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sexta-feira, 3 de março de 2017

Vieira na CMTV, Seixal e nada mais

As palavras ficam a ecoar-me na cabeça. Tenho este defeito. Fico a pensar nas coisas e quanto mais penso mais quero falar delas. Principalmente quando as palavras são pomposas mas ocas de sentido.

As entrevistas deste presidente do Benfica são fenomenais para títulos de jornais. Se queremos ficar entusiasmados agarremo-nos às Capas nos quiosques e deixemos de lado o muito de nada integral.

Mais de uma década das mesmas coisas, das mesmas promessas e das mesmas repetições.
Recentemente temos no nosso clube muita gente com tiques de senado. Não são senadores. São aproveitadores de bons momentos para se sentirem superiores. O que é falso só pode soar a falso.

No Benfica temos obrigação de ser pró-futebol, de defendermos os mais altos valores da sociedade e do desporto. Está-nos no sangue enquanto clube. Contudo, outra coisa é o que está no sangue de cada um, de cada individuo. Quem não o é finge mal ser.

Faltou muita seriedade ao presidente do Benfica. Quis brincar com a inteligência das pessoas e passar de fininho pela chuva. Não conseguiu, não devia ter tentado e saiu risonhamente encharcado.
Pessoas frontais nunca têm tanta necessidade de lembrar que o são.

Entrevista fraca. Pobre. Má. Triste.

Pela postura, pelo discurso, pelo modo como abordou a ida à comissão de arbitragem, pelo modo como falou da parceria com o Jorge Mendes, pelo modo como ignorantemente abordou a vida profissional do seu filho, pela forma como falou de um projecto do qual o clube faz parte, pela palha sobre os 15M e pela incoerente, simplista e falsa abordagem que fez à saída do Jorge Jesus.

Este presidente do Benfica resume-se a uma coisa positiva: Seixal.

É aqui o seu grande mérito e é aqui que sempre brilha nas entrevista.

Não é pela abordagem aos jovens jogadores, não é pela forma como estes são ou não aproveitados no clube, é pela obra.

O Seixal é o grande legado de Luis Felipe Vieira e quando fala desta obra é quando mais entusiasma.

Aqui dou os parabéns ao presidente do Benfica. A qualidade do Seixal, os frutos que dá e o maravilhoso trabalho que lá se faz são mérito seu.

O Seixal é Benfica, o Seixal é o futuro do Benfica, o Seixal tem de ser ainda mais o presente do Benfica e o Seixal é benfiquismo. É aquilo que mais pode orgulhar os benfiquistas e é aquilo que melhor alimenta todos aqueles, que como eu, sonham há anos por ver uma maior identidade Benfica neste Benfica.

Deixo um conselho a Luis Felipe Vieira:

Entrevistas só sobre a obra do Seixal. Uma hora a falar sobre o que se fez, como se planeou, como se desenvolveu, futuros projectos, como se vão fazer, ponto de situação. Uma hora a dissecar este magnifico sonho.

Aí sim poderíamos estar perante uma magnifica entrevista deste presidente.




Desabafo 2:

“Se eu quero vender por 45 ou por 50, ele é que tem de ir o vender, não sou eu que vou vendê-lo.
As pessoas não vão pensar que chegam aqui ao estádio da luz a comprar os jogadores do Benfica. Pode haver um ou outro jogador.
Agora, se nós não estivermos no mercado de certeza absoluta que somos desconhecidos.”

Alguém percebeu alguma coisa desta trapalhada?

Pagamos uma percentagem à Gestifute para fazerem um trabalho que é público que o presidente do Benfica tem andado a fazer.

Os jogadores do Benfica são desconhecidos no mercado, os clubes não mandam observadores aos jogos do Benfica, os desempenhos dos jogadores a nível interno e europeu não são visíveis além fronteiras e aquilo da "montra europeia" é um mito.

O mito à volta da venda do Guedes lá caiu.
Quanto ao Ederson parece que nos estão destinados uns 30% parcelarmente pagos.


sábado, 4 de outubro de 2014

Entrevista a Adérito Oxímoro, fervoroso apoiante do Presidente do Benfica e acérrimo crítico do Primeiro-Ministro


Qual o balanço que faz a estes 3 anos de Governo?
Uma vergonha. A Saúde está decrépita, a Educação sem ponta por onde se lhe pegue, a Cultura pela hora da morte, as Finanças esvaziadas, o Turismo adormecido, a Agricultura desaproveitada, os Negócios Estrangeiros servem para alguns comerem à grande e à francesa, os Tribunais não funcionam, as Câmaras falidas, os investimentos nas Infraestruturas só serviram para dar de comer aos poderosos, o país em desintegração total.

Qual o balanço que faz a estes 11 anos de Presidência do Benfica?
Extraordinários. O Benfica respira saúde por todos os poros, a Cultura Benfica é hoje uma realidade, as Finanças vão de vento em popa, há uma capacidade desportiva fabulosa, na Europa e no Mundo o clube está prestigiado, os investimentos nas Infraestruturas trouxeram grandiosidade ao Benfica, o clube está em evolução total.

Atribui ao anterior Governo uma parte da responsabilização no possível insucesso dos actuais governantes?
Nem pensar - nenhuma! Apesar da situação calamitosa em que encontraram o país, estes governantes tiveram mais do que tempo para resolver os principais problemas com que se depararam. Foram mais de 3 anos em que, se a equipa dirigente tivesse sido competente, o país teria evoluído para patamares ao menos dignos. Não podemos passar o tempo a desculpabilizar o actual Governo com os anteriores; se assim fosse, a noção de democracia perderia todo o sentido e passaríamos o tempo a olhar para o passado ao invés de analisarmos o presente e sobretudo a possibilidade de um futuro melhor.

Atribui à anterior Presidência do Benfica uma parte da responsabilização no possível insucesso dos actuais dirigentes?

Atribuo, sem dúvida alguma - toda! Estes dirigentes encontraram o clube numa situação calamitosa, ainda nem sequer tiveram tempo para resolver os principais problemas com que se depararam. São 11 anos que não permitem, mesmo sendo a equipa dirigente totalmente competente, que o clube atinja patamares dignos. Há que desculpabilizar o actual Presidente com os anteriores; em democracia, devemos sempre compreender os contextos e e faz todo o sentido olhar para o passado para justificar a análise que fazemos ao presente e sobretudo à possibilidade um futuro melhor.

Há quem defenda que a crítica ao Governo é injusta porque os ministros conhecem melhor as pastas e estão mais aptos e qualificados para resolver os problemas estruturais do país. Concorda?
É uma aberração, esse pensamento. É muito perigoso aceitarmos, sem crítica, que só os políticos conhecem a solução para os problemas. Um cidadão equilibrado e lúcido é aquele que questiona, que investiga, que estuda, que critica, que problematiza.

Há quem defenda que a crítica ao Presidente do Benfica é injusta porque os dirigentes conhecem melhor as pastas e estão mais aptos e qualificados para resolver os problemas estruturais do clube. Concorda?

Concordo a 100 por cento. É, aliás, um pensamento acertadíssimo. Os dirigentes actuais estão a par dos problemas do Benfica. Devemos aceitar, sem crítica, que só a estrutura dirigente sabe e conhece a solução para os vários desafios com que nos deparamos. Um benfiquista equilibrado e lúcido é aquele que não questiona, que não investiga, que não estuda, que não critica, que não problematiza.

Acha justo que se insulte o Primeiro-Ministro?
Não só acho justo como todos os dias pugno por diferentes formas de insulto. Quem não se dá ao respeito, merece de todos nós o destrato mais profícuo e letal. Não podemos respeitar alguém que nos não respeita. Quero aproveitar este momento para dizer que Pedro Passos Coelho só não é um jumento porque tenho muita consideração pelos burricos.

Acha justo que se insulte o Presidente do Benfica?
É de bradar aos céus! Alguém que insulta o Presidente do Benfica está a insultar a instituição Benfica! Todos os dias pugno por diferentes formas de elogio ao Presidente do clube. Quem se dá ao respeito, merece de todos nós os maiores e mais bonitos encómios. Temos de respeitar alguém que nos respeita. Quero, aliás, aproveitar este momento para dizer que Luís Filipe Vieira só não é Deus porque o Criador ainda não pediu férias.

Considera a ideia de uma oposição atenta válida para um Governo mais capaz e concentrado no seu labor?
Sem dúvida. A crítica sustentada ajuda a melhorar o desempenho dos governantes e obriga-os a serem melhores naquilo que fazem.

Considera a ideia de uma oposição atenta válida para um Presidente do Benfica mais capaz e concentrado no seu labor?
Acho absolutamente ridículo. A oposição no Benfica só serve para desestabilizar o Presidente. A crítica apenas ajuda a destruir o desempenho dos dirigentes e força-os a serem piores naquilo que fazem.

Do ponto de vista da legitimidade, será equilibrado colocar em causa um Governo eleito pelos portugueses?
Absolutamente equilibrado! A legitimidade ganha-se com trabalho, seriedade e sucesso. Caso contrário, seria uma verdadeira ditadura! Não contem comigo para isso. Se o Governo não apresenta nenhuma destas qualidades, eu como cidadão exemplar devo colocar em causa a governação, sejam estes ministros eleitos democraticamente ou não.

Do ponto de vista da legitimidade, será equilibrado colocar em causa um Presidente eleito pelos benfiquistas?
Sem qualquer equilíbrio! A legitimidade ganha-se com os votos, independentemente do trabalho, seriedade e sucesso que os eleitos demonstrarem. Caso contrário, seria uma verdadeira anarquia! Não contem comigo para isso. Se o Presidente do Benfica apresenta todas estas qualidades, eu como benfiquista exemplar não devo colocar em causa o seu mandato, até porque estes dirigentes foram democraticamente eleitos.

sábado, 16 de agosto de 2014

Entrevista a Carlos Daniel - Segunda Parte

Luís Filipe Vieira tem afirmado por diversas vezes que o objectivo do clube passaria por ter cada vez mais jogadores oriundos da formação no plantel principal. Tomando esta ideia por absolutamente sincera, considera Jorge Jesus a escolha certa para o fazer?
Hoje parece-me uma evidência que essa ideia é apenas um slogan vazio, ao qual verdadeiramente não tem sido dada sequência nenhuma, treinador incluído.

O que acha de João Teixeira? Considera-o mais um 6 ou um 8? Vê nele potencial para um futuro titular do clube?
Sem dúvida um bom jogador e com potencial para isso. Mais um 8, parece-me, mas sem capacidade para ser, no imediato, o 8 que também é 10, no sistema  de Jesus. Lucraria com um terceiro médio criativo à frente. 

Nelson Oliveira, Bernardo, Ivan, Dawidowicz, Joao Teixeira, Cancelo merecem ou não estar na equipa A em detrimento de Luis Filipe, Sidnei, Jara, Artur? Ou seja, tendo em conta o desinvestimento claro por parte da Direcção do clube, não faria sentido apostar na evidente qualidade dos jovens da formação ao invés de continuar a confiar em jogadores que ou não o têm ou parecem não estar interessados em mostrar o seu valor?
É sempre simpático responder que sim a isso, qualquer que seja o clube mas a qualidade tem de prevalecer e os jogadores têm de saber aproveitar as oportunidades. Creio que foi tardia e receosa a aposta em André Gomes e que Bernardo Silva justificava mais oportunidades. Já quanto a Nelson Oliveira desaproveitou todas as que teve, Cancelo tem desaproveitado e de Dawidowicz ainda não se pode dizer nada. Ivan Cavaleiro não consigo explicar porque foi aposta e deixou de ser.

Talisca tem aparecido, nesta pré-época, a titular indiscutível na posição "8". Quais as mais-valias que tem em relação a, por exemplo, João Teixeira ou até Bernardo Silva (que é um jogador mais ofensivo)?
Promete muito como médio de transição (que Bernardo não é), com qualidade de passe indiscutível e muito potencial a desenvolver. Não me parece que algum dia vá ser um bom segundo avançado, como acaba de ser testado. É a melhor contratação do Benfica até agora, com Bebé a seguir.

É possível ao campeonato português ganhar competitividade sem perder a capacidade de fazer boas prestações na Europa? O campeonato holandês, por exemplo, antes desta fase do Ajax, ganhou competitividade, mas as suas equipas desapareceram das fases mais adiantadas a nível europeu.
É possível, sem dúvida, isso depende das receitas dos clubes mas não apenas, também de uma maior qualidade no trabalho da formação e num melhor aproveitamento dos valores nacionais.

Vislumbra a entrada de capital russo ou árabe e transformar o Benfica num Chelsea ou PSG?
Não me parece mas não consigo prever se vai acontecer ou não.

Se fosse Presidente do Benfica, e todos estivessem disponíveis nas mesmas condições, quem escolheria para treinar o Benfica: Leonardo Jardim, Fernando Santos, Jorge Jesus, Vilas Boas ou Marco Silva?
São todos competentes e, num determinado momento, todos poderiam treinar qualquer grande em Portugal, como já treinam ou treinaram aliás. (Sim, fugi à pergunta, que era boa). Atenção: não é fácil substituir Jesus no Benfica, pode haver mais um ou dois além dos citados (gosto muito também de José Peseiro e Vítor Pereira, tenho expectativa sobre a evolução de Nuno Espírito Santo) mas a elite fica por aí (com mais um ou dois).

Para além da óbvia necessidade de conquistar títulos de forma consecutiva, o que falta ao Benfica para conseguir quebrar a hegemonia do FC Porto?
Também depende dos adversários, que têm a mesma legitimidade de querer ganhar, mas diria que a ambição de ganhar é decisiva e o Porto tem-na tido em doses superiores às do Benfica ao longo dos anos.

Neste momento, e tendo em conta a preparação e organização dos plantéis, vendas e contratações, qual é a equipa favorita a ser Campeão Nacional?
Vai depender das entradas e saídas deste mês mas Benfica e Porto estão mais próximos este ano. O Benfica tem todas as condições para voltar a formar uma equipa forte e competir com o Porto que se reforçou muito bem, em qualidade e quantidade. O Sporting tem a vantagem de manter a estrutura, até ver, e de ter um excelente treinador mas continua atrás dos rivais.

Se pudesse mudar alguma coisa no futebol português, por onde começava?
Pela obrigatoriedade de os clubes das competições profissionais terem todos os escalões de formação, pela melhoria obrigatória da qualidade dos relvados (sob pena de ter de se jogar em casa emprestada) e pela definição de uma política global, e constante, em relação a preços de bilhetes (com promoção do futebol como jogo de toda a família).

Qual o jogador mais sobrevalorizado da época transata? E o que menos foi valorizado?
Não é fácil dizer mas o mais sobrevalorizado talvez tenha sido Lucho, que já não estava na plenitude e o Porto (de Paulo Fonseca) também perdeu por esperar dele o que já não podia dar. Um dos menos valorizados foi Rojo, que é o melhor defesa do Sporting e jogador de qualidade indiscutível, além de fazer dois lugares de modo muito competente.

Qual o 11 do ano do Campeonato Português da época passada?
Oblak; Danilo, Luisão, Garay, Siqueira; Enzo, William Carvalho; Markovic, Rodrigo, Gaitán; Jackson.

Quais os 3 melhores jogadores que viu jogar?
São quatro: Maradona, Ronaldo “Fenómeno”, Cristiano Ronaldo e Messi.

E em Portugal, quais os 3 melhores jogadores que passaram pelos relvados nacionais?
São muito mais que 3. Por épocas: Madjer, Chalana e Futre, primeiro; Figo, Rui Costa e João Pinto depois; Deco, Cristiano Ronaldo, Falcao, Aimar. E devo ter-me esquecido de alguns óbvos.

Num 442 à Jesus, escolha o melhor 11 de sempre do campeonato português (portugueses e estrangeiros).
Juntando todos é impossível, e mesmo assim incluo alguns suplentes. Separo estrangeiros e portugueses, se me permitem, mudo para 1x4x3x3 que acaba por ser mais fácil,… e mesmo assim devo ter-me esquecido de algum óbvio.
Portugueses: Vítor Baía; João Pinto (Veloso), Humberto Coelho, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão; Rui Costa (Oliveira), Paulo Sousa, Chalana; Figo, Cristiano Ronaldo (Jordão ou Fernando Gomes) e Futre.
Estrangeiros: Preud´Homme; Maxi Pereira, Mozer, Ricardo Gomes (Aloísio), Branco; Deco (Valdo) Matic, Aimar (Lucho); Madjer (Hulk), Falcao (Jardel) e Di María.


Guardiola é o melhor treinador do Mundo?
É, tem sido nos últimos anos, pela qualidade do futebol e pelos resultados também.

Qual o contributo indirecto de Guardiola no título de Campeão Mundial por parte da Alemanha?
Grande, ao nível de um jogar em que a bola está muito menos vezes com o adversário e em que a equipa não se precipita mas não deixa de atacar. Não será dele o maior mérito mas não é por acaso que a Espanha e a Alemanha ganham com as equipas dele como base. Como o Porto de Mourinho serviu Portugal em 2004 e o misto Juve-Milan favoreceu o título Mundial da Itália em 2006.

Diga-nos os 5 melhores treinadores de sempre e os 5 que podiam substituir Jesus no Benfica sem perder qualidade.
É impossível apenas 5, que houve Vittorio Pozzo, duplo campeão do mundo em 34 e 38 e Hugo Meisl, que criou o Wunderteam austríaco na mesma década; Jimmy Hogan, um inglês de quem se fala pouco mas que esteve na génese dessa grande Áustria e depois da Grande Hungria (de Gustav Sebes) e Herbert Chapman, do Arsenal, que inventou o WM e revolucionou a táctica; Boris Arkadiev, professor de Valeri Lobanovsky e mais este, o czar do futebol científico soviético; Béla Guttman e Otto Glória, na década de ouro do Benfica e de Portugal; Rinus Michels, o inventor do futebol total e Stefan Kovacs, que lhe desenvolveu o conceito no grande Ajax; Johan Cruijff e Pep Guardiola na linhagem do Barça que adora a bola; Helenio Herrera (símbolo do melhor futebol defensivo que ficou como marca em Itália e criador dos mind games)  e Arrigo Sacchi (com ele o conceito zona triunfou, associado ao pressing); Bob Paisley, que ainda melhorou o Liverpool criado por Bill Shankly, e Brian Clough, o da impossível promoção do Nottingham Forest, das divisões inferiores inglesas ao topo da Europa; César Mennoti, porque o futebol também é poema e sonho; Alex Ferguson, pela vontade de querer ganhar e de querer saber sempre mais, José Mourinho, porque sabe tudo de futebol e ganhou como quase nenhum outro. E faltam muitos. Qualquer destes, dos que estão vivos, podia substituir Jesus sem perder qualidade. Não é mau acabar com um sorriso, pois não?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Entrevista a Carlos Daniel - Primeira Parte

Sendo jornalista e amante do futebol, poderá estar atento, de uma forma geral, à blogosfera desportiva. Acompanha blogues de futebol ou é um universo que desconhece? Se sim, quais?
Não acompanho nenhum em concreto, por regra, mas estou atento a uns quantos, sobretudo de futebol, política e música. Nos de futebol, afasto-me sempre que percebo que o tom geral é de crítica oca ou clubismo doentio. É para o que já não tenho paciência. Nem idade.

A blogosfera é um espaço que permite um certo tipo de liberdade de que nem sempre o jornalista desportivo goza quando escreve em jornais nacionais. Há muitos jornalistas “camuflados” na blogosfera?
Admito que sim mas confesso que não sei, de facto. Às vezes deve saber bem poder dizer tudo o que se pensa.

Numa entrevista ao semanário “Sol” disse que os seus dois temas preferidos são a política e o futebol. São duas áreas com muitos pontos de contacto? Quem sai a ganhar com a mistura dos dois?
Ganha sempre o futebol, que é paixão genuína, que nasce connosco antes de darmos por isso. A política deve ser desapaixonada, racional. A clubite faz sentido (até a um certo limite), a partidarite (clubite na política) não faz sentido nenhum.

Vê alguma possibilidade real de a curto prazo se alterar o balanço de poder entre os media desportivos e os clubes de futebol? Doutra maneira, será possível que continuemos a viver esta realidade em que os jogadores vivem numa bolha e pior, os presidentes tampouco são questionados?
Não me parece fácil. Os dirigentes só falam nos momentos das vitórias ou então procuram cada vez mais os órgãos de comunicação dos próprios clubes. E todos os grande têm hoje jornais, revistas, canais de tv. O jornalismo tem de reagir a essa “informação amansada” e precisa de definir como, e depressa.

Uma ideia muito defendida por alguns jornalistas é a de que em jornalismo não deve haver emoção – que o profissional deve apenas relatar factos, ser “isento”, “imparcial”, frio. Isto faz algum sentido?
Faz, na análise e no comentário. Na narração, num relato (de rádio em particular, mas também de televisão), em directo, a emoção tem de fazer parte. Mas é possível ser emotivo e isento, equidistante, ao mesmo tempo. Disso não tenho dúvida, até porque conheço vários jornalistas que são.

Falemos do Benfica, que é essa a paixão deste blogue. A diferença na qualidade de jogo do primeiro ano de Jesus para os três seguintes passou muito pela ausência de Ramires – que defensivamente e na reacção à perda de bola era muito forte – ou há uma mudança clara de Jesus na forma como compôs a equipa, depois de ser campeão nacional?
Tem muito a ver com a capacidade dos alas e dos avançados nos momentos defensivos (de organização mas sobretudo transição). Os melhores conjuntos de Jesus foram o primeiro (com a capacidade de recuperação de Ramires e até de Di María) e o último (com a participação no processo defensivo de Lima e Rodrigo). Por definição, o modelo de Jesus (que ele constrói sobre o sistema 4x4x2 ou 4x1x3x2) é desequilibrado mas sempre ambicioso.

Qual foi o melhor ano, em termos de qualidade e competência no trabalho, de Jesus desde que está no Benfica?
O primeiro, quando fez depressa uma grande equipa. Tinha grandes jogadores mas apresentou trabalho e mudou o rumo do clube. No último ano aproximou-se, com a equipa mais equilibrada de quantas fez na Luz, mas frente a uma concorrência (Porto e Sporting) que não tinha metade dos argumentos do Benfica.

Jorge Jesus é o treinador certo no clube certo?
Neste momento é, que só pode ser positivo haver alguma continuidade no meio de tanta mudança. É um treinador competente, sem dúvida, teimoso até ao limite também, e que não muda nem nunca vai mudar no essencial. Já pôde sair por baixo (há um ano) e em alta (há uns meses) mas que optou por ficar, talvez sem prever o que aconteceria na pré-época. Esta época é um risco enorme, sobretudo para Jesus.

Concorda com a ideia de que Jorge Jesus é  simultaneamente um treinador de enorme competência, a nível técnico e táctico, e alguém cuja teimosia é capaz de pôr em risco todo o seu excelente trabalho? 
Concordo. Tem competências top, sobretudo no plano técnico-táctico, mas muda mais vezes por necessidade (Oblak por Artur, Rodrigo por Cardozo, p.e.) que por convicção. Costumo dizer que após tantos anos num clube grande mantém intactas as qualidades, que são muitas, mas também os defeitos.

Acredita que Jorge Jesus tem um conhecimento mais aprofundado do aspecto táctico do futebol do que, por exemplo, Mourinho, perdendo em termos de comunicação e valências motivacionais?
Não. Mourinho sabe tudo de táctica e treino, que é o essencial no futebol. Jesus é um apaixonado do jogo e do treino, um grande conhecedor, mas tinha de evoluir para chegar mais alto, concretamente ao nível da liderança e das relações humanas. 

Ao dizer que  "só trabalho não chega, é preciso qualidade"  o treinador do Benfica dá a entender que não passou por ele a contratação dos que chegaram nesta época. Não considera peculiar que não seja o treinador a escolher os jogadores que melhor se adaptem ao modelo de jogo que implementou no Campeão nacional e vencedor de ambas as taças?
Tenho curiosidade em sabe quem foram afinal – entre tantos – os jogadores que Jesus quis, que pediu ou avalizou, e os que não quis e lhe impuseram (se é que impuseram). Interrogo-me se um treinador campeão, que recusou propostas importantes, não faz valer minimamente a sua vontade, quem fará? E claro que Jesus está longe de ser o maior responsável pela estranha pré-época do Benfica.

Como compreender a contratação de um jogador como Luís Felipe (e, no passado, de jogadores como Emerson ou Cortez) por parte de um clube como o Benfica? 
Uma coisa é falhar na escolha de um jogador, que todos falham. Outra é escolher um jogador errado para uma posição na qual havia quatro opções melhores (Maxi, Sílvio a prazo, André Almeida e Cancelo). Isso não se entende.

É sabido que Eliseu é um “amor antigo” de Jorge Jesus (há algumas épocas chegou mesmo a afirmar em público que ou era Eliseu o eleito para a lateral esquerda ou não valia a pena contratar ninguém). Considera o lateral português a alternativa certa para assumir com qualidade inegável o lugar no 11?
Não duvido que vai ser titular, e que Jesus vai dar-lhe todas as oportunidades. Quanto ao que vai provar só o futuro o dirá, que já não é jovem e nem sempre foi defesa esquerdo. Mas neste caso acredito que Jesus, pelo que conhece do jogador, não se enganará. Nem faz sentido que se engane.

Imagine que era o treinador do Benfica - que sistema táctico base utilizaria (4-4-2, 4-3-3, outro) e sobre que modelo de jogo assentaria (linha recuada alta, pressão horizontal, vertical, posse de bola, transição rápida)? 
Boa pergunta. Não há sistemas melhores que outros, há jogadores que mexem com o sistema, pelos posicionamentos que os favorecem ou não. Gosto de ver dois avançados numa grande equipa mas isso não pode ser um dogma, depende da matéria disponível. O meu modelo preferido é de posse com profundidade, largura e objectividade, com iniciativa, num bloco compacto que é eficaz na reacção à perda de bola. Mas isso é o que querem quase todos. Decisivo é saber o que se consegue fazer em cada momento, o que serve melhor o interesse da nossa equipa, ser capaz de definir ritmos, de esconder fragilidades e exponenciar o melhor que se tem. 

Tendo em conta que o treinador do Benfica já disse que quer um guarda redes, um médio defensivo e um avançado, que jogadores pensa poderem ser bons reforços para o Benfica, capazes de entrar directo no onze inicial?
Há vários mas dependeria sempre da capacidade financeira. Parece-me um erro não se pensar num central de nível top, com Luisão a envelhecer e sem mais nenhum indiscutível (Jardel nunca será de eleição). O avançado tem de ser compatível com Lima ou Derlei e terá sempre o problema de manter Gaitan amarrado a uma faixa, o que me parece ser um erro persistente, ainda que Jesus dê finalmente sinais de que lhe vai permitir maior liberdade esta época.

Uma alteração táctica para um esquema com um meio campo mais preenchido poderia ser uma boa solução de contornar as saídas de jogadores importantes (especialmente no caso de Enzo sair) e rentabilizar os recursos disponíveis?
Sim, penso que poderia ser ensaiada essa alternativa. Duvido, no entanto, que Jesus o faça, que o jogar do Benfica é muito definido por posicionamentos que resultam do sistema, da estrutura definida e sempre mantida.

O que acha de um 433 com um médio defensivo (Amorim, Almeida, Fejsa ou um jogador a contratar) no vértice recuado e Enzo (se ficar) e Gaitán à sua frente?
Podia ser uma espécie também de 1x4x2x3x1, mas dependerá de haver Enzo e Gaitán. Fejsa é o mais dotado para a função de médio defensivo, que Amorim é hoje mais um médio organizador (ou de transição) e André Almeida será apenas uma alternativa (um suplente de qualidade, em linguagem directa).

Gaitán, desde que chegou ao Benfica, jogou a extremo e, no ano passado, apesar de partir da linha, experimentou zonas mais interiores. No entanto, nunca jogou como jogava no Boca, a segundo avançado, livre, tanto jogando no espaço em desmarcação como vindo buscar jogo atrás, criando desequilíbrios. Não terá Gaitán a ganhar se jogar como apoio a Lima (ou outro avançado) e não, como muitas vezes é pedido, a 10 (que nem sequer é posição no sistema de Jesus)?
A questão radica sempre no sistema em vigor, que Gaitán altera, uma vez que seria sempre mais um 10 lançador e de último passe que um segundo avançado na linha do que foram Saviola ou Rodrigo. Não duvido que Gaitan renderia mais (também em assistências e golos) mas só se Jesus quiser mexer nas dinâmicas. E se com Rodrigo, com mobilidade e pé esquerdo (penso em trocas posicionais), Gaitán permaneceu sobre a faixa, creio que acabará por se manter por lá. 

domingo, 3 de agosto de 2014

Entrevista a Carlos Daniel



O jornalista e comentador Carlos Daniel - para nós o mais competente a falar de futebol na televisão nacional - aceitou dar uma entrevista ao Ontem. Combinámos que a entrevista versará apenas sobre questões puramente futebolísticas, deixando de lado clubismos e políticas. 

Pedimo-vos, portanto, que deixem aqui as perguntas que querem ver respondidas pelo Carlos e esqueçam Vieiradas, pintinhos, Valentins, Apitos Dourados e outras quaisquer palhaçadas do peculiar futebol português. Falemos de bola pura e dura.

domingo, 6 de julho de 2014

Entrevista a José Carlos



José Carlos, lateral-direito do Benfica entre 89 e 93, membro integrante de grandes e gloriosas equipas da década de 90, dará uma entrevista ao Ontem. Ponham aqui as perguntas que querem ver respondidas, que logo faremos uma filtragem a apresentar ao entrevistado.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Entrevista - Éter (do saudoso "Céu Encarnado")


Lembram-se do Éter, do "Céu Encarnado"? Devem lembrar porque, 6 meses depois de ele ter fugido para a Micronésia, ainda recebemos dezenas ou centenas de visitas diárias vindas do seu tasco. Excluindo verificações de programas informáticos, imagino que as pessoas gostem de ir ali ler coisas antigas, em nostalgia e memória. Ou à espera que o nosso escriba volte a escrever. Não volta. Pelo menos, no Céu Encarnado não volta. Porque "fim é fim". Portanto, para já, este é o regresso possível de Éter ao mundo dos vivos blogosféricos. 

Ideias inovadoras, romantismo benfiquista, crítica lancinante e memória - estas as linhas em que se enleia o nosso entrevistado. E ainda arranjou tempo para falar numa mirabolante história passada na Austrália que envolve coalas, falos e, claro, espiões internacionais.



Com tantos clubes pequenos por aí, foste logo escolher um clube enorme porquê?

É engraçado que me faças essa pergunta precisamente quando passa na televisão o resumo do Videoton-Sporting... Quanto à questão propriamente dita, eu acredito que é o Benfica que escolhe as pessoas e não o contrário. Imagino o Benfica a pairar no céu enquanto vai escolhendo pessoas para juntar à família. "Olha, pode ser esta. E agora quero esta. Esta não. Esta sim." Algo deste género. Às vezes engana-se, claro (sim, o Benfica também se engana, porque é humano), e de vez em quando lá vem um Pedro Proença. Portanto, serve isto para explicar que acho que o Benfica me escolheu. Será arrogância da minha parte, talvez, mas penso assim.


Se não fosses do Benfica, sobrevivias?

Sobrevivia, sim, mas seria uma existência muito triste. Patética, até. Não quero muito pensar nisso. Nem consigo, aliás. Sobrevivia mas não vivia.


Na primeira vez que foste ao Estádio da Luz sentiste o quê?

Senti várias coisas. Senti que conhecia todas aquelas pessoas por quem ia passando, desde as imediações do estádio até estar lá dentro sentado. Senti que o Benfica era um organismo vivo e que estava muito contente por estarmos todos ali e isso fez com que também eu ficasse muito contente. Por outro lado, senti que ainda não tinha ganho o direito de estar ali sentado entre os "grandes" e disse isso ao meu pai. Ele riu-se e explicou-me que os "grandes" provavelmente também tinham começado a ir à bola com a minha idade. Fiquei mais descansado. Mas não liguei patavina ao jogo. Estava demasiado fascinado com aquele gigante e com a massa humana à minha volta.


Lembras-te de qual era o jogo?

Não faço a menor a ideia. O que reforça o que disse anteriormente. Lembro-me perfeitamente das sensações mas não do adversário.


És de Coimbra. Qual era e é o pulsar da cidade em relação ao Benfica?

Quando eu era miúdo, os outros miúdos do prédio eram todos do Benfica. Nas turmas do secundário, fazendo contas por alto, 70% era Benfica (na Universidade já é mais difícil de quantificar, porque vinha imensa gente de fora estudar para Coimbra). Portanto posso dizer que tive uma infância e uma adolescência fortemente benfiquistas, porque Coimbra era e é uma cidade de benfiquistas. Mas também reparei que o portismo ia crescendo ano após ano, fenómeno que penso que se mantém. Ainda longe do número de benfiquistas, claro, mas não me agrada. De realçar ainda o facto de nestes últimos anos a Académica se ter aproximado do FCP de uma maneira bastante despudorada, até.


Há muitos conimbricenses agastados com o facto de haver uma grande maioria de adeptos que prefere um dos "grandes" - para eles, "os três estarolas" - ao clube da cidade. Queres enviar-lhes alguma mensagem de ternura?

Desde cedo a Académica foi ganhando muita simpatia fora de Coimbra, principalmente pelo conceito delicioso do jogador-estudante e, mais tarde, e mais fortemente, por causa das sucessivas crises estudantis da década de sessenta. Mas eu penso que essa simpatia acabou por não ser benéfica, porque a verdade é que a Académica passou a ser a segunda equipa de muita gente por este país fora. "Ah, é um clube simpático", "Ah, eu depois do Benfica sou da Académica". Este tipo de frases era muito comum nos anos oitenta e noventa e irritava imenso os meus amigos academistas. Porque isso tira força ao clube, tira identidade. O que acaba por ser triste, porque a Académica é um clube com uma identidade fortíssima e é um histórico do nosso futebol (nem vou aflorar aqui o tema "OAF" porque isso daria pano para mangas). De resto, a Académica sofre do mesmo problema dos restantes clubes "pequenos" deste país: a tripartição dos adeptos pelos três "grandes". Portanto a minha mensagem para os academistas é muito simples: lutem pelo vosso clube o melhor que puderem.


Faz uma equipa do Benfica com os melhores jogadores que viste jogar.

Preud'homme (com um envergonhado "desculpe, Bento")
Veloso, Humberto, Ricardo Gomes, Coentrão
Diamantino, Valdo, Carlos Manuel e Chalana
João Pinto e Rui Águas
Banco: Bento, Mozer, Schwarz, Shéu, Paneira, Isaías e Magnusson


Tinhas um blogue muito amado (e odiado) por muita gente. Deixaste de escrever porquê?

Fundamentalmente por cansaço e saturação da blogosfera. E também porque me apercebi de que o blogue já estava a roubar demasiado tempo aos meus livros e aos meus filmes. Poderia ter mantido aquilo num ritmo de cruzeiro, um postzito aqui, outro ali, mas não sou adepto de meios-termos.


Tens a noção de que deixaste a blogosfera benfiquista em lágrimas por não teres acabado aquele belíssimo texto, não tens? É sadismo ou sadismo?

Será mais saudosismo da tua parte do que sadismo da minha. Mas não seja por isso. Se quiseres, termino a coisa e entrego-ta para publicares. No meu blog é que já não posso, porque "fim" significa isso mesmo.


Queremos todos, venha ele. Como escriba de qualidade, tiveste empresários e agentes atrás de ti para ires escrever para outros lados?


Tive alguns convites de malta amiga, sim. E também de um empresário de bloggers, mas era uma coisa muita estranha: a ideia seria eu continuar a escrever sobre o Benfica mas primeiro tinha que escrever umas coisas sobre o Atlético Rentistas do Uruguai. Não me cheirou muito bem.

Além deste, que sabemos que segues, quais os outros blogues que te puxam pelo benfiquismo mais doentio e apaixonado?


Limitei ao máximo o tempo que dedico à blogosfera benfiquista. Leio este, como já disseste, continuo a seguir o JNF no Eterno Benfica, algo que já fazia muito antes de ter iniciado o meu blog, e vou espreitando o Mão de Vata do Constantino e o 227218 do Diego. Portanto fiquei reduzido a quatro blogs, que nem sequer leio diariamente. Vou passando quando tenho tempo.


Uma das razões pela qual deixaste de escrever prendeu-se com o ambiente de grande animosidade entre benfiquistas. As pessoas estão a enlouquecer?

As pessoas não estão a enlouquecer. A diversidade de opiniões é bonita, saudável e proporciona o debate. Muitas pessoas a discutirem civilizadamente pontos de vista distintos. Seria um mundo perfeito, não é? Mas depois acontece que não temos todos o mesmo QI (cá está outra vez a bonita diversidade). E eu prefiro discutir apenas com pessoas que aparentam ter valores próximos do meu. Depois há a questão da boçalidade gratuita... Eu percebo que sendo o tema "futebol" a coisa descambe um bocadinho mas daí a, por exemplo, estar-se a falar de um possível reforço para o Benfica e alguém vir dizer algo como "esse gajo já jogou no FCP, quero é que ele morra" ou "quem sugere ex-jogadores do FCP não é benfiquista a sério" é ultrapassar em larga escala os limites do razoável. Uma coisa é a troca de frases mais ácidas com alguma ironia, que até dá uma certa pica, outra é a estupidificação total da discussão, e para isso não tenho pachorra. E não fui eu quem, de uma assentada, foi buscar o Zahovic, o Drulovic e o João Manuel Pinto, ok?

Regressando à loucura de que falas, reafirmo que as pessoas não estão a enlouquecer. Simplesmente há loucos. Eles existem, eles andam por aí. E também os há nos blogs, como é evidente. A internet tem isso de bom e de mau, é de livre acesso a todos (embora em sítios como Pyongyang este conceito se esbata um pouquinho, claro). E depois há as pessoas perigosas, perigosíssimas, arrisco, de quem deveremos ter muito medo. Espiões internacionais que têm contactos por todo o mundo e que, após meticulosas investigações, descobrem que há bloggers benfiquistas (só os que não apoiam Vieira, atenção) a fazer amor uns com os outros em lagares de azeite meio perdidos na região abrantina. É que quem descobre uma coisa destas é bem capaz de também descobrir que houve uma pessoa que aqui há uns anos estava numa bush walk no Parque Nacional Flinders Chase, na ilha Kangaroo, de repente teve vontade de fazer xixi, aproximou-se de uma árvore e enquanto descansadamente vertia águas caiu-lhe um coala no pénis. Um infortúnio horrível. Paria piorar a situação, enquanto a pessoa tentava desesperadamente libertar o seu falo do pacato animal, surgiu um guarda do parque. Seguiu-se uma viagem de jipe, felizmente já sem o coala no pénis, até ao edifício da administração, onde de nada valeram as tentativas de justificar o bizarro acidente. Havia ali bestialismo, afirmaram horrorizadas as autoridades australianas. E a pessoa a tentar explicar que quando o guarda a viu estava com o pénis erecto apenas e só porque padecia de priapismo; e que os movimentos rítmicos de anca que o guarda também presenciou tinham sido com o inocente intuito de melhor tentar desencaixar o bichinho. Enfim, apesar de o processo ainda decorrer na justiça australiana, é assunto que deveria permanecer enterrado. Mas não, estes sagazes espiões blogosféricos dedicam-se de corpo e alma a desvendar as intimidades das pessoas e os seus segredos mais negros, sejam eles sobre lagares de azeite ou sobre coalas que caem das árvores. E depois, obviamente, surgem as vis calúnias como “aquele nojento rebola nu em azeite com outros homens” (quando se sabe que não rebola, apenas faz amor e é só com outro homem) ou “aquele tarado foi às nalgas a uma avestruz” (quando na verdade foi a um coala, o que é completamente diferente). É triste… E com tanto talento na área da investigação, será que não conseguem encontrar a ficha de sócio do presidente Vieira?


Há uma canção de uma das claques do Benfica que diz "até morrer, até morrer". O Benfica acaba em nós quando somos ossos?


É evidente que não. Todos os benfiquistas que, desde 1904, têm deixado o mundo dos vivos, reúnem-se semanalmente para ver os jogos e discutir o clube. Penso que isto é um facto que não admite discussão. Quanto à parte física e química dos nossos corpos, é dever de cada benfiquista continuar a espalhar o benfiquismo mesmo depois de morto. Quando chegar a minha altura, cumprirei o meu papel e passarei o meu benfiquismo para todos os minúsculos vermes que me comerem. E, só depois, estarei em condições de me juntar a Cosme Damião e outras ilustres personagens para ver jogos do Benfica por essa eternidade fora.


Concordas com um departamento do 4º anel, um local de nostalgia e memória, que recorrentemente lembrasse e festejasse os nossos mortos?

Julgo que cada um de nós já tem em si esse departamento do 4º anel. As homenagens públicas são importantes mas o fundamental é que cada benfiquista guarde e relembre dentro de si próprio as figuras do Benfica que já não estão entre nós. Posto isto, eu preferia que, ao invés desse que referes, fosse criado um departamento cujo objectivo seria cuidar dos que ainda estão vivos. Uma espécie de Casa do Artista, mas neste caso para velhas glórias, ex-funcionários, antigos dirigentes ou pessoas que se tivessem distinguido no Benfica de uma forma especial. Um local que acarinhasse toda esta gente que não tivesse possibilidades económicas para ter um final de vida digno, ou que simplesmente estivesse a viver em completa solidão. Até poderia funcionar dentro do Centro de Estágios, de forma a permitir aos miúdos das camadas jovens beberem um pouco da Mística dos mais velhos. Com todo o respeito pelas pessoas do Haiti, da Madeira ou tantas outras que a Fundação Benfica já ajudou, eu penso que esta deveria olhar mais pelas gentes do clube que lhe dá o nome. É que, por exemplo, para mim foi muito triste ter visto uma reportagem sobre o final de vida do grande José Torres. Não só pela doença, mas principalmente pelo esquecimento a que foi sujeito por parte do clube. Mas enfim, isto será apenas mais uma das minhas várias utopias em relação ao Benfica.


Fala de algumas.

A principal é uma ideia que deixei no meu blog, que passaria por desenvolver uma forma de levar à Luz adeptos de todo o país que nunca tivessem lá ido por motivos económicos. Penso que seria bonito. Seria uma tarefa hercúlea e morosa, mas se há instituição capaz de algo assim, essa instituição chama-se Sport Lisboa e Benfica. De resto são ideias mais banais, que eu compreendo o porquê de serem utópicas, como por exemplo ter plantéis nas várias modalidades com um mínimo de 80% de portugueses ou ter jogos de futebol às 15 ou 16 horas. Enfim, este género de coisas em que quase toda a gente pensa. Mas repito que compreendo o porquê de ser complicado pôr em prática. Não gosto mas compreendo.


Qual é a avaliação que fazes aos actuais dirigentes e, especificamente, a Vieira, que já leva 10 anos de liderança no Benfica?

Esse tema está sobejamente batido e rebatido, portanto permite-me uma abordagem diferente... Em 1346 os exércitos inglês e francês defrontaram-se em Crécy, numa das mais importantes e decisivas batalhas da Guerra dos Cem Anos. A dada altura, o Rei inglês, Eduardo III, que observava a contenda de um ponto mais elevado, recebe um mensageiro do seu filho mais velho a pedir que mandasse algumas tropas de reserva para reforçar a sua posição. O Rei olha lá para baixo e decide que o filho tem capacidade e homens suficientes para repelir os franceses. Foi aí que surgiu a famosa frase "Let the boy win his spurs". No Benfica já passaram dez anos e o "boy" ainda não ganhou as "spurs", mas há gente que continua muito esperançada que isso aconteça. "Só mais uma batalha, ele agora consegue". Felizmente que aqui não morre ninguém.
Gostava ainda de partilhar um pormenor delicioso, e dizer que isto é verídico: estou com o portátil em cima da mesa da sala e, quando assim é, tenho por hábito apanhar uma revista do cesto e colocá-la por baixo do rato para não riscar a madeira. A revista em que peguei, aleatoriamente, atenção, é a Mística nº1 de Dezembro de 2007. Na capa aparece Luís Filipe Vieira com a frase "Não vamos ficar por aqui". Hoje sabemos que falava do passivo.


É a verdadeira religião. Soube-se que Rangel irá a votos. É um nome que agrada ou o voto em branco, com estes dois candidatos, está assegurado?

Em primeiro lugar, é importante realçar o facto de existir uma alternativa ao actual poder. É saudável e pode originar um debate interessante. Mas isso só por si é insuficiente. Terá que se ouvir o que Rangel tem para dizer aos benfiquistas, quais as suas ideias-base e quem escolheu para o seu núcleo duro. E depois decidir a quem entregar os destinos do Benfica.


Se Vieira vencer, qual o Benfica que teremos daqui a 4 anos?


Pegando em tudo o que vi até hoje, penso que teremos mais um título de campeão (na melhor das hipóteses), mais três taças da Liga (vamos deixar uma para o amigo Salvador para não parecer mal ganhar tantas), mais quatro presenças não oficiais na final do Jamor (o Jesus na bancada no meio de adeptos do FCP), mais quatro entradas na fase de grupos da Champions, mais indivíduos adeptos de outros clubes nos diversos departamentos, mais 76 contratações, mais 71 empréstimos, mais Pedro Guerra na BTV (sim, é possível), mais jogos na SportTv, mais apoios a indivíduos ligados ao FCP que se candidatem a cargos importantes na estrutura do futebol português e mais, muito mais passivo. O futuro aguarda-nos de braços bem abertos e sorri-nos lá de longe. Ah, e mais likes na página oficial do Benfica no Facebook.


As críticas que fazes são duríssimas. Não há pelo menos um reconhecimento por termos sido os Campeões Nacionais da Internet, na época passada?

Essa pergunta remete-me directamente para a última Gala do Benfica, mais especificamente para o galardão "Projecto do Ano". Os candidatos eram: "Novo Site", "Um milhão de adeptos no Facebook" e "Benfica Youth Cup". Olhando para estas três hipóteses e enquadrando-as na genética do Benfica, a "Benfica Youth Cup" salta imediatamente à vista, já que é um projecto que traz a Portugal alguns dos melhores clubes do mundo na área da formação (Real, Barcelona ou Ajax, por exemplo) e possibilita assim aos nossos pequenitos atletas jogarem contra grandes equipas, trocarem experiências com crianças de outros países e, quiçá, até fazerem alguns amigos. É um projecto não só futebolístico mas também, e principalmente, social. Sabes quem ganhou este galardão, não sabes? Pois... A mudança de mentalidades por parte da larga maioria dos adeptos é bem visível.


Quando o "Céu Encarnado" tinha vida, publicaste uma entrevista (link) que fizeste a um “indivíduo do departamento financeiro”, na qual exploravas a paixão que um homem dos números tem pelo clube. Há muita gente com igual "paixão" no Benfica actual?

Antes de mais deixa-me já deixar bem claro que foi uma entrevista completamente fictícia, para não haver confusões. Na altura julguei que não haveria a mínima necessidade de o dizer, mas a julgar por alguns comentários houve malta que pensou que era a sério, o que não deixa de ser deveras preocupante. Quanto à “paixão” existente nos corredores da SAD, posso apenas especular porque não me movimento nesses meandros. Preocupa-me que o nosso CFO seja assumidamente sportinguista e que tenha dito (há uma entrevista, aqui não é ficção) que não ligava muito a futebol. Então o core business da Benfica SAD é o futebol (como eles próprios admitem) e o homem encarregue das nossas finanças não liga muito? Se calhar o CFO da Delta também não liga muito a café, e percebe mesmo é de anchovas em conserva… E nomes como Paulo Gonçalves ou João (ou Juan, não sei como é que ele prefere) Gabriel, por exemplo. Eu perceberia muito facilmente a sua presença dentro do clube se eles fossem competentíssimos nas suas funções. Mas acontece que a comunicação do Benfica é desastrosa. Por exemplo, em cada dez comunicados lá saem um ou dois excelentes. Outro exemplo, a página oficial do Benfica no Facebook agora goza com os adversários; assim de repente lembro-me da piadola fácil sobre cábulas, antes de jogarmos contra a Académica, e a piadola ofensiva sobre o kilt escocês ser pouco másculo, antes de jogarmos contra o Celtic. Isto são piadas para serem feitas por adeptos em blogs, em mails, na rua, onde quer que seja, mas nunca por uma fonte oficial do Benfica. Haja algum decoro, por favor! Mas isto é a Venezuela (ou Portugal, não sei como é que o João, ou Juan, prefere)? E que dizer de Paulo Gonçalves… Quantos processos importantes ganhámos até hoje? Quantos? Isso, sem medo, a resposta é zero. Zerinho. Este senhor provavelmente perderia um caso em que tivesse que representar uma velhinha que tinha sido atropelada na passadeira por um gajo sem carta e com 1,5 de álcool no sangue. “A senhora desculpe-me, mas a defesa tinha argumentos muito fortes. Não sei bem quais, mas tinha”. Finalizo com Jorge Gomes, ex-lacaio de Pinto da Costa, que esteve dez anos ao serviço do FCP e é intérprete da frase “a minha religião chama-se Futebol Clube do Porto”. O que dizer sobre isto? Há alguma teoria mirabolante que defenda o facto de esta criatura trabalhar para o Benfica? Umas zangas com Reinaldo, por ventura? Inveja de Antero, talvez? Ou foi só uma francesinha que lhe caiu mal, e o fez passar a odiar tudo o que esteja relacionado com a cidade do Porto e mudar a sua agulha religiosa na direcção do Benfica? Se o homenzinho tivesse um cargo pouco importante, sei lá, por exemplo, lamber as solas dos sapatos de todos os adeptos que se deslocassem ao estádio, eu ainda deixava passar. Mas o homenzinho trabalha no departamento de prospecção, caramba… E depois vemos os Álvaros Pereiras, os Falcões, os James e outros deste calibre aterrarem no Sá Carneiro quando eram esperados na Portela. “Ah, correu mal outra vez, olha que raio! Mas como é que eles sabem sempre, pá?”, pergunta-se nos corredores da Luz. “Isto deve ser algum bufo”, alerta Jorge Gomes. “Sim, é isso, há um bufo no Benfica. Temos que o apanhar!” E então convoca-se uma reunião com altos responsáveis das mais diversas áreas do clube. “Estão cá todos? Muito bem, quem é que aqui não é do Benfica?” Hmm… Pois.
O que faz toda esta gente no Benfica? É um caso de “Let the boy win his spurs” revisitado? Até quando? Qual é o limite de, e vou usar linguagem técnica, “fazer merda da grossa” que é tolerado a funcionários do Benfica? É +∞? É que se é para ter incompetentes, ao menos que sejam incompetentes benfiquistas. O meu grau de exigência baixou de tal forma que já nem peço competência, repara. Só benfiquismo.


Se tivesses a oportunidade de trabalhar no Benfica - com a pequena ressalva de teres de mudar de opinião em relação a alguns assuntos mais difíceis (lembro-me, por acaso, dos direitos televisivos) -, fá-lo-ias?

Felizmente não tenho problemas financeiros, portanto não equaciono qualquer hipótese de trabalho no Benfica ou para o Benfica enquanto estas pessoas por lá se mantiverem. No entanto, compreendo que quem tenha dificuldades económicas por vezes se veja obrigado a dobrar a espinha para ter comida na mesa ou, noutro patamar, para continuar a comer em bons restaurantes. Nunca estive numa situação dessas, portanto não sei como reagiria. O restaurante ou a espinha, eis a questão. Digno de Hamlet… Há quem prefira a espinha. E há quem prefira o bom restaurante. Restaurante esse onde se podem deliciar com belo peixe sem espinha. E assim até fica tudo em família. Uma linda família de invertebrados, que outrora já foram vertebrados. Uns sentados à mesa, por opção, e outros no prato, coitados, à força.


Deixemo-nos de fialhadas. Independentemente de quem ganhar as eleições, o nosso lugar continuará a ser no Manelito e no estádio?


Não cultivo muito esse fenómeno do Manelito. Tal como tu, gosto de ir para a Luz bastante mais cedo do que a hora do jogo, mas prefiro estar mais perto do estádio (no Manelito só vejo um bocadinho, e muito de esguelha, porque está tapado pelas rulotes do outro lado da estrada). E também não gosto de estar ali parado horas a fio, porque isso deixa-me ainda mais ansioso. Gosto de ir circulando. Ir à sala de convívio dos sócios na cervejaria por cima da Adidas, passar pela estátua do Eusébio, espreitar as pedras da Praça dos Heróis, ver se há miúdos a treinar nos campos, as pessoas para trás e para a frente. E sim, independentemente dos anos que passem e de quem sejam as pessoas, desde presidente, directores, treinador ou jogadores, vamos continuar a poder dizer "ontem vi-te no Estádio da Luz".

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Entrevista: Bruno Rebelo, Presidente da Casa do Benfica de Tondela

Começa hoje uma série de entrevistas que faremos a Presidentes de Casas do Benfica e, se for caso disso, a alguns dirigentes das mesmas. O Benfica tem de ser discutido, seja com opositores à actual Direcção, seja com benfiquistas que apoiam Vieira e a sua equipa. Dada a força extraordinária que as Casas têm na vida benfiquista e também no exagerado (pensamos nós) peso que têm em votações, abdicar de pensar o que elas representam e conversar com os seus dirigentes não faz qualquer sentido. 
Apelamos portanto a todos os que quiserem dar voz à sua cidade ou região e conversar connosco sobre o Benfica, que se apresentem que teremos todo o gosto nisso. Hoje, para primeira entrevista, falámos com o Presidente da Casa do Benfica de Tondela, Bruno Rebelo, que nos elucidou sobre as questões logísticas e funcionamento da Casa que dirige, sobre o contacto com a região e, claro, sobre as ideias que tem acerca do Benfica e da sua Direcção. O nosso agradecimento ao Bruno Rebelo pela disponibilidade e simpatia com que respondeu a todas as nossas perguntas.


Em Tondela, qual é a percentagem aproximada de benfiquistas?

BR: 60 %.

De há 20 anos a esta parte, a percentagem de benfiquistas tondelenses aumentou, diminuiu ou manteve-se estável? 

É relativo, no entanto julgo que se mantém estável.

Com o crescimento do clube da terra, não teme que o Benfica deixe de ser a prioridade desses benfiquistas?

O Benfica é e será sempre o nosso clube, apesar de ainda há poucos dias na deslocação ao Benfica B notou-se naturalmente o apoio ao clube da nossa terra, o que é um pouco normal.

Quantos sócios tem a Casa? E tem ideia de quantos são simultaneamente sócios do Benfica?

357 sócios da casa, e sócios do Benfica não consigo quantificar mas certamente é um numero razoavel para uma cidade do interior e que fica a 300 km do estádio.

Qual é a ligação que a Casa tem aos tondelenses, no sentido de enriquecer, promover e defender o Benfica?
 
O nosso principal objetivo sem duvida que é promover e divulgar o SL Benfica, em todas as suas vertentes. Temos a Casa aberta diariamente ao longo de todo o ano, realizamos diversas atividades relacionadas com o Benfica, mantemos os sócios atualizados e motivados para que dia após dia continuem a apoiar e enriquecer o SLB.

Qual a importância da Casa de Tondela para a convivência benfiquista na cidade?

É um ponto de encontro dos benfiquistas, mas acima de tudo dos tondelenses em geral. Todos os dias temos vários amigos que se juntam na casa. O bom ambiente, o saber receber bem é sem duvida fundamental para que o convivio seja salutar entre todos.

Há uma boa participação dos tondelenses nos projectos que a Casa promove?


Sem duvida que sim, nomeadamente nos projetos de solidariedade que realizamos em prol de instituições do concelho, como os Bombeiros de Tondela. Felizmente a familia benfiquista tondelense une-se sempre que necessário para que todos os projetos que realizámos até agora fossem um êxito.

A distância entre a cidade e o Estádio da Luz obriga a Casa a não organizar tantas idas aos jogos como idealmente pretenderiam?

Sem duvida que sim, acima de tudo pelo facto dos transportes estarem mais caros e ser dificil juntar gente suficiente para a realização dessas idas ao estádio. Apesar dos bilhetes serem em conta o preço do transporte mais o bilhete nos tempos que correm é desajustado.

Há vários relatos de dificuldades financeiras em algumas Casas do Benfica. É possível que haja Casas a mais para a realidade nacional?

Não penso assim, pois todos temos direito a ter um bocadinho do nosso Benfica, principalmente as localidades mais distantes de Lisboa, e esse espirito benfiquista deve ser vivido diariamente. Em relação às dificuldades financeiras eu próprio ainda as sinto, encontrei um passivo elevado resultante das obras na casa e passados 2 anos ainda continuo a pagar, sendo que muito em breve conseguirei, com a colaboração de todos os benfiquistas de Tondela saldar essa mesma divida. Encontrei um passivo de 15000€, neste momento a divida é inferior a 1000€.

Concorda com a difusão da mesma imagem para todas as Casas? Não se perdeu alguma originalidade e identidade que fazia das Casas lugares únicos e ligados às suas origens?

Concordo e julgo que é uma das mais valias das Casas do Benfica, no entanto, e apesar da nova imagem as casas podem ter sempre a sua própria identidade. Mas reafirmo que é um projeto excelente em prol das casas e de todos os benfiquistas espalhados pelo mundo.

Que tipos de apoios – financeiros, logísticos, merchandising, etc – recebem do Benfica?

Apoios financeiros nenhum, o merchandising sempre que precisamos temos que comprar com os respetivos descontos para as casas. Temos é uma total disponibilidade e colaboração por parte do departamento das Casas do Benfica, nomeadamente do Dr. Jorge Jacinto e Sr. Vitor Neves, em tudo o que necessitámos na realização de festas e ventos. A presença do Dr Jorge Jacinto, DIECE do Futsal, depois este ano da equipa principal de Futsal, da Benfica TV, são alguns dos aexcelentes apoios que temos tido na divulgação da casa e angariação de novos associados.

Como funciona a compra e devolução de bilhetes?

Temos várias alternativas, mas regra geral temos efetuado os pedidos diretamente ao departamento das casas do Benfica. Sempre que sobra algum bilhete os mesmos até à data têm sido sempre aceites no departamento, o que é uma mais valia para nós, senão teriamos que assumir esses encargos e se assim fosse era impensavel adquirir bilhetes.

Os dirigentes das Casas do Benfica promovem uma saudável diferença de pensamento e opinião ou a regra é apoiar o Presidente Vieira como agradecimento pelo trabalho desenvolvido nas Casas?

Posso apenas falar por mim, nunca tive, nem aceitarei qualquer tipo de pressão por parte de quem for. Sou Presidente da Casa por convicção mas porque tenho a total confiança dos sócios da minha casa. Defenderei sempre e em qualquer lugar a instituição SL Benfica, não defendo pessoas independentemente de ser apoiante ou não. Estou há mais de 2 anos à frente da Casa de Tondela e diretores dos Benfica julgo que apenas falei por telefone 1 vez com o Dr. Domingos Lima, tudo o resto como disse anteriormente apenas contacto com o departamento das casas e muito bem tratado tenho sido.

E com outros Presidentes de Casas? Conhece algum episódio de pressão institucional?

A Casa de TOndela faz parte da zona Beira Alta / Viseu, onde diversas casas desta região se reunem por diversas vezes para debatermos varios assuntos relacionados com as Casas mas também do Benfica´. Até à data e participei na maioria dessas reuniões nunca nenhuma das casas participantes referiu algo do género.

Apoiará Vieira nas próximas eleições?

Certamente no momento oportuno decidirei o meu apoio pessoal bem como o da Casa de Tondela e esse terá que ser decidido pela direção. Julgo não estarem reunidas as condições para se tomar uma decisão de imediato. Presidente LF Vieira vai-se recandidatar? haverá mais candidatos?

Parece clara a recandidatura de Vieira e muito provável a inexistência de oposição. Se LFV for o único candidato, depositará nele o seu voto ou, por descontentamento, votará em branco?

Como disse há pouco ainda não posso sem reunir com a minha direção assumir qualquer tipo de apoio. No entanto e caso fosse o caso de ser o unico candidato, não vejo a razao para votar em branco, a não ser destabilizar o clube.

Como é definido o sentido de voto das Casas? Os sócios participam ou é decidido pelo Presidente, sem consulta aos restantes membros?

Desde o primeiro dia que entrei como Presidente disse que todas as decisões da Casa de Tondela iriam ser tomadas por maioria. Assim tem sido sempre, e será na hora de decidir o sentido de voto, quer eu concorde ou não. Se confio no grupo que me acompanha diariamente, não os poderei trair num momento tão importante como este. A minha opinião será dada a conhecer e depois disso decidiremos entre todos o que julgamos melhor para o Benfica. E estou certo que a minha direção saberá escolher o melhor. E certamente estaremos abertos a ouvir todas as propostas e projetos que possam aparecer

Falou em desestabilização se a opção for pelo voto em branco. Não considera que a manutenção de um Presidente que, em 10 anos, faliu moral, desportiva e financeiramente o Benfica é bem pior do que a procura por uma alternativa?

Naturalmente são opiniões e todos temos direito de julgar o que se passou nestes anos. A mim pessoalmente custa-me apenas termos ganho 2 titulos nacionais como é normal. Mas em contrapartida podemos realçar o regresso às vitórias das modalidades amadoras, sabendo que apesar de vibrarmos com elas não são aquilo que mais nos move no seio benfiquista, o Futebol esse sim é que nos alimenta o ego. A nivel moral não creio que estejamos assim tão mal, o Benfica voltou aos grandes palcos da europa, somos falados e respeitados por todo o Mundo. Já a nivel financeiro e não quero entrar muito por este campo pois não estou completamente por dentro do mesmo, é claro e evidente que o passivo não nos orgulha, mas nem tudo podem ser mar de rosas. Soluções? Vamos esperar serenamente para ouvir as novas ideias e propostas do actual Presidente e quem sabe de outros candidatos.

No plamo moral, referia-me a vários episódios nefastos para a história democrática do Benfica, particularmente a antecipação das eleições em 2009, para evitar concorrência. Esta acção merece-lhe algum comentário?

Não pois não sei ao certo toda a história, apenas espero que estas próximas eleições se realizem com o maior respeito e que democraticamente seja eleito o presidente de todos os benfiquistas.

Uma Casa acabada de inaugurar tem direito a 50 votos?

Segundo os estatutos sim, cada casa tem direito a 50 votos.

Acha justo que uma Casa acabada de inaugurar tenha direito a mais votos que muitos sócios?

Estatutariamente é o previsto, posso no entanto achar que a quantidade de votos podia ser mais equilibrada entre todos

Quem dirige as Casas tem direito a quantos votos independentemente dos anos de sócio?
 
Eu apenas tenho direito ao voto como sócio do Benfica, e 50 votos da Casa do Benfica, de resto nada mais

Quem define que uma Casa deve existir? Quantos membros tem de ter? Quem fiscaliza a Casa e o número de membros? Posso abrir uma Casa no meu bairro?

Existem estatutos próprios do Benfica que são bastantes explicitos. Existem condiçoes e requisitos necessários. A fiscalização é efetuada anualmente através do envio do realório de contas, plano de atividades e relatório das mesmas que enviamos no inicio da cada ano após aprovação das contas em AG da Casa.

Não corremos o risco de instrumentalizar as Casas como braço armado do Presidente do Clube e fragilizar a histórica democraticidade benfiquista?

Não creio, eu fui eleito pelos sócios da Casa de Tondela e não pelo Presidente do clube, cumpro com o necessário para ser presidente da casa. Como lhe disse, não sofri, não sofro e nem sofrerei pressões de qualquer tipo, também sei que a Casa de Tondela apesar de se pequena, mas das mais antigas, n.º 40 saberá agir sempre em consiência.

O que pensa enquanto Presidente de uma Casa do Benfica do e-mail que receberam a solicitar a presença obrigatória num jantar que foi feito de apoio a uma Candidatura de LFV, ou pelo menos a terem de enviar uma mensagem de apoio e uma bandeira da Casa a manifestar esse apoio mesmo aqueles que não apoiam LFV? Acha que um Benfica Democrático se revê nessa situação?

Solicitar a presença obrigatória? A Casa de Tondela não esteve representada por nenhum elemento. O Benfica é e sempre será um clube do povo, onde a liberdade de expressão foi sempre aceite. A democracia deste clube prende-se com o facto de todos nós termos direito a opinar livremente

Este Benfica preenche-o, como adepto?

Não de todo, como adepto quero um benfica que vença cada vez mais, que jogue bem e dê espetáculo, que seja o nosso Benfica.

Acha que LFV tem capacidade de devolver os títulos de Campeão Nacional regularmente ao Benfica?

Assim espero e que seja já este ano o inicio dessa regularidade. o LFV ou qualquer outro Presidente do Benfica deve ter essa capacidade naturalmente, não fosse apenas e só o Presidente do Maior Clube do Mundo. Também sei que por vezes as coisas não correm da maneira que foram planeadas nem estruturadas. Mas com os sócios que temos, com os adeptos e simpatizantes, com o nosso património, certamente iremos entrar no periodo impar da nossa história, eu acredito.

Qual a razão para que haja tão pouca oposição visível?

Não faço ideia, eu continuo a achar que a boa oposição é sempre salutar.

Se tivesse de escolher uma figura para suceder a Vieira, quem seria?

Não adianto nomes, pois não gosto de fazer futurologia, e como já referi prefiro além do nome os projetos e as ideias para o clube

«As Casas do Benfica do país, que são cerca de trezentas, vão organizar-se para combater isto. O que se viu ontem na assembleia foi um grupo organizado, não sei por quem, para desestabilizar o Benfica». Revê-se nas palavras de Fernando Valente? E acha que vão no sentido da tal liberdade de opinião de que fala?

Cada casa, cada sócio deve expressar-se livremente e nunca por nunca devemos ir atrás de algo ou alguém sem ter plena consciência do que queremos. Se tivermos de ir que seja de forma clara e objetiva. Isso sim é a liberdade de opinião, saber o que queremos e quem queremos

Então discorda da ideia de um orquestrado apoio a Vieira por todas as Casas, como quer Valente?

Nunca fui do tipo de "Maria vai com as outras", como lhe disse ainda não decidimos nada em relação a esta eleição, mas se o fizer sérá por objetivos concretos e definidos, sabendo que tipo de apoio. Não basta alguem se lembrar e vamos todos apoiar A ou B, e cá vamos todos. Tenho plena consciência que a ser assim haverá antes um boa informação e divulgação desse apoio para que as casas possam decidir em conformidade.

Mas Valente, sem essa "boa informação e divulgação desse apoio", já assumiu que as Casas vão todas apoiar Vieira. Está a mentir?

Não posso adiantar o tipo de apoios que poderá já ter e se teve essa informção prévia, posso apenas adiantar que da nossa parte ainda não sabemos de nada.