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domingo, 18 de novembro de 2018
O melhor EXTREMO-ESQUERDO que vi jogar.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
55 anos a beber da poção mágica. Parabéns, Chalanix!
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
O 11 do Benfica da minha vida
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Cromo nº 1 - Luisão
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sábado, 7 de julho de 2012
O pequeno genial (e o genial bigode)
A
mulher do Chalana andou com o meu Pai no liceu. Parece que não era
conhecida por ser adepta da monogamia; nem disso nem das pernas tapadas.
Tinha outros interesses, que extravasavam a lida doméstica ou o leve e
tranquilo passar das horas à lareira a fazer rendas de bilros.
Havia referências pontuais a esse facto, lá por casa.
Mas eu só retinha a palavra "Chalana" nas várias conversas que se
mantinham sobre o assunto. Era como naquele anúncio dos Whiskas para
gatos. Eles falavam, dissertavam sobre conhecidas exibições de Anabela à
janela, vendo os transeuntes enquanto se formavam filas de homens na
sua rectaguarda mas o que eu ouvia era "bla bla bla Chalana bla bla bla
Chalana".
É
que eu tinha uma camisola do Chalana. Acho que cheguei a fazer um
bigode farfalhudo e a colá-lo com UHU à cara e saí pelo pátio a fintar
franceses imaginários. Quando os adversários eram reais, jogava num
ringue da minha rua, que era o sítio de eleição para se jogar futebol em
Abrantes e que era um autêntico luxo: balizas presas ao chão, redes
(redes!), marcações bem delineadas a tinta, bancadas, balneários e
laranjeiras no terceiro anel para quando desse a fome e a sede ao mesmo
tempo.
Nesse campo, os mais
velhos contaram-me mais sobre Chalana. Falavam-me que, de férias, em
vez de ir passear a mulher - que provavelmente estaria em horas
extraordinárias, mas não propriamente em labutas de ofício -, Chalana
esfalfava-se por esses ringues, apesar de as indicações do Benfica
serem na exacta direcção contrária (diz que os músculos não se dão muito
bem com misturadas entre relva, pelado e cimento durinho). Mas o bigode
do pequeno genial não era de virar a cara a uma boa peladinha e vai daí
fintava, sem discriminação, gordos, velhos, coxos, donas de casa,
padeiros e até há relatos de uma vez em que Chalana, farto de fintar
adversários no campo, começou a galgar degraus de bancada com a bola
sempre colada aos pés.
Isto
faz parte de um imaginário muito meu, que provavelmente foi invadido e
conspurcado ao longo dos anos por esses grãos de areia que as horas têm e
que nos fazem ter da vida, como diz o Marquez, não a ideia do que ela
foi mas do que nos lembramos dela. E eu lembro-me de Chalana. No campo.
No relvado da Luz, entre outros 21 que tinham a óbvia vantagem de
assistirem àquilo de perto e não sentados junto ao placard gigante do
terceiro anel.
Como
dizer? O homem não era humano. Tinha coisas de louco, acreditava em
impossíveis galgadas campo acima e elas aconteciam. Os jogadores
pareciam aqueles modelos que fazem anúncios futebolísticos, afastando-se
do protagonista para realçar e focar a luz no herói. Só que não eram
modelos e não se afastavam do protagonista; eram simplesmente afastados
por uma anca que mentia e um pé que falava.
Devia haver uma cláusula em qualquer jogador
que assinasse com o Benfica: usar bigode farfalhudo em honra de
Chalana. Quem não aceitasse, podia ir para a janela observar os
transeuntes.
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