Este é um dos temas mais fracturantes da equipa de futebol. Sem estrangeiros até 1979, o Benfica hoje em dia praticamente quase que não tem portugueses e por consequência deixou de alimentar a selecção portuguesa.
Há os pragmáticos que não se importam com a nacionalidade pois o que lhes interessa é ganhar. A esses eu pergunto, onde estão os títulos, é que quase não chega. Outros mais líricos sonham com um Benfica de portugueses e de preferência da formação, mas rapidamente são inquiridos sobre qual o verdadeiro valor dos craques formados no Benfica. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, o problema do Benfica nas laterais poderia estar razoavelmente resolvido se os jogadores formados tivessem sido aproveitados.
A verdade é que os jogadores jovens portugueses mal começam a destacar-se preocupam-se em conseguir o contrato das suas vidas, mesmo que isso implique passar muitos jogos no banco e pararem o seu desenvolvimento enquanto jogadores. Mas não nos podemos esquecer que os estrangeiros pensam exactamente da mesma forma. Além disso porque será que há sempre tempo para um estrangeiro mas não para um português ? Isto já sem falar em Emersons ou Robertos ...
Seja dada a palavra a quem está por dentro do assunto:
"Tive quatro anos fora e quando cheguei a Portugal estava um pouco desfasado e sem termos de comparação em relação à 2.ª Liga e aos jogadores. Hoje estou perfeitamente identificado e é um dos motivos pelo qual me custa sair. O Benfica, posso dizer, tem uma qualidade muitíssimo boa de jogadores, também por isso fomos campeões nacionais de juvenis e juniores. E no esboço de plantel que temos idealizado para o ano está o João Nunes, o Guzzo e o Rebocho, que ainda são juniores, o Gonçalo Guedes, Diogo Gonçalves e o Ruben, que ainda são juniores de primeiro ano, e temos um jogador que, para mim, é para entrar de caras na equipa principal do Benfica mais tarde, se a evolução dele for compatível, que é o Renato Sanches. Estes jogadores, se houver coerência num projeto, têm de aumentar o número de utilizações na época seguinte. Quem vier de fora tem de ser muito melhor dos que os que já estão no clube. Uma coisa é comprar um Gaitán, um Enzo Pérez, ou um Matic, que já têm valor e, aí, é tudo uma questão de ter ou não dinheiro, a qualidade está lá. A outra questão é quando se investe em miúdos de 17/18 anos, de países e culturas diferentes, e é preciso ver se são melhores dos que os que já estão no clube. E o facto de virem de fora ou o fator financeiro não podem determinar que esses mesmos jogadores se imponham. Essa imparcialidade tive e terei sempre." - Norton de Matos
Pergunta para queijinho - Como foram, em termos de desempenho desportivo, os primeiros 6 meses (ou 1 ano) dos jogadores identificados por Norton de Matos como tendo qualidade indiscutível ?