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segunda-feira, 28 de julho de 2014

O lucro desconhecido da Benfica TV

O lagarto que manda nas contas e praticamente em todo o clube, Domingos Croquete de Oliveira, vem anunciar que a BTV no seu primeiro ano conseguiu uma receita "a rondar os 30 milhões de euros". Número, sem dúvida alguma, de belo alcance para o primeiro ano; esperamos que o clube saiba fazer evoluir e potenciar mais o canal (despedir o Guerra Santos Fernando Pedro é uma medida que urge) para que o segundo ano gere ainda melhores receitas.

Ora, sabemos que a Comunicação no Benfica é bastante deficiente, mentirosa e omissa, mas já que falaram para estrangeiros e não para os sócios do Benfica (que não têm nada a ver com isto, como é evidente) desta vez podiam ter usado dados certos. É que dizer "a rondar" é assim um bocadinho parvo. No entanto, vamos assumir que "a rondar" são 28 milhões de euros. E agora, como saber o lucro que tivemos se os custos não foram anunciados? Imaginamos, inventamos, pedimos à Maya que lance as cartas astrais? 

Este Benfica é isto: mesmo num projecto que claramente teve sucesso no seu primeiro ano, que foi a resposta ao sistema Oliveira que alguns de nós pedíamos há muito tempo, que trouxe (vamos ver até quando) para dentro do clube o controlo sobre as transmissões de boa parte dos seus jogos, acontecem sempre estes "a rondar" e estas voluntárias omissões. 

No café, junto à minha mesa, dois benfiquistas cinquentões gabavam-se do feito:

- Os gajos pagavam-nos 7 milhões, agora já fizemos 30 milhões ahahahahahahahah
- O pintinho até bufa!! ehehehehehehhe

Tive de levantar-me e explicar aos senhores que quem bufava era o Joaquim Oliveira, o amigo pessoal do Luís Filipe Vieira (que, por acaso, era o Presidente do Benfica), e accionista da Benfica SAD, frequentador assíduo da Tribuna Presidencial da Luz e das Galas do Benfica. E depois expliquei-lhes que, como somos nós a transmitir os nossos jogos e somos nós que temos um canal que os transmite, também gastamos dinheiro com isso. 

Fui meigo e disse-lhes que o lucro foi de 20 milhões de euros. Com estes benfiquistas crentes, temos de ir devagarinho, não lhes dê um ataque cardíaco quando perceberem que estão a apoiar aquilo de que tanto falam quando lhes dizem verdades. Cuidado com as pedras da calçada...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Mais uma questão para reflexão

Se

- Vieira apoia Mário Figueiredo e Fernando Gomes

e

- Mário Figueiredo e Fernando Gomes defendem a centralização dos direitos televisivos

quererá isto dizer que a transmissão dos jogos na Benfica TV não foi mais do que uma forma de pressão e que no futuro voltaremos a ver os jogos da Luz na televisão de Joaquim Oliveira?

terça-feira, 18 de março de 2014

O futebol PORTOguês

12 de Março de 2014

«Os clubes estão reféns de uma pessoa que os mantém no estado de penumbra, que os ameaça. Quando alguém está em posição de refém de outra pessoa, que exerce domínio e coacção, que ameaça infligir o mal, os clubes ficam com medo, em pânico. Estão a ser coagidos a ter certos comportamentos. Isto está a tornar-se num caso de polícia».

«Os clubes têm recebido represálias constantes, de ameaças de não pagamento de verbas, de alguém que abusa da sua posição dominante e faz os clubes fazerem algo contra a sua vontade. Só o Benfica conseguiu sair da situação de refém».

«Não posso fazer a paz quando todos querem fazer a guerra».

«Nos últimos anos os presidentes dos clubes mudaram, os presidentes da Federação e da Liga mudaram mas houve uma pessoa sempre presente e com participações em clubes, até de forma ilegal, com mais de 10 por cento de votos nas SAD´s. Todos os presidentes da Liga e Federação foram nomeados pela Olivedesportos».


17 de Março de 2014

«O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) deu esta segunda-feira entrada no Hospital Pedro-Hispano, em Matosinhos, após a viatura em que seguia ter sido abalroada na rotunda AEP, entre Matosinhos e Porto.

Segundo uma testemunha ocular, o BMW que chocou com o carro de Figueiredo parou 50 metros à frente do local de embate e não existiu qualquer discussão, tendo a polícia surgido pouco depois para registar a ocorrência. Refira-se que Figueiredo está acompanhado por dois polícias.»


Não se percebe o silêncio ensurdecedor da Antena 1 sobre o acidente de viação de Mário Figueiredo. Ainda por cima uma notícia que taparia três buracos: tanto podia sair no Jornal de Desporto, na Secção de Trânsito ou no Verdadeiro Jornalismo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pelo Benfica, Benfiquista: abre os olhos.

Hoje foi o dia em que, almoçando num restaurante, havia na mesa ao lado dois homens comendo, conversando e rindo. 

Um chama-se Joaquim Oliveira.

O outro chama-se Luís Filipe Vieira.

domingo, 14 de outubro de 2012

Marinho Neves não compreende. Nós também não.

«Confesso que não entendi: O que fazia José Eduardo Moniz, assumido benfiquista, no apoio à candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica, como não entendi a presença de João Rodrigues, um benfiquista não tão assumido. O primeiro é unha com carne com Joaquim Oliveira e isso poderá querer dizer que o problema das transmissões directas dos jogos a partir de 2013 já está resolvido. O segundo é quase um escândalo, pois como todos sabemos foi ele quem comandou o lobby na UEFA e FIFA que anulou o castigo ao FC Porto após o caso de corrupção "Apito Dourado". 

Posso ainda acrescentar que em 1999, no programa "Donos da Bola", na SIC, denunciei que a Olivedesportos tinha pago férias a Moniz e sua mulher em Pipa e Nova Iorque. A PJ investigou a situação e eu tive um processo que o MP mandou arquivar. O MP arquivou o processo porque Moniz disse que tinha pago com um cheque que nunca apareceu na contabilidade da Olivedesportos. 

Não coloco aqui em causa a honestidade de seja quem for, coloco é sim o principio básico da libertação de uma vez por todas do Benfica ao sistema de onde não retira qualquer proveito. Não conheço a lista de Rangel e do homem, só sei que é juiz. Só falo do que sei e tenho provas em mão.»
Marinho Neves.

sábado, 18 de agosto de 2012

Os corruptos e nós

«Está toda a gente espantada com as ligações de Joaquim Oliveira ao presidente da FPF. Fico espantado que ninguém no nosso futebol não tenha conhecimento que Fernando Gomes foi sempre o homem de confiança de Oliveira. Fez parte da administração da Olivedesportos, da Cosmos e representava os 11% que JO tem na SAD do FC Porto. Mesmo assim, Luís Filipe Vieira apoiou a sua candidatura à FPF. Querem o quê agora??»
Marinho Neves

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Olivedesportos - sim ou não? E porquê?

O leitor Bicadas quer relançar esta questão, num momento crucial para o futuro do Benfica. As eleições estão próximas, mas ainda não chegámos ao final de Fevereiro de 2012 - prazo que Luís Filipe Vieira prometeu ser a data-limite para a decisão do Benfica sobre este assunto. Se algo foi decidido, nada foi dito aos sócios do Benfica - como é costume. Se não foi, é só mais uma mentira - como também é costume. 

Deixo o comentário do Bicadas para lançar o debate:

«Assunto: direitos televisivos;

Facto: a Olivedesportos está a negociar a reestruturação de participações cruzadas, simultaneamente com ZON e PT.

Interpretação de RGS: a Olivedesportos está a tentar cercar o Benfica, deixando-o sem “canais de distribuição para o seu produto”.

Minha interpretação: muito provavelmente RGS está certo. Haverá uma remota possibilidade de a Olivedesportos passar por dificuldades financeiras e haver conversão de créditos em capital, ou seja, a PT e ZON apoderam-se de, pelo menos, parte da empresa – não estou por dentro das contas da Olivedesportos e agora não tenho tempo para as analisar.

Facto: RGS deixou passar a ideia de que brevemente se anunciará a decisão sobre a matéria, “que já reúne consenso na administração da SAD” e que esta decisão passará pelo rompimento com a Olivedesportos e que o “Benfica seguirá o seu próprio caminho”.

Minha interpretação: discurso nitidamente eleitoralista mas que tem consequências. O “consenso alcançado na administração da SAD” quer dizer: DSO aceitou. Poder-se-á pensar que LFV apenas anuncia isto para ganhar as eleições e depois renova. Não é assim tão simples. Para mim, o principal traço de personalidade de LFV é a teimosia. Tentará, pelo menos, prolongar a questão até ao final da época e muito dificilmente, no actual panorama económico, conseguirá, sequer, alimentar uma ilusão de ameaça negocial. Temo que cheguemos ao fim do processo sem força, tampouco, para exigir os mesmos valores que o sporting actualmente recebe (mesmo assim, o dobro do que recebemos).

Ricardo, sei bem que por ti, tal como para 99% dos Benfiquistas e como disse ontem o RGS, se preferiria receber zero do que renovar com a Olivedesportos.

No entanto estou habituado a lidar com números e sei que cedo ou tarde eles acabam por se impor.

Esta matéria é de extrema importância e é, hoje, o principal obstáculo, se não a que o Benfica assuma maior relevo no futebol europeu (que para isso faltariam melhores condições de outro âmbito), pelo menos a que disponha de meios para tal.

Evidentemente não vou tentar mudar a tua opinião ou seja a de quem for. No entanto, gostaria que relançasses o debate, o que penso que ajudaria a que se ganhasse mais alguma consciência sobre as opções que se tomam, e é só isso que se pode, democraticamente, exigir.»


O debate está lançado. E, por favor, aos que apoiam a Direcção e aos que a criticam, peço elevação, inteligência e capacidade de discutir o clube sem as usuais ofensas. Pode parecer que não, mas é possível debatermos o Benfica sem radicalismos de trincheiras.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Estamos Xistrados

Na Federação Portuguesa de Futebol, liderada por uma nova equipa de excelsos defensores da verdade desportiva - equipa essa que mereceu da parte do Benfica um "apoio inequívoco" -, promove-se a manutenção de um certo romantismo do passado. 

Ainda há lugar ao lirismo e à preservação das tradições seculares - as conversas de bastidores, as tricas, as zangas, os telefonemas obscuros, as ligações suspeitas, as idas à Madalena receber notáveis conselhos matrimoniais do pintinho das bufas, os pagamentos a árbitros, as dádivas solidárias e generosas de belíssimas viagens ao Brasil, as acções sob o jugo do homem do robe (de quem também somos muito amigos) fazem parte de uma herança rica e fundamental na historiografia do futebol português. Importa, por isso, mantê-los e, se possível, aumentar a teia de influências numa perspectiva universal - caramba, somos todos gente de bem, amemos o próximo como a nós mesmos.

Digamos assim: Fernando Gomes pulou da cadeira da Liga no Porto, de onde saiu abdicando do cargo para que fora eleito por gente que em nele acreditou (como nós acreditámos e voltámos a acreditar agora), para a cadeira da Federação em Lisboa mas a essência, o âmago da ideologia, mantém-se: por um futebol limpo de quaisquer impurezas. 

Isto diz-nos o próprio Gomes - que nunca foi ouvido em escutas e muito menos foi sabido que era responsável pelos pagamentos e outras oferendas a dignos representantes da Lei deste país, para além de essa execrável ignomínia lançada por gente de parcos recursos ao nível da sensibilidade e formação moral que dava conta de ser Gomes apenas e só um fantoche nas mãos do senhor do robe (de quem somos, ressalve-se, muito amigos) - e dizem-nos outros agentes da luta pela verdade desportiva, incluindo o nosso Presidente que, com o seu "inequívoco apoio", garante aos benfiquistas que - tenhamos todos calma e muita paciência - há obra a ser feita, agora é esperar para ver.

E, de facto, não podia ter sido mais clarificador da obra que se encontra em marcha esta última nomeação para o jogo de Guimarães. Foi quase de lágrimas nos olhos que assisti ao nome do árbitro do encontro de Segunda-Feira, de tal forma ele me emociona só de pensar nas exibições de grande monta que este juiz efectua, ano a ano, jogo a jogo, sempre de uma imparcialidade e uma ausência de anti-benfiquismo - fossem todos como ele e este futebol já teria uma cara mais limpa, acreditem no que vos digo. 

Temos de ser justos: não concordámos com o apoio do nosso líder, duvidámos das intenções deste ex-administrador da Sad do Porto, criticámo-lo, explicámos as nossas discordâncias e expusemos novos pontos de vista mas, chegados aqui, a este momento em que nos apercebemos de que as tradições ainda são o que eram e que está chegado o instante que já é uma das atracções do ano futebolístico - o chamado «Xistrema ataca em força em jogo de crucial importância, não vão estes gajos ganhar mesmo isto» - não só nos curvamos perante a defesa intransigente do Benfica por parte do nosso grande Presidente como até estamos dispostos a aceitar as novas ordens vindas das crónicas do jornal do clube e até de gente que há uns tempos dizia raios e coriscos de uns e outros e que hoje parece ler na Olivedesportos e seu tiranito a bíblia do que deve ser palavra, ordem e lei. 

Carlos Xistra é, acima de tudo, um entertainer, um bom rapazola, um espertalhaço. Traz emoção ao campeonato, adora o equilíbrio de forças, aquela contenda rasgadinha até mesmo ao finalzinho da última jornada - é, no fundo, um romântico daqueles que já quase não existem. Mas isto se for o Benfica a ir na frente. Se for outro clube - e não vamos agora estar aqui a nomear clubes e a criar teorias da conspiração, afinal sabemos perfeitamente que o futebol lusitano está limpo de toda essa miséria que o atormentou no passado -, Xistra gosta é de resolver logo as coisas para que, enfim, compreendamos, as equipas portuguesas se deixem de fitas e cansaços desnecessários e possam ir às finais e meias-finais europeias. 

Quem não se lembra desse acto profundamente altruísta de Xistra no ano passado, em que, toldado pela nobre ideia de resolver as contas do campeonato e assim poder devolver à Liga Europa Benfica, Porto e Braga em excelentes condições de a disputarem até ao fim - o que acabou por ser feito, com notável mérito -, Carlos fez uma das suas mais brilhantes actuações, atingindo a euforia e o generalizado regozijo quando decide expulsar Javi Garcia por este ter sido empurrado por Alan. Bravo, Carlitos, bravo! A multidão empolgou-se, finalmente um árbitro com princípios e valores acima de quaisquer suspeitas. O futebol português orgulhosamente agradeceu. 

E ainda hoje há quem peça encarecidamente a Fernando Gomes que, mais dia menos dia, Xistra volte a arbitrar o Benfica, especialmente agora, dizem, que o campeonato parece estar muito monótono. É altura de agitar as águas, dizem vozes obscuras em telefonemas parecidos com outros que também existem, toda a gente pôde ouvi-los, toda a gente pôde saber que os ouviu e que eles são de facto reais mas que os juizes têm de fingir que não sabem nem nunca ouviram falar em tais coisas. Um pouco como o marido que, em vez de ir ao quarto, prefere levantar o som da televisão para que o gajo que está na cama a comer-lhe a mulher não se chateie e ainda o venha sovar a ele - isto tudo num ambiente de verdade desportiva, esclareça-se de vez para que não haja enganos.

E então Gomes, nosso querido amigo, antigo pagador de oferendas e dádivas mil, hoje vassalo do outro nosso grande amigo que, diz o jornal do Benfica, é uma personagem que não oferece qualquer espaço para dúvidas - um empresário de valia, que apenas quer investir e garantir lucro e nada, mas nada mesmo, juro-vos, para além disso -, tratou do assunto, levantando-se muito enérgico da cadeira, depois de ter fugido da outra: "ponha-se Xistra no jogo do Benfica!", "Este é jogo para Xistra!", "Xistra, amigo, apita com alma!", e várias outras frases que, em catadupa, foi fazendo, registando até a notável inspiração num caderninho que mantinha sempre no bolso do casaco, para estes momentos em que a vida o iluminava e o amparava no seu leito de transcendência. 

Estamos Xistrados.





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Direito de resposta - Luís Fialho explica-se


«Caríssimos,

Em primeiro lugar acho que não mereço a importância que me estão a dar.
Em segundo garanto-vos que escrevo, a cada momento, aquilo que me vai na alma (que, como o mundo não é imutável, também poderá por vezes diferir, sobretudo tratando-se de vários anos depois), e nunca fiz, nem faço, fretes a ninguém, até porque não ganho um cêntimo do Benfica, nem de ninguém ligado directa ou indirectamente ao futebol, ou à televisão.
Em terceiro, não conheço pessoalmente, nem o Joaquim Oliveira, nem ninguém de relevo na Sport Tv (ah, apertei a mão uma vez ao Bessa Tavares).
Em quarto, garanto-vos que a Sport Tv tem muitos, mas mesmo muitos, jornalistas e funcionários tão benfiquistas como nós.
Em quinto, relembro que o post de 2008 foi de...2008, e de então para cá, muito sinceramente, nunca me foi possível comprovar devidamente a influência que eu então suspeitava que a Olivedesportos pudesse ter no Sistema, nomeadamente na questão das arbitragens. António Oliveira já lá não está, e, como digo no artigo do jornal, fui ganhando a convicção que Joaquim Oliveira anda no futebol para ganhar "o seu" (que não é pouco), e não o vejo muito interessado em mais nada do que dinheiro. Posso estar enganado, mas é esta a ideia que tenho neste momento (se alguém me provar o contrário...)
Lembro também as circunstâncias em que o contrato actual foi assinado, às quais a Olivedesportos era alheia. Apenas aproveitou, como qualquer outro no seu lugar o faria.
Por último, quero também recordar que a Olivedesportos é a única operadora no mercado em condições de pagar um valor elevado pelas transmissões do Benfica. A Benfica Tv é um argumento negocial, mas as receitas por uma e outra via não se comparam.
Se para proteger o futuro do Benfica for necessário esquecer alguma coisa do passado, creio que devemos estar dispostos a fazer esse exercício. Até porque, como diz o povo, amigos amigos, negócios à parte. E aqui, é de um negócio que se trata. De um negócio de importância vital.

Cumprimentos

Luís Fialho»



Recebi há umas horas este comentário do Luís Fialho, que está publicado no post "O alucinado caso de Luís Fialho". No entanto, pela gravidade da situação, e pela crítica dura que lhe fiz, parece-me justo que o seu comentário tenha uma visibilidade maior - de uma caixa de comentários saltará o dito texto para um post, para que todos os que quiserem comentar as justificações de Luís Fialho o façam na maior das democracias - peço que tenham alguma classe e moderação, não gostamos de insultos nem de asneiras.

Quanto a mim, é simples, Luís Fialho: aborda muita coisa menos a que para mim foi, é e será sempre a mais relevante: a questão da venda ideológica. E o Luís Fialho vendeu-se. Não é possível que em 2008 tenha tido a certeza de que Oliveira era peça importante no sistema (e é-o, não vale a pena estarmos a escamotear essa realidade óbvia) e hoje ache que é só um homem de negócios. Ou melhor: possível, é. Mas a um custo que ultrapassa os limites do razoável. Só o Luís Fialho saberá as razões que o fizeram escrever aquela merda de texto (desculpe o vernáculo, mas não há outra forma de nomear aquela nojeira). Ficarão consigo, para o bem e para o mal. Mais para o mal. 

Fala em benfiquistas na Sportv (não vejo a que propósito), fala do dinheiro que não ganha do Benfica (não vejo a que propósito), fala que não conhece Oliveira pessoalmente (não vejo a que propósito) e depois justifica-se dizendo que o texto é de 2008. Portanto, em 2008 tinha a certeza de que Oliveira era peça fundamental no sistema. Hoje não, hoje acha que não tem qualquer ligação nem é uma das caras mais nítidas e fundamentais do sistema corrupto instalado no país. E o Luís Fialho acha que isto faz sentido, é?
 
Não, Luís Fialho, o meu caro está mesmo a fazer um frete a alguém. Se impelido ou voluntariamente, desconheço qual o motivo. O certo é que acabou de lançar as bases, no jornal do clube (não foi na Nova Gente ou na Maria, foi no jornal do Benfica), para a previsível, desde sempre, renegociação com a Olivedesportos. O que, pelos vistos, para si não é de modo algum um problema, é mesmo uma solução. Eu diria que o próximo passo é escrever uma crónica a pedir a demissão de Luís Filipe Vieira. É que ele andou 12 anos a justificar-se com a corda que tínhamos amarrada ao pescoço por parte desses tais Oliveiras corruptos. Escreva-a que a gente retira as queixas contra si.




sábado, 4 de fevereiro de 2012

O alucinado caso de Luís Fialho





Esta pequena novela à portuguesa começa em 2008, mais precisamente no dia 8 de Abril de 2008. A blogosfera benfiquista enlutava com mais um título ganho pelo Porto como quase sempre são os títulos ganhos pelo Porto: competência aliada ao favoritismo sistémico. Levantavam-se uns, outros choravam o azar, criticavam-se os árbitros, anunciavam-se novas medidas, despediam-se treinadores, escolhiam-se jogadores, enfim, o panorama normal e caótico do mundo dos blogues. Houve, no entanto, quem decidisse organizar detalhada e muito acertadamente toda uma resenha de acontecimentos sobre o futebol português para assim ficarmos todos a par das movimentações mais clandestinas que, por debaixo da realidade visível, iam acontecendo. E é aqui que chegamos ao nosso protagonista, de seu nome Luís Fialho.

Luís Fialho fez um trabalho notável - escreveu um tratado sobre as razões que levaram o Porto, de 88 a 2008, a um sucesso desportivo assinalável, não se coibindo, porém, de, entre elogios, expor de forma magistral toda a teia de ilegalidades, corrupções, obtusos compadrios, negócios obscuros, estranhas alianças, enfim, fez um raio-x perfeito do que foi (e é) o modus operandi do clube vergado a uma seita comandada pelo cacique e fanático Pinto da Costa.

Chamou-lhe, muito poeticamente, "Vinte anos de mentira de A a Z". E o povo agradeceu. Afinal, estavam ali enumerados todos os pecadilhos, pecados e pecadões que toda a gente via, de que toda a gente falava, de que toda a gente se queixava mas que ninguém tinha organizado de forma decente e burocrática. Fialho fê-lo, com a conduta e espírito de missão que compete aos resistentes, aos que querem que o Bem vença o Mal, que o derrote pela dignidade e pela honra, pelos princípios verdadeiramente morais. O povo, naturalmente, reagiu a preceito: elogiou o protagonista, falou sobre o caso, promoveu o assunto, que "sim, senhor, está muito bem dito!", que "já faltava uma enciclopédia da corrupção como esta", que "finalmente temos um escriba que, além de tácticas e notícias de jornais, faz serviço público", que "este sim, é o tal, o prometido, o Haile Selassie dos blogues do Benfica!". 

Foram, até à data, 288 comentários numa compreensível torrente de indignação e reserva dos valores mais altos, de uma exposição dos males e dos podres que levaram Luís Fialho ao justo patamar dos eternos. Dia após dia, semana após semana, ano após ano continuou Fialho a brindar-nos com escritos decentes, dignos e lúcidos, por vezes aproximando-se da actual direcção, outras, por convicções profundas, afastando-se em nome daquilo que sempre defendeu: a análise justa, imparcial, inteligente, independente, autónoma. Fialho concordou, Fialho discordou, Fialho abanou a cabeça, levantou o queixo, pôs-se a pensar mas nunca cometeu o erro do facilitismo. E é isso que faz de Fialho um herói para todos nós.

Recuperemos, a propósito de um tema recorrente e muito actual - a Olivedesportos e os direitos televisivos -, o que escreveu Luís Fialho sobre os irmãos Oliveira nesse notável texto de que falámos atrás. Sobre a letra "O", que, na sua extraordinária prosa, vem a seguir ao "N" de "Norte" e antes do "Q" de "Quinhentinhos", Fialho discorre assim:

«O de OLIVEIRAS – Juntamente com o irmão António, Joaquim Oliveira foi elemento determinante na consolidação do poder portista. Ainda hoje o clube da Luz tem as suas transmissões televisivas extremamente sub-avaliadas, face à popularidade e audiências de que desfruta. Faz-me alguma confusão Joaquim Oliveira ser accionista de referência da SAD benfiquista, e ninguém se preocupar muito com isso.
Já o irmão António (o do caso Paula, dos carimbos falsificados no caso N’Dinga, e das polémicas do Coreia-Japão), ex jogador e treinador do clube portista, protagonizou em 1992 um episódio curioso e revelador. Treinava o Gil Vicente e na primeira volta, nas Antas, fez entrar um tal de Remko Boere a um minuto do fim com o resultado em branco. Esse jogador, que quase nunca havia jogado na equipa, nesse minuto apenas fez um penálti caricato e recebeu ordem de expulsão. O F.C.Porto venceu 1-0. Na segunda volta, em Barcelos, com o F.C.Porto já campeão, o Gil venceu por 2-1 e salvou-se da descida à segunda divisão. Tudo em família portanto…»

Penso que estamos todos de acordo. Não há nada no excerto com o qual discordemos, está tudo ali, certíssimo, clarividente, nítido. Por mais que pensemos em encontrar alguma ponta solta no discurso de Luís Fialho deparamo-nos outra e outra vez com o muro da impossibilidade argumentativa. Fialho escreve, bem, sobre os Oliveira e detectou-lhes as estranhas movimentações que exercem no futebol lusitano. Mais uma vez, temos de assumir: Luís Fialho consegue atingir notas altíssimas, impossíveis aos comuns mortais de algum dia sequer sonhar em chegar perto. Ajoelhemos os corpos sob a notável inspiração literária e analítica de Fialho e, como não?, aceitemos o nosso destino de meros observadores do divino.

Mas esta história não acaba aqui. É que, numa estranha e curiosa mudança de direcção, o nosso herói fez-se vilão. Não sabemos, não temos dados, desconhecemos, a razão pela qual Fialho terá ingerido cogumelos estragados. Há indícios de uma perturbante alucinação, os médicos estudam ainda o caso, os especialistas confrontam ideias - ocupam-se disso ainda hoje, e já estão nisto há demasiados dias -, mas ninguém sabe ao certo o que terá ocorrido na zona específica do cérebro. Houve, inclusivamente, uma velhota que informou o Governo de que tem ideia - não sabe ao certo, mas acha que - de ter visto Fialho apaixonar-se por um lindíssimo cogumelo vermelho às pintinhas brancas e de, num acto de luxúria porém de clara irreflexão, o ter abocanhado com a fome e gula de 3 milénios de humanidade. Como estará hoje Luís Fialho é uma incógnita que só daqui a estafados exames e anos e anos de pesquisa científica poderemos saber. No entanto, deixamos já aqui a nossa indignação sobre a forma como o assunto tem sido tratado pelos bloggers benfiquistas. Acusarem Fialho, o nosso prometido, o nosso líder espiritual, moral e até mesmo higiénico, de ter escrito esta nojeira:

«O que está em causa na animosidade dos benfiquistas para com a Olivedesportos não é pois uma questão económica (aí, trata-se, sem dúvida, de um parceiro negocial poderoso), mas antes a colagem (não sei se inteiramente justa) que fazem daquela empresa ao Sistema que vigorou no Futebol português durante décadas, e que tanto nos penalizou.
Não conheço os bastidores do Futebol ao ponto de ter uma opinião inteiramente fundamentada sobre o assunto. Mas do que me é dado a ver, não me parece que tenha sido a Olivedesportos, nem Joaquim Oliveira, a ordenar ou a instigar Olegário Benquerença (...) sempre me pareceu que o objectivo de Joaquim Oliveira no Futebol era tao somente o comum a qualquer homem de negócios: ganhar dinheiro. Como tal, vejo-o, até prova em contrário, da mesma forma que a qualquer outro interlocutor. Apresentando a melhor proposta, e ninguém me comprovando devidamente a sua ligação ao "Sistema", nada teria - enquanto sócio do Benfica - a opor ao negócio...»

a mim causa-me asco. 


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Notas de rodapontapénabola

- Não compreendo as críticas feitas por alguns macambúzios anti-benfiquistas acerca da má preparação em relação à lateral-direita. Qual o problema de, um mês depois de ter começado o estágio e 2 jogadores medíocres contratados (e dispensados), o Benfica tenha de chegar a um jogo crucial com o titular chegado de madrugada e de rastos e sem suplente de qualidade inegável? Não vejo onde está a falha. Foda-se, é que arranja-se tudo para criticar a Direcção. Já não há pachorra!

- Levantou-se aí um festival de apupos entre a multidão benfiquista por a Benfica TV ter conseguido um número significativo de jogos internacionais. Dizem os puristas que não se entende que uma televisão de um clube transmita jogos dos outros. Com todo o respeito pelo benfiquismo assinalável e o amor ao clube dos que defendem a tese, parece-me uma falsa questão. Há poucas, muito poucas, televisões de clubes no mundo que transmitam 24 horas por dia como a Benfica TV o faz. A divulgação sobre o Benfica que nos é dada é, regra geral, bastante completa, só pecando no capítulo das repetições. Ora, é neste nicho que devemos encarar as transmissões internacionais. Por um lado, aumentam a qualidade da Benfica TV, dando-nos grandes jogos e e assim evitando escusadas e deprimentes repetições; por outro lado, chama mais público (sim, mesmo os anti e os não-benfiquistas) e, MUITO IMPORTANTE, retira à SporTv o monopólio quase exclusivo que detinha. Uma excelente decisão da Direcção, esta, que espero ter a continuação óbvia com a venda dos direitos televisivos a outra que não a estação de Oliveira.

- Capdevila não jogará os dois jogos com o Trabzonspor porque não foi inscrito a tempo. Isto é incompetência ou é incompetência? Estou na dúvida.

- O Luisão para mim pode ir para o caralho. Sim, é fundamental para sermos campeões; sim, se ele sair, e sabendo nós a demora que esta gente tem para contratar alguém de valor (veja-se a questão lateral-direito, lateral-esquerdo e central), vai ser um pânico descomunal; sim, se ele sair, podemos começar a pensar em lutar pelo terceiro lugar. Então façam só isto: façam tudo para que ele fique mas retirem-lhe aquela coisa que ele mete nos braços. Dêem-na ao Aimar, se fazem favor.

- Hoje é dia de goleada na Luz. As pessoas já estavam com saudades de goleadas na Luz e esta será a primeira da época. Meia-casa para uma goleada na Luz, na Champions, depois de dois meses sem bola? Vergonha! De qualquer forma, aqui fica a minha equipa para os 5-1 de mais logo:

Artur
Amorim, Luisão, Garay, Emerson
Javi
Witsel, Aimar (c), Gaitán
Saviola, Cardozo