terça-feira, 7 de abril de 2009
Para contar aos filhos em noites macabras
sábado, 4 de abril de 2009
Como é que se pode ser portista?
E pronto. A gente aceita. Porque é isso, porque está tudo dito. Por uma vez, senti-me portista. Eu acrescentaria: por uma vez, senti-me QUASE portista. É que, de facto, fomos, no geral, beneficiados. Mas não gostámos. E não fingimos.
Ainda estou para perceber como é que se pode fingir.
sábado, 28 de março de 2009
Morram todos!
Morram esses deuses que nos condenaram a ser uma selecção de remates a rasar poste e barra e adeptos de calculadora na mão;
Morram os Suecos e a sua patética concepção de futebol baseada unicamente na utilidade de serem uma cambada de troncos-com-olhos grandes como a merda;
Morra o Cristiano Ronaldo e a sua incapacidade para ajudar Portugal, quanto mais desequilibrar;
Morram os jogadores-poetas Portugueses e as suas exibições com 20765 remates e ZERO golos, por serem jogadores que no seu código genético têm gravada a vocação para jogar à bola com a ingenuidade, elegância e inocência com que a Heidi passeia pela montanha;
Morra o Carlos Queiroz por transportar a selecção para o passado (e cada vez me convenço mais que o faz inconscientemente e não por doutrina) e para este reino do jogo bonito mas tão eficaz como o Danny, esse fantasma do futebol português dos anos 80/90...
Viva o Deco que em meia hora salvou o que podia ser salvo do meu serão futebolístico!
P.S.: Só para dizer que estas mortes todas são metafóricas, digamos que ao desejar morte estou a invocar o Luís de Matos para fazer desaparecer a coisa em causa, menos no caso dos deuses - que eu sou ateu.
Escabeche
Não entendo bem o escabeche que a turma dos lagartos, sejam eles jogadores, treinadores, massagistas, armazenistas, motoristas e -istas por aí adiante até chegar a dirigentes, sócios, sócios com cotas em atraso e simpatizantes de lagartagem andam a fazer com o penalti roubado que os atirou para os penaltis e daí para à derrota na Taça da Liga às mãos do Quim. Até o panisga do Lucílio pediu desculpa!
Na verdade, o que é estranho neste clássico do futebol português não é ter havido um erro grosseiro do árbitro que adulterou o resultado final. Isso é habitual. Acontecerá, direi eu, em (mais de) metade dos casos. ESTRANHO, é o alarido, a gritaria histérica, os pedidos de desculpa despropositados e a genérica verborreia que se tem aventado a propósito.
Acalmem-se lá lagartos, foram roubados, foi só isso – dói um bocadinho mas depois passa, acontece a todos (ou quase)!
A Cruz de David
O David não teve estrelinha. Esse exótico hondurenho, que assim que vi marcar aquele golo contra o Guimarães (o da rabona do Aimar) me cheirou a melhor marcador do campeonato, espatifou o menisco e com ele selou a passagem pelo Benfica.
Acreditei que seria o, agora manco, Suazo que agitaria as turvas águas em que se conserva o último troféu de melhor marcador do campeonato com a camisola escarlate, apadrinhado pelo saudoso Rui. Na verdade, a relação não funcionou, mas se isto fosse uma sitcom americana o nosso Benfica sempre poderia dizer, antes do abraço de despedida:
- It’s not you, it’s me…domingo, 15 de março de 2009
Futuro...
Contrariamente ao que dizia o nosso presidente há uns anos, não me parece que esteja no futuro próximo do Glorioso pertencer à lista dos 5 maiores clubes da Europa. Ainda assim, pela vitalidade que demonstra mesmo em época de vacas magras, creio que o nosso Benfas facilmente alcançaria uma posição temível na Europa, e, implicitamente, dentro de portas - um exemplo que me ocorre é o Lyon, mas há mais.
E o que é que nos separa desse futuro? Na verdade, acho que nem estamos assim tão longe, falta pouco - mas falta um pedaço importante!
Gostando-se ou não, a verdade é que desde o Vilarinho, mas essencialmente com LFV, o Benfica iniciou um processo que o atirou para o século XXI. Trata-se agora de uma empresa, cotada em bolsa, com credibilidade, com capacidade de gerar receitas em grande escala e um potencial de negócio e de rentabilidade sem par em Portugal. Lamentavelmente, a frieza da gestão empresarial não chegou ao futebol profissional e apenas atingimos algum sucesso no reinado do “desaparecido” José Veiga, esse senhor bem penteado e de pronúncia saloia que não vestia bem com as nossas cores e que, sinceramente, me agrada ver longe, bem longe.
E então, e o futebol? Pois, o problema mantém-se. Tenho sido acusado de pessimismo, aliás, admito um certo pessimismo, mas insisto que na génese do mesmo estão sinais bem preocupantes... Como ando a ver Dr. House em doses substanciais, arrisco uma metáfora:
Se o nosso Benfica for o doente, o que lhe receitar? Um treinador novo?
Concordo que não. Já testámos esse tratamento e o paciente continuou a agonizar.
Melhores jogadores?
Sim, claro que sim, mas o investimento desta vez até foi feito e os sinais vitais não melhoraram...
O director para o futebol, o nosso Rui?
Não! Nem todo o meu pessimismo me vai fazer virar baterias contra o Rui, pelo menos não nos próximos 50 anos. O Rui é um clássico, é como a aspirina, só faz bem!
Antes de continuar, até porque não sei onde isto vai dar, recuo um pouco. O treinador até pode não ser parte do problema, mas também não está a ser parte da solução. O meu pessimismo alimenta-se aqui. Neste dilema. Não devo despedir mais um treinador, apesar de não estar a funcionar. Não há solução, só deixar andar. E sim, eu sei que temos que lhe dar mais tempo - tenho a certeza que todos nós lhe vamos dar mais tempo e se o Quique quiser cá ficará por mais um ano, pelo menos. Mas uma coisa fique clara, ele não é parte da solução. Não é ele que vai criar uma nova equipa, como fez o Camacho da primeira vez que por cá passou. O que se está a assistir é a um treinador que apesar de mexer com a maneira como a equipa se posiciona e movimenta não altera a sua personalidade, e isso será essencial para o salto que todos esperamos para o Benfica. A diferença que vai do porto para o sporting (na champions) é de personalidade, tem a ver com a psique do grupo. E se no porto tal não tem necessariamente a ver (só) com o treinador, na generalidade dos casos essa identidade é passada ao grupo pelo treinador.
O que eu tento dizer é, esta primeira época do Quique não soa ao começo de nada, apenas a uma continuação - e do que tem sido o nosso passado recente não vale a pena assistir a mais sequelas.
Mas vamos acreditar e dar mais um ano ao homem, afinal não nos resta mais nada e eu, secretamente, estou sempre à espera que seja no próximo jogo que vamos fazer o Barcelona parecer uma cambada de tropeços!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Regresso
Acabo de regressar de 2 meses de viagem. Com esta frase simples mas cheia, pretendo explicar a minha ausência deste tasco, mas também introduzir o texto que se segue.
Estive longe e sem vontade de acompanhar o dia-a-dia neste cantinho à beira-mar plantado. Claro que cumpri com o básico e li tudo o que foi escrito neste blogue! Tive também curiosidade de investigar os resultados dos derbies e... pouco mais.
Ciente da minha ignorância em relação ao que se terá passado na liga sagres, proíbo-me de fazer qualquer juízo de valor. Ignoro se o Benfica ultrapassou o Barcelona na qualidade de futebol jogado, se tivemos a maior onda de lesões da história do futebol moderno ou se o Maxi Pereira foi eleito o melhor jogador da liga em Janeiro. Repito, não pretendo avaliar nada nem ninguém; mas deixem-me sublinhar o óbvio, baseado em parcas informações e na segunda parte do jogo de ontem:
Nestes últimos 2 meses nada mudou! Nada!
Eu substancio:
- Levámos na boca do Porto na Luz, e até parece que o senhor do apito molhou a sopa;
- Levámos na boca do Liedson, que se jogasse todas as semanas contra o Benfica era, seguramente, o melhor jogador do Mundo;
- Encontro-nos, sensivelmente, com o habitual desempenho estatístico (aqui sublinho o facto de ser quase impossível, para o Benfica de hoje, ter um melhor marcador no campeonato!)
- Não jogamos uma beata! Temos dificuldade em impor o nosso futebol quanto estamos a ganhar, mas também quando estamos a perder ou empatados.
- Não consigo ver ao fim-de-semana o fruto do que deve ser uma semana de trabalho; desta vez até temos um dez talentoso e não sei mais o quê e quem, mas jogar à bola é que ‘tá quieto!
- (Eu sei que o ponto 4 e o 5 são a mesma coisa, mas precisava de espaço para explanar a minha indignação frustrada com os espectáculos que nos têm sido oferecidos!)
- As outras equipas perderam muito do respeito que tinham por nós. Jogar com o Benfica é mesmo uma oportunidade para ganhar.
- Os árbitros portugueses são a maior nódoa e acumulam erro atrás de erro. E ontem nem fomos propriamente prejudicados, se calhar a Naval até teria algo a dizer nesse capítulo - pelo menos eu sei que teria, se tivesse sido ao contrário (lance do 2º golo).
Resumindo, não é sem algum desânimo que regresso para uma realidade de crise, desemprego e Sócrates, depois de embalado por aventuras de mochila às costas. Poderia, contudo, haver recantos acolhedores onde me ambientar, o velho clube de sempre, essa camisola encarnada que veste a minha paixão pelo futebol poderia bem sê-lo! Mas não! Nada disso... Nem Rui Costa, nem Quique, nem Suazo, nem mesmo o Aimar souberam botar a bola p’rá frente e tirar o Benfica desta apatia crónica que o envolveu e para a qual não consigo vislumbrar antídoto.
terça-feira, 3 de março de 2009
A estranha forma das flores
Vejamos: será possível conciliar numa mesma matéria de corpo e cérebro um discurso coerente e razoável com a opção, ao longo de uma certa fase do campeonato, de pôr o Binya a titular? Outra: conseguiremos nós, adeptos em busca de sinais tranquilizadores, acreditar num homem que evita meter o Amorim ao centro e, simultaneamente, quando é prejudicado, diz que não fala em arbitragens? Isto é real? Tem sentido? Propaga-se, é contagiante, faz morrer? É que eu não estou habituado a isto. Tudo o que não for um treinador a dizer mal dos árbitros, (desculpem lá, mas...) causa-me urticária aos neurónios. E, portanto, prefiro pensar que ele é mentiroso e falso a achar que estamos perante alguém capaz de, sem merdas, optar por falar em futebol.
Para quando, Flores, a tua revelação? Decide-te, homem: ou falas apenas e só em futebol - o que, enfim, repito, é estranho mas estou disposto a aceitar bizarrias -, mas percebes de futebol ou então metes os jogadores certos nas posições certas e, de tempos a tempos, fazes figura de José Mota*. Se não puseres mais o Binya a titular, sou rapazinho capaz de aceitar de ti um "isto é uma vergonha, fomos escandalosamente roubados", um "temos de levantar a cabeça", ou até um belíssimo "existiram situações neste jogo que deviam ser investigadas".
segunda-feira, 2 de março de 2009
No comments...
Esta evolução está “significativamente influenciada pela diminuição dos proveitos gerados com a alienação de direitos desportivos de atletas, pela não participação na edição da Liga dos Campeões da presente época e pelo investimento realizado no reforço do plantel principal”.
A SAD do Benfica salienta, no entanto, que “as receitas televisivas atingiram neste semestre um montante de 6,1 milhões de euros, o que representa um aumento superior a 2 milhões de euros face ao período homólogo anterior”.
“Esta variação devesse ao facto da rubrica ter sido positivamente influenciada pela não participação na Liga dos Campeões, dado que a Benfica SAD teve oportunidade de comercializar directamente os seus direitos de transmissão”, facto ao qual “acresce a criação da Benfica TV, que reforçou o poder negocial do Benfica no sector audiovisual”.
O passivo da Benfica SAD atingiu os 147 milhões de euros, aumento “justificado pelo reforço efectuado no plantel principal através da aquisição de direitos desportivos de atletas e pelo aumento da respectiva massa salarial, aliado ao facto das receitas operacionais terem decrescido pela ausência da Liga dos Campeões”.
“Por contrapartida do aumento do passivo, observa-se nos valores do activo um crescimento de 13 milhões de euros”, tendo os capitais próprios diminuído “para um montante de 13,7 milhões de euros, condicionados pelo resultado líquido negativo alcançado no presente semestre”.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Estatísticas II
Suazo
5/0 - 5 (1508 minutos - 17 jogos)
Cardozo
7/4 - 11 (1432 minutos - 16 jogos)
N. Gomes
7/4 - 11 (1252 minutos - 14 jogos)
Aimar
1/5 - 6 (1377 minutos - 15 jogos)
Reyes
4/6 - 10 (1800 minutos - 20 jogos)
C. Martins
1/7 - 8 (1328 minutos - 14 jogos)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Crise económica, BPN, Freeport, casamento homossexual, eutanásia? Hã? Vem aí mais um derby, pah!...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Estádio da Luz
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
O Debate Quinzenal
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
8, 44 ou 80?
Esta escolha é curiosa e releva bem os pontos deixados em cima da mesa há uns tempos atrás. Lembro o texto de Novembro em que, baseado na feroz votação em apoio a Quique Flores, neste poiso se pedia alguma paciência e disponibilidade para aceitar algum insucesso que chegasse no decorrer da época. Desde então ficámos sem Taça de Portugal e sem UEFA, continuamos na Taça da Liga e, no campeonato, perseguimos o Porto por um ponto e mantemos intactas as hipóteses de sermos campeões.
Olhando para a realidade actual, parece-me que a votação se baseia, mais do que na desilusão de vermos duas competições fugirem-nos, na bipolaridade, esquizofrenia e, muitas vezes, numa acentuada teimosia que Quique Flores demonstra ter nas opções que faz. O espanhol não parece querer abdicar da sua busca incessante por rotinar o 442 (que é, na prática, um 424), não vendo (ou não querendo ver) que, seguindo esse caminho, estará sempre mais perto do insucesso. Por altura desse texto, Quique emendou a mão e procurou dar solidez ao sistema, tornando-o num não-sistema. Quando se coloca Amorim à direita, dificilmente poderemos chamar aquilo de 442 clássico pelo simples facto de que aquilo não é um 442 clássico. Esta opção, elogiada por todos nós e, antes, pedida à exaustão por todos nós, deu frutos e tornou a equipa mais sólida, menos permissiva às ofensivas adversárias mas, e aqui está tudo na mesma, muito pouco capaz de desequilibrar nas áreas contrárias. Quando as duas únicas soluções do Benfica são o passe longo do Luisão para os avançados ou o passe para o Reyes e ele que se desemerde, constatamos facilmente que ao Benfica, muito mais do que um treinador, bons jogadores ou árbitros competentes, falta uma ideia. Ela simplesmente não existe, não se vêem jogadas recorrentes, movimentações repetidas, espaços procurados, triangulações ensaiadas, rotinas, dinâmicas - aquilo a que, nos anos 90, o Toni chamava de "automatismos". Não há automatismos nesta equipa, Toni. Em 9-1, 8-1-1, 7-2-1, 1-9, 1-1-8, 1-2-7 ou 442 clássico, é preciso ter automatismos.
Não é, no entanto, impossível que eles apareçam. Não sei se esta época, que está mais direccionada para um contínuo sofrimento e necessidade de títulos, mas nas próximas. Esquecendo por uns segundos a questão da importância ou não de sermos campeões, é importante, a meu ver, que não esqueçamos o passado recente e que não entremos (como a votação perigosamente parece anunciar) mais uma vez na espiral louca da mudança de treinador. Dar ao espanhol o benefício da dúvida e esperar pelo final da época parecem-me opções bastante mais razoáveis do que, de repente, pormos tudo em causa e, então aí sim, definitivamente perdermos a hipótese (que é muito real) de renovarmos o título de 2005.
No texto de Novembro pedia que o 80 não se tornasse em 8. Ainda não se tornou. Mas temo que.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ontem li-te na Futebolista
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Não digam que eu não avisei...
http://www.futebolfinance.com/novas-regras-para-transferencias-e-salarios-de-jogadores
Para quem não conseguir abrir a notícia, ou não estiver com paciência, destaco uma parte:
"De acordo com um alto responsável da UEFA, a proposta dos maiores clubes Europeus sugere que apenas seja permitido aos clubes gastar 51% das suas receitas na aquisição de novos jogadores e nos seus salários."
Agora, o que eu escrevi aqui, no dia 13 de Janeiro:
"A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal."
Andam a brincar, em breve o Benfica vai pagar e bem...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Os animais que nós somos OU Fora o árbitro, caralho!
Com o tempo, fui desenvolvendo no aficionado que sou a herética ideia de que o touro, apesar de mauzão, era bem capaz de não ser o máximo culpado pela má preparação e técnica dos toureiros encarnados e, assim, afastando-me inequivocamente da grande maralha que me rodeava, cheguei a chatear-me com um outro aficionado quando, tendo o touro assinalado uma perfeita e justa marca na areia com as patas (contra a vontade dos nossos toureiros!), o benfiquista desatou aos gritinhos histéricos, querendo a morte do animal, sem julgamento nem direito a advogado, acusando a mãe do miura de todas as patifarias, putarias e pornografias jamais vistas nas lezírias do sul da Ibéria. Não era justo!, gritei, deixem o animal em paz!, pedi, e, vendo que o animal que podia ficar morto na arena era eu, decidi-me por defender o touro em silêncio, não fosse o meu benfiquismo jorrar-se-me directamente do pescoço e acabar ali a minha performance de aficionado.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Estatísticas
GOLOS/ASSISTÊNCIAS - TOTAIS (MIN. JOGADOS)
Suazo
5/0 - 5 (1262)
Cardozo
5/2 - 7 (1024)
N. Gomes
6/4 - 10 (1051)
Aimar
0/5 - 5 (770)
Reyes
3/4 - 7 (1357)
C. Martins
1/7 - 8 (1020)
É curioso verificar que os menos utilizados (Cardozo, Nuno Gomes e Carlos Martins), para além de Aimar, têm números iguais ou superiores a Suazo e reyes. Nuno Gomes, então, é um caso de estudo. Com 6 golos marcados e 4 assistências - e tendo em conta que, além de menos minutos, tem sido quase sempre suplente utilizado (ou seja, mais difícil é de entrar no jogo) - é o mais produtivo jogador do meio-campo para a frente, se olharmos friamente para a totalidade dos números (10). Suazo, com muitos minutos, apenas 5 golos e nenhuma assistência, não deixa de constituir, ainda que muito útil à equipa, uma semi-desilusão.
Uma referência especial para o C. Martins que, tendo jogado menos que outros, já fez 7 assistências.
Os números não explicam tudo, como é evidente, mas podem ser sinais a estudar por Quique Flores.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Finanças
- Será o facto de devido ao último jogo e à nojenta campanha feita pela imprensa eu saber que o Benfica vai passar o resto do ano a ser roubado?
- Será o facto de eu ver que a equipa em vez de evoluir vai regredindo e que em Janeiro joga um futebol que nem como adepto da Académica me agradaria?
- Será o facto de actualmente ir à Luz ver bola dar-me o mesmo prazer que ir ao dentista?
- Será o facto de eu reconhecer que é pouco provável ganhar o euromilhões esta semana (desculpem, esta não tem nada a ver com o Benfica, mas pode servir de introdução ao tema do post)?
Não, nenhuma das anteriores. O que mais me preocupa no Benfica é a ruinosa operação financeira aprovada ontem na AG dos accionistas. Vamos voltar atrás até Agosto de 2008:
Era o final dum lindo Verão e a nação benfiquista estava a ter orgasmos múltiplos. O Deus Rui finalmente mandava no nosso futebol, tinha contratado o Mourinho espanhol e o melhor preparador físico de todos os tempos, e era ver as vedetas a chegar de jacto a privado, desde Aimar a Balboa (não resisti à piadola fácil de considerar o estafeta uma vedeta), passando por Yebda e Suazo, estava-se a construir uma máquina de futebol e tudo o resto que se lixasse. Eu, por defeito de profissão pensava para mim: “Ora a economia mundial está em recessão, o futebol também, não temos Chamipons, não vendemos ninguém de jeito, será que há dinheiro para isto?”. Timidamente escrevia isto em alguns blogs, quase me batiam, chamavam-me de estúpido, infiltrado ou Jaco, diziam que “o Rui é que sabe”, quem era eu para duvidar da gestão financeira imaculada do Benfica. Mantive a minha e disse que antes do fim da época ou teríamos vendas extraordinárias ou não teríamos dinheiro. Alguns continuaram a rir a tentar perceber quem era a próxima estrela que aterrava em Tires, eu tentei esquecer convicto que podia estar a ser pessimista e que o futebol de luxo ia compensar esta despesa parva.
Nada disto aconteceu. O futebol é o que se sabe (nem vou analisar agora essa parte), e sendo assim chegados a Dezembro o que aconteceu: marca-se uma AG e endivida-se o clube em 40 milhões, pagável em 5 anos (quem vier que feche a porta, sff). Ainda apareceram alguns acéfalos a argumentar “epá isso é para uma bomba tipo museu ou Messi, o clube continua bem, ou então é mais uma genial jogada financeira renegociando os prazos do nosso passivo conseguindo taxas mais baixas, ou vamos rasgar o contrato com a Olivedesportos”. Pois. Era bom, não era? Mas aí valhe-se a clareza da informação, foi dito logo que 12 milhões era para gestão corrente, basicamente é o mesmo que vocês terem um empréstimo de 100.000 para pagar uma casa ao banco e passados uns anos em vez de terem amortizado a coisa irem pedir um novo empréstimo de 150.000, sendo que 50.000 são para novas despesas que vocês criaram entretanto e não conseguiram pagar.
Não é preciso ser um génio para perceber o que está a acontecer. Esta Direcção pode sair em breve e quer sair em grande, um pouco como aqueles políticos que constroem tudo no último ano de mandato e depois deixam a Câmara endividada até aos colhões para o seu sucessor. A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal. Quais as soluções? Enganar alguém com o Di Maria (até essa sorte tivemos mas não aproveitámos), ou endividar mais, já que o nosso plantel tem poucos jogadores que rendam milhões, a maior parte dos reforços já desta época estão desvalorizados.
Na minha opinião ontem foi o primeiro prego no nosso caixão, até porque ninguém explicou (nem vão explicar) quais as garantias que o Benfica deu para esta operação. Desconfio que mais receitas futuras poderão estar hipotecadas (já não seriam as primeiras), o que juntando ao facto de não podermos negociar transmissões durante alguns anos leva a que eu até tenha medo de ver as nossas contas se e quando mudarmos de Direcção.
Tenho dito.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Mais que um Clube
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Miguel Góis
Ontem, sentei-me à frente da televisão, algo contrariado por estar prestes a assistir ao V. Guimarães-Benfica e não a um treino no Seixal, que é onde o Quique diz que a equipa joga bom futebol. À partida, o esquema defensivo dos vimaranenses era simples. Suazo era vigiado por Gregory, Di María marcado por Andrezinho, e Aimar manietado pela pubalgia. Escusado será dizer que o púbis do número 10 encarnado foi eleito, no final da partida, como o melhor defesa dos minhotos, ainda que a espaços tenha permitido ao argentino um ou outro pormenor genial.
A grande novidade no onze acabou por ser a inclusão de Balboa, um jogador – ninguém me tira esta da cabeça - cujo rendimento aumentaria exponencialmente se entrasse em campo vivo. Penso até que seria pertinente, já que o jogador tem apelido de boxeur, dar-lhe a cheirar antes de entrar em campo aquela substância que os treinadores de boxe aproximam das narinas dos lutadores quando os querem espicaçar. Mas, em vez de um frasquinho, teria que se recorrer a um jerrican, porque o estado de espírito de Balboa é aquele que um monge budista deseja alcançar quando entra para um convento.
Por fim, eis que chegou aquela que ao longo da época (excepção feita às partidas com o Sporting e o Nápoles na Luz) tem sido invariavelmente a melhor parte dos jogos do Benfica: a conferência de imprensa de Quique Flores. Há umas semanas, ouvi pela primeira vez na minha vida um jornalista da TSF a dizer que iam prolongar um pouco mais a transmissão respeitante ao Benfica-Nacional uma vez que a conferência de imprensa de Quique estava a ser “espectacular”. De uma maneira ou de outra, acaba por haver espectáculo na Luz, isso é que é importante.»
Record
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Obrigado, Sá Pinto!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
É só um cheirinho
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
100%
Feliz Natal a toda a família benfiquista (e que logo tenhamos a prenda que todos desejamos e merecemos) e como primo pelo fair play, os votos são extensíveis a todos os loosers que vêm atrás de nós, mesmo aqueles que mostraram o seu espírito natalício ao agredir o desgraçado do motorista que por azar conduzia o namorado da Inês Simões.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Opção (muito) discutível
- o Benfica ainda tem uma hipótese de passar à fase seguinte. É certo que muito remota mas real. Isto, só por si, devia ser razão suficiente para que entrassem em campo os melhores. A ideia de que desistimos de um objectivo (mesmo que ele seja praticamente impossível) antes de esse mesmo objectivo ser impossível, causa-me apreensão. O Benfica não pensa em impossíveis. Muito menos quando eles não são, apesar de tudo, impossíveis.
- Depois da eliminação na Taça de Portugal, seria importante uma vitória. Se possível, da forma mais clara que conseguíssemos. Ora, não é a meter as reservas que temos mais probabilidades de conquistar essa vitória. É fundamental evitar empates ou mesmo derrotas. Neste sentido, acho que é arriscar demasiadamente num plano que, se não der certo, deixará todos (jogadores, adeptos, dirigentes) ansiosos e pouco libertos para o jogo que tem de ser para ganhar frente ao Nacional.
- Se é para aproveitar este jogo para testar soluções (tanto na observação de alguns jogadores como na mudança de modelo de jogo), não se pode mudar mais de meia equipa. Ninguém testa nada mudando 6 ou 7 jogadores, isso está mais que visto em futebol. No máximo 3, um em cada posição, para ver como reagem os jogadores à equipa e não o contrário. Num ambiente colectivo mais forte, é mais fácil um jogador conseguir singrar e mostrar valor. Num ambiente em que se mudam, como dizem os jornais, Binya por Maxi, M. Victor por Sidnei, Bastos por Katsouranis, Balboa por Amorim, Urreta por Reyes, Gomes por Aimar e Cardozo por Suazo, para além de não se conseguir perceber onde a equipa melhora (se melhorar) corre-se o risco de ver em campo uma equipa desligada e de queimar, aos olhos dos adeptos, jogadores que, num ambiente mais favorável (com menos mexidas na estrutura-base da equipa), poderiam ser reais mais-valias.
Por mim, era meter a carne toda no assador e ir em busca dos 8 golos. Nem mais nem menos. E, se fosse para poupar jogadores, poupava os 3 mais utilizados. Não é razão falar-se na poupança de mais de metade da equipa quando o nosso jogo é só na Segunda-Feira. O Porto não jogou ontem? Não joga no Domingo? Os jogadores não são profissionais de futebol? Não ganham o que nós nunca ganharemos e não sabem que têm de jogar, por vezes, 2 e 3 vezes por semana? Essa conversa da poupança já chateia. Acho que até tem um efeito mais negativo que positivo metermos os titulares a descansar. Para além de terem perdido a eliminatória para a Taça, perdem ritmo de jogo e fome de vitória para esquecer o último resultado. Hoje seria o cenário perfeito para acabar com essa fome e preparar, com dinâmica de vitória, o jogo contra o Nacional.
Por tudo isto, discordo totalmente da opção de Quique.
Se já era quase impossível darmos 8, com a equipa que está escalada para jogar hoje, pergunto-me se conseguiremos sequer ganhar. E isso é arriscar em demasia.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Não, afinal quero ser jogador de futebol...
Mais tarde no campo do Matuzarense, eu de barquinho ao peito, electricista de coração, chegava na Casal de 4 e treinava no pó ou na lama, com amigos da mesma idade e alguns com habilidade para a coisa… Jogos no fim de semana, flatulências nauseabundas nas carrinhas e passear gloriosamente pelo distrito. E nem aí fui descoberto! Porque é que não abri o livro, como se diz na gíria, num jogo em que havia alguém importante a ver? Chamavam-me e diziam: “Vens para tal sítio assim assim, pagamos-te um balúrdio e tu só tens que jogar à bola todos os dias…”
Jogar à bola todos os dias e ter uma conta bancária volumosa… Que mais se pode querer?
Quando era pequeno e assistia a jogos do Benfica e quando corriam mal, uma das formas que tinha de me confortar era pensar para mim: “Não há problema, quando eu for grande, vou jogar para lá e ganhamos sempre…” Era com a maior das naturalidades que acreditava nisto. Porém cedo o sonho se foi desvanecendo e a percepção das minhas qualidades futebolísticas limitadas ajudou. Ok, não há problema, sou bom na escola, hei-de arranjar aí um curso que me pareça bom e ter uma profissão... Bom, agora que tenho o curso e a profissão, jogo à bola de vez em quando e não tenho uma conta bancária volumosa. Pois é…
Um dia destes estava num bar aqui em Vilamoura e vejo chegar um carro fenomenal: um Maserati não sei quantos com matrícula italiana… Quem é que salta lá de dentro enfiado numas calças coiso e tal, numa camisa xpto e com um relógio reluzente, portanto caro? O bronzeado Rui Costa, esse mago da bola, esse poeta dos relvados, para não lhe chamar maestro que isso toda a gente chama.
Ora eu, que não tive a fortuna de ser jogador da bola ali estava, a beber o meu cafezito, depois de um dia de trabalho num contentor de uma obra, a olhar preocupado para o galgar dos minutos, subtraindo mentalmente cada um que passava ao número de horas que me restava de sono. E o Rui Costa feliz, de férias, sendo que as férias dele, basicamente, são não jogar à bola por um período.
Foi depois disto e de ter cumprimentado o simpático e acessível artista que pensei: “Não, afinal quero ser jogador da bola… Ah, não, já não dá… Ok, amanhã às nove na obra!”
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Fim de carreira
Apesar da desilusão por ter perdido em dias seguidos duas finais dos Campeões Europeus, sabia que o meu trajecto como jogador estava, ainda assim, muito acima do que era esperado. Tinha vencido por 5 vezes o troféu mais ansiado por todos, tinha sido considerado o melhor jogador de todas as 7 finais que havia disputado. Estava na hora de arrumar as botas.
Nesse dia em que a sorte não quis nada comigo, enquanto das varandas dos prédios as pessoas me aplaudiam de pé, enquanto o cão vinha pedir uma festa e consolar-me, no meio do pátio, em cima da linha de meio-campo, eu agradecia aquele apoio incansável ao longo de duas longas semanas àquele público fantástico, agradecia especialmente à senhora que bebia suminhos de laranja na varanda do topo sul, agradecia o apoio incansável daquela empregada que esticava a roupa na varanda da Central e, emocionado, abandonava o campo com o sentido de dever cumprido.
Abandonava o futebol já veterano. Sentia que a minha altura tinha chegado. Os meus 12 anos não me permitiam manter o nível exibicional que até ali tinha deliciado a plateia. Saía triste por abandonar o futebol, mas feliz por tudo o que o futebol me tinha dado. Tive propostas para jogar em campeonatos menores, como o campeonato semanal em Vale de Rãs e o 24 horas no pavilhão do Pego, mas achei, na altura, que o pão com chouriço e o sumol de laranja com que me acenavam para prolongar a minha carreira eram insuficientes. Apesar de tentadores, não os achei suficientes para que a bola continuasse a rodar sob os meus pés. Além disso a família pedia-me encarecidamente que voltasse. Que voltasse a casa. E eu acedi. O jantar já estava frio.
[Este texto já tinha sido postado no meu outro blogue, Um Homem Não Chora, mas achei que fazia sentido recuperá-lo para um lugar mais futebolístico. Qualquer queixa que queiram fazer, façam o favor de se dirigirem ao Paquete de Oliveira deste blogue, que não existe mas que, ainda assim, receberá com agrado e dedicação as vossas palavras.]
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Talvez porque foi fácil...
(Mais tarde veio o post do Americano, mas que não se refere à vitória de Domingo…)
É estranho como reagimos com tanta naturalidade a uma vitória por seis a zero. Eu falo por mim… Pelo contrário, cada vez que os gregos marcavam mais um no outro dia, era uma faca que me espetavam no peito. A dor crescia a cada golo e quando o jogo acabou fiquei numa tristeza profunda, pelo menos durante umas horas. Mas agora, cada vez que dávamos mais uma ao Marítimo, não regozijava proporcionalmente à tristeza que acumulava, quando encaixava mais uma dos gregos… Visto do lado do goleador, pareceu-me tudo muito normal. E pensava calmamente: “o futebol é assim e tal, os gajos também tiveram azar e a gente sorte, na volta ainda levam outro…”
Será que reajo assim por ser benfiquista? E porque, mesmo que nos últimos anos não tenha tido muitos motivos para celebrar, exista uma qualquer áurea de vitória, associada a este estádio evolutivo, que me leve a interpretar com naturalidade uma vitória por 6-0? Não, deve ser porque gosto de coisas difíceis…
