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terça-feira, 16 de julho de 2013

O nervosismo encarnado.



Sou natural de Marco de Canaveses (cidade pertencente ao distrito do Porto) e divido a minha vida, por questões profissionais, entre esta cidade nortenha e Lisboa, das mais belas cidades do nosso País e cidade sede do nosso glorioso Sport Lisboa e Benfica.


Pela minha naturalidade, desde cedo convivi muito de perto com a realidade do nosso, ao momento, maior rival e seus adeptos e, talvez por isso, vivo o Benfica de uma forma algo diferente do que vejo ser vivido por terras do Sul. Em comum com os adeptos de todas as regiões há o fervor benfiquista de cada um, mas a forma como é vivido difere de cultura para cultura.


A norte aprendi, ou melhor dizendo, fui forçado a aprender a ser benfiquista em terreno “inimigo”, onde cada vitória listada, e têm sido mais que as outras, era/é vivida e comemorada contra o Benfica, no caso, contra os símbolos do benfiquismo existentes, ou seja, os seus adeptos. Talvez por isso, ou mesmo só por isso, o sentimento de revolta, quase ódio, para com o nosso rival nortenho sempre foi muito grande, ao mesmo tempo que fui desenvolvendo alguma incredulidade ao ver o bloqueio mental sucessivo de toda a nossa estrutura quando em confronto directo com o clube da região. Também por causa dessa vivencia tão próxima e, hoje em dia, minoritária junto dos adeptos rivais o grau de tolerância com quem comanda os destinos desportivos do clube sempre foi menor do que vim a constatar ser por terras mais a sul, onde cada não vitória é encarada como mais um sacrilégio diário elevado ao expoente máximo da tolerância.


Quando “aterrei” em território favorável à proliferação do benfiquismo, pude notar algum desanimo pela ultrapassagem eminente do FCP ao Benfica em numero de títulos nacionais, mas tal desanimo sempre foi “afagado” pelo foço que se foi cavando para o rival regional, ou seja, a tristeza pela hegemonia nacional do clube do norte era mitigada pela hegemonia existente na 2ª circular. Talvez por isso, ou só mesmo por isso, o grau de tolerância que encontrei a sul para com os desaires nacionais era/é maior que tolerância a norte, pois em Lisboa e regiões limítrofes o refugio dos adeptos rivais ainda se vai mantendo. Ainda assim, e porque o sucesso listado vai colhendo os seus frutos, essa trincheira está cada vez mais pequena e ténue, pois a proliferação listada vai assumindo cada vez maior relevo na capital, logo, o “confronto” com a realidade portista vai sendo cada vez maior e, por consequência, vai alterando os níveis de conformismo.


Toda esta espécie de preambulo, serve para fazer a introdução do tema que me proponho abordar neste post e que pretende abordar o grau de nervosismo existente entre os benfiquistas.


No final da época passada, com todas aquelas quase vitorias, a norte fui encontrando por todo lado, partidários da minha ideia, ou seja, que Jorge Jesus havia esgotado o seu tempo no Benfica. Todos lhe reconhecíamos méritos, mas também todos ansiamos por mais, todos ansiamos por, repetidamente, devolver os mimos que, também repetidamente, nos têm sido atribuídos pelos adeptos rivais. Por oposição, na região de Lisboa as opiniões eram/são muito mais divididas, sendo que a opinião mais dominante era a da continuidade de um treinador que nos havia aproximado do clube hegemónico das últimas décadas.


Neste inicio de época, e vistos os dois primeiros jogos da pré-temporada (coisa ainda muito pouca, mas algo reveladora), foi possível perceber que a norte a descrença na vitoria é menor que a sul, bem como a cobrança para com Jorge Jesus é maior que a sul. Não obstante, e ao contrario do que eu esperava, também a sul o nível de nervosismo está no máximo, ao ponto de cada sinal menos positivo dado pela equipa e novos reforços, esfregam-se cabeças, roem-se unhas e desabafa-se: “mais do mesmo”.


A norte ou a sul, é notório e indesmentível que o espaço de manobra do timoneiro benfiquista está reduzido a 0. Jorge Jesus está com a cabeça na guilhotina e tem uma vela acesa junto à corda que sustem a lamina. Estamos perante uma equipa técnica muito fragilizada e que, literalmente, ao primeiro desaire verá o mundo cair-lhe em cima. Anseio, apesar de não concordar com a continuidade, que a corda não se rompa, pelo menos até ao final da época, caso contrario o Benfica cairá com estrondo.