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terça-feira, 26 de janeiro de 2016
E que tal irmos ao mercado buscar um médio?
Temos o Sanches (que é um puto que por mais qualidade que tenha, e tem, não deve ter um peso desmesurado em cima), temos o fraco Talisca (que ainda se safa a segundo avançado, no miolo é uma desgraça) e temos o Samaris (que é muito mais um médio defensivo do que um "8"). Vamos atacar os próximos meses, lutando por Campeonato e Taça da Liga e estando nos oitavos da Champions, só com esta malta? E se o puto se lesiona?
Vejam lá isso. Eu ia buscar um médio de grande qualidade, experiente, mais cerebral do que o puto, um gajo que entenda o génio do Jonas, o talento do Gaitán, a criatividade do Pizzi. Um gajo para fazer a diferença entre ganhar alguma coisa ou não ganhar nada.
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segunda-feira, 27 de abril de 2015
Rescaldo do Clássico
Independentemente de quem favoreceu o resultado, do
pragmatismo e da objectividade, este foi um péssimo 0-0.
Um 0-0 não tem sempre de ser tão sem interesse e bastava termos acompanhado o
jogo que começou uma hora antes na BTV para confirmarmos isso.
Não houve qualidade com bola no pé, não houve rasgos de magia e não houve
qualquer espectáculo naquele relvado.
O interesse do jogo foi construído e limitado a tudo o que aconteceu até chegada a hora do apito inicial, à situação pontual do campeonato e à presença de dois clubes tão rivais no relvado. O jogo jogado teve pouco interesse, foi pobre e deu o espectáculo que esperamos ver em divisões regionais, nunca num relvado com os melhores artistas em solo português.
O interesse do jogo foi construído e limitado a tudo o que aconteceu até chegada a hora do apito inicial, à situação pontual do campeonato e à presença de dois clubes tão rivais no relvado. O jogo jogado teve pouco interesse, foi pobre e deu o espectáculo que esperamos ver em divisões regionais, nunca num relvado com os melhores artistas em solo português.
Não podemos andar a criticar os derbies italianos e a adjectivá-los
negativamente para depois, perante o Clássico de ontem, virmos falar em grande
exibição táctica, pragmatismo, inteligência e tudo mais.
Não dá para vender o futebol português quando após aquele descalabro do Porto
em Munique, no jogo mais esperado do campeonato português e que contava com
milhares e milhares de a acompanhá-lo, oferecemos um futebol tão pobre.
O 0-0 foi o resultado justo e este empate foi muito positivo
para as aspirações do Benfica. Não foi decisivo mas quase.
Enquanto benfiquista este resultado só me vale pelo que aconteceu há uns meses
no Dragão. Qualquer alegria minha com este 0-0 é ainda direccionada para o 0-2.
No estádio o Jonas foi eleito o melhor em campo e na TSF foi o Samaris. Para mim
teria de ter sido o Lima por ter bisado.
Saí do estádio com uma mistura de sensações. Por um lado
aliviado e confiante pois conseguimos um resultado muito positivo para o nosso
objectivo da época, por outro lado desiludido e chateado, tanto com o futebol
que tinha acabado de assistir como com a ausente ambição de vitória que
apresentámos em nossa casa contra o Porto.
Olhando para o Porto.
Esperava o 11 do costume e uma equipa em velocidade e pressão alta. Foi quase o
oposto. As consequências de Munique podem em parte explicar as mudanças na
equipa portista mas não explicam tudo.
A titularidade do Helton foi uma boa, mas tardia, cartada do
técnico espanhol. Mais qualidade na baliza, liderança no relvado e identidade
na equipa.
As restantes mudanças interpreto-as como uma opção táctica
extremamente cautelosa, num jogo em que só a vitória interessava.
Contudo, percebo e até aplaudo o pensamento inicial do Lopetegui: O jogo tem 90 minutos e o Porto não tinha de o ganhar logo nos primeiros 20; O Benfica jogava em casa onde normalmente entra muito pressionante, ia ser empurrado por 60 mil apaixonados e estava mais descansado.
Assim o Lopetegui optou por um Porto mais cauteloso, a fechar os espaços ao Benfica, com capacidade de anular a iniciativa e empolgação benfiquista e que fosse crescendo ofensivamente com o decorrer do jogo. Na minha opinião o espanhol acabou por abusar da cautela e podia ter feito a mesma abordagem com o Quintero no lugar do R.Neves.
Contudo, percebo e até aplaudo o pensamento inicial do Lopetegui: O jogo tem 90 minutos e o Porto não tinha de o ganhar logo nos primeiros 20; O Benfica jogava em casa onde normalmente entra muito pressionante, ia ser empurrado por 60 mil apaixonados e estava mais descansado.
Assim o Lopetegui optou por um Porto mais cauteloso, a fechar os espaços ao Benfica, com capacidade de anular a iniciativa e empolgação benfiquista e que fosse crescendo ofensivamente com o decorrer do jogo. Na minha opinião o espanhol acabou por abusar da cautela e podia ter feito a mesma abordagem com o Quintero no lugar do R.Neves.
Ao longo da primeira parte o Porto foi crescendo e cada vez
mais conseguiu abafar o futebol do Benfica e aproximar-se da área do J.César.
Esta melhoria foi é insuficiente para uma equipa que tinha
de ganhar. O que se esperar quando um treinador abdica de um dos pontos fortes
da sua equipa – profundidade lateral – e joga com os 2 laterais recolhidos, 2
trincos, 3 médios interiores e um avançado abandonado no meio de 2 centrais?
Com o Quintero mantinha-se a cautela mas a equipa teria
melhor qualidade na saída com a bola e maior aproximação ao Jackson.
O início do segundo tempo fez-me temer pelo resultado pois pensei ver um
Lopetegui a ler e a mexer bem no jogo. Percebi que estava enganado quando vi
que era o Brahimi que ia dar o lugar ao Quaresma. O argelino não estava a fazer
um bom jogo mas esta substituição ia manter a pouca profundidade e criatividade
ofensiva no Porto. E até poderia melhor com o espaço que a entrada do Quaresma
iria trazer ao jogo.
O Porto mudou mas não o suficiente.
Só com a entrada do Hernâni o Porto se apresentou para vencer, contudo já foi
tarde a más horas. Quando os extremos entraram no ritmo do jogo a profundidade
e velocidade que trouxeram já foram contrariadas pelo desespero portista. Além
disso, o Lopetegui queimou uma alteração ao não trocar o Evandro pelo Quaresma
e assim não teve possibilidade de mais tarde povoar mais o ataque, ou com o
Aboubakar ou com o Hernâni.
Para quem só a vitória interessava, o Porto pouco fez. Subiu
de rendimento no final da primeira parte mas no segundo tempo não fez o
suficiente. O Lopetegui sobrevalorizou o Benfica e foi excessivamente
cauteloso.
A nível individual os melhores foram os centrais,
principalmente o Maicon. O Quaresma entrou mal, ao contrário do Hernâni. O
Brahimi não esteve bem e não teve espaço para jogar. O Jackson abandonado trabalhou
muito mas produziu pouco.
O Benfica apresentou o 11 previsível e foi muito afectado
pela indisponibilidade do Salvio. Para Jorge Jesus a opção seria entre o Ola ou
o Talisca e acho que escolheu mal. Eu teria apostado no Pizzi na linha com o
Amorim no meio.
Na abordagem da equipa ao jogo confirmaram-se as fragilidades tácticas e
individuais perante um adversário que quer e sabe ter bola, que tem a
iniciativa de jogo e não se limita a defender. Também se percebeu que a equipa
entrou mentalizada para o empate e sem chama imensa para tentar a vitória.
Há uma grande distância entre atacar à maluca e resignar-se com o empate e este
Benfica apareceu resignado com o 0-0.
O ambiente fora do relvado foi fantástico e o mosaico que
recebeu os jogadores ficará na memória. Este mosaico apelava à vitória, dizia
“Vence por nós” e não “Não percas por nós”.
Na primeira parte o Benfica foi insuficiente. Não houve Salvio nem profundidade
pois tanto o Nico como o Talisca tendem a vir para meio. Assim o jogo do
Benfica foi demasiadamente interior o que facilitou defensivamente mas
complicou ofensivamente. Para o Samaris foi positivo mas para o Pizzi, Nico,
Talisca, Lima e Jonas não, com o português sem espaço para ter bola e os
restantes mais na luta que na construção.
A segunda parte começou com um Benfica mais ofensivo e com
maior vontade. Soube também aproveitar os espaços que o Porto começava a ter de
dar. Apesar da produção quase nula este foi o momento em que jogámos melhor.
Acredito que a melhor entrada encarnada tenha quebrado a estratégia e a
confiança portista.
Depois de uma péssima primeira parte, conseguimos uma
segunda mais adequada. Mesmo assim queria um Benfica mais arrojado, mais forte
e com a cabeça na vitória pelo menos até 15/20 minutos do final. Por isso não
gostei da entrada do Fejsa para o lugar do Talisca. A saída do brasileiro foi
tardia mas pedia a entrada do Ola ou pelo menos do Amorim. Que jeito teria dado
o Guedes nesta substituição…
O melhor momento do Jorge Jesus foi nos últimos minutos. Com
o 0-0 e o Porto virado para o ataque, o técnico encarnado soube ler o jogo,
soube reconhecer a altura de não perder o empate e soube fazê-lo. Desta vez as
suas acções não contrariam as suas palavras, como aconteceu em Vila do Conde e
Paços de Ferreira.
Passou a mensagem certa para o relvado, manteve o meio-campo fechado com o Fejsa e Samaris e com a entrada do Almeida anulou o Hernâni e evitou a expulsão do Eliseu.
Passou a mensagem certa para o relvado, manteve o meio-campo fechado com o Fejsa e Samaris e com a entrada do Almeida anulou o Hernâni e evitou a expulsão do Eliseu.
“Se não podes vencer também não podes perder”. Esta é uma expressão que tem
sido muito repetida nos últimos tempos e que muitos querem aplicá-la à exibição
do Benfica.
O problema é que esta expressão é só referente ao final dos jogos, não à sua totalidade. A menos que acreditem que na Luz o Benfica não tinha como vencer o Porto com 90, 70, 50 e 30 minutos por jogar.
O problema é que esta expressão é só referente ao final dos jogos, não à sua totalidade. A menos que acreditem que na Luz o Benfica não tinha como vencer o Porto com 90, 70, 50 e 30 minutos por jogar.
Acho impensável a exibição do Benfica e notaram-se várias fragilidades na
equipa contudo é preciso fazer o elogio aos últimos 15 minutos.
Estou convencido que tal elogio também só é possível por
demérito do Lopetegui, pois se a equipa portista não tivesse tanto tempo a
assumir só lhe interessava a vitória, é provável que no final do jogo em fez de
gelo estivéssemos a colocar desespero no relvado.
Os centrais do Benfica estiveram muito bem apesar do
trabalho facilitado. O Jardel está muito mais maduro mas ainda foi a tempo de
um descuido que isolou o Jackson e que podia ter tido outro final se não fosse
o acertado bom senso do Jorge Sousa.
O Samaris esteve muito bem ao contrário do Pizzi que, expectavelmente, não entrou no jogo.
O Nico foi uma sombra de si mesmo.
O Fejsa entrou bem mas acusou falta de ritmo e arriscou um desnecessário segundo amarelo.
O Eliseu e o Talisca fizeram um péssimo jogo, também sem surpresa. A este nível o Eliseu é uma banalidade a atacar e péssimo a defender. A este nível o Talisca está fora do seu campeonato. Tem toque de bola e jogando numa zona interior de frente para a defesa e com liberdade pode ser útil, não mais que isso.
O Samaris esteve muito bem ao contrário do Pizzi que, expectavelmente, não entrou no jogo.
O Nico foi uma sombra de si mesmo.
O Fejsa entrou bem mas acusou falta de ritmo e arriscou um desnecessário segundo amarelo.
O Eliseu e o Talisca fizeram um péssimo jogo, também sem surpresa. A este nível o Eliseu é uma banalidade a atacar e péssimo a defender. A este nível o Talisca está fora do seu campeonato. Tem toque de bola e jogando numa zona interior de frente para a defesa e com liberdade pode ser útil, não mais que isso.
Agora é vencer em Barcelos e sem volta olímpica nem bailinho da Madeira no
relvado. Para mim isso é o suficiente para, eu que só sou sócio, dizer que
somos campeões.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Goleada nos Barreiros Rumo ao Bi
Vitória importantíssima, por números excessivos mas bem demonstrativa da diferença de qualidade entre as duas equipas.
Defensivamente o Marítimo esteve longe de corresponder à classe do Jonas e à energia do Salvio. Dois jogadores com demasiado talento para a defesa madeirense. Aquele buraco entre o lateral foi uma fraqueza que os nossos jogadores souberam explorar com toda a qualidade.
Ofensivamente só depois do 0-3 é que a equipa da casa conseguiu mostrar capacidade para criar perigo. Claro que a presença do Luisão no 11 não pode ser ignorada ao analisarmos a capacidade ofensiva do Marítimo.
O resultado é bem elucidativo sobre a justiça do vencedor. Independentemente de tudo o resto.
Os nossos rivais provavelmente vão andar obcecados com a não expulsão do Talisca quando o resultado estava ainda 0-1. É verdade que a expulsão era evidente e foi um grave erro do árbitro. Na minha opinião faltou coragem para se expulsar um jogador de um dos 3 grandes tão cedo no jogo. Também é verdade que passar a jogar com 10 naquela altura poderia ter alterado muito do jogo.
No Benfica de ontem foram titulares 2 jogadores que continuo a achar que estão longe de corresponder às exigências de um Benfica, da posição em que actuam e do modelo de Jorge Jesus: Eliseu e Samaris. O primeiro comete demasiadas falhas defensivas e sinceramente pouco mais espero dele. O grego não se impõe naquela posição e não domina os espaços defensivos. Não é uma figura que ocupe o meio-campo com a sua presença mas apesar disso ainda o considero um bom jogador que gostava de ver jogar a 8.
Outro jogador que está longe de me convencer é o Talisca. Alterna constantemente entre jogos inconsequentes e jogos com dois ou três bons pormenores. Tão depressa o vemos a fazer um passe a rasgar a defesa ou uma boa tabela ou um bom remate como o vemos a protagonizar vários maus passes e perdas de bola. É jovem, tem por onde evoluir mas não acredito que dê muito mais do que o que já se viu. Em Janeiro ainda não justificou a titularidade que tem auferido desde o arranque do campeonato. Nenhuma grande exibição e somente duas boas exibições. Ao minuto 44 podia ter prejudicado gravemente a equipa.
Ontem foi excelente ver o Luisão e o Salvio de volta à titularidade. Ontem, mais uma vez, foi delicioso ver a classe do Jonas. O Lima em boa ou má forma vai sempre confirmando a sua utilidade. O Ola John tem muita qualidade mas tem demorado a demonstrar capacidade para ser uma peça importante neste Benfica. Somente à esquerda mostra poder corresponder mas já teve oportunidades mais que suficientes para o fazer.
3-0 ao Vitória com uma boa exibição e 0-4 nos Barreiros com uma exibição muito personalizada. Claros sinais que a equipa está preparada para se manter na frente rumo ao Bi.
Os próximos 4 jogos irão confirmar ou desmentir estes bons sinais. Quarta disputamos em Moreira dos Cónegos a presença nas meias-finais da Taça da Liga. O empate serve para a qualificação mas só a vitória serve para alimentar o Benfica. Nos próximos 3 fins-de-semana teremos 2 deslocações complicadas e intervaladas por um jogo caseiro acessível frente ao Boavista. Paços de Ferreira será um grande teste à nossa capacidade de dependermos só de nós para sermos campeões. Alvalade será isto e muito mais. Afinal de contas é o Derby que queremos sempre vencer. Sair desta fase sem perder pontos seria uma enorme demonstração de força deste Benfica.
No meio disto tudo a péssima noticia é a lesão do Nico. Uma semana? Duas semanas? Pelo que parece só voltará a tempo do Sporting. Sem ele a equipa perde em capacidade para ganhar mas principalmente em qualidade de jogo. A última vez que o Nico teve uma destas ficou mais de um ano desaparecido. Espero vê-lo a brilhar em pleno Estádio de Alvalade.
E se me é permitida uma picardiazita… Ontem com o Eliseu confirmou-se, finalmente, a aposta na formação.
Ps: Grande jogada a do 0-4. É possível estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo? É que começo a sentir-me dividido entre o Nico e o Jonas.
Defensivamente o Marítimo esteve longe de corresponder à classe do Jonas e à energia do Salvio. Dois jogadores com demasiado talento para a defesa madeirense. Aquele buraco entre o lateral foi uma fraqueza que os nossos jogadores souberam explorar com toda a qualidade.
Ofensivamente só depois do 0-3 é que a equipa da casa conseguiu mostrar capacidade para criar perigo. Claro que a presença do Luisão no 11 não pode ser ignorada ao analisarmos a capacidade ofensiva do Marítimo.
O resultado é bem elucidativo sobre a justiça do vencedor. Independentemente de tudo o resto.
Os nossos rivais provavelmente vão andar obcecados com a não expulsão do Talisca quando o resultado estava ainda 0-1. É verdade que a expulsão era evidente e foi um grave erro do árbitro. Na minha opinião faltou coragem para se expulsar um jogador de um dos 3 grandes tão cedo no jogo. Também é verdade que passar a jogar com 10 naquela altura poderia ter alterado muito do jogo.
No Benfica de ontem foram titulares 2 jogadores que continuo a achar que estão longe de corresponder às exigências de um Benfica, da posição em que actuam e do modelo de Jorge Jesus: Eliseu e Samaris. O primeiro comete demasiadas falhas defensivas e sinceramente pouco mais espero dele. O grego não se impõe naquela posição e não domina os espaços defensivos. Não é uma figura que ocupe o meio-campo com a sua presença mas apesar disso ainda o considero um bom jogador que gostava de ver jogar a 8.
Outro jogador que está longe de me convencer é o Talisca. Alterna constantemente entre jogos inconsequentes e jogos com dois ou três bons pormenores. Tão depressa o vemos a fazer um passe a rasgar a defesa ou uma boa tabela ou um bom remate como o vemos a protagonizar vários maus passes e perdas de bola. É jovem, tem por onde evoluir mas não acredito que dê muito mais do que o que já se viu. Em Janeiro ainda não justificou a titularidade que tem auferido desde o arranque do campeonato. Nenhuma grande exibição e somente duas boas exibições. Ao minuto 44 podia ter prejudicado gravemente a equipa.
Ontem foi excelente ver o Luisão e o Salvio de volta à titularidade. Ontem, mais uma vez, foi delicioso ver a classe do Jonas. O Lima em boa ou má forma vai sempre confirmando a sua utilidade. O Ola John tem muita qualidade mas tem demorado a demonstrar capacidade para ser uma peça importante neste Benfica. Somente à esquerda mostra poder corresponder mas já teve oportunidades mais que suficientes para o fazer.
3-0 ao Vitória com uma boa exibição e 0-4 nos Barreiros com uma exibição muito personalizada. Claros sinais que a equipa está preparada para se manter na frente rumo ao Bi.
Os próximos 4 jogos irão confirmar ou desmentir estes bons sinais. Quarta disputamos em Moreira dos Cónegos a presença nas meias-finais da Taça da Liga. O empate serve para a qualificação mas só a vitória serve para alimentar o Benfica. Nos próximos 3 fins-de-semana teremos 2 deslocações complicadas e intervaladas por um jogo caseiro acessível frente ao Boavista. Paços de Ferreira será um grande teste à nossa capacidade de dependermos só de nós para sermos campeões. Alvalade será isto e muito mais. Afinal de contas é o Derby que queremos sempre vencer. Sair desta fase sem perder pontos seria uma enorme demonstração de força deste Benfica.
No meio disto tudo a péssima noticia é a lesão do Nico. Uma semana? Duas semanas? Pelo que parece só voltará a tempo do Sporting. Sem ele a equipa perde em capacidade para ganhar mas principalmente em qualidade de jogo. A última vez que o Nico teve uma destas ficou mais de um ano desaparecido. Espero vê-lo a brilhar em pleno Estádio de Alvalade.
E se me é permitida uma picardiazita… Ontem com o Eliseu confirmou-se, finalmente, a aposta na formação.
Ps: Grande jogada a do 0-4. É possível estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo? É que começo a sentir-me dividido entre o Nico e o Jonas.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Saídas de Janeiro
Falarei apenas sobre as saídas mais ou menos certas, uma delas já confirmada e a outra já aceite como tal, do actual plantel do Benfica, ou seja, as saídas de Nelson Oliveira e Enzo Perez.
Começando pela saída mais importante, ainda que não esteja confirmada, parece-me claro que o rotundo falhanço europeu do Benfica precipitou a saída de Enzo Perez. Ainda assim, não tenho por certo que, caso o Benfica continuasse nas provas da UEFA o Argentino se manteria no plantel. Seja como for, o facto (quase consumado) é que não contaremos com o médio para lá do que já se encontra disputado.
A importância de Enzo no plantel em geral, e no sistema e modelo de jogo de Jorge Jesus em particular é por demais conhecida e reconhecida, por isso não há muito a debater sobre o quanto nos fará falta sua capacidade para preencher espaços nos mais diversos momentos do jogo. Mais importante agora é perceber quem pode, ainda que de forma mitigada, colmatar o vazio que Enzo deixa na sua esteira.
Olhando para os actuais disponíveis vejo três soluções que podem ser percorridas por Jorge Jesus:
1 – A mais óbvia e já algo anunciada, Pizzi: O outrora ala Português, segundo palavras do próprio treinador, tem sido trabalhado para poder assumir a posição de Enzo, ainda que, penso eu, num papel de suplente do Argentino e não tanto numa ideia de substituto. Nas poucas aparições que fez até ao momento, Pizzi tem-se demonstrado claramente capaz de assumir as funções ofensivas que JJ pretende do jogador daquela posição, mas defensivamente parece ainda estar longe do que lhe é exigível - o melhor exemplo disso é a falta de agressividade demonstrada no golo de Pardo na semana passada.
2 - A que penso ser a preferida de JJ, Talisca: O médio Brasileiro tem perdido algum do fulgor inicial (algo que se explica muito pelo melhor conhecimento dos adversários e também por algum, e natural, desgaste físico de alguém que não teve férias), mas é e continuará a ser uma aposta muito firme e pessoal do nosso treinador. Com a entrada inevitável de Jonas para o 11 base, a manutenção de Lima no mesmo, e percebendo que Talisca cresce no jogo à medida que lhe é possível encarar o mesmo de frente, isto é, em movimentações de trás para a frente e não no inverso, revelando aqui uma grande falta de rotinas e instinto na posição de avançado, penso que JJ verá no jovem Brasileiro o melhor sucessor de Enzo, até porque é rápido, tem boa estampa física, não tem medo de assumir o jogo, possui uma excelente meia-distância e revela ainda uma forte vontade de beber tudo o que JJ lhe queira transmitir (característica muito apreciada por JJ em qualquer jogador).
3 - A menos provável, mas que eu não rejeitaria à partida, Samaris: O médio Grego tem revelado bastantes dificuldades na compreensão do que lhe é pedido por JJ na posição 6 (ou 4, usando a numeração de JJ que deriva da escola holandesa). Samaris, tal como Pizzi, tem revelado tremendas dificuldades de agressividade e posicionamento defensivo, muito por não estar habituado a um papel tão exigente ao nível posicional. É verdade que no Olimpakos já actuava como médio defensivo (como referiu JJ), mas também não é menos verdade que no clube Grego o fazia num sistema que contemplava uma dupla de médios defensivos (ou duplo pivô como agora se diz), tornando assim a função muito menos exigente do ponto de vista individual. É verdade também que Samaris, quando num sistema de dois médios recuados, era normalmente o escolhido para ser o designado box-to-box, ou seja, o elemento com maior liberdade criativa e posicional dessa dupla. Ou seja, talvez lhe assente melhor, e lhe seja de melhor compreensão, o papel de médio centro até aqui desempenhado por Enzo. O problema é a falta de quem assuma aquele que é o seu papel neste momento, sendo que, com os regressos de Amorim e Fejsa, esse problema se possa resolver e permita pensar em Samaris para uma função mais avançada de uma forma mais consistente.
Independentemente da solução que seja adoptada, não me parece que alguma tenha o sucesso de Enzo. Pode argumentar-se que se escreveu e disse o mesmo sobre a saída de Matic em Janeiro passado, é verdade. Mas não menos verdade é que eu mesmo, por essa altura, aqui escrevi que, sem embargo de ser uma perda importante, a verdadeira saída trágica naquele momento seria a de Garay e/ou de Enzo, pois para a posição 6 JJ gosta mais de alguém com o perfil de Javi ou Fejsa (mais posicionais e fortes no momento defensivo e nas bolas aereas) que propriamente Matic, ainda que este seja muito mais jogador que os outros. É tudo uma questão de encaixe nas dinâmicas e ideias colectivas do treinador. Com Enzo e a posição 8 (ou tão só médio-centro) a música é outra, pois o Argentino é/era a personificação mais que perfeita do que JJ pretende daquela posição.
Já confirmada está também a saída, por empréstimo, de Nélson Oliveira. A saída em si, e mesmo o empréstimo em geral, é algo que compreendo e até concordo, pois já se viu de forma clara e inequívoca que o jovem avançado não conta para JJ. O que não entendo é o destino da sua saída. O Swansea conta no seu plantel com avançados de créditos firmadissimos, falo de Gomis e Bony (este último chegou a ser muito cobiçado por JJ para reforçar o Benfica), logo, não vejo que o Nelson Oliveira possa ter minutos de jogo assinaláveis de forma tranquila. É certo que Bony estará ausente do clube enquanto disputar a CAN, mas essa ausência é muito restrita no tempo.
Mais uma vez acho que o Benfica escolhe mal os clubes onde coloca os seus jogadores que, segundo o presidente, quer ver evoluir ao ponto de se afirmarem no clube. Lá para Maio, caso as coisas corram de forma normal, será fácil dizer que Nelson Oliveira falhou mais um empréstimo, esquecendo-se toda a gente que o clube escolhido estava longe de ser o melhor.
Já o disse por mais de uma vez, se queremos emprestar um jogador para que ele possa evoluir favoravelmente e tenha minutos de jogo, esse empréstimo deve ser guiado tendo em conta os planteis dos clubes interessados e os treinadores que os dirigem, caso contrário, em vez de ajudarmos o jogador a evoluir, estaremos apenas a cavar-lhe a sepultura. Este empréstimo é muito semelhante ao que o Benfica fez ao Deportivo, ou seja, um clube média/pequena dimensão de uma liga superior à Portuguesa, mas com o lugar de avançado claramente preenchido.
O exemplo do sucedido com Bruno Gaspar, na presente temporada, deveria ser muito mais vezes seguido, mas infelizmente este é apenas a excepção e não a regra.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Considerações sobre o futebol do Benfica
Olhando para o jogo com o Mónaco na passada Terça-Feira, analisando o que ia acontecendo tanto em termos colectivos como individuais, teci várias considerações. Algumas já ditas perante jogos anteriores e outras confirmadas durante este último jogo europeu.
Os próximos cinco pontos que vou apresentar aparecem como uma consolidação da análise que ontem fiz do jogo.
- Ficou claro que o Benfica precisa ter no banco uma solução para as alas na qual o treinador acredite e aposte. Com o Pizzi a ser trabalhado para ser 8 e com o Ola John lesionado e mais vocacionado para a esquerda, sobram o Sulejmani, Tiago e Guedes. Para mim seria um all-in no miúdo. Não sendo esta a escolha então que se comece a dar competição ao Sulejmani.
- Com avançados de trabalho mas sem golo no pé, quem tem aparecido é o goleador Talisca. O brasileiro está com o pé quentíssimo. Quando se espera que um ponta de lança finalize e um segundo avançado, ou 9,5, construa, o que temos visto no centro do ataque benfiquista é uma inversão desses papéis.
Antes de falar do Talisca deixo já esclarecido que não dava nada por ele até há um mês e agora já lhe reconheço mais qualidades apesar de estar longe de me convencer. Ainda não vejo no brasileiro um jogador com qualidade e potencial para ser titular num Benfica de grandes voos.
Pé esquerdo com talento, confiança com a bola, bom arranque e uma boa capacidade de, sem bola, ler os processos ofensivos da equipa. Além disso tem também grande humildade no seu jogo.
O rapaz marca imenso mas ainda não fez um jogo que me permita dizer “ganda joga do Taliscão”. Aparece a espaços, isso quando aparece. É um jogador de momentos e que necessita de espaço para jogar.
No processo defensivo da equipa desaparece, não mostra capacidade para participar nos equilíbrios do meio-campo e durante 90 minutos facilmente se deixa ofuscar pela qualidade dos nossos alas.
Estes desaparecimentos também são muita culpa do Jorge Jesus. O Talisca é um 10 que veio para jogar a 8 e que acabou por ser adaptado ao 9,5 do JJ. Andando a rodar entre duas posições que não são a sua, é normal que o jogador se sinta perdido em campo e que só quando reunidas determinadas condições consiga dizer presente.
Este jovem brasileiro precisa de espaço para desenvolver as jogadas, rende jogando de frente para a baliza e liberto de responsabilidades defensivas. Tem também uma grande capacidade de finalização.
A 8 fica demasiadamente longe da sua zona e com pouco espaço. A 9,5 fica condicionado na sua progressão e é obrigado a jogar mais de costas para a baliza.
Veio rotulado de especialista em bolas paradas, contudo tem sido uma desilusão nessa vertente. É a sua veia goleadora, desconhecida dos seus descobridores, que tem feito a diferença.
Deixo uma pergunta. Será que com um jogador que apresente um maior rendimento colectivo, a equipa não ganhará mais do que com os golos do Talisca?
- A questão quente esta época tem sido na posição 6, com o Samaris longe de mostrar ser a solução.
O problema é que no plantel só temos um jogador com características para esse lugar, o sérvio Fejsa que só volta aos treinos em Janeiro depois de 7 meses parado. Sem o sérvio sobra o André Almeida, um jovem regular, um jogador útil e que neste Benfica é o bombeiro de serviço.
A equipa-tipo de Jorge Jesus necessita de um 6 como o Javi ou o próprio Fejsa. Um 8 naquela posição desequilibra a equipa e condiciona o Enzo. O Matic brilhou ali mas não podemos comparar enormes com bons médios. Mesmo com o Matic a equipa jogava em desequilíbrio mas tinha muito mais talento.
Quem não se lembra da péssima primeira metade de época do Enzo em 2013-14?
- Sobra falar sobre o maior dilema dos 6 anos de Jorge Jesus. De César Peixoto a André Almeida, a lateral esquerda tem sido quase um constante problema.
Numa época para a qual não quisemos negociar com o Siqueira, para a qual não vimos talento na formação e para a qual contratámos 3 laterais esquerdinos, a melhor solução para a posição 3 é sem dúvidas o destro centro-campista André Almeida.
- Por fim a abordagem ao mercado. Desastrosa na minha opinião.
Vendas foram muitas. Saíram vários jogadores cruciais. A formação não foi, mais uma vez, um “mercado” a ter em conta. A planificação dos reforços foi simplesmente pobre.
Chegaram bons jogadores mas também vários jogadores sem lugar neste nível.
Júlio César, Samaris, Cristante, Talisca, Jonas e Derley trazem qualidade à equipa mas são também o espelho da má planificação. Uns chegaram para a posição errada, outros tarde demais, outros por valores inaceitáveis e outros como solução somente para o imediato.
Bebé, Benito, César, Eliseu, Candeias, L.Felipe e Djavan falam por si.
Neste momento ainda temos uma parte do plantel em pré-época, temos o nosso ponto forte (alas ofensivas) a caminho da exaustão e continuamos sem uma solução clara para a vaga no centro da defesa, na lateral esquerda e na posição 6.
Os próximos cinco pontos que vou apresentar aparecem como uma consolidação da análise que ontem fiz do jogo.
- Ficou claro que o Benfica precisa ter no banco uma solução para as alas na qual o treinador acredite e aposte. Com o Pizzi a ser trabalhado para ser 8 e com o Ola John lesionado e mais vocacionado para a esquerda, sobram o Sulejmani, Tiago e Guedes. Para mim seria um all-in no miúdo. Não sendo esta a escolha então que se comece a dar competição ao Sulejmani.
- Com avançados de trabalho mas sem golo no pé, quem tem aparecido é o goleador Talisca. O brasileiro está com o pé quentíssimo. Quando se espera que um ponta de lança finalize e um segundo avançado, ou 9,5, construa, o que temos visto no centro do ataque benfiquista é uma inversão desses papéis.
Antes de falar do Talisca deixo já esclarecido que não dava nada por ele até há um mês e agora já lhe reconheço mais qualidades apesar de estar longe de me convencer. Ainda não vejo no brasileiro um jogador com qualidade e potencial para ser titular num Benfica de grandes voos.
Pé esquerdo com talento, confiança com a bola, bom arranque e uma boa capacidade de, sem bola, ler os processos ofensivos da equipa. Além disso tem também grande humildade no seu jogo.
O rapaz marca imenso mas ainda não fez um jogo que me permita dizer “ganda joga do Taliscão”. Aparece a espaços, isso quando aparece. É um jogador de momentos e que necessita de espaço para jogar.
No processo defensivo da equipa desaparece, não mostra capacidade para participar nos equilíbrios do meio-campo e durante 90 minutos facilmente se deixa ofuscar pela qualidade dos nossos alas.
Estes desaparecimentos também são muita culpa do Jorge Jesus. O Talisca é um 10 que veio para jogar a 8 e que acabou por ser adaptado ao 9,5 do JJ. Andando a rodar entre duas posições que não são a sua, é normal que o jogador se sinta perdido em campo e que só quando reunidas determinadas condições consiga dizer presente.
Este jovem brasileiro precisa de espaço para desenvolver as jogadas, rende jogando de frente para a baliza e liberto de responsabilidades defensivas. Tem também uma grande capacidade de finalização.
A 8 fica demasiadamente longe da sua zona e com pouco espaço. A 9,5 fica condicionado na sua progressão e é obrigado a jogar mais de costas para a baliza.
Veio rotulado de especialista em bolas paradas, contudo tem sido uma desilusão nessa vertente. É a sua veia goleadora, desconhecida dos seus descobridores, que tem feito a diferença.
Deixo uma pergunta. Será que com um jogador que apresente um maior rendimento colectivo, a equipa não ganhará mais do que com os golos do Talisca?
- A questão quente esta época tem sido na posição 6, com o Samaris longe de mostrar ser a solução.
O problema é que no plantel só temos um jogador com características para esse lugar, o sérvio Fejsa que só volta aos treinos em Janeiro depois de 7 meses parado. Sem o sérvio sobra o André Almeida, um jovem regular, um jogador útil e que neste Benfica é o bombeiro de serviço.
A equipa-tipo de Jorge Jesus necessita de um 6 como o Javi ou o próprio Fejsa. Um 8 naquela posição desequilibra a equipa e condiciona o Enzo. O Matic brilhou ali mas não podemos comparar enormes com bons médios. Mesmo com o Matic a equipa jogava em desequilíbrio mas tinha muito mais talento.
Quem não se lembra da péssima primeira metade de época do Enzo em 2013-14?
- Sobra falar sobre o maior dilema dos 6 anos de Jorge Jesus. De César Peixoto a André Almeida, a lateral esquerda tem sido quase um constante problema.
Numa época para a qual não quisemos negociar com o Siqueira, para a qual não vimos talento na formação e para a qual contratámos 3 laterais esquerdinos, a melhor solução para a posição 3 é sem dúvidas o destro centro-campista André Almeida.
- Por fim a abordagem ao mercado. Desastrosa na minha opinião.
Vendas foram muitas. Saíram vários jogadores cruciais. A formação não foi, mais uma vez, um “mercado” a ter em conta. A planificação dos reforços foi simplesmente pobre.
Chegaram bons jogadores mas também vários jogadores sem lugar neste nível.
Júlio César, Samaris, Cristante, Talisca, Jonas e Derley trazem qualidade à equipa mas são também o espelho da má planificação. Uns chegaram para a posição errada, outros tarde demais, outros por valores inaceitáveis e outros como solução somente para o imediato.
Bebé, Benito, César, Eliseu, Candeias, L.Felipe e Djavan falam por si.
Neste momento ainda temos uma parte do plantel em pré-época, temos o nosso ponto forte (alas ofensivas) a caminho da exaustão e continuamos sem uma solução clara para a vaga no centro da defesa, na lateral esquerda e na posição 6.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Ausência de ambição ou desconhecimento?
Depois de ouvir um vice-presidente do Benfica a menorizar um
possível afastamento da Champions usando argumentos como “O City e o Ajax na
época passada também não se apuraram” e “o futebol não é um caso de vida ou de
morte”, agora deparo-me com esta falta de ambição e noção de alguns dos
intervenientes do jogo:
JJ: “O único jogo negativo foi a derrota em casa com Zenit.”
JJ: “O único jogo negativo foi a derrota em casa com Zenit.”
Talisca: “Um resultado positivo para a nossa equipa, que
ainda não tinha qualquer ponto.”
Isto deverá ser somente desconhecimento do que é o Benfica. Os
coitados pensam, com motivos para isso, que trabalham no “benfiquinha”.
Depois de dois bons jogos para estes desconhecedores, espero que venha em Braga um bom jogo para o Benfica.
Depois de dois bons jogos para estes desconhecedores, espero que venha em Braga um bom jogo para o Benfica.
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terça-feira, 29 de julho de 2014
Análise aos "reforços" (I)
A praticamente dez dias de disputar a sua primeira competição oficial (e logo uma final), o Benfica apresenta no seu plantel principal cerca de trinta e seis jogadores. Entre saídas por empréstimo, vendas, dispensas e contratações, muita água vai correr debaixo da ponte da Luz até 31 de Agosto, como costuma ser hábito. No entanto, já se conseguem tirar apontamentos de alguns jogadores. Eis as primeiras impressões de algumas caras novas que se apresentaram para trabalhar com o plantel principal:
Djavan - Djavan, Djaveio, Djafoi, Djaandou. Nunca contou para Jorge Jesus, como aqui anunciámos ainda antes do seu primeiro treino. Um jogador trazido por Jorge Gomes, é bom relembrar. Que seja feliz em Braga e que o vínculo contratual de quatro anos celebrado com o Benfica passe depressa.
Luís Filipe - Apresentou-se num estado lastimável para um futebolista. Como se não bastasse, não exibiu um resquício sequer de qualidade nos jogos que disputou. Com Maxi, Cancelo, Almeida e, quem sabe, Sílvio, não há motivos para ficar no plantel. Que seja emprestado a um clube português, em vez de ser recambiado para a América do Sul, a ver se aprende alguma coisa.
Loris Benito - Ao contrário do que o Ricardo acha, Benito parece-me um bom jogador. Não é um lateral explosivo mas incorpora-se bem no ataque. Defensivamente para ser tão forte quanto Siqueira, pecando talvez na excessiva procura em "fechar o meio" quando a bola está no sector oposto ao seu. É muito jovem e tem escola. Tenho poucas dúvidas de que vai conseguir impor-se a curto/médio prazo.
Talisca - Positivamente surpreendido. Para quem jogava perto do ponta-de-lança no Brasil, Talisca adaptou-se fácil e rapidamente às exigências e ao conceito que Jorge Jesus quer. Excelente trabalho desenvolvido entre ambos. Um jogador bastante interessante para ser trabalhado com tempo. Independentemente da saída de Enzo Pérez, parece-me que Talisca vai assegurar com alguma facilidade um lugar no meio-campo do Benfica.
Franco Jara - Muita raça, muito lutador, muito trabalhador… mas contas feitas dá quase nada. Jara entra para o quinto ano de contrato com o Benfica (apesar de só ter cumprido uma temporada) com os mesmos vícios do primeiro dia e sem ter evoluído nada. A expulsão com o Marselha e o penalty falhado com o Ajax devem ter sido suficientes para assinar a sua dispensa.
Derley - Exibiu algumas qualidades técnicas que não são habituais num jogador com o seu perfil. Confesso que vi pouco deste avançado no ano passado, ao serviço do Marítimo, mas gostei do que vi nestes jogos particulares. Parece-me curto para titular, mas apresenta uma explosividade e presença física interessantes. Esperemos que não seja apenas um Hassan ou um Marcel que se farta de marcar golos em clubes do meio da tabela mas que quando dão o passo em frente desaparecem.
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segunda-feira, 21 de julho de 2014
As minhas primeiras impressões
Após dois jogos, um golo marcado e outro sofrido, uma vitória e uma derrota, o mundo B(enfiquista) começa a entrar em ebulição.
Constatando a enorme diferença de valores entre o actual plantel e o passado, a preocupação adensa-se e já nem o treinador esconde o seu desconforto.
Não sou, nem hei-de ser, fã de Jorge Jesus, mas se há coisa que lhe reconheço é a parca propensão para o queixume. O treinador do B(enfica) nunca demonstrou publicamente tamanho desagrado com a construção dos sucessivos planteis que teve ao dispor. Pelo contrário, sempre procurou encarar as saídas com naturalidade e sempre se apressou a chamar pelos "Maneis" desta vida. Se desta vez não se inibe de expressar esse desagrado, é porque a coisa vai mal... Pior do que eu próprio imaginava.
Neste momento Jorge Jesus vê-se na possibilidade de ter um plantel ao nível dos que foram colocados à disposição de Fernando Santos ou Trapattoni. Se o plantel definitivo for realmente este, ou próximo, teremos aqui uma boa base de comparação entre treinadores.
Há matéria para trabalhar nos novos reforços, como nos casos de Talisca, César ou até mesmo Benito. Acredito que JJ consiga fazer daqui jogadores, no mínimo, razoáveis. O problema é que nenhum deles parece preparado para assumir a titularidade de uma equipa que se quer capaz de defender o titulo conquistado.
A situação mais grave, mais uma vez, está na lateral esquerda. Se nos restantes casos (a manterem-se os actuais principais jogadores) haverá tempo para que o treinador os trabalhe e os prepare para as exigências do clube, no caso de Benito a única alternativa que existe é Djavan, outro jogador que necessita de trabalho táctico e que, por isso, seria de todo conveniente ter um lateral capaz de assumir a titularidade desde já e com qualidade.
Mas nem tudo são más notícias, há que destacar a qualidade apresentada por João Teixeira (ainda que tenha que nascer mais 9 vezes), mostrando ser um valor interessante para fazer parte do plantel e ir aparecendo, ainda que não seja adequado que assuma a titularidade absoluta nesta fase.
Ainda nos jovens há a destacar Bernardo Silva, mas não pelos melhores motivos. A qualidade do jovem B(enfiquista) é inegável para quem lhe conhece o trajecto no clube, mas tem parecido demasiado ansioso nos parcos minutos que lhe foram dados nestes dois jogos. Talvez esteja a sentir a pressão de ter que mostrar serviço para assim segurar um lugar no plantel e isto pode indiciar alguma relutância em apostar no jogador por parte do treinador. Mas aguardemos para ver.
João Cancelo continua a demonstrar qualidade técnica inversamente proporcional à capacidade mental e de entendimento de fundamentos básicos do jogo, características já evidenciadas na equipa secundária. Ou seja, neste momento está longe do nível exigível para o plantel e, por isso, considero que lhe fosse favorável um empréstimo a uma equipa de primeira liga onde possa jogar e melhorar os aspectos tácticos que, claramente, não domina. É no fundo, o nosso Luís Felipe, mas magro e com maior capacidade técnica.
P.S 1 - Agora sem qualquer sarcasmo, a ideia de mudar o nome da BenficaTv para BTV é pouco mais que ridícula. Entendo que haja a intenção de aproximar o canal dos adeptos não afectos ao clube, até pela necessidade de rentabilizar os conteúdos pelas assinaturas, mas como pode o canal descolar-se do Benfica quando 99% dos seus conteúdos são, e bem, relacionados com o Benfica? Quando, naturalmente, os comentadores e analistas são Benfiquistas e, também naturalmente, algo (ou muito) tendenciosos?
P.S. 2 - Calado, já agora, porque não faz jus ao nome?
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sábado, 19 de julho de 2014
Benfica-Estoril: primeiro raio-X
O primeiro jogo da pré-época nunca pode servir de motivo de depressão ou de euforia. Os jogadores têm apenas 15 dias de preparação, procuram ainda a melhor forma de interpretar a ideia de jogo que o treinador tem e entender os restantes colegas e seu tipo de jogo. É, portanto, apenas e só um gerador de primeiras impressões que necessitarão de mais base que as sustente. Sendo assim, vamos ao primeiro raio-X de 2014/2015:
1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas.
Alguns dos pressupostos que orientam a filosofia de Jorge Jesus estiveram bem nítidos neste primeiro jogo. Ainda faltam alguns, os que mais dificilmente são explicáveis a jogadores que chegaram há 3 semanas e começaram a treinar há 2. No entanto, é positivo que tanto trabalho esteja a ser compreendido pelos atletas. É uma das grandes mais-valias do nosso técnico: em termos de treino, é dos melhores do mundo.
2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.
3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo.
João Teixeira, juntamente com Rúben Pinto, Bernardo Silva ou outros jovens da formação, não deve nada a putos que chegam vindos do estrangeiro. A única razão para não serem aposta prende-se com uma estratégia errada de modelo de gestão. No Benfica, pensa-se sempre em fazer lucro, mesmo que no saldo entre compras e vendas na era Vieira o prejuízo seja assinalável. Olhem para os putos, dêem-lhes reais oportunidades, que vão ver brotar daquele Seixal muito titular e muito "activo" que poderá ser vendido no futuro, além do contributo desportivo. Agora, é mesmo se apostarem neles e não se lhes derem um ou outro jogo de pré-época para logo serem encostados quando chegarem mais uns estrangeiros tipo... Luís Felipe.
4) Benito e César - ficam para outras núpcias. Tanto mostraram qualidades como defeitos. Prefiro ver o jogo de amanhã para não ter dúvidas sobre se são de facto reforços ou se estaremos perante jogadores medíocres.
5) Ola John. Um talento puro. É um dos meus jogadores preferidos e no qual tenho muita confiança. Espero poder ver este ano o Ola John de sempre com um acrescento em termos motivacionais e de espírito combativo. A qualidade que este miúdo tem merece ter consequência no relvado. E nós merecemos ter um Ola John a brilhar de águia ao peito. Cabe a Jesus burilar este diamante.
6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.
7) Candeias. Imaginando que Gaitán fica (o que não é, de todo, expectável), para as alas teremos o argentino, Salvio, Ola John, Pizzi e Candeias. Não será injusto dizer que o último será a última opção. Tendo em conta que Maxi pode não ficar ou mesmo ficando tem, como teve sempre, problemas posicionais, que Cancelo não é opção para Jesus e que Luís Felipe é, enfim, mais um feliz contemplado na Wall of Cepos, diria que Candeias poderia dar um bom lateral. Fica a ideia para o nosso mister reflectir.
8) Jara - 5,5 milhões de euros - não é nenhum cepo, mas também não justifica ficar no plantel tendo em conta que temos Lima, Cardozo e Derley (e Nelson?). Vendia o gajo. 2 milhões seria um negócio implacável.
9) Aparecer de 5 em 5 minutos a cara do Presidente é uma coisa asquerosa. Esta lobotomia aos benfiquistas - que tem resultado - é demasiado degradante. Numa campanha de angariação de sócios, a escolha para ter como figura da mesma a cara do Presidente diz tudo de quem temos a desgovernar o nosso clube.
10) Calado se estivesse calado era um bom poeta calado. A Benfica TV tem um principal requisito: ser lambe-botas do Presidente, do treinador e de tudo o que se faz no clube. Mas também não exagerem. Nada justifica tanto melão.
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