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segunda-feira, 1 de abril de 2013

O excelente Professor

Está a passar na RTP Memória um programa de 1989 no qual se debatem as vitórias europeias de Sporting e Sporting de Braga desse mesmo dia. Em estúdio, o Professor Moniz Pereira dava, há já 24 anos (e há tantos outros que ele já o fazia), lições constantes de competência, desportivismo e conhecimento que potenciou e ainda potencia que o Sporting tenha um palmarés de luxo na modalidade. Quando oiço este homem, lembro-me de que ainda há razões para lutar por um desporto limpo de corrupções, mentiras, sujidades, confrontos, violências. 

A forma como fala do Benfica - antecipando o campeonato nacional desse ano -, e tendo na altura uma equipa do Sporting bastante mais forte, merecia ser passada em todos os estádios antes dos jogos. Aquilo foi o que o meu avô me ensinou. Aquilo é que é o Sporting Clube de Portugal. Talvez um dia voltemos a ter o nosso maior rival de volta.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Comunicar, ou talvez não ... (parte 2)



... o que é importante, no site oficial, parece não ser uma prioridade para o departamento de comunicação. Como podem ver pela data, 14-06-2012, no canto inferior direito de duas páginas do nosso site, a página do palmarés da secção de atletismo e a página de apresentação da referida secção, o Benfica apenas conquistou 22 títulos em Masculinos no campeonato nacional de clubes de pista ao ar livre.



Curiosamente, temos uma página que nos informa que o Benfica venceu o campeonato nacional de clubes de atletismo 15 anos depois. Porém essa página não nos informa da data do feito, mas se somarmos os 15 anos a 1996, último título registado no palmarés, facilmente percebemos que fomos campeões em 2011, mesmo que o palmarés e a apresentação da secção não o indiquem.


"(...) Nos últimos anos, o Benfica tem privilegiado a formação de jovens atletas e, em 2005, ganhou todos os títulos nacionais (masculinos) dos escalões jovens: sub-23 (pista e pista coberta), juniores e juvenis. De então para cá, ganhou quatro dos últimos cinco títulos nacionais de sub-23 e quatro dos últimos seis de juniores. Em pista coberta, o Benfica ganhou todos os títulos nacionais dos últimos seis anos e, em 2009, foi ainda campeão de juniores. Além disso, voltou a ter uma equipa feminina que foi já campeã nacional júnior em 2009 (pista coberta e ar livre) e 2010 (pista coberta), juntando-lhe neste ano de 2010 o título nacional sub-23 de pista coberta.

É objectivo da secção, com este trabalho de base e com o reforço gradual da sua equipa principal, voltar a curto prazo a lutar pela primazia no atletismo nacional. (...)"

Este pedaço de texto retirado da página de apresentação da secção de atletismo era a imagem fiel do que se passava a Dezembro de 2010.

Em 2011 o Benfica foi Campeão Nacional de Clubes de atletismo em pista ao ar livre em Seniores Masculinos, Sub-23 Masculinos e Femininos, Juniores Masculinos e Femininos e Juvenis Femininos, sendo vice-campeão nacional em Seniores Femininos e Juvenis Masculinos. Em pista coberta o Benfica foi campeão em Sub-23 e Juniores em Masculinos e Femininos, sendo vice-campeão em Seniores Masculinos e Femininos. 

No passado fim-de-semana, o Benfica renovou o título em Seniores Masculinos e o vice-campeonato em Seniores Masculinos, mas estranhamente nada disto é reflectido nem na apresentação da secção, nem no palmarés, nem mereceu sequer uma nova página. Relativamente à pista coberta em Janeiro e Fevereiro deste ano o Benfica foi campeão Nacional em Seniores Masculinos, Sub-23 e Juniores em Masculinos e Femininos. Para o final de Junho teremos os campeonatos de Juvenis e em Julho os campeonatos de Sub-23 e Juniores de pista ao ar livre, onde se esperam mais títulos colectivos.

Este post visa alertar para 2 realidades distintas:

- a aparente incúria (podem chamar-lhe mau profissionalismo) de quem gere os conteúdos do site no que respeita à actualização da modalidade atletismo, algo incompreensível tanto mais que recentemente o Benfica recuperou a gestão de conteúdos do site, ou seja, já não há Sportinvest para culpar.

- o trabalho realizado no atletismo começou há vários anos, desde 2005 e foi uma aposta constante na detecção e formação de jovens atletas, algo que em Portugal só tem paralelo (na formação e detecção) noutro clube, a Juventude Vidigalense, mas para ter sucesso não basta apostarmos em formar, temos também que escolher alguns dos melhores para podermos competir com os nossos melhores adversários, o Sporting.

Quando oiço e leio elogios aos resultados de outras modalidades, lembro-me das apostas no Andebol e no Voleibol que nos levaram a um título (Campeonato Nacional), mas que depois não teve seguimento apesar dos significativos investimentos que têm vindo a ser realizados todos os anos, algo semelhante ao que se passa no futebol.

O hóquei em patins e o futsal são realidades à parte e esperemos atentamente o fim dos campeonatos para fazer o necessário balanço, não só deste ano, mas dos anos anteriores.







quarta-feira, 13 de junho de 2012

O mérito a quem o merece


Várias críticas foram feitas à Direcção do Benfica/Administração da Benfica SAD e ao seu presidente, o nosso, Luis Filipe Vieira, pelos insucessos do futebol. Mas há que dar o mérito a quem o merece.

Venho falar pois 2 duas modalidades onde o bom trabalho deve ser reconhecido e em especial o trabalho dos directores e treinadores dessas modalidades.

Atletismo

A figura central do atletismo é a antiga atleta Ana Oliveira. Desde há 4 ou 5 anos que iniciou um trabalho sustentado na formação do Benfica, quer na detecção quer no treino de jovens valores que tem levado o Benfica a conquistar títulos atrás de títulos nos escalões de formação.

Porém, como o Sporting se tinha reforçado no Benfica com os atletas seniores que muita luta lhes davam, era um esforço inglório lutar apenas com os jovens contra os consagrados. Assim sendo, foram contratados alguns atletas (por exemplo Paulo Gonçalves, Paulo Bernardo, Marco Fortes ou Arnaldo Abrantes, se bem que este fosse da nossa formação e tivesse ido para os lagartos enquanto senior) que nos deram a capacidade para com base na formação ser campeões nacionais. Não só campeões como bi-campeões.

É natural que se fale apenas do atletismo masculino, pois a diferença para o Sporting sector no feminino é muito grande, mas estou confiante que mais 2 ou 3 anos neste percurso e com a contratação de algumas mais-valias que compensem as maiores falhas na nossa equipa e poderemos também vir a ganhar em femininos. 

Basquetebol

O basquetebol do Benfica, que na nos finais da década de 80 e durante a primeira metade da década de 90 era respeitado na Europa e em Portugal esmagava os seus adversários, mas que após o fim da geração de Henrique Vieira, Carlos Lisboa, Pedro Miguel, José Carlos Guimarães, Mike Plowden e Jean Jacques Conceição, não me esqueci do Silvestre ou do Rodinhas, não teve substitutos à altura e entrou na mediocridade que marcou o Benfica a nível desportivo no final da década de 90 e início de 2000.

Com a contratação de Henrique Vieira enquanto treinador e de uma série de atletas "trintões", dos quais se destaca o retorno do Sérgio Ramos, bem como de outros atletas de valor o Benfica voltou a ser campeão, aliás bi-campeão. No entanto e aproveitando-se da sua condição de selecionador nacional, com o aliciamento de um dos jovens com mais valor, João Santos, os tripeiros voltaram a roubar-nos o título na final do ano passado.

Este ano, com Lisboa ao leme, voltámos a ser campeões, no pavilhão dos morcões que mostraram que o epíteto se adequa perfeitamente. O grupo está de parabéns. Mas não só os seniores estão de parabéns, pois o Benfica foi campeão em sub-20, sub-18 e sub-16, fazendo o pleno dos escalões de formação. Com um trabalho sustentado na formação, o Benfica poderá retirar da sua formação novos valores que lhe venham a assegurar um futuro radioso.

Embora como treinador prefira Henrique Vieira a Carlos Lisboa, o único basquetebolista português que acho que teve condições para jogar na NBA, Lisboa como nosso treinador, tem o meu apoio para continuar ao leme do Benfica rumo aos sucessos. Com os valores que estão para sair da nossa formação, apesar das lesões que os afastaram na maior parte da época, estou tão confiante no futuro do basquetebol como no do atletismo.

PS - Para quem não percebeu, obviamente que o mérito se estende também a LFV enquanto primeiro responsável pelo clube

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Quando ser muito melhor do que os outros não chega

Nunca gostei do Michael Johnson. Todos os verões olímpicos e invernos de atletismo, em frente à televisão eu sonhava que o ouro se lhe agarrasse ao pescoço como uma cobra e o matasse ali mesmo, em pista, a dois ou três metros do final. A única coisa boa que reconhecia a Michael Johnson era o de ter um nome híbrido entre dois homens que eu amava: Michael Jordan e Magic Johnson. Às vezes tentava gostar do velocista explorando a minha alma obsessiva e muito compulsiva, dada a joguinhos entre letras, números e distâncias milimétricas na sala. Se era Michael e era Johnson, não podia ser mau de todo.

Um olho fechado, um terço da sala às escuras; fechava o outro, e outro terço da sala às escuras. Depois piscava os dois, alternadamente, e a sala constantemente a abrir-se e a fechar-se, mas no centro, no ângulo que nem um nem outro fechados alcançam, a televisão com o Michael Johnson a correr todo direito, bigode ridículo e ouro, muito ouro, agarrado a um tronco de puma. Não valia a pena: Michael Johnson merecia morrer.




Aquela arrogância da vitória, o homem já tinha dado uma volta a pé com a camisola americana e ainda estavam a chegar gajos à linha final - e falo-vos dos 200 metros, não da maratona. Um vencedor nato, atleta sublime, exemplo mais puro do corpo humano potenciado ao extremo e a minha ingratidão perante aquilo que via, retinha-me nos detalhes, nos acessórios, na pilosidade absurda. Não, Michael Johnson não mereceu o meu desencanto nem a minha raiva. Mas, naquilo que é sobretudo humano, não lhe peço desculpa. Sempre preferi o ar de detective privado cruzado com Adolf Hitler negro do namíbio Frankie Fredericks.