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sexta-feira, 13 de junho de 2014

O crescente poder de Jorge Gomes na Prospecção do Benfica


É com grande preocupação que assisto à preparação da nova época. Enquanto benfiquistas, temos um passado recente traumático no que diz respeito à preparação de temporadas após sermos campeões. Foi em 2005, com aquisições feitas apenas no fim de Agosto, já a 8 pontos dos líderes, e também em 2010, com as rábulas do Roberto, do médio defensivo substituto de Ramires que nunca chegou e uns irrecuperáveis 9 pontos de desvantagem ao cabo de 4 jornadas. Qual será desta vez o motivo de preocupação para 2014/2015 quando ainda estamos na primeira metade de Junho, a mais de dois meses do começo da época?

Jorge Gomes. Uma verdadeira Guerra dos Tronos na Prospecção do Benfica. Guerra essa que está a ser [cada vez mais] ganha por Jorge Gomes em detrimento de José Boto, um dos principais responsáveis pelo departamento de prospecção e pelas grandes aquisições que o Benfica tem feito nos últimos anos. É preocupante, para não dizer assustador, verificar que Boto está prestes a terminar contrato e a sair do Benfica enquanto Gomes, o tal que proferia que o Futebol Clube do Porto era a sua religião, que tão bem "recebia" os adversários à boca do Túnel das Antes como naquele Porto x Benfica de 1991, que foi braço direto de Reinaldo Teles no departamento de futebol do Porto, intermediário nos pagamentos em dinheiro e em géneros a árbitros, ex-arguido no caso José Guímaro, e primo de António Araújo, ganha cada vez mais poder dentro do Benfica. Vinte anos depois daquelas imagens de um homem com um bigode farfalhudo e uns óculos ainda ao estilo dos anos 80, eis Jorge Gomes, também mais anafadinho, vermelho por fora, mas com o mesmo azul de há vinte anos por dentro.


Jorge Gomes até pode nem ser um mau prospector. Pode até ter algum talento para descobrir jogadores. Álvaro Pereira, Otamendi, James Rodríguez e Radamel Falcao são, de facto, craques que podem actuar em equipas da média/alta roda europeia. E foi Jorge Gomes que os descobriu e trouxe para Portugal… mais concretamente para o Porto, isto já enquanto funcionário do Benfica. Atentem bem como decorrem os processos de transferência dos jogadores referenciados na América do Sul: são semanas e semanas de notícias a dar conta do interesse do Benfica. O nome do atleta é sempre "bufado" por alguém, sendo impossível manter o mínimo de secretismo nos negócios. E só se o Porto não os quiser (via Jorge Gomes) é que acabam no Benfica. E mais interessante que isso é observar que dos grandes jogadores que o Benfica contratou na América do Sul nos últimos anos, apenas e só Enzo Pérez é que veio pela mão de Jorge Gomes. De resto, nem David Luiz, Cardozo, Ramires, Di Maria ou Nico Gaitán tiveram o dedo de Gomes. Já craques como Franco Jara, José Luís Fernández, Shaffer ou o pack de 5 uruguaios que andam perdidos/esquecidos pela equipa B ou empréstimos, vieram com a chancela de Jorge Gomes. Enquanto que os jogadores que desviou do Benfica para o Porto foram fundamentais na conquista de vários campeonatos para os azuis-e-brancos, os que acabaram por chegar à Luz foram apenas e só responsáveis pelo avolumar de atletas com contrato, passivo financeiro e dores de cabeça para os benfiquistas.

E Boto? Com ele, o Benfica virou-se para o centro/leste europeu e contratou um punhado de sérvios de qualidade, jogadores de créditos firmados como Witsel, Siqueira e ainda ilustres desconhecidos que dentro de alguns anos serão dos melhores na suas posições (Oblak, Dawidowicz ou mesmo Benito). O que têm em comum estas contratações? Além da celeridade, o facto de terem sido tratadas com o máximo sigilo, sendo pouquíssimas as fugas de informação para a imprensa, com os nomes a serem apenas ventilados quando tudo está praticamente preto no branco, com contratos assinados e malas feitas.

E eis-nos chegados à preparação da época 2014/2015. Enquanto Boto fica a cargo do mercado da Europa central e de leste, assegurando Dawidowicz e Benito e falhando Gerhardt apenas e só por questões contratuais e de opção de carreira do alemão, Gomes entretém-se a apresentar grandes craques a Luís Filipe Vieira, fazendo-lhe crer que é com estes jogadores que o Benfica atacará as principais provas em que está envolvido. Quem? Concretamente Candeias e Djavan. Dois jogadores que Gomes apresentou directamente a Vieira, para desconhecimento do restante staff da Prospecção. Ainda para mais, para total desconhecimento de Jorge Jesus ou Rui Costa, dada a autonomia de que Gomes goza na Prospecção encarnada.

Jorge Gomes, mais que um membro com liberdade para exercer uma actividade autónoma e sem supervisão no departamento de Prospecção do Benfica, continua a ser um dos principais responsáveis pelas contratações do futebol encarnado. Mais especificamente, é o principal responsável pelas piores contratações do Benfica dos últimos anos. E enquanto desenvolve esta actividade ao serviço do nosso clube, apresentando-se inclusivamente em conferências que dá como membro do scouting do Benfica, desenvolve paralelamente um papel fundamental em algumas das melhores contratações do FC Porto dos últimos anos.

O Benfica tem gente desta nos seus quadros. Autênticos cavalos de Tróia. E prepara-se para perder José Boto. Urge fazer algo.



domingo, 1 de setembro de 2013

45 milhões de euros em 12 jogadores emprestados

Alípio Brandão - 5 milhões de euros
Lisandro López - 5 milhões de euros
Sidnei - 7 milhões de euros
Airton - 5 milhões de euros
Pizzi - 6 milhões de euros
Fariña - 3,5 milhões de euros
Franco Jara - 5,5 milhões de euros
Derlis González - 1 milhão de euros
Léo Kanu - 1 milhão de euros
Kardec - 2,5 milhões de euros
Michel - 0,5 milhões de euros
Carlos Martins (equipa B) - 3 milhões de euros


Escolhi estes 12 jogadores como exemplos do que é a política desportiva no Benfica. A ideia estapafúrdia de que devemos comprar tudo o que mexe na esperança de encontrar um que sirva uma venda que compense todo o restante investimento nas outras dezenas de jogadores só pode sair da cabeça de algum oligofrénico. Atenção que estes são os mais conhecidos - a lista de contratações e dispensas, de jogadores que nunca chegaram a vestir a camisola, de apostas dúbias, de empréstimos absurdos é extensa e demoraria uma eternidade a analisar.

A ideia é estapafúrdia porquê? Porque desvaloriza o que deve ser a competência na prospecção - o que define uma boa equipa de prospectores é exactamente acertar cirurgicamente nos jogadores que aponta como boas alternativas às necessidades do Benfica. Se é para comprar atletas aos camiões, não precisamos de prospectores profissionais - qualquer blogger, padeiro, motorista ou limpa-chaminés fará o serviço. O que caracteriza uma boa prospecção é exactamente a qualidade no acerto. Em 10, tem de acertar 8 e não 2 em 10 - isso é absolutamente ridículo, dispendioso para o clube e, pior do que tudo, retira espaço aos miúdos da formação, que assim estão tapados por jogadores sem qualquer qualidade.

Estes 12 jogadores custaram ao Benfica nada mais nada menos do que 45 milhões de euros. Dos 12, 7 nunca jogaram oficialmente pela equipa principal. Há aqui qualquer coisa que está profundamente errado, como é evidente. E não se trata só de incompetência - há uma estratégia absurda que passa por receber comissões pelas compras, empréstimos idiotas no sentido de favorecer futuras negociatas e nenhuma visão sobre o que deve ser a política desportiva no Benfica.

Poderemos refutar estes 45 milhões com as percentagens de alguns passes vendidas a fundos. O problema é que, para essas receitas, teremos de juntar os gastos: os ordenados pagos a estes jogadores durante anos a fio (total ou parcialmente, dependendo dos contratos de empréstimos) e o facto de aqui estarem apenas 12 e não toda a quantidade de jogadores que temos sob contrato, que todos juntos, bem somados, darão pelo menos mais uma dezena de milhões de euros. 

São 45 milhões de euros enterrados em jogadores que não estão a servir o clube. Entretanto, e apesar de o Benfica parecer ser rico ao ponto de ter 45 milhões de euros desperdiçados em jogadores que o não representam, o plantel principal parte para a nova época sem um único lateral que garanta a qualidade necessária a uma equipa que quer ganhar títulos. É o caos em que vive o Benfica.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prospecção

Depois de Djuricic, Markovic. O Benfica está, muito bem, a apostar na qualidade histórica dos jogadores dos balcãs. É este o caminho - mais prospecção na Europa e menos contentores de sul-americanos. São, em regra, jogadores de qualidade técnica elevada, bom porte físico, conhecimento sobre o jogo. Duas excelentes contratações para Jesus moldar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Prospecção

Confesso que esperava uma abordagem por parte do Benfica a Tiago Rodrigues e Ricardo e fico desiludido por saber que irão jogar no Porto na próxima temporada. Os dois têm um potencial tremendo e, se é verdade que custaram apenas 2 milhões de euros, acabaram por ser um negócio fantástico para os nossos rivais. Ao menos que os tivéssemos forçado a gastar mais uns milhões nos jogadores. Paciência. Olhemos para outros talentos do futebol português. Eu começaria por Josué.