terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Capristanos – Do Lado do Poder, Nunca do Lado do Benfica

Domingo ao final do dia resolvi ouvir o programa da CMTV denominado “Crise no Benfica”.

Lá estavam Vasco Mendonça, João Malheiro, Diamantino Miranda, José Manuel Capristano e António Salvador, a falar sobre o momento actual que se vive no clube. Isto ainda antes do jogo com o Farense.

Tinha de escrever sobre isto mas havendo jogo do Benfica respirei fundo e decidi só abordar este assunto no dia seguinte – Ontem. Mas lá veio o empate em Faro e tive de respirar fundo durante mais 24 horas.

Não irei falar sobre os novos defensores do #VieiraRua. Não irei falar do “boletim informativo” que o Vasco Mendonça dizia não receber. Irei sim ter obrigatoriamente de falar do José Manuel Capristano.

Este senhor é o mais perfeito exemplo do tipo de pessoa que está sempre do lado do poder, que defende sempre o status quo e que não tem em si uma pontinha de massa critica. Este é o benfiquista que não merece representar o clube, seja como dirigente ou como “comentador desportivo”. É o dirigente do Vale Azevedismo e um comentador fruto da Vieira TV. Sim, estes dois mundos vivem lado a lado de mãos fortemente dadas.

Vamos então escrutinar a participação deste Capristano. Pode ser cansativo pela falta de conteúdo e atropelos lógicos que a cabeça dele apresenta.

- Jornalista “José Manuel Capristano concorda que o maior responsável desta crise de resultados do Benfica é Luís Filipe Vieira?”

- José Manuel Capristano “Obviamente que não. O senhor que o disse parece estar em campanha eleitoral. Os senhores que perderam as eleições há 4 meses parecem não aceitar a derrota. Todos os candidatos na altura disseram que manteriam o treinador logo o treinador foi consensual a todos e então agora que as coisas não correm bem é o presidente, é a direcção, disparam em todas a direcções."

Começa bem. Quem critica a direcção está em campanha eleitoral. É assim que funciona este ser acrítico ao poder.
De seguida atropela-se. Caro Capristano, os candidatos não disseram que eram a favor da contratação do Jorge Jesus. O que disseram foi que já que estava contratado não o iam despedir em Outubro só porque ganhavam as eleições. Percebe a diferença?
E já agora, lá porque “foram consensuais” quanto ao treinador então não podem disparar ao presidente e a direcção? Querer defender o indefensável dá nisto.

- “Às vezes faz-me confusão as pessoas não pensarem que os benfiquistas têm muito mais coisas que os une do que coisas que nos desune. Os nossos adversários não podem estar dentro do clube, devem estar em outras áreas: no Sporting, no Porto, no Braga...”

Pois não podem. Mas estão. E se o Capristano gastasse mais tempo a olhar para dentro do seu clube e menos para fora já o teria percebido.

- Jornalista “Para si se não é de Vieira de quem é a culpa?”

- JMC “Olhe ainda hoje li aqui coisas sobre o Covid. O elemento fundamental do Jorge Jesus é o treino e ele não treina. Ele agora tem 3 centrais, podia treinar os 3 centrais noutro sistema táctico mas não tem tempo para treinar. Repare bem, o Benfica jogou Quinta-Feira em Roma, chegaram a Lisboa na madrugada de Sexta, Sábado partem para Faro para jogar no Domingo. Esta calendarização está correcta? Árbitros? Querem que diga os árbitros? Mas isto é que são coisas que os benfiquistas deviam com veemência protestar.
E estes senhores não veem isto que a gente vê? É atacar o Benfica atacar o Benfica? Isto é que é ser benfiquista?”

Cá está. Se o Benfica está bem é o presidente que tem uns grandes tomates. Se o Benfica está mal a culpa é das arbitragens, da calendarização, do Covid, do azar e dos astros. O trabalho de quem dirige o clube é sempre espectacular.
E quando o Capristano diz que é sobre estas coisas que os benfiquistas deviam protestar com veemência faz-me logo lembrar os outros da BTV. Mesmo discurso.

Portanto a culpa é do Covid. Porque sim, faltou sustentar. Porque não tem sustento.
A culpa é da calendarização que não permite ao Jorge Jesus treinar uma táctica com 3 centrais. Pois bem, o Jorge Jesus não tem só 3 centrais agora. Se o Jorge Jesus quisesse treinar uma táctica com 3 centrais já o podia estar a fazer desde Julho. Se era tão crucial mais um central porque esperar pelo dia 31 de Janeiro? E o mercado de Verão? E se o treinador não tem tempo para treinar este esquema táctico como o usou contra o Arsenal? E se quer usar este esquema táctico como base, porque não o usou com o Farense? Onde está a sua lógica Sr. José Manuel Capristano?
E já que é para bater na calendarização tão absurda e incorrecta, saberá o Sr. Capristano que o Benfica não jogou em Roma sozinho? Que o seu adversário também se deslocou a Roma? Que o seu adversário também jogou Domingo mas 4 horas antes do Benfica? E que jogou não contra um Farense a lutar pela manutenção mas sim contra um City dominador no 1º lugar?

Mas lá está Sr. Capristano. É falar por falar. É fazer barulho para branquear. É nunca sustentar porque não há qualquer sustento.

 - Jornalista “ José Manuel Capristano como é que entende o facto de Vieira ainda não ter vindo dar uma explicação sobre estes maus resultados?”

- JMC “Então se o Rui Costa que é vice-presidente há 2 semanas fez declarações públicas então passado 8 dias vai o presidente falar por cima do Rui Costa? Não faz sentido”

Só para ser um pouco picuinhas, vou lembrar que nem 2 semanas são 8 dias nem o Rui Costa tinha falado há 2 semanas mas sim quase há 3.
E para descascar esta lógica da batata basta dizer que o presidente, o líder, é o Vieira e não o Rui Costa. Os vices é que não têm de falar por cima do presidente. Portanto o Vieira tinha obrigação de não andar escondido, de já ter falado fosse antes do Rui Costa, no lugar do Rui Costa ou já depois do Rui Costa.

 - JMC “Eu só chamo a atenção que está-se a pôr tudo em causa por estarmos mal no futebol. Mas eu pergunto, o Real Madrid está bem? O Barcelona está bem? Há lá convulsões como aqui? O Liverpool foi campeão o ano passado está bem? Ainda hoje perdeu 2-0 com Everton. Por amor de Deus, põe-se tudo em causa.”

Debitar cartilhas sem sequer se pensar no que se diz dá nisto.
Primeiro esta ideia de que o facto de um grande clube europeu não estar bem relativiza um mau momento do Benfica. Tudo serve para se ser acritico. Não importam contextos, não importam motivos e nem sequer importa a realidade. Importa desculpabilizar.
O Real Madrid está bem? Não. Mas não está a 15 pontos (na altura 13 pontos) da liderança. O Barcelona está bem? Está péssimo. Mas sim, há convulsões como aqui. Maiores até. Não basta falar de cor Sr. Capristano.
Sim o campeão Liverpool não está bem. Mas vamos ter em conta a razia de lesões que desde o inicio da época têm arrasado a defesa da equipa? Ou vamos só dizer que não está bem? Vamos sublinhar o facto de serem os campeões em título ou vamos ignorar isso? É que a comparação sai ao lado quando diz que o Liverpool é campeão pois o Benfica não é. Há 2 anos o Liverpool foi campeão europeu e no ano passado foi campeão inglês depois de um jejum de 29 anos. Ia o clube estar em convulsões por este ano o campeonato não estar a correr bem?

- JMC “Por isso é que sou grato, eu sei como é que o Benfica estava quando o Luís Filipe Vieira lá chegou e sei como é que o Benfica está.”

Vou só corrigir um pouco esta afirmação. O senhor não sabe como o Benfica está nem sabe como o Benfica estava quando lá chegou o Vieira, o que o senhor realmente sabe é como entregou o clube ao Vilarinho – isto sim o senhor Capristano sabe.

- JMC “Vejam o que acontece nos grandes clubes europeus, não é só no Benfica. E agora eu pergunto, o Sporting há 19 anos não ganha nada. Já tinham morrido todos. Com esta filosofia que o Benfica está mal, o Sporting esteve mal 19 anos então já tinham desparecido. Aí estão eles na ribalta agora. Tenhamos paciência, sejamos sensatos. O Benfica não pode ganhar sempre. Mesmo assim nos últimos 10 campeonatos o Benfica ganhou 5 e o Porto outros 5. Isto é muito mau? Por amor de Deus.”

Respirar mais um pouco...

Este senhor realmente recorreu ao Sporting para banalizar os nossos insucessos? Este senhor realmente usou o exemplo do Sporting que ficou 19 anos sem ganhar nada para dizer aos benfiquistas que também devem ter paciência. Eu acho que ele não faz ideia sequer daquilo que diz.
Acho não. Sei que não faz. Alguém diga a este senhor que o Dias da Cunha já não é o presidente do Sporting. Alguém o informe quantos presidentes, dirigentes e treinadores caíram naquele clube nos últimos 19 anos. Alguém lhe diga que a contestação a Vieira é uma brincadeira quando comparada com aquela que o actual presidente do Sporting – Frederico Varandas – sofreu nos seus 2 anos e meio de mandato.

Pelas palavras de Capristano ficamos também a saber que a bitola deste Benfica super consolidado é dividir a meio os campeonatos com um Porto falido e intervencionado pela Uefa.

- JMC “Só para dizer o seguinte. O outsider é o Sporting. Se o Sporting tem feito a campanha do costume estaria em 4º lugar. O Benfica está a 3pts do Porto e a 2pts do Braga”.

Não diz uma coisa inteligente. Não diz uma coisa com conteúdo. Não diz uma coisa que engrandeça o Benfica.

Ficamos então a saber que o Benfica estar 3pts do Porto e a 2pts do Braga é algo com que este senhor vive bem. Mas mais engraçado é fazerem-se estas contas ao campeonato tirando pontos a quem o lidera. O Sporting não devia contar para esta discussão porque está a fazer demasiados pontos. Não é que o Benfica devesse fazer muitos mais pontos, os pontos do líder do campeonato é que não deviam ser considerados.

- Vasco Mendonça “Eu tenho a sensação que se ficarmos aqui mais 2 ou 3 horas com o Sr. Capristano nós vamos descobrir que também perdemos o Penta por causa da Covid-19, eventualmente vamos descobrir que a primeira variante do vírus não apareceu na China mas em Portugal aqui há uns anos. Ou que se calhar foi por isso que fizemos repetidamente figuras tristes contra o FC Porto nos últimos anos.”

- Jornalista “Quer responder a Vasco Mendonça?”

- JMC “Não vale a pena. Ele acusa as pessoas inclusivamente está-me a chamar atrasado mental. Quando diz que eu penso que a Covid não vem da China e que começou em Portugal... Não vale a pena. O sr. Vasco Mendonça defende a sua dama e eu tenho o direito de defender outra dama.”

E agora vem a vitimização. O usual também. A parva da vitimização.

Mas só quero lembrar ao sr. Capristano que não é suposto andarem a defender damas mas sim o Sport Lisboa e Benfica. O suposto não é benfiquistas andarem a defender os seus presidentes mas sim o seu clube. Mas o Sr. Capristano não sabe fazer essa distinção.

- JMC “Deviam dizer é aquilo que eu digo. Cuidado com as arbitragens, estamos a ser roubados”.

- VM “Esses boletins informativos do Carlos Janela epa tenha paciência. Eu conheço isso tudo de uma ponta à outra. Recebi o boletim informativo semanalmente”.

Aqui esperei ver o Capristano negar a existência da cartilha, desmentir que a segue. Mas não. Não o fez. Deixou passar.

E o José Manuel Capristano termina a sua participação a dizer ao João Malheiro:

“Não recebo lições de benfiquismo do senhor.”

Pois não sei se recebe ou não lições de benfiquismo do João Malheiro. Mas talvez devesse. Do João Malheiro ou de qualquer outro benfiquista. É que lhe falta muito benfiquismo na palavra, no pensamento, na preocupação e no comportamento.

Mas percebo. Quem andou a defender o Vale e Azevedo até este cair, fará o mesmo com o actual presidente enquanto este lhe der guarida. É que não é o benfiquismo que o move, é a atracção pelo poder instaurado.

E sendo o Capristano um perfeito exemplo do que o Vieirismo alberga, já passou da hora dos benfiquistas se questionarem se quem nos dirige se preocupa com o clube ou somente com os seus compadrios.

É que apesar de este Capristano ser único, há dezenas e dezenas de outros Capristanos por aí.




Agora Sobre Faro

 Mais uma desilusão a juntar a tantas outras. Não é que o Benfica tenha sido inferior ao Farense (nem nunca poderia ser), não é que não tivéssemos tido oportunidades para vencer o jogo. Não conseguimos simplesmente é ser de tal forma superiores que não só vencemos o jogo como o vencemos sem contestação possível.


Por vezes ganham-se jogos jogando-se ligeiramente mais que o adversário. Por vezes ganham-se jogas jogando-se menos que o adversário. Mas sequências vitórias não se conseguem nesse limiar. Campeonatos não se ganham se não formos consecutivamente muito superiores aos adversários.

E assim saímos de Faro com um 0-0. Um jogo onde fomos melhores e podíamos ter vencido. Um jogo onde não fomos claramente superiores e poderíamos ter perdido.

Com bola este é um Benfica completamente sem identidade, sem criatividade ou imaginação. Continua a ser. Jogadores como o Pizzi, o Waldschmidt,o Pedrinho e o Chiquinho, continuam sem grande espaço nesta equipa. Logo os homens do espaço – aqueles que o criam, exploram e o fazem render.
Ao invés disso o Benfica faz depender todo o seu jogo ofensivo da individualidade de Taarabt e Rafa. O marroquino desgastado – física e mentalmente – pelas suas tarefas defensivas, vê-se obrigado a ser a mente esclarecedora para conduzir bola até ao ataque e definir o último passe. O português entre os piques defensivos, tem a responsabilidade de sozinho guiar a bola até à zona de finalização, falhando constantemente na finalização e acabando sempre por desaparecer do jogo com o passar dos minutos.
Jorge Jesus insiste no Everton, um talento que o treinador não está a saber rentabilizar, um jogador presentemente com pouca produção e claramente a movimentar-se por terrenos que o afastam do seu melhor.
Jorge Jesus insiste na dupla de pontas de lança Seferovic/Darwin. Não funciona, não traz qualidade ao jogo da equipa e é facilmente controlada. Darwin continua em sub-rendimento e também aqui Jorge Jesus está a falhar no treino e compreensão do jogador.

Mas o que mais me desiludiu em Faro foi mesmo o jogo sem bola da equipa.

Num texto publicado no dia 20 de Fevereiro elogiei a evolução que se via no jogo colectivo da equipa em termos defensivos. Notava-se um melhor posicionamento dos jogadores quando a equipa actuava sem bola, surgindo um colectivo mais equilibrado.

https://www.facebook.com/OntemViTeNoEstadioDaLuz/posts/3680806155321194

Isso não se viu neste jogo. A alteração de laterais – logo quebra do processo – não ajudou. Mas principalmente o que ficou evidente foi o quanto o equilíbrio da equipa neste momento está dependente da presença e posicionamento do alemão Julian Weigl.

Sem ele em Moreira de Cónegos a equipa esteve mais perto de perder do que de vencer. Sem ele em Faro o meio-campo esteve em constante desequilíbrio e os jogadores do Farense foram diversas vezes encontrando o espaço que procuravam para tentarem criar jogadas de ataque.

Weigl foi durante largos meses contestado. Basicamente todo o ano de 2020. Era ele a causa de o Benfica ter perdido o título 2019/20. Era ele um dos principais nomes para se vender em Janeiro deste ano.

Se hoje algo de positivo temos no nosso Futebol é a afirmação de Weigl.

De incompreendido passou a crucial. Um dos grandes problemas do planeamento desta época está mesmo no facto de não haver cobertura ao alemão – por onde andais Florentino?

Contudo, supostamente “Se o Matic não jogar... joga o Manel”.
E por isso também me desilude Jorge Jesus - sabe e é capaz de fazer muito melhor.

Jorge Jesus tem de provar já o seu valor. Com olho no Rúben Amorim tem de se manter na luta com o Sérgio Conceição e o Carlos Carvalhal. Caso contrário o seu arrasar será somente uma disputa com o Pepa.



sábado, 20 de fevereiro de 2021

Jorge Jesus e o Jogo sem Bola

 

Esta sempre foi uma das principais características do treino de Jorge Jesus. Foi na qualidade do jogo sem bola, tão mal trabalhado no Brasil, que Jorge Jesus se começou a destacar no Rio de Janeiro. Foi a qualidade do jogo sem bola que tanto marcou o Benfica de Jorge Jesus de outros tempos.

Equipa sem bola - capacidade de pressionar com as linhas mais próximas e principalmente qualidade de posicionamento.
Na sua primeira passagem pelo Benfica uma das marcas de Jorge Jesus era defender bem com poucos. Isto acontecia porque todos os jogadores sabiam como se posicionar tanto no momento ofensivo como no momento defensivo. Havia um conhecimento colectivo de como cada um se devia posicionar e movimentar nas mais variadas fases do jogo e com isso surgiam sempre compensações tacticamente perfeitas entre os vários jogadores.
A equipa jogava equilibrada mesmo no próprio desequilíbrio do seu jogo.

Este jogo sem bola e este aprimorado posicionamento defensivo é algo que tem faltado ao Futebol do Benfica desde Julho de 2015. Esta era a primeira e principal evolução que esperava ver neste novo Benfica de Jorge Jesus. E durante meses andei bastante decepcionado.

Se recuarmos até Agosto Iremos deparar-nos com alguns sinais positivos.
Depois de todos aqueles jogos-treino longe do olhar dos adeptos, de onde nos chegavam vários relatos sobre uma quase violenta pressão sobre os posicionamentos de Rúben Dias, vieram os amigáveis na Luz contra o Bournemouth, Braga e Rennes.

Nessa altura fiquei com excelentes perspetivas para esta época do Benfica. A espaços foi possível ver uma boa pressão sobre o adversário, uma defesa sempre bem posicionada com a linha de fora-de-jogo controlada e uma equipa totalmente equilibrada a jogar com 10. Eram sinais já de grandes melhorias face ao que tinha ocorrido nas temporadas anteriores.

Mas a verdade é que este momento de maior esperança não teve grande seguimento. Durante toda a primeira metade da época não voltámos a ser uma equipa bem posicionada defensivamente e nem forte no jogo sem bola.

É preciso aqui realçar o duro golpe que foi a saída do Rúben Dias. O central era já a voz de comando daquela defesa, foi o principal foco de evolução na pré-época com o Jorge Jesus e quando saiu chegou um Otamendi trapalhão e completamente alheio ao processo defensivo.

Qual é a boa noticia no meio disto tudo? Qual a boa noticia mesmo em jogos menos conseguidos e em resultados menos satisfatórios como foram o de Moreira de Cónegos e o de Roma (contra o Arsenal)? A equipa defensivamente está muito mais compacta do que estava até ao inicio deste mês.

Isto reflecte-se na subida de rendimento tanto do Otamendi como do Verthongen. Reflecte-se na exibição de Moreira de Cónegos onde durante quase 70 minutos a equipa jogou em total equilíbrio não dando espaço ao Moreirense para atacar. Reflecte-se na exibição com o Arsenal onde quase todo o jogo a equipa esteve sempre muito activa na limitação do espaço onde o adversário poderia progredir e criar.

A equipa continua muito limitada na qualidade com bola, no processo ofensivo e capacidade de criar desequilíbrios nas defesas adversárias.
Mas nota-se uma clara evolução defensiva no nosso processo de jogo.

Infelizmente em Moreira de Cónegos esta evolução exigiu um maior condicionamento dos movimentos dos laterais, o que nos roubou (na primeira parte) capacidade de dar profundidade aos corredores. Além disso a saída do Weigl acabou com todo o equilíbrio da equipa.
E infelizmente em Roma esse equilíbrio exigiu uma adaptação táctica para 3 centrais e também a um quase abdicar de atacar.

(Nada contra a jogar com 3 centrais, contudo na Liga Europa foi uma excepção de cariz unicamente defensivo)

Há uma evolução na equipa. Espero vê-la ainda mais consistente agora no jogo com o Farense e acompanhada por uma melhor capacidade da equipa em ter bola e criar jogadas de perigo ofensivo.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Desconecta BTV

 

Ontem de madrugada acordei meio atordoado. Alheio às horas liguei a televisão sem saber bem com que intenção.

Não eram ainda 4 da manhã e o Benfica tinha jogado com o Famalicão no inicio da noite do dia anterior. A verdade é que aquela segunda parte deixou-me deprimido e assim que acabou o jogo afundei-me no Youtube até adormecer.

Por isso quando ligo a televisão esta encandeia-me com BTV. Estava a dar o programa Chama Imensa.

Apesar da vitória o Benfica vinha de uma sequência de maus resultados, pouco futebol, eliminação da Taça da Liga e com uma desvantagem de 11pts para a liderança do campeonato. Apesar da vitória frente ao Famalicão, este foi mais um jogo pouco conseguido: bom arranque com dois golos logo a abrir, depois 30 minutos a controlar os espaços e por fim 45 minutos a ver jogar.

Assim deixei-me a ouvir o que na BTV, perante o contexto actual do nosso futebol, se estaria a dizer.

No momento deu-me um impulso imenso de vir aqui desabafar mas... 4 da manhã. E apesar das 36 horas já passadas, não tenho como não soltar aquela experiência aqui em palavras.

Apanhei o finalzinho da intervenção de um João Diogo onde falou do Porto, de arbitragens e de penalties. Deu-me logo um nó.

De seguida o jornalista da BTV passa a palavra para um tal de António Bernardo, perguntando-lhe se sobre o Porto e a arbitragem tinha algo a dizer. Depois de nos fazer saber que também o António Rola já tinha estado minuciosamente a falar do Porto e de arbitragens e que concorda totalmente tanto com o Rola como com o João Diogo, o António Bernardo afirma que quer falar de “outras coisas que eu acho que posso acrescentar... E posso já relembrar aqui 3 ou 4 situações que me andam a preocupar”.

Pensei eu, ingénuo, que estando o assunto arbitragem arrumado, agora iriam falar sobre os jogos do Benfica, as dificuldades que temos tido, as melhores e/ou piores exibições de alguns jogadores, sistemas tácticos, reforços... algo assim.

Não. Começou a falar do Pedro Mantorras. Sim. “Relativamente ao Porto tenho uma coisa a dizer, eu estava no Benfica em 2002-03 quando o Pedro Mantorras era um mártir a levar pancada”. Epa o que esta malta faz para não ter de falar de Futebol.

Portanto as 4 coisas a que este António Bernardo andavam a preocupar eram:

1 – Arbitragens
2 – Imprensa toda dominada pelo Porto e pelo Sporting
3 – Unilabs, se mudaram de laboratório e se é verdade que os jogadores do Benfica tiveram mesmo Covid.
4 – “Caso” Palhinha e ter juízes amigos.

E termina a dizer “Isto é que são coisas importantes a debater no Futebol e no Desporto em termos gerais”.

Exacto. São estas merdas de novelinhas e de choros que é crucial debater no Desporto.

Já estava eu meio em dúvida se estaria mesmo acordado quando aparece o José Marinho a falar. Questionado sobre esta época atípica onde o Paços de Ferreira surgia com tão bom desempenho, o José Marinho entra, como sempre, naquele seu mundinho onde é rei mas de coisa alguma. Fala e fala e fala, com grande autoridade, mas depois quando se espreme percebe-se que não faz ideia sobre o que diz.

O inicio da sua intervenção dava um bom número de comédia. Começou a criticar aqueles que tanto falam da importância de se ter uma boa estrutura nos clubes e a meio desta palermice lá se lembrou que é no Benfica que mais se fala nisso. Enrolou-se. Inverteu a coisa e começou a elogiar a Estrutura do Benfica.

Assunto estrutura rebobinado lá começou a falar do sucesso do Paços de Ferreira. Então salientou que aquele clube tem um sucesso constante e que isso se deve por sempre ou quase sempre escolherem acertadamente tanto os treinadores como os jogadores. E enquanto o Marinho debitava eu juro que pensei que ele estava era a falar do Rio Ave.

Então avança relembrando que a actual posição do Paços de Ferreira não é surpreendente porque “por exemplo” há uns anos com o Paulo Fonseca tinham conseguido apurar-se para uma pré-eliminatória da Liga Europa. Insiste que para o Paços esta não está a ser uma época atípica porque nos últimos anos têm-nos habituado a andar lá em cima e sempre com boas equipas. É o que dar falar de cor caro José Marinho.

Para começar é esquecer o “por exemplo” porque a referida época é uma exepção e não somente um dos possíveis exemplos. E depois é elucidar que o apuramento foi mesmo para o Play-Off da Liga dos Campeões.

Sim, em 2012-2013 o Paulo Fonseca conduziu o Paços de Ferreira a um excelente 3º lugar.
Desde então disputaram-se mais 7 campeonatos o Paços classificou-se em:

16º


13º
17º - Despromoção
1º - Promoção
13º

E atenção, todo o respeito pelo Paços de Ferreira. Contudo dizer que nos últimos anos estar em 5º lugar não é atípico para o Paços quando nos últimos 7 anos só duas vezes ficou no Top-10 tendo mesmo sido despromovido em 2018 e tendo disputado a segunda liga em 2019...

Tão sobranceiro falou o José Marinho sobre o Paços de Ferreira conseguindo confundi-lo com o Rio Ave e mostrando deste somente saber que há uns anos era treinado pelo Paulo Fonseca e que ficou num lugar Europeu (qual não sabe) e que esta época é treinado pelo Pepa.
De resto não refere nada em especifico sobre este clube – nem treinadores, nem jogadores, nem modelo de jogo – e o que tenta falar sai tudo ao lado.

Que fraude é este José Marinho.

E que tristeza de canal tornam a BTV.

Depois desta intervenção do Marinho desliguei a televisão. Não dava para mais. A curiosidade matou mesmo gato.



domingo, 7 de fevereiro de 2021

Dupla Darwin/Seferovic, Porquê?

 

Dia 05/02/2021 o Benfica recebe o Vitória de Guimarães na Luz. O jogo vai empatado a zero para o intervalo. Deus por indicação de Jesus retira Everton do jogo e lança Darwin para atacar os últimos 45 minutos.

E eu pergunto “Porquê?”

A época de 2009/10 foi o ano de grande afirmação de Jorge Jesus. É um ano que está marcado para sempre no Benfiquismo.

Desde a adaptação de categórica do Fábio Coentrão a lateral esquerdo à explosão de Di Maria como um mágico de classe mundial. Desde a afirmação do miúdo David Luiz ao lado do Luisão até à detonação de golos do pé esquerdo de Tacuara Cardozo.
E também trouxe ao nosso dialecto a posição 9,5 – um jogador de ataque que ocuparia o espaço entre o ponta de lança e o médio criativo. Esse ano era Javier Saviola que brilhava com essa camisola – entre o “9” de Cardozo e o 10 de Aimar.

Assim Jorge Jesus brilhava com um ataque construído por um ponta de lança e um atacante mais solto em terrenos interiores na procura do espaço.

Posteriormente as duas duplas de ataque que mais sucesso tiveram com Jorge Jesus foram:

2013/14 – Rodrigo e Lima

2014/15 – Jonas e Lima

É perceptivel que nenhuma destas duplas apresenta um ponta de lança. Jogadores de ataque mais móveis, de futebol de apoios e combinações.

No primeiro caso temos Rodrigo a explorar mais a profundidade e Lima a procurar os espaços para jogar e fazer jogar.
No segundo caso voltamos a ter Lima mas desta vez apoiado por Jonas que junta a sua veia goleadora ao seu posicionamento como 10 enquanto o cérebro do ataque encarnado.

Mais recentemente temos o grande sucesso de Jorge Jesus no Flamengo. Brilhando na América do Sul com um médio de maior contenção, um 8 com mais chegada à área, dois médios ofensivos com maior jogo interior e no ataque um extremo bem aberto à esquerda a dar aceleração aos ataques e um avançado a descair na direita.

Neste Flamengo Jorge Jesus actuava só com um avançado, um avançado móvel a explorar o corredor direito e a abrir espaço para a progressão dos médios.

Na presente temporada desde cedo se percebeu que Jorge Jesus iria querer actuar com um ponta de lança. Não contando com Vinícius – que parecia desligado do futebol que Jorge Jesus pretendia para a equipa – Seferovic apareceu como a solução até ser contratado um novo avançado para o plantel. Veio Darwin, um avançado poderoso, com boa presença na área e capaz de procurar a profundidade do ataque. Apesar do uruguaio não ser um atacante de associação, tem um fantástico sentido colectivo.

Por tudo o que foi visto na pré-temporada e no arranque da época, uma bela discussão no seio benfiquista era sobre quem seria o 9,5 de Jorge Jesus, qual seria o jogador que iria apoiar Darwin alternando entre a ocupação dos espaços entre os médios e o atacante com as chegadas à zona de finalização. Havia o recém-contractado Luca Waldschmidt que cedo mostrou uma incrível ligação com o uruguaio, mas também a possibilidade de Rafa, Pizzi e do Pedrinho.

E daí o meu “Porquê?”

Na Grécia jogámos com Seferovic apoiado por Pedrinho. Dominámos o primeiro tempo com um grande preenchimento do espaço interior faltando só um melhor entendimento – primeiro jogo da época – entre os jogadores para se criarem mais oportunidades de golo. Na segunda-parte o PAOK procurou adaptar-se melhor, equilibrou o jogo e com 30 minutos para jogar os gregos chegarem ao golo. Um bom Benfica com 30 minutos para fazer o empate e Jorge Jesus decidiu quebrar a identidade da equipa. Sai Pedrinho e entra Darwin. Nasce a dupla de ataque Seferovic/Darwin e o futebol da equipa morreu ali.

Assim nasceu o meu primeiro “Porquê?”

Temos uma primeira metade de época na qual o arranque deixou vários sinais prometedores mas que se foram dissipando ao longo dos jogos, ficando a ideia que perante um insucesso Jorge Jesus abdicava da identidade de jogo que andava a ser construída.

O arranque da dupla Luca/Darwin foi fortíssimo. Com algumas exepções onde o JJ tentou ganhar os jogos retirando o 9,5 e lançando outro 9, foi esta dupla que foi dando frutos no ataque do Benfica. Mas quando a coisa descambou no Bessa, pareceu cada vez mais evaporar-se – para Jorge Jesus – a importância do avançado do jogo entre-linhas. Cada vez mais Jorge Jesus começou a optar pelo ataque à bruta em prol do ataque em classe.

Após a derrota na Supertaça a aposta de Jorge Jesus na dupla Darwin/Seferovic intensificou-se, fosse de inicio ou fosse para inverter resultados. Uma mudança no seu futebol e sinceramente um jogo muito menos atractivo por parte do Benfica.

Isto traz-nos ao jogo da última Sexta-Feira, na Luz, com o Vitória de Guimarães.

O Benfica começa com um ataque formado por Seferovic e Pizzi. Weigl no equilíbrio do meio-campo, Taarabt na condução pelo centro, Everton e Cervi em rotação ocupando mais os espaços interiores, Seferovic como referência ofensiva apoiado por Pizzi que ia procurando o jogo entre-linhas para abrir a defesa e o jogo. Algo muito mais parecido com aquilo que vimos Jorge Jesus a trabalhar no inicio da época.

Sim explorámos demasiado as laterais e os cruzamentos para o meu gosto e sim o trio de médios do Vitória actuou mais na contenção tentando somente retirar espaço aos 4 médios criadores do Benfica -  – Weigl, Taarabt, Everton e Pizzi. Mas depois do descalabro dos últimos jogos, soube bem ver o Benfica a surgir dominador, com boas dinâmicas, a preencher os espaços, a retirar possibilidade ao adversário de jogar e a criar várias oportunidades de golo.

Apesar do 0-0 ao intervalo não havia qualquer dúvida que aquela era a fórmula para marcar um, dois ou três golos no segundo tempo.

Então porquê?

Porque é que ao intervalo se muda totalmente a dinâmica ofensiva da equipa? Porque é que se retira um dos médios ofensivos criativos e se coloca mais um ponta de lança? Porque é que o Benfica abdica do preenchimento do jogo entre-linhas? Porque é que opta por ter mais presença na área em prejuízo da zona de criação?
O Benfica continuou superior ao Vitória? Sem dúvidas. Mas ao contrário do primeiro tempo já houve Vitória com bola e a criar algum perigo, ao contrário da primeira parte já não houve um Benfica tão dominador com bola e tão capaz de criar jogadas de finalização.

Porque é que um treinador com o histórico de Jorge Jesus anda agora a recorrer tão frequentemente a um futebol com um duplo pivôt ofensivo?

Com o Vitória, tal como na Grécia, esta substituição matou a reacção do Benfica a um resultado menos favorável.

Por isso pergunto... Porquê?




terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Balanço (muito resumido) da Época

 A arrancar o mês de Fevereiro é esta a nossa situação:


Eliminados na 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões pelo PAOK.

Medíocre fase de grupos na Liga Europa num grupo bastante acessível onde não conseguimos melhor que um 2º lugar.
Para uma espécie de redenção europeia só nos resta eliminar o Arsenal nos 16 avos-de-final.

Na supertaça fomos eliminados pelo Porto. Eliminados e inferiorizados.

Na Taça da Liga fomos eliminados nas meias-finais. Na Luz tivemos de ir às grandes penalidades para eliminarmos o Vitória e depois perdemos com o Braga em terreno neutro.

Na Taça de Portugal estamos nas meias-finais. Todo o nosso percurso foi um reflexo de muito felizes sorteios. Agora só serve ao Benfica eliminar o Estoril e conquistar a competição. Não vencer a final é um falhanço mas se nem lá chegarmos aí já será humilhação.

Na Liga Portuguesa, com 16 jornadas disputadas, temos 3 derrotas e 3 empates. Nos jogos grandes perdemos na Luz com o Braga e em Alvalade com o Sporting. Derrota com o Braga na Luz e derrota em Alvalade. O ponto alto até agora foi a vitória na jornada inaugural em Famalicão e o desempenho no Dragão que (só) nos valeu o empate.
O Porto já está a 5 pontos e o Sporting a 9.
Começa a parecer que lá para Abril vamos andar somente numa luta aguerrida com o Braga e o Vitória pelo acesso à 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Os 8 jogos grandes até hoje resultaram em 3 empates e 5 derrotas.

PAOK (f) 2-1
Rangers (c) 3-3
Braga (c) 2-3
Rangers (f) 2-2
Porto (n) 2-0
Porto (f) 1-1
Braga (n) 2-1
Sporting (f) 1-0

Isto tem de fazer envergonhar qualquer que esteja no nosso clube. E hoje o Rui Costa terá de estar severamente envergonhado com este registo patético.

A toda esta questão mais resultadista junta-se um conjunto vasto de exibições colectivas muito pobres. A equipa joga muito pouco e os jogadores andam a exibir-se muito aquém do seu potencial.

Não me importa a fanfarronice de Jorge Jesus – neste momento isso é-me totalmente indiferente. Jogar o triplo? Arrasar? Abafo ao Porto? É-me indiferente.
Importa-me o rendimento da equipa. E eu, mesmo eu que sempre tive um pé atrás com JJ e que não desejava o seu regresso, esperava – acreditava – em desempenhos colectivos e individuais muito melhores.
Jorge Jesus é melhor que isto e sabe fazer muito melhor que isto. Até agora uma profunda desilusão.

Mas há algo que nunca poderemos esquecer: o regresso de Jorge Jesus foi somente o confirmar do término do “projecto” de Luís Filipe Vieira.

Quando Vieira decidiu voltar a contractar Jorge Jesus foi o seu reconhecer daquilo que já todos sabemos há muito: Vieira não faz ideia como gerir o Futebol do Sport Lisboa e Benfica. Este presidente já está fora-de-prazo e a continuidade da sua Direcção é um crescente bolor e podridão no nosso clube.

Faltam 3 dias para o próximo jogo – recepção ao Vitória. Terei tempo para ir aqui partilhando com mais detalhe a minha visão de  tudo o que tem sido esta época até ao momento.

(E se uma imagem vale mais que mil palavras então cá segue esta – Vieira apoiado a Jorge Jesus na esperança que este o salve e lá atrás o Benfica de luto)



sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Franco Cervi

Chegou ao Benfica no Verão de 2016 para substituir Nico Gaitán e trazia no seu pé esquerdo esperanças benfiquistas de muita fantasia.


Com a alcunha de Chucky e com a facilidade com que enfrentava os adversários Cervi apresentava-se como um extremo repentista capaz de barafustar a ala direita de qualquer defesa.

Este puro extremo infelizmente rapidamente perdeu a sua magia. Jogo após jogo, época após época, Cervi foi-se tornando cada vez menos fantasista. Por quebra de confiança, por perda de habilidade ou até por culpa dos seus treinadores, a verdade é que num instante se percebeu não ser o extremo que o Benfica precisava.

Mas houve algo que Franco nunca perdeu – a garra, a vontade, a determinação e a capacidade de trabalho. São aquelas características que conquistam os adeptos e que lhe abrem espaço no plantel.

Cervi não pode ser o extremo do Benfica porque simplesmente perdeu o seu ímpeto ofensivo. Incapaz de ir no um para um, Cervi banalizou o seu jogo.

Isto juntamente com a sua postura aguerrida fizeram dele uma opção mais defensiva para os treinadores – até como extremo é utilizado numa visão mais de retranca, de cobertura ao lateral.

Assim começamos a descobrir o Cervi lateral. Mas sejamos honestos, o argentino não é forte defensivamente. Ter garra, correr muito e lutar intensivamente, não é saber defender. Tem maus posicionamentos, más abordagens e a maioria das vezes simplesmente corre atrás dos atacantes.

Cervi não só não é o extremo que o Benfica precisa como também não é o lateral que o clube necessita.

E por isto sempre tenho defendido que não tem lugar no 11 do Benfica.
E por isto tanto tenho defendido a sua venda.

Mas há contextos e contextos. E hoje o Benfica precisa de Cervi.

No início da época deveria ter saído pois não contava – Havia Nuno Tavares para cobrir Grimaldo e principalmente a possibilidade do clube se reforçar. Mas agora, a fechar Janeiro, não faz qualquer sentido a saída do argentino.

- Grimaldo vive a inconstância das lesões.

- Nuno Tavares já demonstrou não ter qualidade para jogar no Benfica.

- Jorge Jesus parece começar a apostar na possibilidade de uma táctica com 3 centrais, criando-se assim a posição de Ala esquerdo no 11 titular.

Sem que o clube tenha recorrido ao Mercado de Inverno para reforçar a lateral esquerda, com as actuais necessidades do plantel, a possível alteração táctica e a entrega do jogador apesar de mal ser opção, deixar sair Cervi é só mais uma falha estratégica desta direcção.

Só um desespero financeiro é que o pode explicar. Isto e uma contínua cegueira de quem nos dirige.

Cervi que saia mas só no final da época.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Oposição Credível Tem de Ser para o Presente e o Futuro

O ano de 2020 trouxe-nos eleições no Sport Lisboa e Benfica. Umas eleições especiais visto que foram de longe as mais participadas na história do clube e também aquelas onde Luís Filipe Vieira conseguir menor percentagem de aprovação.

Estas eleições trouxeram-nos também João Noronha Lopes.

Durante anos e anos ouvimos os benfiquistas queixarem-se dos atropelos de Vieira enquanto acrescentavam sempre um “mas”  - mas não existe oposição credível.

Pois bem, Noronha Lopes trouxe ao universo benfiquista a dita oposição credível. E esta é uma oposição que não poderá desvanecer-se. O Benfica precisa dela presente, atenta e exigente.

A oposição liderada por João Noronha Lopes conseguiu na sua primeira aparição, em um par de meses, chamar a si quase 38% dos votantes. Esta oposição fez Vieira ter menos de 60% de votantes. Esta oposição aniquilou por completo a figura que é Rui Gomes da Silva. Esta oposição motivou os sócios a movimentarem-se para tornarem estas eleições as mais participadas de sempre.

Noronha Lopes conseguiu reunir à sua volta excelentes benfiquistas e excelentes profissionais. Soube dar voz ao benfiquismo de Paneira. Soube recusar os aliciamentos que a direçcão de Vieira lhe acenava. Soube distanciar-se de Rui Gomes da Silva e soube reconhecer o valor do Movimento Servir o Benfica e chamar para junto de si o Francisco Benitez. Soube chegar aos benfiquistas e até soube perder.

Esta oposição credível conseguiu tudo isto mesmo sem debates, mesmo sem a cobertura da BTV, mesmo sem os votos das casas e afiliações e mesmo sem os votos dos vários colaboradores e funcionários do Sport Lisboa e Benfica.

E portanto com ou sem Noronha Lopes, com ou sem a liderança de Noronha Lopes, esta oposição não se pode retirar do dia a dia do clube. Nós sócios temos de a manter viva e activa.

O futebol cria uma sombra enorme e essa sombra é amplificada quando figuras mediáticas são as caras do que se passa neste desporto.
Para o arranque deste novo mandato Vieira contratou Jorge Jesus, deu maior palco a Rui Costa e até colocou Luisão mais próximo da equipa. São três figuras fortes e mediáticas e a centrarem as atenções de todos – benfiquistas e não só. Além disso, Rui Costa tornou-se pela primeira vez vice-presidente e assim sucessor natural do actual presidente. Se juntarmos a tudo isto os vários problemas que Vieira tem tido com a justiça e também as várias saídas do clube de figuras do seu círculo próximo, não me admiraria nada que de repente, pela sombra, Vieira se retirasse por “motivos de doença”.
E é a tudo isto que se tem passado nos bastidores, a tudo isto que está a acontecer na enorme sombra do mediatismo de Jorge Jesus, Luisão e do novo Rui Costa, que a oposição – aquela oposição credível – deve também estar atenta. Esta sombra deve ser iluminada pela Luz do benfiquismo.

Liderada ou não por Noronha Lopes, com ou sem Noronha Lopes, este novo movimento que se criou no Benfica na época eleitoral não se pode perder, não pode ser desperdiçado.

Passaram mais de 2 meses desde as eleições. Já deu para lamber as feridas. Agora é para construir sobre tudo o que foi conquistado.



sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Renato Paiva




Ontem pudemos assistir a mais um recital dado pelo Mister Renato Paiva. Uma hora de bom futebol e de onde retirámos três ideias importantíssimas:
⚽️ a inserção dos jovens num novo contexto competitivo (II Liga);
⚽️ a criação de um modelo de jogo potenciador da tomada de decisão do jogador;
⚽️ a gestão de expectativas, a necessidade da experimentação de dificuldades e o exemplo do Tomás Tavares.
É um gosto poder ouvir estas pequenas aulas dadas pelo Mister. Já merecia ter dado o salto para um outro patamar, por isso temos de nos sentir uns privilegiados por ter na nossa Formação alguém tão competente e conhecedor do jogo.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Benfiquistas com Voz – Bernardo Deu o Mote


Vamos aqui todos ser directos e honestos com tudo isto.

É ou não é verdade que nos últimos 15 anos criou-se uma mentalidade acrítica no Sport Lisboa e Benfica? Parece-me um facto incontestável.

Sim há pequenos focos críticos. Há alguns espaços que promovem o pensamento critico. Mas na generalidade criou-se no Benfica a mentalidade do “apoia”.

Uma grande maioria, incluindo os dirigentes e os meios de comunicação do clube (à cabeça a BTV), fomenta uma ideia de guerra, de nós contra os outros. E assim cria-se uma realidade onde os benfiquistas devem elogiar o que é seu e denegrir o que é dos rivais. O sentido critico dos benfiquistas passa a ser exclusivo dos clubes adversários.

Perdeu-se até a noção do que significa apoiar. Apoiar o clube é ignorar e/ou defender o que de errado é feito por quem nos dirige? Ou é também apontar esses erros e exigir melhorias e mudança?

Estamos a falar de um clube do qual os adeptos sempre, mas sempre mesmo, se gabaram de ser democrático ainda quando o país vivia uma ditadura. Um clube onde os adeptos sempre gabaram a pluralidade de ideias. Um clube onde os adeptos sempre apontaram o dedo aos métodos do Pinto da Costa, incluindo os seus métodos pouco democráticos de gestão.

Mas nos últimos 15 anos tudo mudou. Parece que passámos a viver mais os programas televisivos do que o próprio clube. Importante não era o representante benfiquista analisar com qualidade a actualidade do seu clube. Não. Importante era que batesse muito no adversário, fosse com verdades ou com mentiras descaradas. Quantas vezes não nos foi dito “não deviam discutir essas coisas publicamente, é dar armas aos rivais”? Quantas vezes?

No final da época não é altura de se discutir o clube. Porquê? Porque se ganhou então devemos reconhecer o mérito. Ou então porque se perdeu e não é o momento de bater mas sim de apoiar.
O arranque da época não é o momento de debater o clube. Porquê? Porque não podemos desestabilizar. Temos de apoiar para começarmos bem.
A meio da época não é o momento de debater o clube. Porquê? Pelos mesmos motivos do ponto anterior. É momento de apoiar e deixar as criticas para o final da época. Mas como já se sabe... também o final da época não é o momento para debater o clube.

Sim, esta foi a mentalidade que Luís Filipe Vieira instaurou no benfiquismo.

Os adeptos não devem ser ouvidos. Os adeptos não devem ter massa critica. Os adeptos simplesmente servem para encher o estádio e dar receitas de merchadising. O papel dos adeptos é ser fonte de receita e fonte de motivação para os atletas.

Aqueles adeptos que se atreverem a pensar o clube, a se preocuparem e a discutirem o seu clube, esses adeptos não são verdadeiros adeptos.

- Anti-benfiquistas
- Dragartos
- Vale e Azevedistas
- Velhos do Restelo
- Abutres
- Garotões
- Tachistas

Etc, etc e etc.

São demasiados os episódios em que vemos quem está no clube atacar os adeptos. Os ataques na BTV, os ataques do Pedro Guerra, os ataques no Jornal O Benfica, os ataques do José Nuno Martins, os insultos do presidente do clube, as tentativas de agressão do presidente do clube, a(s) agressão(ões) do presidente do clube e os ataques de outros membros da direcção.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” foram feitas alterações estatutárias que retiraram voz e poder aos sócios. Alguém se lembra de Manuel Damásio? Alguém se lembra de como ele saiu da presidência do Sport Lisboa e Benfica?

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” foi criado um canal de propaganda onde sócios críticos são rebaixados e até insultados.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” o vice-presidente Nuno Gaioso sentiu-se confortável o suficiente para dizer o seguinte aos sócios em plena Assembleia-Geral do clube:

- Os vossos votos não nos interessam porque vocês não percebem nada do assunto.
- O maior activo do Benfica é o presidente Luís Filipe Vieira.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” a actual direcção do Benfica conseguiu colocar os benfiquistas a ter de pagar mais 1/3 que os rivais para assistirem aos jogos da sua equipa.

Sob o lema “O Benfica é dos sócios” esta direcção dirigida por Luís Filipe Vieira tentou utilizar o dinheiro do clube para garantir as suas reformas e encher os bolsos dos seus amigos e companheiros de negócios, numa OPA totalmente escandalosa – desde os motivos apresentados, aos beneficiários e ao método de financiamento.

Esta direcção comporta-se há mais de 15 anos como se o Benfica fosse deles, deles dirigentes. E não dos sócios. E os sócios permitem isso. Permitem isso porque permitem não ter voz. Permitem isso porque agem como agentes de censura desta direcção. Permitem isso porque permitem que não se discuta o clube.

Vamos ter eleições em Outubro. Ainda não começou a campanha eleitoral. E o que já vemos por esta internet fora? Propagação de mentiras, de fake news, sobre os vários candidatos. A máquina de propaganda de Vieira – Hugo Gil e companhias – já anda a montar o seu pequeno espectáculo.

Nos últimos 5 dias são as mais variadas informações com que me deparo sobre os candidatos. E quando questiono as pessoas que vejo partilhar essas informações sobre as mesmas elas nunca têm a fonte da sua informação, nunca têm o sustento. Leram por aí. Afirmam que num canal a figura X disse Y. Afirmam com convicção. Mas quando questionadas se viram tal afirmação... não viram.

E foi nisto que Vieira transformou a democracia do Benfica. Qualquer opositor irá ser enxovalhado na praça pública e quase sempre com mentiras. Irá ser insultado. Irá ser conotado ao Porto ou ao Vale e Azevedo. Serão sempre aventureiros que nunca fizeram nada pelo Benfica e agora querem vir retirar dividendos do trabalho da actual direcção.

Muitos adeptos com este discurso nem sequer se apercebem que andam tão perdidos nessa narrativa que acabam por apelar ao fim das eleições no clube, ao fim da Democracia do Benfica.

Se ninguém se deveria poder candidatar. Se ninguém poderia sequer poder criticar. Então isto é o quê?

E como sempre temos a BTV a tomar a opção de não realizar debates, de não participar no processo eleitoral.

Como é que os benfiquistas aceitam isto? Como é que se aceita que a televisão de um clube paga pelos adeptos do clube, simplesmente ignore o acto eleitoral? As eleições de um clube não são um momento crucial da sua existência? Então como pode o canal do clube se fechar às mesmas?

Chega a altura das eleições e a BTV fecha a discussão do clube. Corta um espaço de divulgação do clube. O canal do clube promove a não pluralidade de ideias, o pensamento anti-democrático, a não discussão do clube, o não viver o clube. O canal do clube fecha as portas e as janelas aos seus adeptos. Afasta os benfiquistas das decisões da vida do clube. Mais uma vez, tira voz aos benfiquistas.

Já sabemos que Vieira não debate. À imagem de Pinto da Costa. Estratégia que aprendeu com o seu mentor. Vieira só dá entrevistas, entrevistas controladas. Entrevistas bajuladoras. Entrevistas onde possa exercer o seu monólogo sem contradição. Porque Vieira não aceita o sentido critico no Benfica, não aceita ser contrariado. Vieira não aceita debater o Benfica e o seu trabalho. Mais uma vez, corta a voz, corta a discussão, corta o pensamento e a análise critica aos benfiquistas. Vieira esconde-se para não se expor. Vieira esconde-se para não colocar o seu poder em cheque.

E os benfiquistas vão continuar a aceitar isto?





domingo, 26 de julho de 2020

Candidatura de João Noronha Lopes

Foi a última candidatura a ser apresentada para as próximas eleições. E parece ser a candidatura que mais está a mexer com o apoio dos benfiquistas. 

João Noronha Lopes apresenta-se a eleições com mais vantagens que qualquer outro dos opositores à actual Direcção. 

Ainda é cedo para fazer uma apreciação mais definitiva mas por agora ressalvo as características desta candidatura que a favorecem no contexto actual: 

- Vice-presidente da Direcção de Manuel Vilarinho 

- Vários apoios mediáticos 

- Sem ligações ao actual dirigismo 

- Abordagem benfiquista e apelo ao benfiquismo 

- Experiência profissional 

- Inteligência do discurso 

- Controlo emocional 

- Insistência na vertente desportiva do clube 

- Destaque à necessidade de Credibilidade e Transparência 

- Ambição europeia 

- Abordagem à questão estatutária 

- (Re)Conhecimento de várias preocupações existentes no seio do benfiquismo 


A Candidatura de Noronha Lopes tem como primeiro grande mérito o vir afastar o fantasma Vale e Azevedo da narrativa da actual Direcção. O fantasma Vale e Azevedo, as pedras da calçada, o papel da impressora, o papel higiénico, etc, etc e etc. 

Noronha Lopes foi vice-presidente de Manuel Vilarinho. Foi Manuel Vilarinho que derrotou o Vale e Azevedo, foi a Direcção de Vilarinho que pegou no clube super-endividado, sem posse sequer sobre as pedras da calçada. Portanto Noronha Lopes é um nome mais presente e relevante nesse primeiro momento pós-Vale e Azevedo que o próprio Luís Filipe Vieira. 

Outro dos principais méritos desta candidatura é o de conseguir cativar o apoio de várias figuras públicas reconhecidamente benfiquistas. Apesar de tudo o que o que LFV fez ao longo destes anos para criar uma unanimidade pública à sua volta, a verdade é que Noronha Lopes tem conseguido apoios importantes, apoios de benfiquistas que têm voz nos meios de comunicação, que têm fãs e seguidores, apoio de personalidades que têm a sua opinião respeitada e admirada por milhares e milhares de benfiquistas. Vasco Mendonça com o Azar do Kralj e o programa Dia Seguinte, o Ricardo Araújo Pereira com os seus artigos na Visão, o programa Isto é Gozar com Quem Trabalha e o Governo Sombra e o Pedro Adão e Silva que é cronista do Expresso e comentador na SportTv. Além destes surge também por exemplo Pedro Ribeiro com a sua voz nas manhãs da Rádio Comercial e até muito recentemente no programa Mais Futebol. Entre outros que já se juntaram ou ainda se juntarão a esta candidatura. 

O mito dos paraquedistas também cai por terra com esta candidatura. Noronha Lopes tem um currículo rico, uma experiência profissional vasta e com reconhecidos méritos. As suas competências de gestão e liderança estão à vista. Não será certamente visto como um abutre ou um aventureiro. 

Por fim, na sua primeira aparição e no seu manifesto mostra um discurso cuidado, estudado e inteligente. Não ataca a Direcção de LFV à descarada, o que lhe causaria vários atritos entre muitos benfiquistas. Não. O que ele faz é tocar em muitos dos pontos negativos da actual Direcção. Fala neles e reconhecendo a sua existência, joga-os na praça pública onde os próprios benfiquistas os irão considerar e criticar. Oposição inteligente.  

Puxa pela emoção na hora de falar do sentimento benfiquista, dos feitos do passado e das ambições para o futuro, mas puxa pela racionalidade, pela ponderação, no momento de falar sobre os pecados de Luís Filipe Vieira. Com esta inteligência emocional, se a conseguir manter até ao dia das eleições, será também no debate a principal e mais séria oposição a Vieira.  

Há vários outros tópicos do seu discurso que merecem ressalva: 

- A sua posição sobre Jorge Jesus foi dos pontos mais altos. Noronha Lopes traz o seu benfiquismo à cadeira da presidência e aceita Jorge Jesus exigindo-lhe explicações. Vamos ser sinceros, com todo o lixo mediático no pós-saída do JJ do Benfica, uma palavrinha do treinador aos sócios sobre aquele momento seria muito bem vinda e possivelmente acabaria com grande parte do atrito que para já vai encontrar entre os adeptos do Sport Lisboa e Benfica.  

- Destaca a vertente desportiva como o principal foco do clube. Isto é algo que tem sido ignorado pela actual Direcção e que muito tem incomodado os benfiquistas. E na verdade é um ataque ao Benfica Negócio, ao Benfica Empresarial. O Benfica que Vieira tem criado e que tanto por aqui tem sido criticado. O foco do Benfica deverá ser conquistas desportivas e não dar lucros. O Benfica não deverá distribuir dividendos financeiros mas sim investi-los na sua actividade. O Benfica existe para competir e ganhar e não para criar fontes de receitas e alimentar todos e os mais variados negócios. 

- A abordagem ao Benfica Europeu é também mais um mix de ataque à actual Direcção e de partilha da preocupação de todos os benfiquistas. 

Algo muito positivo é não apontar a títulos europeus, até porque hoje em dia não é isso que está em causa. O Benfica Europeu não é o Benfica campeão europeu. O Benfica Europeu é o Benfica presente e com relevância na Europa do futebol. Vieira aponta à conquista da Champions mas nem consegue criar condições para um Benfica de Top-8 nesta competição.  

- Transparência e Credibilidade são dois chavões que qualquer candidato, qualquer presidente, de qualquer clube, partido político ou associação de estudantes, fala. Aqui a questão é o timing. A sua importância é intemporal mas neste momento torna-se crucial. O contexto é tudo e o contexto judicial que a Direcção de Vieira está envolvida e tem envolvido o clube é um verdadeiro escândalo à história e valores do nosso clube.  

- A questão estatutária é outro ponto muito interessante. Pode parecer uma questão menor para quem vê de fora mas para quem vive o dia a dia do clube por dentro sabe a sua relevância. As alterações estatutárias que Vieira protagonizou de forma a se eternizar no cargo são um atropelo à democracia do clube. A revisão estatutária é urgente. E Noronha Lopes, nome por quase todos desconhecido, aparece claramente conhecedor das inquietações mais profundas do benfiquismo. Portanto uma candidatura que se relaciona com as preocupações mais privadas dos benfiquistas. 

Destaco também a inteligência desta candidatura com a insistência no Agora. Isto é um claro apelo a todos os benfiquistas que se sentem obrigados a votar em Vieira por gratidão. É uma forma de criar um fim de ciclo a essa gratidão, a esse reconhecimento generalizado do trabalho da Direcção de Luís Filipe Vieira. É um dizer "Ok eles fizeram a parte deles mas agora é altura de dar um passo em frente, de começar um novo capítulo". 

Até à data tínhamos uma candidatura de alguém parte da estrutura de Luís Filipe Vieira que recentemente decidiu abrir guerra ao seu "antigo" ídolo. Tínhamos uma candidatura de Facebook, de piadas, de ideias copiadas e focada nos amigos e bajuladores da caixa de comentários, um candidato ao sabor do vento das redes sociais. E tínhamos uma candidatura por agora ainda sem qualquer relevo, de adeptos que ainda não se chegaram realmente à frente (aguardam o término da época). 

Se até ao momento via a actual Direcção a ter o seu primeiro incómodo em todo o seu reinado perante a agressividade da candidatura de Rui Gomes da Silva, com a candidatura de Noronha Lopes já acredito na possibilidade de termos umas eleições bem mais competitivas e capazes de colocar em risco o conforto da cadeira do actual presidente. 

A candidatura de Noronha Lopes faz um apelo ao romantismo das antigas glórias do Benfica, do Benfica do Ontem, um Benfica do antes de Vale e Azevedo e Luís Filipe Vieira, com projecção para o Agora. O recomeçar, o retomar Agora a paixão do benfiquismo de Ontem. 

                            Imagem relacionada

Contudo, ainda é cedo. Muito cedo. Por isso digo-vos que hoje sei em quem não vou votar. Hoje tenho o voto branco como garantido. Hoje ainda aguardo por mais desenvolvimentos para poder dar cor ao meu voto. Mas hoje estou mais feliz, mais realizado, com as novas possibilidades que vão surgindo.


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Futebol Português - Retoma Foi Levantar a Tampa do Esgoto

O campeonato recomeçou há uma semana e antes do seu início já havia uma polémica - decisões quanto a subidas e descidas. Mas esta seria sempre uma polémica que tinha de acontecer. Esta aceita-se, é normal.

Mas o arranque do campeonato, que repito só começou há uma semana, trouxe-nos vários outros casos.

Desde a invenção que o presidente do Famalicão estaria na lista directiva do Pinto da Costa e que por isso o Famalicão ofereceria o jogo ao Porto. Não ofereceu, venceu e uma invenção é uma invenção.

A polémica com a arbitragem do jogo Famalicão - Porto. De penalties não assinalados que supostamente envergonhariam o futebol nacional pelo mundo a fora a penalties não assinalados totalmente ignorados. Isto claro, a depender da cor de quem fala. O campeonato arranca logo com fortes críticas e suspeições sobre a equipa de arbitragem.

A isso sucede-se o ataque a um autocarro de uma equipa que empatou o seu jogo. Sim. Os jogadores do Benfica obtiveram um mau resultado e por isso o autocarro em andamento foi atacado, dois jogadores foram hospitalizados e o clube viu-se obrigador a fortalecer a segurança dos atletas. Se a bola que foi ao poste tivesse entrado estava tudo bem e os rapazes das pedras estariam a lançar fogo de artificio. A juntar a isto ainda tivemos a vandalização da casa de jogadores.

Ainda se discutia isto e lá veio mais um caso, mais uma polémica. Uma investigação jornalística a expôr supostos actos ilegais ou imorais do Sport Lisboa e Benfica.  

E isso trouxe-nos várias acusações e exposições de coisas relacionados com o Futebol Clube do Porto. Aliás, nos últimos dias a minha caixa de correio electrónico parece que só recebe ataques ao Porto. Ataques vindos da própria comunicação do Benfica. Agradeço mas dispenso ser arrastado para esse lodo.

E atenção. Isto em uma semana! Depois de dois meses e meio sem futebol. Depois de uma quarentena forçado por um vírus que afectou o mundo inteiro. E isto é só aquilo que sei, é só aquilo a que fui exposto enquanto benfiquista. O pouco que tive atento às notícias e o contexto do meu facebook - sigo somente determinadas páginas e todas elas benfiquistas ou supostamente neutras.

Portanto se a isto juntarmos toda a treta que andará pelos lados dos azuis e brancos, dos verdes e brancos e de todos os outros clubes desta primeira liga... É este o esgoto que é o futebol português.

(Eu a escrever isto e o meu cão a mandar uma daquelas bufas caninas... não podia ter tido um timing mais perfeito)

A retoma do futebol nacional trouxe certamente uma multiplicidade de orgasmos pelos estúdios da CMTV. Mas o que é bom para esse canal não é bom para o Futebol. Porra, não é bom para o Desporto e nem sequer para o país.

Eu amo o meu clube, eu amo futebol. Sou desde sempre um louco por este desporto. Mas digo sem qualquer ponta de hesitação que se é para esta merda então que se suspenda o futebol português, que se limpe toda esta trampa, que se criem rigorosas medidas de protecção dos jogadores e do espectáculo e que só aí se retome a competição. E se o problema principal forem os três grandes então que se resolva esse problema.

É inaceitável que se continue a destruir um desporto, uma cultura, um belo fenômeno social, só para alguns lucrarem com os ódios alimentados.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Bruno Lage - Culpado ou Vitima

Foi notório o crescimento da crítica a Bruno Lage neste espaço. Bruno Lage é culpado dos seus erros. E não temos qualquer pudor em os apontar até porque poucos estarão mais desiludidos do que nós.

Outros pintam Bruno Lage como vítima - vítima de outros que estão hierarquicamente acima.

É verdade que o grande culpado será Luís Filipe Vieira e que Bruno Lage é também vítima da gestão do presidente dos bigodes.
Mas haverá só um culpado? Não podem haver vários e com diferentes níveis de culpa? Não podemos aceitar que alguém que faz algo positivo também pode fazer algo negativo? Uma vítima terá de ser somente vítima?

O que diferencia este espaço é o facto de não nos guiarmos por resultados - ou melhor, não mudamos de opinião consoante vento. Muitos que agora se chegam à frente para criticar Vieira esquecem-se daqueles que sempre o fizeram, sempre viram o presidente dos bigodes por aquilo que ele é. Aqui criticou-se Vieira no ano do Tri, no ano do Tetra e não só no ano do falhado Penta. A crítica à gestão do actual presidente do Sport Lisboa e Benfica nesta época foi feita em ainda em 2019 quando as árvores ainda não se despiam.

Portanto respondendo a muitos. Não, não achamos que Lage é o único e nem sequer o principal culpado em nada do que de pior se passa no nosso clube. Tem as suas culpas mas o principal responsável é o presidente bota bigodes. Agora isso nunca nos impedirá de olhar para o jogo com olhar crítico, nunca nos impedirá de avaliar o trabalho feito pela equipa técnica do Sport Lisboa e Benfica. Nunca nos impedirá de tecer opiniões sobre aquilo que mais nos apaixona a todos - o futebol jogado.

Mas numa fase em que tão justamente temos batido no Bruno Lage, é normal que menos tenhamos batido em outros mais responsáveis que ele. Cada a coisa a seu tempo - como se costuma dizer. 
Assim, antes de arrancarmos para uma sequência de doze vitórias consecutivas quero recuperar a crítica à preparação de toda esta época.

O clube factura como nunca, o clube está numa Liga dos Campeões milionária, o clube apresenta-se como campeão nacional numa Liga onde os seus rivais vivem crises institucionais e financeiras, o clube tem todas as condições para se lançar numa hegemonia nacional e numa afirmação europeia. E como é construído o plantel para estes objectivos?

Falou-se da necessidade de contratar um guarda-redes. Fosse como titular fosse como alternativa. Avançou-se para a contratação de um guardião italiano lesionado. Lá abortaram o negócio. E nada mais fizeram para suprir esta necessidade.

Há anos que o clube necessita de um lateral-direito. É óbvio e sabido. Mais uma vez nada se fez. 
Apesar do bom momento de Ferro e de Dias, sobrava ao plantel Jardel e Conti. Era crucial a contratação de um bom central. Nada. 
E por aí adiante. Na lateral esquerda Grimaldo continuou sem cobertura. No meio-campo não se foi contratar um médio com maior capacidade de desequilibrar com bola - ficando o Taarabt sozinho nesta posição. Para o ataque quase que se ignorou a saída e importância de João Félix. Aquela posição de segundo avançado, de jogador criativo, com golo e capacidade de dar criatividade a todos os espaços do ataque, foi totalmente ignorada. Em vez disso investiu-se em extremos e pontas de lança desnecessários ao plantel.

Portanto não só o real reforço do plantel foi desvalorizado como ainda se permitiu que a época arrancasse com um plantel de 30 jogadores.
E sim, tivemos Bruno Lage publicamente a comentar a necessidade de reforços que nunca chegaram e também a necessidade de trabalhar com um plantel curto - não um plantel médio de 25 jogadores e muito menos um plantel imenso de 30 jogadores.

A gestão desportiva desta época foi mais uma vez desastrosa. O foco desta gente é ter bonitos relatórios e contas, passear pela China, lançar aplicações para os sócios meterem ainda mais dinheiro no clube e preparar OPAs para amigos. O Benfica de bigode é um Benfica de negociatas e não um Benfica de sucesso desportivo. Mas um clube de futebol vive de resultados desportivos. A custo esta gente percebeu isso. Não adianta tornarem o clube numa empresa se depois não ganharem no relvado pois os verdadeiros rendimentos aparecem com o sucesso desportivo e não nos balancetes e diagramas muito bem construídos. Mas percebem tão pouco da exigência do jogo, gostam tão pouco do jogo, que aquilo que acham suficiente para se vencer claramente não o é. Uma política de serviços desportivos mínimos. É este o Bigode que paira por todos no clube.

Fica a ideia que Bruno Lage queria seguir uma determinada construção do plantel mas estrutura aka Vieira e seu bigodes seguiram por outro caminho.

Depois temos a Europa. O discurso de ambição europeia é benéfico ao ego de Vieira. É ali que vende o clube a negócios e patrocínios pelo mundo fora. É ali que ganha o calor dos adeptos. Mas que faz esta pessoa para esse sucesso? Paga a um bruxo na guiné para mexer umas folhas a ver se a coisa com alguma sorte corre bem para o nosso lado? Só se for isso mesmo.

Não existe retenção de talento. Não existe investimento forte na equipa. Existem palavras.

E depois vamos ver a abordagem a estes jogos e a equipa andou a usar... os suplentes vindos da formação. Vamos acreditar que foi Lage que decidiu que a Liga dos Campeões era a nova Taça da Liga? Algum treinador não quer mostrar o seu trabalho na Liga dos Campeões? Algum treinador quer desestabilizar um balneário ao impedir os melhores jogadores de participarem nos maiores jogos? Foi opção de Lage ou foi sugestão em forma de bigode? Os jogos da Liga dos Campões são para ganhar ou para encarar como montra para o Seixal?

E nem se aproveitou o mercado de inverno para se corrigir tudo. Valeu a contratação de Weigl que por melhor que seja duvido muito que tenha sido pedido ou sequer entendido pelo treinador.

O Sport Lisboa e Benfica não tem um verdadeiro projecto desportivo. O próprio Seixal é encarado como um mercado de negócios. É o Benfica empresarial. O Benfica das negociatas. O Benfica das construções. O Benfica de Bigode

Bruno Lage tem as suas responsabilidades na forma como treina, na forma como monta a equipa, na forma como faz substituições e na forma como pede aos seus jogadores para actuarem. Isto é somente responsabilidade de Bruno Lage.
Bruno Lage é também responsável por um dia ao acordar ter olhado ao espelho, ter olhado para a lâmina e de novo para o espelho, e ter decidido que gostava daquele bigode e que o iria deixar farfalhar toda o seu ser.

Bruno Lage falou do que queria para o plantel. Mas exigiu? Lutou por isso? Ou aceitou ser somente mais um de voz praticamente irrelevante? Lutou pelos reforços que queria ou aceitou não ter poder nenhuma na decisão?

Para mim um treinador, principalmente um treinador de um clube grande, deverá ser sempre o principal responsável pelo futebol do clube. Poderá estar envolto numa estrutura, terá de respeitar a política desportiva do clube, mas será sempre ele a utilizar a estrutura e não o contrário. Um treinador de clube grande tem de liderar e tem de se fazer ouvir. Um treinador de clube grande não pode nunca aceitar que lhe sugiram que jogadores usar ou não. Bruno Lage tem responsabilidade de comer e calar e ainda o fazer com um sorriso na cara.

E é aqui que tenho de falar de um antigo treinador do Benfica. Numa altura em que muitos dos meus colegas de escrita clamam pelo regresso de Jorge Jesus - algo que eu sou contra - a verdade é que Jorge Jesus era o líder do futebol no Benfica. Quando a estrutura lhe fragilizava o plantel ele exigia reforços que o satisfizessem. Em anos de títulos foi Jorge Jesus que assegurou que a direcção não lhe sabotava a época desportiva. Nunca comeu e calou, nunca aceitou Bigode. E isto é um treinador. Independentemente das suas competências, de todas as outras suas qualidades e defeitos, nesta vertente o Benfica teve treinador.

Mas lá está, vivemos um Benfica de bigode que só aceita quem adopta esse visual. Rui Vitória aceitou o bigode com todo o gosto. Bruno Lage achou que tinha de o adoptar.

O Bigode de Vieira cresce pela testa, infiltra-se nos poros da pele e envolve toda a massa cinzenta de quem o usa, acabando por finalmente se instalar aconchegadamente na sua espinha dorsal.

É um mal que há muitos anos vai minando o Benfica e o benfiquismo.
Hoje mina Bruna Lage que acedeu a usá-lo.