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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ontem vi-te no Estádio da Luz a ganhar ao Braga



1) No ano passado, por esta altura, Júlio César salvou o Benfica em 4 ou 5 jornadas. Defesas fantásticas que nos permitiram ir ganhando pontos até embalarmos definitivamente em Alvalade para o Tri. Ontem foi outra vez fundamental, percebendo que tinha de limpar a casa até que os seus colegas acordassem. Com o Imperador em grande forma e o Ederson a mostrar tanta qualidade, podemos dormir descansados.

2) Vitória tenta adiar o problema para mais tarde, colocando Pizzi na esquerda,  mas vai mesmo ter de assumir uma posição porque Carrillo sobe de forma e vem aí o genial Zivkovic. Não me parece que o Salvio volte algum dia a ser Salvio e portanto eu poria o Pizzi à direita e avançaria com o sérvio para a esquerda. Quando puser o pé pela primeira vez na bola nunca mais Zivkovic abandonará a titularidade até sair do Benfica.

3) Maravilhoso Pizzi. Dá apoios, arrasta marcações, condiciona a posse do adversário. Às vezes parece ter a outra equipa sob cordéis que vai movimentando como quer. O passe que desbloqueia o jogo no primeiro golo é o resumo mais simples do que é Pizzi em campo: um criativo que descobre o caminho para a baliza como poucos. Ainda marcou e fez uma assistência só para que quem não gosta dele não pudesse dizer grande coisa.

4) Mitroglou e o golo à Cardozo. A simplicidade de um gesto técnico letal e a compreensão por parte de Guedes de que o melhor cruzamento é aquele que dá ao avançado a oportunidade de tentar marcar no seu espaço de conforto.  Em 10 bolas metidas assim para o grego, em 9 ele atirará certeiro e em curva para dentro da baliza.

5) As muitas oportunidades concedidas ao Braga mostram uma equipa com vários problemas na saída e na resposta à perda de bola. É importante melhorar muito a forma como pressionamos e como damos apoios ao portador à saída da nossa área. O Imperador não estará sempre a níveis estratosféricos.

6) Jonas. A falta que o génio faz.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Futebol e Benfica pelo Mundo (Parte 2)



Depois da abordagem ao campeonato brasileiro e argentino, partilho agora as minhas anotações sobre alguns campeonatos da segunda linha europeia.


O campeonato ucraniano está a 4 jornadas do seu término e é confortavelmente liderado pelo Dynamo Kiev que se encontra num jejum de 5 anos.
Na Europa o Dynamo foi eliminado nos Quartos da Liga Europa pela Fiorentina depois de se ter superiorizado ao Everton nos Oitavos.

O Shakthar, actual pentacampeão, completa o pódio ucraniano e está só a 1pt da vice-liderança. Na Champions apurou-se no grupo do Porto mas caiu com um estrondoso 7-0 em Munique.

O Dnipro é a equipa ucraniana sensação. Neste momento ocupa o 2ºlugar do campeonato, está na Meia-final tanto da taça como da Liga Europa, onde joga com o Nápoles depois de ter eliminado o Olympiakos, Ajax e Club Brugge.

Na Taça a presença na Final está a ser disputada entre o Dynamo e Olimpik e entre o Shakthar e Dnipro.


Na Suíça ainda faltam disputar 5 jornadas mas o Basileia já pode encomendar as faixas de campeão (ou hexacampeão).
A equipa de Paulo Sousa, e onde joga o Derlis González que conta com 3 golos no cameponato, apareceu a bom nível na Champions ao apurar-se para os Oitavos num grupo com Real Madrid e Liverpool mas acabou aí eliminada pelo Porto.

Irá também disputar a Final da taça onde defrontará o Sion, clube onde joga o Carlitos e que está com a manutenção praticamente assegurada. O português regista 3 golos no campeonato.

O 2º posto do campeonato é confortavelmente ocupado pelo Young Boys, que foi eliminado pelo Everton nos 16-avos da Liga Europa.

Ao rubro está a luta pelo campeonato turco.

Só um ponto separa o líder Besiktas tanto do Fenerbahce como do Galatasaray, os quais estão também a um pequeno passo de colidirem na Final da taça.


O campeonato turco tem alternado entre o Fenerbahce e Galatasaray e este ano pode haver desempate, cada um tem 19 títulos. O Besiktas, com 11 campeonatos, tem sido o único clube capaz de rivalizar com estes dois (excepção feita ao ano de 2010 com primeiro título do Bursaspor).

O Besiktas irá também levar desta época a vitória nos penalties sobre o Liverpool nos 16-avos da Liga Europa, apesar de ter caído frente ao Club Brugge na eliminatória seguinte.

O Galatasaray, apesar da força nas competições nacionais, só conseguiu fazer 1pt no seu grupo da Champions, composto por Anderlecht, Dortmund e Arsenal.

Com os seus golos o Tacuara conduziu o Trabzonspor ao 6ºlugar, somente a 1pt do 4º, e também aos 16-avos da Liga Europa, onde foi eliminado pelo Nápoles. O paraguaio conta com 15 tiros certeiros para o campeonato.

Também o Binya anda por estas paragens e o seu Gaziantepspor está a meio da tabela já coma manutenção garantida.

No Eskisehirspor, em 14º com a manutenção quase segura, está por empréstimo o nosso Funes Mori com os seus 6 golos no campeonato.


Na Escócia o Celtic já se sagrou tetracampeão, apesar dos 9pts ainda em disputa, e também já festejou a conquista da Taça. Na Liga Europa não passou dos 16-avos após uma derrota por 4-3 (agregado) contra o Inter.

Já o Rangers continua a sua caminhada de regresso à 1ª divisão e está neste momento a disputar o playoff de promoção. Na taça foi eliminado nas Meias pelo Celtic.


No campeonato belga, a 4 jornadas do fim, o tricampeão Anderlecht está a 4pts da liderança, perdeu na Final da taça, ficou em 3º no grupo da Champions e caiu logo nos 16-avos da Liga Europa, onde foi eliminado pelo Dínamo Moscovo.

O Gent ocupa a liderança do campeonato e pode chegar pela primeira vez ao título de campeão.

O clube com melhor performance tem sido o Club Brugge. Está a 1pt da liderança do campeonato, o qual não vence desde 2005, conquistou a taça e chegou aos Quartos da Liga Europa após derrotar o Besiktas. Foi eliminado pelo Dnipro.

No pólo oposto está o Lierse. O clube onde actua o Capdevila conseguiu, à custa do Cercle Brugge, apurar-se para o playoff de despromoção.

O Mitrovic, avançado do Anderlecht, lidera a tabela dos melhores marcadores no campeonato.


O Zenit está próximo de se sagrar campeão russo pela 4ª vez. O clube onde actuam o Garay, Javi e Witsel, lidera com 6pts de vantagem a 4 jornadas do fim.
Nas competições europeias frustraram as expectativas. Não foram além do 3º lugar no grupo (do Benfica) da Champions e caíram nos Quartos da Liga Europa frente ao Sevilha. Pelo caminho eliminaram o PSV e Torino.

Época negativa para o CSKA. O actual bicampeão russo está a 10pts da liderança e no Champions ficou em último no seu grupo (Bayern, City e Roma).

O Dínamo Moscovo apareceu em grande na Liga Europa ao eliminar o Anderlecht após ter vencido todos os jogos no seu grupo. Acabou eliminado pelo Nápoles nos Oitavos.

A meio da tabela, prestes a garantir a manutenção, está o Mordoviya do ainda nosso Djaló.
No fundo está o Torpedo onde actua o Hugo Vieira. Contudo só 3pts separam o Torpedo da linha de segurança.

A Final da taça traz-nos um duelo entre o Melgarejo e o Manuel Fernandes.

O Kuban do paraguaio está no meio da tabela enquanto o Lokomotiv do português está em 7º.

A tabela dos melhores marcadores é liderada pelos 13 golos do Hulk. O M.Fernandes conta com 6 e tanto o H.Vieira como o Djaló só contabilizam 1 golo.


Na Grécia o Roberto e o Jara já se sagraram campeões pelo Olympiakos e estão também na Final da Taça.

Na Champions não foram além do 3ºlugar no grupo da Juve e Atlético. Na Liga Europa foram eliminados pelo Dnipro logo nos 16-avos.

O Miguel Vítor ajudou o PAOK a chegar ao 2º lugar e está agora, a uma jornada do fim, com 1pt de vantagem sobre o Panathinaikos. Na Liga Europa não passaram a fase de grupos.

O Katsouranis está com o seu Atromitos na luta pelos lugares europeus.

O Barrales lidera a tabela dos melhores marcadores com 17 golos, seguido pelo Mitroglou com 16 e pelo Domínguez com 15, ambos do Olympiakos. O Jara regista somente 2 golos, tantos quanto o M.Vitor.

sábado, 2 de agosto de 2014

O funeral de Óscar Cardozo

Não contem comigo.

As notícias sobre a morte futebolística de Cardozo são, como diria Mark Twain, "manifestamente exageradas". Não sei se está lesionado, se devia ter sido operado, se está desmoralizado, triste ou apenas e só fora de forma. O que sei é que o golo de Cardozo acaba sempre por aparecer, mais cedo ou mais tarde.

Estamos a falar de um jogador que há menos de um ano estava a carregar uma equipa genial às costas. Na fase mais negra da temporada benfiquista, que terminou com o triplete tão desejado, Cardozo foi peça fundamental ao apontar golos decisivos que valeram pontos no campeonato e que permitiram dizimar o Sporting num jogo onde fez uma exibição fenomenal, isto depois de praticamente não ter feito a pré-época devido à ostracização a que foi votado por Jesus. Mais: em cada uma das últimas três temporadas, Cardozo foi o jogador do Benfica que precisou de menos tempo para marcar um golo. 

Seja como for, Oscar Cardozo terá o seu lugar guardado na História do Benfica pelos golos que marcou e, sobretudo, pelas atitudes que demonstrou ao longo dos anos. Não me esquecerei da forma como sempre aceitou a sua condição de suplente, com Camacho, Quique ou Jesus, do seu comportamento aquando da morte de Eusébio e, mais recentemente, da forma como defendeu Shéu naquele triste episódio em White Hart Lane.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A arte do penálti

O penálti falhado por Jara lembrou-me um texto que escrevi há uns tempos sobre uma questão que frequenta o imaginário e as discussões dos adeptos. O que é um penálti bem marcado?

Em resposta, teremos várias visões. Logo na primeira fila, aparecerão os pragmáticos: «é o penálti que dá golo». De seguida, os prestidigitadores: «é o que engana o guarda-redes». Os estetas: «bola para um lado, guardião para o outro». Os cruéis: «o que humilha o adversário». Os estrategas: «o que transmite a ideia de ir para um canto e vai para o lado contrário». Os cavaleiros: «o que tem uma paradinha a meio da corrida». Os bélicos: «o que faz explodir as redes!». Os emotivos: «o que faz levantar o estádio».

Na verdade, como em quase todos os momentos do jogo, o futebol é para cada adepto um mundo muito diferente do dos restantes e as teorias sobre ele tendem para mais infinito. Há em cada um de nós um especialista catedrático nesta arte; temos todos o conhecimento científico - porque empírico - sobre quais as melhores acções ao longo de uma partida de futebol. Tivesse o treinador a nossa clarividência e a nossa equipa ganharia sempre por 20-0 com mais 20 golos falhados porque os jogadores, já se sabe, não possuem as nossas qualidades inatas para a prática da modalidade.

Humildemente, deixarei o meu contributo: um penálti bem marcado é aquele que, por maior qualidade que o guarda-redes tenha, por mais alto, elástico, atlético, instintivo que o guardião seja, fará com que a bola entre sempre na baliza. Dito de outra forma: o penálti bem marcado é o penálti que encontra a sua janela para a baliza num lugar em que é impossível ao adversário chegar. 

Pode ser, na perfeição, uma bola batida a um dos cantos superiores da baliza - esse é o penálti-fenómeno, o penálti-pérola, o Rei dos penalties. É o penálti que traça uma linha horizontal e vertical tão perfeita que cria a diagonal eterna. Lá «onde a coruja dorme» é o sítio do milagre e da explosão do adepto. Esteticamente, é admirável; tecnicamente, soberbo; psicologicamente, devastador para o guarda-redes. Mas há outras caminhos por onde marcar golo mantendo o essencial do princípio «penálti bem marcado»: bola batida, rasteira, em força, a um dos cantos da baliza; bola batida para as malhas laterais de um dos lados, a meia-altura; bola, rasteira, meia-altura ou alta, que ou apanhe a lateral interna ou o poste pelo lado de dentro, inevitavelmente entrando. Toda a bola que for batida com estes princípios dará golo. É impossível a um guarda-redes defender um esférico que vá puxado, em força, a um dos lados da baliza. E isso, por ser inevitavelmente golo, é um penálti bem marcado.

O que são penalties mal marcados? São todos os outros. Um penálti «à Panenka» é um penálti mal marcado, por mais arte que o jogador tenha em fazer crer ao guarda-redes que vai atirar para um canto e não para o centro, em delicadeza - é bonito, não nego, mas não cumpre o requisito de tornar impossível ao guardião a sua defesa. Basta que fique ao centro para defender a bola; basta que, indo para um dos lados, consiga com os pés tocar no esférico. Ou seja, este é um penálti que não depende apenas e só da qualidade do remate, mas de vários outros elementos: posicionamento do guarda-redes; capacidade do guardião em antecipar a ideia do marcador; sorte do guarda-redes que, mesmo atirando-se para um canto, pode tocar com as pernas ou pés na bola. Pelos mesmos motivos (não dependerem apenas da qualidade do executante mas de vários outros factores), todos os penalties que fizerem a bola entrar num lugar da baliza a que o guarda-redes pode chegar são maus penalties, são penalties com gripe, são anti-penalties.

E isto é independente de ser golo ou não. A grande maioria dos penalties marcados em futebol é executada de forma deficiente. Pode a bola entrar ou não, é irrelevante para a análise. Pergunta-se é: «podia o guardião chegar àquela bola?». Quase sempre, sim. Logo, o executante não fez aquilo que devia. 

A função de um treinador tem de passar por escolher o jogador que marca mais vezes o penálti bem marcado, o tal impossível de ser defendido, e não aquele que nos treinos mete mais vezes a bola na baliza porque esse, em competição, falhará inevitavelmente mais do que aquele que nos treinos mete, em 10, 7 bolas impossíveis de defender, 2 à trave e 1 para fora. O que marca, por exemplo, 8 em 10, mas fá-lo de forma deficiente, estará sujeito, em jogo, a vários outros imponderáveis elementos que o forçarão a uma estatística mais baixa se analisarmos a sua produção no tempo - digamos, por estudo, 5 anos.

No Benfica, o marcador oficial é Cardozo. O paraguaio já foi um marcador exímio. Nos dois primeiros anos no clube, batia a bola em força para um dos lados da baliza, muitas vezes entrando a mesma pelas malhas laterais interiores. Ou seja, marcava invariavelmente penalties bem marcados. Por alguma razão (talvez de ordem estética ou por algum mau conselho de alguém), começou a marcar muitas vezes em jeito, mais para o centro da baliza, com menos força, menos colocação, menos assertividade. Com isso baixou os níveis de eficácia, o que é evidente e expectável, já que deixou de colocar a ênfase do penálti apenas e só na qualidade do remate mas a abriu a outros factores: qualidade do guarda-redes, azar, instinto do guardião. Cardozo passou a bater bolas que, dando golo ou não, podiam ser defendidas pelo adversário. E com isso deixou de ser exímio marcador para passar a ser um marcador com boa média, mas longe da eficácia dos primeiros tempos.

Compete a Jesus ou encontrar no plantel quem saiba marcar penalties bem marcados ou optar por aquele que, quase sempre marcando penalties mal marcados, tem a melhor estatística. Ou seja, passamos do lado científico para o místico-divino. Logo, sujeitos à sorte, ao destino e à religião. Contra o Ajax, nem remate houve. Foi um passálti.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

6 remates perigosos

1) SAÍDAS EXPECTÁVEIS: Garay, Siqueira, Markovic, Cardozo a juntar às duas vendas de Janeiro - André Gomes e Rodrigo. Confirmando-se estas 5 ou 6 saídas, é fundamental manter Gaitán e, sobretudo, Enzo Perez. Fejsa tem um problema crónico, situação aliás já conhecida e que talvez não tenha merecido a devida atenção por parte dos responsáveis do Benfica. Olhando para este cenário, é ainda mais crucial que Perez se mantenha no clube. Destruindo metade da defesa e metade do ataque, convém não destruir todo o meio-campo.

2) Como colmatar as saídas? Tendo em conta a dramática situação financeira do clube - só alguém muito optimista, muito bem pago pelo Benfica ou simplesmente tonto pode vender a ideia de uma saúde financeira quando mesmo um leigo percebe os constantes empréstimos (cada vez menos espaçados no tempo) e as recorrentes mentiras do Presidente do Benfica sobre a necessidade ou não de vender "para equilibrar as contas" -, julgo que devemos incidir em três estratégias:

- aposta clara em 3 miúdos da formação - por mim, Bernardo Silva, Ruben Pinto e Fábio Cardoso.

- Fazer regressar os melhores jogadores de entre as dezenas que temos emprestados - por mim, Lisandro, Pizzi e Ola John.

- Contratar apenas jogadores de qualidade indesmentível e ao melhor preço possível. A prospecção de qualidade é mesmo isso: descobrir talento onde ele não é visível a todos. Para gastar milhões em gajos conhecidos por todo o mundo futebolístico não vale a pena ter equipas de prospecção.

3) A Benfica TV tem sido um projecto de grande sucesso que deverá, como disse, bem, o Presidente Vieira, continuar a evoluir. Neste sentido, há que evitar qualquer apoio aos candidatos que defendem medidas nefastas ao crescimento da BTV - desde logo, o camaleão Seara - e despedir quanto antes o execrável comentador Fernando Santos, também conhecido como Pedro Guerra, também conhecido como Fernando Santos. Cada vez que o homem abre a boca na sua propaganda patética, rebolam na campa todos os gloriosos benfiquistas que fizeram deste clube um clube imortal, democrático, universal, sério, honesto e solidário.

4) Há um certo cheiro a 2010 no ar. A fanfarronice de Presidente e Treinador nas entrevistas que deram não é bom sinal para o futuro. Proposta: calarem-se até Setembro e focarem-se na preparação da próxima época. Pior do que perder (o que tem sido recorrente nestas últimas duas décadas) é não saber ganhar.

5) Djavan no Benfica. Do que lhe vi na Académica, pareceu-me um jogador interessante. Não me parece, no entanto, que sirva como titular. Deveremos ir ao mercado contratar um lateral-esquerdo de topo.

6) Passar tanto tempo sem ir ao Estádio ver o Benfica é deprimente. Nem um Mundial nos salva deste vazio existencial.

sábado, 5 de abril de 2014

Há mosquitos por cordas



O jogo de quinta-feira veio demonstrar algo que já se percebia há algumas semanas a esta parte, o problema entre Jorge Jesus e Cardozo não está resolvido.

Por muitas desculpas que Cardozo tenha pedido, ou não, a Jorge Jesus, em público ou privado, aquele tipo de episódio deixa marcas tão profundas que dificilmente são ultrapassadas rapidamente. Um episódio daqueles não acontece por acaso nem desaparece por outro acaso.

Já tinha sido visível a indignação do Paraguaio aquando do episódio entre o técnico e Shéu, bem como “azia” de Cardozo quando foi substituído na 2ª mão da eliminatória disputada com o Tottenham. A expressão carregada e o olhar fulminante de Tacuara para o banco, foram indisfarçáveis, mas pouco notadas ou, tão só, pouco empoladas. Porém, essa atitude existiu.

Será natural que Cardozo não ande satisfeito da vida com a mais recente condição de suplente a que tem sido relegado. Mas Cardozo faria tanta questão de tomar este tipo de atitudes se fosse outro treinador que não Jorge Jesus?

Se fazer o que fez a Jorge Jesus demonstra ingratidão, já que, goste-se ou não, o treinador do Benfica sempre foi o primeiro e maior defensor de Cardozo, a atitude do Paraguaio na Holanda demonstra pouco sentido colectivo ao não ser o primeiro a admitir a sua má forma desportiva.

Na Luz como na Holanda, Cardozo foi bem substituído. No Dragão ficou por ser bem substituído, sendo Rodrigo o sacrificado ou, como dirá Jorge Jesus, o poupado. O certo é que o rendimento do sul-americano não tem correspondido ao estatuto que conquistou no plantel. Seja por alteração dos processos colectivos da equipa, seja por incapacidade individual do jogador.

O facto é que outro “Jamor” pode estar ao virar de uma qualquer substituição ou derrota, cabendo a Jorge Jesus lidar com um problema que não lho souberam resolver em devido tempo.

quinta-feira, 27 de março de 2014

O trauma

Nada de novo: fomos ao Dragão e perdemos.

Negativo: Cardozo; Salvio; Sulejmani; continuar sem ter alma benfiquista para entender a fundamental importância de vencer no Dragão e esmagar o adversário nos seus maus momentos (em vez disso, borramo-nos sempre todos e fazemos sempre de ressuscita-mortos)

Positivo: o nosso apoio; uma polícia portuense que afinal também sabe colocar os adeptos do Porto em sentido.

Redimam-se em Braga. É tudo o que todos os benfiquistas merecem depois desta pobre exibição.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A arte do penálti

O penálti falhado por Cardozo em Barcelos lançou os benfiquistas para a discussão em torno da escolha do melhor marcador deste tipo de marcação. Lima ou Cardozo? Nenhum? Outro? Qual? Enfim, o natural nestas coisas é funcionar por impulso, reagindo com a ciência do resultadismo para retirar conclusões. Tivesse o paraguaio enfiado a bola na baliza e a grande maioria dos que hoje dizem "eu tinha avisado" estaria em silêncio e feliz pela vitória.

A questão, no entanto, é interessante e deve ser alvo de uma análise cuidada por quem é responsável por um plantel, sobretudo se falamos, como neste caso, de um grupo de jogadores que compete ao mais alto nível. A pergunta que deve ser colocada é simples e é esta: o que é um penálti bem marcado?

Em resposta, teremos várias visões. Logo na primeira fila, aparecerão os pragmáticos: «é o penálti que dá golo». De seguida, os prestidigitadores: «é o que engana o guarda-redes». Os estetas: «bola para um lado, guardião para o outro». Os cruéis: «o que humilha o adversário». Os estrategas: «o que transmite a ideia de ir para um canto e vai para o lado contrário». Os cavaleiros: «o que tem uma paradinha a meio da corrida». Os bélicos: «o que faz explodir as redes!». Os emotivos: «o que faz levantar o estádio».

Na verdade, como em quase todos os momentos do jogo, o futebol é para cada adepto um mundo muito diferente do dos restantes e as teorias sobre ele tendem para mais infinito. Há em cada um de nós um especialista catedrático nesta arte; temos todos o conhecimento científico - porque empírico - sobre quais as melhores acções ao longo de uma partida de futebol. Tivesse o treinador a nossa clarividência e a nossa equipa ganharia sempre por 20-0 com mais 20 golos falhados porque os jogadores, já se sabe, não possuem as nossas qualidades inatas para a prática da modalidade.

Humildemente, deixarei o meu contributo: um penálti bem marcado é aquele que, por maior qualidade que o guarda-redes tenha, por mais alto, elástico, atlético, instintivo que o guardião seja, fará com que a bola entre sempre na baliza. Dito de outra forma: o penálti bem marcado é o penálti que encontra a sua janela para a baliza num lugar em que é impossível ao adversário chegar. 

Pode ser, na perfeição, uma bola batida a um dos cantos superiores da baliza - esse é o penálti-fenómeno, o penálti-pérola, o Rei dos penalties. É o penálti que traça uma linha horizontal e vertical tão perfeita que cria a diagonal eterna. Lá «onde a coruja dorme» é o sítio do milagre e da explosão do adepto. Esteticamente, é admirável; tecnicamente, soberbo; psicologicamente, devastador para o guarda-redes. Mas há outras caminhos por onde marcar golo mantendo o essencial do princípio «penálti bem marcado»: bola batida, rasteira, em força, a um dos cantos da baliza; bola batida para as malhas laterais de um dos lados, a meia-altura; bola, rasteira, meia-altura ou alta, que ou apanhe a lateral interna ou o poste pelo lado de dentro, inevitavelmente entrando. Toda a bola que for batida com estes princípios dará golo. É impossível a um guarda-redes defender um esférico que vá puxado, em força, a um dos lados da baliza. E isso, por ser inevitavelmente golo, é um penálti bem marcado.

O que são penalties mal marcados? São todos os outros. Um penálti «à Panenka» é um penálti mal marcado, por mais arte que o jogador tenha em fazer crer ao guarda-redes que vai atirar para um canto e não para o centro, em delicadeza - é bonito, não nego, mas não cumpre o requisito de tornar impossível ao guardião a sua defesa. Basta que fique ao centro para defender a bola; basta que, indo para um dos lados, consiga com os pés tocar no esférico. Ou seja, este é um penálti que não depende apenas e só da qualidade do remate, mas de vários outros elementos: posicionamento do guarda-redes; capacidade do guardião em antecipar a ideia do marcador; sorte do guarda-redes que, mesmo atirando-se para um canto, pode tocar com as pernas ou pés na bola. Pelos mesmos motivos (não dependerem apenas da qualidade do executante mas de vários outros factores), todos os penalties que fizerem a bola entrar num lugar da baliza a que o guarda-redes pode chegar são maus penalties, são penalties com gripe, são anti-penalties.

E isto é independente de ser golo ou não. A grande maioria dos penalties marcados em futebol é executada de forma deficiente. Pode a bola entrar ou não, é irrelevante para a análise. Pergunta-se é: «podia o guardião chegar àquela bola?». Quase sempre, sim. Logo, o executante não fez aquilo que devia. 

A função de um treinador tem de passar por escolher o jogador que marca mais vezes o penálti bem marcado, o tal impossível de ser defendido, e não aquele que nos treinos mete mais vezes a bola na baliza porque esse, em competição, falhará inevitavelmente mais do que aquele que nos treinos mete, em 10, 7 bolas impossíveis de defender, 2 à trave e 1 para fora. O que marca, por exemplo, 8 em 10, mas fá-lo de forma deficiente, estará sujeito, em jogo, a vários outros imponderáveis elementos que o forçarão a uma estatística mais baixa se analisarmos a sua produção no tempo - digamos, por estudo, 5 anos.

No Benfica, o marcador oficial é Cardozo. O paraguaio já foi um marcador exímio. Nos dois primeiros anos no clube, batia a bola em força para um dos lados da baliza, muitas vezes entrando a mesma pelas malhas laterais interiores. Ou seja, marcava invariavelmente penalties bem marcados. Por alguma razão (talvez de ordem estética ou por algum mau conselho de alguém), começou a marcar muitas vezes em jeito, mais para o centro da baliza, com menos força, menos colocação, menos assertividade. Com isso baixou os níveis de eficácia, o que é evidente e expectável, já que deixou de colocar a ênfase do penálti apenas e só na qualidade do remate mas a abriu a outros factores: qualidade do guarda-redes, azar, instinto do guardião. Cardozo passou a bater bolas que, dando golo ou não, podiam ser defendidas pelo adversário. E com isso deixou de ser exímio marcador para passar a ser um marcador com boa média, mas longe da eficácia dos primeiros tempos.

Compete a Jesus ou encontrar no plantel quem saiba marcar penalties bem marcados ou optar por aquele que, quase sempre marcando penalties mal marcados, tem a melhor estatística. Ou seja, passamos do lado científico para o místico-divino. Logo, sujeitos à sorte, ao destino e à religião. Em Barcelos, Deus tirou-nos dois pontos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Pecado da Gula

É mais forte que Jorge Jesus: quando se sente por cima, num jogo ou num campeonato, não resiste a forçar em exagero a nota ofensiva. Será um caso reiterado de arrogância táctica. Há dois anos estava a ganhar ao FC Porto em casa quando Aimar se lesionou. Poderia ter dado consistência ao meio campo mas lançou Rodrigo e passou a ter dois avançados puros no eixo. Perdeu por 3-2. Já este ano, estava a ganhar por 3-1 ao Sporting para a Taça e até a ameaçar goleada. Jogava com três médios puros quando um se lesionou (Amorim). Não resistiu a lançar Cavaleiro e a voltar ao sistema de risco, de quatro atacantes, agravado com o facto de ter trocado o melhor gestor de posse de que dispõe por um jogador propenso à perda de bola. Sofreu dois golos e a eliminatória só foi salva no prolongamento. Em Barcelos, a situação repetiu-se.

Ponto prévio: foi pouco valorizada a exibição do Benfica ante o Gil Vicente. A equipa encarnada está num óptimo momento, os jogadores apresentam uma condição física invejável (ganharam quase todos os duelos num terreno impróprio) e, mesmo com todas as vicissitudes, o resultado normal teria sido uma vitória da equipa da Luz. Ou seja, mesmo tendo o melhor plantel, de longe, a verdade é que Jesus voltou a pôr o Benfica a jogar bem e transformou-o de novo no candidato principal ao título. Só não resistiu, mais uma vez, ao pecado da gula.

Líder da prova e com o FC Porto derrotado na mesma tarde, o Benfica estava por cima no jogo quando fez o primeiro golo, mesmo com menos um homem em campo. Uma leitura realista - que Jesus já teve noutros jogos - recomendava que entrasse Amorim (ou André Gomes, se contasse), reequilibrando a equipa. Não entrou, e foi uma questão de poucos minutos até Cardozo ser chamado. O mal não foi lançar Cardozo com o jogo empatado - opção natural e totalmente justificável -, o problema é que Cardozo ia entrar mesmo em vantagem no marcador (e um homem a menos). Numa equipa que devia baixar linhas, gerir posse e aproveitar espaço, seria o jogador errado na hora errada. A rábula do penálti prova que o paraguaio usufrui de um estatuto que mais ninguém tem no plantel e Jesus deveria ter assumido logo que há uma hierarquia, sem responsabilizar os jogadores por uma decisão que só a ele compete. Que Cardozo tenha atirado e falhado é normal, é futebol.


Carlos Daniel


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O que eu vi em Barcelos

- Para o treinador do Benfica ganhámos um ponto. Eu gostava que o treinador do Benfica, o Presidente do Benfica e toda a gente que trabalha no e para o clube percebessem que a mentalidade pequenina não faz parte do ADN deste clube. Não, o Benfica não ganhou um ponto. Perdeu dois. E com esta diferença de mentalidade se percebe o porquê de não ganharmos nada. Estas pessoas nunca irão perceber o que é o Sport Lisboa e Benfica.

- Siqueira não pode prejudicar a equipa daquela forma. Exige-se outro tipo de concentração e profissionalismo.

- Oblak deu um frango.

- O erro do jogo foi táctico. Responsabilidade de Jesus, que não mexeu como devia logo a seguir ao primeiro golo.

- Desde que Cardozo começou a marcar os penalties de forma diferente - nos dois primeiros anos marcava em força e colocado para um dos cantos, com níveis fantásticos de aproveitamento -, a eficácia baixou consideravelmente. Umas vezes faz golo, outras falha-os, mas quase sempre marca mal os penalties. 

- A decisão por Cardozo para marcador do penálti faz sentido. É ele o oficial marcador. Fácil é falar depois de ele ter falhado. Não vejo aqui qualquer falha de Jorge Jesus. Era o que fazia sentido.

- Continuamos a ter de ver o Benfica sem condições nenhumas. Pagamos viagem, 20 euros de bilhete, gastamos em comida e bebida, fazemos milhares e milhares de quilómetros atrás da equipa e continuam a gozar connosco, aproveitando a onda benfiquista. Se não faz a Direcção, que faça a nova Associação de Adeptos Benfiquistas. Que façamos todos nós. Em Barcelos, tivemos de ver o jogo em péssimas condições. Mais uma vez. 

- Só resta uma coisa: ganhar de forma clara ao Sporting. Se com estas ajudas todas dos adversários - sobretudo do pior Porto dos últimos largos anos - não formos campeões, tenham vergonha na cara de tanta incompetência e vão afundar outro clube.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

7 tiros sobre a boa vitória sobre o Porto

- É fácil dizer que «estava visto que com Oblak não sofreríamos golos» depois de acabar o jogo. Na verdade, qualquer das opções seria válida - se, por um lado, o puto vinha de 3 jogos consecutivos com boas exibições e baliza inviolada, por outro, a pressão e exigência de um jogo como o de ontem poderiam ter forçado Oblak a uma exibição menos conseguida. Artur não tem estado bem, é facto indesmentível, mas não estaria incapaz de responder de forma assertiva se tivesse sido chamado. Jesus arriscou, optando por aquilo que a maioria pedia - elogios, no entanto, por isso, porque se tivesse corrido mal facilmente seria alvo de críticas. Arriscou, deu-se bem e, agora sim, após este teste de fogo, parece-me de todas as formas justo que se mantenha o guarda-redes em quem se apostou e respondeu à altura. A qualidade superior de Oblak, essa, é visível há muito tempo, mesmo tendo em Artur um guarda-redes de qualidades evidentes. 

- O jogo não teve qualidade de explosão, não foi um festival de futebol glorioso, não desaguou em muitos golos, não foi daqueles que vão directamente para o panteão dos clássicos. Mas foi um jogo interessante do ponto de vista táctico. Jesus fez recuar, na primeira linha de pressão, os dois avançados para zonas mais próximas dos médios. Ou seja, deu liberdade aos centrais do Porto para trocarem a bola mas retirou-lhes as opções (sobretudo as do miolo). Digamos que a ideia de jogo do Benfica passou por direccionar a posse dos portistas: ou sendo forçados a sair pelas laterais ou obrigados a jogo directo. Resultou de forma exemplar na primeira parte, com o acrescento de ter em Markovic não propriamente um extremo mas uma espécie de interior que vagueava entre a linha e a zona central (Enzo compensava a saída de posição do sérvio). Num dos vários lances em que a pressão sufocante do Benfica a meio-campo conseguiu recuperar a bola, Markovic fez o que sabe fazer como mais ninguém que estava em campo: desequilibrou para golo. Primeiro, criando a dúvida (ninguém sabe o que pode sair dali), depois arrancou, feito menino d´oiro, para chegar à zona de decisão e decidir. Como quase sempre, Markovic decidiu bem e rápido. Rodrigo, onde é mais forte (trabalho de desmarcação em linha com a última barreira adversária e não quando joga mais recuado), saiu disparou no momento certo para de primeira rematar e fazer o 1-0. Este tipo de entendimento, se for mais vezes explorado, dará muitos mais golos. Basta ler.

- Como sabe quem me lê, nunca fui um indefectível do Cardozo como nunca o achei o diabo em campo. Reconheço-lhe qualidades óbvias, acho-o excelente para ter no plantel - sendo titular ou suplente utilizado, consoante a estratégia de jogo -, gosto dele, tem golo, é versátil, mas importa lembrar algo: o Benfica pode ganhar sem Cardozo. Mesmo que seja a uma equipa à qual raramente ganhamos. Os fundamentalismos, de um lado e do outro, nunca foram benéficos. Este é só mais um que se dispensa. 

- Este Porto é fraco. Este ano tenho visto poucos jogos dos portistas e ontem foi o primeiro que vi ao vivo. Fica mais fácil de ler uma equipa quando temos todo o enquadramento colectivo à nossa frente e não o que as televisões mostram. Sofre de pouca criatividade no miolo, obriga Fernando (que é, de facto, um bom jogador) a incursões para as quais não tem qualquer capacidade- Fernando não é Matic, mas é obrigado a isso num meio-campo que não tem ideias definidas, em que os automatismos existentes passam por tentar combinações laterais com os extremos e esperar uma desmarcação do Jackson. Moutinho faz-lhes falta. Moutinho faz-lhes toda a falta do mundo. Licá e Varela não correspondem, parecendo sempre sem saber se devem explorar a profundidade ou atacar as zonas centrais. Fonseca, que fez uma época soberba o ano passado (é bom não esquecer), está a fazer um trabalho aquém das qualidades que parecia poder desenvolver e o resultado é uma equipa que, se bem pressionada, hesita e demonstra não ter planos alternativos para chegar à baliza adversária.

- O Benfica, se tivesse feito o que lhe competia nesta primeira volta, teria hoje não 3 mas 7 ou 8 pontos de vantagem. Não é a olhar para a classificação ou para a liderança a meio do campeonato que se analisa a prestação de uma equipa; é vendo o que os adversários jogam, a qualidade de plantel que têm, sabendo a que nós temos e o que podemos fazer. Se o Benfica, este Benfica anémico, vence um campeonato em cada 5 e sempre que o Porto está fragilizado e não por ser melhor do que o melhor Porto, então talvez seja altura de no Benfica perceberem que este ano é o tal para aproveitar o facto de os portistas estarem em ano medíocre. Já que só vencemos pela falta de qualidade alheia, que ao menos a aproveitemos para ganhar uns títulos, que afinal tanto escasseiam.

- Soares Dias assinala falta; fiscal diz-lhe que não é falta; Soares Dias tem de marcar bola ao solo. O amarelo ao Enzo advém de um lance anterior. Ok, está compreendido. Agora só resta perceber qual a razão para o fiscal de linha ter achado que aquilo não é falta; o porquê de Josué não ter sido expulso num lance no qual nem amarelo viu; o porquê de não ter assinalado o penálti do Mangala e o penálti do Garay; o ter interrompido o lance que isolava o Jackson e a razão de ter deixado 4 amarelos a jogadores do Porto no bolso na primeira parte. Ou seja: foi provavelmente a pior arbitragem dos últimos 50 anos. Isto porque errou para os dois lados. Quando erram para um só lado, não se chama arbitragem, chama-se roubo.

- O Estádio da Luz existe para estar sempre cheio. Sempre. Não só contra o Porto, não só porque o Eusébio morreu. Que o fabuloso ambiente de ontem sirva para animar mais benfiquistas a voltarem a estar presentes. É que já andamos cansados de ver tanta cadeira vazia nos outros jogos todos. O Marquês constrói-se também com o Gil Vicente, com o Arouca, com o Freamunde, com o Sarilhense. Está na altura de ver alguém da Direcção entender isso e saber usar o cérebro para encher o estádio e de os benfiquistas sentirem gosto por ir ver futebol ao vivo. Não há nada mais emocionante, mais bonito e transcendental do que um golo do Benfica a acontecer à nossa frente.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Este gin-tónico leva duas rodelas de Lima

1) Regresso de Lima aos golos - dois e excelentes.

2) Enzo Pérez é o maior.

3) 4 anos depois, Jesus ainda não percebeu que consegue melhores oportunidades de golo e melhor futebol se jogar apenas com um avançado do que com dois. Hoje foi a lição nº 3241. De nada servirá. No próximo jogo, lá teremos a fórmula antiga.

4) O Benfica ganhou 3 jogos sem Cardozo. O importante aqui é perceber que teorias facciosas anti ou pró Cardozo são tontas porque extremistas. Nem Cardozo é insubstituível nem é totalmente dispensável. Há mais do que preto e branco no futebol.

5) Rodrigo marcou (numa oferta adversária), mas continua a fazer exibições fracas.

6) Enzo Pérez é o maior.

7) Fejsa é um óptimo jogador.

8) Raul José tem um telemóvel de 96.

9) Enzo Pérez é o maior.

10) Liderança pela primeira vez no Campeonato. Agora deixem-se estar aí, que a gente gosta.

11) Há quantos anos não estavam Benfica e Sporting à frente do Porto?



domingo, 10 de novembro de 2013

Obrigado, futebol.

Não foi bem jogado, o Benfica continua com os mesmos problemas para controlar o jogo em vantagem, há desnorte mental, mas... voltei a festejar golos e a viver a Luz como já não acontecia desde o jogo com os turcos. No Piso 1 há álcool. O terceiro golo do Cardozo é uma maravilha.

A arbitragem? Uma vergonha inaceitável.


Estou vivo



Por muito que Jorge Jesus diga que não mudou o sistema táctico, por muito que custe a Jorge Jesus admitir que mudou por força das derrotas, por força dos seus próprios falhanços, parece-me ser indesmentível que esta nova formula táctica do Benfica com 3 médios de corredor central declarados e uma ideia de jogo mais pausada e emocionalmente mais controlada tem os seus resultados à vista.

O derby de ontem, tal como já havia sido o jogo na Grécia, foi lançado nestas bases tácticas, com o trio formado por Matic, Enzo e R. Amorim a controlarem todas as operações a meio-campo, roubando tempo e espaço aos médios leoninos e demonstrando qualidade na hora de construir. Com estas unidades em campo, o Benfica relaciona-se melhor com o espaço, havendo menos espaço entre unidades e, por isso, maior facilidade nas ajudas defensivas e na criação de linhas de passe no momento ofensivo.

O Sporting, tal como já tinha acontecido com o Olimpiakos, marcou o 1º golo na primeira e única oportunidade criada através de lances de bola corrida durante os 90 minutos, e em mais dois erros primários do Benfica na defesa de lances de bola parada, tudo o resto foi luta a meio campo e domínio do Benfica.

É verdade que sentimos algumas dificuldades após a lesão de R. Amorim, talvez porque Jorge Jesus caiu na tentação de trocar o médio Português por um extremo (Cavaleiro), colocando Gaitan ao meio, no papel que até ali havia sido de Enzo, mas Gaitan está longe de ser Enzo no que a capacidade e voluntarismo defensivos diz respeito e Markovic não teve a capacidade de transporte de bola que Gaitan teve, até ali, pela esquerda. Mas esse desequilíbrio causado pela má opção táctica de Jorge Jesus, foi mitigado pela opção de Leonardo Jardim que na busca do golo também trocou um médio (A. Martins) por um avançado (Slimani). Ainda assim, ainda que essas dificuldades tenham sido evidentes, reforço, fomos capazes de manter o controlo do jogo, caindo apenas pela questão, que já se torna desesperante, das bolas paradas defensivas.

Ao contrário do que considerou Jorge Jesus, eu acho que a entrada de Lima ia sendo determinante, mas para um desfecho semelhante ao que temos vivido com o “mestre da tática”. Entrando Lima para a saída de um esgotado Enzo, a equipa voltou ao sistema “antigo” e ao que isso tem de melhor e… pior. Voltamos a ser uma equipa a correr desenfreadamente para a frente, mesmo depois do 4-3, voltamos a ser uma equipa completamente partida a meio (a 3 minutos dos 120 é visível uma linha de 6 jogadores a defender e 4 na zona do grande circulo), facto que só não melhor aproveitado pelo Sporting pela sua falta de experiencia e matreirice, pois contra equipas com esses predicados já vimos por diversas vezes que sofremos, e muito.

Para finalizar gostaria de falar de Gaitan. É verdade que Enzo foi, mais uma vez, gigante no meio-campo, desmultiplicando-se em 2/3/4 “Enzos” para se entregar à equipa. Não é menos verdade que Cardozo foi absolutamente letal, marcando 3 grandes golos. Mas Gaitan voltou a provar que, querendo, é o jogador mais genial deste Benfica. Gaitan é daqueles que leva gente aos estádios, é daqueles que se funde com a bola num bailado só alcance dos predestinados, assim haja disponibilidade mental e compromisso com o colectivo.