O Pedro Ferreira, da Tertúlia Benfiquista, é um dos bloggers que, tendo uma visão sobre o clube que nem sempre corresponde à minha, mais respeito neste meio de tascas virtuais. Muito por aquilo que escreve e como o escreve mas também porque, fazendo parte do Jornal do clube e da Benfica TV (aqui como convidado, parece-me), nunca o vi fazer figuras ridículas e submissas - ao contrário de outros, já aqui bastante malhados, um em particular, que decidiu contradizer tudo o que tinha dito antes.
De modo que fiquei curioso quando me disseram que este blogue, e especificamente eu, havíamos sido referenciados num programa sobre a blogosfera que passou ontem na televisão do clube. E mais espantado fiquei quando ouvi ao Pedro uma pequena queixa de que teria sido no passado alvo de alguma crítica da minha parte. Sinceramente, não me recordo, Pedro, porque te tenho em consideração - já critiquei o blogue, pelo rumo que tem tido nos últimos anos, mas parece-me que com a ressalva de que tu continuavas a manter o nível que a Tertúlia teve durante muito tempo. Se te sentiste melindrado com alguma queixa ou farpa menos apropriada, desde já me desculpo porque, como disse atrás, aprecio bastante a tua forma de viver o Benfica. Fica, no entanto, a ressalva, para que nos não equivoquemos. E agradeço o elogio.
À parte isso, devo confessar que o debate foi muito pobre, só ganhando algum interesse quando - lá está - o Ferreira dissertava sobre os temas. O resto dos comentadores - um que desconheço totalmente e os outros dois que conheço da Tertúlia - enveredaram por um discurso de "defesa do Benfica" que me parecia uma coisa de igreja adventista do 7º dia, contradizendo-se de cada vez que abordavam um tema.
Primeiro, defendiam a ideia de que a blogosfera tem um poder muito reduzido (noção com a qual estou a 100 por cento de acordo) e que havia quem achasse que os blogues são mais do que aquilo que eles são (mais uma vez, concordo). Mas, de repente, para defenderem a sua forma de estar e ser benfiquistas - Gonçalo até diz: "eu compreendo todas as outras opiniões mas eu ponho acima de tudo o Benfica", o que não sei se é compreender assim tão bem as outras opiniões mas posso ser eu e o meu benfiquismo "violento" - dizem que nos blogues não devemos falar mal das opções técnicas e estratégicas do clube porque "estamos a dar força aos rivais".
Então mas em que é que ficamos? Isto - este lugar de palavras atiradas umas vezes com reflexão, outras de raiva e catarse (concordamos, Carlos) - é importante ou não é? Fiquei confuso no meio daquilo tudo. E depois o senhor de barba que desconheço mas com um sotaque nortenho benfiquista que é sempre apreciável também não me esclareceu - manteve a bitola dos outros dois: dizer mal das nossas políticas é dar força aos rivais e à comunicação social. E eu a pensar que isto não tinha importância nenhuma ou uma importância tão reduzida que chega a ser ridículo o peito feito de alguns ilustres bloggers.
A ver se nos entendemos: esta merda, como a certa altura é dito e bem no programa, não é representativa de quase nada. Eu na blogosfera encontro uma oposição aos dirigentes do Benfica que, quando estou no estádio, no tasco ou na rua, não aparece. A maior parte dos benfiquistas adora o Vieira, defende-o de todos os ataques, crê genuinamente que é com ele que o Benfica um dia - pode ser daqui a 50 anos, não sabemos - vai conseguir ganhar dois campeonatos consecutivos. Sim, isto tem um poder ridículo e nada condizente com a realidade. Aceitemos isto e deixemos os discursos incongruentes para fundamentar as nossas opiniões, quando nos convém.
Criticar o que está mal feito no clube é não só um direito mas um dever. Não dá força a ninguém nem tem de dar - só dará se a estrutura for fraca e é, mas nesse caso a culpa não será decididamente de uns quantos bloggers que acham todo este circo que se passa no Benfica uma afronta à História do clube. E não deixa de ser curioso que defensores acérrimos e violentos de Vieira passem o tempo a desculpar-se com as arbitragens.
Meus caros, vocês não têm legitimidade para falar nas arbitragens. É assim e é muito simples. Não porque há erros técnicos do Jesus ou incompetência do Vieira, como diz o Carlos, mas porque o Presidente que vocês apoiam deu o aval a um corrupto de tomar conta do poder no futebol português - para além das várias relações promíscuas que mantém com outros agentes corruptores (só o Fialho acha que o Oliveira é um apenas um homem de negócios; nem vocês acham isso). É como chamar hipócritas aos portistas por festejarem títulos sabendo que eles estão impregnados de batota: estão e são hipócritas, tal qual um benfiquista que aceita que o Presidente que defende apoie um corrupto para a Liga e para a Federação e, ainda assim, passe o tempo a dizer que foi prejudicado. Mas estavam à espera de quê, de uma estratégia genial que, de repente, mudasse o rumo dos últimos 30 anos?
"Roma não paga a traidores", diz o Pedro, no meio da sonolência de um programa que insiste no mesmo erro hipócrita. É lógico, Pedro. E obrigado, Pedro. Haja alguém que, na Benfica TV, admite que foi (e é) um erro de graves repercussões para o Benfica andar de mãos dadas com corruptos. E é importante realçar outro factor: há quem, na blogosfera, analise os acontecimentos após eles terem ocorrido - o que não falta por aí agora é gente a dizer mal do Vieira e do apoio ao Gomes e das relações com o Oliveira e do Emerson a época inteira e das tácticas suicidas do Jesus e do Roberto na época passada. O que falta, e sempre faltou, é gente que analise antes de elas acontecerem. Mas existe quem o faça. Nós fazemo-lo - com as responsabilidades e exposição ao insulto que conhecemos -, outros fazem-no (Eterno Benfica, Céu Encarnado, Geração Benfica, Ndrangheta, etc) e, por algum motivo obscuro, esta visão das coisas - reflexão, antecipação de problemas, discussão crítica, problematização - é tida como um benfiquismo que não é bem o benfiquismo que deve existir.
"O Benfica acima de tudo", pois claro que sim, Gonçalo, só que tu és um benfiquista que és dos bons, daqueles que faz entediantes análises banais ao que se passou num jogo - "Nolito entrou aos 62 minutos de jogo para o lugar de Gaitán, que tinha uma ligeira lesão no joelho esquerdo" ou que nunca assumiu uma posição frontal contra toda a podridão que existe no nosso clube; é tudo culpa dos outros, não é? Até o Jesus, que agora é-te Deus, era mau porque tinha falado na playstation -, daqueles que defendem o Benfica "acima de tudo" mas que, claro, compreendem todas as outras opiniões. E andamos nisto: este autismo mascarado de benfiquismo melhor que os outros. É o problema da incapacidade de análise: redunda sempre numa incompreensão do que é diferente.
De modo que fiquei curioso quando me disseram que este blogue, e especificamente eu, havíamos sido referenciados num programa sobre a blogosfera que passou ontem na televisão do clube. E mais espantado fiquei quando ouvi ao Pedro uma pequena queixa de que teria sido no passado alvo de alguma crítica da minha parte. Sinceramente, não me recordo, Pedro, porque te tenho em consideração - já critiquei o blogue, pelo rumo que tem tido nos últimos anos, mas parece-me que com a ressalva de que tu continuavas a manter o nível que a Tertúlia teve durante muito tempo. Se te sentiste melindrado com alguma queixa ou farpa menos apropriada, desde já me desculpo porque, como disse atrás, aprecio bastante a tua forma de viver o Benfica. Fica, no entanto, a ressalva, para que nos não equivoquemos. E agradeço o elogio.
À parte isso, devo confessar que o debate foi muito pobre, só ganhando algum interesse quando - lá está - o Ferreira dissertava sobre os temas. O resto dos comentadores - um que desconheço totalmente e os outros dois que conheço da Tertúlia - enveredaram por um discurso de "defesa do Benfica" que me parecia uma coisa de igreja adventista do 7º dia, contradizendo-se de cada vez que abordavam um tema.
Primeiro, defendiam a ideia de que a blogosfera tem um poder muito reduzido (noção com a qual estou a 100 por cento de acordo) e que havia quem achasse que os blogues são mais do que aquilo que eles são (mais uma vez, concordo). Mas, de repente, para defenderem a sua forma de estar e ser benfiquistas - Gonçalo até diz: "eu compreendo todas as outras opiniões mas eu ponho acima de tudo o Benfica", o que não sei se é compreender assim tão bem as outras opiniões mas posso ser eu e o meu benfiquismo "violento" - dizem que nos blogues não devemos falar mal das opções técnicas e estratégicas do clube porque "estamos a dar força aos rivais".
Então mas em que é que ficamos? Isto - este lugar de palavras atiradas umas vezes com reflexão, outras de raiva e catarse (concordamos, Carlos) - é importante ou não é? Fiquei confuso no meio daquilo tudo. E depois o senhor de barba que desconheço mas com um sotaque nortenho benfiquista que é sempre apreciável também não me esclareceu - manteve a bitola dos outros dois: dizer mal das nossas políticas é dar força aos rivais e à comunicação social. E eu a pensar que isto não tinha importância nenhuma ou uma importância tão reduzida que chega a ser ridículo o peito feito de alguns ilustres bloggers.
A ver se nos entendemos: esta merda, como a certa altura é dito e bem no programa, não é representativa de quase nada. Eu na blogosfera encontro uma oposição aos dirigentes do Benfica que, quando estou no estádio, no tasco ou na rua, não aparece. A maior parte dos benfiquistas adora o Vieira, defende-o de todos os ataques, crê genuinamente que é com ele que o Benfica um dia - pode ser daqui a 50 anos, não sabemos - vai conseguir ganhar dois campeonatos consecutivos. Sim, isto tem um poder ridículo e nada condizente com a realidade. Aceitemos isto e deixemos os discursos incongruentes para fundamentar as nossas opiniões, quando nos convém.
Criticar o que está mal feito no clube é não só um direito mas um dever. Não dá força a ninguém nem tem de dar - só dará se a estrutura for fraca e é, mas nesse caso a culpa não será decididamente de uns quantos bloggers que acham todo este circo que se passa no Benfica uma afronta à História do clube. E não deixa de ser curioso que defensores acérrimos e violentos de Vieira passem o tempo a desculpar-se com as arbitragens.
Meus caros, vocês não têm legitimidade para falar nas arbitragens. É assim e é muito simples. Não porque há erros técnicos do Jesus ou incompetência do Vieira, como diz o Carlos, mas porque o Presidente que vocês apoiam deu o aval a um corrupto de tomar conta do poder no futebol português - para além das várias relações promíscuas que mantém com outros agentes corruptores (só o Fialho acha que o Oliveira é um apenas um homem de negócios; nem vocês acham isso). É como chamar hipócritas aos portistas por festejarem títulos sabendo que eles estão impregnados de batota: estão e são hipócritas, tal qual um benfiquista que aceita que o Presidente que defende apoie um corrupto para a Liga e para a Federação e, ainda assim, passe o tempo a dizer que foi prejudicado. Mas estavam à espera de quê, de uma estratégia genial que, de repente, mudasse o rumo dos últimos 30 anos?
"Roma não paga a traidores", diz o Pedro, no meio da sonolência de um programa que insiste no mesmo erro hipócrita. É lógico, Pedro. E obrigado, Pedro. Haja alguém que, na Benfica TV, admite que foi (e é) um erro de graves repercussões para o Benfica andar de mãos dadas com corruptos. E é importante realçar outro factor: há quem, na blogosfera, analise os acontecimentos após eles terem ocorrido - o que não falta por aí agora é gente a dizer mal do Vieira e do apoio ao Gomes e das relações com o Oliveira e do Emerson a época inteira e das tácticas suicidas do Jesus e do Roberto na época passada. O que falta, e sempre faltou, é gente que analise antes de elas acontecerem. Mas existe quem o faça. Nós fazemo-lo - com as responsabilidades e exposição ao insulto que conhecemos -, outros fazem-no (Eterno Benfica, Céu Encarnado, Geração Benfica, Ndrangheta, etc) e, por algum motivo obscuro, esta visão das coisas - reflexão, antecipação de problemas, discussão crítica, problematização - é tida como um benfiquismo que não é bem o benfiquismo que deve existir.
"O Benfica acima de tudo", pois claro que sim, Gonçalo, só que tu és um benfiquista que és dos bons, daqueles que faz entediantes análises banais ao que se passou num jogo - "Nolito entrou aos 62 minutos de jogo para o lugar de Gaitán, que tinha uma ligeira lesão no joelho esquerdo" ou que nunca assumiu uma posição frontal contra toda a podridão que existe no nosso clube; é tudo culpa dos outros, não é? Até o Jesus, que agora é-te Deus, era mau porque tinha falado na playstation -, daqueles que defendem o Benfica "acima de tudo" mas que, claro, compreendem todas as outras opiniões. E andamos nisto: este autismo mascarado de benfiquismo melhor que os outros. É o problema da incapacidade de análise: redunda sempre numa incompreensão do que é diferente.