O erro é um acontecimento natural em todas as profissões. Correctores de bolsa, médicos, bancários, empregados de mesa, advogados, jornalistas, todos erram. Os árbitros não são excepção. Tempos houve em que o erro na arbitragem se associou a um elevado clima de suspeição e com motivos que o justificavam. Mas os tempos mudaram. De uma classe composta por gente desonesta e corrupta, o paradigma da arbitragem no futebol português alterou-se com o folhetim Apito Dourado, que teve consequências muito positivas no que toca à transparência e honestidade intelectual dos juízes do jogo.
Depois de uma geração composta por homens como Pedro Proença, João Ferreira, Pedro Henriques ou Duarte Gomes, árbitros com maior ou menor competência, com qualidades e com defeitos, uns mais vaidosos, outros mais arrogantes e outros ainda bastante inseguros, mas todos eles minimamente idóneos e íntegros, abriu-se um gap geracional com a saída destes ex-árbitros. Deu-se lugar a uma classe que apesar dos estudos, dos seminários e das formações é francamente inexperiente e que tem mostrado não ter arcaboiço mental para lidar com as pressões de que tem sido vítima. Uma classe que hoje é facilmente influenciável.
Pelos erros próprios de Sporting e Porto, foram os árbitros a pagar a fava. É sempre mais fácil culpabilizar esta classe que assumir os próprios erros. Os principais rivais do Benfica colocaram o futebol português em estado de sítio, pondo em causa a honestidade dos árbitros e em perigo a sua integridade física, com as ameaças de morte que são conhecidas. E como se viu pelo seminário organizado que juntou Conselho de Arbitragem, árbitros e dirigentes dos clube dos campeonatos profissionais, as tão propaladas decisões controversas foram, na sua larga maioria, correctas.
O problema vem depois. Os árbitros, fruto da sua inexperiência, vão acusar o toque. Se exceptuarmos Jorge de Sousa e Artur Soares Dias, não há em Portugal árbitros que conjuguem experiência e qualidade. Esta nova geração sentiu o toque e isso viu-se hoje na Luz. Não conheço Luís Ferreira, árbitro da partida de hoje. Não sei se é bom ou mau árbitro, se o seu coração bate pelo Benfica, Sporting, Porto ou Carcavelinhos. Acredito na sua boa fé, até na sua competência técnica, mas hoje mostrou que a sua classe é excessivamente vulnerável fruto da inexperiência e que está mais predisposta a cometer erros contra quem tem o alvo a si apontado, neste caso o Benfica. Errou como erram os jovens correctores de bola, os jovens médicos, os jovens bancários, os jovens empregados de mesa, os jovens advogados e os jovens jornalistas. Errou porque não tem experiência. E este grupo actual de árbitros é profundamente inexperiente. É, neste momento, o problema desta classe.
