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domingo, 4 de março de 2018

Da Seriedade ao jogo com o Estoril

Há um grave problema de seriedade no Futebol.

É sentido com maior importância do que realmente tem e discutido como se não importasse para nada.

Sentimo-lo de forma demasiado séria mas discutimo-lo sem ponta de seriedade.
Um mundo à parte. Um mundo onde paixões e fanatismos originam comportamentos individuais incompatíveis com os comportamentos sociais.

Uma dictomia pessoa/adepto.

No outro dia ouvia Ricardo Araújo Pereira e só podia concordar. O estádio é o local onde o adepto tem de ferver. É o local onde a boçalidade, a paixão, o irracional e a loucura têm de extravasar. Mas assim que esse irreconhecível louco sai do recinto, deve voltar a assumir controlo o cidadão, a educação, a honestidade, o respeito e a seriedade.

Não acontece. Não acontece porque as pessoas vibram mais com as rivalidades do que com o jogo jogado. Os estádios multiplicam-se. O Facebook é um estádio. Cada programa televisivo é um estádio. O nosso sofá é um estádio. A nossa mesa de almoço. O café ali da esquina. Um constante estádio de alma.

Imaginemos que realmente o Jorge Jesus traiu o Benfica na hora da sua saída. A razão do clube seria um facto e nunca uma justificação.
Contudo rapidamente se perde foco da verdadeira acusação e se desperdiça a razão em guerras de barulho, em circos de não-verdades.

Assim a vitima rapidamente se confunde com o culpado. Olho por olho e todos ficam cegos, uma guerra cega onde realmente ninguém já vê nada. 

Esta foi a guerra recente com o Sporting. Depois de 2 anos de barulho, acabou antes sequer de ter começado.

Agora estamos perante a uma guerra com o Porto. Uma guerra que começou com a divulgação dos mails.

Admitamos que existe um comportamente menos ético do nosso clube e que esse fere a legalidade da nossa posição no futebol português. Admitamos.

O que fez o Porto com essa razão? Esbardalhou-a em ódios. Sem qualquer auto-controlo deixou-se levar pela ânsisa de atacar o seu inimigo.
Enterrou o seu bom argumento num circo de novelas. Juntou barulho onde deveria haver precisão.

Alimentou uma discussão de bruxarias, de compras de jogadpres, de relacionamentos com jogadores do próprio clube, de facilitismos dos adversários. Perderam-se no rídiculo.

E o Benfica que anunciou uma estratégia calculista e certeira, rapidamente colocou os seus agentes a ripostar com barulho e mais barulho.

Acusações idiotas de um lado e do outro. Acusações ruidosas sem fundamentação.
Uma urgência irracional de abdicar do sentido de justiça e envergar por uma competição louca de manipulação da opinião pública.

E é nesta toada que chegamos ao dia de hoje.

Na sequência de acusações e insinuações de um lado e do outro, chegamos ao jogo do Estoril - Porto.

Começa a suspeição com o adiamento prolongado do jogo? Poderia ser de outra forma? Talvez. Mas a ninguém interessa realmente analisar essa possibilidade.

Tanto tempo depois, com a segunda-parte a arrancar com o Porto a perder e com uma situação classificativa onde o Porto estava a 2 mas podia ficar a 5pts, ninguém conseguiu aceitar a reviravolta no marcador.

Começou-se por apontar ao árbitro. Depois ao VAR porque tinha sido advogado no processo Apito Dourado. Depois apareceu um Cesar Boaventura a falar de malas. Mais tarde surgiu a acusação que o Porto tinha pago. Depois afinal tinha sido um pré-pagamento.

Quem tem acompanhado esta sequência desesperada de acusações, fica com a clara noção que isto provavelmente é só mais um episódio.
Surge numa altura em que o debate "futebolistico" está num nivel extremamente reles. Um debate onde sem qualquer pudor se acusa os jogadores de facilitarem em troco de dinheiro. 

É assim que agora vamos olhar para a Liga Portuguesa? É assim que agora vamos encarar qualquer jogo menos ou muito conseguido de um grande?

Este Cesar Boaventura não será só mais um Peão Guerra no combate ao Francisco J. Marques?

É tanto lixo que nos servem...

Voltando ao Estoril.

A situação é estranha e no Futebol Clube do Porto não há santinhos. A podridão não desaparece só porque as escutas não foram aceites como prova em tribunal.

Por isso, e para bem da minha sanidade, resolvi desligar-me do barulho propangadista e fui analisar os factos. Enfiei a cara nos Relatórios e Contas do Futebol Clube do Porto dos últimos quatro exercícios. 

Começando pela questão dos dinheiros.

Nos Relatórios e Contas do FCP é possível verificar que em Junho/15 estes deviam 705mil euros ao Estoril. Posteriormente, em Julho/15, o Porto vendeu o Carlos Eduardo.

No documento seguinte, consta que o Porto nada deve ao Estoril a Junho/16.
Entretanto na rúbrica "Outros Passivos Correntes/não Correntes - Acréscimo de gastos - Encargos com transacção  de "passes" de jogadores, não vencidos" aparece um valor consequente da venda do Carlos Eduardo.

O FCP aí explica que esta rúbrica é referente a valores devidos a terceiros ainda não facturados e decorrentes de transacções de jogadores.
Também indica alguns jogadores que estão integrados no montante dessa rúbrica - o Carlos Eduardo é um deles.

Em Junho/17 a situação mantém-se. O Porto não apresenta qualquer dívida ao Estoril mas indica dever a terceiros montantes resultantes da venda do Carlos Eduardo, estando ainda à espera que esses valores sejam facturados.

Portanto até aqui não temos nada de anormal nas contas do FCP.
Deviam X ao Estoril, esse valor foi liquidado. Venderam um jogador e registaram o valor que deviam a terceiros como um montante que aguardava factura. E assim se manteve tudo durante dois exercicios.

No último documento, o Porto já indica uma dívida ao Estoril com o valor de 784 mil euros. Portanto em Dez/17 o Porto deve Y ao Estoril.

A dívida de Jun/15 e a de Dez/17 são montantes independentes. Havia uma dívida, foi paga e dois anos depois contraiu-se outra dívida.

De onde surge a dívida existente em Dez/17? O FCP refere ter sido facturado em Nov/17 pelo Estoril relativamente a valores devidos de transferências, valores onde se incluem os da venda do Carlos Eduardo - que anteriormente estavam na rúbrica de valores por facturar.

Sinceramente não há ponta por onde possamos pegar nestas Contas apresentadas pelo FCP.

Podemos colocar 3 questões:

1. Porque é que o Estoril demororou mais de 2 anos a cobrar estes valores? É estranho sim mas será relevante para o assunto em causa? Se realmente tiver cobrado em Nov/17 então é irrelevante para a questão do jogo com o Porto.

2. A factura apresentada pelo Porto é veridica? A justiça facilmente irá averiguar a veracidade daquele documento. Na minha opinião o Porto deveria apresentar o documento original e não o fazendo deveria explicar os motivos para não o fazer. Não há qualquer obrigação de o clube trazer a público documentos privados, contudo ficaria bem para a imagem dos intervenientes junto da opinião pública.

3. O timing do pagamento é estranho. No minimo apresenta uma enorme falta do bom senso. Será só isso? Basta provarem que ficou acordado o pagamento no decorrer de Março e basta provarem que, tal como informaram, fizeram pagamentos também a outros clubes. Portanto, foi uma liquidez do momento que só serviu para liquidar contas com o Estoril?

Percebido que a factura é real e que as contas todas batem certo, falta comprovar que o Porto se comprometeu a liquidar a dívida naquela data. Outra possibilidade seria o Porto se ter recusado a reconhecer aquele valor até... dar jeito reconhecer dependendo de uma outra contrapartida. 

Para se evitar estas polémicas, não deveriam os clubes comunicar à Liga estas situações com a devida antecedência?

A menos que se prove que a factura apresentada pelo Francisco J. Marques é falsificada, para mim tudo o que aqui há é uma tremenda estupidez de toda a gente envolvida no processo e no barulho.

Além da situação do tal pagamento, também tem havido muita polémica quanto à utilização dos jogadores.

Vou ser sincero, há muita gente a emprenhar pelos ouvidos. Se eu me fiasse no que tenho ouvido e lido, andaria bem longe da realidade.

A polémica tem surgido à volta da não utilização do central Pedro Monteiro e do lateral Abner.

Comecemos pelo lateral. 
Este foi emprestado pelo Castilla ao Estoril. Mal foi utilizado a época toda. Foi titular frente ao Porto devido aos muitos indisponiveis para o jogo. De seguida foi terminado o seu empréstimo e o jogado foi devolvido.

Segundo o presidente do Estoril, o jogador já tinha pedido para ser devolvido porque tinha mercado no Brasil e no Estoril não jogava. Foi pedido ao jogador para ficar pelo menos no jogo com o Porto porque não havia mais soluções para a titularidade. O jogador aceitou, fez esse jogo, insistiu em ser devolvido e foi.

Quanto ao Pedro Monteiro.
O central começou a época como titular ao lado do Paulão. O brasileiro lesionou-se e o Halliche assumiu a titularidade ao lado do Monteiro. Em Janeiro o Estoril contratou o Dankler. A dupla de centrais passou a ser Dankler e Halliche. Quando se realizou a segunda parte do jogo com o Porto (21 de Fevereiro) o Monteiro não saía do banco já há vários jogos. Nesse jogo teve de ser titular com o Halliche.
No jogo seguinte o Paulão, titular antes da lesão, recuperou e voltou ao convocados. A dupla de centrais titulares manteve-se e o Paulão foi o suplente - Monteiro na bancada. No jogo seguinte (ontem) o Paulão relegou o Halliche para o banco e assumiu a titularidade.

Como podemos ver, tanto um caso como o outro são extremamente lógicos e normais.
Num contexto de suspeição claro que iremos questionar tudo, afastar cortinas à procura de qualquer monstro ou monte de pó.

Terá o Porto pago ao Estoril e a direcção deste terá se dirigido aos dois jogadores dizendo "Olhem, vocês já perceberam que não têm lugar na equipa mas vão ter de jogar com o Porto. Então o que me dizem, já que vão desaparecer dos convocados e dos holofotes, de facilitarem e receberem um bónus extra antes do adeus?"

Não é impossível mas é rebuscado.

Eu não acredito. 

Vejo um mau jogo de um Estoril muito condicionado. Vejo uma entrada em força de um Porto, ao seu estilo. Vejo um desespero pelo alargamento da distância pontual. Vejo uma tremenda falta de ética. E vejo uma total falta de bom senso quanto ao timing do pagamento da dívida. 

Que seja feita a investigação necessária.

E que de uma vez por todas os dirigentes deixem de querer manipular aqueles que são cegos de paixão pelas suas cores. 

PS: Há muita gente que comenta nos jornais, na televisão e no facebook, gente responsável, inteligente e respeitável. Essa gente tinha obrigação de trazer alguma seriedade ao ambiente que se vive no nosso Futebol. A superficialidade com que falam sobre a questão o bruxo da Guiné, sobre os descontos do Capela e sobre o dinheiro do Paulo Pereira Cristóvão, é de uma irresponsabilidade repugnante.


sábado, 5 de agosto de 2017

Balanço para o Arranque da Época



Arranca hoje o campeonato e a pré-época mostrou-nos os três grandes de forma muito distinta.

O Benfica fica como o Vendedor – vendeu três jogadores chave e não contratou ninguém para os substituir.
O Sporting como o Comprador – várias aquisições, vários nomes sonantes e nenhuma venda realmente marcante.
O Porto é o Discreto – Virado para dentro com as portas praticamente trancadas.
Finda a pré-época considero que o Porto se sagra como o campeão desta, o Benfica mantém o estatuto de mais forte concorrente ao título e o Sporting foi uma enorme trapalhada.

Começando pelos de Alvalade.

A aposta de Bruno de Carvalho foi mais um “tudo ou nada”. Encher o plantel de caras novas e nomes sonantes.
No futebol do Sporting parece só haver duas vozes e a dupla instaurada, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, está destinada à barracada.

A pré-temporada pareceu planeada à bruta. Consideraram ser esta a melhor preparação enquanto não cabeça de série da eliminatória da Champions.
Os jogos pareceram todos muito forçados e sem qualquer espaço para os novos jogadores se integrarem e afirmarem.

Nesta altura o Jorge Jesus pode montar um excelente 11 e é indubitável que tem mais banco que há 3 meses.
O grande problema é serem mais as incógnitas que as certezas.
A incerteza sobre a presença na fase de grupos da Champions é só mais um motivo desestabilizador da formação do plantel leonino.
Por exemplo, a época começa amanhã e o Jorge Jesus ainda não sabe se vai contar com o meio-campo da época passada ou se vai ter de instaurar mudanças radicais.

À data não vejo ainda processos de jogo definidos, rotinas criadas nem qualquer identidade. A pré-época foi desaproveitada e muito por culpa da aventura do Jesus no 3-4-3. Mais uma invenção do mestre. Deixar sair o Paulo Oliveira, ainda por cima com um sistema de 3 centrais a ser trabalhado, só pode ser incompetência.

O grande destaque é o Bruno Fernandes. Mas terá espaço caso não haja vendas?
O mais entusiasmante no Sporting será quando a bola a rolar entre o Gelson, o Podence e o Bruno Fernandes.

Dúvidas:
Condição física do Mathieu. A dupla com o Coates funciona?
Bryan Ruiz vai ser integrado? Desaproveitado?
Doumbia vai sentar o Podence ou ser desestabilizador no banco?
Os capitães de equipa ficam no plantel?
Que táctica?
O Coentrão aguenta a época?
O Piccini acrescenta alguma coisa? Vai ter cobertura?

Com mais organização e ponderação estou convicto que este Sporting poderia ter feito uma pré-temporada que lhe permitisse chegar agora muito forte.
Mas com o Jorge Jesus é tudo á velocidade da luz.


Quanto ao Porto considero que o Sérgio Conceição fez até agora um trabalho de enorme respeito.
Sabia ao que vinha e trabalhou com o que lhe deram.

Recuperou jogadores emprestados, olhou à equipa B, deu confiança aos jogadores do plantel e trabalhou para tirar o maior proveito dos recursos à disposição.
Não sou fã do futebol que está a ser implementado mas reconheço o mérito do trabalho que está a ser realizado.

O Porto foi o único a mudar de treinador e mesmo assim é para já a equipa tacticamente melhor preparada para o arranque do campeonato.

Muitos adivinhavam o descalabro pelas restrições orçamentais da Uefa mas eles souberam trabalhar sob estas circunstâncias.

Organização, calma e muito trabalho. Enquanto os rivais andavam com os holofotes o Porto trabalhou com toda a discrição. Tudo muito ponderado.

A distribuição dos amigáveis foi feita de modo a conferir ao treinador tudo o que precisava: Competitividade, motivação e minutos para integrar e trabalhar todos os jogadores.

Tacticamente este é um porto sem grandes segredos. Pressão alta, explorar o erro do adversário e atacar com lateralizações e cruzamentos para os dois tanques que estão apontados à baliza.

É um Porto muito para consumo interno.
Um adversário de qualidade que favoreça a progressão no terreno em posse irá causar sempre grandes problemas à defesa portista.

Com bola este Porto vai ser sempre um perigo enquanto durarem as pilhas. Sem bola só vai ter a primeira fase de pressão, a qual também está dependente das pilhas.

A grande debilidade é sem dúvidas a construção do plantel. Só 14 jogadores para o 11.
Falta profundidade.

A dupla de centrais é provavelmente a mais forte do campeonato. O Filipe é bom e é um central à Porto.
O Ricardo dá outra vida à lateral direita portista.
O Danilo é um monstro.
O Oliver é pura classe.
Corona e Brahimi são craques. A grande vitória do Conceição e o elemento mais perigoso deste Porto é ter o argelino a progredir com bola desde o centro do terreno.
O Aboubakar é um excelente avançado e já está oleado com o Soares.

Contudo, os centrais não têm cobertura (o que vale o Reyes?), o Danilo não tem substituto, a táctica só funciona com o Oliver a criar as linhas de passe e a única alternativa à dupla de avançados é o jovem Rui Pedro.
O sistema de jogo está demasiado dependente dos interpretes disponíveis.

Estou convicto que vão afundar o Estoril e que depois tudo dependerá do cansaço, suspensões e lesões.


O Benfica é o mais forte mas está indiscutivelmente mais fraco que no ano passado.

A maior fragilidade do Rui Vitória é o modo como trabalha o processo defensivo. Basicamente é inexistente.

Dos 6 titulares só ficaram os 3 com maiores limitações físicas – Luisão, Fejsa e Grimaldo.

Ofensivamente somos uma delicia, um poço de criatividade e inteligência. A qualidade dos jogadores nem pede um processo trabalhado.

O factor Jonizzi é fodido.

Algo que me tem desagradado é a quantidade de vozes que regem o nosso futebol.
Quem devia falar está calado. A discussão fica para um par de homens do futebol e a maralha das comissões e favorzinhos.
O pior ainda é ver o sentimento de sobranceria que se instaurou. Não importa quem se vende, quem se compra, quem joga e quem não joga.
Criou-se uma preocupante despreocupação com a qualidade do plantel.

Não consigo entender a despreocupação com que se encarou o reforço do plantel quando desde de Abril se sabia que o Ederson, Semedo e Lindelof iriam sair.

O futebol deste Benfica também não é nenhum mistério. Defendemos com os defesas em autocarro, temos o Fejsa a varrer, ofensivamente temos os rasgos dos velocistas e somos guiados pela imaginação e técnica do Jonas apoiado pela visão do Pizzi.

O Professor anunciou uma alteração táctica para esta época a qual não se concretizou. Já o tinha tentado quando chegou.
No Benfica o Rui Vitória está destinado a criar muito pouco.

Na vertente emocional damos 10-0 aos nossos rivais.
Vitórias alimentam vitórias e o Vitóra alimenta muito este balneário. A sua capacidade de gerir os jogadores e manter este sentimento de união que todos liga é um dos motivos pelo qual partimos à frente.

O espirito de grupo é fortíssimo. O espirito de campeão está vivíssimo. Devemos isto aos títulos, ao símbolo e ao Rui Vitória.

Quanto ao plantel:

Na baliza falta o reforço. As fichas foram todas para o André Moreira mas no momento da decisão o futebol prevaleceu sobre o agenciamento. Perdeu-se muito tempo e agora dependemos da débil condição física do Júlio César.

Na direita saiu o Semedo e a aposta foi no Pedro Pereira. Mais um falhanço. Seja pela qualidade do jogador ou pela preparação do mesmo, quem tem de o avaliar falhou. O Almeida segura as pontas mas o Buta não é deste campeonato. Perdeu-se tempo e agora andamos a tentar fechar negócios para os quais o timing já passou.

Na esquerda tem de haver Grimaldo. É craque. O Eliseu tem piada mas é horrível. O Hermes confirmou a sua mediania.

O nosso problema central está nos centrais. A dupla está rotinada mas peca pela qualidade individual. O Luisão é líder mas cada ano está mais frágil defensivamente. O Jardel é um poço de esforço mas muito mediano e o seu pico de forma já passou.
O Lisandro tem o espirito certo mas é defensivamente precipitado.
Precisamos urgentemente de dois reforços, sendo que um deles pode até ser o Kalaica (ainda não tenho opinião formada).
Infelizmente foram necessários os jogos na Emirates para preocupar despreocupado Vieira.

Nas restantes posições é tudo maravilhoso menos o excesso de jogadores e as aquisições dos comissionários.

O Fejsa é intocável. O Samaris, tal como o Lisandro, tem o espirito certo mas falta-lhe futebol. O Filipe Augusto só poder ser solução a 6 mas mesmo aí é fraco.
Um Fejsa sem lesões e um Samaris feliz fechariam a posição.

Nas 5 posições de ataque destaco o Horta, Chrien, Krovinovic, Pizzi, Cervi, Rafa, Zivkovic, Jonas, Seferovic e Mitroglou.
É entregar estas posições às soluções que estes 10 nos dão.

O Chrien e o Kovinovic têm a época para crescer a deslocação do Pizzi para a direita dar-lhes-ia essa oportunidade. Adoro o Horta e este tanto pode jogar a 8 como a substituto do Pizzi.

Defendo o Pizzi à direita porque nos daria um melhor jogo interior, mais força com a bola, mais consistência sem ela e porque assim o jogador estaria mais liberto das zonas de pressão e mais próximo das de decisão.

Vou sempre preferir o Mitro ao Raúl. Tendo um de ser vendido percebo que será o mercado a definir qual. Ficando o mexicano continuamos com um muito bom suplente.

O Seferovic é o nosso grande reforço da época. É muito mais que golos e tenho a certeza que estes vão aparecer jogo após jogo.

Tanto o Salvio como o Carrilo são excelentes jogadores. O argentino é titular do Vitória e vai ficar. O peruano não se conseguiu afirmar e agora já não tem espaço para tal.

O Willock parece-me ser um extremo entusiasmante. Tem potencial mas não tem espaço e este tipo de jogadores necessita jogar. 

É importante reduzirmos o número de jogadores ofensivos para não corrermos o risco de, como na época passada, andarmos a desperdiçar o talento destes.
Nenhum dos nossos extremos ainda se conseguiu afirmar e isso deve-se à obrigação do Vitória de gerir os minutos de todos eles. Os craques tiveram tempo para jogar mas não para darem continuidade aos seus desempenhos.
Rafa, o Cervi e o Zivkovic merecem continuidade, merecem uma oportunidade para se afirmarem definitivamente.

Não esquecer o Arango. Aliás, esquecer o Arango. Mais um sul-americano que veio por interesses alheios aos benfiquistas. Veio e já foi.
Um tachista que elogie comissionários até poderia dizer que este era uma espécie de Jonas…

Depois da febre da aposta na formação parece-me que este vai ser mais um ano em branco nesse capitulo. Neste plantel havia lugar para o Pedro Rodrigues. Não é do gosto do treinador.

Resumindo:
Urgente reforçar a defesa.
Importante investir nos melhores jogadores, não desperdiçar talento.
E, apesar de ser algo maravilhoso de se ver, temos de poder ter um processo ofensivo mesmo que o Jonas não esteja lá para o inventar.

Imaginar as maravilhas que se podem fazer naquelas cinco posições com o Horta, Pizzi, Zivko, Cervi, Rafa, Jonas e Seferovic, entusiasma-me mais do que as noites de Nutícias com a Paula Coelho.

Mas o penta não virá só por tesões. Muito menos um Benfica de Liga dos Campeões.

Quanto aos amigáveis, valem o que valem.
Não haver jogo de apresentação nem Eusébio Cup é uma vergonha da qual só não se fala porque as conquistas sujam até os mais íntegros.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Doentio

Na antecâmara do derby, fora das quatro-linhas, faleceu uma pessoa vítima de atropelamento na sequência de uma rixa entre adeptos de Benfica e Sporting supostamente afectos a claques dos respectivos clubes. Penso que importa analisar este caso não só pelo facto de ter ocorrido um homicídio mas também pelo aproveitamento do mesmo que adeptos e dirigentes têm tentado tirar para branquear épocas de insucesso, desculpabilizar culpados e para demonstrar o que não são.

O falecido, que me custa catalogar como sendo adepto de futebol, era afecto à Fiorentina e com ligações às claques do Sporting. Ter-se-á deslocado a Portugal para "viver" o clássico juntamente com um grupo de adeptos organizados do Sporting (alguém sabe se iria sequer ao jogo?) à sua maneira. E é nesta estranha forma de vida que gostaria de reflectir um pouco: o que estariam os adeptos do Sporting a fazer naquele local, àquelas horas, na véspera de um derby? Não foram seguramente ver as vistas, passear com as famílias nem terminar faixas, coreografias ou estandartes. Estavam ali com um de dois propósitos: vandalizar murais e infraestruturas fora ou mesmo pertencentes ao complexo da Luz ou para uma rixa previamente combinada com adeptos afectados a claques do Benfica. Se foi a primeira, a inexorável precipitação de eventos é de lamentar mas não pode nem deve surpreender ninguém, pois este é o modus operandi de uma escumalha sem ocupação independentemente se serem vermelhos, verdes ou azuis; se foi a segunda, a lamentar só mesmo não ter havido mais estropiados, uma vez que estes indivíduos que se dizem adeptos de um clube não são mais do que adeptos de uma organização que, legal ou não, serve para encapotar um conjunto de práticas que não são, de todo, legais.

E é precisamente sobre a legalização das claques que me debruço. Pese embora não ter doutoramento na matéria, gostava que claqueiros, dirigentes desportivos e governantes me explicassem quais os benefícios práticos da legalização das claques. O futebol ficou pacificado? Diminuíram os crimes de elementos dessas mesmas associações? Que se saiba, não. Uma medida sem tradução prática e que na prática não serve para mais a não ser para os "ilegais" continuarem a cometer as suas ilegalidades e os "legais" perpetrarem as mesma práticas com a suprema lata de acusarem os "ilegais" de não estarem legalizados.

E quando estas acusações se estendem aos presidentes, pior o caso fica. De Bruno de Carvalho já não se espera nada de construtivo, positivo ou digno para o futebol português. As mais recentes declarações onde, de forma abjecta, tenta tirar proveito do falecimento de alguém para atacar uma instituição como o Benfica são a prova disso mesmo. Com a agravante do triste espectáculo da entrega da coroa de flores aos membros de uma claque organizada como forma de mostrar solidariedade para com a morte do italiano, para inglês (e câmara de televisão) ver, uma vez que a mesma coroa de flores seria depositada no lixo comum no dia seguinte. Por outro lado, a postura de Luís Filipe Vieira, por aí tão elogiada, merece vários reparos, a começar pelo proteccionismo que a direcção do Benfica continua a dar aos adeptos das claques no que à aquisição de bilhetes diz respeito, como se viu aliás para o jogo de Alvalade.

Já se sabe que a justiça, no futebol português, é um conceito muito arbitrário e que reflecte essencialmente o benefício do clube de cada adepto. A pacificação do futebol nacional é um mito e uma ilusão que se encontram muito longe de ser cumpridos. Com adeptos, dirigentes clubísticos e dos organismos reguladores do futebol nacional e com governantes como estes, diria mesmo que tal será impossível. São estes os responsáveis pelo estado doentio que se vive no futebol português.

domingo, 5 de março de 2017

Presimentes

Enquanto fenómeno social, o futebol move paixões que são por vezes difíceis de entender. Existe um certo grau de irracionalidade no jogo que faz com que os adeptos não se consigam distanciar o suficiente para conseguir analisar algumas decisões do próprio futebol, como não acontece em mais nenhuma circunstância da vida. Talvez por isso o patrão do adepto seja um déspota, a mulher seja uma controladora, o dono do café onde vê a bola seja um avarento, o primeiro-ministro seja um aldrabão, os políticos sejam todos corruptos mas o presidente do clube de futebol, ai o presidente do clube de futebol, seja um herói sacrificado, um exemplo de liderança e uma figura de culto.

Algo está errado. Especialmente quando os três grandes se vêem representados por estas figuras. E aqui estou completamente à vontade para falar porque a única vez que votei em Vieira foi há oito anos e o arrependimento chegou menos de um ano depois, não pelo título de campeão nacional conquistado mas pelos negócios pouco claros que começaram a surgir com o Atlético de Madrid. A confiança perdeu-se. Porque um clube é muito mais que os títulos que conquista e o seu presidente deve ser alguém minimamente digno e que represente os valores do clube. Por isso mesmo, apesar de reconhecer o excelente trabalho que Vieira tem feito em áreas como a construção de infraestruturas, a criação de condições para os escalões de formação singrarem, a modernização e profissionalização da estrutura e finalmente o sucesso desportivo, não posso nem irei esquecer as mentiras sucessivas, os negócios pouco claros e a ausência de um debate plural e democrático promovido por constantes fugas aos debates com a oposição, com alteração de estatutos e de datas de eleições para evitar candidatos incómodos.

Este défice democrático criado pelo populismo dirigido às massas por presidentes-ditadores é aliás um fenómeno que não é de hoje e não é exclusivo ao Benfica (nem a Vieira, porque mesmo Vale e Azevedo chegou a ter quase 40% dos votos depois de um dos mandatos mais nefastos de um presidente na História do Benfica). Também o FC Porto, cujo presidente tem mais anos de poder que eu de vida e no qual não me lembro de existir um candidato a desafiar Pinto da Costa, vive este problema de ausência de debate democrático. E o Sporting, claro, depois de ultrapassada a oligocracia do croquete que dirigiu o clube anos e anos a fio, vê-se agora a braços com um demagogo radicalista com um discurso que cativa a maralha e que coloca em xeque qualquer pessoa com ideias e que se oponha ao seu reinado através de comunicados, insultos e perseguições.

Não me identifico com esta gente. E tenho alguma dificuldade em compreender gente inteligente que utiliza justificações como "pelo menos fez obra", "deu-nos títulos" ou "devolveu o orgulho de ser benfiquista/sportinguista/portista aos adeptos". Nem tudo tem de ter um preço, especialmente quando ultrapassa a nossa dignidade ou a dignidade que os clubes devem ter.

P.S. Peço desculpa a todos os que ao longo dos anos foram comentando aqui ou no Eterno os meus posts, mas a partir de hoje só o poderão fazer através do Facebook na página do Ontem Vi-te no Estádio da Luz.