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sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Benfica acima de tudo!

O Pedro Ferreira, da Tertúlia Benfiquista, é um dos bloggers que, tendo uma visão sobre o clube que nem sempre corresponde à minha, mais respeito neste meio de tascas virtuais. Muito por aquilo que escreve e como o escreve mas também porque, fazendo parte do Jornal do clube e da Benfica TV (aqui como convidado, parece-me), nunca o vi fazer figuras ridículas e submissas - ao contrário de outros, já aqui bastante malhados, um em particular, que decidiu contradizer tudo o que tinha dito antes.

De modo que fiquei curioso quando me disseram que este blogue, e especificamente eu, havíamos sido referenciados num programa sobre a blogosfera que passou ontem na televisão do clube. E mais espantado fiquei quando ouvi ao Pedro uma pequena queixa de que teria sido no passado alvo de alguma crítica da minha parte. Sinceramente, não me recordo, Pedro, porque te tenho em consideração - já critiquei o blogue, pelo rumo que tem tido nos últimos anos, mas parece-me que com a ressalva de que tu continuavas a manter o nível que a Tertúlia teve durante muito tempo. Se te sentiste melindrado com alguma queixa ou farpa menos apropriada, desde já me desculpo porque, como disse atrás, aprecio bastante a tua forma de viver o Benfica. Fica, no entanto, a ressalva, para que nos não equivoquemos. E agradeço o elogio.


À parte isso, devo confessar que o debate foi muito pobre, só ganhando algum interesse quando - lá está - o Ferreira dissertava sobre os temas. O resto dos comentadores - um que desconheço totalmente e os outros dois que conheço da Tertúlia - enveredaram por um discurso de "defesa do Benfica" que me parecia uma coisa de igreja adventista do 7º dia, contradizendo-se de cada vez que abordavam um tema. 


Primeiro, defendiam a ideia de que a blogosfera tem um poder muito reduzido (noção com a qual estou a 100 por cento de acordo) e que havia quem achasse que os blogues são mais do que aquilo que eles são (mais uma vez, concordo). Mas, de repente, para defenderem a sua forma de estar e ser benfiquistas - Gonçalo até diz: "eu compreendo todas as outras opiniões mas eu ponho acima de tudo o Benfica", o que não sei se é compreender assim tão bem as outras opiniões mas posso ser eu e o meu benfiquismo "violento" - dizem que nos blogues não devemos falar mal das opções técnicas e estratégicas do clube porque "estamos a dar força aos rivais". 

Então mas em que é que ficamos? Isto - este lugar de palavras atiradas umas vezes com reflexão, outras de raiva e catarse (concordamos, Carlos) - é importante ou não é? Fiquei confuso no meio daquilo tudo. E depois o senhor de barba que desconheço mas com um sotaque nortenho benfiquista que é sempre apreciável também não me esclareceu - manteve a bitola dos outros dois: dizer mal das nossas políticas é dar força aos rivais e à comunicação social. E eu a pensar que isto não tinha importância nenhuma ou uma importância tão reduzida que chega a ser ridículo o peito feito de alguns ilustres bloggers. 


A ver se nos entendemos: esta merda, como a certa altura é dito e bem no programa, não é representativa de quase nada. Eu na blogosfera encontro uma oposição aos dirigentes do Benfica que, quando estou no estádio, no tasco ou na rua, não aparece. A maior parte dos benfiquistas adora o Vieira, defende-o de todos os ataques, crê genuinamente que é com ele que o Benfica um dia - pode ser daqui a 50 anos, não sabemos - vai conseguir ganhar dois campeonatos consecutivos. Sim, isto tem um poder ridículo e nada condizente com a realidade. Aceitemos isto e deixemos os discursos incongruentes para fundamentar as nossas opiniões, quando nos convém. 


Criticar o que está mal feito no clube é não só um direito mas um dever. Não dá força a ninguém nem tem de dar - só dará se a estrutura for fraca e é, mas nesse caso a culpa não será decididamente de uns quantos bloggers que acham todo este circo que se passa no Benfica uma afronta à História do clube. E não deixa de ser curioso que defensores acérrimos e violentos de Vieira passem o tempo a desculpar-se com as arbitragens. 

Meus caros, vocês não têm legitimidade para falar nas arbitragens. É assim e é muito simples. Não porque há erros técnicos do Jesus ou incompetência do Vieira, como diz o Carlos, mas porque o Presidente que vocês apoiam deu o aval a um corrupto de tomar conta do poder no futebol português - para além das várias relações promíscuas que mantém com outros agentes corruptores (só o Fialho acha que o Oliveira é um apenas um homem de negócios; nem vocês acham isso). É como chamar hipócritas aos portistas por festejarem títulos sabendo que eles estão impregnados de batota: estão e são hipócritas, tal qual um benfiquista que aceita que o Presidente que defende apoie um corrupto para a Liga e para a Federação e, ainda assim, passe o tempo a dizer que foi prejudicado. Mas estavam à espera de quê, de uma estratégia genial que, de repente, mudasse o rumo dos últimos 30 anos? 


"Roma não paga a traidores", diz o Pedro, no meio da sonolência de um programa que insiste no mesmo erro hipócrita. É lógico, Pedro. E obrigado, Pedro. Haja alguém que, na Benfica TV, admite que foi (e é) um erro de graves repercussões para o Benfica andar de mãos dadas com corruptos. E é importante realçar outro factor: há quem, na blogosfera, analise os acontecimentos após eles terem ocorrido - o que não falta por aí agora é gente a dizer mal do Vieira e do apoio ao Gomes e das relações com o Oliveira e do Emerson a época inteira e das tácticas suicidas do Jesus e do Roberto na época passada. O que falta, e sempre faltou, é gente que analise antes de elas acontecerem. Mas existe quem o faça. Nós fazemo-lo - com as responsabilidades e exposição ao insulto que conhecemos -, outros fazem-no (Eterno Benfica, Céu Encarnado, Geração Benfica, Ndrangheta, etc) e, por algum motivo obscuro, esta visão das coisas - reflexão, antecipação de problemas, discussão crítica, problematização - é tida como um benfiquismo que não é bem o benfiquismo que deve existir. 

"O Benfica acima de tudo", pois claro que sim, Gonçalo, só que tu és um benfiquista que és dos bons, daqueles que faz entediantes análises banais ao que se passou num jogo - "Nolito entrou aos 62 minutos de jogo para o lugar de Gaitán, que tinha uma ligeira lesão no joelho esquerdo" ou que nunca assumiu uma posição frontal contra toda a podridão que existe no nosso clube; é tudo culpa dos outros, não é? Até o Jesus, que agora é-te Deus, era mau porque tinha falado na playstation -, daqueles que defendem o Benfica "acima de tudo" mas que, claro, compreendem todas as outras opiniões. E andamos nisto: este autismo mascarado de benfiquismo melhor que os outros. É o problema da incapacidade de análise: redunda sempre numa incompreensão do que é diferente.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A minha ideia para o Benfica - Parte 2 - Comunicação

Comunicação

Esta é uma área crucial que, em meu entender, tem sido explorada de forma deficiente. A Comunicação não deve ser um corpo estanque que apenas serve para uns comunicados pueris – normalmente apontando a alvos exteriores -, misturando desinformação com novelas mexicanas que nada favorecem à compreensão e conhecimento dos benfiquistas dos problemas/acções do clube.

A Comunicação deve servir, primeiro, para informar os adeptos, com o detalhe possível (algo mais interno deverá ser anunciado e discutido em Assembleias Gerais), de todas as acções e áreas estruturais do Benfica e, segundo, quando os alvos são extrínsecos, apontar, de forma inteligente aos visados. O Benfica não deve, na minha opinião, reagir a tudo o que mexe com Comunicados imberbes. Deve, antes, se decide apontar incongruências de arbitragem, responder a discursos de rivais ou refutar informação duvidosa por parte da Comunicação Social, planear e escolher criteriosamente a forma como o faz.

Um exemplo claro é a quantidade de Comunicados, muitas vezes dizendo quase nada, que o Clube tem lançado nos últimos tempos. Defendo, como resposta, quando o Benfica acha que o assunto merece uma acção, não tanto a opção de Comunicados no site oficial, mas a convocação de conferências de imprensa em que, através de um discurso firme, sólido, inteligente, por vezes irónico quando o assunto merece esse tratamento, defende o seu ponto de vista e põe a nu o que pretende refutar.

No caso das arbitragens, não basta colocar vice-presidentes em figuras ridículas nos programas semanais ou comunicar no site que o clube se sente “lesado”; exige-se muito mais: uma análise detalhada dos erros, comparando-os com situações similares que foram ajuizados de forma completamente diferente – tanto no próprio jogo, em favor do adversário, como em jogos dos rivais -, com recurso a imagens.

Este procedimento terá muito maior visibilidade, chegará a muito mais gente, pressionará os árbitros a uma maior justeza nas apreciações (não se pretende que nos favoreçam; pretende-se apenas que nos não prejudiquem) e ditará as leis que avisarão os demais que o Benfica está atento e pronto a revelar as diferenças de tratamento entre clubes.

Não sou um apologista do discurso vitimizador; durante anos defendi que não devíamos abordar tanto este tema mas após a época vergonhosa a que todos assistimos, este assunto não pode ser tratado com leviandade, antes com acções assertivas que defendam o clube das jogadas podres de bastidores deste nosso futebolzinho podre e corrupto. Se possível, com elevação e ironia pontualmente, para que a mensagem passe sem que tenhamos de cair num discurso chato, de coitadinhos, que nos não interessa nem é essa a nossa génese.

Aos adeptos, a informação tem de ser clara. Basta de comunicados que, em vez de informar, confundem ainda mais. São vários os exemplos de vendas de jogadores cujas cláusulas não entendemos. Não que sejamos burros, mas porque a informação geralmente vem em códigos. Isto não é informar, é desinformar, raiando muitas vezes o desrespeito, porque assente num discurso que é claramente voltado para o não entendimento claro das particularidades dos negócios.

Os adeptos e particularmente os sócios merecem saber em que moldes são feitas as vendas e compras, com que valores, que cláusulas têm, com que percentagem exacta fica o clube. Afastá-los dessas informações será sempre afastar o clube daquela que é a sua origem: de todos, um. E não mais do que isso: de todos, um.

No aspecto comunicacional ainda há muito a melhorar. Na Benfica TV, que tem melhorado mas que persiste ainda como braço armado da Direcção, o que é, do ponto de vista informativo e da opinião, um atentado claro à verdadeira democraticidade e pluralidade de vozes. Não defendo um canal de televisão em que constantemente se criticam as acções da estrutura (isso seria contraproducente), mas uma grelha de programação que equilibrasse bem a informação propriamente dita com espaços em que benfiquistas de todos os quadrantes pudessem dar as suas opiniões, preferencialmente gente anónima, que não tem nada a dever aos órgãos de soberania e que muitas vezes é esquecida ou calada.

Noutro espectro informativo, o Site oficial terá de ser reformulado e evoluído. O que existe é pobre, pouco funcional, nada interactivo e parco para um clube desta dimensão. Entendo que as vitórias devem ser empolgadas em detrimento das derrotas mas não consigo compreender que, muitas vezes, resultados menos bons sejam relegados para o total esquecimento ou que as crónicas sobre os jogos sejam de um alheamento da realidade e clubite aguda que mais valerá ler os jornais desportivos do que passar os olhos por textos absurdos de tão facciosos. Isto serve também para os comentários aos jogos na Benfica TV, em que, se se exige benfiquismo, não se pede um completo alheamento ao jogo e uma forma tão enviesada de ver lances e decisões arbitrais.

Há muito a melhorar mas também há que manter o que tem qualidade: programas como “Vitórias e Património”, as excelentes pesquisas de Alberto Miguéns (que acho que já não está na Benfica TV), os “Em Linha”, os jogos de todas as camadas jovens e modalidades e outros são inegáveis mais-valias para a divulgação e expansão do Benfica. Que outros se juntem à grelha de programação para que a Benfica TV seja, de facto, um canal de grande qualidade e benfiquismo.

Como projecto futuro, penso que a ideia de uma rádio do Benfica faria todo o sentido. Obviamente alicerçado num orçamento possível e numa plataforma que o tornasse viável. Seria mais uma estaca de Benfica para todo o Mundo.

À Comunicação tem de exigir-se também um ponto fundamental: a relação íntima com todas as outras áreas, a informação específica e detalhada de tudo o que se vai fazendo em todas as outras sub-estruturas. Como escrevi no post anterior, especialmente na área da “Gestão Financeira”, que é crucial para que os benfiquistas entendam de que forma estão a ser geridos os bens do clube.

Para Vice-Presidente, tenho vários nomes, tal como para Director de Comunicação, Director da Benfica TV, Responsável pelo Site e equipa em geral. Dou, portanto, alguns, sem que se esqueça que a premissa passa por perfis antes de nomes:

Ricardo Araújo Pereira, Ricardo Palacín, João Gobern, Carlos Daniel, José Eduardo Moniz, Pedro Ribeiro, Pedro Ferreira