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domingo, 5 de agosto de 2012

Anda comigo ver os pavilhões

«Falta militância no Benfica actual. Por desinteresse generalizado dos adeptos, por conformismo com a actual situação do clube e também por falta de dinheiro. Na época passada, a assistência nos jogos de futebol só superou os 40 mil espectadores quando a equipa jogou um clássico ou no segundo terço da época, quando parecia que se ia sagrar campeã. E nos pavilhões o cenário foi igualmente triste, com poucos adeptos a assistir aos jogos da fase regular das secções de futsal, basquetebol, andebol, hóquei em patins e voleibol.

O que podemos fazer para inverter esta situação? Os bilhetes são muito baratos, custando apenas 3 euros para sócios e 6 euros para não-sócios. As equipas jogam relativamente bem apesar de em algumas modalidades a qualidade ter caído bastante, em paralelo com a do campeonato, nos últimos anos (basquete e hóquei, por exemplo), mas ainda assim em todas se luta para ganhar o título. Posto isto, a pergunta impõe-se: o que pode o Benfica fazer para levar mais adeptos ao pavilhão?

Há muito para fazer neste campo. É preciso pensar em ideias que levem mais adeptos aos pavilhões e que os aproximem mais do clube. Assim sendo, penso que há 4 pontos que o Benfica deveria rever para tornar mais real e efectiva a aproximação dos adeptos às modalidades de pavilhão:
  1. Calendarização dos jogos. O Benfica tem, nos últimos anos, revelado alguma atenção e preocupação relativamente ao dia e hora dos jogos, tentando, sempre que possível, colocar os encontros das diferentes modalidades de pavilhão no mesmo dia e de seguida. O problema é que cada vez menos adeptos se deslocam à Luz para verem, propositadamente, um jogo destes. A meu ver, a solução passa por marcar os jogos de pavilhão para algumas horas antes dos encontros de futebol. Por exemplo, no dia do Benfica x Braga, poderia ser agendado (se houvesse) um encontro das modalidades de pavilhão para duas horas e meia antes do começo do jogo de futebol. Assim, sempre iriam mais pessoas aos pavilhões. E nos dias de jogos em que a afluência esperada de adeptos fosse maior, até se poderia agendar dois jogos ao mesmo tempo, visto que ambos provavelmente teriam casa cheia.
  2. Bilhete de época. A quota modalidades é uma boa ideia para os adeptos, mas tenho dúvidas que a nível de receitas seja rentável. Reparem: cinco euros por mês durante doze meses são sessenta euros. Para todas as modalidades. É barato mas pode não fidelizar os adeptos às modalidades, até porque nem todos têm o mesmo interesse nas diferentes modalidades. Acho que seria mais racional e não necessariamente mais caro para [todos] os adeptos criar um Bilhete de Época (ou Red Pass) para cada modalidade. O preço poderia ser de 25 euros por época para a fase regular de cada modalidade, acessível a praticamente todos os bolsos. E consoante o número de Red Pass comprados por sócio, poderia ser feito um desconto. A título de exemplo: 1 Red Pass = 25€; 2 Red Pass = 50€ (25+25); 3 Red Pass = 65€ (25+25+15); 4 Red Pass = 80€ (25+25+15+15); 5 Red Pass = 90€ (25+25+15+15+10). Quem só quer ver uma modalidade acaba por pagar menos. Quem quer ver duas modalidades também paga menos, podendo ainda, por apenas 5 euros de diferença relativamente à actual quota modalidades, ver mais uma modalidade. Será que pedir 90 euros por época para ver todas as modalidades é muito? Sinceramente, não me parece. Contas feitas, são 11 jogos de basquetebol, 11 (+ 5) de andebol, 11 (+ 5) de voleibol, 13 de futsal e 15 de hóquei. Em termos de fase regular são 61 jogos garantidos, com a possibilidade de serem 71 se não ocorrer nenhuma hecatombe no andebol e no voleibol. Média inferior a 1,50€ por jogo. Depois faltam ainda os jogos das taças de todas as modalidades e os playoffs de futsal e basquetebol, cuja bilhética e a forma de pagamento teriam de ser revistas. Assim, desta forma, penso que se conseguia uma maior fidelidade entre adeptos e uma, duas ou três modalidades, tendo os pavilhões constantemente mais bem compostos.
  3. Relação com Federações e Desporto Escolar. Uma boa forma de publicitar o Benfica enquanto clube junto das gerações mais novas e de, ao mesmo tempo, promover o desporto escolar passa por conseguir levar os mais jovens e os praticantes das respectivas modalidades nas escolas aos pavilhões. Para tal, o Benfica poderia estabelecer protocolos com as escolas e ceder, ocasionalmente, bilhetes. Exemplo: a escola "A" de Lisboa tem vários alunos a frequentar andebol no Desporto Escolar. O Benfica poderia fornecer à escola ou ao professor responsável "X" bilhetes a serem distribuídos a esses alunos para assistirem aos jogos de andebol durante a época. Assim, desta forma, teríamos menos lugares vazios nos pavilhões e à custa de gente jovem que pratica aquele desporto. Esta parece ser uma boa forma de promover o desporto escolar, de ter os pavilhões mais compostos e de aproximar o Benfica dos mais jovens, criando gerações com ainda mais benfiquistas.
  4. Acho que o Benfica precisa de tornar os espectáculos mais apelativos. Mais que um jogo, deve ser um espectáculo. "Americanizá-los", por assim dizer. Já viram um jogo da NBA, na televisão ou ao vivo? Mais que um jogo, é uma festa onde as pessoas apoiam fervorosamente o seu clube e se divertem. Não é só por aqui que se vai conseguir trazer muito mais adeptos, mas era uma forma de tornar o espectáculo num verdadeiro espectáculo.»

JNF, Eterno Benfica