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sábado, 28 de abril de 2018

Parabéns, FC Porto


O FC Porto prepara-se para quebrar um jejum de quatro temporadas sem conquistar o campeonato nacional, período nunca antes visto sob liderança de Pinto da Costa, pondo também fim a um ciclo (e não hegemonia) de triunfos do Benfica. Vencerá o campeonato e com toda a justiça.

Não que a época dos azuis-e-brancos tenha sido exemplarmente preparada, pelo contrário. O treinador foi escolhido e contratado de forma pouco ortodoxa e o plantel apresenta lacunas importantes inclusivamente em posições para as quais os titulares são jogadores cuja qualidade fica a desejar para quem quer ser campeão. Mas tal como a nossa própria experiência recente nos mostrou, não é só de qualidade em bruto que se fazem os campeões. E este Porto foi bem trabalhado. Prova disso são as retumbantes vitórias europeias no Mónaco ou com o Leipzig, a exibição em Alvalade para o campeonato, o jogo que fez (e que merecia ganhar, com erro grosseiro da arbitragem) frente ao Benfica no Dragão e a vitória decisiva que alcançou na Luz.

Resumindo, o Porto venceu porque foi melhor dentro de campo. Nas quatro linhas. Não foi por Francisco J. Marques, por Pedro Bragança, pela arbitragem, pela imprensa, pela sorte, o azar, as estrelas, as constelações, os astros. Há demérito do Benfica, naturalmente, pela forma absolutamente amadora como preparou a época e pela incapacidade crónica do seu treinador em extrair o melhor dos jogadores que tinha (algo que Sérgio Conceição fez com mestria exímia). Mas há sobretudo mérito do FC Porto. E enquanto andarmos preocupados com fait divers em vez de arrumarmos em definitivo a nossa casa e de reconhecer o mérito de quem ganhou com justiça, mais longe andaremos de voltar a ganhar.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Os nossos rivais



Comecemos pelo rival que, para mim, mais mudou: FC Porto.

Pode parecer um contra-senso que se diga que a equipa que mais mudou seja a única que não fez qualquer contratação e que, de caras novas, existem apenas alguns jogadores que regressaram de empréstimo.

No entanto, para mim e pelo que vi até agora, a equipa Portista foi mesmo quem mais alterou durante o defeso, já que a “simples” alteração no comando técnico da equipa, trouxe aos azuis e brancos uma alteração radical de ideias de jogo. De uma ideia demasiado conservadora e fazendo partir do seu equilíbrio todo o seu jogar, com Sérgio Conceição a equipa apresenta uma ideia assente no risco, no desequilíbrio do adversário através do seu próprio desequilíbrio. Será, não tenho dúvidas, uma ideia muito mais atraente, eficaz e, por isso, capaz de poder levar o clube aos títulos que lhe escapam há 4 anos.

A forma como o Porto envolve os seus laterais, como faz os seus extremos procurarem posicionamentos interiores e a sua dupla de avançados o posicionamento agressivo na profundidade, o que leva a um natural baixar de linhas adversárias, faz antever uma equipa com elevada capacidade para fazer golos. A pressão constante e a todo campo a que submete os seus adversários também promete fazer danos, sobretudo numa liga onde os defesas da esmagadora maioria das equipas são limitados tecnicamente e onde essas mesmas equipas são pouco elaboradas ofensivamente, a pressão asfixiante dos Portistas promete causar bastantes perdas de bola em zonas proibitivas e/ou a procura de bater na frente, onde Marcano, Felipe e Danilo podem impor as suas capacidades físicas e assim voltar a dar posse à equipa.

No entanto, e porque nunca há modelos perfeitos, encontro três problemas neste jogar portista: 

         1 – Parece-me uma equipa pouco paciente na busca da melhor linha de passe para chegar à área adversária. Esta constante pressa em chegar, pode provocar várias perdas de bola que, numa equipa que ataca com tantos, poderá ser um problema, ainda mais porque não vejo em Danilo a capacidade tática capaz de suprimir de forma constante essas perdas, sendo que o único jogador que parece capaz de contrastar com este tipo de ideias será Oliver;
         2 – Quanto a mim, falta ao plantel e ao 11 portista um avançado que seja capaz de jogar em apoio, que seja capaz de fazer a diferença com bola, que seja completamente diferente do perfil dos dois que têm sido utilizados nesta pré-época. Em jogos frente a equipas que se fechem num bloco muito baixo e com linhas bastante cerradas, será importante ter quem possa fazer a diferença no interior das linhas adversárias pelo corredor central e, quanto a mim, esse jogador não existe no actual plantel Portista;
         3 – O ritmo frenético imposto pela equipa. Durante esta pré-temporada, o que mais me tem impressionado desde o primeiro minuto, tem sido o elevado ritmo que os jogadores, desde cedo, conseguiram imprimir em cada partida. Seja a atacar, seja a defender, o Porto apresentou-se com uma capacidade física muito acima da média. Não tenho dúvidas que será das equipas que melhor iniciará o campeonato, no entanto, ficam dúvidas se será possível manter esta capacidade durante toda a época, sobretudo com um plantel que me parece o mais curto dos três grandes, no que diz respeito a opções completamente válidas. 

Será ainda interessante perceber a reação da equipa quando entrar nos jogos oficiais e onde o factor estratégico dos seus adversários entrará num nível muito mais elevado do que, naturalmente, acontece numa pré-época.
Em suma há uma dado que me parece claro: O FC Porto está mais forte. Não tenho dúvidas que, pelo menos no plano interno, teremos um Porto mais competitivo e mais capaz de ser uma ameaça séria.

Agora o rival que, apesar das várias mudanças nos protagonistas maiores – jogadores, é o que, quanto a mim, apresenta uma ideia de jogo mais sólida e completa em todos os momentos do jogo: O Sporting.

De facto Jorge Jesus tem, de alguns anos a esta parte e desde a saída de Vítor Pereira do FCP, a ideia mais sólida que um colectivo pode ter em Portugal. No entanto, este ano, como nos anteriores, o seu grande calcanhar de Aquiles permanece o mesmo: a escolha dos jogadores.

A preferência por jogadores eminentemente físicos retira ao jogar de Jorge Jesus muitas das vantagens que as suas ideias trazem ao seu jogo. Esta época não me parece ser exepção, facto facilmente comprovável pelos reforços que mais possibilidades terão de serem opções regulares no 11 titular: Mathieu, Battaglia e Acuña.

Pelo que vi até agora, parece-me que as possibilidades da equipa leonina fazer uma época condigna com o investimento feito passará pela manutenção no plantel de 4 jogadores e no que eles conseguirão fazer: Rui Patricio, William Carvalho, Gelson Martins e Podence.

Das caras novas há a destacar Podence e Bruno Fernandes. O jovem criativo proveniente de Alcochete, mostrou ser uma enorme mais-valia no que pode vir a ser a época Sportinguista. O seu caminhar lesto aliado à sua enorme criatividade e qualidade na decisão, prometem vários momentos de deleite para quem gosta de bom futebol. Já o médio contratado à Sampdoria apresentou-se em grande plano nesta pré-época e, não tenho muitas dúvidas, estará pronto a suceder a Adrien, caso este abandone Alvalade, e com ganhos no plano ofensivo.