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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Rui Gomes da Silva – O candidato



Com as recentes exibições, resultados e consequente distanciar do primeiro lugar da liga, são muitos os que agora berram o que por aqui já se tinha afirmado e referido como problemas, quer da equipa, quer do clube.

O mais recente e, reconheça-se, mais relevante a fazê-lo foi Rui Gomes da Silva num texto publicado no “Novo Geração Benfica”. Nesse post o, doravante designado, Sr. Candidato veio a terreiro levantar uma serie de questões pertinentes, mas feridas de credibilidade, à imagem do mensageiro.

O Sr. Candidato apressou-se a colocar em causa Rui Costa e, de forma bem directa, a afirmar que o ex-camisola 10 está “encostado” ao clube, deixando no ar a ideia clara de que o maestro vive, em linguagem corrente, do “tacho” que o Benfica lhe dá, já que aparenta ser mestre em colar-se às vitórias e desresponsabilizar-se nas derrotas.

Não fosse o Sr. Candidato um ex-vice-presidente da actual direcção e esta questão teria todo sentido, o problema é que o Sr. Candidato é ex-vice-presidente. O problema é que muitas das questões que o Sr. Candidato agora se lembrou de levantar publicamente já existiam aquando da vigência da sua vice-presidência; O problema é que o Sr. Candidato que acusa Rui Costa de “tachista”, nunca demonstrou ser discordante com a política da actual direcção enquanto fez parte dela, deixando-se estar até ser empurrado da lista candidata às últimas eleições; O problema é que o Sr. Candidato também já demonstrou ser perito a recolher méritos, quando no primeiro título de Rui Vitória, quando a coisa corria mal, afirmou, no programa onde faz comentário semanal, que a “estrutura se tinha aburguesado” e em Maio veio, subliminarmente, apontar esse momento como um dos momentos-chave da época – como se uma equipa ganhasse ou perdesse por causa de umas banalidades boçais que um engravatado decide dizer na tv.

Estou longe, muito longe, de ser um defensor de Vieira e, pior, da pandilha de engravatados incompetentes (no mínimo) que o rodeia, mas o que o Sr. Candidato não pode dizer é que nunca fez parte das decisões que agora se mostram erradas. Porque se não concordava com elas, só tinha uma decisão a tomar: Demitir-se como fez, e bem, o mesmo Nuno Gomes que o Sr. Candidato tanto elogia, mas que não imitou.

domingo, 10 de setembro de 2017

Caiu a meia-noite



Os últimos dois jogos trouxeram à comunidade Benfiquista uma agitação inesperada, sobretudo para quem vem de um tetra campeonato e parte em busca de um penta. Os sinais de alarme tocam a rebate, não tanto pelos resultados, mas sim pelas respectivas exibições e o que elas podem indiciar.

O facto – inegável – é que a qualidade exibicional dos últimos dois jogos foi incomparavelmente inferior aos resultados obtidos nos mesmos, ainda que os resultados tenham sido, no mínimo, pífios. 

Como sempre, seja nas vitórias, seja nas derrotas/empates, as explicações surgem de todos os lados e para todos os gostos, mas seja nas vitórias, seja nas derrotas, há um traço que me parece imutável: A ideia de jogo de Rui Vitória é o saco de plástico largado na rua, isto é, vai para onde o vento o levar. A ideia de jogo de Rui Vitória é o que os jogadores querem que seja – este “querer” não é no sentido literal, mas sim, no sentido do que as características individuais de cada um quer.

E se dúvidas houvesse (vão existir sempre para alguns), estes dois jogos são absolutamente reveladores. Sem a qualidade individual tida desde a baliza, tudo o que, para alguns, parecia colectivo e trabalhado, desapareceu como desapareceu a carruagem de sonho da Cinderela ao passar da meia-noite, ficando apenas a abóbora tosca, baça e deselegante.

Rui Vitória, no final do jogo passado, quando instado a explicar a saída de Lisandro ao intervalo e a adaptação de Samaris ao papel de central, disse qualquer coisa como isto: “Foi uma decisão técnica, nada de errado se passa com a condição física de Lisandro, pois entendi quem precisávamos de melhor saída de bola”. Ou seja, o treinador não substitui o jogador por achar que ele não está a cumprir com os preceitos colectivos na saída de bola, fá-lo porque procura melhorar a saída de bola no individual, colocando um outro que, no seu entender, tem mais capacidade para o fazer no individual.

O problema é que, chame-se ele Lisandro, Jardel ou Manuel, a qualidade de saída de bola vai estar sempre dependente única e exclusivamente do que cada um valer, porque não existem soluções colectivas que ajudem cada um a esconder defeitos e expor virtudes; O problema é que o Benfica precisa de saída de bola em TODOS os jogos, não só em alguns e Rui Vitória só agora parece ter percebido que a actual linha defensiva está longe de ter a qualidade da anterior; O problema é que, precisando de saída de bola, Kalaica – de longe o nosso melhor central neste parâmetro – foi o central menos utilizado na pré-época – altura onde correspondeu e deveria ser testado ao limite - e hoje em dia faz jogos pela B, isto apesar de NENHUM dos centrais já utilizados ter sequer metade da qualidade do croata.

Se à falta de qualidade nos processo colectivos juntarmos inabilidade nas escolhas individuais, a coisa vai correr mal. Rui Vitória ainda pode entrar na máquina do tempo e atrasar a chegada da meia-noite, mas o encanto está prestes a desfazer-se. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Martin Chrien



O jovem médio Eslovaco apresenta-se como uma das melhores notícias deste defeso. Sem grandes alaridos, chegou e promete vencer.

Os poucos minutos a que teve direito nesta pré-época não são suficientes para lhe esconder o talento que traz agarrado às botas e ligado ao cérebro.

Se no primeiro jogo, ainda em território Helvético, mostrou-nos muita qualidade nas decisões (movimentação, escolha das zonas de passe e posicionamento), mas muito erro na execução (vários passes intercetados), talvez inerentes a tudo o que envolve uma estreia numa realidade completamente nova, a última meia hora do jogo efetuado ante o Hull City, no Algarve, trouxe-nos um leve perfume de tudo o que este menino pode ser.

Não conheço absolutamente mais nenhum minuto para além daqueles que fez com a Gloriosa envergada até ao momento, mas estes minutos deixam muita água na boca. 

Não sei se a permanência no plantel entrará nas contas de Rui Vitória e, mesmo que assim seja, será previsível que tenha dificuldades em ter minutos na equipa, face à presença de Pizzi. No entanto, apetece-me muito dizer: Temos craque!