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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dá Deus nozes a um Jesus sem dentes

Sim, esqueçam. Dediquem-se a outras áreas da vida igualmente interessantes: plantem na vossa marquise de Massamá aquela buganvília que andam a namorar sempre que vão aos Domingos ao Continente; façam longas e saudáveis caminhadas pelo Cais Sodré e acabem na Tasca do Cid às 9 da manhã a comer torresmos e ovos cozidos; tenham filhos para alimentar o ego ou para esquecer a depressão; matem os filhos quando eles crescerem; pintem a casa com aquele salmão que a vossa Maria vos anda a pedir há mais de 10 anos; oiçam consecutivamente o extraordinário álbum “Linda Sónia”, do Nel Monteiro, que vos chama do palanque giratório daquele café em Trás-os-Montes onde vão embebedar-se nos Julhos quentes; vistam a tanga fio dental de leopardo que a sex shop de Odivelas teima em apresentar-vos todos os dias, no vosso caminho para o comboio; ponham um rímel e aquela sombra para os olhos que há tantos anos vocês anseiam por experimentar. O que quiserem. Mas esqueçam, por favor, o campeonato.

Bem sei que o poder da ilusão - ou o mero desconhecimento desse dom tão extraordinário que é a antecipação dos acontecimentos – é capaz de levantar ventos e tempestades tais que o adepto meio que fica inebriado pelo perfume de um jogar selvático, instintivo, vertiginoso e ofensivo. Sim, o Benfica tem momentos de sublime coragem e talento atacantes, puro deleite aos olhos, aos sentidos e ao coração. E, por esse facto, nos deixamos tão facilmente levar na onda empolgada da esperança sem razão. Mas pensem mais um bocadinho, leiam o que o nosso timoneiro diz com atenção e, depois de fazerem todas as contas, concluam: não vamos vencer o campeonato.

Para Jesus, o que verdadeiramente importa é o processo ofensivo. As questões defensivas, diz o nosso líder, são questões de somenos. Importante, fundamental mesmo!, é treinar os mecanismos que produzam futebol espectáculo e, caso a ampulheta do tempo e a inspiração do momento estejam connosco, golos. Mas só se os elementos decidirem juntar-se numa orgia festiva de futebol de ataque com finalizações acertadas. Caso contrário, paciência, ficará para outro dia. O risco, diz quem sabe – ou seja: o nosso guru -, é a forma como vê o futebol. Que importa sofrer 2 se se marcam 3? Ou que importa se se sofrem dois e só se marca um, se aquele perfume, aquela coragem, aquele vertiginoso jogar estiverem presentes? Nada, absolutamente nada.

Aprendamos com Jesus, porque é ele quem nos avisa: o 433 - que aqui neste tasco lançámos ainda a época ia em forma fetal e que ele tem sido forçado a usar, embora algo consternado - não é mudança nenhuma em relação ao 4132 da época passada. Razão? Aimar está mais avançado no terreno. Extraordinário pensamento. Não fosse o facto de Aimar ser indubitavelmente um médio e de não jogarmos agora de forma suicida com dois extremos e apenas um gajo no miolo, e a gente quase acreditava. Mas calma. Não julguem que Jesus, apesar de querer vender-nos a banha da cobra, estará convencido com esta mudança (que para ele não existe). Esperem pelo próximo jogo, que ele vos trará todo lampeiro aquela táctica boa com que ele decidiu iniciar o campeonato e com ela perder dois pontos logo de entrada.

É que a Jesus ninguém convence de nada. Temos um lateral de qualidade superior? Temos, mas não joga. Jesus crê na possibilidade de escolher os piores para assim provar que ele é que tem razão. E, se nada disso sair provado, há-de ter sido culpa de seu Pai, sempre tão irado e propício a fúrias divinas que mudam os destinos dos jogos. Temos um extremo puro no plantel? Temos, mas vai ser emprestado. Isto porque – e, uma vez mais, teremos de recorrer à sapiência do líder – “temos 3 extremos para um lugar”, expressão com que ainda hoje, 3 dias depois de a ter lido, me debato, sem compreender que espécie de pensamento subversivo será este. Temos um óptimo substituto de Aimar para o último terço dos jogos e uma alternativa de grande qualidade em certos jogos, até para gerir bem a condição física do mago? Temos, mas encostamo-lo a uma faixa, que é para tirar de lá aquele espanhol irritante que só por ter andado a marcar golos em catadupa não saiu mais cedo do onze. Temos um extremo que, faça chuva, sol, perca 300 bolas por jogo, não tenha o mínimo conceito de jogo colectivo, joga sempre? Temos, e por Jesus continuará porque – palavras do mestre - parece que lá para os segundo e terceiro terços do campeonato dele veremos coisas bonitas.

Façam como vos digo: dediquem o vosso tempo a outras áreas de diversão. Assim, tal qual está mentalmente o nosso técnico, por aquilo que diz, por aquilo que pensa, pelo que nos quer vender e pelas opções que faz e as que se antevêem, o Benfica não será campeão.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jorge Jesus tem mérito, mas treina muito sozinho e ainda não se adaptou à nossa forma de jogar, que é mais colectiva. Ele aposta na embirração contra a arrogância e às vezes é preciso mais humildade e inteligência

Estive hoje a rever, com mais cuidado, o jogo de ontem frente ao Trabzonspor. Visualização essa que acrescentada às dos jogos de pré-época me permitem chegar a conclusões. Não definitivas, claro, mas conclusões assim-assim, porque é também dessa forma que me caracterizo: um visualizador assim-assim. E isto já é sendo amigo, mas hoje sinto no ar um optimismo que me faz gostar mais de mim do que aquilo que valho. Apreciem as conclusões assim-assim que eu, visualizador assim-assim, retive:


- Artur é titular indiscutível. Sabe bem ter um guarda-redes na baliza.

- Garay é daqueles de quem se espera uma época sólida, competente, boa. Se Luisão ficar, temos dupla de qualidade. O problema está nas alternativas.

- Luisão não sabe jogar mal. Mesmo com os palhaços assobiadores em cima. Espero que fique. Mas retirava-lhe a braçadeira.

- Amorim esteve bem, dentro do possível. Mas é daqueles fundamentais para termos uma época de sucesso.

- Emerson é limitado. Chega para o campeonato português - tem garra, boa antecipação, sabe dobrar os companheiros, tanto ao centro como em compensação ao extremo. Não chega para outros voos - não sabe mais do que o passe lateralizado para o central ou a bola pela linha para o extremo. Desconhece o que é a diagonal, nunca lha ensinaram na escola.

- Javi preso de movimentos. Não esteve mal mas tem de subir de forma.

- Enzo Pérez não é interior, não será interior e nunca foi interior. Não sei onde foram buscar essa ideia. A extremo, num 433, rende. Ali, não, nunca.

- Gaitán, o mesmo de sempre. Perde bolas que deixam a equipa em perigo, não sabe defender e arrisca demasiadas vezes (este não viste a ser individualista, Jesus?). Depois... bem, depois é aquilo. Golão. Tem de sair das faixas antes que seja tarde.

- Aimar não fez um jogo fabuloso mas esteve longe das apreciações tontas de António Tadeia, o qual afirmava de Pablito estar "longe do jogo". É o problema que as pessoas que só vêem a bola têm: perdem o melhor de tudo.

- Saviola é outro que sofre as agruras do comentário imbecil. Até ter estoirado, ali a meio da segunda parte, jogou que se fartou. Que nem todos o entendam já não é do meu departamento.

- Cardozo esteve assim-assim. Tem de melhorar a forma física e começar a entender melhor os movimentos tanto de Aimar e Saviola como de Nolito e Gaitán.

- Maxi estoirado, cansado, verruguento, ainda assim agitou as águas.

- Nolito - temos jogador. 35 minutos em campo, originou o lance que levou a bola ao poste, fez um excelente passe de ruptura a isolar Cardozo e marcou o golo. Importante o lance do golo, porque demonstrou um jogador que conhece e espera lances inacreditáveis, como o de Aimar. Individualista? Nada. O Jesus deve ter visto outro jogo qualquer.

- Witsel tem de ser titular. Dá consistência ao meio-campo, segurança, classe. É um crime fazer dele o substituto de Aimar, quando este está cansado, e não permitir que os dois se entendam no meio-campo.



Dito isto, tenho ideias assim-assim para o Benfica, pois claro que tenho. Antes de qualquer outra coisa, o Benfica devia jogar em 433. Os jogadores que tem gritam pelo 433. Mas, como sabemos que o Jesus não vai acudir aos gritos, deixemos só a ideia hipotética assim-assim para que os anais da memória as não esqueçam:


4-3-3

Artur
Maxi, Luisão, Garay, Capdevila
Javi
Witsel, Aimar
Gaitán, Nolito
Saviola

O Benfica não pode deixar o centro do terreno entregue ao crescimento da relva. Tem de ter a zona bem povoada por jogadores que saibam defender e simultaneamente esticar o jogo, para além de controlarem a posse e a troca de bola com qualidade. Witsel e Aimar no meio são disso garantia segura. Por outro lado, Nolito e, principalmente, Gaitán, não são jogadores que ofereçam do ponto de vista defensivo as melhores garantias. Num 433, mais apoiados pelos médios, poderão explorar o poder desequilibrador de uma forma mais eficaz e, sobretudo, mais segura nas perdas de bola. Para além disso, com Saviola a começar, no papel, no centro, facilmente iriam ocorrer trocas posicionais entre os 3 da frente, desbloqueando defesas mais rígidas e todos os 3 com bom poder de aparecerem a finalizar. Cardozo? Seria uma solução pontual para a titularidade mas uma solução muito real no decorrer do jogo.


4-1-3-2

Artur
Maxi, Luisão, Garay, Capdevila
Javi
Witsel, Aimar, Nolito
Gaitán, Saviola


Witsel pode perfeitamente fazer de interior, que é aliás, juntamente com o papel de "8", a posição que me parece explorar da melhor forma as suas características. Na frente, a titularidade seria disputada entre Gaitán e Cardozo, dependendo do perfil das equipas adversárias. Gaitán é um ala mediano em 4132, um bom extremo em 433 e, parece-me (vale o que vale), um excelente avançado móvel. Retirá-lo de posições potencialmente perigosas para a equipa, deixando-o deambular na frente com Saviola: sabe movimentar-se, tem boa finalização, é desconcertante, imprevisível e bom no último passe.


Deixo-vos a ruminar nestas ideias assim-assim. E, se insultarem, ao menos sejam originais.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Notas mentirosas e manipulativas, típicas do pseudo-benfiquista que sou

- Excelente, a contratação de Capdevila. Sem gastar dinheiro na compra (o ordenado, forçosamente, será elevado), o Benfica garante um campeão europeu e mundial, um jogador com uma experiência internacional assinalável e, muito importante, um verdadeiro elemento de equipa, pouco dado às manias de pop star.

É um bom sinal que o Benfica dá aos seus adeptos e que parecia estar esquecido: o Benfica é um clube de futebol, não é uma entidade bancária. Antes de tudo, a vertente desportiva; depois, se esta se vir bem cumprida, o retorno financeiro. É assim que tem de ser sempre. Para além de que, seguindo o bom exemplo dos italianos, reconhece qualidade e capacidade a um jogador de 33 anos para ingressar no clube sem quaisquer preconceitos absurdos. Fossem todas as contratações do Benfica com este nível de acerto, desportivo e financeiro, e de certeza que o Jesus não teria 50 gajos a treinar na pré-época.

- Por outro lado, Emerson. Desconheço o valor do brasileiro, do que lhe vi pareceu-me mediano. O que questiono é a necessidade de o ir buscar, se com Capdevila, Carole e David Simão a lateral-esquerda já estava bem garantida. É o tipo de negócio que no Benfica se faz muito e que, somado um a outro e a outro e a outro, dá nos milhões que desaguam no ano posterior em 50 milhões de euros em jogadores emprestados. Para além de que se perde a evolução dentro do clube do jovem francês. Um tiro, mais um, nos próprios pés.

- Começo a ficar cansado da novela Luisão todas as épocas. É sempre o mesmo enredo, o mesmo actor, as mesmas deixas. Desportivamente, seria um golpe profundo nas ambições da equipa a saída do brasileiro; por outro lado, acho inconcebível esta liedsonização do Luisão, forçando cenários de guerra (a ser verdade o que alguns escrevem, e parece-me legítimo acreditarmos nisso já que não é a primeira, nem a segunda nem a terceira vez que o Luisão decide tomar esta posição). E, como é óbvio, há culpa de quem dirige o Benfica. Não é por acaso que o Luisão todos os anos faz a mesma birra ou que outros jogadores forcem (e consigam) a saída sem benefícios para o Benfica. Falta pulso, comunicação. Falta saber de futebol.

- Já se percebeu que o Benfica não vai ter direito a um esquema que potencie ao máximo os jogadores que tem. Jesus não adapta o esquema aos jogadores; adapta os jogadores ao esquema. Próprio de um técnico pouco versátil e, pior, pouco humilde. O Benfica vai, por isso, variar entre o 442 e o 4132. Com Aimar no meio, sozinho, num raio de 20 metros e os extremos puros em funções de médios retirando-lhes capacidade desequilibradora. Ainda assim, porque a qualidade existe em doses massivas, este Benfica será sempre um perigo do meio-campo para a frente. O problema, velho problema, será garantir segurança e bons mecanismos de defesa aquando da perda da bola. Sem eles, não se ganham campeonatos.