Ponto prévio: Para um clube da nossa dimensão não pode
ser aceitável termos somado ontem apenas a 5ª Supertaça Cândido de Oliveira.
Vamos lá aumentar esse palmarés.
Do jogo de ontem, mais um com contornos épicos, sobram
boas notas de análise, a destacar:
Enzo:
Sr. Presidente, já deu para entender o porquê de, desportivamente falando, ser imprescindível
manter o nosso “cavallino rampante”?
Enquanto o Argentino teve pulmões (1ª parte) o nosso domínio foi avassalador.
Enquanto manteve as pernas (2ª parte) fomos melhores. Depois do motor deste
Ferrari ter rendido a alma ao criador (prolongamento) fomos quase banais e em
nada superiores ao adversário. Enzo é a cola mágica que agarra toda a equipa
num bloco coeso. Ataca, defende, pressiona, assiste, remata. Enzo é… Enzo.
Talisca:
Confesso que foi para mim uma surpresa a titularidade do Brasileiro no jogo de
ontem. Vinha rotulado de 10, mas a pré-época deu a entender que JJ via em
Talisca a principal alternativa a uma eventual saída de Enzo. O jogo de ontem
mostrou um Talisca muito mais assertivo no jogo. Pisando zonas mais próximas do
que, presumivelmente, ocupava na sua anterior equipa, o Brasileiro demonstrou
uma boa dinâmica e boa capacidade para desempenhar o papel que antes era atribuído
a Rodrigo. Parece-me ser mais por aqui e não tanto pela posição 8 que pode
passar o melhor futuro de Talisca neste Benfica. Falhou na concretização e
nalgumas tomadas de decisão, quer no timing
quer na decisão em si. Mas não deixam de ser excelentes indicadores de um
jovem que está a dar os seus primeiros passos na Europa.
Jardel:
O mesmo de sempre, quer no positivo, quer no negativo. Esforçado e com uma
grande capacidade de entrega ao jogo, não deixa de ser um jogador limitado no
plano táctico e técnico. Comete demasiados erros de posicionamento e ainda mais
aflitivos erros no passe, compensado essas falhas com uma luta até ao limite. Não
sendo um prodígio, parece-me o melhor parceiro para Luisão neste momento,
embora gostasse de perceber quanto pode valer Lisandro ao lado do Girafa ou, na
pior das hipóteses, seria aconselhável a chegada de um central capaz de assumir
a titularidade do Benfica. Para o nível interno, Jardel vai chegando, mas não
creio que se possa esperar o mesmo num nível de Liga dos Campeões.
Artur:
Do inferno ao céu em três defesas. O guardião Brasileiro foi o herói de ontem,
é justo reconhece-lo, mas não é menos justo dizer que esteve a centímetros, por
mais de uma vez, de ser o vilão. Sem embargo dos penaltis que defendeu, durante
os 120 minutos de jogo, Artur explicou, mais uma vez, a razão de ser imperiosa
a chegada de um GR capaz de assumir a titularidade. Tecnicamente nunca foi o prodígio,
mas tem capacidade para ser regular, o problema de Artur é mesmo psicológico. É
aflitivo ver a forma como um Artur desconfiado de si próprio se faz a cada
lance e é tão fácil ver Artur desconfiado de si. Creio que o Benfica precisa de
um novo GR e Artur precisa de um novo clube onde possa expurgar a sombra do
insucesso que lhe paira na cabeça a cada lance em que intervém. Obrigado Artur,
mas mais não.
No global foi uma boa exibição, especialmente no
primeiro tempo, ainda que a finalização tenha sido confrangedora. Criamos
muitas e boas oportunidades de golo, mas um num jogo de campeonato tanto erro
na finalização tinha-nos valido um empate e a consequente perda de 2 pontos.
120 minutos frente a um adversário que havia jogado na passada quinta-feira sem
marcar qualquer golo, não é trágico, mas é preocupante, ainda que, normalmente,
a capacidade de finalização das equipas de JJ seja sempre elevada ao longo das
épocas.
O jogo de ontem reforça-me ainda a convicção de que,
mesmo com Gaitan e Enzo, temos um bom 11 para o nível interno, mas um 11 sofrível
para a Liga dos Campeões. Mas há que ter sempre presente uma questão: Não se
ganham campeonatos com 11.


