Mostrar mensagens com a etiqueta futebol contra a banalidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta futebol contra a banalidade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Mestre Andrés



Os grandes jogadores não ensinam apenas os outros colegas ou os adversários. Ensinam públicos, adeptos e especialmente os boçais comentadores que, de tanta banalidade com que enchem a cabeça, não sabem pensar. Na verdade, é muito simples: se estás isolado frente ao guarda-redes e tens um jogador da tua equipa ao teu lado, atrás da linha da bola, tens duas hipóteses: rematas à baliza com um gajo à tua frente que te tapa algum ângulo e pode interceptar a bola e evitar o golo OU fazes um passe lateral simples e crias um golo feito, de baliza aberta. 

Não é lance sequer que defina exclusivamente um jogador, de tão óbvio que é - Iniesta demonstra-nos que é o melhor do mundo em todos os jogos e em momentos bem menos evidentes -, mas serve bem para ilustrar o que deve ser o começo de uma lição definitiva sobre a frase mais estúpida do comentário em Portugal: não, um jogador, por estar isolado, não deve rematar à baliza. Não, um jogador frente ao guarda-redes, não deve ser perdoado por ter uma decisão estúpida. Não, ao atacante não se "compreende" a opção por rematar só porque é a sua "natureza". 

O atacante - ou o médio ou o defesa ou o guarda-redes - deve, a cada momento, decidir-se pela melhor opção. E essa, num lance deste tipo, não passa por ser estúpido ao ponto de perder probabilidades de golo por egoísmo ou incapacidade de ver para além do óbvio. Como o comentador que atira, orgulhoso, um "não podemos criticar o jogador por rematar à baliza, visto que estava isolado frente ao guarda-redes", deve de imediato ser recambiado para a Nigéria, onde será colocado enterrado até ao pescoço, só com a cabecinha de fora num círculo de gajos com pedras na mão. 

Ou isso ou ser obrigado a ficar numa sala de cinema durante uma semana inteira, a ver consecutivamente este vídeo: