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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

De Inconsciência Tranquila

«No afã de apontar gente com soberbas deficiências mentais no meio do granel que compõe a massa disforme de adeptos que apoiam os nossos rivais, os arautos do benfiquismo têm tido o justificado acto de apontar a essa maralha de ignóbeis alimárias a mania de saberem mais sobre o Meu Clube do que nós próprios... atenção que "apontam" mas com o dedo mindinho, porque apontar com o indicador é má educação e todos os arautos acreditam que Ser Benfiquista é ter os valores tão moralmente altos que o próprio Cristo Rei está de braços no ar porque está a tentar tocar os valores morais do SLB sem sucesso, o palerma... De entre os principais argumentos apresentados, destaco o "os corruptos sabem melhor o ano em que ganhamos a Taça Latina do que nós" e o "os lagartos sabem mais sobre o Sr. Domingos Claudino do que nós"... se és benfiquista e ficaste a franzir o nariz por não saberes de cor a resposta a estas duas acusações, nada temas... és apenas um entre milhões e sempre podes perguntar a um corrupto ou a um lagarto a resposta certa.

Sempre reconheci razão a estas acusações e infelizmente, vejo a mesma razão aumentar exponencialmente de cada vez que o conhecimento geral dos Benfiquistas acerca do sue clube é colocado à prova. Fazendo uma pequena sondagem (que não vou fazer), podia colocar aos adeptos do SLB a seguinte questão "qual é clube qual é ele que: não sabe ter desportivismo para aceitar que o rival seja campeão no seu terreno; tem um presidente que se envolve em sessões de pancadaria em aeroportos; arranja sarrabulhos no túnel do seu estádio; tenta proibir a presença de presidentes rivais na sua sala de imprensa; tem uma inusitada relação de amizade com um clube que recebe o SLB à pedrada e desliga as luzes do estádio durante os jogos; tem dezenas de jogadores emprestados a outros clubes da 1ª Liga; os seus jogadores dão peitadas a árbitros?". Aposto que 90% responderiam "corruptos do porto"... e no entanto... a resposta estaria errada. Por outro lado, se a fizesse a mesma pergunta a adeptos rivais a resposta seria "Benfica" e estaria correcta. Eles conhecem-nos, rais'osparta...
 
O cerne do problema acerca deste (des)conhecimento geral reside no facto de a massa adepta do SLB acreditar na imutabilidade de valores do clube de forma tão crédula, que chega ao absurdo de se recusar a reconhecer as evidências que contrariam o seu credo. O último caso de navalhada de ponta-e-mola nos valores do clube é um bom exemplo da desculpabilização assente em visão turva e retinas mais abandalhadas do que um carro conduzido pelo cherbakov... ah, e uma boa dose de criatividade, como podemos ver nos comentários por essa internet fora: "Luisão não deu uma peitada no árbitro, respirou ao pé dele e o gajo fez teatro" talvez tenha sido apenas um movimento de expansão do tórax com origem na inspiração de ar ... "Luisão só deu uma peitada, beluschi deu duas" tivesse o alemão aguentado estoicamente como o idiota do duarte gomes e era rapaz para ter levado as duas também... "Luisão ia defender Martins e Maxi" talvez porque eles sejam judeus e o Luisão topou uma garrafa de zyklon B nas mãos do boi amarelo... "isto é tudo marosca da máfia azul" se o meu intelecto fosse suficiente para entender esta, talvez conseguisse inventar uma resposta para ela.

O inconsciente acreditar de que, independentemente da acção protagonizada, os valores do clube nunca são colocados em causa leva a que estes vão sendo paulatinamente apagados dos estatutos morais do Sport Lisboa e Benfica. Os Benfiquistas "legalizam" as atitudes menos correctas de quem veste a nossa camisola, algemando-se assim ao bulldozer que segue a todo o vapor contra o muro de granito onde está inscrita a grandeza do Meu Clube. É oficial, o benfiquista não conhece o seu clube. Parece uma garina que simula uma amnésia para recusar reconhecer o marido na rua pois não quer ser associada pelas amigas a um indivíduo com barba por fazer e dois dentes incisivos superiores em ouro. Talvez o que se esteja a passar é que os adeptos do Glorioso Sport Lisboa e Benfica estão a mandar às malvas aquela máxima de "pode-se trocar de sexo, de família, de nome, de nacionalidade, de mulher, de boxers ou de peúgas (estes com menos frequência), mas nunca se troca de clube". Falo por mim, nasci e cresci a apoiar o Sport Lisboa e Benfica e actualmente sou fanático pelo Sport Lisboa e Benfica SAD... na teoria é a mesma coisa... na prática começa a haver uma décalage grande entre os dois. Troquei de clube, mau benfiquista me confesso, mereço o desterro a cavar hortaliças e rabanetes na relva de alavalade... mais alguém se quer penitenciar?»

 
Do irmão Constantino, no A Mão de Vata, um texto que, enfim, diz tudo. Pelo menos para nós, os abutres.

sábado, 21 de abril de 2012

Barcelona ou Real Madrid? Benfica.

O Constantino, sempre na crista da actualidade, já abordou o assunto, mas permitam-me ir um bocadinho mais longe. O que se passa em Portugal em relação a Barcelona-Real Madrid é de uma pobreza de espírito assinalável. Não o amor pelo futebol, pelas rivalidades, pelo desejo de ver grandes jogos, grandes artistas, grandes duelos; não a genuína paixão pelas emoções ou a curiosidade de saber quem, de entre reais ou independentistas, sairá vencedor. Isso é puro, humano, eterno.

O que me potencia o grito de espanto é a forma como tudo isto é vivido. Tudo de um facciosismo sem justificação, de um pseudo-clubismo órfão de pátria ou de afectos. Os jornais dilaceram o nosso campeonato com excessivas e demagógicas loas - hoje o "A BOLA" faz a primeira página mais ridícula da história, em que remete o campeonato português para um plano secundário (e hoje só está em discussão o título e as duas equipas que o disputam em jogo) -, as rádios não se calam com o duelo ibérico, nas televisões vemos comentadores lamberem os beiços a Mourinho e seus jogadores, de uma forma que nada tem a ver com a análise ao jogo, apenas e só porque Mourinho e seus jogadores, alguns, são... portugueses. Tudo isto de uma pobreza de visão, de um portugalzinho de parolos e invejosos, de lambe-botas, de mentecaptos. Os mesmos que, umas horas depois, são capazes de usar dessa boçalidade popular que nos define bem como povo: "de Espanha, nem bom vento nem bom casamento". Mas boa submissão.

E o povão vai atrás, submisso. Escolhem-se barricadas, delimitam-se linhas no chão que distinguem uns e outros, mesmo que uns e outros não sejam nem de uns nem de outros. Os adeptos preferem equipas - mas não lhes basta a preferência; insultam, arriscam teorias, avançam pela contenda defendendo os seus "merengues" ou seus "culés", como se tivessem nascido debaixo das muralhas do Santiago Bernabeu ou do Camp Nou. 

Esquecem-se das suas próprias equipas, dos clubes que dizem defender e avançam, destemidos, pelo clubismo de aluguer. Não há nada que o justifique ou o legitime. Apenas uma resposta banal à vozearia que os jornais e as rádios e as televisões emitem. Seguem a matilha, seguros de que afinal são mesmo do Real Madrid ou então são de certeza do Barcelona e nem sequer compreendem o ridículo de tudo isto. Nem a razão que o sustente. "Ser" do Real Madrid porque lá jogam portugueses, desculpem, é ridículo; "ser" do Barcelona porque fazem um futebol fabuloso, perdoem-me, é absurdo. Aceita-se que vibrem com as boas equipas, compreende-se que tenham preferências patrióticas (embora não se compreenda muito bem este patriotismo feito de coisa nenhuma), mas "ser" de algo que nos não é íntimo? Como e porquê? Com que bases? A propósito de quê?

Não me entendam mal: gosto dos dois. São clubes eternos, pela História, pelo palmarés, por aquilo que significam para os seus povos. Ao longo do caminho, tenho gostado mais de uns e depois de outros, sempre na perspectiva do adepto que gosta de futebol e vibra com os grandes clubes. Mas "ser", peço desculpa, SOU do Benfica. Já vi grandes jogos no Santiago Bernabeu, já fui ver o Barcelona ao Vicente Calderon, a Huelva e a Salamanca. Gostei de vê-los, aos dois, com os seus jogadores fabulosos e a massa adepta fiel e sempre presente. Ouvi aqueles "uuuuuuuuuuuui" de um golo que afinal não foi. Emocionei-me com o Rivaldo ou com o Laudrup (dos dois lados da barricada), não aguentei o espanto ao ver Ronaldo o fenómeno ao vivo ou a surpresa de observar a inteligência sublime de Iniesta ou de Zidane. E está bem assim: amor, puro e duro, pelo futebol.

Mais do que isso, zero. Acho ridículo, imbecil, deslocado. Uma traição sem sentido ao clube que amamos. E espero - sem esperar - que hoje ninguém fique em casa porque "vai dar um jogo muito importante na televisão". 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Resposta em post ao POC e Bcool (contratações) e um conselho à Ulricha (prémio 1x2)

1. Caríssimos POC e Bcool, como é evidente a qualquer ser pensante (e vocês se calhar não sabem disto, mas fazem parte desse grupo), ao Benfica falta mais do que lateral-esquerdo. Falta um lateral-direito que seja não só uma alternativa a Maxi mas um sério candidato ao lugar - o uruguaio divide jogos de grande qualidade com jogos aberrantes, à imagem da primeira época - e falta um central que dê garantias de qualidade - nem o puto que já não é assim tão puto Vítor nem o velho que ainda não é assim tão velho Jardel as dão. 

Ainda falta também um rompedor, um gajo que sirva menos as vontades de joguinhos pelo meio e procure outro tipo de movimentação, mais em rasgo, mais pela ala, mais nos desequilíbrios, mais a mais, mais. Conto, no entanto, que Pérez tenha retirado o antigo cérebro e no seu lugar tenha hoje um frondoso e pujante cerebelo iluminado, com vista para a lucidez e com regime de humildade completa. Mas não tenho a certeza. Fico-me só nos "ses" a ver se talvez sim.

Mas sejamos sinceros: a um dia de acabar a janela de oportunidades, a nossa preocupação máxima tem de estar guardada (até porque pedir, peça-se sempre pouco, para não cansar o dador) para a vontade em começar a jogar com 11. É que... entrar sempre com menos um cansa muito, desgasta, deixa os nossos rapazes menos capazes de ir e emendar a merda que o Nelo paulistano vai meticulosa e proficuamente fazendo pelos relvados nacionais. É este rapaz jogador para a primeira liga?, pergunto-me. É capaz. Para um Setúbal, talvez, mesmo um Nacional, a suplente. Que ele seja do Benfica e titular é, enfim, todo um mundo de novas oportunidades aí à sua frente. Teve sorte. Teve estrelinha. Não é estrela nenhuma. Não vale grande merda. Não é grande espingarda. É um cepo.

De modo que, sim, compreendo os vossos esquentamentos de adeptos fervorosos e nervosos e compenetrados e preocupados e atentos mas, permitam-me o pragmatismo que me invade pelo pânico de ver as horas indo ao encontro da fronteira mensal, já esqueci esses problemas de somenos. Estou nem aí, como diz o outro. O que eu quero é um jogador de futebol. Pode ser aquele gajo do Gil Vicente, o tal de Caiçara. 22 aninhos, talento à solta, umas 100 vezes melhor do que o rapaz dos olhos tristes. Podem começar já por aqui.

Em respeito às vossas ansiedades, já disse que tinha Salino como o verdadeiro acerto de Janeiro. Médio, lateral-direito, jogador de conjunto com qualidade. Ao meio, Dedé. Mas também esse esquecido João Real. Certo: tem 28 anos. Precisamente o que precisamos: experiência, consistência, tranquilidade. 

E agora o terror: Djaló não era mal pensado.


 2. Minha cara Ulricha, você decida-se. Se me permite, gostava de lhe dar um conselho: escolha 3 candidatos a ingressar à experiência. Os 3 vão fazer 3 posts (um cada) que serão colocados à votação dos nosso leitores. O que ganhar, fica com o mês a mandar nisto (quando eu digo "mandar" é poder escrever aqui; obviamente será corrido a vergastadas e insultos constantes à mesma). 

Escolha de entre os nossos leitores os 3 que lhe agradam mais. Mas não valem gajos consagrados e com blogues. Esses ficam lá no lugar deles e vêm aqui dizer parvoíces. Era só o que faltava que se viessem imiscuir na pornográfica página do blogger deste tasco! Logo, as suas recomendações (Constantino e Diego) estão postas de parte. 

E, já sabe: pode sempre reconsiderar, dar uma de corajosa e aceitar o prémio que ganhou. Fica ao seu critério, mas despache-se que quanto mais cedo eles chegarem mais cedo vão embora. O que é um descanso para o meu coração. Não vale recrutar o Emerson.



Pssssssst: à vossa direita, nova sondagem extremamente importante e com muita pertinência: Vieira abrirá o bigode quando? Votem em inconsciência.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Os meus Eusébios preferidos - II - A mão de Vata

Merece isto uma explicação, antes do elogio: o blogue "A Ilíada Benfiquista" só não está aqui elogiado porque desapareceu do filme, entre películas estragadas e técnicos de som demasiadamente vocacionados para os pequenos cultos da decadência parisiense. O que JAS fez pelo Benfica é algo que ficará nas entretelas do benfiquismo e, portanto, só quem gosta de chupar a carne do osso compreende. O blogue em si morreu, pode ser que regresse um dia.

Sem mais, chegamos hoje ao elogio de um blogue que mantém não só uma regularidade assinalável (menos em dias de jogo, claro) como a certeza de estarmos perante um espaço de benfiquismo que humilha a vocação e o esforço de Himmler. Não, este rapaz, que se chama Constantino, ama tanto o nosso clube que faz dele uma via para ser mais feliz. 

Alguém já leu o "A mão de Vata"? Uns dirão: "claro que já li, achas que és o primeiro?"; outros, mais preocupados com as taxas de juro, olharão primeiro para o quadro da Mona Lisa que têm em casa, dirão à mulher, entre sorrisos e desamores, "ó filha, sai da frente do televisor", e, no fim, vão perguntar ao espelho: "mas de que caralho está ele a falar?". 


Falo do man que vive o Benfica conseguindo a proeza de gozar com ele e amá-lo, numa poção mágica que advém do facto de ser um cromo mais sentimental e obviamente mais inteligente do que a grande maioria dos que fazem blogues em louvores ao Benfica. Ler o Constantino é tentar traduzir as entranhas de todos nós, benfiquistas e portugueses, enquanto comemos mais um pastel de bacalhau e achamos que, sim, este é que foi como devia ser.


Eu falo por mim: se o Benfica fosse liderado por gente como o Constantino, de certeza que não haveria João Gabriel. É que até para a farpada é preciso ter classe. E o "A mão de Vata" tem uma classe que não vive no Cagalhão para a Comunicação e não sobrevive à incapacidade dos benfiquistas rirem de si próprios. É uma coisa que vem de dentro, não sei explicar, é instintivo e damiano. 


Mas o que eu quero mesmo dizer é que o Constantino é dos gajos mais bonitos da blogosfera benfiquista. E nem sequer tem de fazer por isso. Ama de tal forma o clube que abdica de levá-lo tão a sério que lhe crie cabelos brancos. Se me permitem: Carrega, Constantino!