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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Lançamento da Final da Taça da Liga 2015



Amanhã último jogo da época. Amanhã mais uma Final. Amanhã disputa da conquista da Taça da Liga.

Uma competição muito secundária mas que é para ganhar.

Quem acham que deve substituir o Salvio?

Acham que o treinador deve apostar na equipa do costume ou fazer alguma rotatividade, própria da Taça da Liga?

Há algum jogador, dos menos utilizados, que gostassem de ver jogar?

Há algum jovem da equipa B que gostavam de ver convocado?


Tendo em conta a competição eu fico tentado a querer alguma mudança. Sendo uma Final também considero que não é jogo para grandes riscos ou aventuras.

Penso que o Jorge Jesus vai apostar na equipa do costume, com Talisca ou Sulejmani no lugar do Salvio.

Eu do meu lugar de treinador de bancada apostaria na seguinte convocatória:

Titulares:

Paulo Lopes
Maxi Pereira
Luisão
Jardel
André Almeida
Samaris
Ruben Amorim
Sulejmani
Nico
Lima
Jonas

Suplente:

Júlio César
Sílvio
Lisandro
Cristante
João Teixeira
Pizzi
Jonathan Rodríguez

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Um jogo revelador



O jogo de despedida da UEFA foi revelador, desde logo, da pobreza da prestação europeia do Benfica, ou seja, as segundas linhas mais o bebe Tiago, conseguiram empatar e dominar um jogo frente ao adversário mais forte do grupo, ainda que não tenha apresentado o seu 11 habitual. Por aqui se tem de perceber o quão diferente esta campanha europeia deveria ter sido. Vá lá que Jorge Jesus demonstrou um discurso mais consciente da dimensão do falhanço.

O jogo de ontem foi ainda revelador no que diz respeito ao bom trabalho de sombra que JJ tem feito com Pizzi. O novo projecto de JJ demonstrou ontem pernas para andar com uma exibição de bom nível – sobretudo na primeira parte – dando alguma esperança para aquilo que pode ser a posição 8 depois da saída de Enzo, se esta ocorrer mesmo em Janeiro.

Ontem foi ainda revelado um pouco mais de Cristante. Antes do jogo com os Alemães na primeira volta desta fase de grupos, escrevi que o médio Italiano podia ser uma arma importante num jogo que pediria mutações de flanco e passes em profundidade rápidos e ainda numa primeira fase de construção. Nessa altura, muitos dos que leram pensaram com certeza: “este gajo está maluco ou não percebe nada disto”. Compreendo que assim seja, o facto é que Cristante, nos jogos da taça e no jogo de ontem, tem-se revelado, quanto a mim, no médio com melhor capacidade de passe a média/longa distancia, diria que nem Enzo tem o grau de eficácia de Cristante nesse aspecto do jogo. Na altura salvaguardei a questão defensiva, porque ainda não tinha visto jogar no Benfica e muito menos via os treinos. É também um facto que nesse jogo o Italiano foi desastroso nessa vertente, não obstante não deixa de ser menos verdade que tem melhorado a olhos vistos e o jogo de ontem foi revelador disso mesmo. Forte na antecipação e contundente no choque, aliados a um bom posicionamento. Há ali muito por onde crescer e JJ fará de Cristante o próximo médio defensivo do Benfica, não tenho duvidas.

Ontem também foi revelada a tremenda falta de qualidade de Tiago bebe. Fosse o futebol uma prova de velocidade com condução de um objecto redondo sem obstáculos e Tiago seria um atleta top, mas como o futebol é uma modalidade que compreende mais 10 colegas e 11 adversários, contemplando assim a capacidade de decisão, Tiago não passa de um bebe no meio de gente graúda (ainda gostava de ver uma equipa cujos extremos fossem Capel e Tiago). Porém, não deixa de ser algo revelador o forte empenho de JJ em incentivar e aplaudir o jogador, mesmo que tome a decisão mais absurda do mundo. Mas pode ter sido apenas impressão minha, veremos. E pensar que gastamos dinheiro em Tiago ao mesmo tempo que mandamos embora Bernardo Silva ou Ivan Cavaleiro…

Este jogo revela também muito do que é a formação do Benfica e o seu enquadramento no plantel principal. Nem num jogo com as características do de ontem foi possível ver Nelson Oliveira por mais de 15/20 minutos, mesmo com um Lima absolutamente desastrado em quase tudo o que fez. Porém, nesses mesmos minutos, foi ainda possível perceber o potencial físico e técnico do jogador, mas olhando para o tempo de utilização do plantel, ainda teremos de ver Jara com mais tempo de jogo que o avançado Português por muito e longo tempo, ainda que espere estar engando.

Esses minutos revelaram ainda que a maioria dos adeptos desconhecia Nelson Oliveira, porque o que fez ontem, já antes o havia feito no mundial sub20 ou no empréstimo ao Rennes (que muitos insistem em dizer ter sido mal aproveitado pelo jogador). Por essa net fora já vi muitos pedidos de mais minutos para o jovem e outros tantos escritos de erro de avaliação que haviam feito do avançado. De facto, criticavam quem pedia mais para o Nelson, mas nem sabiam muito bem porquê.

Depois há João Teixeira que entrou, lutou e tentou brilhar, mas não conseguiu. O jovem da equipa B entra em campo para os últimos minutos do jogo com a noção de que tem de conquistar este mundo e o outro naqueles minutos se quiser ter alguma hipótese no futuro, ou seja, o jovem da formação sabe que tem de fazer muito mais e em muito menos tempo que os outros se realmente quiser ter oportunidades sérias. Mas esse sentimento tolda-lhe o discernimento e, normalmente, acaba por fazer tudo mal ou, na melhor das hipóteses (tal como aconteceu ontem), faz quase tudo bem menos a parte mais importante: a decisão. Corre, luta, ganha, limpa o adversário e… tenta brilhar ao nível lendário, quando deveria apenas dar sequência ao lance com um passe. O problema da formação do Benfica não é a falta de qualidade, é sim a falta de continuidade.

Do jogo de ontem sobram ainda as revelações de Lima e Derley. O primeiro revela um nível de ansiedade tal que já nem o trabalho de “sapa” lhe sai bem. Se até aqui víamos um Lima que não marcava, mas que dava a marcar, fosse por assistências directas, fosse por movimentações que abriam espaços, ontem nem isso vimos em Lima, talvez uns tempos de banco lhe possam fazer bem, regressando com adversários mais acessíveis. Do ex-Maritimo sobram pormenores de qualidade enquanto 1º avançado, isto é, não será no chamado papel 9.5 em que JJ o utilizou no início de época que Derley se pode revelar útil, pelo contrário, é e será entre os centrais que o Brasileiro poderá dar o melhor de si à equipa, funcionando como um verdadeiro pivô ofensivo. Pode não marcar muito, mas faz passes e combinações simples que abrem muito e bom espaço para os colegas vindos de traz poderem finalizar

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Análise aos "reforços" (II)

João Teixeira - Chegou, viu e… surpreendeu. Ninguém diria que este jovem da formação, que não se tinha afirmado por completo na época transacta na equipa B, iria estar a um nível ao ponto de se equacionar a manutenção no plantel principal. João teve a sorte de Fejsa estar lesionado, André Gomes ter sido vendido e Almeida e Amorim terem direito às férias pós-Mundial. De outra forma, alguém acredita que este jovem teria os minutos suficientes para ser lançado às feras e demonstrar o seu futebol? Tem muita sopa para comer, mas não há melhor lugar para aprender a comer a sopa que na mesa dos crescidos.

Bernardo Silva - O exemplo diametralmente oposto ao de João Teixeira. Titularíssimo na equipa B, talento da escola de formação e figura assídua no onze das selecções jovens de Portugal, mas sem oportunidades na equipa principal. A ausência de um "10" clássico no esquema de Jesus não explica tudo. Como desaproveitar um talento destes? É ver o que Jesus está a fazer. Dar 10 minutos em amigáveis de pré-época e esperar que saque um coelho da cartola é surreal. Quase provocador. Bernardo tem futebol para ser jogador do Benfica no imediato e tudo para se tornar uma referência nacional no futuro. Isto se houver vontade em apostar nele.

César - Directamente da segunda divisão brasileira para uma equipa de Liga dos Campeões. Talvez o salto seja maior que a perna para César, no imediato. O central canarinho tem características físicas e mesmo técnicas interessantes, mas nota-se claramente a "falta de escola" de quem acaba de chegar da América do Sul. A forma como oferece o corredor central no golo do Ajax é de amador. Mas tem qualidades interessantes para ser trabalhado. Com Luisão, Lisandro, Jardel e havendo a possibilidade de o Benfica contratar mais um central, talvez fosse benéfico para todos se César rodasse um ano por empréstimo na Europa.

Sidnei - Quando chegou à Europa, proveniente do Internacional de Porto Alegre, com apenas 18 anos, antigos colegas e treinadores referiram o seu potencial mas também a falta de vontade e a preguiça que Sidnei manifestava nos treinos. Passaram-se seis anos e vimos tudo isso e mais um par de botas. Sidnei mostrou um grande potencial e uma ausência de vontade em ser o jogador que prometia. Não se cuidou, foi um mau profissional e jamais atingirá os voos que lhe eram destinados. Mais 5 milhões de euros gastos em 50% do passe. A dispensar.

Candeias - Alertámos os nossos leitores para os moldes em que esta contratação foi feita. Explicámos quem foi o intermediário e qual a vontade de Jesus em ter este jogador no plantel. Quase sem oportunidades para se mostrar na pré-época, ontem acabou por ser lançado aos 91 minutos de um jogo que terminaria ao minuto 92. É preciso explicar mais alguma coisa? Independentemente da qualidade que possa ou não ter, a contratação da Candeias foi absolutamente escusada face às necessidades do Benfica. Não percebo isto.

Victor Andrade - A escassez de oportunidades para se mostrar aliada à idade parecem indicar a equipa B como provável destino deste atleta. É praticamente impossível dizer alguma coisa sobre as suas qualidades futebolísticas dado que actuou apenas 7 minutos contra o Marselha e não parece provável que vá ser opção na Emirates Cup.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Benfica-Sporting: segundo raio-X

Nem o Benfica dava sinais de ir conquistar todos os títulos do ano após a vitória sobre o Estoril, nem o Benfica parece agora, depois da derrota contra o Sporting, que está prestes a iniciar uma época desastrosa. São 15 dias de preparação, muitos jogadores novos, capacidade física alterada, um adversário que ontem jogou muito mais próximo do onze com que irá entrar na maior parte dos jogos oficiais do ano. Após estes dois jogos, há sinais positivos, outros negativos. Há dúvidas ainda, há algumas certezas. Compararei os sinais que este jogo me trouxe com as primeiras impressões que escrevi após o jogo com o Estoril:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 


Não há muito a acrescentar ao que escrevi há dois dias atrás. A equipa está, de facto, surpreendentemente bem rotinada após tão pouco tempo e esse é um mérito indiscutível do homem que, compreensivelmente, vem dizer que "só trabalho não chega; tem de haver qualidade". É incrível como esta Direcção tem minado o trabalho de Jorge Jesus, este ano chegando ao cúmulo do ridículo, destruindo por completo uma equipa campeã nacional. Por outro lado, Jorge, este será o ano em que terás plantéis com a qualidade com que os teus antecessores tiveram de trabalhar. Vais poder mostrar que és melhor do que Fernando Santos, Koeman, Trapattoni, Quique e Camacho. Pelo menos é isso que esperamos de ti. 

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

Há pessoas que não têm nem talento nem conhecimento do jogo para analisar rapidamente um jogador. Por isso pedem tempo, "é preciso esperar para ver", etc, etc. Na verdade, saber ver talento num jogador é mais difícil do que saber ver que ele é um mau jogador. E Luís Felipe, para quem sabe e quer ver, é de facto um mau jogador. E para isso não são precisos 3 meses de visualizações; bastam três ou quatro jogadas. 2 jogos depois, os sinais que a primeira jogada do Benfica-Estoril me deu continuam perfeitamente vivos. É o cepo do ano, como já é tradição com esta Direcção. Convinha assumir o erro - tal como com Cortez o ano passado - e contratar um lateral-direito que dê garantias. Fica, no entanto, a pergunta: como é possível alguém dentro do Benfica achar que um jogador mau como Luís Felipe tem atributos para ser contratado?

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 


Não mudo uma vírgula das primeiras impressões. Acrescentaria apenas: com este plantel com tão pouca qualidade e quantidade no miolo, não integrar João Teixeira será um erro dos grandes. Se for preciso, mudem-lhe o nome. Muito bom jogador, John Texas.


Visto o segundo jogo destes dois reforços, mantenho uma dúvida - Benito - e ganho uma certeza - César. 

Sobre o primeiro, preciso apenas de confirmar o seu jogo contra uma equipa diferente do Sporting; ou seja, uma equipa que privilegie um ataque continuado e não, como os leões ontem fizeram, um jogo de contenção e cinismo. O Ajax será um bom teste para avaliar se as preocupações que tenho com Benito são reais ou se o jogador consegue ser um bom reforço. Defeitos: mau posicionamento em situação defensiva, não antecipando os movimentos do adversário e caindo excessivamente na "queima" que ou o faz perder o lance e deixar o extremo ficar isolado ou o força a um jogo demasiado faltoso; nas bolas paradas, Benito hesita muito e é várias vezes apanhado fora do seu espaço, deixando o adversário com tempo para executar; com bola, procura pouco o jogo interior e as combinações com os médios - recorrentemente dá no extremo, ao longo da linha, o que mostra uma compreensão deficiente do que é o jogo. Virtudes: compensa bem o lado contrário da defesa, sempre que a equipa está descompensada; mostra tranquilidade e segurança no seu jogo; boa condição física, subindo e descendo sem dificuldades e sem ficar com as costas desguarnecidas; boa eficácia de cruzamento; consegue ser desequilibrador quando se aventura em zonas ofensivas. Em resumo, não me parece ser o lateral titular de que o Benfica precisa. 

Sobre César, julgo que estamos perante uma boa contratação. Bom jogo nas alturas; excelente a antecipar os lances - pelo ar ou pelo chão -; forte no desarme; percebe bem a necessidade de ser fiel à linha defensiva; tem segurança com bola quando sai com ela ou passa para o miolo, sem dificuldades; lançado em velocidade com o adversário, mostra-se rápido e eficaz na procura do espaço que lhe garanta o desarme. Deve procurar menos os passes de risco para o lateral, quando este está pressionado - a equipa tem de ter mecanismos que o protejam dessa opção, mas o jogador deve também saber defender-se e defender o perigo para a equipa de uma perda de bola em zonas perigosas. Resumindo, tecnicamente capaz, atleticamente forte, tacticamente inteligente, César é já, se Lisandro sair, o segundo melhor central do Benfica e o previsível titular, se não contratarmos ninguém para a posição.


Nada acrescento a "talento puro" e "cabe a Jesus burilar este diamante.

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

Nada acrescento a "será uma das figuras da época".


Nada acrescento a "fica a ideia para o nosso mister reflectir" e "Luís Felipe é um feliz contemplado na Wall of Cepos".

8) Bernardo Silva não pode entrar só a 10 minutos do fim, para uma posição que não é a dele e depois concluir-se que "não serve". Se o Jesus quer desperdiçar talento puro de um puto que é benfiquista até ao tutano, pode dizê-lo publicamente; isto assim é que não. Se quer desculpas, arranje outras. Não vale é fingir que se aposta quando na verdade está-se a apostar em não apostar. 


Diz mesmo tudo. 



sábado, 19 de julho de 2014

Benfica-Estoril: primeiro raio-X

O primeiro jogo da pré-época nunca pode servir de motivo de depressão ou de euforia. Os jogadores têm apenas 15 dias de preparação, procuram ainda a melhor forma de interpretar a ideia de jogo que o treinador tem e entender os restantes colegas e seu tipo de jogo. É, portanto, apenas e só um gerador de primeiras impressões que necessitarão de mais base que as sustente. Sendo assim, vamos ao primeiro raio-X de 2014/2015:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 

Alguns dos pressupostos que orientam a filosofia de Jorge Jesus estiveram bem nítidos neste primeiro jogo. Ainda faltam alguns, os que mais dificilmente são explicáveis a jogadores que chegaram há 3 semanas e começaram a treinar há 2. No entanto, é positivo que tanto trabalho esteja a ser compreendido pelos atletas. É uma das grandes mais-valias do nosso técnico: em termos de treino, é dos melhores do mundo.

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 

João Teixeira, juntamente com Rúben Pinto, Bernardo Silva ou outros jovens da formação, não deve nada a putos que chegam vindos do estrangeiro. A única razão para não serem aposta prende-se com uma estratégia errada de modelo de gestão. No Benfica, pensa-se sempre em fazer lucro, mesmo que no saldo entre compras e vendas na era Vieira o prejuízo seja assinalável. Olhem para os putos, dêem-lhes reais oportunidades, que vão ver brotar daquele Seixal muito titular e muito "activo" que poderá ser vendido no futuro, além do contributo desportivo. Agora, é mesmo se apostarem neles e não se lhes derem um ou outro jogo de pré-época para logo serem encostados quando chegarem mais uns estrangeiros tipo... Luís Felipe.

4) Benito e César - ficam para outras núpcias. Tanto mostraram qualidades como defeitos. Prefiro ver o jogo de amanhã para não ter dúvidas sobre se são de facto reforços ou se estaremos perante jogadores medíocres.

5) Ola John. Um talento puro. É um dos meus jogadores preferidos e no qual tenho muita confiança. Espero poder ver este ano o Ola John de sempre com um acrescento em termos motivacionais e de espírito combativo. A qualidade que este miúdo tem merece ter consequência no relvado. E nós merecemos ter um Ola John a brilhar de águia ao peito. Cabe a Jesus burilar este diamante. 

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

7) Candeias. Imaginando que Gaitán fica (o que não é, de todo, expectável), para as alas teremos o argentino, Salvio, Ola John, Pizzi e Candeias. Não será injusto dizer que o último será a última opção. Tendo em conta que Maxi pode não ficar ou mesmo ficando tem, como teve sempre, problemas posicionais, que Cancelo não é opção para Jesus e que Luís Felipe é, enfim, mais um feliz contemplado na Wall of Cepos, diria que Candeias poderia dar um bom lateral. Fica a ideia para o nosso mister reflectir.

8) Jara - 5,5 milhões de euros - não é nenhum cepo, mas também não justifica ficar no plantel tendo em conta que temos Lima, Cardozo e Derley (e Nelson?). Vendia o gajo. 2 milhões seria um negócio implacável.

9) Aparecer de 5 em 5 minutos a cara do Presidente é uma coisa asquerosa. Esta lobotomia aos benfiquistas - que tem resultado - é demasiado degradante. Numa campanha de angariação de sócios, a escolha para ter como figura da mesma a cara do Presidente diz tudo de quem temos a desgovernar o nosso clube.

10) Calado se estivesse calado era um bom poeta calado. A Benfica TV tem um principal requisito: ser lambe-botas do Presidente, do treinador e de tudo o que se faz no clube. Mas também não exagerem. Nada justifica tanto melão.