O youtube tem
destas coisas, não há muitos dias, encontrei neste famoso sítio da internet, um
vídeo de quase 2 horas com a palestra que Jorge Jesus deu há uns tempos na
faculdade de motricidade humana, a convite, como não podia deixar de ser, de
Manuel Sérgio, e decidi ver e ouvir atentamente o tal vídeo. Venho agora
apresentar algumas conclusões do que vi e ouvi da boca do nosso treinador.
Começando pelo
tema da liderança, podemos ver que Jorge Jesus, aos 14m, diz “Os jogadores
sabem o que é o conhecimento do treinador”, completando esta ideia por volta do
minuto 29 ao dizer “O factor principal para liderar é o conhecimento, pois os
jogadores sabem quem é o bom e o mau treinador”. Cruzando esta informação com o
que vi de Enzo Perez no final do jogo em Amesterdão e de Cardozo no final do
jogo no Jamor, sim jogadores, esses mesmos que através do conhecimento ou não
do seu treinador o reconhecem como líder ou não, apetece-me perguntar: Só o
Enzo e o Cardozo é que não são partidários de que o líder tem de ter
conhecimento ou só o Enzo e o Cardozo não o reconhecem como líder do
conhecimento?
A dada altura,
aos 18 minutos, um jovem da plateia questiona JJ sobre as razões de o treinador
encarnado ter dito que o 4x3x3 é sistema de equipa pequena, sendo que o jovem obtém
a seguinte resposta “o 4x3x3, para mim, é o sistema mais fácil de anular”. Numa
primeira fase fiquei contente pelo Benfica não jogar no sistema mais fácil de
anular de todos, no entanto, numa segunda fase fiquei irritado, perplexo,
parvo, estupido e incrédulo ao perceber que perdemos os últimos 3 campeonatos
para um sistema de equipa pequena e pior fiquei quando me apercebi que já levei
5 de uma equipa com o sistema mais fácil de anular de todos ou que o mestre da táctica
perdeu 7 dos 12 jogos que realizou contra o sistema pequeno e fácil de anular.
Volvidos mais
alguns minutos, a partir do minuto 54, é perguntado a JJ como relaciona a sua
ideia de jogo com os jogadores que tem à disposição, isto é, se adapta a sua
ideia em função dos jogadores que tem ou não. Aqui Jorge Jesus é muito claro
quanto ao seu método, sendo que sublinha ser o seu método, dizendo que,
independentemente dos jogadores que tenha, é a sua ideia que prevalece, ou
seja, os jogadores é que têm de se adaptar a si e às suas ideias e não ele às características
dos jogadores, lançando ele próprio a pergunta “o que fazer se chegas a um
clube e não podes ir buscar jogadores para a tua ideia?”. A isto timoneiro
encarnado responde que tenta fazer dos jogadores que tem, jogadores que sirvam
as suas ideias, isto é, tenta, através do treino diário, moldar o que tem ao
que quer, para sustentar a equipa até ao momento em que lhe é permitido
escolher os jogadores que pretende para a sua ideia de jogo. Face a isto,
fica-me uma dúvida: Será que os jogadores que não foram escolhidos por JJ,
logo, não foram escolhidos exactamente para a sua ideia de jogo foram melhores
escolhidos que aqueles que foram contratados à imagem da tal ideia de JJ? É que
os tais que não foram escolhidos para a sua ideia, deram um título, ao contrário
dos que representam a projecção da ideia de jogo do treinador…
Por volta dos
75m do vídeo, Jorge Jesus diz, taxativamente, “Quando não vires uma equipa a
defender bem (em português: quando se vê uma equipa a defender mal), podes por em
causa o treinador (em adeptolês: podes esperar que o treinador da tua equipa assuma
a responsabilidade) ”. Acho que esta frase, por comparação ao comportamento sistemático
de JJ nestes 4 anos, não merece qualquer tipo de comentário.
Para finalizar
a análise da conferência, apresento aquele que para mim é o ponto mais forte e
revelador da estratégia vigente no Benfica. Pelos 103 minutos, Jorge Jesus
revela a conversa que tem sempre com os presidentes que o queiram contratar,
revelando a pergunta que faz sempre ao presidente: “Quer um treinador para a
estrutura ou um treinador que ele é que pensa a estrutura? Se querem um
treinador para a estrutura, nem vale a pena falar em dinheiro, vão à procura de
outro eu não sou” completando “e a partir daqui digo tudo” e eu respondo, “diz
mesmo tudo”.
No final de
tudo isto, no final de vista e analisada a palestra de Jorge Jesus, reforcei a
ideia que já tinha, ou seja, acho que JJ é bom para o treino, para a preparação
do jogo, para gestão do jogo, para o trabalho diário e dentro das 4 linhas, mas
nada mais! Não é bom gestor, não é um grande líder, não é um bom “manager” e os
resultados estão à vista. Quanto maior a sua influencia, maiores são/foram as
derrotas, mais foram os “flops”. Para o Benfica, quanto maior a influencia de
um treinador, maior o risco de se perder todo o conhecimento adquirido quando
ele se for embora e/ou for despedido. Para Vieira, quanto maior for a
influencia de JJ, mais perto estará de ser o seu fim!
P.S.1 Possíveis
erros na construção frásica das expressões colocadas entre aspas, são da
responsabilidade de quem as proferiu já que, e ao contrário do que fazem os
jornalistas, achei demasiado presunçoso corrigir o mestre…
P.S.2 Para
quem quiser ver/rever o vídeo para confirmar o que aparece neste texto, aqui fica
o link do mesmo: http://www.youtube.com/watch?v=zxwhrqj4-YE&list=WLE2FF7E46D4E3EAF6