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terça-feira, 12 de julho de 2016

O melhor jogador do Euro

O resultadismo mais uma vez a fazer das suas. Como Griezmann marcou 6 golos, foi considerado o melhor jogador. Enquanto o futebol for visto desta forma vamos continuar a premiar a estatística em vez de valorizar o jogo e quem o interpreta de forma sublime. Não que o francês não tenha mérito - é bom jogador, indiscutível -, mas não tem a qualidade dos melhores. Facilmente encontramos 11 melhores exibições:

- Kroos
- Hummels
- Iniesta
- David Silva
- Payet
- Bonucci
- Modric
- Kalinic
- Pepe
- Ramsey
- Fernando Santos


domingo, 10 de julho de 2016

Já chega de andar a rondar a praia sem direito a mergulho. Hoje vamos ser Campeões Europeus.  

1966 - Meias-finais
1984 - Meias-finais
1996 - Quartos-de-final
2000 - Meias-finais
2004 - Final
2006 - Meias-finais
2008 - Quartos-de-final
2012 - Meias-finais
2016 - ?


sábado, 9 de julho de 2016

11 para Paris



1) Contra uma equipa como a França, que tem a sua maior virtude no aproveitamento dos espaços quando o adversário perde a bola e se desequilibra, é fundamental ter um meio-campo composto por jogadores que raramente falhem um passe e não deixem a equipa posicionalmente vulnerável;

2) É um jogo que precisa de um efeito-surpresa. Algo que os franceses não esperem. Um jogador desconhecido, que não tenha aparecido nos vídeos que os técnicos analisaram sobre a nossa equipa;

3) Fundamental ter soluções no banco que, entrando na segunda parte, possam ou abanar a estrutura francesa (em desvantagem) - Renato, Quaresma - ou ajudar a consolidar a vantagem - Moutinho, Gomes, Danilo;

4) Portugal tem de atacar as costas de Sagna, espaço geralmente aproveitável pelas constantes subidas do lateral francês e da má recuperação. Se há ouro, é ali que deve ser explorado.

5) Se não houver influência externa, temos tudo para ganhar a uma equipa que tem qualidade individual mas tem muitas dificuldades a construir de forma organizada e defende mal.

Patrício
Cedric, Pepe, Fonte, Guerreiro
William
João Mário, Adrien, Rafa
Nani, Ronaldo

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O cronómetro do golo



Kroos é um jogador incrível. Provavelmente, o mais subvalorizado da História. Sabe tudo, todas as movimentações dos adversários, quando rasgar, quando manter a posse, aonde vai chegar a bola, o que vai fazer o seu colega, em que direcção irá a jogada acabar. É como se em todas as vésperas dos jogos tivesse acesso ao que se passará em campo. Kroos passa a noite a visualizar o jogo que só decorrerá no dia seguinte. Depois chega ao relvado e, com a memória de todas as jogadas, executa. Pensa, lembra-se e executa. Deus do Timing, cronómetro do golo.

MÁTRIA



1. Não sou um admirador de Adrien. Diria mesmo que o atleta do Sporting me causa alguma sonolência. É mesmo possível que uma ou outra vez me tenha referido a ele como o "jogador-soporífero". Mas ontem foi o melhor em campo. Provavelmente, o melhor jogo de Adrien desde que nasceu.

2. Os dois golos de cabeça de Ronaldo surgiram de cantos que não foram marcados à primeira. O canto curto, mesmo que, como neste caso, acabe em cruzamento, tem o mérito de desposicionar marcações e posicionamentos. A repetir contra a Alemanha.

3. O leitor leu o final do ponto 2 e pensou para os seus botões: "mas já se conhece o outro finalista?". Ainda não, mas é o mais provável - os alemães são muito superiores e têm oferecido o melhor futebol do torneio. É claro que para nós o ideal é encontrar a França na final: são mais acessíveis (defendem muito mal) e se lhes ganharmos em Paris os emigrantes ganharão um brilhozinho nos olhos para toda a vida.

4. Movimentação, elevação, disparo. É extraordinário o golo de Ronaldo. Pela beleza, pela dança atlética, pela raridade. Dir-se-ia que é um golo com impressão digital, como se no mundo só Ronaldo pudesse fazer aquilo.

5. Fernando Santos não será um génio como treinador mas tem as valências todas para ser um óptimo Seleccionador. A forma como tem gerido as mudanças no onze, quase sempre deixando dúvidas sobre a condição física dos jogadores substituídos, o discurso ambicioso sem ser cagão, a defesa intransigente dos seus jogadores, a inteligência como lida com o estatuto de Ronaldo. Tudo aspectos de uma liderança calma, porém assertiva e apaixonada. O futebol é muito mais do que apenas a estratégia para um jogo.

6. Desde o princípio do Euro até hoje a Selecção tem conquistado cada vez mais portugueses que, no início, talvez por medo de desilusão, zombavam dos 23 heróis. É bom sinal, quer dizer que temos ganhado e seguido atrás do sonho. Que no Domingo esteja iluminado de felicidade todo o rectângulo mágico chamado Portugal.

MAU-OLHADO #1


"Todas as finais são para ganhar", diz Danilo, um mês e meio depois de ter perdido a final do Jamor.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A Viagem do Emigrante

Gente que sofre um ano inteiro a limpar retretes, gente que acarta sacas de cimento a vida inteira, gente que sofre das 6 da manhã às 9 da noite a saudade de andar a seguir ordens de gente que não sabe, não reconhece, o sacrifício de uma vida feita de bondade para deixar aos filhos um lugar melhor no mundo.

São estes os heróis do Europeu, aqueles que passam os dias à espera de um autógrafo que possa ficar emoldurado para a eternidade em cima da lareira.  Aqueles que merecem uma final em Paris, doidos de emoção. Os que sentem Portugal à distância de um golo, de uma vitória, de alguém que se lembre deles. Da vida madrasta tornada Mãe de todas as alegrias. Mais portugueses do que os portugueses, os emigrantes inundam-se de poesia e cantam o poema

POR-TU-GAL, POR-TU-GAL, POR-TU-GAL!


terça-feira, 5 de julho de 2016

Ganhar por Portugal contra a canalhice



Probabilidades? Mais do que percentagens definitivas, podemos falar no que é mais possível, no provável. Em 10 jogos contra este Gales, este Portugal ganhará 4 ou 5 vezes, empatará 3 ou 4 e perderá 1 ou 2. Numa meia-final, isso dilui-se e aproxima as equipas; não há um favoritismo declarado. E ainda bem, porque nós funcionamos melhor quando precisamos de provar a nossa qualidade.

Nesse sentido, devemos agradecer à imprensa francesa e aos dirigentes do Sporting por terem atacado de forma vergonhosa esta equipa e, especificamente, este nosso puto Sanches (era a idade, era o mamilo, era o bairro onde vive, era tudo o que servisse os intentos canalhas de uma série de gente parva). O Bulo amanhã vai encher o campo e mostrar a todos os imbecis e mal-formados que a indecência e o preconceito pagam-se caro. Vai jogar por Portugal e contra a imbecilidade.

Contra o racismo, contra a idiotia, contra o desrespeito,  contra a falta de vergonha, contra a inveja, contra a maldade. O puto vai obrigar-vos a festejar golos e vitórias enquanto tentam esconder dos outros, sorvendo histericamente o gin de melão, a raiva que sentem por terem de engolir de quinas ao peito aquele preto de 18 anos da Musgueira que ajudou a dar o campeonato ao Benfica.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Futebol ofensivo é isto

A importância da troca de bola. Hazard vai à esquerda receber um cruzamento demasiado largo. Cruza por cruzar? Não, volta antes atrás, mete em Nainggolan que se aproxima e lhe devolve a bola, com um passe curto. Hazard vê Witsel na zona central, passa-lhe a bola. Witsel, marcado, vê que não pode progredir, mete em Nainggolan, a dar um apoio a 2 metros dele. Nainggolan volta a passar a Hazard, que se mantém na esquerda, mas mais junto ao bico da área. Vira-se para a baliza galesa, Witsel faz um movimento no meio, a entrar na área, e pede a bola. Hazard neste momento ou mete em Witsel por entre 4 galeses ou usa de outra forma a acção do Witsel que arrastou a equipa galesa toda para dentro da sua área. Usa de outra forma: caminha para o bico da área, fixando o seu marcador e mete em Nainggolan que está agora à frente da área com todo o espaço para rematar. Remata e faz um golão.

Estes "passes curtos para trás e para o lado", que muita gente diz darem sono, quando são feitos com o intuito de criar espaços na procura de ganhar uma situação favorável para atacar a baliza adversária, são os movimentos mais bonitos e mais ofensivos que uma equipa de futebol pode ter. Porque ser ofensivo não é rematar e cruzar de qualquer forma e sem grande possibilidade de ter sucesso. Isto, este golo, estes passes curtos "para trás e para o lado", tinham desde o princípio da jogada um intuito absolutamente ofensivo. Este é o futebol que apaixona.

Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto




1. O resultadismo é uma doença nacional. Uma praga que se alastra por todo o treinador de bancada, jornalista, profissional mister, dirigente, etc e coiso. A análise geral que tem sido feita às prestações de Ronaldo podia servir de resumo perfeito desta doença: quando marcou dois golos contra a Hungria, foi considerado extraordinário e foi logo proclamado que "está de volta o grande Cristiano"; nos restantes 4 jogos, como não marcou golos e falhou alguns, passou a ser "uma vergonha um jogador desta qualidade não ajudar a Seleccao". Ora, eu digo que ontem o nosso herói fez o seu melhor jogo. Estou, aliás, positivamente surpreendido por ver este novo Ronaldo: muito mais dentro do jogo colectivo, a permitir-se ser mais solidário, a potenciar melhor as qualidades dos colegas. Já não procura ser sempre, em cada lance, o protagonista final: percebeu que pode ganhar mais se abrir no colega; pode primeiro fixar 2 adversários para criar o espaço onde outro possa entrar; porque é ele o chamariz, pode servir de engodo; pode vir combinar atrás, dar respiração à equipa. Está numa fase da carreira em que, perdendo o rasgo das alas e diagonais, pode tornar-se num segundo avançado de excelência. Se continuar assim, proporei a Vieira que o contrate para fazer dupla com Jonas.

2. Porque é um portento físico,  Renato leva tudo à frente: adversários, bola, árbitro, relvado, oxigénio, até a inteligência. Decide mal, pessimamente. De vez em quando, surpreende e faz algo que nos deixa com esperança de que os seus 18 anos lhe permitam vir a entender o jogo e a elevar o seu futebol a um patamar que não seja apenas o físico, mas logo na jogada a seguir nos mostra que está programado para aquilo e não mais do que aquilo. Eu confesso: estou longe de achar Renato um óptimo jogador. É evidente que tem qualidades e características que agradam e vão permitir-lhe andar algum tempo na ribalta, mas não mais do que isso. Carrega, transporta, varre, marra, invade, força, combate, mas não pensa, logo não joga. Se eu disser que o Ronaldo ontem fez um jogo muito melhor do que o jogo do Renato provavelmente chamam-me louco.

3. Sonhamos e ainda bem. Queremos é ir passando e depois logo se vê. Pragmaticamente, não jogamos nada. Pragmaticamente, temos tido sorte (ela também existe, mais ainda num jogo com todas estas variáveis). Pragmaticamente, quando apanharmos uma equipa com qualidade individual e colectiva acima da média (a Croácia chegava perto disso e por isso foi-nos claramente superior), voltamos para a nossa Baixa da Banheira. Mas isso é o que é provável. No entanto, o Engenheiro que tem fé também tem grande fezada. Um país que consegue produzir um delírio como Fátima claro que pode ganhar um Euro sem ganhar um jogo.

4. 3 minutos. É este o tempo de jogo que tem o mais criativo dos 23 jogadores que foram a França. Numa equipa que joga com anemia, aos soluços, emperrada,  a pedir licença ao pé direito para levantar o pé esquerdo, que não encontra soluções para entrar no espaço do adversário, que roda a bola em carrossel pelas linhas e pelos centrais, abdicar de Rafa é uma heresia só entendível pela religiosidade sacrificial de Fernando Santos que, para cumprir o seu grande objectivo - ganhar o Euro sem ganhar um jogo -, não pode meter em campo um tipo que mais cedo ou mais tarde criaria uma situação de golo e de consequente vitória, destruindo assim todo um trabalho de meses.

5. Em não sei quantos livres marcados por Cristiano Ronaldo neste Europeu, o único que causou perigo foi marcado por Raphael Guerreiro para a cabeça de Pepe.

6. Na semana passada, 9 em 10 jornalistas diziam Renato SanCHEZ. Hoje já só 7,5 jornalistas em 10 dizem Renato SanCHEZ. Sigamos o cherne, meus amores. No final do Euro, só pode ficar o Nuno Luz a dizer Renato SanCHEZ.

7. O título desta crónica anti-patriótica é do Mário de Carvalho.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Para que serve a estatística num jogo tão complexo?

 Qual será a causa desta histeria pelas estatísticas? Os jornais e os programas de televisão optam tantas vezes por debitar dados estatísticos porque as pessoas acreditam mesmo que isso tem algum interesse ou é porque não sabem abordar o jogo de outra forma? O que é que interessa se a Itália nunca perdeu com a Alemanha? Serão as equipas italianas que nunca perderam com as equipas alemãs as que vão entrar em campo daqui a 3 dias? São os mesmos jogadores? Será o mesmo contexto? Os mesmos momentos de forma? Os mesmos treinadores? Os mesmos modelos?

"Em 1967, um esquilo alemão defecou em cima de um esquilo italiano. Mais tarde, em 1982, um cão de origem italiana mordeu um guaxinim de Dresden. É muito provável que o Alemanha - Itália acabe empatado.". Portugal não perdeu com a França em 2000 porque tinha perdido com a França em 1984 nem perdeu com a França em 2006 porque tinha perdido com a França em 1984 e em 2000. Portugal perdeu com a França em 1984, em 2000 e em 2006 porque os franceses eram melhores. Mas até podiam ser piores e ganhar. E isso nada teria de fatal destino estatístico. Isto é bola, pá, não é uma repartição de finanças.

domingo, 26 de junho de 2016

O fado final

1996 - Quartos-de-final
2000 - Meias-finais
2004 - Final
2008 - Quartos-de-final
2012 - Meias-finais
2016 - ?

Portugal é a única Selecção que foi sempre pelo menos aos quartos-de-final nos últimos 6 Europeus. Olhando para a sequência, parece que estamos destinados a ir à final. E perder.


Não percam a exibição de Kroos, que está neste momento a jogar contra a Eslováquia. Tudo nele é classe e critério. Quando decide mal, o mundo pára surpreendido. Estica e encolhe o jogo, leva os colegas presos por um elástico mágico, brinca, surpreende. A qualidade inegável de um super-médio que só não é reconhecido como tal porque tem corpo e feições de um cruel SS em Birkenau.


O passe genial do Nani (muito poucos jogadores no mundo fariam aquele passe); o abraço de amor pelo golo entre Adrien e Renato Sanches (muito poucos adeptos, sportinguistas e benfiquistas, percebem este abraço, tão perdidos que estão em ódios sem sentido ); a existência resumida pelo futebol. Não há jogo mais honesto, complexo, brilhante e popular que este. O futebol é uma impossível equação que apaixona o mundo.

sábado, 25 de junho de 2016

La Tomatina



Uma equipa como a nossa, que defende tão mal e tem tanta gente com talento do meio-campo para a frente, não pode ir para um jogo com uma equipa muito superior em termos colectivos a querer defender em bloco baixo, só à espera de saídas rápidas. A única forma de defender a nossa fraca qualidade defensiva é atacar. É ter bola. É tirar a bola ao adversário. Portugal só ganhará este jogo se for capaz de ter coragem para assumir a posse e fazer dela a sua sobrevivência. Defende-se atacando e em zonas recuadas da equipa croata. Se a bola estiver mais tempo longe da nossa baliza será mais difícil marcarem-nos golos. Para isso, é preciso ter no miolo quem saiba recuperar e ter critério na sequência (William), cultura posicional e qualidade com bola (Gomes e João Mário) e o elemento diferenciador (Sanches) que, em segundos, desequilibra e transporta uma bola para uma saída rápida com os nossos dois avançados e a chegada dos médios. Sim, vai ser preciso ter tomates.