A força que tem um nome. Mo-ha-med Sa-lah Gha-ly. Digo um nome de jogador ou rezo em preces numa mesquita?
Quando o Mohamed entrou em campo na Quinta-feira passada eu bocejava quando o Sporting tinha a bola e animava quando o Sporting a perdia. Estava um jogo curioso: a equipa que tinha 10 jogadores dava um banho de futebol na equipa que tinha 11 jogadores e ainda se permitia refrescar a frente de ataque enquanto ia marcando golos e criando jogadas de perigo de minuto a minuto.
Um dos responsáveis pela façanha, além do Oceano, dá pelo nome de Mohamed Salah, um rapaz que por preconceito e estupidez deste que vos escreve parecia ser mais um medíocre jogador da equipa suíça que ia entrar para ter uns minutos, tendo em conta a fraca oposição que se lhe deparava.
Mas não. Salah tocou pela primeira vez na bola e iluminou o campo todo. Sem altura suficiente para andar na montanha russa, com perninhas de rã e corpo de imberbe anão, de bola pela cintura, Mohamed - e como é belo dizê-lo com este "h" que vem do badalo da garganta: Mo-hhhhhhha-med - não precisou de ter a bola nos pés muito tempo para criar futebol pelo estádio todo, fazendo até dos seus companheiros aquilo que pareciam ser jogadores de uma classe inolvidável. O rapaz tem um jeito de veludo, um cérebro mais rápido e mais bonito do que os outros, uns pés maravilhosos nas ancas e aquela precisão de segundos para o passe fatal - ou, se quiserem, para o passe iniestal.
Prevejo coisas muito bonitas para este nanico de 20 anos. Há ali um tipo de futebol que é raro. Maestro, corre até El Gharbia, promete descontos de MiniPreço por 5 anos à progenitora de Mo-ha-med, trá-lo para Portugal com passaporte de fêmea egípcia, esconde-o no Sul de Espanha - que afinal é o Algarve - e para o ano apresenta-o como sucessor do teu sucessor. O piso 3 anseia por novos azimutes geniais.