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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Porque os abutres estão fora de moda




Quem não está com de acordo com esta Direcção - apesar da sucessão de erros de gestão e de planeamentos de época ser por demais evidente -, já se sabe, é detractor. Detractor porque as pessoas que lideram o Benfica são demasiado educadas para se dirigirem aos sócios e adeptos que os sustentam chamando-lhes “abutres” na capa do jornal oficial do clube. Ainda há algum decoro, parece. Por isso, este sócio e adepto detractor só tem a agradecer-vos pela gentileza e nível demonstrados.

É isto o Benfica actual: um Benfica dirigido sem respeito pelos sócios e adeptos, comandado por pessoas que não toleram qualquer voz discordante, um clube de gente que divide para reinar e com uma indisfarçável aversão à crítica. Mais: é um Benfica liderado por indivíduos capazes de transformar os equívocos próprios e um empate miserável numa vitória gloriosa contra quem discorda deles: sim, fizemos muita merda, vendemos os melhores jogadores, não acautelámos devidamente a sua substituição e por isso apresentámos uma equipa de (in)adaptados, mas mesmo assim - chupem, seus detractores! - fomos empatar a Glasgow. E tudo isto, note-se, sem falarmos sequer em arbitragens (estamos a guardar essa para as competições internas, quando precisarmos justificar a perda do primeiro lugar depois de 5 pontos de vantagem no campeonato). Genial, isto. Goebbels roer-se-ia de inveja da nossa máquina de propaganda.

O Benfica é um clube que, neste momento, e enquanto os sócios continuarem a permiti-lo, se funde e confunde com a actual Direcção. É um clube à deriva e cada vez mais fechado sobre si mesmo, sem a ambição nem a identidade que o levaram a um merecido reconhecimento mundial. O Benfica de hoje é um vazio de ideologias e origens atiradas para dentro de um baú empoeirado, esquecido no canto de um sótão qualquer. Temo que por este caminho um dia não nos lembremos do que é (do que foi?) o Sport Lisboa e Benfica. Que não nos lembremos mais que o Benfica deve viver de títulos e não de vitórias morais. Que o Benfica deve viver das suas vitórias, não procurando consolo nas derrotas dos outros. E que o Benfica é maior que qualquer presidente ou jogador que por ele tenha passado ou venha a passar.

O Benfica dos nossos dias é gerido em função das pessoas que o gerem, não mais do que isso. As páginas que esta Direcção tem vindo a escrever nestes últimos anos são, não tenhamos dúvidas, um livro da Margarida Rebelo Pinto. Começamos a ler e passado pouco tempo vem a sensação de fraude, de estarmos perante uma valente cagada. A mim, bastaram-me 10 páginas da Margarida para pô-la definitivamente de parte. De Luís Filipe Vieira, confesso, ainda consegui ler mais algumas, mais até do que seria desejável.

E a vocês, ilustres benfiquistas não-detractores, 10 anos não bastam? Ou no fim disto tudo, quando andarmos no chão a juntar os cacos do clube, vamos todos lamentar-nos e dizer que nunca lemos outra coisa na vida que não fosse o Lobo Antunes?