Há um tipo de benfiquismo que definitivamente não é possível de entender. É o benfiquismo que acha que o planeta todo conspira contra o Benfica, que o insucesso advém não da incompetência própria mas de vários e coloridos factores que, somados, fazem com que o Benfica seja apenas uma vítima nas mãos de poderosas influências e maldades. As televisões estão todas contra o Benfica; as rádios também; os jornais, evidentemente; os jornalistas todos; os primos dos jornalistas todos; as avós de todos os jornalistas; os cães dos jornalistas conspiram, de madrugada, contra o Benfica.
Luisinho veio dizer o que parece lógico a qualquer ser pensante - se for um bocadinho mais pensante até percebe isto desde a final da Taça: Jesus não tinha condições para continuar no Benfica. Por ser incompetente? Lógico que não, apesar dos erros cometidos foi ele quem maquilhou a incompetência da Direcção. Simplesmente estava mais do que visto que o grupo de trabalho não estava com ele. Ora, Luisinho disse o óbvio. O que responderam os defensores do benfiquismo paranóico? Reflectiram sobre o que quererá dizer o pensamento de um jogador que conheceu o balneário por dentro? Não, é evidente que não. Massacraram o Luisinho, insultaram-no, passou a abutre e mal-agradecido e outras pérolas parecidas.
Já não há mesmo pachorra para o benfiquismo paranóico. Grande parte da situação dramática em que estamos enfiados depende deste modo de pensar. Sem reflexão, sem auto-crítica, sem capacidade de antecipar problemas, sem perceber os erros próprios; apenas, ano após ano, desculpando o insucesso com factores externos e paranóias doentias, o Benfica mirra sob este mundo obscuro da estupidez e das conspirações mil. Apetece resgatar a citação de Einstein que já se tornou adorada por tantos e que reflecte a actual forma de agir por parte dos dirigentes do Benfica e de pensar por parte da grande maioria dos seus apoiantes:
«Stupidity is doing the same thing over and over again and expecting different results».