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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Futebol Português - Retoma Foi Levantar a Tampa do Esgoto

O campeonato recomeçou há uma semana e antes do seu início já havia uma polémica - decisões quanto a subidas e descidas. Mas esta seria sempre uma polémica que tinha de acontecer. Esta aceita-se, é normal.

Mas o arranque do campeonato, que repito só começou há uma semana, trouxe-nos vários outros casos.

Desde a invenção que o presidente do Famalicão estaria na lista directiva do Pinto da Costa e que por isso o Famalicão ofereceria o jogo ao Porto. Não ofereceu, venceu e uma invenção é uma invenção.

A polémica com a arbitragem do jogo Famalicão - Porto. De penalties não assinalados que supostamente envergonhariam o futebol nacional pelo mundo a fora a penalties não assinalados totalmente ignorados. Isto claro, a depender da cor de quem fala. O campeonato arranca logo com fortes críticas e suspeições sobre a equipa de arbitragem.

A isso sucede-se o ataque a um autocarro de uma equipa que empatou o seu jogo. Sim. Os jogadores do Benfica obtiveram um mau resultado e por isso o autocarro em andamento foi atacado, dois jogadores foram hospitalizados e o clube viu-se obrigador a fortalecer a segurança dos atletas. Se a bola que foi ao poste tivesse entrado estava tudo bem e os rapazes das pedras estariam a lançar fogo de artificio. A juntar a isto ainda tivemos a vandalização da casa de jogadores.

Ainda se discutia isto e lá veio mais um caso, mais uma polémica. Uma investigação jornalística a expôr supostos actos ilegais ou imorais do Sport Lisboa e Benfica.  

E isso trouxe-nos várias acusações e exposições de coisas relacionados com o Futebol Clube do Porto. Aliás, nos últimos dias a minha caixa de correio electrónico parece que só recebe ataques ao Porto. Ataques vindos da própria comunicação do Benfica. Agradeço mas dispenso ser arrastado para esse lodo.

E atenção. Isto em uma semana! Depois de dois meses e meio sem futebol. Depois de uma quarentena forçado por um vírus que afectou o mundo inteiro. E isto é só aquilo que sei, é só aquilo a que fui exposto enquanto benfiquista. O pouco que tive atento às notícias e o contexto do meu facebook - sigo somente determinadas páginas e todas elas benfiquistas ou supostamente neutras.

Portanto se a isto juntarmos toda a treta que andará pelos lados dos azuis e brancos, dos verdes e brancos e de todos os outros clubes desta primeira liga... É este o esgoto que é o futebol português.

(Eu a escrever isto e o meu cão a mandar uma daquelas bufas caninas... não podia ter tido um timing mais perfeito)

A retoma do futebol nacional trouxe certamente uma multiplicidade de orgasmos pelos estúdios da CMTV. Mas o que é bom para esse canal não é bom para o Futebol. Porra, não é bom para o Desporto e nem sequer para o país.

Eu amo o meu clube, eu amo futebol. Sou desde sempre um louco por este desporto. Mas digo sem qualquer ponta de hesitação que se é para esta merda então que se suspenda o futebol português, que se limpe toda esta trampa, que se criem rigorosas medidas de protecção dos jogadores e do espectáculo e que só aí se retome a competição. E se o problema principal forem os três grandes então que se resolva esse problema.

É inaceitável que se continue a destruir um desporto, uma cultura, um belo fenômeno social, só para alguns lucrarem com os ódios alimentados.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os anjinhos da Luz

Às vezes fico com a sensação de que os dirigentes do Benfica passaram os últimos 30 anos no meio do mato. Só assim se explica a absurda estratégia de Comunicação que existe no clube. Deixando de lado as entradas e saídas no próprio Departamento - e a novela que para ali há, entre Ricardos e Juans; ninguém percebe nada do que ali se passa, além da evidente corrida das cadeirinhas e dos tachos -, foco-me apenas na forma como Vieira e os seus auxiliares têm gerido a questão política da arbitragem. O ano passado, com 5 pontos de avanço no campeonato, o Presidente não conteve a usual pesporrência (mas só quando está tudo bem, claro) e lá foi para a televisão anunciar coisas, entre elas a decisão que seria dada a conhecer aos benfiquistas no final do mês - passou um ano e ainda não sabemos de nada. Sobre os árbitros? Nada disse. Que estava tudo muito bem, que não devemos falar em arbitragens, que o importante é o futebol. Dois meses depois, perdido de forma imbecil o campeonato, lá vieram as críticas.

Já esta época, fomos brindados com mais umas curiosas declarações do curioso (digamos assim, em jeito simpático) do Vice Rui Gomes da Silva. Após um jogo do qual saímos prejudicados, vem o senhor afirmar que tinha sido avisado para o prejuízo antes do encontro, com aquele ar de espertalhão que sabe tudo que ele tem como ninguém. Ora, então sabia, não disse nada, viu a equipa ser prejudicada e...? Ninguém, dentro do clube, achou que devia levar este caso a outras consequências?

O que se passa no Benfica é simples: dentro e fora de campo, cometem-se constantemente os mesmos erros sem que ninguém aprenda ou queira aprender com a realidade. Em vez disso, parecem todos viver numa redoma muito ilusória, criada pela liderança no campeonato, que os iliba de qualquer tipo de planeamento estratégico. Uma espécie de fórmula mágica: se somos líderes, não abrimos a boca; se depois perdermos o campeonato, escudamo-nos com justificações sobre factores que, antes, não mereceram quaisquer reparos - mesmo que tenhamos sido prejudicados nos três jogos em que perdemos pontos. É este tipo de pensamento resultadista (dentro e fora do campo) que leva os benfiquistas a uma colectiva alucinação de que estamos "munta fortes" e, no fim, ao desespero de assistir a finais de época deprimentes, caindo, claro, na posterior justificação. É agora, meus caros. Era ontem, anteontem, logo no primeiro jogo contra o Braga. Enquanto vocês estiveram na selva amazónica durante 30 anos, o país mudou, mudaram governos, mudaram os clubes, mudou a ética e a deontologia. Só uma coisa se mantém: a estratégia de confronto e falsa vitimização por parte de Pinto da Costa. Ainda não compreenderam? Só cá estão há 12 anos mas, caramba, vejam lá se abrem os olhos.

Pondo de lado a pornográfica novela do apoio inequívoco a Fernando Gomes (que ainda não percebi como pode ser matéria aceitável para tantos e tantos benfiquistas, mais uma vez criando episódios dignos de grandes policiais, com conspiração à mistura), a forma como o Presidente Vieira aborda a questão da arbitragem é digna de anjinho. Quer dar uma de urbanidade e tal, de elevação. Meus caros, a democracia tem esta grave falha: do atrasado mental ao génio, do burro ao douto, todos podem abrir a boca. Dir-me-ão: "mas assim é que tem de ser, Ricardo, somos livres". Certo, mas convém que o douto (ou semi-douto, vá, ou apenas um que pretende ser douto) saiba relacionar-se com as estratégias do atrasado mental. Caso contrário, fica sempre em desvantagem. O Porto pressionou antes do jogo e pressionou depois do jogo. Resultado? Vem aí Jorge Sousa para Coimbra e depis virão mais uns famigerados adoradores do pintinho para Braga e jogos cruciais (entre eles o do Dragão). Mas terão tido Pinto da Costa (a estúpida novela do telemóvel revela o nível de atraso mental a que se pode chegar em democracia) e sobretudo Vítor Pereira alguma razão no que disseram? Terá sido o Porto prejudicado?

Não. O Porto prepara o futuro da mesma forma que vem preparando o futuro dos campeonatos há 30 anos: pela mentira, falsidade, corrupção e - é este o fulcral ponto que os dirigentes do Benfica ainda não entenderam e os adeptos não querem perceber- por competência na estrutura. Ali não há falhas graves de Comunicação; toda a gente está bem instruída para o que tem de dizer; tudo é pensado ao pormenor com o objectivo de vencer todas as pequenas batalhas que no fim geram títulos. Sim, o Porto é actualmente - e nas últimas três décadas - um clube gerido por um corrupto. Mas um corrupto que sabe o que faz para além de ser corrupto. Se fosse só corrupto, não ganhava tanto. É isto que a soberba benfiquista - de dirigentes a adeptos - ainda não foi capaz de entender. Enquanto se mantiverem no registo: "ah eles só ganham porque são corruptos", vamos continuar a perder, isso é certinho. Enquanto, em resposta aos atrasos mentais do pintinho e do seu bobo da corte, continuarmos a evitar falar em arbitragem porque vamos na liderança e só abordarmos o tema com a porta toda escancarada e partida, vamos continuar a perder, podem ter a certeza. Como tu, Luís, nos teus negócios pessoais não és nada parvo, se calhar terei de chamar outro nome a esta estratégia constantemente equivocada.

O Porto foi prejudicado na Luz? Não foi. O Porto tem razão em pedir a expulsão a Matic e Maxi Pereira e vociferar contra um fora-de-jogo mal assinalado a Defour. E o Benfica? Espantem-se, dirigentes e treinador do Benfica que calaram perante o circo portista: o Benfica também tem várias e graves razões de queixa: Moutinho devia ter sido expulso ainda na primeira parte (foram mais de 5 faltas para amarelo), Fernando devia ter ido para a rua por agressão a Gaitán e, a cereja no topo do bolo, aos 90+3 Garay sofre penálti claro dentro da área portista. Ouvimos alguém do Benfica falar nisto? Na conferência de imprensa, na flash-interview, nos programas de televisão em que temos 3 estarolas afialhados? Não ouvimos. Parece que não houve nada, parece mesmo que fomos beneficiados. Depois, quando levarem com arbitragens jeitosas amanhã, em Braga e nos momentos cruciais, queixem-se. Pode é dar-se o dia em que os benfiquistas já não comerão as desculpas fora do prazo de validade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Árbitro para o Clássico


Não sendo tão importante como a eleição que decorre para o melhor blogue benfiquista - pessoal, só falta 1 dia e a luta entre o Gordo e o Cabelo está ao rubro - a nomeação do árbitro para o clássico já fez correr muita tinta, a começar pela "dica" do chinês, feita pelo Presidente do Porto e, não tendo memória de tal, árbitros a oferecerem-se publicamente para o "trabalho". 

O meu palpite vai para Artur Soares Dias.

Tem sido resguardado pelo CA e é internacional. Para a liga, apitou o Benfica- Sp. Braga da 1ª jornada. Não apitou qualquer jogo do Porto para a Liga, o que, decorridas 13 jornadas e sendo um árbitro internacional, prece-me estranho.

Jorge Sousa, outro internacional, teve uma má actuação no Porto-Sporting, com prejuízo para o Sporting claro.

Duarte Gomes apitou o Benfica no Estoril, pelo que nem é hipótese.

Benquerença ou Xistra seria uma provocação, além de não terem categoria para este jogo.

Sobra Pedro Proença. Como não houve Setúbal-Porto, passou a ser hipótese. No entanto, caso fosse essa a vontade de Vítor Pereira, não tinha sido nomeado para esse jogo. A juntar a aversão do Benfica, as suas recentes palavras sobre o Apito Dourado não caíram bem a Norte. Seria uma surpresa.

Se não aparecer nenhum chinês, penso que será mesmo Artur Soares Dias.

Seja quem for, que faça um trabalho justo e isento e que o "score" final seja em resultado do que Benfica e Porto fizerem.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Contratar para quê?

Qual o sentido de continuarmos a esbanjar dinheiro em contratações quando - e fazendo fé na doutrina em vigor no Benfica actual - fomos de uma competência sem par na época transacta e só não nos sagrámos campeões por causa das arbitragens, do Sistema e das agulhas que a minha vizinha do rés-do-chão - vim a descobrir há dias quando fui pedir-lhe um ramo de salsa – teima em espetar num peluche do Benfica durante os jogos do Glorioso? É que nada indica que o Sistema tenha metido licença sem vencimento nem que as arbitragens habilidosas estejam em vias de extinção. Prometo tratar do assunto da minha vizinha, mas seria bom que alguém tratasse do resto.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Uma vitória moral para uma futura vitória real

A vitória moral. A história do Benfica não é feita de suposições ou possíveis vitórias se não fosse isto ou aquilo. Vários são os exemplos do nosso passado que nos demonstram que muitas vezes contra vários elementos a desfavor o Benfica saiu dos jogos com vitórias - não morais, reais. Ontem não foi o caso. Perdemos o jogo e a eliminatória por vários factores e nem todos exteriores a nós. A sopa com que se fez a eliminação de ontem pode resumir-se a 3 razões principais: arbitragens (nos dois jogos) prejudiciais; mau planeamento da época; mau trabalho na preparação mental dos jogadores.

Arbitragens prejudiciais. Nos dois jogos o Benfica foi claramente prejudicado. Ontem, ao contrário da opinião generalizada que tenho lido por aí, nem sequer me parece que seja pelos motivos mais óbvios - tanto o penálti como a expulsão, apesar de deixarem lugar para a polémica, são aceitáveis e, na minha opinião, correctos. Pensemos, como exemplo, se os lances tivessem sido marcados a nosso favor - acho que todos concordaríamos com eles. No entanto, em tudo o resto, o senhor skomina inclinou o campo: critérios desiguais na amostragem dos amarelos (Mikel e Mata teriam de ter visto vermelho; um pelas faltas recorrentes, o outro pelos protestos que, no caso de Aimar e Maxi, resultaram em cartões) e nas faltas marcadas a favor de Chelsea (algunas inexistentes) e nas não marcadas a nosso favor (algumas em zonas perigosas). 

Na Luz, jogo que gerou menos indignação por parte dos nossos adeptos, é que me parece que ficou a maior parte do prejuízo. O penálti não marcado a nosso favor é crucial e podia ter-nos deixado com um resultado muito mais favorável para encararmos o jogo de ontem. No cômputo geral, fica seguramente a certeza de que, com arbitragens justas, o Benfica podia ter tido pelo menos a possibilidade de levar o jogo de ontem para prolongamento. 

 Mau planeamento da época. São vários os erros estratégicos cometidos por Jesus desde Agosto e sobre eles já nos referimos exaustivamente antes, durante e depois de eles ocorrerem. O facto de termos chegado ao jogo da primeira mão - no qual poderíamos ter feito um jogo muito mais intenso - completamente de rastos fisicamente, com opções discutíveis e outras inacreditáveis - Emerson, o titular indiscutível, é o responsável principal do golo do Chelsea na Luz, por exemplo - retirou-nos fulgor e potencial para passarmos a eliminatória. Tivesse o Benfica cumprido com a sua obrigação em Guimarães e Coimbra (jogos para os quais partiu com 5 pontos de vantagem no campeonato) e o jogo do Porto em casa teria servido não só para colocar uma pedra na questão do título como para ganhar espaço no sentido de encarar a Champions com outra liberdade e frescura. 

Não aconteceu, perdemos 10 pontos e o Chelsea apareceu-nos a meio de uma grande confusão de prioridades, não sabendo Jesus de qual competição abdicar - o tal "limite do risco" surgiu e Jesus não quis, bem, abdicar de nenhuma. Só que, claro, com consequências. A de ontem foi a de sermos eliminados. Também pela pouca frescura que demonstrámos na Luz e pelas opções risíveis que tivemos para o jogo de ontem. Que tenha corrido bem ou mais ou menos a algumas adaptações não iliba Jesus do princípio errado com que planeou a época. Pelo menos aqui e para mim. Acredito que muita gente verá na necessidade de utilizar Javi e Emerson a centrais ou Witsel a lateral-direito como algo já perfeitamente planeado e pensado pelo nosso mister. Mas aqui não tratamos de questões psiquiátricas, como deverão entender.

Mau trabalho na preparação mental dos jogadores. É algo para o qual temos ao longo da época feito referência. Em jogos cruciais, os jogadores do Benfica não têm tido um acompanhamento mental e estratégico adequado ao momento das competições e à importância dos jogos. Aimar tem um recorrente comportamento em campo que não se percebe, tendo em conta a noção de que em Portugal os árbitros facilmente distribuem cartões por tudo e por nada e na Europa pela força que as equipas dos principais campeonatos exercem sobre as arbitragens. Receber cartões amarelos por andar constantemente atrás dos árbitros a gesticular é estúpido e devia haver quem no Benfica explicasse isso aos jogadores. Igualmente para Maxi, que demonstrou muito pouca inteligência no lance da expulsão. Um jogo crucial com o Benfica a conseguir trocar a bola e a criar algum perigo junto da área do Chelsea não pode ter um dos nossos a entrar daquela maneira. Com isso Maxi resolveu mais um bocadinho da eliminatória - expulsou-se, deixou-nos com 10 e atirou o jogo e a passagem às meias-finais para o domínio do milagre. Ele podia ter de facto ocorrido mas isso não iliba Maxi do mal monumental que criou à equipa. Pelo menos aqui não iliba, que não tratamos de questões psiquiátricas, naturalmente. 

O jogo. As emoções no futebol levam-nos a uma visão parcial das coisas. O jogo de ontem é um excelente exemplo: acabado, a sensação com que todos ficámos foi de um Benfica de grande nível, de uma enorme exibição e de muito azar (tanto com o árbitro como com as ocasiões de golo desperdiçadas). No entanto, o jogo de ontem tem muito mais para contar. Desde logo, a forma como o Chelsea o encarou. O domínio do Benfica na primeira parte, apesar de ter mérito dos nossos jogadores, deveu-se fundamentalmente à estratégia que os ingleses levavam: baixar as linhas, dar-nos bola, promover o erro e depois soltar contra-ataques para as costas da nossa defesa (no fundo o que qualquer treinador minimamente inteligente fará contra a equipa do Benfica). Não surtiu de imediato os efeitos desejados porque o Benfica conservava bem a posse de bola - isto de ter 3 médios é uma coisa boa, não é? -, o Chelsea não arriscava muito e, quando conseguia ter bola, não soube dar uma boa sequência aos espaços que o Benfica deixava atrás - um pouco como o Braga na Luz, mas menos, visto que o Braga teve oportunidades em catadupa de 4 para 2 e 5 para 3 no nosso meio-campo - isto de ter 2 médios é uma coisa má, não é?

No entanto, aquilo que o Chelsea procurava, aconteceu: erro defensivo do Benfica. Bola metida nas costas do Maxi, zona entre o lateral e o central e falta de Javi para penálti. Golo do Chelsea e ainda mais razões para se resguardarem. O que mudou a partir desse momento foi a expulsão do uruguaio, que fez com que o Chelsea encarasse a segunda parte com uma atitude ofensiva que não teria se tivesse ficado a jogar contra 11. E é aqui que aparece mais uma extraordinária organização da época: sem Maxi, o Benfica não tem lateral-direito (nunca teve, uma época inteira!). O que faz Jesus? Retira-nos do meio-campo o nosso único médio de posse e transição e mete-o a fechar a lateral. Com os resultados que se conhecem: o Chelsea ganha o meio-campo, a equipa do Benfica parte-se e surgem 4 evidentes oportunidades de golo, uma delas escandalosa, pelo lado direito da nossa defesa, onde o coitado do Witsel ia fazendo o que podia. 

O Chelsea não marcou e Jesus mexeu bem. Retirou Cardozo - que não servia para o que pretendíamos - e Gaitán - já a pensar em Alvalade - e meteu dois homens que queimassem linhas, que forçassem a pressão e ao mesmo tempo chegassem rapidamente a zonas ofensivas. Nelson Oliveira e Djaló (que demonstrou ser uma boa opção para certos jogos) mudaram o jogo na frente mas foi na alma e num espírito, este sim: à BENFICA!, de toda a equipa que o jogo mudou. O Chelsea recuou, o Benfica ganhou o miolo (Matic, fabuloso, controlava todo o meio-campo e um Aimar a grande nível na segunda parte), abriu bem as alas e criou um futebol de grande qualidade - houve momentos de trocas de passes consecutivos e de primeira do melhor perfume que vimos esta época. As oportunidades surgiram, infelizmente não marcámos logo. Quando marcámos, o fim estava perto e o Chelsea temeu pela eliminatória. 

O Benfica já não conseguia muito mais porque as linhas inglesas estavam quase todas fechadas - não estiveram no lance do Nelson, que podia ter metido no Djaló, o que revela ainda um jogador com muitas dificuldades ao nível da decisão final - mas um portento físico e de uma qualidade e talento que no futuro nos darão muitas alegrias. O Benfica carregava, os jogadores pediam Artur na área adversária, o sonho estava ali, quase tangível mas não deu. Foi quase. É o limite do risco: pode dar ou não. Com outra organização, outro planeamento, outra estratégia desde Agosto, este Chelsea seria devorado pelo Benfica. Porque Jesus tem razão: somos mais equipa. E ontem juntámos-lhe um pozinho de uma coisa que não se via há muito: ontem fomos Benfica. 

O futuro. O jogo de ontem deixa-nos na dúvida: houve Benfica e superação porque ainda temos fisicamente algo a dar ou foi por ser um jogo da Champions? É evidente que os níveis físicos não são os melhores, as lacunas na equipa demasiado óbvias (Capdevila uma época inteira no banco porquê, meu Santo Eusébio?), mas ontem, com aquela atitude, aquela disponibilidade, aquela alma, ficámos todos com o coração mais cheio e mais confiante. Será este Benfica que veremos em Alvalade? Se sim, muito dificilmente perderemos pontos. Se for o Benfica que temos tido desde Janeiro, muito dificilmente não os perderemos. O que me parece quase definitivo é isto: a equipa, das três que lutam pelo título, que sair na liderança no final da próxima jornada, terá uma estrada aberta para ganhar o campeonato. Façamos a nossa parte, sejamos Benfica na Segunda-feira. E deixemos os outros devorarem-se loucamente entre eles.

domingo, 6 de novembro de 2011

Ontem vi-te no Estádio sem luz

É oficial: este Benfica não tem categoria para se afirmar ao mais alto nível. Num jogo de dificuldade média, exceptuando lances esporádicos de alguma qualidade, banalizou-se perante uma equipa cansada e pouco capaz de criar verdadeiros problemas defensivos ao Benfica. Dois pontos perdidos, incapacidade para aproveitar o deslize do Porto e, acima de tudo, muito trabalho mal feito. Colectivamente, somos fracos. Individualmente, há ali muita gente que merecia receber uma mensagem do Saw.

Mas o resumo do jogo é simples:
 
Primeira parte: Luisão é puxado dentro da área - penálti obviamente NÃO assinalado.
Primeira parte: Mão involuntária de Emerson - penálti obviamente assinalado.
Segunda parte: Mão involuntária de Lima - penálti obviamente NÃO assinalado.

Quanto ao circo do acende-apaga-acende-apaga, o mínimo - o mínimo! - devia ser estádio interditado até final da época e derrota da equipa da casa. Estamos definitivamente no terceiro mundo.
 
Com esta incapacidade para extrair qualidade colectiva de tanto talento, com estes critérios arbitrais (chamemos-lhe assim, eufemisticamente) e com estes "truques", o Benfica só será campeão se mudar muita coisa naquilo que pode controlar. Ou seja, Jesus tem muito trabalho para apagar o mau trabalho que tem feito.

PS - Entretanto, em Alvalade - poiso do gajo que se diz benfiquista para foder o Benfica a torto e a direito mas que na verdade...

(foto retirada do "Em Defesa do Benfica")


a lebre continua a ser levada ao colo. Compreende-se: convém manter outro anti-Benfica na corrida, não vá o Hulk falhar mais penalties inventados.