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domingo, 13 de julho de 2014

Brasil 2014 - Uma canarinha sem cérebro (só rezas e amuletos)


Entre as meias-finais e o jogo do 3º lugar (um jogo que devia simplesmente desaparecer), o Brasil levou 10-1. O futebol tal como a vida não depende de fé e crenças religiosas, mas de inteligência, lógica e trabalho.

domingo, 29 de junho de 2014

Brasil 2014 - O dia América do Sul

1) Ao contrário do que era expectável, nos penalties venceu o Brasil. Geralmente nestes momentos a equipa que não é favorita e que consegue chegar até à última das barreiras do jogo, parte para a mesma com uma bagagem mental muito superior à outra. Em Turim, ainda antes de os jogadores partirem para as grandes penalidades do lado dos adeptos do Sevilha, senti muito isso. Não queria deixar que a ideia me consumisse por inteiro, depois de 120 minutos em pé, ali na fila 3, a cheirar o relvado e a apoiar o Benfica.

Lembrava-me do meu Pai e do mesmo que passara em Estugarda e queria muito vingar-lhe o momento do grande capitão Veloso. Deus, se existisse, devia ter deixado o Benfica ganhar o jogo de Turim e ontem o Chile ter ganhado a sua epopeia. Este Brasil é deprimente. Só não cairá contra a Colômbia por muita sorte.



2) A Colômbia só cairá contra o Brasil por muito azar. Uma excelente equipa na qual brilha muito alto um jogador encontrado pelo Benfica e desviado... pelo Benfica. Melhor: por um portista que trabalha dentro do Benfica. Enfim, belo futebol colombiano a lembrar Valderrama y sus muchachos. Naquele Mundial de 90 via os jogos agarrados a uma bola da competição que o meu Pai tinha trazido de Viena, trocada com um italiano por um cachecol do Benfica (com a bola vinha também o cachecol rossoneri «Curva Sud San Siro»). 24 anos depois, não dá para acreditar que já passaram 24 anos.

A minha aposta antes do Mundial era a França. Continuo na mesma, mas atenção a estes meninos (James é de outro mundo).

terça-feira, 17 de junho de 2014

BRASIL 2014 - Brasil-México

Alfonso Cuarón sabe que a plateia será maioritariamente a favor do gaúcho Jorge Furtado num Estádio que parecerá um campo de girassóis levemente interrompidos por manchas verdes de árvores e vermelhas de papoilas. No relvado, actores de todas as cores procurarão seguir o argumento original, embora se saiba que a criatividade tem a tendência natural para se adaptar às circunstâncias e logo galopar o real criando o magistral. Também aqui, no mirífico, os brasileiros levam vantagem, embora se espere sempre do artista mexicano algo de novo e surpreendente. Bebem-se caiprinhas e caipiroskas, charandas, tequilhas, rompopes, Brahmas e Skol; Mezcal, cajuínas, ponches, guaranás, bacanoras, tererés. O calor aperta, os corpos suam e largam pelos poros a filtragem natural do que se bebe. Cantam-se hinos, lançam-se foguetes para o ar, há festa no estádio. A latinidade indígena toda presente para mostrar ao mundo que até a morte merece ser vivida. «O homem que copiava» é, assim, favorito ao galardão final, mas não podemos afirmar que «Y tu Mamá también» não tenha qualidade bastante para deixar os milhares de cinéfilos em silêncio.




quinta-feira, 12 de junho de 2014

E já rola a bola em terras brasileiras

Começou a festa do Mundial e o Brasil arrancou logo com uma vitória por 3-1 frente ao seu povo.

Há o resultado por 3-1. Há o auto-golo do Marcelo. Há o bis do Neymar. Há o penalty mal assinalado pelo árbitro japonês.

Tudo correu bem ao Brasil. O favorito e anfitrião já está lançado.
A jogar assim acredito que este Brasil pode conseguir os seus 6 ou 7pts suficientes para a qualificação. Contudo, contra selecções de maior calibre o tem de jogar muito mais.

Aquele sistema de duplo pivot, com Hulk e Fred no ataque, Óscar na linha e Neymar a vir ao meio buscar jogo e começar as jogadas, gera uma grande apatia no jogo do Brasil. Esta selecção tem imenso potencial mas assim parece totalmente dependente do sucesso das arrancadas do Neymar.

Custa ver o Óscar colado à ala e a ter de recorrer tão frequentemente a cruzamentos a partir da linha lateral.
O Neymar vem receber a bola e nesse momento não tem linhas de passe à sua frente. O Fred está colado os centrais, o Hulk está colado à linha e o cérebro da equipa está limitado na lateral. Sobram passes para o lado e para trás.

Em todo o sistema algo não está a funcionar. O meio-campo não compensa a constante ausência defensiva dos laterais e os centrais recorrentemente estão em situações de perigo. Nem sempre 2 trincos conferem melhor capacidade defensiva e mais estabilidade a uma equipa e acredito que é isso que está a acontecer no Brasil.

Gostava de ver este Brasil a jogar com o Ramires à la Benfica, Óscar no meio e o Neymar liberto no ataque.

Neste 11 de hoje vejo a locomotiva Maicon como melhor opção que o Dani Alves.

Apesar de todas as limitações e das pobres exibições nos últimos jogos, o Óscar foi para mim o Man of the Match.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Se calhar era bom ouvir o Canto de Ossanha

«Miguel Vítor, Jardel e Javi Garcia vão dando para os jogos da pré-época, mas não quando começar a sério»




"O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer

Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor..."

Vinicius de Moraes