Após uma pré-época mal preparada, após uma quase revolução no
plantel, após a saída de jogadores essenciais, após a aquisição de
atletas de qualidade duvidosa e após amigáveis carregados de incertezas e
maus presságios, finalmente começou a época.
O Benfica arrancou
com um ponto a seu favor: o trabalho táctico feito ao longo de 5 anos.
Essas rotinas foram cruciais para minimizar o impacto da redução na
qualidade do plantel. Foram muitas as saídas mas a época arrancou com 9
titulares que já faziam parte das contas na época transacta.
Já
todos sabemos que as equipas do Jorge Jesus têm uma tendência para
começar mal, crescerem e depois claudicarem no final. Essa tendência foi
um pouco ultrapassada nestes últimos 4 meses de competição. Se os
últimos dois da época passada trouxeram 3 conquistas, já os primeiros
dois desta trouxeram uma resposta positiva da equipa (pelo menos em
termos de resultados nacionais).
Esta equipa, ainda numa fase
muito frágil e inconsistente, tem conseguido juntar às más exibições, as
vitórias que tanto interessam. Claro está que ganhar a jogar mal só é
possível em consumo interno.
O Benfica à sétima jornada já
conquistou uma Supertaça e está na liderança do campeonato com mais 4pts
que o Porto e mais 6pts que o Sporting.
Não nos podemos é
iludir. Há muito por onde melhorar mas também os rivais têm potencial
para fazer melhor. Não há nada pior do que descansarmos na sombra das
vitórias, principalmente quando estas são construídas sob exibições tão
pobres e com um calendário tão favorável.
O Benfica tem uma competição ganha e também seis vitórias e zero derrotas em sete jogos do campeonato.
Contudo, também temos uma vitória só nos penalties contra o Rio Ave; um
arranque na Luz contra um mediano Paços que ainda assustou; uma pobre
exibição no Bessa perante um Boavista de segunda divisão e que se pode
queixar de um lance mal invalidado perto do fim da partida; um empate na
Luz contra um Sporting que terminou o jogo por cima; uma péssima
exibição na Luz frente a um Moreirense que foi superior e esteve em
vantagem até passar a jogar com 10; uma exibição passiva no Estoril onde
deixámos que chegassem merecidamente ao empate depois de termos
arrancado com um 2-0 e onde mais uma vez só contra 10 conseguimos a
vitória; e ainda mais uma péssima exibição na Luz, desta vez contra o
Arouca, e onde o Artur era herói ao intervalo e só aos 75 minutos nos
superiorizámos e chegámos às redes do adversário.
Não desvalorizo as vitórias mas também não ignoro os desempenhos.
O pior destes arranques de baixa qualidade é o facto de ficarmos sempre arredados de outras lutas na Liga dos Campeões.
Sou um acérrimo defensor de que o Benfica é clube de Liga dos Campeões e
que deve sempre almejar objectivos além da fase de grupos. É com bons
desempenhos nesta competição que vamos recuperar o prestígio europeu há
muito perdido, e não com grandes prestações em divisões muito
inferiores.
Mas será o Jorge Jesus o treinador indicado para um Benfica vencedor na Liga dos Campeões?
Não acredito que o seja e por vários motivos:
• Frequentes maus arranques
• Desconhecimento da génese benfiquista
• Repetida desvalorização da competição
• Insistência numa postura derrotista na antevisão dos jogos
• Incompreensão das necessidades tácticas que esta competição exige.
Claro que o desconhecimento sobre o adepto benfiquista por parte de vários profissionais do clube também não ajuda.
O que pode ser pior do que pegar numa manifestação de amor ao clube
cantada por milhares de adeptos e transformá-la numa jogada de
marketing, usá-la para tapar a derrota caseira e transfigurá-la para uma
“ovação de pé” aos jogadores e staff? Transformar tamanho amor em uma
baboseira mediática também não ajudou ao realismo da equipa e a
superficialidade com que se abordou e jogou na Alemanha foi bem
demonstrativa da fictícia falta de exigência que tanto marketing criou.
Seria interessante se todos estes gestores que querem destruir o clube e
implementar uma empresa, um dia se dedicassem a conhecer o benfiquismo
vivido no meio daqueles que mais o sentem.
(Alguém reparou
naquele vídeo onde num agradecimento aos adeptos pelo apoio prestado
após a derrota caseira, praticamente só aparecem imagens de festejos
efusivos e que nada têm a ver com o momento em questão?)
O
Benfica 2014-15 parece simplesmente talhado para consumo interno. E é
com esse foco que pode surgir aqui algum optimismo. A equipa tem
potencial para melhorar, Jorge Jesus costuma evoluir ao longo do
campeonato e as más exibições da equipa têm sido compensadas com
vitórias atrás de vitórias.
Chegámos agora a uma paragem do campeonato. Veio em boa altura.