Mostrar mensagens com a etiqueta Benfica europeu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Benfica europeu. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Benfica 3-3 Shakhtar - Queda Europeia

Quero falar sobre o jogo de ontem. Quero falar sobre o jogo de ontem porque me deu diversas e distintas sensações. Aliás, discutindo em outros grupos percebi ao intervalo que o meu estado de espirito era bastante diferente do dos outros com quem debatia o jogo. Quero falar sobre o jogo porque para mim foi bem mais que uma simples falta de garra, ou más escolhas de titulares, ou más substituições ou até má exibição. Houve muita coisa a acontecer naquele relvado da Luz.

Começo por dizer que gostei do 11 escolhido. Contudo pensei que Lage daria continuidade à aposta no Samaris e considero que, estando em condições físicas, este jogo era para o Vinicius e não para o Dyego Sousa.

Fiquei satisfeito com a forma como a equipa entrou em campo. Pressão alta colectiva, boa reacção à perda de bola e tentativa de jogar apoiado, com muita bola e pelo chão. Um Benfica com iniciativa, com vontade de se impor na sua casa e na eliminatória. Bastante procura do jogo interior, do futebol entrelinhas, com Taarabt, Pizzi e Chiquinho a surgirem bastante nesse espaço. E um Grimaldo mais soltinho, mais liberto de amarras tolas e com espaço e liberdade para subir, para fletir para o centro e incorporar as jogadas de ataque - aquele lateral 10 que tanto nos encantou na primeira metade da época.

Provou-se que se pressionamos mais e melhor, se temos mais bola e se temos a iniciativa do jogo, provou-se que se formos uma equipa activa e não uma equipa de futebol passivo e expectante, as nossas lacunas defensivas - que existem e precisam urgentemente de ser trabalhadas - são menos evidentes porque estão menos expostas. Se somos nós quem tem bola, quem ataca, quem pressiona e quem condiciona, então o adversário irá ter menos e piores oportunidades para fazer tremer o nosso processo defensivo.

Gostei dos primeiros 45 minutos. Fui com boas sensações para o intervalo. Vi no colectivo da equipa coisas que ainda não tinha visto e que tanto reclamava para ver. Sim, houve um período pior logo depois ao 1-0. Não me refiro ao empate mas sim à reacção ao empate. Foram uns 10 minutos em que a equipa quebrou e voltou a expor-se ao recuar e dar a bola ao adversário. Mas voltámos a assumir o jogo e acabamos claramente por cima.

Individualmente estava bastante agradado com a exibição do Pizzi, com o talento explosivo do Taarabt e com o novo velho Grimaldo. Rafa bastante limitado no momento de decisão e o Dyego a corresponder ao que o jogo lhe pedia - sem brilhar mas a cumprir.

O pós intervalo foi ainda melhor. Com a eliminatória empatada voltámos a querer ser donos do jogo e da bola. Pressão alta, condicionamento da primeira fase de construção do adversário e como consequência o 3-1, a passagem para a frente da eliminatória, uma finalização soberba do Rafa e uma decisão fantástica do Dyego.

Foi até ao 3-1 que vi o Benfica que quero, que vi o potencial desta equipa. Foi até ao 3-1 que finalmente me senti bem a ver um jogo do Benfica. 
O problema foi o pós 3-1. E mais uma vez nem falo do golo sofrido. Falo da reacção a esse golo. Fica comprovado que este Benfica não sabe lidar com alterações no marcador. Impressionante como golos marcados ou sofridos alteram tão drasticamente o futebol desta equipa.

A partir do 3-2, a partir do minuto 49, foi tudo muito mau - à excepção de algumas individualidades. A partir desse momento voltámos a ter o Benfica que se tem arrastado por toda esta época. Fraco, fraquinho. Uma dor. Uma queda abruta na realidade que é o futebol desta equipa.

Vou enumerar o que me ficou da segunda-parte:

- Esta equipa não está fisicamente preparada para um jogo de pressing e rápida reacção à perda de bola. Fizemo-lo durante 30 minutos e não conseguimos mais. Quanto menos temos bola mais temos de correr atrás dela - ou então ficar na expectativa. Mostrámos não ter condições para jogar daquele modo de forma constante.

- O processo defensivo é fraco. Sim o Tavares é júnior. Sim o Dias tem abordagens ridículas aos lances. Sim o Ferro está uma nódoa. Sim o Grimaldo deixa espaço nas costas. Mas estas fragilidades ficam ainda mais evidentes quando o colectivo defende mal. Um exemplo do quanto mal trabalhado é o nosso processo defensivo é a nossa linha de fora-de-jogo. Desorganizada e totalmente descoordenada. Durante o jogo foi ouvir o Pedro Henriques, e depois do jogo muitos outros, culpar o Rafa pelo primeiro golo dos ucranianos. O argumento é que o Rafa como ala teria de correr atrás do lateral fosse como fosse, o argumento é que ali tem de jogar o Cervi porque ele o faz. Vejam a repetição e vão perceber porque o Rafa não acompanhou o jogador. Quem define a linha de fora-de-jogo é o Dias. O Rafa travou a corrida quando chegou a essa linha. O resto da defesa estava fora da linha. Com isso o adversário ficou milimetricamente em jogo. Vamos culpar o Rafa por ter feito defensivamente aquilo que os restantes defesas parecem incapazes de fazer?

- O posicionamento do Chiquinho e do Weigl são inexplicáveis. Tens jogadores de qualidade e retiras-lhes todos seus atributos para os condicionares posicionalmente a ideias sem grande sentido. E assim temos os adeptos a questionar a qualidade e utilidade dos jogadores.

Comecemos pelo português. Principalmente na segunda parte irritou-me o papel do Chiquinho. Um médio criativo, forte nos apoios, no jogo entrelinhas e na chegada à área, andou a jogar como ponta de lança. Quantas vezes o Taarabt recebia a bola no centro ou o Tavares na direita e não havia uma única linha de passe para o centro? E eu via isto e perguntava-me como era possível, onde andava o Chiquinho. Procurando-o fui constantemente encontrá-lo junto ao Dyego no meio dos centrais. Então no nosso suposto médio organizador/segundo avançado andava preso às zonas de finalização. Não fica fácil para o Tavares. O miúdo ainda não tem tomates para acelerar o jogo com bola, para partir para cima do adversário, e assim quando recebe a bola resta-lhe travar e passar para trás ou travar e bombear para a área onde estão todos à espera.  
Mas se o médio ofensivo dos apoios está preso entre os centrais adversários, o médio defensivo dos apoios está preso entre os centrais da própria equipa. Percebo o médio defensivo vir aos centrais buscar jogo mas não entendo que em posse se posicione entre estes e ali fique. Depois queixamo-nos que só passa para trás e para o lado? A alternativa é bombear na frente. Para mim o Weigl tem jogo para ser um Busquets - jogador durante antes incompreendido por quase todos. Mas para isso tem de se posicionar no meio da acção e não fora dela. O Weigl tem de jogar sempre entrelinhas e a dar apoios. Recebe e toca, tabela, desmarca sempre a dar linha de passe na construção entre a pressão adversária. Essa é a qualidade dele - decidir, passar e dar linhas sobre pressão. Estamos a desperdiçar um jogador talentoso porque queremos que seja o Fejsa.

Bruno Lage pode ter Chiquinho e Weigl a dar linhas ao Taarabt, ao Tavares, ao Grimaldo, ao Pizzi e ao Rafa, mas opta por os afastar da zona de construção e obrigar o Taarabt a fazer raides de magia por todo aquele terreno.

Perdemos a eliminatória em casa por dois golos, num jogo que empatámos e que estivemos bem mais próximos de perder do que de ganhar.

Uma palavra para Pizzi e Taarabt. O marroquino foi simplesmente magistral e quanto mais joga mais se percebe a confiança que ganha e coloca nas suas acções. O 21 voltou a mostrar que do que depender dele terá sempre boas exibições seja em que jogo for - o colectivo tem de ajudar pois Pizzi é bom mas não é Jonas. Duas excelentes exibições.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Potencial para voar tão mais alto

Venho de uma geração que viu o Benfica ganhar muito pouco. Pelo menos até aos últimos anos.

Agora já me alimentei de títulos. Já me empanturrei de vitórias. E isto parece uma droga. Quanto mais consumo mais quero.

Somos Tetra. Quero o Penta. A nossa história pede o Penta. É o único caminho para o Hexa que a nossa grandeza merece.

Na minha ignorância sobre o mundo das drogas sei que as há mais leves e pesadas. No meu vicio de títulos, no meu desejo de um Benfica mais poderoso, também existe esta distinção.

Taças da Liga já não me animam. Supertaças são só um começo. Taças de Portugal uma pequena euforia. Campeão Nacional já não bate como batia.

Quero. Preciso. Desespero. Imploro.

Sonho com o título da Europa. Anseio um Benfica Colosso Europeu.

Chega da pronta condenação à derrota frente a clubes da primeira linha da Europa. Chega de somente nos batermos com os Zenits, Monacos e Besiktas deste Futebol.

Numa altura em que somos favoritos ao título que nos torna Penta, também temos de assumir uma real ambição europeia.

Quem dirige o Benfica não pode abdicar desta maravilhosa alegria em prol das comissões e favorzinhos que (n)os beneficiam no meio de tanta compra e venda.

Com o caparro do Tetra estou convicto que estamos prontos para arrancar nesta aventura.


No fim do campeonato olhei para a nossa equipa e vi:

Um excelente plantel com juventude para evoluir, experiência para estabilizar e talento para dar e vender. Um conjunto enorme de jogadores habituados a ganhar e a sentir o peso de uma camisola campeã.

Uma “cantera” recheada de talentos. O Seixal tem perfume de Futebol.

A possibilidade de fazer dezenas de milhões de euros sem que isso criasse danos irreparáveis na preparação de uma nova época gloriosa.

Uma equipa de prospecção conhecedora dos vários talentos e oportunidades de negócio que andam por esse mundo fora.

E uma massa adepta gloriosa – exigente, numerosa e mergulhada numa paixão imensa. Um povo benfiquista a elevar aos céus os que em campo usam a sua camisola. Tsunami vermelho.

De todas, esta pareceu-me ser a época de preparação mais simples. Bastaria não inventar.

Uma pré-época organizada, um departamento médico renovado e um ou outro reforço para fortalecer o grupo. Manter a alma da equipa intacta, fortalecer ainda mais a identidade do grupo e não tocar em nenhum dos hemisférios do cérebro.

Vender sabemos que é obrigatório.
Jogadores como o Semedo, o Ederson e o Lindelof teriam de ser vendidos. Dois deles ou até mesmo os três.
Milhões mais que suficientes para o sustento do clube e para o reforço do plantel.

Tanto na baliza como na lateral direita a segurança já estava à partida salvaguardada.

O Júlio César é um excelente guarda-redes. É o guardião ideal para ir segurando as pontas enquanto um discípulo se fosse preparando para ultrapassar o mestre.

O Almeida é o nosso bombeiro. Dá toda a confiança para uma época regular à direita.
Com um toque táctico - deslocação do Pizzi para a direita e a inclusão de um verdadeiro 8 no onze – talvez nem fosse essencial um reforço para a posição.
Além disso temos o Pedro Pereira. Um jovem, um grande investimento, um jogador que está há seis meses a treinar com o plantel principal. Portanto, obrigatoriamente pronto para a luta pelo lugar.

A maior urgência seria o reforço da zona central da defesa. O Lisandro não tem qualidade para ser mais do que o suplente do Luisão. E o Jardel será sempre um central mediano – esforçado, forte e benfiquista mas mediano. Além disso o seu pico de forma foi há dois anos e com esta época de lesões e sem minutos esse balão já esvaziou.
O Luisão continua a ser o Luisão mas cada vez mais próximo do adeus. A cada ano que passa fica defensivamente mais frágil.

A dupla Luisão-Jardel oferece-nos a segurança das rotinas afinadas mas peca pela qualidade individual de ambos.

Este é um problema que nem teria de o ser. Há um orçamento para contratações, um orçamento reforçado pelos milhões das vendas.
É urgente o reforço com dois centrais: um para chegar, convencer e vencer, outro para afirmar o seu potencial no decorrer da época.

Sendo o primeiro obrigatório, o segundo até poderia ser o Kalaica.

Neste nosso contexto, e acrescentando a prendinha antecipada que foi o Seferovic, o sonho teria de finalmente se tornar uma realidade.

Infelizmente, quando tudo o que se pedia era organização e planificação – atributos que a auto-intitulada super-estrutura tanto se gaba de dominar – falharam. E agora corre-se atrás do prejuízo.

Forçou-se a venda dos 3 referidos. Vendas quase certas desde Abril e nenhum reforço antecipadamente assegurado.

O Pedro Pereira não foi devidamente preparado.

O reforço central só se tornou uma preocupação depois do último amigável da pré-temporada.

Para a baliza perdeu-se tempo com brincadeiras do Mendes. Por agora, a três dias do arranque da época, o substituto do Ederson é o Varela.

Para a direita o despertar também foi lento. Parece estar quase resolvido mas a pré-época já voou.

Quando a soberba é muita…

Nem um joguinho de apresentação aos sócios e nem uma homenagem ao King dá para organizar.

Ainda somos favoritos ao título. Ainda trilhamos no caminho do Penta.
Mas enquanto continuarmos com estas brincadeiras nunca subiremos ao escalão de Benfica Europeu.

Campeão de pré-época não é aquele que vence mais ou todos os jogos. É aquele que se prepara melhor nos meses que antecedem o arranque do campeonato.
E aqui dou razão ao presidente do Benfica - não fomos nós. 

Por agora o Penta só treme por esta defesa estar nas mãos do Vitória.

Portanto, venham de lá os reforços se fizerem favor.



quinta-feira, 12 de março de 2015

Campanha Europeia na Luta Pelo Campeonato

Há um tópico que gera sempre discordância, mesmo aqui entre os escribas do Ontem: o percurso europeu condiciona de forma negativa ou positiva a campanha no campeonato?

Não há uma resposta universal a esta pergunta. Não há uma casualidade entre as duas competições que se verifique de forma constante.

Há vários factores que condicionam esta resposta. Tudo depende do contexto.

Condição física; Moral; Concentração; Motivação; Confiança; Gestão; Entusiasmo.

Estes são alguns factores a ter em consideração.

A caminhada até à final de Amesterdão não coincidiu com o título de campeão nacional mas a caminhada até à final de Turim coincidiu.

Na minha filosofia, uma equipa grande com um treinador de alto nível conseguirá sempre beneficiar de uma boa campanha europeia.
Num clube ambicioso, exigente e alimentado por vitórias, só consigo aceitar que sucessos fomentem sucessos.

O ano passado fomos campeões também ao colo das vitórias europeias e não apesar delas.
Há dois anos as vitórias europeias deixaram-nos festejar o titula na Madeira e depois perdê-lo na Luz? Não acredito.
O empate caseiro com o Estoril e a derrota no Dragão estiveram longe de ser responsabilidade dos jogos europeus ou do Carlos Martins. Há uma gestão física e mental que deve ser feita e que nessa época não foi. Jogar a medo só resulta uma vez e calhou ser na presente temporada no Estádio do Dragão.

Este Porto de Lopetegui irá beneficiar ou sair prejudicado pela continuidade na Champions?

Como já disse, acredito que uma equipa grande e bem treinada irá sempre beneficiar de boas campanhas europeias. Principalmente no campeonato português.
Nessas equipas as vitórias alimentam-se com vitórias e a cultura de vitória é imprescindível para qualquer sucesso. Uma boa campanha europeia gera um aumento de confiança nos jogadores, aumenta a união entre jogadores e adeptos, dá estofo ao plantel e mantém a equipa a competir sempre a um ritmo elevado.

Há três factores cruciais.

- A questão física não é um mito. Mas uma equipa como a do Porto ou a do Benfica têm de ter um plantel que permita uma cirúrgica rotatividade nos jogos do campeonato sem que essa prejudique as ambições de serem campeões nacionais.

- A questão mental depende da liderança e também da personalidade dos jogadores. Um avançar na Liga dos Campeões pode tanto criar entusiasmo e confiança na equipa para todas as competições como pode levar a desconcentração e desvalorização dos jogos nacionais. Se a gestão física é importante, a gestão de psicológica é ainda mais.

Neste contexto o cansaço é mais significativo em equipas espanholas, italianas ou inglesas do que para as portuguesas (campeonato português é menos exigente) mas a parte psicológica é mais determinante em Portugal do que nesses outros campeonatos (campeonato português é menos prestigiante).

- O terceiro factor é a propensão para lesões. Contudo não posso aceitar que uma equipa trabalhe condicionada pelo receio destas. As lesões são acasos que não podem, à partida, condicionar uma competição.

Felizmente para o Benfica, este Porto ainda não atingiu um nível de maturação que o faça espelhar no campeonato um sucesso europeu. É a minha opinião.
Portanto, apesar de considerar que tanto o Benfica como o Porto deveriam ser mais fortes no campeonato com os sucessos europeus, este Porto está numa fase de construção que o distancia deste equilíbrio.

Não será nunca por uma questão física pois Lopetegui já mostrou não ter receios da rotatividade. Usou-a em excesso no primeiro terço do campeonato e a equipa chega a esta fase fisicamente fresca e com as segundas linhas prontas para competir.

Considero que o grande desafio do treinador portista será o foco dos seus jogadores. Este plantel está recheado de qualidade mas também de jogadores têm as suas ambições muito distantes do campeonato português. São jogadores que vieram para o Porto ganhar tempo de jogo nas partidas nacionais e para se mostrarem aos seus clubes e/ou ligas mais fortes nas competições europeias. São demasiados os jogadores que não percebem a rivalidade com o Benfica nem o valor de se ser campeão nacional.
Portanto irão eles sentir aquela motivação extra numa deslocação a Vila do Conde? Irão arriscar colocar o pé nas vésperas de uma meia-final europeia? Irão manter os níveis de concentração entre os jogos europeus e nacionais?
Mais que nunca irão valer a este Porto jogadores como o Quaresma, Maicon e Helton, sendo ou não titulares.

Este será o grande desafio do treinador espanhol. Saber gerir mentalidades, saber focar a equipa, recarregar baterias e conseguir transmitir a importância de ser campeão nacional. Além disso, deverá também perceber que há jogadores que poderão dar mais num jogo com o Arouca do que aqueles que são habitualmente titulares. Falo do Ruben Neves, do Quaresma, do Evandro e do Ricardo, por exemplo.

Se o Lopetegui não me surpreender, prevejo um Porto a sair prejudicado no campeonato pela continuidade europeia.

E vocês?