desgaste.

Agora sim, nos segundos 45 minutos houve uma dinâmica muito superior. Mas também aqui o treinador não se pode iludir. O resultado é logo desbloqueado no arranque pelo gênio do Jonas. Boost de confiança encarnado e quebra anímica do adversário. Mais 3 golos, 3 oferendas do adversário.

Assusta-me que o treinador do Benfica pense que por ter convocado só 18 que tudo já ficou resolvido. Assusta-me que ache que já está tudo operacionalizado.

Assusta-me que ele, e só mesmo ele, tenha sentido toda aquela confiança e que esteja plenamente satisfeito com a exibição da equipa.

Agora, apesar da miserável primeira parte e de 4 golos muito sui generis , é justo e até refrescante ver a pujança da equipa na segunda parte.
A equipa entrou muito rápida e principalmente muito agressiva ofensivamente. Agressiva na pressão alta e principalmente agressiva no momento pós recuperação da bola. E nesta mudança de postura há sem dúvidas mérito do treinador.

Contudo não me parece que dê para ganharmos muitas vezes dependendo somente deste futebol de agressão ofensiva. Até porque este estilo não parece poder durar sequer 60 minutos.

Além do resultado a melhor noticia é sem dúvidas a titularidade do Zivkovic.

Um trio ofensivo com o genial Jonas, com o craque maravilhoso que é o Rafa e com este talento sérvio que precisa jogar muito mais, servido pelo base Pizzi, o melhor jogador para criar os apoios aos talentos da equipa, é sem dúvidas um poço de talento a libertar nas defesas adversárias.

Com jogadores destes até parece batota, até parece fácil.

Mas como ele já nos disse, se fosse fácil não era para ele.


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A PEITADA GLORIOSA


não é para todos. Por isso, com o ideólogo Jonas no banco, João Félix agradece a extraordinária assistência de Pizzi com o movimento tradicional entre o transmontano e o brasileiro.

Jonas, Pizzi e Félix. Os craques reconhecem-se nos ares.


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Onze-tipo



Com a permanência de Jonas, a qualidade de Ferreyra e a lesão de Krovinovic, a realidade pede o regresso a um esquema com dois homens na frente - Joneyra é demasiado irresistível para desperdiçar. Se não houver mais mexidas no plantel, o meu onze-tipo seria este (com Krov por Rafa quando o croata estiver apto):

Svilar
Almeida, Conti, Jardel, Grimaldo
Fejsa
Rafa, Pizzi, Zivkovic
Ferreyra, Jonas

sábado, 4 de agosto de 2018

Dores nas costas



Noto uma incompreensível contestação aos meus textos quando escrevo que este funcionário do Benfica já não tem condições para representar o nosso clube. Que "ainda dá mais umas épocas", que "não podemos ter memória curta", que "no Benfica não somos mal-agradecidos a quem fez muito por nós". Romantismos de quem não percebe o negócio futebol. O clube já não é só um clube, é uma empresa. Deixem-se de poesias.

Parece-me que chegou o momento de o libertar e permitir que faça um último grande contrato no estrangeiro - Ilhas Caimão ou Panamá mostraram real interesse nos seus préstimos. Vieira está velho para a função - 69 anos de incrível desgaste - e sobretudo tem uma lesão nas costas que o atormenta há várias décadas. Aliás, já não tem espinha nem vértebras desde 1980.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Vender Jonas? Porto Bicampeão.


Se, nas vendas oficialmente propagandeadas a 30 e 40 milhões, meses depois descobrimos que só 8 ou 10 entraram nos cofres do clube, se vendermos Jonas a 14, com sorte entrarão 3 milhões no Benfica. Mas podia entrar o dinheiro todo que se quisesse, podiam os dirigentes ser honestos e amar o Glorioso, podíamos ser uma máquina bem oleada por gente competente, que a venda de Jonas, no ano a seguir a perder o Penta, seria sempre um erro monumental.

Jonas é um dos melhores jogadores da História do Benfica. O melhor dos últimos 25 anos. É raro, é mágico, faz coisas que mais ninguém faz. Não se fala de golos e assistências (que felizmente são muitos e por isso o treinador não o pode tirar), fala-se de tudo o resto que dá à equipa. Com Jonas em campo, os outros jogadores tornam-se melhores jogadores. É ele que motiva uma esperança para a Reconquista.

A idade não é um obstáculo; é, pelo contrário, uma mais-valia. Jonas está no auge da sua forma, do seu cérebro, do seu profundo conhecimento sobre o jogo. Não tem de fazer sprints ou "ganhar lances divididos" - o futebol não é halterofilismo, atletismo ou luta greco-romana. Jonas ganha-os por antecipação, por ludibriar os adversários com melhor e mais bela movimentação no relvado.

Sem Presidente e sem treinador já é difícil. Não queiram tentar ganhar o campeonato sem Presidente, sem treinador e sem o melhor jogador.



sábado, 12 de maio de 2018

Seferovic

Confesso.

Fui daqueles que muito elogiou a contratação do Seferovic.
Fui daqueles que muito elogiou as qualidades do suiço.

Confesso.

Sou ainda daqueles que acredita na qualidade deste avançado que fomos contratar no Verão passado.

Estamos a falar de um jogador de ataque alto e forte. Contudo não estamos a falar de um monstro de área, de um matador, de um pinheiro, de um ponta de lança.

Estamos a falar de um avançado que gosta de jogar em apoios, tabelar, pensar o jogo, participar na construção. Também marca mas acima de tudo integra o processo ofensivo de contrução do golo.

É alto mas tem técnica e procura a bola e a tabela em qualquer zona do campo.
Marca golos mas principalmente participa neles.

Não faz uma dupla tão compatível e mortífera com o Jonas como fazia o Mitroglou mas também fazia funcionar aquele 4-4-2 de inicio da época. A sua presença não só permitia maior liberdade de movimentos ao Jonas como este tem também a capacidade de respeitar e perceber as ingressões do génio brasileiro.

Um avançado forte de futebol apoiado, o contrário do avançado de futebol vertical e vertiginoso que é o Raúl Jimenez.

Depois de um bom arranque o suiço teve sentar. E a opção é mais que compreensível.

Naquele 4-4-2 a equipa defendia muito mal. Qualquer adversário facilmente quebrava o nosso meio-campo e criava desequilibrios na nossa defesa.
E o Rui Vitória conseguiu perceber que mudar os defesas não mudava isso. O problema era outro. Era a qualidade do jogo defensivo. Do processo. Do treino.

A solução foi reforçar o meio-campo com mais um jogador. Meter ali mais gente para tentar compensar o fraco processo defensivo.

Percebeu-se rapidamente que foi uma decisão de desespero e não algo previamente trabalhado. Tanto que andámos jogos nas experiências a tentar descobrir quem poderia ali encaixar. O primeiro que se afirmou foi um médio que pouco tinha jogado e que nem na lista da Champions tinha entrado. Com a sua lesão vieram outras experiência.
Acabou por se afirmar um extremo que passava muito do seu tempo pela bancada. E este afirmou-se não por aquilo que dava à coesão do meio-campo mas sim pelo que a sua qualidade individual dava ao jogo.

Sem bola as fragilidades mantiveram-se. Com bola o sérvio faz a diferença. É o talento natural dele.

Com o 4-3-3 foi só natural que o Seferovic tivesse sentado. O que não é compreensível é que tivesse sido queimado.

No plantel do Benfica é o substituto directo do Jonas e também a melhor opção para no decorrer de um jogo entrar para o lado deste.

Necessitando de marcar, jogando contra uma equipa muito fechada defensivamente, o suiço é o jogador ideal para regressarmos ao 4-4-2. É uma mudança táctica que coloca maior presença na área, que abre mais buracos na defesa adversária e que não altera o estilo de jogo da equipa. É a alteração mais coerente.

Mas não só o Seferovic deixou de ser a primeira opção para o 4-4-2 como também nunca foi visto como o substituto do Jonas (fosse para o 10 descansar ou fosse para aguentar a posição enquanto esse não regressasse da sua lesão).

A opção do Rui Vitória foi lógica com a forma como o treinador vê o futebol. Pontapé para a frente. Kick and Rush.

Com meia hora para jogar e a precisar de marcar, o professor sempre optou pela opção desesperada. Por quebrar a equipa e passar a jogar para o chuveirinho. Sempre optou por abdicar da fase de contrução e incentivar o Varela e defesas a bombear a bola para o ataque.

A ideia é meter o Raúl a correr feito louco, a ganhar bolas no ar e a criar desequilibrios na defesa adversária pela conquista de segundas bolas.
Se não resultasse então lá vinha o queimado - o Seferovic. Com 5 ou 10 minutos entrava para ser mais um a ganhar no jogo aéreo.

O Rui Vitória utiliza o suiço da mesma forma como utilizaria o Karadas. É alto? É forte? É avançado? Entra para a presença na área e jogo aéreo.

Contudo o futebol deste avançado não é compatível com essas ideias. Por isso é que andava andava pelas linhas a efectuar os cruzamento em vez de estar na área a recebê-los.

Assim se queima um jogador.

O Jonas é craque mas dá ao jogo do Benfica muito mais do que a sua capacidade técnica. A sua principal qualidade no nosso ataque é a de fazer a ligação com os variados sectores de ataque. Sem Jonas e com o Raúl muda-se dramaticamente o contexto de jogo. E é impensável que a lesão de um avançado mude tão drasticamente as ideias de jogo de uma equipa.

Um encurta linhas, outro estica o jogo. Um joga de costas e outro joga de frente para a baliza. Um progride em apoios e o outro em velocidade.

Daí a titularidade do suíço fazer muito mais sentido que a do mexicano. Não pela qualidade individual dos jogadores mas sim pelas suas caracteristicas. 

Confesso.

Ainda espero ver mais jogos deste suiço.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

A loucura mexicana



Neste momento de ternura entre o Raúl e a bola - olham-se mutuamente, rindo muito, por no mundo só eles e o Jonas saberem o que vai acontecer -,  o mexicano já sentiu onde está o brasileiro e já sentiu onde estará o brasileiro daqui a 2 segundos para fazer o golo. A bola, o Raúl e o Jonas estão os três ligados entre eles e desligados de tudo o resto. Só eles viram a loucura a nascer, a crescer, a tornar-se adulta, a ser real, a maravilhar, a dar alegria aos olhos infantis de todos os adeptos que viram aquele golo. Uma loucura que é o futebol no seu estado de sangue. Uma loucura impossível de enfiar num gráfico, numa estatística, num quadro de ensinamentos sobre o jogo.

A bola vai sair, o pé esquerdo não tem grande arte, o pé direito talvez se fantasie de pé esquerdo mas vai precisar de um voo, de um passe de dança, de um mergulho para o ar, para fora do pé,  do joelho, da perna, do mundo. A bola vai sair e é preciso dar-lhe um toque de ternura. É preciso um poema.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Indiana Jonas - em busca da baliza perdida



A expressão que faz o título deste texto é do Nuno Matos e não podia ser a melhor forma de começar a falar em Jonas porque o brasileiro é, ao mesmo tempo, um aventureiro pelos relvados e um descobridor de segredos perdidos. Às vezes parece que só ele tem o mapa que nos levará à baliza; a chave que abrirá a porta sagrada do golo.

Jonas é elegância em estado puro. Veja-se o porte altivo, pescoço estendido, cabelo arrumado, olhar aquilino. Movimenta-se pelo campo como se seguisse uma rota só sua, diferente dos demais - aquela que sabe poder chegar às redes adversárias. Jonas encontra o caminho da baliza por estradas invisíveis aos olhos dos mortais, rotas silenciosas, troços da realidade que só ele vê, que só ele sente, que só ele conhece.

O golo acontece a um determinado minuto mas na verdade o golo já aconteceu muitos segundos antes, quando Jonas correu para a bola e a recebeu e desenhou mentalmente o futuro da jogada e o presente da bola nas redes. Jonas joga futebol de 11 como se estivesse num pavilhão a jogar futsal. Trocas simples de bola, em movimento vertical recua ou sobe consoante a harmonia da harmónica colectiva. Faz de pivot, de placa giratória que tudo mete em movimento.

Nené com sotaque, nunca se despenteia, não se suja, não perde tempo com ninharias estatísticas - está ali para jogar futebol, não para fazer a maratona. Parece até alheado do jogo. Julgamos que Jonas estará pensando no que fará a seguir, se comerá peixe ou carne, que filme ver, qual a série que estará a dar na televisão. Quando a bola está em Luisão ou em Júlio César, é possível que Jonas, enfiado entre os centrais, vá dissertando sobre a maravilhosa poética na escrita de Guimarães Rosa, lembrando o não menos maravilhoso «Manuelzão e Miguilim» sob o olhar surpreendido de uma dupla de defesas que ainda não se apercebeu que a bola vai estar dentro da baliza exactamente daqui a 37 segundos.

Jonas já sabe que vai ser golo. Por isso vemo-lo agora a dizer as últimas palavras sobre o escritor brasileiro e a dirigir-se tranquilamente para a linha lateral, onde vai tabelar com o extremo, voltar para a grande área, dar um toque de calcanhar que vai isolar o médio em frente ao guarda-redes e depois simplesmente, já com a baliza perdida finalmente encontrada, agarrar na arca cheia de golos de ouro e distribuí-los pelo público. Vemos Jonas lançar para cada adepto um golo como se todos os adeptos de futebol merecessem um golo só seu. É esse o grande destino do nosso herói: inventar todos os dias um golo novo para oferecer aos benfiquistas. Porque é ele o centro do Universo do golo do Benfica.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018



1) Surpreendentes os dois acontecimentos: a boa primeira parte do Benfica e a má primeira parte do Sporting. De futebol curto, muito retraído e quase só à espera de espaços nas costas da nossa defesa, o Sporting foi uma sombra de si próprio - muito pouco para quem quer ser campeão 16 anos depois. De futebol largo, bem pensado por Pizzi, Jonas e Krovinovic e com um Fejsa a fazer de placa giratória e Grimaldo a criar os desequilíbrios por dentro enquanto Cervi abria na esquerda, o Benfica criou jogo e oportunidades suficientes para chegar ao intervalo a ganhar folgadamente. No entanto, no ecrã dizia 0-1. Só mais um exemplo de que o resultadismo é ciência que não encaixa no futebol.

2) Krovinovic, de longe o melhor em campo. Toda a melhoria que o futebol do Benfica vai apresentando de tempos a tempos deve-se à entrada deste miúdo no onze e a forma como Pizzi e Jonas ganharam uma nova vida para voltarem a fazer aquilo que sabem fazer bem: bom futebol. É sobre este trio de craques que a esperança no 37 assenta. Claro, com Grimaldo e Fejsa a acompanhar a orquestra.

3) Incompreensível a substituição de Rui Vitória aos 55 minutos. Retirar Pizzi quase sempre será um erro, já que é um dos melhores que temos para praticar futebol de qualidade, mas, mesmo aceitando a decisão, não se percebe a escolha por Raul. O Benfica vinha de uma primeira parte de domínio territorial, controlava perfeitamente o jogo na segunda, começava a voltar a criar situações de perigo e o que faz o treinador do Benfica? Parte a equipa, estica-a à espera de correrias e rasgões. Não é por termos 10 avançados que marcamos mais golos, professor. Já que Pizzi nao servia (não se sabe bem porquê, estava a fazer um bom jogo), João Carvalho,  por exemplo, poderia ter servido de moeda de troca mantendo a riqueza da posse de bola e do jogo inteligente do nosso lado.

4) A insegurança do Sporting. Nos últimos 36 anos, o Sporting venceu 2 campeonatos. Isso nota-se quase sempre nestes jogos entre rivais, tal é o medo que os sportinguistas têm de perder. Em vantagem no marcador, a equipa limitou-se a tentar defender bem e a abrir bolas nos extremos em contra-ataque. De equipa pequena. Já na segunda parte, após a má substituição de Vitória aos 55 minutos, um treinador com outra visão teria aproveitado o erro de xadrez do professor e atacado o miolo do Benfica, provavelmente marcando mais um e acabando com o jogo. Pela primeira vez, Jesus borrou-se na Luz como treinador do Sporting.

5) O público bipolar do Benfica. De repente, os adeptos do Benfica odeiam Rui Vitória. Bastou parar de ganhar para que o professor passasse a "pior treinador de sempre". Nas bancadas os insultos são muitos, os pedidos de demissão, as boçalidades. Quantos destes seres não andavam no Verão a dizer que "o Vitória arranja substitutos para as saídas, confiem na estrutura e no nosso grande treinador!"? O professor é fraco? É. Mas não começou a ser fraco há 4 meses. Sempre o foi.

6) O Penta. A derrota provavelmente teria destruído o nosso sonho - não só pela diferença pontual (a 6 pontos dos dois), mas pela carga emocional e pela contestação ao treinador. Com o golo de Jonas, ficando a 5 do Porto e a 3 do Sporting, marcando nos últimos minutos de um jogo em que fomos claramente superiores, acredito que temos uma Luz à nossa espera. Com a qualidade individual deste plantel poderemos ganhar todos os jogos até ao fim. Basta que os jogadores acreditem no Penta como nós acreditamos.

VIVÓ BENFICA!

domingo, 20 de agosto de 2017

JVP, Aimar, Jonas

O futebol, enquanto desporto colectivo, é composto por jogadores com características muito diferentes. Há craques, matadores, caceteiros, jogadores de equipa, úteis polivalentes, vertiginosos, aceleras, patrões, enfim um sem-número de adjectivos. Pese embora a qualidade de jogadores como Simão, Di Maria, Gaitán e tantos outros cujos nomes ocupariam quase uma página inteira, ao longo dos últimos 25 anos lembro-me de ver apenas três jogadores que aliavam a toda a sua qualidade um toque de futebol refinado e de classe que os tornaram diferentes e especiais. Não se trata dos que mais deram o Benfica, dos que mais conquistaram, dos melhores nem sequer dos que mais gostei de ver jogar. São apenas os três que me lembro de ver que tinham um toque de bola, uma leitura de jogo e um brilho, enfim, uma classe que os colocou noutro patamar. João Pinto, Pablo Aimar e Jonas foram os três semi-deuses que envergaram a camisola do Benfica nos últimos 25 anos.

João Pinto chegou menino e viveu os melhores anos da sua carreira no período mais negro da História do Benfica. No pós-94, viu-se ano após ano rodeado por um elenco que não lhe permitiu brilhar em todo o seu esplendor de águia ao peito. Ainda assim, pelo repentismo, pelos argumentos técnicos que não se limitavam ao toque de bola e aos slaloms geniais (foi dele o melhor golo que não chegou a ser, contra a Alemanha), pelos voos de cabeça imortais, marcou uma geração de benfiquistas e fez com que muitos dos nascidos no final da década de 80 e início da década de 90 se tornassem benfiquistas por sua culpa, apesar da escassez de títulos. João Vieira Pinto, um imortal da História do Benfica.

Pablo Aimar chegou já um jogador feito. Envolto num clima de desconfiança pelo fraco rendimento desportivo nos anos que antecederam a sua chegada, além das lesões e tempos de paragem prolongados, após a libertação do futebol enfadonho de Quique Flores foi com Jorge Jesus que mais brilhou ao longo de três das épocas que passou na Luz. O que mais impressionava em Aimar, além da visão e da facilidade e simplicidade com que encarava o jogo, era a forma como orquestrava e dirigia uma equipa recheada de estrelas. Entre Di Maria, Ramires, Saviola, Cardozo, Witsel, Javi, Gaitán e Salvio, era ele que coordenava e corria o espectáculo. Provavelmente a melhor definição de classe que passou pela Luz nestes 25 anos.

Jonas. Custa crer que um dia venceu o prémio de pior avançado do mundo. Custa acreditar que foi dispensado pelo Valencia com apenas 30 anos depois de 48 golos em três temporadas em Espanha. Jonas foi absolutamente decisivo na História recente do Benfica ao ser o grande responsável pela conquista de dois campeonatos que, sem ele, muito provavelmente teriam ido para outras paragens. Técnica de remate muito acima do normal, descongestiona jogo com passes longos de primeira ao alcance de poucos e tem ainda uma qualidade que muito aprecio: tem uma vontade de ganhar muito superior à da maioria dos colegas de profissão.

domingo, 30 de julho de 2017

5 notas positivas de uma pré-época negativa



1) Seferovic. Qualidade com e sem bola. Tanto procura as costas da defesa como sabe combinar com os colegas, criar pequenas ligações curtas, pedir no espaço, assistir. Um avançado elegante e completo que vai marcar mais de 25 golos na época.

2) Chrien. Craque que, vindo do banco e aprendendo com Jonas e Pizzi, será durante a época uma boa solução para o miolo.

3) Alguns, embora poucos, minutos dados a Horta. É um dos melhores e o professor precisa de ter um plantel com os melhores. É tempo de deixar para trás velhas quezílias e dar prioridade ao que interessa: ao sucesso do Benfica.

4) Willock. Sempre que entrou, mostrou pormenores. Pequenos sinais de que, bem trabalho, pode dar jogador. Vai ter pouco espaço mas é uma promessa. Se for emprestado,  pede-se que vá para um clube onde possa ser titular.

5) Jonizzi. O monstro das duas cabeças com dois cérebros gloriosos entra e a equipa ilumina-se. Quase pode ser pentacampeão sozinho contra o mundo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Seferojonas



Quando, há uma semana e tal, falei na qualidade de Seferovic, fui naturalmente questionado pelos adeptos das estatísticas - que são tão legítimos adeptos como quem, como eu, não quer saber das estatísticas para nada - sobre o passado não muito goleador do avançado suíço. Que "tem números ridículos", que "como é possível comprar um avançado que marca tão poucos golos?", que "o avançado serve para marcar golos".

Bem, comecemos por aí: um avançado não serve para marcar golos. É esse o principal engano de quem analisa um avançado pelos golos que marca. Um avançado, como um defesa, um médio e um guarda-redes, deve ser analisado pela qualidade que tem, independentemente dos golos que marcam, das assistências que fazem, dos desarmes, das segundas bolas, dos cabeceamentos, dos remates, das defesas, dos quilómetros percorridos.

Ou seja, se quiserem falar de bola, então vão à GoalPoint e deixem o cérebro em casa - bastar-vos-á dizer que um avançado com 6.2 é melhor do que outro com 5.4., embora isso signifique zero em termos do que fez em campo. Se quiserem falar de futebol, então vieram ao lugar certo. Discordando ou concordando, aqui a análise é às características dos jogadores, aquilo que eles dão à equipa. Por exemplo, um avançado que marque 0 golos numa época pode ser substancialmente melhor do que outro que marque 20. Se largar o conceito GoalPoint ou outro qualquer site que faça do futebol a arte de um Técnico Oficial de Contas, não é difícil perceber porquê.

Seferovic pode não marcar golo nenhum num campeonato e marcar, como vai marcar este ano, mais de 25 golos numa época. Basta que o contexto mude para um espaço em que as suas melhores características sejam exploradas. Desde logo, que os jogadores ao seu lado tenham mais talento. Que o clube onde joga seja melhor e maior. Que a equipa na qual está inserido tinha ideias de jogo muito mais ofensivas. Que os seus colegas sejam talentos criativos como Zivkovic, Pizzi, Rafa ou Grimaldo. O QI futebolístico sobe, os desequilíbrios ocorrem, as oportunidades são em catadupa, os golos naturalmente aparecem.

Depois, há o elemento extra: Jonas. Seferovic vai jogar este ano ao lado de um génio, algo que nunca lhe tinha acontecido. E o suíço tem a qualidade suficiente para aproveitar o génio do brasileiro a seu favor. Juntos, criarão uma dupla letal que marcará mais de 50 golos na época. Mas poderiam os dois marcar zero golos que continuaram a ser óptimos jogadores de futebol.

O jogo, este jogo, como diria Vinicius sobre a vida, é a arte do encontro embora haja tanto desencontro nessa vida. O jogo, este jogo, depende de tantas variáveis que nunca pode ser encaixotado nuns quadros manhosos com contabilizações decimais sobre acções específicas. O jogo,  este jogo, depende sobretudo daquilo que a GoalPoint não pode nunca contabilizar: a movimentação dos jogadores. O bicho SeferoJonas mexe-se bem para caralho.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O segredo do Penta



"Tenho o objetivo de ir ao Mundial'2018 e é para isso que trabalho todos os dias. Quero fazer melhor a cada ano para captar a atenção de Tite"

Se fosse preciso mais alguma coisa para querer manter Jonas mais uma época - como se o facto de um génio usar a Gloriosa não fosse suficiente -, ela aqui está: a motivação que o Pistolas tem para chegar ao Mundial. Jonas este ano fará a melhor época da sua carreira.

Vieira e Vitória, deixem lá os números e os milhões e os 433 e as mudanças tácticas. Querem o Penta? Mantenham Jonizzi e Grimejsa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

JONIZZI, O MONSTRO DE 4 PERNAS E DOIS GLORIOSOS CÉREBROS 



1h12m55s. Excelente corte de Luisão, recuperação, bola em Salvio, passe falhado de Salvio, Vitória recupera, Luisão - imperial - volta a cortar. Bola para o Benfica. Repare-se no que vai acontecer e na importância fulcral de ter não só jogadores extraordinários como Jonas e Pizzi pelo valor dos dois individualmente mas pela forma como os dois funcionam entre si. Jonizzi, o monstro com duas cabeças, 4 pernas, 4 braços e cérebros gigantes, garante títulos atrás de títulos porque é mais inteligente e mais criativo do que todos os outros.

1h13m07s. Semedo, bem, mete no meio em Samaris que procura Pizzi. Pizzi vai meter no Jonas não para uma transição rápida mas para dar tempo à equipa de ir subindo - usa o fio invisível do passe vertical mas sabe que é só um engano. Fá-lo para trás, para o lado? Não, usa o apoio frontal que lhe dá Jonas, que vai, com toda a sua técnica e brilhantismo, meter de primeira em Samaris já com a equipa devidamente posicionada de frente para o jogo e distribuída para poder ser letal. Eis o segredo fundamental: fazer transição sem histeria. Poder chegar à baliza adversária rapidamente mas sem pressas. Porquê? Porque vai ser mais fácil encontrar o caminho do golo pela rota menos óbvia do que se começarem todos a correr desalmadamente para a frente. O caminho que nenhum jogador do Vitória poderia imaginar. Xadrez no Jamor.

1h13m15s. Segue bola pelo corredor lateral. Salvio percebe que não pode entrar,  excelente Jiménez a deixar Jonas na profundidade para ir ele dar apoio ao argentino. A equipa compreende que tem de recriar. Voltar atrás, criar de novo, ir pelo centro. Excelentes, Samaris, Pizzi e Luisão a criar um triângulo à volta de Marega enquanto o golo já se está despir lá mais à frente. No Vitória ainda ninguém percebeu o que se prepara para fazer Jonas. Mas Semedo percebeu e foi correndo sorrateiramente pela linha. Salvio viu o lateral a subir e atirou-se, qual carteirista de Buenos Aires, para a zona da molhada, criando o caos na área vitoriana. E agora, senhores, silêncio que Jonizzi, esse monstro de talento desmesurado, vai planar pelo relvado.

1h13m30s. Ver dezenas de vezes o que Jonizzi acaba de fazer. Ver, rever, ver, rever porque no futebol há muito poucos monstros como Jonizzi. É uma diagonal perfeita, tão maravilhosamente traçada que, apenas com um passe extraordinário de Pizzi e uma fabulosa movimentação de Jonas, destrói a organização do Vitória, criando condições ideais para o cheque-mate (repare-se na movimentação de Celis que, perdido, dá um passe para o lado contrário). Aquele passe só sai porque Pizzi sabe que Jonas vai para ali. Pizzi não vê Jonas ali porque ainda não está lá mas Pizzi é a única pessoa que compreende o génio de Jonas e por isso passa-lhe a bola para o sítio onde ele há-de estar - o monstro Jonizzi a criar futebol que nunca aparecerá numa estatística ou na percepção geral do adepto que olha mas não vê.

1h13m36s. Tecnicamente perfeito, o passe chega a Jonas que já tem o golo na cabeça há 30 segundos mas ainda tem de resolver um problema: retirar Celis do caminho, que vem desalmado pelo nó cerebral que o passe de Pizzi lhe havia criado. Jonas a dar lição de paciência na construção do golo: não procurou rodar para a esquerda, não quis rematar ou forçar o caminho central. Jonas já sabia o que tinha a fazer a partir do momento em que saiu da zona dos centrais: abrir o corredor. É isso que faz: um ligeiro toque retira Celis para a berma da rota definida, depois o passe cheio de mel que Semedo recebe e o aproveita com um cruzamento como mandam as leis matemáticas do jogo. O carteirista Salvio, aproveitando os solavancos e confusões de uma defesa vitoriana já totalmente à deriva, rouba todas as carteiras com um cabeceamento perfeito. Louco, abraça-se a Jonas e começam a correr pelo relvado a cantar Gardel: "esta noche me emborracho".