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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um Junho de Acentuado Desgoverno



Neste Junho nem o Bicampeonato nem o sucesso nas mais várias modalidades consegue disfarçar o modo como se desgoverna neste Benfica.

O mês começou com a salganhada com o treinador.

- Tinha proposta de renovação desde o Verão passada?
- O Direcção quis a sua continuidade?
- O presidente quis, juntamente com o Jorge Mendes, emprestar o treinador durante uns anos?
- Apresentou-se uma proposta abaixo das exigências do treinador?
- Fez-se pré-acordo com outro treinador?
- O treinador andou vários meses a negociar com o rival sem a nossa direcção e o seu parceiro (Jorge Mendes) saberem?
- Com a aproximação declarada do rival o nosso presidente desesperou e ofereceu mundos e fundos ao treinador para ele continuar?

Acabou como sabemos.

O mês continuou com o arrastar da renovação do Maxi Pereira.
Faltam 5 dias para acabar o contrato do jogador e parece-me que neste momento a direcção está já mais preocupada em encontrar um modo de denegrir a imagem do Maxi (mais um a passar de ídolo a pesetero e ingrato) do que um modo de chegar a acordo com o jogador.

Pelo meio tivemos a salganhada da Eusébio Cup.
Uma competição amigável que existe para homenagear o King, na sua casa, junto aos seus e com convidados especiais.
Este ano irá ser fora da Luz e fora do país.

A medida em si não me agrada mas o que realmente me incomoda são os motivos.
Em vez de andarmos a arranjar desculpas para justificar o injustificável deveríamos andar a questionar o porquê desta decisão.

Na mesma altura em que vendemos o Funes Mori ao Monterrey também é anunciada a nossa participação no jogo de inauguração do novo estádio deste clube mexicano. Negócios.

Negócios que não agradaram os adeptos do clube em questão. Alguém que tanto desrespeita o nosso clube poderá alguma vez respeitar o Eusébio?

Volvidas algumas semanas é anunciada a realização da próxima Eusébio Cup no México, precisamente no mesmo jogo de inauguração do dito Estádio. Negociatas.

Será mais ou menos isto:
Na venda do Funes Mori o Benfica comprometeu-se a disputar o tal jogo de inauguração. Este sobrepôs-se à realização da Eusébio Cup, amigável que foi passado para segundo planos nos interesses do clube.
Felizmente o Monterrey aceitou que o nosso clube juntasse à inauguração do estádio a Eusébio Cup, caso contrário a mesma não se iria realizar.
Assim teremos a Eusébio Cup como um extra de outro jogo e realizada perante aqueles que não a querem.

Como o Eusébio até jogou no Monterrey a direcção lá conseguiu desenrascar uma desculpa para disfarçar o desprezo como olharam a Eusébio Cup em prol do negócio Funes Mori. A homenagem ao King passa assim a ser uma moeda de troca para as vendas/compras do clube.

Só posso desejar que este mês de Junho acabe rapidamente para que comece Julho e o Rui Vitória possa tentar disfarçar tamanho desgoverno.


terça-feira, 23 de junho de 2015

Eusébio Cup Onde Vais?

O lugar da Eusébio Cup é no Estádio da Luz.

Esta homenagem ao King deverá ser sempre feita na sua casa e perante os seus, aqueles que o idolatraram enquanto benfiquista e enquanto português.

As negociatas continuam a afastar os sócios e adeptos do clube. O Benfica está a tornar-se numa empresa que cada vez mais trabalha para ter no Guinness o recorde do maior número de clientes.

As negociatas levam agora a Eusébio Cup para junto daqueles que há um mês criticavam e gozavam com a escolha do nosso clube para a inauguração do estádio novo do seu clube.
Não deverá andar muito longe a transmissão do jogo na madrugada de um dia de semana. Seria a cereja no topo do bolo.

Mais uma triste, descabida e desbenfiquizada decisão desta gente que lidera o nosso clube.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Os lenços brancos...


Quando, no passado dia 16 de Julho, escrevi sobre o nervosismo dos adeptos, pouco habitual nas sucessivas pré-temporadas do Benfica, alguns foram os que, por não perceberem o alcance e objectivo das minhas palavras ou por terem um pensamento, dito mais racional, discordaram da minha opinião.


Pois bem, se provas faltavam, a mais recente edição da Eusébio Cup, só veio comprovar o que há muito se percebia, ou seja, o habitual entusiasmo dos adeptos benfiquistas na pré-temporada, deu lugar a um nervosismo, a uma intolerância tal, que ainda no jogo de homenagem a um dos maiores símbolos do clube e de apresentação da equipa aos sócios, se viram nas bancadas lenços brancos para o treinador.

Obviamente, para além de ser uma situação “sui generis”, trata-se de algo, pelo menos que me lembre, nunca visto nos tempos mais recentes de qualquer clube na Europa.


Esta situação acontece porque a equipa não joga bem? Porque a equipa não ganha, nem em jogos/troféus particulares? Porque o nível de saturação para com um treinador egocêntrico e chauvinista está para lá dos limites? Porque, aparentemente, Jorge Jesus será o responsável pelo afastamento de Cardozo do clube? Porque, em teoria, o plantel está mal pensado e construído?


Parece-me que todas estas razões podem ser credíveis na busca da explicação para este fenómeno, sendo que, quanto a mim, não há uma razão completamente estanque e que todas elas, em conjunto, servem para obtermos a resposta mais completa e certa para o sucedido.


Certo, certo, é que o treinador e a estrutura directiva, partirão para a nova época no fio da navalha. Ambos, por consequência de actos próprios mas, no caso do técnico, também por dois erros de avaliação por parte da direcção:


                1 – Renovação do contrato. Era completamente previsível que, depois daquele final de época, o treinador partiria muito fragilizado para a nova época. Era óbvio que o técnico não teria uma segunda opção, ou ganharia ou ganharia. Nenhum outro caminho lhe ia ser tolerado.


                2 – Caso Cardozo. Decidindo-se, como aqui já concordei, pela saída do avançado Paraguaio, a situação teria que ser resolvida com a maior celeridade possível, fazendo-se os possíveis para que a mesma acontecesse ainda antes do arranque dos trabalhos de pré-temporada do restante plantel ou, no máximo, antes do início do mês de Agosto. Caso contrário, como se está a comprovar, a “mágoa” e compreensão com a saída de Cardozo por parte dos adeptos iriam diminuindo, fragilizando, ainda mais, a posição de Jorge Jesus.


Ao contrário de muitos, eu penso que Jorge Jesus chegará ao Natal e, digo até, chegará ao final da época. Digo-o porque, apesar de não o considerar capaz para o cargo nem ter uma estrutura que seja capaz por si, o que há é suficiente para sermos 2º e, conforme os últimos anos, lutarmos pelo campeonato até ao fim. Não, não acho que possamos vencer o campeonato com JJ novamente, a não ser que do outro lado haja algo que assim o facilite. No entanto, até porque LFV assumiu a renovação como uma aposta pessoal, acho que Jorge Jesus se manterá no cargo, pelo menos, até ao final da época. Ainda assim, para que isso aconteça, e ao contrário do que é habitual em Jorge Jesus, a equipa terá de arrancar o campeonato a todo o gás, coisa que, à distancia que nos encontramos, parece difícil que venha a acontecer.

domingo, 7 de agosto de 2011

O 4-2-Gardel-3 da minha ilusão

Decididamente estou cansado das explicações tácticas que nascem debaixo das pedras. Anda para aí uma praga de especialistas em basculações, apoios frontais, transições intermediárias, espaços entre-linhas e crepes de nutella que às vezes dou por mim a olhar ao espelho sem saber se devo cortar a barba na diagonal ou se a gilette deve procurar os corredores laterais e só depois subir em construção pelo meio. Imaginem que, entre tanta teoria tão acertadamente errada, cheguei a pensar que o futebol era afinal um jogo de sudoku com grau de dificuldade 100 estrelas e que só iluminados de outras galáxias o poderiam de facto entender. Mas depois vi jogar o Aimar e passou-me logo.

Voltei a fazer a barba com a velha técnica e sem teoria nenhuma a não ser aquela que me diz que devo fazer muita espuma só porque é giro. O Benfica também fez espuma hoje. Aquela espuma que as grandes ondas levantam e mantêm no ar enquanto se aproximam da costa. Vemo-la ao longe, devagarinho, e imaginamos o tempo e a força que as ondas trarão quando aterrarem em nós - os jogadores do Arsenal sentiram uma coisa parecida na segunda parte, com a variante destas ondas não serem boas para surfar, porque enviesadas, diagonais e dadas a repiques e carambolas. Foi, de facto, lindo de ver.

Os especialistas terão achado talvez que a velocidade não foi a adequada, que o gesto técnico, ensombrado pela quezília táctica, foi deveras prejudicial ao momento fatal de toda a conjuntura específica da circunferência em movimento. Uma pena, claramente. Não tivesse sido o lado marginal do jogo e, então sim, os teóricos dir-nos-iam que, sim senhor, foi um bonito momento de futebol. Eu, como não sou teórico nem técnico, prefiro a beleza das coisas simples. Ou a simplicidade do belo, o que, sejamos sinceros, não sendo o mesmo, é-o.

Mas - perguntam-se os iluminados nas suas cadeiras em frente a ecrâs com qualidade de excelência - terá sido um... 433, 442, 451, 352? E a estatística, meus caros, a estatística? Quantos passes com a unha direita terá dado Gaitán? Quantas vezes terá respirado Nolito antes do remate fatal? Que percentagem de suor terá pingado Javi Garcia? Tudo questões altamente pertinentes e que, bem contabilizadas, nos darão a prova final de que Aimar, afinal de contas, será um jogador medíocre, isto porque terá levantado a perna direita 50 vezes mais do que levantou a esquerda - o que, como é sabido nos mais extraordinários laboratórios futebolísticos, significa que não terá dado os apoios que a equipa precisava. Esta coisa dos apoios, esquerda, direita, centro, frente, atrás, por cima, por dentro, de mergulho ou em voo rasante, é uma coisa fundamental para a compreensão da bola rolante. Sem apoios, meus caros, esqueçam, comecem a vossa vida noutro planeta. Sem apoios, nada. E Aimar, que, dizem as estatísticas mais apuradas!, é fraquíssimo nos apoios. Apoia-se geralmente com o dedo grande do pé direito, não deixando que a equipa usufrua da sua capacidade no mindinho do pé esquerdo. Não fosse este pormenor - mas que traduz toda a sua incapacidade! - e Aimar seria, como todos os anormais pensam, porque desconhecem a força dos números, um bom jogador, vá, arrisco mesmo dizer, um jogador bonzinho.

É pena que Aimar queira saber pouco dos números. Ele prefere os neurónios sem matemática.