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quarta-feira, 16 de julho de 2014

O tempo explicará



Desde o início do presente ano civil, o Benfica já anunciou a alienação dos direitos económicos e desportivos de 6 jogadores (Matic, Rodrigo, André Gomes, Garay, Markovic e Oblak), por valores, no mínimo, assinaláveis – falo, naturalmente, de jogadores de relevo do plantel, já que, o clube também já cedeu outros jogadores “secundários”.

Ainda que o Benfica não detivesse a totalidade dos passes de cada jogador, tudo junto dá uma bela “pipa de massa”.

No plano estritamente desportivo, esta debanda só pode dar mau resultado ou, pelo menos, não deixará o plantel mais forte. Há quem justifique esta venda compulsiva com as pressões de cada jogador para sair e também há que veja esta situação como a face mais visível das dificuldades financeiras que o Benfica poderá estar a atravessar.

Estando por fora de todo e qualquer processo, será sempre difícil acertar com exactidão nas razões que levam a tamanho desmantelamento de um plantel vitorioso. Porém teremos sempre um aliado… o tempo.

O tempo será responsável por nos explicar a razão da saída em cardume de tanta “truta”. E este defeso será fulcral para nos dar essa explicação.

Caso o clube seja capaz de atacar o mercado de transferências em força e revelando aquisições de monta para o plantel, poderemos inferir que o dinheiro encaixado com as vendas servirá para pagar compromissos financeiros, mas também para reinvestir no plano desportivo, reinventando o plantel, já que, falamos realmente de muito dinheiro.

Por outro lado, se daqui a té ao início de Setembro o clube mantiver a actual política de aquisição, ou seja, comprar o mais baratinho e desconhecido possível, aí sim, teremos a prova provada de um possível falhanço do actual modelo de gestão.

Verificando-se a segunda hipótese, poderemos sempre argumentar com o eventual realismo do presidente, face aos dias que vivemos, mas será pouco credível que Luís Filipe Vieira e a sua direcção tenham invertido tão bruscamente o caminho que seguiram na última década.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Leva só um, Lim.

Pérez dado como certo, Amorim e Urreta próximos da transferência, André Gomes e Rodrigo comprados em Janeiro, contactos por Jorge Jesus. O Lim do Valência não quererá levar o Vieira?

segunda-feira, 19 de maio de 2014

E agora, Benfica?

Garay, André Gomes e Rodrigo estão de saída. Luisão, Siqueira e Gaitán muito provavelmente também. Seria importante não sangrar mais a equipa titular, fazer regressar alguns bons jogadores que temos emprestados, dar oportunidades reais a 3 ou 4 putos com qualidade inquestionável e procurar, em sintonia com uma boa prospecção, contratar bem, com método e o mais barato possível.

Há um fundamental BiCampeonato para conquistar, para além das Taças que são sempre importantes e uma participação digna na Champions. Que não se perca a possibilidade de hegemonia por estarmos dramaticamente no risco vermelho em termos financeiros, é o que se pede a quem manda nos destinos do Sport Lisboa e Benfica.

sábado, 17 de maio de 2014

Peter Lim decide

Peter Lim adquiriu o Valência.

Na próxima época vamos ver o Rodrigo e A.Gomes a integrar o Valência ou a ficar a fazer trabalho de secretária na Sede do fundo em Hong Kong?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

E depois de Janeiro?



Fechou o mercado de transferências para a maioria dos países europeus de relevo – à excepção do mercado Russo que ainda permanecerá mais algum tempo aberto.

Nesta janela de transferências perdemos o nosso melhor e pior. Deixamos sair o mais importante jogador para o Chelsea, bem como foi interrompido o empréstimo de Bruno Cortez. Do lado das perdas, mas não saídas, ainda vimos ontem confirmadas as vendas dos direitos económicos de Rodrigo e André Gomes, sendo que ambos farão, pelo menos, a restante época connosco. Parece ainda haver a possibilidade de virmos a perder Garay para o Zenit durante o mês que agora inicia.

Perante isto que balanço desportivo há a fazer? Naturalmente não estamos, teoricamente, mais fortes em Fevereiro do que estávamos em Dezembro, ainda assim considero que temos um plantel perfeitamente capaz de atingir os objectivos a que o Benfica se propõe sempre.

Como já foi imensamente debatido, perder Matic significa perder uma pedra basilar de todo o nosso modelo de jogo, quer seja no plano ofensivo quer seja na vertente defensiva do jogo. A adicionar a este problema há o facto de não ser espectável que exista substituto à altura do Sérvio dentro do nosso plantel. Seguro é que não haverá no plantel quem faça aquela posição da mesma forma que o fazia Matic. Mas isto não é necessariamente catastrófico, pode apenas ser diferente. E se há coisa que todos temos que reconhecer a Jorge Jesus é a capacidade para arranjar soluções que sejam capazes de manter o nível competitivo da equipa, salvo raras excepções.

O actual plantel tem qualidade mais que suficiente para assegurar a conquista do título. Continuo a considerar que temos o plantel mais profundo de todos os candidatos, mesmo depois da saída de Matic. Há ainda que ter em conta os regressos próximos de Sálvio e Cardozo que somarão ainda mais qualidade e opções às escolhas do treinador.

Se a saída de Garay se efectivar durante o mês que decorre, penso que levantará um problema mais sério que a saída de Matic. Se no caso do médio se tratava de um jogador nuclear, mas cujas alternativas asseguram qualidade, ainda que de forma diferente, no caso do central Argentino acho que a coisa não se rege nos mesmos termos. Garay é, quanto a mim, o melhor central a actuar no nosso futebol e para o qual não temos, naturalmente, substituto a altura, nem tão pouco um substituto satisfatório. Jardel que continua a ser a 3ª opção para aquela posição continua sem me convencer, ou melhor, cada vez me convence mais que não tem qualidade suficiente para algum dia ser titular do Benfica. Há ainda Steven Vitória que fez uma excelente época pelo Estoril, mas que no Benfica ainda não passou de jogos na equipa B ou jogos para as taças na equipa principal, frente a adversários de menor relevo, ou seja, ainda não teve uma oportunidade/teste a sério na equipa, permanecendo assim uma incógnita.

Porém, ainda que percamos o central Argentino, continuaremos a ser os principais candidatos ao título, num ano em que o FCP se apresenta no seu pior e em que o SCP apresenta um plantel recheado de qualidade e juventude que tenderá a soçobrar, caso consigamos fazer o que nos compete: Colocar-lhes pressão em cima de pressão através das nossas vitórias.

Sim, somos o principal candidato ao título, porque temos o plantel mais profundo dos 3 e porque seguimos em 1º lugar. Mas esse favoritismo não se pode verificar ou ficar apenas nas palavras, esse favoritismo tem que ser confirmado lá dentro. Esse favoritismo não pode ser sinonimo da fanfarronice tão habitual e trágica dos últimos anos e do nosso treinador. Esse favoritismo não pode dar descanso, esse favoritismo tem que ser confirmado em todos os jogos a começar no de hoje!

A eterna metáfora

O regozijo generalizado dos benfiquistas com este negócio, não percebendo o que aqui está verdadeiramente em causa - vendas de jogadores a fundos, necessidade desesperada de fazer dinheiro por as contas estarem cada vez mais desgovernadas e obscuridades de negócio que só daqui a algum tempo conheceremos (Roberto diz-vos algo?) -, é a maior e melhor metáfora que explica estes 14 anos de apoio e autismo. 

Quem ainda não percebeu quem está a liderar o Benfica é normal que continue a olhar para o dedo enquanto o dedo aponta para a Lua.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

7 tiros sobre a boa vitória sobre o Porto

- É fácil dizer que «estava visto que com Oblak não sofreríamos golos» depois de acabar o jogo. Na verdade, qualquer das opções seria válida - se, por um lado, o puto vinha de 3 jogos consecutivos com boas exibições e baliza inviolada, por outro, a pressão e exigência de um jogo como o de ontem poderiam ter forçado Oblak a uma exibição menos conseguida. Artur não tem estado bem, é facto indesmentível, mas não estaria incapaz de responder de forma assertiva se tivesse sido chamado. Jesus arriscou, optando por aquilo que a maioria pedia - elogios, no entanto, por isso, porque se tivesse corrido mal facilmente seria alvo de críticas. Arriscou, deu-se bem e, agora sim, após este teste de fogo, parece-me de todas as formas justo que se mantenha o guarda-redes em quem se apostou e respondeu à altura. A qualidade superior de Oblak, essa, é visível há muito tempo, mesmo tendo em Artur um guarda-redes de qualidades evidentes. 

- O jogo não teve qualidade de explosão, não foi um festival de futebol glorioso, não desaguou em muitos golos, não foi daqueles que vão directamente para o panteão dos clássicos. Mas foi um jogo interessante do ponto de vista táctico. Jesus fez recuar, na primeira linha de pressão, os dois avançados para zonas mais próximas dos médios. Ou seja, deu liberdade aos centrais do Porto para trocarem a bola mas retirou-lhes as opções (sobretudo as do miolo). Digamos que a ideia de jogo do Benfica passou por direccionar a posse dos portistas: ou sendo forçados a sair pelas laterais ou obrigados a jogo directo. Resultou de forma exemplar na primeira parte, com o acrescento de ter em Markovic não propriamente um extremo mas uma espécie de interior que vagueava entre a linha e a zona central (Enzo compensava a saída de posição do sérvio). Num dos vários lances em que a pressão sufocante do Benfica a meio-campo conseguiu recuperar a bola, Markovic fez o que sabe fazer como mais ninguém que estava em campo: desequilibrou para golo. Primeiro, criando a dúvida (ninguém sabe o que pode sair dali), depois arrancou, feito menino d´oiro, para chegar à zona de decisão e decidir. Como quase sempre, Markovic decidiu bem e rápido. Rodrigo, onde é mais forte (trabalho de desmarcação em linha com a última barreira adversária e não quando joga mais recuado), saiu disparou no momento certo para de primeira rematar e fazer o 1-0. Este tipo de entendimento, se for mais vezes explorado, dará muitos mais golos. Basta ler.

- Como sabe quem me lê, nunca fui um indefectível do Cardozo como nunca o achei o diabo em campo. Reconheço-lhe qualidades óbvias, acho-o excelente para ter no plantel - sendo titular ou suplente utilizado, consoante a estratégia de jogo -, gosto dele, tem golo, é versátil, mas importa lembrar algo: o Benfica pode ganhar sem Cardozo. Mesmo que seja a uma equipa à qual raramente ganhamos. Os fundamentalismos, de um lado e do outro, nunca foram benéficos. Este é só mais um que se dispensa. 

- Este Porto é fraco. Este ano tenho visto poucos jogos dos portistas e ontem foi o primeiro que vi ao vivo. Fica mais fácil de ler uma equipa quando temos todo o enquadramento colectivo à nossa frente e não o que as televisões mostram. Sofre de pouca criatividade no miolo, obriga Fernando (que é, de facto, um bom jogador) a incursões para as quais não tem qualquer capacidade- Fernando não é Matic, mas é obrigado a isso num meio-campo que não tem ideias definidas, em que os automatismos existentes passam por tentar combinações laterais com os extremos e esperar uma desmarcação do Jackson. Moutinho faz-lhes falta. Moutinho faz-lhes toda a falta do mundo. Licá e Varela não correspondem, parecendo sempre sem saber se devem explorar a profundidade ou atacar as zonas centrais. Fonseca, que fez uma época soberba o ano passado (é bom não esquecer), está a fazer um trabalho aquém das qualidades que parecia poder desenvolver e o resultado é uma equipa que, se bem pressionada, hesita e demonstra não ter planos alternativos para chegar à baliza adversária.

- O Benfica, se tivesse feito o que lhe competia nesta primeira volta, teria hoje não 3 mas 7 ou 8 pontos de vantagem. Não é a olhar para a classificação ou para a liderança a meio do campeonato que se analisa a prestação de uma equipa; é vendo o que os adversários jogam, a qualidade de plantel que têm, sabendo a que nós temos e o que podemos fazer. Se o Benfica, este Benfica anémico, vence um campeonato em cada 5 e sempre que o Porto está fragilizado e não por ser melhor do que o melhor Porto, então talvez seja altura de no Benfica perceberem que este ano é o tal para aproveitar o facto de os portistas estarem em ano medíocre. Já que só vencemos pela falta de qualidade alheia, que ao menos a aproveitemos para ganhar uns títulos, que afinal tanto escasseiam.

- Soares Dias assinala falta; fiscal diz-lhe que não é falta; Soares Dias tem de marcar bola ao solo. O amarelo ao Enzo advém de um lance anterior. Ok, está compreendido. Agora só resta perceber qual a razão para o fiscal de linha ter achado que aquilo não é falta; o porquê de Josué não ter sido expulso num lance no qual nem amarelo viu; o porquê de não ter assinalado o penálti do Mangala e o penálti do Garay; o ter interrompido o lance que isolava o Jackson e a razão de ter deixado 4 amarelos a jogadores do Porto no bolso na primeira parte. Ou seja: foi provavelmente a pior arbitragem dos últimos 50 anos. Isto porque errou para os dois lados. Quando erram para um só lado, não se chama arbitragem, chama-se roubo.

- O Estádio da Luz existe para estar sempre cheio. Sempre. Não só contra o Porto, não só porque o Eusébio morreu. Que o fabuloso ambiente de ontem sirva para animar mais benfiquistas a voltarem a estar presentes. É que já andamos cansados de ver tanta cadeira vazia nos outros jogos todos. O Marquês constrói-se também com o Gil Vicente, com o Arouca, com o Freamunde, com o Sarilhense. Está na altura de ver alguém da Direcção entender isso e saber usar o cérebro para encher o estádio e de os benfiquistas sentirem gosto por ir ver futebol ao vivo. Não há nada mais emocionante, mais bonito e transcendental do que um golo do Benfica a acontecer à nossa frente.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Este gin-tónico leva duas rodelas de Lima

1) Regresso de Lima aos golos - dois e excelentes.

2) Enzo Pérez é o maior.

3) 4 anos depois, Jesus ainda não percebeu que consegue melhores oportunidades de golo e melhor futebol se jogar apenas com um avançado do que com dois. Hoje foi a lição nº 3241. De nada servirá. No próximo jogo, lá teremos a fórmula antiga.

4) O Benfica ganhou 3 jogos sem Cardozo. O importante aqui é perceber que teorias facciosas anti ou pró Cardozo são tontas porque extremistas. Nem Cardozo é insubstituível nem é totalmente dispensável. Há mais do que preto e branco no futebol.

5) Rodrigo marcou (numa oferta adversária), mas continua a fazer exibições fracas.

6) Enzo Pérez é o maior.

7) Fejsa é um óptimo jogador.

8) Raul José tem um telemóvel de 96.

9) Enzo Pérez é o maior.

10) Liderança pela primeira vez no Campeonato. Agora deixem-se estar aí, que a gente gosta.

11) Há quantos anos não estavam Benfica e Sporting à frente do Porto?



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Palha para romântico comer



No dia de domingo e no dia de ontem fomos presenteados com reportagens, mais ou menos exaustivas, elaboradas pelo diário desportivo “Record”. Uma sobre o “BenficaLab” e uma outra sobre as 5 “pérolas” que o Benfica tem na sua equipa secundária.

Numa altura em que as competições de clubes se encontram em stand by, por via do calendário das selecções, convém aos jornais ter matéria para encher páginas e vender edições e, numa altura de contestação interna e externa aos resultados da equipa, convém ao clube, à sua direcção fazer um pouco de propaganda com assuntos que entusiasmam, tentam mostrar eficácia na gestão actual mas que, comparando matérias semelhantes e comportamentos subsequentes, ameaçam não passar de meras capas de jornal. Basicamente temos aqui uma relação de simbiose, em que a direcção propagandeia a sua aparente eficiência e o jornal, Record ou A Bola dependendo dos momentos e conveniências, vende edições e ilusões.

A questão não reside na utilidade do tal BenficaLab, embora possamos sempre perguntar o porquê de existirem tantas lesões no plantel ou questionar, ainda mais veementemente, as afirmações de Jorge Jesus no final do jogo com o PSG sobre Ibrahimovic, muito menos se coloca em causa a valia dos jogadores apresentados como as estrelas do futuro do clube. Se no primeiro caso demonstra organização, ou pelo menos uma tentativa disso, no segundo nem era preciso o Record para nos apercebermos da qualidade dos nossos meninos, aliás, basta observar 2/3 jogos da equipa B e facilmente nos saltará à vista a qualidade dos referidos jogadores, essencialmente de Cavaleiro, Bernardo Silva e Cancelo.

O problema deste tipo de modus operandi é o facto de se ir tornando repetitivo e, por isso, fácil de desmontar através da analogia que se pode fazer com o passado ou mesmo observando com atenção o que foi feito na construção do plantel actual.

Muitos se lembrarão das infinitas linhas de jornal que se escreveram quando se ia renovando contractos com jogadores como Miguel Vítor, Nelson Oliveira, Miguel Rosa entre tantos outros. Por aqui, facilmente perceberemos a esterilidade destas situações. Qual destes jogadores foi aposta do Benfica? Nenhum! Miguel Vítor foi posto de parte perante Jardel e mesmo perante Roderick (com quem o Benfica RENOVOU contrato em JANEIRO deste ano, mesmo depois de já se perceber que não havia ali qualidade para o Benfica, tendo-o dispensado no final da época passada); a Miguel Rosa de nada lhe valeu os inúmeros golos marcados pelo Belenenses durante os 2 anos de empréstimo que teve, nem sequer as boas exibições e nova enxurrada de golos pela equipa B, sendo dispensado pelo clube que tanto aposta nos jovens… estrangeiros; a Nelson Oliveira, internacional A por Portugal, de nada valeu ser formado no clube e, está mais que visto, perdeu a corrida com Rodrigo, ainda que este não tenha mostrado nada a mais que o jovem luso no plantel do clube, restando-lhe apenas andar de empréstimo em empréstimo, definhando em clubes de menor nomeada até ao dia em que será dispensado pelo clube. 

Podemos argumentar com uma hipotética falta de qualidade demonstrada pelos exemplos citados nas parcas oportunidades que lhes foram dadas (no caso de Miguel Rosa, não foram muitas nem poucas, apenas não existiram), mas pergunto: Que seria de jogadores como Di Maria ou David Luiz se lhes tivessem sido dadas as mesmas oportunidades? Ou estes, como outros, mal entraram na equipa demonstraram a qualidade que têm hoje? Ou, por exemplo, Di Maria não andou 2 anos a demonstrar tanto talento quanto inconsistência? E Rodrigo que ainda vive à sombra do que foi capaz de demonstrar nos primeiros meses de Benfica? Qual a diferença de Di Maria e Rodrigo para os que foram formados no clube? Simples, os milhões que custaram e que era preciso justificar a todo custo, daí o tempo que, muito bem, lhes foi dado para irem evoluindo.

Gostaria de ilustrar esta discrepância de tratamento e aposta com mais 2 casos do actual plantel, falo de Markovic e Ola John. No caso do holandês, que diferença há entre ele e Ivan Cavaleiro, por exemplo? No caso do primeiro, estreou-se pelo clube com 20 anos, no caso do segundo leva 19 anos e, apesar de já estar na 2ª época em bom nível na equipa B, ainda não teve qualquer oportunidade na primeira equipa (talvez surja com o Cinfães). Analisando Markovic, que brota talento por todos os poros do corpo, mas que ainda está longe de apresentar uma consistência exigível para o nível do Benfica, tem 19 anos, pergunto: Que há de diferente entre o Sérvio e Bernardo Silva, também de 19 anos? 

Mais uma vez, por estes e tantos outros exemplos, se vê que a tal aposta na “prata da casa” (digo eu que é mais “ouro da casa”) é uma falácia, porque se não for o argumento da qualidade apresenta-se o argumento da idade, ignorando que é vasta e longa a lista de jogadores que se estrearam e brilharam na primeira equipa do Benfica jogadores de tenra idade, tendo-lhes sido dado o tempo e as oportunidades necessárias para a sua evolução, assim haja vontade (€).

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um plantel para o vice-tetra

Agosto, a poucos dias de começarmos oficialmente a época. Falta-nos muita coisa. Falta-nos isto:


- Um guarda-redes

Não há qualquer dúvida sobre o acrescento de qualidade que Artur trouxe ao Benfica depois de termos tido um guarda-redes medíocre - que comprámos por 8,5 milhões de euros, fingimos que vendemos por 8, 6 milhões de euros mas afinal só conseguimos vendê-lo, dois anos depois, por meio-Pizzi - ao que parece, meio-Pizzi vale 6 milhões de euros. Discutível, claro. O que não é discutível é que, mesmo aceitando que meio-Pizzi vale 6 milhões de euros, com o negócio Roberto perdemos uma época (e títulos e títulos) e 2,5 milhões de euros. Mais um negócio magistral. 

No entanto, Artur na época passada demonstrou dar-se mal com dois aspectos: não ter, dentro do plantel, competitividade séria (Paulo Lopes funciona como corpo presente para Jesus, nada mais) e cometer erros graves em muitos jogos dos chamados cruciais. Qual a solução? Acredito que continua a passar por dar a titularidade ao brasileiro, desde que haja, dentro do plantel, uma solução de qualidade superior, de preferência ainda a evoluir e mais novo. Nós tínhamo-la: Oblak. Por algum - mais um - obscuro motivo, Jesus tratou logo de resolver a equação e neste momento ninguém sabe qual o paradeiro do guarda-redes. Sendo assim, há que ir buscar outro. Um Artur sem alguém que o obrigue a estar sempre ao mais alto nível é insuficiente. 


- Um central

Mitrovic já se viu que ainda não tem qualidade para ser jogador do Benfica - parece-me que nunca a terá, mas deixemo-lo evoluir na equipa B para podermos depois tirar conclusões definitivas. Jardel é o que se sabe: um central medíocre que não serve para a equipa principal - o ano passado, aquando do castigo de Luisão, várias foram as vezes em que aqui alertei para os erros constantes de Jardel; como não deram muitos golos adversários e a malta queria era apoiar muito na internet, dizia-se que não, que Jardel cumpria e muito bem. Depois o final da época, nos momentos em que se define quem pode ou não jogar no Benfica, Jardel continuou a cometer erros - desta vez com consequências trágicas. É o resultadismo no seu melhor. Parece que Jesus também não achou tudo isso que grande parte dos adeptos acharam e portanto tenta agora despachá-lo - tudo o que for acima de 2 milhões de euros é metê-lo em correio azul. 

Sendo assim, restam Luisão, Lisandro e Vitória (Garay estará de saída, inevitavelmente). Ora, Vitória servirá, se tanto, para 4º central; Luisão será o titular; de Lisandro resta saber se pode dar titular ou ser o terceiro. Falta um central, é evidente. E de qualidade acima da média. Não o comprar/pedir emprestado/recuperar do vasto lote de jogadores sob contrato será mais um clássico erro que, no fim, terá o pagamento em... falta de títulos.


- Um lateral-esquerdo

Melgarejo, depois de uma época a aprender (só mesmo no Benfica é que se aposta em defesas que começam as épocas a aprender a defender), lá chegou a Março com um nível razoável para a função. Depois foi encostado nos últimos jogos (apoiem, não questionem!) e agora está na fila de espera para ser emprestado (não questionem, apoiem!). Temos então Cortez e Sílvio. Ora, Sílvio dará para ser titular revezando-se com Maxi à direita; na esquerda, como recurso. Cortez... não serve (mais um defesa que vem aprender a defender; este, ao contrário de Melga, já não aprenderá mais nada porque o que tem a aprender é demasiado complexo para aquilo que ele, aos 26 anos, pode aprender). Falta lateral-esquerdo titular - onde é que já ouvi isto?


- Um pivot defensivo

Matic estará de saída, mas mesmo sonhando com a sua permanência continua a faltar outro médio defensivo capaz de entrar e garantir qualidade. Amorim é um 8, a 6 não cumpre o que o modelo do Jesus exige para a posição; Almeida poderá dar um bom pivot se for sendo testado ali e não a fazer posições de defesa - tem de especializar o seu jogo a médio, pode ser esta época, mas ainda não garante o que o Benfica precisa, sobretudo porque Matic estará mesmo de saída. Falta um médio defensivo, é também evidente. Se puderem, tratem do assunto. 


- Um ponta-de-lança

Com a saída de Cardozo (sairá, não sairá? treina em Sesimbra ou treina no Seixal? vendem-no pela cláusula ou a um décimo disso?), resta-nos Lima e Rodrigo. Lima funciona se tiver à sua frente um Cardozo - colocá-lo como homem mais avançado é retirar-lhe todo o talento que tem e desvirtuar-lhe o jogo; Rodrigo, ao contrário do que o Jesus anda a fazer com ele há anos a fio, onde rende é a ponta-de-lança. Como já percebemos, se ficarem só os dois ou joga só um apoiado por outro jogador (Markovic, Djuricic, Gaitán, Sulejmani) ou jogam os dois, mas trocados em relação ao que são as suas posições naturais. Um jogador letal, mais posicional mas não só (Cardozo está longe de ser só um "pinheiro"), capaz de, com a sua movimentação na área adversária, favorecer o dinamismo dos médios e extremos, é o que se pede. Precisamos de um Cardozo. Se querem despachar este, encontrem outro. Mas aviso-vos já que não será tarefa fácil.


- Um Presidente

Era preciso que houvesse no seio dos benfiquistas a noção de que este não serve. Não havendo, resta-nos ir mostrando todos os dias quem é este senhor apoiante de corruptos, incompetente, comissionista, teimoso, mentiroso, incapaz de levar o Benfica ao sucesso desportivo. De forma simples: com Vieira a Presidente, o Benfica ganhará apenas títulos esporádicos - a fórmula "1 título em cada 5 anos" é mesmo ao máximo a que se pode almejar. Pelos vistos, serve para a maioria. E, como todos sabemos e a História política e desportiva sempre estará aí para quem quiser conhecer, as maiorias têm sempre razão. Logo, mais um campeonato para o caralho. Para o ano há mais.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ainda o mercado

São cada vez mais e maiores as certezas de que Óscar Cardozo, jogador que nunca foi o meu ídolo, sairá do clube para rumar ao Fenerbahce. À esta notícia vem sempre indexado o suposto interesse do Benfica em mais um avançado para colmatar a vaga deixada em aberto pelo Paraguaio.

Paralelamente a isto, também se adensam os rumores e certezas de que Nelson Oliveira será, novamente, emprestado, desta vez para Inglaterra.

São dois factos que, ao acontecerem ao mesmo tempo me intrigam. Se Cardozo sair mesmo, seja lá para que clube for, no plantel ficam Lima e Rodrigo para a posição de ponta-de-lança, sendo que, teoricamente, o brasileiro partirá na frente para assumir a titularidade na maior parte dos jogos, havendo em Rodrigo uma alternativa seria e com capacidade para, nos melhores momentos, colocar em causa a titularidade de Lima. 

Analisando o que vai ser a época, através do que tem sido a pré-temporada, podemos ver que Jorge Jesus tenderá a utilizar apenas um avançado de raiz, colocando nas suas costas Djuricic/Sulejmani/Gaitan. Sendo assim, jogando com apenas um avançado de início, o plantel ficará curto se possuir apenas dois, sendo compreensível a entrada de um avançado no caso de saída de algum dos existentes. 

Se a ideia for a de contratar alguém já de créditos firmados e que chegue para jogar no imediato, veremos Rodrigo relegado para um papel subalterno, logo, com poucas oportunidades de evolução e, talvez, muita insatisfação à mistura. Por outro lado, se a ideia for a de encontrar uma 3ª opção, isto é, alguém jovem, com potencial, mas ainda sem “estatuto” suficiente para colocar em causa os “estatutos” de Lima e Rodrigo, fica-me a pergunta: Para quê gastar dinheiro que poderia ser canalizado para outras necessidades bem mais prementes, quando se vai emprestar Nelson Oliveira?

Considero todos os pressupostos inerentes ao empréstimo do Nelson Oliveira errados. 

1 – O local e clube para onde será emprestado: Mais uma vez, o jovem será emprestado para o estrangeiro, para um campeonato que nada tem em comum com o nosso, para um clube com um estilo de jogo completamente diferente do nosso e com um avançado no plantel como Peter Crouch, ou seja, com hipóteses reduzidas de titularidade.

2 – O empréstimo em si, se vendemos Cardozo e achamos que há necessidade de contratar alguém para o seu lugar, porque não se dá oportunidade a quem sai a custo 0?

3 – Já fui muito “criticado” por defender tanto uma oportunidade séria para o Nelson no Benfica, mas para lá da qualidade individual do jogador, que acho ter muita, decidi analisar dados objectivos, comparando a sua situação com a de Roderick:

                3.1 – Ambos participaram no mundial sub20 de 2011, em que Portugal foi vice-campeão, tendo sido ambos titulares absolutos dessa equipa. Já nessa competição, ficou bem vincada a fraca qualidade de Roderick por oposição a Nelson que foi eleito como um dos melhores do torneio, à frente até de Rodrigo.

                3.2 – Depois disso, Roderick seguiu emprestado para o Servette da Suíça, enquanto Nelson Oliveira ficou no plantel onde, por exemplo, viria a marcar um golo na Liga dos Campeões frente ao Zenit na Luz, numa das poucas oportunidades que teve.

                3.3 – Na época seguinte, foram ambos emprestados para o Deportivo da Corunha, onde ambos pouco jogaram. Consequência? Roderick foi “resgatado” a meio da época passada tendo vindo ainda a tempo de ajudar no titulo do… FCP. Por outro lado, o Nelson, mesmo sabendo-se que pouco jogaria e que nem estava a ser o melhor profissional, continuou emprestado e longe do clube, onde poderia ser “controlado” de outra forma.

                3.4 – Apesar de todos os erros, apesar de já se ter visto o suficiente para se perceber que jamais Roderick será jogador para o Benfica, este vai tendo oportunidades atrás de oportunidades, enquanto Nelson Oliveira ou Miguel Rosa são despachados para longe.

São estas questões que nunca percebi no Benfica de Jorge Jesus e que, quanto mais vejo, menos entendo… ou, talvez, menos queira entender!