Mostrar mensagens com a etiqueta Viena 90. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viena 90. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Por ti, companheiro.

«Cada vez que as bancadas da Luz se agitam e gritam golo, gosto de pensar que, algures, o meu Pai continua a levantar os braços, a sorrir e a abraçar quem ao lado dele estiver a assistir ao jogo.», António Lobo Antunes


Eu vi o meu Pai chegar a casa duas vezes com os olhos em chamas. Queria trazer-me, das duas vezes, as orelhonas da Taça dos Clubes Campeões Europeus nas mãos. Levantá-las-íamos nas mãos, poríamos a cadela dentro delas e gritaríamos a plenos pulmões e fígados, gargantas e corações: "BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA!". 

Da primeira, prometi-lhe em silêncio, na noite do dia em que chegou, deitado sobre os meus 6 anos e benfiquismo em maturação, que vingaria aquele penálti fatídico do Veloso. Da segunda, dois anos depois, já não me ofusquei no mistério e disse-lho, sem rodeios: "hei-de ganhar uma Taça por ti, Pai" e ele a rir-se, olhos de ternura para o mundo, tão cheio, tão completo de amor.

23 anos depois, corri meio-mundo para pagar a promessa. 23 anos depois, estou aqui, Pai, com este bilhete na mão para te dever o que prometi. O resto deixo com o Benfica. Mal ou bem, já ninguém nos tira este momento.