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terça-feira, 20 de março de 2012

Verdades incómodas de M.

Não sei se já conhecem o "Lá em casa mando eu". É possível que não. É um blogue e só não é igual a tantos outros blogues porque lá nessa casa há excelentes textos - o que faz da mesma uma casa muito diferente da maioria das casas que por aí andam.

E o M. - companheiro querido aqui do vosso escriba - vai escrevendo o que é evidente, embora estranhamente invulgar. No último texto, mais umas quantas verdades em formato benfiquista doente porém lúcido. Aqui. Ou então aqui:



 «Porque é que eu acho que vai correr tudo mal 

O Benfica, depois de se ter suicidado fazendo 1 ponto em 9 no ciclo mais importante da época, enfrenta agora o ciclo que decidirá se, entre Taça da Liga, Campeonato e Champions, alguma coisa vamos ganhar.
Vamos por partes:
1. Eu não sou o Professor Karamba, mas não é preciso ser muito inteligente para tentar adivinhar isto: o Benfica NÃO vai ser Campeão Europeu. Eu sei, eu sei, como é possível um Benfiquista não ter aquele sonho, aquele bichinho pela Champions? Epá, eu chorei sozinho no sofá, há 3 dias, a ver as imagens do Milan - Benfica. Claro que quero que o Benfica ganhe a Champions. Mas é matematicamente impossível o Benfica passar o Chelsea a duas mãos, seguidamente eliminar o Barcelona a duas mãos e depois ganhar uma final ao Real Madrid ou ao Bayern. É praticamente impossível. Tirem esse sonho da cabeça, que só vos faz mal.
2. O Benfica tem que lutar, com todas as forças, pelo Campeonato Nacional. Esse é, tem de ser, o grande objectivo. Ofereçam aos jogadores 8 vezes mais de prémio pelo Campeonato do que pela Champions, para ver se eles percebem a ideia. Mas, mesmo assim, acho que o Benfica não vai ser Campeão. Obviamente, que acredito que vai ser, que me apetece rebolar no chão com a vontade toda que tenho que o Benfica saque o caneco. Mas acho que não vai acontecer. E porquê? Porque o Vieira e o Jesus montaram um plantel desequilibrado. Quando escrevia no Verão que estava preocupado com a falta de um defesa esquerdo, não imaginava que o Benfica fosse buscar dois. Também não imaginava que desses dois, só um tinha competência para o lugar, mas que não era esse que o ia fazer. Também não imaginava que o tipo que era essencial para suplente a defesa direito ou médio centro nesta fase da época já cá não estivesse.
Mas o mais impressionante é que a direcção do Benfica, sabendo de antemão a saída deste jogador, não comprou outro para o lugar! E mandou o David Simão embora, ficando apenas Witsel, Javi e Matic para dois lugares no meio campo! E achou que o André Almeida era um bom suplente do Maxi! E o Jesus não tenta o Miguel Vítor a defesa direito! E comprámos o Djaló!
Não fosse tudo isto já suficientemente surreal, recordo que temos um treinador que, no jogo do título, a ganhar 2-1, com a lesão de Aimar, não meteu o Matic. E levou um golo num contra - ataque de 40 metros. Estávamos a ganhar! Com o Trapattoni, quando o Cardozo estivesse no ar a fazer 2-1, já o Matic tinha aquecido e estava no meio campo à espera de entrar.
E este plantel desequilibrado, focado na Champions - porque o Cruyff da Amadora está convencido que somos munta fortes - não vai, obviamente, aguentar jogar com o Chelsea, Braga, Chelsea, Sporting de seguida sem dar barraca com o Braga e no derby - que são os dois jogos que interessam ganhar (porquê? ver ponto 1. novamente).
A esperança vem do facto do Porto parecer jogar sobre drogas - não as usuais, que fizeram cair misteriosamente o cabelo a Jaime Magalhães, André e Semedo, mas as leves, as do Filipe Menezes, e a lesão de Leandro Salino (jogador que faz de lateral direito e médio centro. Mas nós comprámos o Djaló.) que deixará o Braga sem defesa direito depois das lesões de Baiano e Amorim (jogador que, não sei se já vos disse, faz falta ao plantel).
3. A Taça da Liga é para ganhar. É para meter os suplentes possíveis e que seja o que Eusébio quiser.
Estou sinceramente convencido que isto vai correr mal. E não foram artes mágicas. Foi a má gestão, foi a loucura de Jesus e uma abordagem surreal ao mercado de Dezembro.
Se me enganar, levo eu o vinho para o Marquês.»