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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Jorge Jesus de Ontem para Hoje

Não vou aos tempos do Amora recuperar o trio de centrais de Jorge Jesus, importa-me somente perceber o Benfica nas mãos de JJ.


Na sua primeira passagem pela Luz apresentou-se ao clube com a forte afirmação que a equipa consigo jogaria o dobro. Dito e feito. Nas mãos de Jorge Jesus a nossa equipa começou a jogar muito mais.

Agora no seu retorno foi ainda mais ambicioso. Assim que chegou afirmou que a equipa iria jogar o triplo e que nos ia oferecer espectáculo. Dito porém longe de ser feito. Este novo Benfica do Jorge Jesus tarda em carburar e tem reunido apáticas exibições atrás de enfadonhas exibições.

Verdade seja dita, o nome é o mesmo, o homem é o mesmo, mas o treinador está longe de o ser.

Jorge Jesus habituou-me a um futebol aberto, rápido e muito desequilibrado. Só quando a equipa estava muito bem trabalhada é que o dito desequilíbrio nos favorecia. Mas acima de tudo, Jorge Jesus habituou-me a uma equipa forte no jogo sem bola, expert na capacidade de defender com poucos e extremamente potenciadora da criatividade ofensiva.

Com o seu 4-2-4 fazia evoluir os seus centrais, elevava a estrelas os médios com que segurava o meio campo e espremia todo o talento dos criativos da frente, procurando um Benfica dinamizador e goleador.

Partir o jogo e lançar ataques rápidos sempre foi uma característica do futebol de Jorge Jesus. Isso não mudou. Desaproveitar a formação, casmurrar com certos jogadores por si escolhidos e arrogantizar por aí fora, também são características que se mantêm. Aliás, a arrogância é a sua característica mais visível e muitos dissabores nos tem dado, tanto por certos comportamentos quanto devido à cegueira que esta lhe causa na hora de mexer no jogo.

O problema é que o essencial que fazia de Jorge Jesus um potencial magnifico treinador parece estar desvanecer-se com o tempo.

- Extrair futebol de talentos.

- Defender bem com poucos.

- Atacar com criatividade.

A expectativa de ver certos jogadores nas mãos de Jorge Jesus tornou-se numa pura desilusão. Chiquinho, Pedrinho, Jota, Pizzi, Darwin, Waldschmidt, Everton, Krovinovic, Florentino e Gonçalo Ramos. Pouco se espremeu, muito pouco se lapidou.

A velocidade do Rafa, a qualidade de um jogador feito como é o João Mário e um super jogador como é o Weigl, têm sido o destaque individual deste Benfica.

Dedo do Jorge Jesus só mesmo em zonas mais recuadas do terreno. Viu-se logo uma forte melhoria no posicionamento do Rúben Dias e estamos a ver um Otamendi muito mais seguro do que aquele trapalhão que cá chegou.

Quanto ao processo defensivo ficou evidente o fracasso de Jorge Jesus na época passada. A equipa defendia mal e o treinador do Benfica para contrariar isso só teve uma solução: colocar mais um defesa em campo. Foi assim que passámos para os 3 centrais.

E nada tenho contra um sistema de três centrais. Contudo não gosto quando é usado por estes motivos e somente com o objectivo de tapar a baliza, de encher a área defensiva.

Por fim temos a pouca criatividade que o ataque do Benfica tem demonstrado nas mãos deste novo mais velho Jorge Jesus. Não é por acaso que praticamente todos os jogadores criativos têm falhado. Este treinador nunca valorizou a posse de bola mas também nunca descurou do ataque apoiado, mesmo jogando em transições rápidas.

Hoje vemos um Jorge Jesus a fazer das suas armas ofensivas a força e a velocidade – o ataque à bruta. Três homens na frente para correrem de frente à defesa adversária, chocando nela até a partirem.

Para mim assim se define o retrato deste Benfica. Ao menos finalmente temos uma equipa com uma identidade de jogo. Jorge Jesus encontrou o seu 11, finalmente encontrou o seu (novo) futebol. Funciona? É bonito? É prazeroso? É espectacular?

De forma muito simplificada podemos dizer que o 4-2-4 deu lugar lugar a um 3-4-3 - com 3 centrais a servir de tampão na área, com 3 atacantes a baterem-se com os defesas contrários e com 4 homens em compensações.

Os adversários com alguma facilidade conseguem criar várias aproximações à nossa área contudo são constantemente levados ao espaço nas alas tendo de recorrer a cruzamentos que facilmente os nossos 3 defesas conseguem limpar. Jogo partido e o tampão defensivo a funcionar.
Lá na frente é constante o ataque á profundidade e a velocidade vertical dos nossos 3 avançados coloca as defensivas adversárias em constantes sobressaltos. Colocamos igualdade numérica nos ataques e os adversários a correr atrás da bola mas depois falta-nos a criatividade, a técnica e os apoios – o Yaremchuk pode fazer este papel mas não é o seu futebol natural; o Darwin é feito para este jogo mas peca pela fraca qualidade técnica na recepção e condução da bola.

E com a criação desta identidade de jogo surge um problema de plantel. Não temos segundas escolhas. De 11 jogadores só 4 podem ser substituídos sem se mudar o estilo de jogo – Guarda-redes, um Central, Ala direito e o Ponta de Lança.

O Grimaldo, o João Mário e o Weigl simplesmente não têm substitutos. De resto todas as outras opções de ataque são jogadores de posse, de controlo da bola, de jogo interior e futebol entrelaçado – não encaixam nesta ideia.

Os últimos 6 jogos parecem-me bem ilustrativos disto que aqui tenho divagado.

Barcelona – O Benfica foi dono do jogo sempre que o partiu. A defesa esburacada deste Barcelona transmitia insegurança a todo o colectivo sempre que apanhava com os nossos avançados. Com os nossos 3 centrais o catalães simplesmente não tiveram futebol para furar. Só não foi assim quando após o primeiro golo a nossa equipa decidiu recuar, permitindo tempo e espaço para o Barcelona subir linhas, respirar e tentar construir – sem jogo partido ficámos a ver jogar um triste Barcelona.

Portimonense – Em 90 minutos de jogo só durante 20 é que fomos ofensivamente avassaladores. Perante os algarvios bem recuados faltou-nos criatividade no ataque para criar mais perigo durante quase 4/5 da partida.

Trofense – Uma excepção pelo contexto do jogo e do adversário. Não há muito a analisar numa equipa sem identidade. O 11 titular foi mal gerido pelo treinador e tal foi reconhecido quando para tentar segurar o 1-0 se viu obrigado a lançar os habituais titulares.

Bayern – O jogo do Benfica ficou em exposto aqui. Incapacidade de ataques apoiados resumiu a ofensiva encarnada a 3 jogadas de ataque resultantes de 3 cavalgadas individuais. E logo na primeira as carências técnicas do Darwin foram evidentes. Sem bola a equipa foi incapaz de impedir o Bayern de facilmente criar inúmeras jogadas de ataque. Depois perante jogadores deste calibre não é um tampão de 3 centrais que vai impedir incontáveis sustos na nossa baliza – vários bem antes de qualquer um dos quatro golos concedidos.

Vizela – O jogo que confirma as fragilidades desta forma de jogar (e treinar). O Vizela recusou-se a partir o jogo e com isso o Benfica não conseguiu lançar as cavalgadas ofensivas, o que banalizou os seus atacantes. Por outro lado com simples tabelas os jogadores da casa iam criando várias aproximações à nossa área. Porquê? Porque a preocupação dos nossos centrais em fechar a área aumenta o distanciamento para os nossos médios.

Vitória – Em Guimarães, com algumas alterações ao 11 titular, tivemos outras confirmações.
Alternativas como o Meitê são simples aberrações de águia ao peito – há jogadores que simplesmente não têm substitutos.
As nossas alternativas ofensivas trazem um outro futebol à equipa, quebrando-se a tal identidade de jogo. Com Pizzi e Everton a equipa tem um futebol mais rendilhado, mais pensado, mais técnico, mais interior e apoiado. Enquanto quisemos ter bola e jogar fizemos dos nossos melhores jogos da época. Depois foi o descalabro, o desmoronar de uma equipa sem identidade e jogar no medo com jogadores inconcebíveis.
Neste caso o Vitória aceitou partir o jogo, ganhou-nos o meio-campo, meteu mais homens juntos à nossa defesa e não se preocupou com os desequilíbrios defensivos pois desta vez o Benfica não tinha sido montado para os aproveitar.

Agora voltaremos ao 3-4-3, ou melhor ao 3-0-4-0-3. A questão será perceber se o Estoril aceitará ou não partir o jogo. Se não aceitar o Benfica dificilmente sofrerá golos mas também dificilmente marcará.





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Benfica 3-3 Shakhtar - Queda Europeia

Quero falar sobre o jogo de ontem. Quero falar sobre o jogo de ontem porque me deu diversas e distintas sensações. Aliás, discutindo em outros grupos percebi ao intervalo que o meu estado de espirito era bastante diferente do dos outros com quem debatia o jogo. Quero falar sobre o jogo porque para mim foi bem mais que uma simples falta de garra, ou más escolhas de titulares, ou más substituições ou até má exibição. Houve muita coisa a acontecer naquele relvado da Luz.

Começo por dizer que gostei do 11 escolhido. Contudo pensei que Lage daria continuidade à aposta no Samaris e considero que, estando em condições físicas, este jogo era para o Vinicius e não para o Dyego Sousa.

Fiquei satisfeito com a forma como a equipa entrou em campo. Pressão alta colectiva, boa reacção à perda de bola e tentativa de jogar apoiado, com muita bola e pelo chão. Um Benfica com iniciativa, com vontade de se impor na sua casa e na eliminatória. Bastante procura do jogo interior, do futebol entrelinhas, com Taarabt, Pizzi e Chiquinho a surgirem bastante nesse espaço. E um Grimaldo mais soltinho, mais liberto de amarras tolas e com espaço e liberdade para subir, para fletir para o centro e incorporar as jogadas de ataque - aquele lateral 10 que tanto nos encantou na primeira metade da época.

Provou-se que se pressionamos mais e melhor, se temos mais bola e se temos a iniciativa do jogo, provou-se que se formos uma equipa activa e não uma equipa de futebol passivo e expectante, as nossas lacunas defensivas - que existem e precisam urgentemente de ser trabalhadas - são menos evidentes porque estão menos expostas. Se somos nós quem tem bola, quem ataca, quem pressiona e quem condiciona, então o adversário irá ter menos e piores oportunidades para fazer tremer o nosso processo defensivo.

Gostei dos primeiros 45 minutos. Fui com boas sensações para o intervalo. Vi no colectivo da equipa coisas que ainda não tinha visto e que tanto reclamava para ver. Sim, houve um período pior logo depois ao 1-0. Não me refiro ao empate mas sim à reacção ao empate. Foram uns 10 minutos em que a equipa quebrou e voltou a expor-se ao recuar e dar a bola ao adversário. Mas voltámos a assumir o jogo e acabamos claramente por cima.

Individualmente estava bastante agradado com a exibição do Pizzi, com o talento explosivo do Taarabt e com o novo velho Grimaldo. Rafa bastante limitado no momento de decisão e o Dyego a corresponder ao que o jogo lhe pedia - sem brilhar mas a cumprir.

O pós intervalo foi ainda melhor. Com a eliminatória empatada voltámos a querer ser donos do jogo e da bola. Pressão alta, condicionamento da primeira fase de construção do adversário e como consequência o 3-1, a passagem para a frente da eliminatória, uma finalização soberba do Rafa e uma decisão fantástica do Dyego.

Foi até ao 3-1 que vi o Benfica que quero, que vi o potencial desta equipa. Foi até ao 3-1 que finalmente me senti bem a ver um jogo do Benfica. 
O problema foi o pós 3-1. E mais uma vez nem falo do golo sofrido. Falo da reacção a esse golo. Fica comprovado que este Benfica não sabe lidar com alterações no marcador. Impressionante como golos marcados ou sofridos alteram tão drasticamente o futebol desta equipa.

A partir do 3-2, a partir do minuto 49, foi tudo muito mau - à excepção de algumas individualidades. A partir desse momento voltámos a ter o Benfica que se tem arrastado por toda esta época. Fraco, fraquinho. Uma dor. Uma queda abruta na realidade que é o futebol desta equipa.

Vou enumerar o que me ficou da segunda-parte:

- Esta equipa não está fisicamente preparada para um jogo de pressing e rápida reacção à perda de bola. Fizemo-lo durante 30 minutos e não conseguimos mais. Quanto menos temos bola mais temos de correr atrás dela - ou então ficar na expectativa. Mostrámos não ter condições para jogar daquele modo de forma constante.

- O processo defensivo é fraco. Sim o Tavares é júnior. Sim o Dias tem abordagens ridículas aos lances. Sim o Ferro está uma nódoa. Sim o Grimaldo deixa espaço nas costas. Mas estas fragilidades ficam ainda mais evidentes quando o colectivo defende mal. Um exemplo do quanto mal trabalhado é o nosso processo defensivo é a nossa linha de fora-de-jogo. Desorganizada e totalmente descoordenada. Durante o jogo foi ouvir o Pedro Henriques, e depois do jogo muitos outros, culpar o Rafa pelo primeiro golo dos ucranianos. O argumento é que o Rafa como ala teria de correr atrás do lateral fosse como fosse, o argumento é que ali tem de jogar o Cervi porque ele o faz. Vejam a repetição e vão perceber porque o Rafa não acompanhou o jogador. Quem define a linha de fora-de-jogo é o Dias. O Rafa travou a corrida quando chegou a essa linha. O resto da defesa estava fora da linha. Com isso o adversário ficou milimetricamente em jogo. Vamos culpar o Rafa por ter feito defensivamente aquilo que os restantes defesas parecem incapazes de fazer?

- O posicionamento do Chiquinho e do Weigl são inexplicáveis. Tens jogadores de qualidade e retiras-lhes todos seus atributos para os condicionares posicionalmente a ideias sem grande sentido. E assim temos os adeptos a questionar a qualidade e utilidade dos jogadores.

Comecemos pelo português. Principalmente na segunda parte irritou-me o papel do Chiquinho. Um médio criativo, forte nos apoios, no jogo entrelinhas e na chegada à área, andou a jogar como ponta de lança. Quantas vezes o Taarabt recebia a bola no centro ou o Tavares na direita e não havia uma única linha de passe para o centro? E eu via isto e perguntava-me como era possível, onde andava o Chiquinho. Procurando-o fui constantemente encontrá-lo junto ao Dyego no meio dos centrais. Então no nosso suposto médio organizador/segundo avançado andava preso às zonas de finalização. Não fica fácil para o Tavares. O miúdo ainda não tem tomates para acelerar o jogo com bola, para partir para cima do adversário, e assim quando recebe a bola resta-lhe travar e passar para trás ou travar e bombear para a área onde estão todos à espera.  
Mas se o médio ofensivo dos apoios está preso entre os centrais adversários, o médio defensivo dos apoios está preso entre os centrais da própria equipa. Percebo o médio defensivo vir aos centrais buscar jogo mas não entendo que em posse se posicione entre estes e ali fique. Depois queixamo-nos que só passa para trás e para o lado? A alternativa é bombear na frente. Para mim o Weigl tem jogo para ser um Busquets - jogador durante antes incompreendido por quase todos. Mas para isso tem de se posicionar no meio da acção e não fora dela. O Weigl tem de jogar sempre entrelinhas e a dar apoios. Recebe e toca, tabela, desmarca sempre a dar linha de passe na construção entre a pressão adversária. Essa é a qualidade dele - decidir, passar e dar linhas sobre pressão. Estamos a desperdiçar um jogador talentoso porque queremos que seja o Fejsa.

Bruno Lage pode ter Chiquinho e Weigl a dar linhas ao Taarabt, ao Tavares, ao Grimaldo, ao Pizzi e ao Rafa, mas opta por os afastar da zona de construção e obrigar o Taarabt a fazer raides de magia por todo aquele terreno.

Perdemos a eliminatória em casa por dois golos, num jogo que empatámos e que estivemos bem mais próximos de perder do que de ganhar.

Uma palavra para Pizzi e Taarabt. O marroquino foi simplesmente magistral e quanto mais joga mais se percebe a confiança que ganha e coloca nas suas acções. O 21 voltou a mostrar que do que depender dele terá sempre boas exibições seja em que jogo for - o colectivo tem de ajudar pois Pizzi é bom mas não é Jonas. Duas excelentes exibições.



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A PEITADA GLORIOSA


não é para todos. Por isso, com o ideólogo Jonas no banco, João Félix agradece a extraordinária assistência de Pizzi com o movimento tradicional entre o transmontano e o brasileiro.

Jonas, Pizzi e Félix. Os craques reconhecem-se nos ares.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018



1) Surpreendentes os dois acontecimentos: a boa primeira parte do Benfica e a má primeira parte do Sporting. De futebol curto, muito retraído e quase só à espera de espaços nas costas da nossa defesa, o Sporting foi uma sombra de si próprio - muito pouco para quem quer ser campeão 16 anos depois. De futebol largo, bem pensado por Pizzi, Jonas e Krovinovic e com um Fejsa a fazer de placa giratória e Grimaldo a criar os desequilíbrios por dentro enquanto Cervi abria na esquerda, o Benfica criou jogo e oportunidades suficientes para chegar ao intervalo a ganhar folgadamente. No entanto, no ecrã dizia 0-1. Só mais um exemplo de que o resultadismo é ciência que não encaixa no futebol.

2) Krovinovic, de longe o melhor em campo. Toda a melhoria que o futebol do Benfica vai apresentando de tempos a tempos deve-se à entrada deste miúdo no onze e a forma como Pizzi e Jonas ganharam uma nova vida para voltarem a fazer aquilo que sabem fazer bem: bom futebol. É sobre este trio de craques que a esperança no 37 assenta. Claro, com Grimaldo e Fejsa a acompanhar a orquestra.

3) Incompreensível a substituição de Rui Vitória aos 55 minutos. Retirar Pizzi quase sempre será um erro, já que é um dos melhores que temos para praticar futebol de qualidade, mas, mesmo aceitando a decisão, não se percebe a escolha por Raul. O Benfica vinha de uma primeira parte de domínio territorial, controlava perfeitamente o jogo na segunda, começava a voltar a criar situações de perigo e o que faz o treinador do Benfica? Parte a equipa, estica-a à espera de correrias e rasgões. Não é por termos 10 avançados que marcamos mais golos, professor. Já que Pizzi nao servia (não se sabe bem porquê, estava a fazer um bom jogo), João Carvalho,  por exemplo, poderia ter servido de moeda de troca mantendo a riqueza da posse de bola e do jogo inteligente do nosso lado.

4) A insegurança do Sporting. Nos últimos 36 anos, o Sporting venceu 2 campeonatos. Isso nota-se quase sempre nestes jogos entre rivais, tal é o medo que os sportinguistas têm de perder. Em vantagem no marcador, a equipa limitou-se a tentar defender bem e a abrir bolas nos extremos em contra-ataque. De equipa pequena. Já na segunda parte, após a má substituição de Vitória aos 55 minutos, um treinador com outra visão teria aproveitado o erro de xadrez do professor e atacado o miolo do Benfica, provavelmente marcando mais um e acabando com o jogo. Pela primeira vez, Jesus borrou-se na Luz como treinador do Sporting.

5) O público bipolar do Benfica. De repente, os adeptos do Benfica odeiam Rui Vitória. Bastou parar de ganhar para que o professor passasse a "pior treinador de sempre". Nas bancadas os insultos são muitos, os pedidos de demissão, as boçalidades. Quantos destes seres não andavam no Verão a dizer que "o Vitória arranja substitutos para as saídas, confiem na estrutura e no nosso grande treinador!"? O professor é fraco? É. Mas não começou a ser fraco há 4 meses. Sempre o foi.

6) O Penta. A derrota provavelmente teria destruído o nosso sonho - não só pela diferença pontual (a 6 pontos dos dois), mas pela carga emocional e pela contestação ao treinador. Com o golo de Jonas, ficando a 5 do Porto e a 3 do Sporting, marcando nos últimos minutos de um jogo em que fomos claramente superiores, acredito que temos uma Luz à nossa espera. Com a qualidade individual deste plantel poderemos ganhar todos os jogos até ao fim. Basta que os jogadores acreditem no Penta como nós acreditamos.

VIVÓ BENFICA!

domingo, 6 de agosto de 2017

Pizzi a ser Pizzi

A finalização do Jiménez é soberba - a bola sai em redondel para o canto distante, impossível defender esse esférico louco por ser golo. Porém, antes já o golo andava vestido pela categoria de Pizzi. Tivesse o transmontano genial - como tantos jogadores fariam na mesma situação - passado de imediato, o mexicano ficaria preso, marcado,  sem soluções. Não Pizzi, esse visionário que já vê o golo segundos antes de ser golo. Segue pelo corredor, espera que os centrais se juntem e, quando já estão juntos e desequilibrados, Pizzi sem olhar mete a bola corrida e tensa em Jiménez. Parece fácil mas é difícil, o grande futebol quase sempre depende de segundos. Ser tão bom não é para todos. Que ninguém tenha a péssima ideia de vir buscar o super-8 e nos estragar o Penta.

 https://m.youtube.com/watch?v=WzmwMhO_prI

domingo, 30 de julho de 2017

5 notas positivas de uma pré-época negativa



1) Seferovic. Qualidade com e sem bola. Tanto procura as costas da defesa como sabe combinar com os colegas, criar pequenas ligações curtas, pedir no espaço, assistir. Um avançado elegante e completo que vai marcar mais de 25 golos na época.

2) Chrien. Craque que, vindo do banco e aprendendo com Jonas e Pizzi, será durante a época uma boa solução para o miolo.

3) Alguns, embora poucos, minutos dados a Horta. É um dos melhores e o professor precisa de ter um plantel com os melhores. É tempo de deixar para trás velhas quezílias e dar prioridade ao que interessa: ao sucesso do Benfica.

4) Willock. Sempre que entrou, mostrou pormenores. Pequenos sinais de que, bem trabalho, pode dar jogador. Vai ter pouco espaço mas é uma promessa. Se for emprestado,  pede-se que vá para um clube onde possa ser titular.

5) Jonizzi. O monstro das duas cabeças com dois cérebros gloriosos entra e a equipa ilumina-se. Quase pode ser pentacampeão sozinho contra o mundo.

domingo, 23 de julho de 2017

Ideias que ficam do Algarve



Como tinha escrito no final dos dois jogos em solo Suíço, os sinais mais preocupantes dados nestes jogos de pré-temporada têm sido colectivos, e estes sinais agudizaram-se nestes dois particulares disputados no Algarve.

O nível dos adversários subiu relativamente aos dois primeiros, e aqui foi possível ver a pior versão do Benfica em termos ofensivos.

Como ficou evidente (como tem sido desde a chegada de Rui Vitória), a equipa tende a esconder-se do jogo sempre que enfrenta adversários que tenham um pensamento do jogo que vá para lá do defender com linhas baixas e sair em ataques rápidos.

Na verdade, sempre que defrontamos equipas que gostem de ser algo afirmativas, por muito ténue que seja essa vontade, o Benfica remete-se a um bloco compacto, procurando o erro adversário para sair em rápidas transições. E este, para mim, é o maior calcanhar de Aquiles da nossa equipa.

Mas se não há uma grande qualidade no processo ofensivo da equipa, como é que o Benfica faz campeonatos com um elevado número de golos marcados e, a espaços, com jogadas colectivas de qualidade? Para mim, isto deve-se a dois factores:

         1 – A liberdade que Rui Vitória concede aos seus jogadores: Visto de fora, sem estar minimamente por dentro do processo de treino ou sequer das ideias que Rui Vitória transmite ao plantel, fica-me a clara sensação que, a partir de uma certa zona do terreno (diria que à chegada ao último terço ofensivo), os jogadores gozam, por parte do treinador, de total liberdade criativa, isto aliado à excelente qualidade dos executantes que temos ao dispor cria, à primeira vista, a ilusão de que temos um processo de ataque posicional bastante forte. No entanto, quando os melhores jogadores, os jogadores mais criativos e assertivos na decisão saem da equipa, tudo o que parecia colectivo desaparece e nada do que os melhores jogadores fazem, aparece. O melhor exemplo disso mesmo é a comparação entre o que fizemos numa primeira fase frente ao Hull e o que se fez na última meia hora, quando se juntaram em campo os melhores.

         2 – O perfil individual bastante próximo dos nossos melhores jogadores: No Benfica há um perfil bem identificado do que deve ser o seu jogador, sobretudo ofensivo – jogador criativo, capaz de fazer mais do que uma tarefa no mesmo jogo, móvel e muito assertivo na decisão. Quando os melhores jogadores nestes itens se juntam, a coisa flui e tende a subir vertiginosamente de qualidade. Quando se associam jogadores como Jonas, Pizzi, Zivkovic, Seferovic, Rafa e até Cervi, juntando-se-lhes Fejsa que garante uma enorme qualidade desde o primeiro passe, o carrossel criativo tende a aparecer com frequência, pois são jogadores que falam todos a mesma língua, ainda que não haja um idioma colectivo bem vincado.

Outro dos sinais do défice de qualidade ofensiva é a (in)capacidade que a demonstra para sair com bola controlada, quando pressionada logo à saída da sua área. A juntar a esta dificuldade, há a ausência de Ederson e a sua capacidade para colocar a bola a média/longa distância com qualidade.

Isto é excessivamente preocupante para a nova época? Não, primeiro porque estas dificuldades existem desde que Rui Vitória assumiu a equipa e não foi por isso que deixamos de conquistar 2 campeonatos em outros tantos disputados. Desde que a qualidade individual se mantenha claramente acima da média e desde que essa qualidade se mantenha dentro do tal perfil referido acima, os problemas não deverão ser transcendentes. E depois porque em Portugal, frente aos grandes, são muito poucas as equipas que procuram jogar um futebol de qualidade ofensiva e, tão pouco, pressionar alto a saída de bola dos maiores clubes. Por isso, para lá dos jogos com os restantes candidatos ao título e mais um ou outro adversário, cujo treinador decida optar por uma ideia fora da caixa Portuguesa, deverão ser poucos os jogos onde estas deficiências sejam 
impeditivas para se ir chegando às vitórias com maior ou menor dificuldade.

Por tudo isto, e porque Felipe Augusto (pouco capaz de ser criativo entre as linhas adversárias) demonstrou não ser uma opção válida para a posição de médio de ligação (e Krovinovic ainda demorará o seu tempo a entrar em competição de forma capaz) reveste-se de decisiva a permanência, e em boas condições físicas, de Pizzi. O transmontano parece ser o único jogador capaz de desenvolver este papel em campo de forma absolutamente competente e com qualidade suficiente para dar à equipa capacidade criativa no momento da ligação entre a construção e a criação. Horta poderia ser outro jogador com esta capacidade, mas os sinais que me ficam dos jogos disputados até aqui, não são os melhores relativamente à sua permanência no plantel.

Importante também seria que este fosse o ano em que Rui Vitória desse a Zivkovic o espaço de afirmação definitiva que o jovem Sérvio merece e o seu talento reclama.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O segredo do Penta



"Tenho o objetivo de ir ao Mundial'2018 e é para isso que trabalho todos os dias. Quero fazer melhor a cada ano para captar a atenção de Tite"

Se fosse preciso mais alguma coisa para querer manter Jonas mais uma época - como se o facto de um génio usar a Gloriosa não fosse suficiente -, ela aqui está: a motivação que o Pistolas tem para chegar ao Mundial. Jonas este ano fará a melhor época da sua carreira.

Vieira e Vitória, deixem lá os números e os milhões e os 433 e as mudanças tácticas. Querem o Penta? Mantenham Jonizzi e Grimejsa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

JONIZZI, O MONSTRO DE 4 PERNAS E DOIS GLORIOSOS CÉREBROS 



1h12m55s. Excelente corte de Luisão, recuperação, bola em Salvio, passe falhado de Salvio, Vitória recupera, Luisão - imperial - volta a cortar. Bola para o Benfica. Repare-se no que vai acontecer e na importância fulcral de ter não só jogadores extraordinários como Jonas e Pizzi pelo valor dos dois individualmente mas pela forma como os dois funcionam entre si. Jonizzi, o monstro com duas cabeças, 4 pernas, 4 braços e cérebros gigantes, garante títulos atrás de títulos porque é mais inteligente e mais criativo do que todos os outros.

1h13m07s. Semedo, bem, mete no meio em Samaris que procura Pizzi. Pizzi vai meter no Jonas não para uma transição rápida mas para dar tempo à equipa de ir subindo - usa o fio invisível do passe vertical mas sabe que é só um engano. Fá-lo para trás, para o lado? Não, usa o apoio frontal que lhe dá Jonas, que vai, com toda a sua técnica e brilhantismo, meter de primeira em Samaris já com a equipa devidamente posicionada de frente para o jogo e distribuída para poder ser letal. Eis o segredo fundamental: fazer transição sem histeria. Poder chegar à baliza adversária rapidamente mas sem pressas. Porquê? Porque vai ser mais fácil encontrar o caminho do golo pela rota menos óbvia do que se começarem todos a correr desalmadamente para a frente. O caminho que nenhum jogador do Vitória poderia imaginar. Xadrez no Jamor.

1h13m15s. Segue bola pelo corredor lateral. Salvio percebe que não pode entrar,  excelente Jiménez a deixar Jonas na profundidade para ir ele dar apoio ao argentino. A equipa compreende que tem de recriar. Voltar atrás, criar de novo, ir pelo centro. Excelentes, Samaris, Pizzi e Luisão a criar um triângulo à volta de Marega enquanto o golo já se está despir lá mais à frente. No Vitória ainda ninguém percebeu o que se prepara para fazer Jonas. Mas Semedo percebeu e foi correndo sorrateiramente pela linha. Salvio viu o lateral a subir e atirou-se, qual carteirista de Buenos Aires, para a zona da molhada, criando o caos na área vitoriana. E agora, senhores, silêncio que Jonizzi, esse monstro de talento desmesurado, vai planar pelo relvado.

1h13m30s. Ver dezenas de vezes o que Jonizzi acaba de fazer. Ver, rever, ver, rever porque no futebol há muito poucos monstros como Jonizzi. É uma diagonal perfeita, tão maravilhosamente traçada que, apenas com um passe extraordinário de Pizzi e uma fabulosa movimentação de Jonas, destrói a organização do Vitória, criando condições ideais para o cheque-mate (repare-se na movimentação de Celis que, perdido, dá um passe para o lado contrário). Aquele passe só sai porque Pizzi sabe que Jonas vai para ali. Pizzi não vê Jonas ali porque ainda não está lá mas Pizzi é a única pessoa que compreende o génio de Jonas e por isso passa-lhe a bola para o sítio onde ele há-de estar - o monstro Jonizzi a criar futebol que nunca aparecerá numa estatística ou na percepção geral do adepto que olha mas não vê.

1h13m36s. Tecnicamente perfeito, o passe chega a Jonas que já tem o golo na cabeça há 30 segundos mas ainda tem de resolver um problema: retirar Celis do caminho, que vem desalmado pelo nó cerebral que o passe de Pizzi lhe havia criado. Jonas a dar lição de paciência na construção do golo: não procurou rodar para a esquerda, não quis rematar ou forçar o caminho central. Jonas já sabia o que tinha a fazer a partir do momento em que saiu da zona dos centrais: abrir o corredor. É isso que faz: um ligeiro toque retira Celis para a berma da rota definida, depois o passe cheio de mel que Semedo recebe e o aproveita com um cruzamento como mandam as leis matemáticas do jogo. O carteirista Salvio, aproveitando os solavancos e confusões de uma defesa vitoriana já totalmente à deriva, rouba todas as carteiras com um cabeceamento perfeito. Louco, abraça-se a Jonas e começam a correr pelo relvado a cantar Gardel: "esta noche me emborracho".


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma jogada à Benfica

Uma jogada que vai ficar na História do Benfica. Pela importância do momento e pela beleza. Fantástico Raúl a finalizar, excelente Salvio a progredir e a esperar o momento exacto para soltar no mexicano mas tudo começa em Jonas. O brasileiro não passa logo, puxa a bola para a ala, prende dois adversários com ele, para depois, com um passe extraordinário, poder deixar Salvio e Raul com espaço para criarem o desequilíbrio e o golo. Brilhante.

 https://m.youtube.com/watch?v=zMmOOAk032k

sábado, 6 de maio de 2017

A dupla Kleber-Jonas

Fala-se em Kleber para o Benfica. Gosto muito. Depois de alguns anos a tentar encontrar o espírito certo com que encarar uma carreira séria, parece-me finalmente apto a jogar num grande clube. Com a cabeça no sítio, o resto é a qualidade como futebolista que é muita.

Acima da média, Kleber tem coisas de Jonas e tem coisas de Rui Águas. Várias solucões de finalizaçao, técnica, compreensão do jogo, gosto em criar combinações inesperadas, criatividade. É o parceiro ideal para o Pistolas poder vagabundear ainda mais pelo campo, numa espécie de avançado que é médio que é extremo que é goleador que é criador, colocando o Benfica 2017/2018 a jogar com 14 ou 15 jogadores (Jonas terá 4 ou 5 identidades no relvado).

Kleber no Benfica, com o génio ao lado e Pizzi atrás, será uma máquina infernal de golos e bom futebol.


sábado, 15 de abril de 2017

Volto sempre a um lugar chamado Jonizzi


Se o cliente do Benfica... peço desculpa, o adepto. Se o adepto do Benfica estiver distraído, há-de achar este golo banal. Parece tudo tão simples. Passe de Rafa para Pizzi, passe de Pizzi para Jonas, remate de Jonas.

Na verdade, há uma simplicidade. A simplicidade dos jogadores diferentes. É absolutamente genial o que Pizzi faz. Recebe, espera que o adversário venha para o fixar e depois dá com a parte exterior do pé para Jonas quando sente que conseguiu criar o espaço para que o brasileiro estivesse mais à vontade para o golo. Estas coisas não se ensinam nas academias, nos centros de estágio, nas palestras. Ou há ou não há. Em Pizzi há sempre.

Depois, Jonas. É maravilhosa a criatividade, um inventor de golos. 5 minutos antes, tinha rematado em arco para o outro lado. Usou isso aqui, como engodo. Fez o mesmo movimento mas na direcção contrária: um remate fraco tão bem direccionado que só podia entrar se levasse todo o mel que aquele remate deu à bola.

Parece fácil. Parece coisa de gente banal. Não é. Jonizzi é sempre um lugar de coisas muito especiais.

terça-feira, 21 de março de 2017

Ponderação da Sorte

Eu não posso acreditar que um treinador que trabalhe o ano todo e é campeão nacional consiga todo o seu sucesso à base da sorte.

Por mais água que se beba a sorte não pode ser o guia de todo o percurso futebolístico de uma equipa.

No final da época passada houve um consenso de opinião sobre a evolução do Benfica ao longo do campeonato. Foi uma evolução que se deveu muito à integração do Renato Sanches no meio campo e à deslocação e afirmação do Pizzi à direita.


A equipa ganhou força no centro do terreno, ganhou maior capacidade de recuperação da bola, de pressionar alto, de rotura ofensiva e de aproximação dos sectores. Era o monstro Renato a funcionar.
Mas a equipa ganhou muito mais do que essa força. Ganhou um futebol mais apoiado, mais pensado e com maior qualidade pelo interior do terreno. Era o futebol do Pizzi a funcionar.

E este consenso foi tão geral que até o treinador do Benfica falou nele no final da época.

Rui Vitória foi peremptório a afirmar que a grande transformação do Benfica devia-se ao posicionamento do Renato a 8 e do Pizzi na linha.

Rui Vitória não se coibiu de elogiar o mérito de ter devolvido o Pizzi à direita.

Rui Vitória não se escondeu ao afirmar que no Seixal o Benfica não iria conseguir outro Renato e que por isso teria de ir ao mercado.


Foi? Não.

O que me traz aqui é unicamente a incoerência deste discurso. Onde antes havia o mérito de uma opção que lançou o Benfica para o Tri, agora há um retrocesso total no modo de operar.

Como pode Rui Vitória explicar os seus méritos na redescoberta do Pizzi se agora o trouxe de volta para o meio? Não faz sentido.

E por isto me questiono quanto na Sorte tem apostado o treinador do Benfica.  A lógica do Tri não retiraria o Pizzi da linha em prol de um jogador com características tão opostas às suas. A lógica do Tri não colocaria a 8 um jogador tão distinto do Renato.

A sorte diz-me que a aposta no Renato e a deslocação do Pizzi foram um golpe não pensado e não trabalhado do treinador. Esta situação revela que não fossem as lesões do Salvio e nunca o Pizzi teria jogado à direita nem o Renato teria sido chamado à titularidade.

Porém eu recuso-me a acreditar que seja tudo um bafo de sorte. Recuso-me a acreditar que em nenhum momento do processo o treinador teve um desenvolvimento racional que o levou a tomar as suas decisões, a perceber os méritos destas e a reconhecer o seu sucesso. 

Por isto tenho de perguntar: Que raio se passou Rui? 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Mudanças para ganhar

Ederson
Semedo, Lindelof,  Jardel, Almeida
Fejsa
Carrillo, Pizzi, Cervi
Jonas, Rafa

- Almeida por Eliseu. Com Cervi naquele corredor a garantir alguns momentos de profundidade, as poucas  mais-valias de Eliseu ficam colmatadas e Almeida defende melhor.

- Jardel por Luisão. Não sou fã do primeiro; nunca fui grande fã do segundo. Mesmo sem jogos nas pernas, contra uma equipa que explora constantemente o espaço entre o nosso médio defensivo e a nossa linha defensiva e a profundidade nas costas da defesa, Jardel será sempre melhor solução do que Luisão. Além disso, solta Lindelof para a direita, onde explora melhor as suas qualidades, especificamente a qualidade na saída de bola e a possibilidade de criar superioridade numérica em zonas perigosas para os alemães.

- Carrillo por Salvio. Talento contra correria desenfreada. Inteligência e instinto contra contabilizações da GoalPoint.

- Rafa por Mitroglou (ou por Jonas, se este não puder jogar). Comigo, o português seria sempre titular. É, a par de Jonas, Pizzi e Zivkovic (e Carrillo, a espaços), o que mais constantemente cria. Tem uma imaginação prodigiosa, faz coisas que não foram ainda vistas. Neste jogo específico será fundamental a pressionar em zonas mais baixas e depois,  na recuperação,  a ligar toda a equipa para os lances letais em que poderemos criar as nossas melhores oportunidades de golo.

2-1.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

UM POUCO MAIS SOBRE O ÓPTIMO JOGADOR QUE É PIZZI


Antes de mais, é importante esclarecer que 9 em 10 pessoas que falam de futebol só vêem uma vez o jogo sobre o qual falam: ao vivo ou através da televisão. Ora, isto limita muito a capacidade de perceber o que se passou em campo, já que há uma infinidade de acontecimentos que não são percebidos com uma só visualização. Juntem a isso a natural emoção e nervosismo de estar a ver a própria equipa e têm uma óptima poção mágica para não terem percebido nada do que se passou em campo para além dos golos, das jogadas perigosas, das faltas mais agressivas, dos possíveis penalties e das correrias de um jogador que consegue guardar a bola dentro de campo em carrinho.  Vejam, portanto, se puderem, o jogo mais uma vez. Mais duas, mais três.

No último jogo, Pizzi fez mais uma óptima exibição. Já sei: fez um passe de merda que ia dando golo do adversário.  É verdade, mas esqueçam agora esse lance. Revejam o jogo e atentem só no que anda Pizzi a fazer pelo campo. Com bola, sem bola, as indicações que dá aos colegas. "Mete ali", "traz", "estou livre", "solta na ala". Só lhe falta ter uma batuta. Vejam quando não só decide bem por ele mas pelos outros. O passe que encaminha a bola para o que ele sabe que vai resultar. Pizzi não é só um jogador que decide bem; ele ajuda a que toda a equipa decida melhor.

Escolho um entre milhares de lances iguais que faz durante a época: aquele que acaba com Semedo a sofrer penálti. São 15 segundos que resumem tudo sobre Pizzi: visão de jogo acima da média, noção perfeita do espaço,  dos colegas e da bola,  técnica, imaginação, inteligência, criatividade.

Ponham o vídeo nos 18:55 e vejam até aos 19:10. Pizzi recebe no meio, solta em Semedo para obrigar o adversário a focar-se na ala e a deixá-lo com espaço para pensar. Vai sempre dando o apoio a Semedo para que ele possa devolver.  Semedo devolve e corre para o espaço. Pizzi percebe que está congestionado,  que não é a melhor opção,  que a equipa não precisa de fazer tudo em histeria. Vai chegar ao perigo mas de outra forma. Sente que o adversário vem atrás dele, faz compasso de espera para retirar o adversário daquela zona e mete outra vez na direita, agora em Salvio. Vai logo dar ao argentino a opção de passe no meio. Salvio, muito bem, mete em Pizzi que, sem recepção,  directo, põe logo em Semedo que fica de frente para a baliza em posição privilegiada.

Pizzi é isto. Faz coisas destas constantemente. Faz de uma bola no meio-campo uma jogada de perigo em 15 segundos. Mete a equipa toda a fazer o que ele quer só pelo posicionamento e tipo de passe (geralmente para o espaço para condicionar positivamente as opções ao colega). Pizzi é extraordinário e não é pelos golos que marca ou pelas assistências. É porque mete sempre a equipa muito mais perto do golo. Agora digam-me: como é que a goalpoint vai meter a inteligência desta jogada na estatística?


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Era só o que faltava que não ganhassem hoje



O Benfica não anda a jogar nada. Zero ou perto de zero.

Porque já teve 40 lesões este ano, porque há uma dependência exagerada da qualidade individual, porque não há assim tantas ideias colectivas. Porque o Vitória deve ter jurado a nossa Senhora de Fátima que utilizaria o Pizzi em todos os 60 jogos da época e então,  "derivado disso", o Pizzi,  que é quem coordena todo o nosso futebol,  está mais morto que vivo (inclusivamente, até já fez um cameo no Walking Dead a esbracejar sem grande energia atrás do actor principal - ver próximo episódio).

O génio Jonas ainda anda à procura do melhor traço; o Fejsa é melhor não utilizar para não ter uma recaída de 2 meses, como dezenas de outros que vão passando pelo laboratório altamente científico do Senhor Doutor do Benfica.

O Lindelof está a jogar à Jardel. O Lisandro à Jorge Soares. O Luisão à King. O Jardel à Jardel. O Eliseu à Eliseu e o Grimaldo que nunca mais volta.

O Rui Vitória anda a falar numa oitava acima com árbitros enquanto coxeia (uma imagem tão tenebrosa que o fez ser mais castigado que um treinador que empurra fiscais de linha e cospe pastilhas por todo o lado). O adjunto dele, o Stephen Colbert, está cheio de tremeliques por ter de ir para o banco. O Vieira anda de mala na mão, qual vendedor de frigoríficos, pela China e pela Oceania a querer despachar meio plantel porque "o Benfica não precisa de vender jogadores para equilibrar as contas".

Sim, tudo isto. Mas também somos a melhor equipa. Temos os melhores jogadores. Somos os tricampeões. Os melhores adeptos vão encher o Bonfim. Para a semana o Sporting vai ganhar ao Dragão e deixar o Porto a 7 pontos, o que obrigará os SuperDragões a nova viagem de cortesia com ameaças de morte - desta vez, ja não aos árbitros mas ao seráfico Espírito Santo.

Livrem-se de perder pontos hoje. Ganhem pelo Eusébio. Pelo Coluna. Pelo mister Vitória, que estará suspenso a enviar sms's ao Stephen Colbert. Por mim. Por todos os benfiquistas e até pelos outros como o Presidente que neste momento está na Mongólia a ultimar uma excelente parceria que vai desenvolver significativamente a marca Benfica naquela região tão fanática pelo desporto-Rei.

Ganhem, meus cabrões. Ganhem com o melhor Vídeo-árbitro do mundo: os olhos do Pizzi.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Um golo que brilha na escuridão

Com a tristeza,  passou-nos ao lado o golo mais bonito do Benfica esta época. Uma lição de como sair da pressão adversária sem pontapés para a atmosfera - jogadores juntos dando apoios e várias soluções, triangulação simples, bom posicionamento.  Pizzi finalmente liberta e Salvio cria o desequilíbrio. Ali, naquele momento, já o golo esperava refastelado numa praia a beber cocktails. Já o golo sabia que ia acontecer. Jonas recebe no meio, abre na esquerda para alargar a defesa do Moreirense e assim criar um falso chamariz enquanto, do lado contrário,  o Salvio segue o seu trilho natural, à espera de uma bola que aparece cheia de álcool dos pés do Eliseu. A finalização é óptima. Futebol de eleição que terminou aos 6 minutos deste jogo, mas o golo, este golo, valeu o bilhete.