Com tudo o que isso tem de bom e de mau.
O Benfica derrotou o Sporting por 2-1 na primeira vitória conseguida em clássicos na Luz em mais de dois anos e meio. Sob o espectro de derrotas recentes contra Marítimo e Napoli, pressionado pelos cinco pontos recuperados por parte do Sporting nas últimas jornadas e com o peso do passado recente a assolar a memória de todos os que vivem o futebol, Rui Vitória surpreendeu ao mexer no onze base, lançando Rafa e Jimenez, com sucesso, saindo dessa forma vencedor no duelo com Jorge Jesus.
O Benfica foi igual a si mesmo nos jogos grandes. Uma fiel imagem do seu treinador. Cauteloso, arriscando pouco ou nada, tentando sair a jogar sempre sem correr o menor dos riscos e não se incomodando em ceder a posse de bola ao adversário. E se a equipa soube interpretar na perfeição as ideias de Rui Vitória, verdade seja dita que o treinador também escolheu os intérpretes que melhor poderiam desempenhar essa tarefa: Rafa Silva, uma autêntica flecha sempre que se desenhava um contra-ataque; e Raul Jimenez, um jogador com um espírito de sacrifício muito diferente do de Mitroglou, capaz de participar mais e melhor ao nível da primeira linha defensiva e de dar mais velocidade ao ataque.
Não alinho pelo diapasão de que a equipa que vence é sempre a melhor. É um daqueles chavões mais que muitas vezes usado e que pouco ou nada dizem. Se tal fosse verdade, teria de admitir que o Porto foi melhor que o Benfica na Luz no ano passado, ou que o Benfica foi melhor que o Sporting em Alvalade no jogo do título. Não fomos nem inferiores no primeiro caso nem superiores no segundo. Da mesma forma que hoje não fomos inequivocamente superiores ao Sporting. Fomos o que somos. Uma equipa com um processo defensivo e ofensivo relativamente sólidos mas que abdica vezes demais da construção de jogo apoiado, por receio, por medo, por algo que nem sei bem de que se trata, mas aparentemente sem necessidade dada a valia individual dos jogadores e inclusivamente dos ditos processos de jogo.
Por tudo isso, esta é uma equipa à imagem do seu treinador. Há competência, bastante trabalho, algum medo e muita solidariedade. E enquanto assim for, o Benfica estará sempre mais perto de conquistar o tetracampeonato.


