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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

E assim está encontrado o novo presidente do Sport Lisboa e Benfica.

 Rui Costa – 84,48%

Francisco Benitez – 12,24%

Pelas minhas expectativas não foi um mau resultado. Benitez conseguiu um apoio significativo perante o contexto actual e Rui Costa não conseguiu os tão profetizados mais de 90%.
Um bom resultado seria Benitez conseguir os merecidos 20% e Rui Costa ficar com uns amargos 75%. Com 84% há uma vitória clara mas longe do conforto da unanimidade que Rui Costa estaria confiante em obter.

Ao longo destes últimos 15 anos muito temos nós aqui, e outros por outros espaços, alertado e apontado aos atentados da direcção presidida por Luís Filipe Vieira.

São mais de 15 anos a chamar a atenção para:

- O Demagogo populista

- O Mentiroso compulsivo

- As envolvências estranhas e suspeitas

- Os jogos de bastidores

- A movimentação de ódios

- O à deriva da política desportiva do clube

- Os negócios duvidosos

- As ligações dúbias a agentes

- O comportamento aparentemente mafioso.

Mais de 15 anos e nós aqui a ver e a apontar. A justiça acabou por nos vir dar razão. A justiça acabou por vir comprovar que tínhamos motivos para questionar e suspeitar. A justiça “ainda” não provou os delitos mas já demonstrou haver actividades que merecem a maior atenção.

Mas enquanto nós aqui de fora fomos capazes de ver, todos lá dentro não foram. Rui Costa não viu nada, não soube de nada, não percebeu nada.

Sabemos que a grande maioria dos adeptos não olha para o clube. Foram ensinados pelo vieirismo que ser benfiquista é odiar os rivais, é atacar os rivais, é viver para bater nos rivais. Foram ensinados que um benfiquista olhar para dentro, preocupar-se com o seu clube, ter sentido critico e estar atento, é simplesmente dar armas ao rivais. Dar armas ao rivais, que cena idiota. Gente que vive o futebol, o desporto, pelos comentários televisivos e de Facebook e não pelo desporto em si.

Vieira reuniu as armas – João Gabriel, Rui Gomes da Silva, Hugo Gil, Pedro Guerra, José Marinho, Calado, e outros pela BTV e redes sociais – e colocou-as a disparar ódios, a disparar mentiras, a disparar distracções, demagogias, insultos e a total depravação do que é e deve ser o Benfica. E assim um benfiquista que desmascare um José Marinho torna-se aos olhos dos outros benfiquistas um simples dragarto.

E qual a posição de Rui Costa perante tudo isto?

Vimos Vieira tornar o Benfica num entreposto de jogadores dominado pelos interesses de agentes. Dezenas de jogadores contratados para não jogarem. Dinheiro a sair por um lado, a entrar pelo outro e os agentes sempre a tirarem as suas comissões.
Vimos a Liga dos Campeões servir como montra para valorizar os miúdos do Seixal – tal e qual a estratégia de Vieira para os apartamentos em Alverca sobre os quais diz que basta colocar na montra que logo aparecem compradores.
Vimos Vieira passar de uma política de aposta na formação para não aposta na formação, de poupança para despesismo, e sempre sem uma justificação desportiva. Jorge Jesus sai porque não serve os interesses do Benfica mas depois volta porque o Benfica perdeu. Uma política desportiva à deriva, ao sabor de resultados, contestações e de luzes.

Onde andou a influência de Rui Costa nisto? O homem forte do futebol do Benfica como se posicionou perante esta realidade?

Vivemos um Benfica profundamente anti-democrático. Um Benfica com os seus canais de comunicação transformados em meios de propaganda e ataque a benfiquistas. Estatutos desrespeitados, sócios insultados e agredidos. Vimos Assembleias Gerais do clube a serem brindadas com o total desinteresse do presidente da direcção. Vimos um clube sem espaço para Democracia, um clube que passou a atacar (quase sempre com mentiras) qualquer adepto ou sócio que criticasse a actual direcção, qualquer sócio que sequer ousasse concorrer a eleições. Eleições sem debates, sem cobertura das campanhas eleitorais, um clube sem a preocupação em defender a integridade da votação dos seus associados.

Como se posicionou o Director Desportivo, o Administrador, o Vice-Presidente Rui Costa perante tudo isto?

“Ontem” em campanha eleitoral Rui Costa não se coibiu de afirmar que queria um Benfica mais democrático, mais transparente, mais organizado e responsável nas suas politicas desportivas e mais atento a quaisquer práticas menos recomendáveis.

Contudo onde esteve este Rui Costa nos últimos 15 anos? Não tinha ele responsabilidade e obrigação de estar no Benfica a lutar pelo Benfica? Não deveria Rui Costa ter lutado contra tudo o que discordava, ter feito valer o seu estatuto, as suas ideias, o seu Benfiquismo e honestidade?

Porque não o fez? Porque é que foi tudo feito ao contrário daquilo que ele agora defende? Porque é que ele não viu nada? Porque é que ele não percebeu nada?

Esteve Rui Costa estes 15 anos somente a auferir no Benfica de estatuto? Esteve somente a enfeitar totalmente desinteressado daquilo que se passava no clube? Se sim, como pode ser ele a pessoa para presidir o Benfica?

Ou será que Rui Costa viu, quis, falou mas ninguém lhe deu importância? Alguém incapaz de fazer valer as suas ideias e de lutar pelos seus ideais, de se fazer ouvir, é alguém com capacidade para presidir o Sport Lisboa e Benfica? E não sendo ouvido, não sendo valorizado e assistindo sem nada poder fazer a tanta coisa que discordava, ficou porquê?

Rui Costa nunca se irá livrar destes últimos 15 anos porque eles são a sua identidade enquanto dirigente do Sport Lisboa e Benfica. Nunca se livrará destas perguntas. Por mais que ele insista que só tem de ser avaliado pelos últimos 3 meses (a menos que estejamos a falar dos sucessos) ele será sempre julgado por todo o seu tempo no clube.

Até que ponto irá Rui Costa lutar pelos direitos dos sócios? Pela democracia do clube? Até que ponto irá Rui Costa impor uma política desportiva no clube? Até que ponto irá contribuir para o bem-estar no clube e no futebol nacional?
Arrisco-me a dizer que a sua luta já acabou, foi forçada em campanha eleitoral e foi terminada com o resultado final.

Rui Costa irá continuar a permitir que este seja o clube dos Guerras e Marinhos? Continuará a promover uma BTV em modo propaganda e fechada a toda e qualquer critica e discordância?

Uma coisa é certa, Rui Costa irá sim trazer uma maior competência ao clube em termos de pensar e viver o futebol do Sport Lisboa e Benfica. Rui Costa é um apaixonado pelo jogo e é um entendedor do mesmo. Rui Costa não viverá (porque não sabe como e talvez porque não queira) na mesma rede de agentes e interesses alheios ao Sport Lisboa e Benfica – pelo menos no que a contratações diz respeito. Rui Costa saberá perceber e planear o Futebol do clube com muito mais qualidade. Até porque Vieira além de nada disto perceber também não tinha assim tanto interesse.

Mas e quanto ao resto da vida do clube? O meu receio, a minha convicção, é que Rui Costa andará aos papéis, entregue às decisões e interesses dos dirigentes do costume. E tudo será feito com o seu aval mas desconhecimento, tudo será feito perante a sua passividade.

Rui Costa não conseguirá montar uma teia mafiosa como Vieira montou e irá deixar-se ser engolido pela mesma.

Apesar de tudo isto Rui Costa é o actual presidente do Sport Lisboa e Benfica. Mas não nos distraíamos. Olhemos para o Rui mas sem nunca tirar um olho do Luís.

Vieira quer e tem de voltar ao Benfica. E Vieira no dia das eleições já começou a preparar o seu regresso. Já anunciou que começará a estar mais presente, que vai lavar roupa suja e que irá impor-se. Isto nada mais é que uma declaração de guerra, uma guerra para a qual irá apontar os sócios contra inimigos internos para os tirar do seu caminho e voltar à sua teia. Vieira planeia colocar todas as desconfianças que há sobre si em outros, voltará a usar o Benfica como escudo e irá procurar popularidade suficiente para voltar.

A questão que fica é se Rui Costa será um obstáculo ou um facilitador. Aposto na segunda.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Balanço (muito resumido) da Época

 A arrancar o mês de Fevereiro é esta a nossa situação:


Eliminados na 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões pelo PAOK.

Medíocre fase de grupos na Liga Europa num grupo bastante acessível onde não conseguimos melhor que um 2º lugar.
Para uma espécie de redenção europeia só nos resta eliminar o Arsenal nos 16 avos-de-final.

Na supertaça fomos eliminados pelo Porto. Eliminados e inferiorizados.

Na Taça da Liga fomos eliminados nas meias-finais. Na Luz tivemos de ir às grandes penalidades para eliminarmos o Vitória e depois perdemos com o Braga em terreno neutro.

Na Taça de Portugal estamos nas meias-finais. Todo o nosso percurso foi um reflexo de muito felizes sorteios. Agora só serve ao Benfica eliminar o Estoril e conquistar a competição. Não vencer a final é um falhanço mas se nem lá chegarmos aí já será humilhação.

Na Liga Portuguesa, com 16 jornadas disputadas, temos 3 derrotas e 3 empates. Nos jogos grandes perdemos na Luz com o Braga e em Alvalade com o Sporting. Derrota com o Braga na Luz e derrota em Alvalade. O ponto alto até agora foi a vitória na jornada inaugural em Famalicão e o desempenho no Dragão que (só) nos valeu o empate.
O Porto já está a 5 pontos e o Sporting a 9.
Começa a parecer que lá para Abril vamos andar somente numa luta aguerrida com o Braga e o Vitória pelo acesso à 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Os 8 jogos grandes até hoje resultaram em 3 empates e 5 derrotas.

PAOK (f) 2-1
Rangers (c) 3-3
Braga (c) 2-3
Rangers (f) 2-2
Porto (n) 2-0
Porto (f) 1-1
Braga (n) 2-1
Sporting (f) 1-0

Isto tem de fazer envergonhar qualquer que esteja no nosso clube. E hoje o Rui Costa terá de estar severamente envergonhado com este registo patético.

A toda esta questão mais resultadista junta-se um conjunto vasto de exibições colectivas muito pobres. A equipa joga muito pouco e os jogadores andam a exibir-se muito aquém do seu potencial.

Não me importa a fanfarronice de Jorge Jesus – neste momento isso é-me totalmente indiferente. Jogar o triplo? Arrasar? Abafo ao Porto? É-me indiferente.
Importa-me o rendimento da equipa. E eu, mesmo eu que sempre tive um pé atrás com JJ e que não desejava o seu regresso, esperava – acreditava – em desempenhos colectivos e individuais muito melhores.
Jorge Jesus é melhor que isto e sabe fazer muito melhor que isto. Até agora uma profunda desilusão.

Mas há algo que nunca poderemos esquecer: o regresso de Jorge Jesus foi somente o confirmar do término do “projecto” de Luís Filipe Vieira.

Quando Vieira decidiu voltar a contractar Jorge Jesus foi o seu reconhecer daquilo que já todos sabemos há muito: Vieira não faz ideia como gerir o Futebol do Sport Lisboa e Benfica. Este presidente já está fora-de-prazo e a continuidade da sua Direcção é um crescente bolor e podridão no nosso clube.

Faltam 3 dias para o próximo jogo – recepção ao Vitória. Terei tempo para ir aqui partilhando com mais detalhe a minha visão de  tudo o que tem sido esta época até ao momento.

(E se uma imagem vale mais que mil palavras então cá segue esta – Vieira apoiado a Jorge Jesus na esperança que este o salve e lá atrás o Benfica de luto)



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Oposição Credível Tem de Ser para o Presente e o Futuro

O ano de 2020 trouxe-nos eleições no Sport Lisboa e Benfica. Umas eleições especiais visto que foram de longe as mais participadas na história do clube e também aquelas onde Luís Filipe Vieira conseguir menor percentagem de aprovação.

Estas eleições trouxeram-nos também João Noronha Lopes.

Durante anos e anos ouvimos os benfiquistas queixarem-se dos atropelos de Vieira enquanto acrescentavam sempre um “mas”  - mas não existe oposição credível.

Pois bem, Noronha Lopes trouxe ao universo benfiquista a dita oposição credível. E esta é uma oposição que não poderá desvanecer-se. O Benfica precisa dela presente, atenta e exigente.

A oposição liderada por João Noronha Lopes conseguiu na sua primeira aparição, em um par de meses, chamar a si quase 38% dos votantes. Esta oposição fez Vieira ter menos de 60% de votantes. Esta oposição aniquilou por completo a figura que é Rui Gomes da Silva. Esta oposição motivou os sócios a movimentarem-se para tornarem estas eleições as mais participadas de sempre.

Noronha Lopes conseguiu reunir à sua volta excelentes benfiquistas e excelentes profissionais. Soube dar voz ao benfiquismo de Paneira. Soube recusar os aliciamentos que a direçcão de Vieira lhe acenava. Soube distanciar-se de Rui Gomes da Silva e soube reconhecer o valor do Movimento Servir o Benfica e chamar para junto de si o Francisco Benitez. Soube chegar aos benfiquistas e até soube perder.

Esta oposição credível conseguiu tudo isto mesmo sem debates, mesmo sem a cobertura da BTV, mesmo sem os votos das casas e afiliações e mesmo sem os votos dos vários colaboradores e funcionários do Sport Lisboa e Benfica.

E portanto com ou sem Noronha Lopes, com ou sem a liderança de Noronha Lopes, esta oposição não se pode retirar do dia a dia do clube. Nós sócios temos de a manter viva e activa.

O futebol cria uma sombra enorme e essa sombra é amplificada quando figuras mediáticas são as caras do que se passa neste desporto.
Para o arranque deste novo mandato Vieira contratou Jorge Jesus, deu maior palco a Rui Costa e até colocou Luisão mais próximo da equipa. São três figuras fortes e mediáticas e a centrarem as atenções de todos – benfiquistas e não só. Além disso, Rui Costa tornou-se pela primeira vez vice-presidente e assim sucessor natural do actual presidente. Se juntarmos a tudo isto os vários problemas que Vieira tem tido com a justiça e também as várias saídas do clube de figuras do seu círculo próximo, não me admiraria nada que de repente, pela sombra, Vieira se retirasse por “motivos de doença”.
E é a tudo isto que se tem passado nos bastidores, a tudo isto que está a acontecer na enorme sombra do mediatismo de Jorge Jesus, Luisão e do novo Rui Costa, que a oposição – aquela oposição credível – deve também estar atenta. Esta sombra deve ser iluminada pela Luz do benfiquismo.

Liderada ou não por Noronha Lopes, com ou sem Noronha Lopes, este novo movimento que se criou no Benfica na época eleitoral não se pode perder, não pode ser desperdiçado.

Passaram mais de 2 meses desde as eleições. Já deu para lamber as feridas. Agora é para construir sobre tudo o que foi conquistado.



sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O ECLIPSE DE RUI COSTA



Quando pensamos em Rui Costa, pensamos em Benfica. Parece-me indesmentível que, enquanto jogador, foi um dos nomes mais míticos da grandiosa História do Sport Lisboa e Benfica. Porém, esta imagem (quase) imaculada do nosso antigo Maestro, foi feita refém assim que assumiu funções directivas na Estrutura do nosso querido Clube.

O Benfica está, neste momento, a passar por uma fase muito conturbada ao nível desportivo e parece que nenhum dos elementos da Estrutura tem oportunidade, voz ou poder para demover Luis Filipe Vieira dos seus devaneios. E se, para mim, não é surpresa nenhuma que a esmagadora maioria dos elementos preocupa-se mais consigo próprio e com o seu posto  do que com o Sport Lisboa e Benfica (ou não tivessem muitos deles mudado radicalmente de posição em relação ao que achavam de Vieira num passado recente), o que é facto é que Rui Costa tem-se revelado uma profunda desilusão.

Tal como acontece com os restantes elementos da Estrutura, é um facto que Rui Costa parece impotente. Afinal, deve ser muito difícil fazer parte da mesma equipa directiva de um Clube em que o líder pouco se importa com as opiniões dos seus vices e administradores, bem como dos próprios sócios e adeptos. Mas é imperdoável que não se tenha já afastado e trabalhado para se tornar numa oposição forte e credível – sem qualquer dúvida, a melhor e mais importante de todo o “reinado” de Vieira. Pelo contrário, Rui Costa continua na sombra, agarrado ao poder como todos os outros que pouco se importam com o bem-estar do Clube.

É muito difícil encarar a actual figura do antigo internacional português. É inegável que a melhor contribuição que Rui Costa teve foi quando pendurou as chuteiras e assumiu a pasta de Director Desportivo. Aqui sim, o seu trabalho foi bastante bom. A partir do momento em que entrou para a Administração da SAD, vimos um Rui Costa afastado das decisões, pouco importante para o Clube. E aqui continua, fiel ao seu presidente e igual aos demais.

O Benfica está doente. Vieira está a arrasar o Clube e Rui Costa assiste a esse filme, impávido e sereno, como se nada se passasse. Já por várias vezes (e principalmente nas AG), os adeptos abordaram-no e pediram-lhe que interviesse. Quando houve a confusão das cadeiras pelo ar, Rui Costa estava a um canto da sala, a ver a casa a arder, enquanto os adeptos o chamavam à razão. Rui Costa via a ditadura que foi aquela AG e que se tornou o Benfica e não toma uma decisão em prol do Clube. Rui Costa vê o Benfica a deteriorar-se a cada temporada que passa e não toma uma decisão em prol do Clube. Rui Costa não é capaz de descer do seu cómodo posto e tomar uma decisão em prol do Clube.

Há uns anos, houve uma publicidade de angariação de sócios em que Rui Costa dava o seu testemunho, recordando o dia em que marcou um golo ao Benfica, em pleno Estádio da Luz e enquanto estava ao serviço da Fiorentina, dizendo que “quem ama assim tanto um clube, assume-o”.

Palavras leva-as o vento e, afinal, Rui Costa não ama assim tanto o Sport Lisboa e Benfica.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O Mesmo Mais Aprimorado Vieira



Passou uma semana da presença de LFV na TVI e pelos comentários que fui lendo aqui no Ontem percebi que houve uma grande divisão entre aqueles que gostaram da entrevista e da serenidade do presidente do Benfica e aqueles que acharam que foi mais do mesmo, as tangas do costume.

Após assistir integralmente à presença de Luis Filipe Vieira na TVI percebo estas opiniões tão opostas.

O Vieira nunca deixará de ser o que é: um tangas e um aldrabão. Por outro lado, tem evoluído muito enquanto politico. Comunica melhor, domina as entrevistas, manipula ao seu belo prazer a imagem que pretende passar e consegue superficializar o conteúdo com esta forma mais aprimorada de se expressar. Já sabe comportar-se como uma verdadeiro estadista.
Parabéns ao Vieira pela sua inteligência, evolução e aprendizagem.
O efeito do novo director de Comunicação – Luís Bernardo – também já se notou.

Houve muita, mesmo muita, demagogia. Porém, olhando além da demagogia barata que nos continua a servir, houve também algumas afirmações interessantes, tanto em termos informativos como de bom desportivismo.

Vou tentar dividir isto por pontos.


OBJECTIVOS:

Para começar quero evidenciar a referência mais que justa que LFV fez à sua principal promessa para este mandato: o 3+1+50. Meta que foi alcançada com todo o sucesso.

Também afirmou os objectivos para este época: Afirmação europeia e o Tetra.
Sem surpresas aqui.

ESTRUTURA: 

A importância da Estrutura que dirige o Futebol voltou a ser frisada pelo presidente.

Há um projecto para o Futebol que interliga todos os sectores e escalões do clube e que planifica o futuro com maior antecedência. É um projecto sustentado na filosofia Benfica made in Seixal, sendo que Vieira apelidou o Seixal como a menina dos seus olhos.
Destaco a confirmação que o treinador é só mais um dentro da estrutura, com os poderes limitados ao treino e orientação da equipa principal. Nas outras áreas é um opinador entre muitos.

Sou 100% apologista de uma estrutura deste tipo que se sustente na Formação do clube. Contudo na minha visão o treinador deve ser a cabeça da estrutura, o líder do futebol e o principal definidor do projecto, o centro de todas as decisões.
Rui Vitória é sem dúvidas o homem certo no lugar certo neste projecto de Vieira.

O presidente do Benfica também anunciou um ainda maior investimento no Seixal, algo que só posso aplaudir.
Tenho é uma teoria sobre a menina dos olhos de LFV… Fica para outras núpcias.

INFORMAÇÃO INTERESSANTE/IMPORTANTE: 

O presidente do Benfica esclareceu que o determinante no negócio do Rafa foi a vontade do jogador. Já concordava e assim ainda concordo mais: se fosse preciso pagava-se 20M.

Anunciou para breve o anúncio de uma parceria muito importante na China. Mais milhões, prestigio e visibilidade. Boas notícias, a menos que seja em troco da nossa identidade.

Informou os sócios sobre a desenvolvimento de uma sala de espera para a família dos jogadores no pós-jogo.

Falou também sobre a saída do Renato e do Nico.
Há mesmo mais 25M fáceis de obter na negócio do Renato. Só faltou esclarecer no que consistem e também faltou a José Alberto Carvalho interessar-se em perguntar.
Sobre o Nico revelou que o jogador já tinha recusado sair para o Dubai e isto pelo motivo que todos lhe reconhecemos: a felicidade de Nico é o Futebol.

Afirmou que o Taarabt não vai voltar a vestir a camisola do Benfica.

Infelizmente para todos os benfiquistas reconheceu, finalmente, que nada tem contra Pinto da Costa. Algo inadmissível num presidente do Benfica.

Também falou sobre a NOS. No meio de muitas rosas lá deixou aparecer os espinhos. Vieira diz que há para lá umas cláusulas no contrato e avisou que o Benfica poderá levar a operadora a tribunal. Pois, o negócio da arábias celebrado em pleno relvado da Luz…

Ficámos também a saber que o investimento em jogadores para esta época foi de 70M, contrariando intenções passadas.

AFIRMAÇÕES FORTES/POLITICAS:



- Temos um Benfica mais forte.

- Temos um Benfica mais novo.

- Os outros clubes copiam o Benfica.

- A equipa B é a mais nova e portuguesa nas ligas profissionais em Portugal.

- Nos próximos anos as vendas, e consequente redução da massa salarial, irão resultar numa redução do Passivo.

- O Amorim vai ser emprestado.

- Talisca quis sair e a sua vontade é movida somente por interesses financeiros.

- Nas últimas vendas de jogadores da formação o Benfica fez 60M.

- No Seixal os jovens têm no mínimo 9 anos de Benfica.

- Zivkovic e Danilo não foram inscritos na Champions porque vêm de 6 meses de paragem.

- Ola John e Djuricic foram realmente Flops. Contudo vieram por indicação do Rui Costa, tal como Taarabt.
Sobre Taarabt ainda disse que passou muitas horas com Rui Costa a entusiasmar-se a ver os jogos dele no Milan.

Entre politica e demagogia há algumas coisas aqui que marcam positivamente a intervenção de LFV.
Sobre estas afirmações pretendo só deixar algumas perguntas e um ou outro esclarecimento.

Vieira diz entender a vontade de jogadores como o Talisca, o Amorim e Markovic saírem por empréstimo do seu clube devido a interesses e necessidades financeiras. Mas como é que um jogador beneficia financeiramente de um empréstimo? Há um contrato à parte pago pelos clubes que os recebem?
A meu ver este comentário resulta somente da vontade de querer ficar bem na fotografia.

O Passivo não ia ser reduzido a zero com os rendimentos do acordo com a NOS? Afinal já é outra vez com as vendas?

Há um claro exagero naquilo de “os jovens do Seixal têm um mínimo de 9 anos de Benfica”. Percebo onde Vieira quer chegar, percebo o sucesso que tem sido a criação dessa identidade no clube, mas esta afirmação não corresponde à verdade. Aliás, nesta entrevista Vieira reduziu a prospecção do clube a cinzas.

É bonito dizer que este ano temos um Benfica mais novo mas simplesmente não é verdade. A média de idades do plantel é infinitesimamente superior à do ano passado.

Quanto à equipa B ser a mais jovem e portuguesa das ligas profissionais é também mais uma questão de exagero. Em termos de juventude equipara-se com as Bs dos rivais e em termos de portuguesidade é preciso olhar para o Fafe, Belenenses, Vizela, Sporting B, Penafiel e mais uma ou outra.
Demasiado populismo.

Fico sem perceber onde é que o presidente do Benfica foi buscar esta ideia de que o Danilo esteve parado seis meses.

Por fim a referência aos 60M feitos com os jovens que saíram “por culpa do Jorge Jesus”. Vieira assume que o Benfica recebeu mesmo 12.5M pelo Cancelo, 12.9M pelo Bernardo, 9.5M pelo André e 13.7M pelo Ivan.
Alguns valores são ridiculamente baixos e outros estupidamente altos mas perfazem os 60M.

DEMAGOGIAS: 

O Benfica não vai ao mercado nos próximos 4 anos. Só numa rara excepção se olhará para fora do que há já no Seixal.

Lamentou-se por 5 ou 6 jogadores da Formação terem de ter saído nos últimos anos. Isto como se ele não tivesse uma palavra a dizer nesses negócios. Será que Jorge Jesus é que mandava no Benfica? Parece que RGS poderá ter de apresentar a sua demissão.

Como já é costume, avisou que “não vamos sair da linha traçada”. Será a mesma linha traçada da qual não ia sair há 3 anos atrás? Ou já é outra?

Revoltou-se com as muitas mentiras e demagogias que há no Futebol. Ironia contextual.
Ainda deu como exemplo os “últimos 15 dias” mas faltou especificar quais foram as mentiras e demagogias. Resumindo, frase feita que fica bem dizer.

Disse que não lê jornais nem vê programas televisivos. Sabemos que não é verdade.

Justificou que não o faz para não se sentir influenciado nas suas decisões. Pareceu bonito e profissional quando ele o disse mas depois percebemos o ridículo de um presidente de um grande clube admitir que as suas decisões seriam afectadas se lesse jornais desportivos…

Afirmou que Jiménez vai ser um dos avançados mais temidos da Europa e a transferência mais cara do futebol português.

Se houver um maluco que dê mais de 50M por um Jiménez de 26 anos então fica mais uma vez demonstrado como as negociatas reinam no Futebol.

“O Benfica não existia.”

 “Não se pode exigir mais.”

Demagogia bacoca que só não indigna mais benfiquistas porque somos tricampeões. É deixar andar e agradecer ao refundador.

CLAREZA/TRANSPARÊNCIA: 

Muito fala Vieira sobre transparência e sempre para de indignar contra aqueles lunáticos que acham que não há transparência num clube tão transparente como é este Benfica.

Nisso fugiu à pergunta sobre o não surgimento de jogadores da formação no plantel deste ano.
Nisso voltou a enrolar-se todo sobre o negócio Garay.
Nisso não esclareceu se afinal queria ou não continuar com o Jorge Jesus.
Nisso andou ali à volta no assunto “Luisão” sem nunca ser claro sobre o que se passou.
Nisso lançou que a Gestifute tem direito a uma comissão de 10% nas vendas do Benfica como se isso explicasse tudo o que ficou ali por dizer no meio dos gaguejos. Aqui foi inteligente e provavelmente colocou em prática a estratégia do novo director de comunicação.

JIMÉNEZ: 

Além do já referido, o presidente do Benfica afirmou que acredita que ainda este ano o jogador vai corresponder aos 24M em que o avaliámos. Frisou também que é alguém que vê muito à frente e que brevemente todos lhe daremos razão. 

GARAY: 

Contou a história que ninguém pode acreditar sobre a sua saída.

Acrescentou que teve muitas conversas com o jogador neste último Verão e que a vontade do argentino era de regressar ao Benfica e só o valor pedido pelo Zenit o impediu.
Como disse, nada nesta história bate certo. Nada. 

SIDNEI: 

Vieira anunciou que o Benfica acabou de vender o jogador por 10M e que assim cobriu os custos com a sua compra, provando mais uma vez a sua visão e que os arautos da desgraça deviam esperar antes de falar.

Ainda não foi noticiada qualquer confirmação, ainda não houve comunicado à CMVM e acho que era importante um pouco de honestidade intelectual a LFV, referindo qual a percentagem desse valor a que o Benfica tem direito (deverá rondar os 45%). 

LUISÃO: 

Vieira confirmou que o jogador já várias vez quis sair e todos conhecemos os episódios. Vieira, ao seu estilo, sublinhou que tem sido ele a segurar o Luisão no Benfica.

Nunca esclareceu se o jogador esteve ou não para sair neste mercado.
Para mim é claro que por agora está tudo bem entre o Luisão e o Benfica e que a saída dele era por interesse mútuo do jogador e clube. Não vejo qualquer polémica nisto.
O que se percebeu nas palavras de Vieira foi que as declarações do Luisão provocaram um mal estar interno. Uma desavença passageira mas real.

JORGE JESUS: 

Quando o jornalista tentou introduzir o antigo treinador do Benfica na conversa, LFV afirmou não querer falar do treinador e que este era uma página virada. Até teceu boas considerações sobre o mesmo.
Sol de pouca dura.

O discurso politicamente correcto que tinha sido preparado rapidamente foi traído pelo improviso de LFV. Foram várias a bocas a JJ.

- Responsabilizou o técnico pela saída do Bernardo, Cancelo e André Gomes.

- Referiu que este perdeu quando ninguém pensava ser possível perder.

- Falou que dois anos antes da sua saída ninguém o queria.

- Afirmou que se não fosse ele hoje ninguém conhecia o Jorge Jesus.

- Disse que o treinador não servia os interesses do Benfica e não permitia ao clube planear o seu futuro.

- Lembrou a relação de Jorge Jesus com os seus jogadores, dando o exemplo do episódio com o Cardozo no Jamor.
- Referiu ainda que o Benfica no último ano de Jorge Jesus apanhou um banho de bola em Alvalade, ridicularizando as afirmações deste no final do jogo.

Para quem não queria falar…
E página virada todos sabemos que não é. Basta ouvir e ler as vozes oficiais e oficiosas do clube e até lembrar que há um processo a decorrer em tribunal. 

POSTURA 

Seja porque fica bem dizer, seja porque é politicamente correcto dizê-lo, seja tudo um teatro bem estruturado, a verdade é que Vieira conseguiu ter algumas abordagens de muita elevação durante este directo.

Não quis falar sobre os clubes rivais, evitando assim entrar em conversas e bate-bocas desnecessários.

Afirmou que o Benfica tem relações institucionais com todos os clubes, independentemente de todo o lixo que por aí anda. Isto é importante pois valoriza-se as prioridades e o profissionalismo. No Benfica temos de respeitar sempre as instituições rivais.

Teve também declarações sobre a ida de Markovic para o Sporting que são um exemplo de desportivismo para o futebol nacional.
Pouco me importa se o presidente do Benfica fez um discurso honesto. Por mais falsas que possam ser as suas afirmações a verdade é que o politicamente correcto tem lugar no dirigismo do Futebol porque serve o bom ambiente no desporto.
Sobre Markovic Vieira foi soberbo.


Não tiro muito das 2 horas de Vieira na TVI.
Foi muita demagogia como é habitual mas de uma forma bem mais refinada.
A postura comunicacional do presidente do Benfica melhorou muito e a serenidade com que apareceu faz bem ao Benfica e ao desporto nacional.
Evitou guerras com rivais, menos a única que lhe é impossível evitar.

Além disto também ficou mais uma vez visível a facilidade com que chama os louros a si e como despeja a responsabilidade dos fracassos nos outros, sendo Jorge Jesus e Rui Costa os seus sacos de pancada de eleição.

Também foi evidente a sua incapacidade de lidar com a critica, tendo sempre assumido uma postura mais agressiva sempre que algum benfiquista do painel se atreveu a ter um pensamento critico.

Este foi provavelmente o melhor momento televisivo de Vieira, o que por si só não quer dizer muita coisa.

Gostei? Não. Achei muito diferente do costume? Ligeiramente. Revoltou-me como em anos passados? Não.



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Os feios nunca falham um penálti


Um jogo tão bonito rodeado de gente tão feia. Gente que festeja com ódio o penálti falhado de Cristiano, depois outra gente que regozija com o pontapé de Messi para o planeta de onde ele veio - são pessoas diferentes mas a boçalidade é a mesma.

Gente que não gosta de futebol, que não sabe nada de futebol, que só sabe falar em estatísticas e números e títulos ganhos e perdidos - como se o jogo ou a qualidade de extraordinários jogadores como Maradona, como Messi, como Ronaldo, como Iniesta, como Rui Costa pudessem ser postos num gráfico com setinhas para cima e para baixo e estúpidas médias de passes acertados ou dos quilómetros percorridos. Gente que usa o futebol para libertar a sua pobreza de espírito, as inseguranças, as raivazinhas quotidianas, a mais visceral ignorância.

É gente que vai à bola mas só olha para a bola. Gente que não sabe bola. Que não vai à bola com o árbitro, com o colega, com o adversário, com o jornalista, com o dirigente. Gente que não vai à bola com o mundo porque o mundo conspira contra o seu clube. Infelizes patetas que vão votando em Presidentes populistas e vão criando nas suas casas maus exemplos de devoção a gente que fomenta a cultura de guerrilha por não terem cultura nenhuma. Os filhos serão iguais a eles, novos mentecaptos que arrancarão cadeiras em estádios, insultarão o árbitro só por este entrar em campo, dirão que o jornalista x é "avençado" e ficarão muito felizes, estupidamente felizes, quando virem um fantástico jogador ter um momento de erro e tristeza.

O jogo é bonito; pena os milhões de feios que o comentam.


domingo, 20 de julho de 2014

Recados para serem ouvidos por quem tiver orelhas grandes


"Aquilo que eu posso prometer é aquilo que tenho prometido ao longo dos 5 anos, é trabalho, qualidade do trabalho, tentar valorizar o máximo possível a equipa em títulos, jogadores e isso só se consegue com trabalho. Mas só trabalho, só trabalho isso não chega, tem de haver qualidade."

Jorge Jesus, no final do jogo


domingo, 16 de março de 2014

Mas qual é o espanto?



Muito se tem falado e escrito sobre o episódio protagonizado por Jorge Jesus em Londres com Raúl José, mas principalmente, com Shéo e Rui Costa.

A gravidade da situação explica e justifica todo o alarido vivido em torno desta situação. Não obstante, apetece-me perguntar: “Mas qual é o espanto pelo sucedido?”

O homem que não se inibiu de empurrar, repetidamente, maltratar perante um estádio cheio e perante milhões de telespectadores e humilhar perante o plantel o seu adjunto de longa data, e dois símbolos vivos do clube, é o mesmo homem que não se inibiu de chantagear o Benfica na hora de pedir um salário pornográfico com um suposto interesse do Porto nos seus serviços, quando ainda se encontrava sob contrato; é o mesmo homem que adora espezinhar jornalistas em conferências de imprensa, em tentativas falhadas de afirmação de uma suposta superioridade terrena; é o mesmo homem que elegeu Marco Silva como seu inimigo publico mais recente, apenas porque este é o novo menino bonito da imprensa e adeptos; é o mesmo homem que, não por acaso, foi empurrado em pleno Jamor por um dos jogadores mais importantes do plantel; é o mesmo homem que não se coíbe de andar à paulada a polícias.

Nestes casos todos achamos uma graça tremenda à “personagem”, todos rimos e dizemos que o empurrão de Cardozo era imprevisível, todos batemos palmas à coragem do treinador em defender os adeptos. E agora? Bom, agora, como a coisa mexe com pessoas que nos tocam no Benfiquismo, já nos preocupamos e já olhamos de forma séria para o que aconteceu.

É ainda curioso que se afirme que a culpa é da estrutura do Benfica, por não ser capaz de o manter em rédea curta, por não ser capaz de ter alguém que o mantenha no seu lugar mas, foda-se, faz algum sentido dar 4M€/ano (mais prémios) a uma pessoa que demonstra precisar de uma ama-seca? Faz sentido dar 4M€/ano a alguém que queremos que lidere um conjunto de homens (valiosos e importantes para o clube), quando o próprio é o primeiro a assumir que tem grandes lacunas no trato humano com as pessoas com quem trabalha, ao ponto de ter que se gastar 500 mil euros/ano num líder motivacional?

Obviamente que a culpa é da estrutura do Benfica, mas essa responsabilidade não decorre da falta de rédea em JJ, decorre sim do facto de manter no cargo um homem que não tem todas as valências necessárias para ser um treinador top, mas que é pago por valores de treinador top.

Sim, o Benfica fez um jogo arrebatador em Londres. Sim, aposto que não há Benfiquista no mundo que não se tenha orgulhado com a forma como a equipa venceu e convenceu, mas também não haverá Benfiquista nenhum no mundo que não tenha ficado envergonhado, pelo que JJ fez com gente que lhe é muito superior, em grau e género, em nível e classe.

Agora, espanto? Espanto em quê? Nem pode haver espanto pela vitória, porque o Jorge Jesus é competente na componente técnica do seu trabalho, mas também não pode haver espanto pelas suas atitudes, porque não é nada que já não devêssemos saber, e não é nada que já não se tenha dito e repetido. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Era para a esquerda, Vítor.

O tempo é um líquido que se entranha no corpo e vai pingando para o chão a ritmos diferentes. Brota aos prantos, às vezes, chovendo dos braços; outras, cai devagar, com medo da queda. Não tenho noção se aquele penálti do Paneira ainda está aqui comigo ou se choveu há muitos anos. Sei que me molha, aos jorros, de tempos a tempos. E então eu sorvo dos poros aquela memória ou agacho-me de joelhos sobre as poças que a defesa de Bucci deixou a reflectir na água. 

Toda a gente sabe que era para o lado esquerdo, Vítor, mas a incredulidade de ver Faustino Asprilla no relvado e os pedidos sôfregos de Gabriel Alves - "falta acção disciplinar!" - para um amarelo que não chegou, confundiram Paneira na hora da decisão. Não foi astuto, o nosso 7, porque se tivesse visto a massa disforme de cabeças que compunham o primeiro anel tinha sentido a direcção do sucesso - o público todo a contorcer os pescoços e os olhos, fazendo sinais de golo: "é para ali, caralho", como se as redes e os fumos e os fios de aço fossem transparentes -, tinha visto o golo antes dele acontecer.

Mas o tempo escoou para outro lado qualquer e, quando demos conta, em vez de um 3-1 que pecava por nulo - não escasso, mas nulo -, que devia ter sido um 6-1 ou 7-1 sem espinhas, acabou nas mãos de Bucci e depois no desespero de João Pinto num 2-1 sem verdade, desonesto porque cruel. O Benfica acabava um jogo de tareia monumental contra uma equipa fabulosa agarrado a um golinho de vantagem e a olhar para o golo sofrido com ansiedades e desperdícios. 

Mas recuemos: Veloso dá de primeira em Rui Costa que recebe junto à linha, sem pressas. Ouve-se um som de fundo de milhares de gargantas aos soluços: "vai, vai, vai" que no plano geral dá "aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah", que era o som de quase todos os 90 minutos que viam o Benfica jogar. O Maestro espera que o adversário o ultrapasse e depois, sim, avança pelo meio, sempre com aquele ar de quem já está a festejar o golo e viu tudo o que vai acontecer enquanto os italianos procuram disfarçar a tristeza do que não sabem que já foi. De repente, faz um passe para Yuran e continua a correr - aquele 2-1 mágico que, por mais tácticas e prelecções que existam em laboratórios do futebol mais evoluído, destrói qualquer marcação - para receber mais à frente, já em território inimigo, e levantar a bola com a pontinha do dedão enquanto um jogador do Parma se deita no relvado da Luz e vê as costas do Maestro correrem na direcção da baliza e fintarem de anca mais outro que apareceu por ali e depois, logo de seguida, meterem na frente de Isaías o charme do golo. Isaías correu que nem um cavalo alado, ou então voou com um trote terrestre, e quando chegou à frente dos Diabos amansou a bola com um só toque e fez um golo junto ao poste que ainda é melhor porque deixa o salto de 120.000 adeptos em suspenso e passível de ser fotografado com alma e vinho e dúvida e tudo no meio. 

Houve depois uma coisa coisa estranha na área do Benfica que ainda ninguém sabe bem como foi e que acabou nas redes do Neno e o árbitro validou mas não deve ter sido muito bem um golo porque disto eu não sinto a escorrer-me dos braços para o chão. Houve Helder, acho que sim, aos pontapezinhos sobre a bola e depois algo estranho e de que me não recordo bem que originou passe, depois remate e depois um golo, uma espécie de golo, e que sentimos no coração não bem como gelo mas como quando morre gente, que é o sentir do adepto do Benfica quando vê golos adversários no estádio - uma morte silenciosa, cortando veias ou sorvendo veneno. 

No resumo, vê-se Nevio Scala descrente naquilo, tal era o banho de bola a que assistia e ainda por cima gratuitamente - os treinadores, mesmo os maus ou bons ou medíocres, por menos ou mais que façam das suas equipas, têm esse privilégio dos deuses de partilharem relvado com a loucura e com o génio. Nevio Scala estava assim, após o golo do Parma: dava-se por feliz ao mesmo tempo que sentia no coração aquela pontada da injustiça - quase vergonha - de andar a levar a sua equipa a solo sagrado. O público, mesmo gelado ou de luto, respirava de tal forma que punha cubos de gelo ou então mantos de veludo sobre as cabeças de quem nos visitava. Não queria ser Nevio Scala ou aqueles olhos tontos dele em suplício. "E agora que marcámos, o que é que vem aí?"

O que veio foi um fartote de Benfica, que parece que decidiu fazer uma recolha de todos os melhores momentos das centenas de equipas benfiquistas anteriores ao mesmo tempo que se despedia de nós: aquele grupo de gente de 94, vendo agora com distância e saudade, dava todo o ar de sentir de tal forma o clube que já conhecia a nossa tragédia que havia de chegar. Jogavam para escrever Benfica. Tinham pena de nós e por isso decidiram dar-nos tantos momentos e jogos e golos e jogadas e emoções, para que não nos esquecêssemos de que um dia houve este clube que nos fascinou e eternizou crianças até sermos velhos. Compraram-nos futuro naquelas épocas, decidiram deixar memórias tão fortes que nos permitissem aguentar os 20 anos que estavam por vir. 

E nós comprámos, sem medos nem hesitações, tudo o que eles davam e tudo o que eles deixavam dentro de nós - foi assim, até hoje, que viemos respirando e bebendo e comendo, sempre na esperança de ver o Benfica outra vez, com estes bancos de oásis deixados na pele.

Yuran recebe na esquerda, à entrada do meio-campo adversário, com um toque faz cueca sobre o marcador e segue em frente, feliz. Mete no meio em Isaías e - oh, o 2-1! - corre para ir ao encontro da bola, o touro sertanejo não duvida, faz compasso de espera e mete no ucraniano que vai, gazela, perto da área do Parma, de primeira levanta a bola para um Isaías que veio de trás e aparece em vólei falhado e circense, a bola tabela no relvado e vai a caminho de Paneira que, por ter dois cérebros no pé direito, em vez de chutar ou inventar mosntruosos caminhos, a deixa bater primeiro e depois, com a cara da chuteira, abre na direita onde João Pinto a recolhe - sem saber se dá meia-volta e remata ou se dá lugar ao improviso - e deixa para Rui Costa que estava desde o início da jogada a acompanhar o lance com os olhos e com o génio. Depois foi só rematar, simples e para dentro da baliza. Correu desalmado para a bandeirola de canto porque os putos não sabem o que hão-de fazer com o golo, é uma coisa pesada e sem maneiras o golo, não tem coreografia de sentidos, tanto pode dar pirueta como morte instantânea. Deu mãos na cabeça, um abraço do João Pinto e um tapinha do Silvino que por estas alturas já preparava o seu ofício de oficial tapinhador de jogadores. 

Foi um golo que conteve dentro de si todos os golos do Benfica desde o Bermudes e Cosme até àquele segundo. E ainda hoje é esse golo que nos leva ao estádio de bandeiras e cachecóis no corpo. Vamos em busca desse Benfica até ao final dos nossos dias. E esse, por mais que tentem, nunca no-lo vão roubar.