Foi hoje oficializada a contratação de Djavan, lateral
esquerdo que na época passada actuou na Académica de Coimbra por empréstimo do
Corinthians Alagoano.
Levando em linha de conta uma suposição de que os
valores envolvidos neste negócio não serão avultados, já que ainda não foram
anunciados, e analisando aquilo que foi o jogador durante a época passada,
considero ser um bom negócio para o Benfica.
Não vejo em Djavan um lateral capaz de assumir a titularidade
indiscutível do melhor Benfica que desejamos, mas se ao lateral brasileiro for
adicionada a contratação de um outro (Benito?) de qualidade indiscutível e capacidade
de afirmação no imediato, entendo esta contratação com todo o cabimento.
Djavan, como qualquer lateral brasileiro que se preze,
apareceu na Académica demonstrando excelentes capacidades ofensivas, mas muitas
e variadas dificuldades defensivas. Durante a época passada foi muito e bem
trabalhado nesse aspecto mais débil do seu jogo por Sérgio Conceição (treinador
a seguir), adaptando-se ainda à velocidade europeia do jogo.
O jogador brasileiro é claramente um lateral “à Jorge
Jesus”, ou seja, débil nos momentos defensivos do jogo, mas fortíssimo no
acompanhamento atacante. É explosivo, entusiasmante e possui uma capacidade
impressionante na condução de bola. Isto é, aquilo que não se aprende (talento
ofensivo) está lá, faltando adicionar-lhe uma capacidade para temperar essa propensão
ofensiva com uma inteligência e capacidade defensiva (aquilo que é “ensinável”),
aspectos em que JJ é fortíssimo no trabalho que desenvolve com os jogadores.
Ainda que não seja um jovem a despontar no futebol
europeu (26 anos), Djavan atravessa agora o momento de maior fulgor físico de um
jogador, podendo adicionar-lhe um bom entendimento táctico do jogo.
Até pela idade que possui, mas também pelo trabalho
que é necessário fazer com o jogador, Djavan não deve ser encarado como um
jogador para evoluir e rentabilizar o custo da sua aquisição num curto espaço
de tempo, mas pode e deve ser encarado como um jogador que poderá aportar ao
plantel alguma estabilidade numa posição traumática no clube, deixando a “primeira
linha” da posição para quem já possua uma capacidade táctica inquestionável.
Não sei se esse titular será Benito, de quem a
imprensa fala, pois não conheço sequer o jogador, mas seja Benito ou outro
parece-me imprescindível que se contrate um jogador capaz de ser o actor
principal da lateral esquerda no próximo ano, deixando a Djavan o papel de “duplo”,
algo que me parece perfeitamente ao alcance do brasileiro no imediato.