Mostrar mensagens com a etiqueta Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Unidos pelo Benfica


Há por aí uma grande confusão (quando não é pior) em relação ao que deve um sócio do Benfica fazer para proteger o clube. Sem grande aviso, nasceu essa curiosa teoria de que "independentemente do que Vieira tiver feito, agora temos é de estar unidos contra os outros!". Assim mesmo, à Porto do Apito Dourado.

Segundo estes doutos sábios, os sócios do Benfica devem retirar cuidadosamente os cérebros de dentro do crânio, colocá-los numa gaveta, fechá-la à chave e depois ir grunhir pela vida, todos muito "unidos". Um pensamento brilhante que infelizmente não existiu aquando da saga Vale e Azevedo. Deveriam os sócios do Benfica ter ficado "muito unidos contra a perseguição ao Presidente" em vez de o terem escorraçado? Fica a pergunta. Pode ser que algum descerebrado vieirista se arrisque a responder. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Uma honra ser deste nosso Benfica



Quero dizer-vos que, se o Benfica fosse este blogue, o Glorioso estaria defendido de gatunos. Uma lição, aquela que a maioria dos benfiquistas aqui veio dar a todos os portistas que desvalorizaram o Apito Dourado, a todos os sportinguistas que fingiram não saber dos actos de Paulo Pereira Cristóvão e sobretudo uma lição a todos os benfiquistas que só vêem orelhas à frente. Lição de integridade e decência.

Por muito menos - mas muito menos! - do que ouvimos no Apito Dourado ou soubemos de um Vice-Presidente do Sporting, a maioria gloriosa deste blogue mostra-se indignada com o que tem saído. É uma honra ter-vos como leitores. É um prazer defender este nosso Benfica.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Sport Amor e Benfica

Não é nem pode nunca ser criticável que os benfiquistas que não sabem o que se passa no Benfica amem desmesuradamente o Presidente Vieira. A Internet não chega a toda a gente, o facebook pode de vez em quando parecer o mundo todo mas é só uma pequena ilha do planeta real. A maior parte dos seres humanos do Benfica só conhece o jornal A BOLA, as conversas de café, as notícias do Correio da Manhã. Por isso é normal que, ganhando o Benfica, amem o Presidente Vieira como, mesmo não ganhando o Benfica, amaram o Presidente Vale e Azevedo. Se no poleiro presidencial estivesse um grande cagalhão amariam o grande cagalhão porque seria um grande cagalhão do Benfica. Um grande cagalhão glorioso que exalaria um glorioso cheiro a merda. Um cheiro glorioso a Benfica.

Estas pessoas merecem-nos toda a consideração porque têm mais que fazer ou não têm nada para fazer mas para elas a equação é simples: é do Benfica, é bom; não é do Benfica é mau. A matemática que parece demasiado singela acaba por fazer sentido se entendermos que nem tudo é Tolstoi. Aliás, esse russo, se vier armado em intelectual, leva logo com três cachecóis gloriosos que é para não se armar em herói. O Tolstoi deve ser um lagarto que trabalha num jornal qualquer para dizer mal do Benfica.

O que já faz confusão é assistir à podridão humana de quem consegue ligar sinapses gloriosas, saber que Vieira é ilegítimo Presidente (o único da História do Benfica!), saber que maltrata opositores até os convidar para a Direcção. Gente que dá exemplar educação aos seus filhos e finge que o Benfica não merece o mesmo tipo de amor. Gente que, afinal, só quer ganhar títulos, gente que criticava os portistas por não se importarem de vencer de forma corrupta. Esta gente, engravatados, semi-engravatados, funcionários públicos, médicos, jornalistas, advogados, juristas, sem-abrigo, gente com dinheiro, gente sem dinheiro, anda a falhar ao Glorioso Sport Lisboa e Benfica.

Esta gente que anda por aí a moralizar o mundo, falando em sobretaxas, pensões, esquerdas, direitas, a vergonha que o Trump é, a indecência da Hillary, o saco azul da Felgueiras,  o bolo-rei do Cavaco, o sorriso nefasto do Isaltino Morais. Esta gente vai votar em Vieira ou, não votando em Vieira, anda pelo facebook e pelo twitter e pelos cafés do bairro a defender que "eh pá, até pode ser, mas o gajo ganha!".

Esta  merda desta gente faz mal ao Benfica. Esta merda desta gente faz mal ao mundo. Esta merda desta gente é pior do que aquela gente que aceita ter um cagalhão glorioso a Presidente desde que seja um cagalhão glorioso que é elogiado na CMTV. No coração têm uma poia que bombeia merda para o resto do corpo. Os filhos desta merda de gente vão crescer a aprender que não importa se as pessoas são aldrabonas, corruptas, indecentes, mal-educadas, ignorantes, maldosas. Vão aprender que o importante é ganhar ou, no caso do Vieira, nem sequer ganhar grande coisa. Vão aprender que os pais só querem é poleiro e ganhar dinheiro  e apoiar o medíocre mealheiro.

Esta merda de gente é verdadeiramente a responsável por ser impossível mudar o mundo para melhor. Com diplomacias de vão de escada, com "ah, mas as pessoas aprendem, pá", com hipocrisias, com cobardias, sem colhões para assumirem uma posição no mundo. Esta merda de gente é a vergonha dos seus pais, dos seus avôs, do país, dos mares.  É a merda de gente que, por se vender ao desbarato, permite que a outra merda de gente domine os outros. Nunca haveria Holocausto nem Gulag sem esta merda de gente, estes subalternos da razão, medíocres de espírito, escravos do medo. Parasitas sociais. Gente à qual foi facultado um cérebro usado para deixar de usar o coração.

O único Presidente ilegítimo da História do Benfica. Quem não luta diariamente para expulsar do Benfica esta trampa é meu inimigo.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Lúcio Caparinha, o Vermelhão


  - É só mentiras!

gritou para o ar Lúcio Caparinha, lendo o A BOLA no café do Azevedo. Avançados espanhóis, laterais argentinos, médios belgas, centrais do Paraguai, todos anunciados, dia-a-dia, como reforços de peso do Benfica. Num ano que não este chegou a fazer uma lista com as invenções dos jornais: eram para cima de 100 os craques «praticamente garantidos», as bombas «prontas a anunciar», os atletas que haviam «aterrado na Portela para oficializar o contrato de 3 anos com o Sport Lisboa e Benfica». Tudo ilusões, sonhos prometidos, invenções de quem anda a brincar com o coração frágil do adepto em tempo de Sol e marasmo.

Lúcio já não tem pachorra para as pré-épocas, estações doentias de tédio. Cansa-se de passar os dias à espera de ver o Glorioso jogar. Só ele é que não vem no jornal como futura contratação sonante: «Lúcio Caparinha, homem extraordinário, apoiante de reconhecida arte, famigerado adepto conhecido em Vila Viçosa como o "Vermelhão", está a horas de ser oficializado no Benfica».

- Disso não se lembram eles, os mentirosos!

Isto disse em voz baixa, já não gritou. Ficou de imperial na mão a olhar com olhos baços a montra do Azevedo. Não tinha fome mas pediu à mesma dois ovos cozidos e um bocado de toucinho para acamar a bebida.

Sentia falta do Estádio da Luz. Do cheiro do Estádio, daquele nervoso miudinho, que às vezes é graudinho, que o inundava de emoção quando a equipa aterrava ligeira, gloriosa e delicada no relvado e o público aplaudia aquelas 11 papoilas saltitantes e desesperava pelo começo do jogo. Das manhãs a preparar o farnel, das idas à mercearia para apanhar pão, presunto, queijo e garrafões de vinho. Da comida mais substancial tratava Lurdes, a esposa, no tempo em que a Lurdes ainda podia preparar o farnel, antes da morte de Lurdes, antes de Lúcio Caparinha ser o viúvo da Lurdes. Naquele tempo era só, e bastava, o Lúcio Vermelhão, o marido da Lurdes.

Agora pensava nas aventuras de horas a fio dentro do carro de Vila Viçosa a Lisboa. Comprava umas empadas para levar, saía pela Florbela Espanca, deixava o Palácio à esquerda e seguia pelas pedreiras até Borba. Parava em Borba com os amigos por tradição: bebiam uma aguardente com brinde à vitória do Glorioso e só paravam no Estádio da Luz. Eram tempos diferentes destes: onde está o Colombo era um enorme terreno aos socalcos, baldio, solitário, aberto para a cidade de um lado e para a Catedral do outro. Tempos em que o carro ficava por ali, onde desse, onde pudesse ser, onde o espaço servisse os intentos dos comensais, onde se pudesse acender uma fogueira, comer, conversar, falar do 11 do Benfica, comer, conversar, falar da vida, conversar, falar da morte, comer, falar sem sentido, com sentido, falar, ser do Benfica. O fogo abria-se no final das tardes de Inverno, soltava o seu aconchego pelos benfiquistas em redor, as famílias acolhiam-no em imensa chama imensa. Efervesciam de uma paixão contagiante. Era o álcool e a espera da vitória a acelerar os batimentos cardíacos dos corações em forma de roda de bicicleta.

- Se pudessem anunciar a Lurdes no Benfica...

Isto pensou Lúcio Caparinha. Não gritou nem disse em voz baixa. Deixou-se só a pensar nisto. A Lurdes a entrar no Estádio da Luz em pleno Julho, as bancadas ao rubro, alguém a anunciar de microfone na mão: «Senhoras e senhores, sócios, adeptos e simpatizantes, Benfiquistas, vocês são os melhores adeptos do mundo. Um grande aplauso para Lurdes Caparinha, esposa de Lúcio Caparinha, mulher responsável por centenas de farnéis gloriosos que fizeram outras centenas de pessoas felizes; meus caros Benfiquistas, melhores adeptos do mundo, vamos homenagear Lurdes Caparinha, que do alto da sua ternura e arte confeccionou repastos que alegraram e favoreceram vitórias épicas do Sport Lisboa e Benfica».

A Lurdes a entrar ao colo de uma águia, voando, planando pelo Estádio, rodopiando. Um eco de 130.000 benfiquistas aos gritos, aos aplausos, aos beijos, aos abraços. A Lurdes e a águia fazendo círculos cada vez mais fechados, acenando à multidão, gritando «Benfica, Benfica, Benfica», aterrando nos braços de Lúcio Caparinha, o Vermelhão.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Branco à Benfica. Finalmente.

Uma das lutas mais antigas deste blogue vê este ano o seu final. Não é difícil gerar grandes receitas e simultaneamente respeitar o Sport Lisboa e Benfica. Basta amá-lo.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dar mais Benfica ao Estádio da Luz

Uma das coisas que mais me impressionou no Estádio da Juventus quando lá fui ver a final da Liga Europa foi a forma de homenagem que escolheram para celebrar as grandes figuras do clube: na parede exterior do estádio puseram, dando a volta ao mesmo, imagens dos grandes jogadores, treinadores e figuras de glória que representaram a Juve.

Julgo que na Luz podíamos fazer o mesmo. Seria extraordinário termos imagens em tamanho substancial de um Torres a saltar para um belo cabeceamento, de um Eusébio no momento de um remate, de um Chalana a fintar um adversário, de um Rogério «Pipi» a passar com elegância a bola por cima do guarda-redes, de um Cosme Damião em pose clássica, de um Arsénio a correr para a bola, de um Bento a voar pelos céus da baliza, de um Rui Costa a chorar no momento do golo «traidor», de um Diamantino a marcar um livre, de um José Águas a parar a bola no peito, de um Germano a controlar a defesa, de um Zé Gato a estirar-se para a o aconchego do abraço com a bola.

De um Borges Coutinho numa Assembleia-Geral, de um Ferreira Bogalho a discursar, de um Sven-Goran num banco ao ar livre do relvado do Jamor, de um Toni em Leverkusen, de um Bella Guttmman a orientar um treino, de um Humberto Coelho a mandar na área, de um Aimar já sem ângulo a encostar a bola para as redes do Patrício, de um Otto Glória e seu carismático olhar, de um João Santos sentado na cadeira presidencial, dos irmãos Rosa Rodrigues num onze do Benfica, de um Félix Bermudes em traje de passeio, de um Isaías em Londres, de um Paneira a atirar-se para a multidão da Luz, de um Víctor Baptista à procura do brinco, de um Simões a cruzar com classe, de um José Augusto a receber em velocidade, de um Coluna a cumprimentar Maldini, de um Valdo a acariciar a bola com os seus pés de veludo, de tantos e tantos e tantos grandes jogadores e treinadores e presidentes que fizeram do Benfica este maravilhoso clube.

Ao longo do estádio, em cima de cada porta, estas imagens. Por dentro, nas quatro torres de iluminação, o palmarés do clube: Numa torre: 33 CAMPEONATOS; na outra: 25 Taças de Portugal; na terceira: 5 Taças da Liga e 5 Supertaças; na quarta: 2 Taças dos Clubes Campeões Europeus e 1 Taça Latina.

O nosso Estádio precisa de mais vida, de mais memória, de mais mística.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

6 Vermelhos Anos

O Ontem faz 6 anos. O que nasceu para elevar o nome do clube com textos e imagens que o honrassem acabou por ver no seu caminho a necessidade de lutar em defesa do clube e assim se manteve o Ontem até hoje: apaixonado divulgador do Benfica e do benfiquismo e acérrimo defensor do clube contra quem lhe quer mal. Assim continuaremos porque fácil seria não tomar posição.

Aqui tomamos posição: amamos o Benfica, logo detestamos quem o desrespeita. Aqui tomamos posição: amamos o Benfica, logo não nos calamos sobre quem lhe faz tanto mal. Aqui tomamos posição: amamos o Benfica, por isso assumimos de frente a sua defesa, sem subterfúgios, cobardias ou meias-palavras. Aqui tomamos posição: amamos o Benfica.

Obrigado aos escribas que têm feito esta bonita viagem, aos leitores que connosco têm voado grandes voos de benfiquismo e, claro, obrigado ao Benfica por ser o mais bonito clube do Mundo.

VIVÓ BENFICA!


sábado, 11 de outubro de 2014

(33) lembra-me um sonho lindo

Amanhã farei 33 anos, um número bonito porque é o número de Campeonatos Nacionais que o Benfica tem no palmarés. Não sou de grandes luxos nem de crenças religiosas, portanto não peço aos amigos presentes caros nem ao Criador saudinha da boa. Mas tenho um sonho: em Outubro comemorar sempre o número dos meus anos e dos canecos do Benfica. Quero morrer a comemorar os meus 83 anos de vida e tudo a saltar com o 83º Campeonato Nacional do Glorioso. 

Para isso, apenas peço que o Benfica vença os próximos 50 campeonatos nacionais.


domingo, 24 de agosto de 2014

O outro nome do Benfica é amor

O benfiquismo desafia a morte. É uma ideia tão suprema, tão superlativa, tão cheia de sentimentos dentro que não é passível de explicação evidente. O benfiquismo existe como a água existe, como existem os grandes oceanos, as ondas do mar, as areias, as montanhas, o amor. 

O benfiquista é tão benfiquista que se chateia com outros benfiquistas - no Benfica não há formas nem fórmulas nem verdades universais. Há muitos benfiquistas e há muitos benfiquismos, nenhum deles o mais certo porque ainda não foi encontrado o molde que represente o que é o Benfica. Como dar nomes, outros nomes, àquela onda que nasce do vento e das forças interiores do mar que vem desaguar, mansinha, junto ao nossos pés? Como explicar a formação de uma montanha que tem milénios de lambidelas de Sol, ar, tempestades, chuvas, nuvens e movimentos de peixes?

No Benfica tudo é difícil porque é fácil ser do Benfica. Uns porque foram levados pelos pais, outros porque se apaixonaram pela cor das camisolas, uns ouviram dizer, outros falaram no Benfica. Cada um, todos, à espera de mais uma jogada, a seguir de um golo, no fim de uma vitória que nunca se fecha numa vitória porque logo a seguir há que vencer outra vez. E outra vez. E outra vez. E depois vencer mais um jogo. E ainda outro. E sempre ganhar. Amanhã é para ganhar. E depois de amanhã também.

Nós não somos do Benfica por decreto divino ou escolha evolutiva essencial. Somos do Benfica porque é fácil e é difícil ser do Benfica. Somos do Benfica porque não há outra forma de existência. Ninguém nos mandou ser do Benfica; fomos lançados para ser do Benfica e somo-lo com todo o orgulho e amor do mundo. Porque o Benfica é vermelho. O Benfica é vermelho e branco. Porque isso nos envaidece. E porque somos um clube lutador. Somos do Benfica antes de sermos do Benfica. Já éramos do Benfica e ainda nem sequer sabíamos que éramos do Benfica. Somos do Benfica porque é bom dizer Benfica e festejar um golo do Benfica e ver, de olhos em lágrimas aquela jogada que promete um golo do Benfica. Vem o fim do jogo, o apito final soa do relvado para as bancadas, e então somos do Benfica aos abraços e aos beijos, uns para os outros, uns com os outros, uns nos outros, todos. 

O Benfica - e que bem que fica! - é este universo que junta planetas, astros, nuvens de cor, dunas infinitas, lugares de ternura. Encontramos Benfica no deserto de Atacama, nas praias australianas, no frio da Sibéria, nos glaciares da Patagónia, em cima dos Campos Elísios, nos canais de Amesterdão, naquela lareira que fuma enchidos, dá fermento ao pão, que aquece pimentos. Que bem que fica o Benfica quando as bandeiras e os cachecóis voam nas mãos dos benfiquistas e pelo céu vermelho ecoa o Hino do Benfica. Ben-fi-ca, Ben-fi-ca, Ben-fi-ca, as goelas de línguas vermelhas soltam os gritos milenares do assombro de uma paixão que não é explicável, não tem teor científico, não apresenta prova corroborada além daquela que os corações aos saltos, os corpos em desvario, as mãos no ar, os pés voando vão soltando pelo Estádio, pelos cafés, pelas casas, pelas ruas, pelo espaço. 

O Benfica não é Benfica porque é universal - e é universal; o Benfica é Benfica porque nos aparece no sítio mais estranho, no lugar impensável, no último segundo do mundo, no respirar de um rio ou no salto de uma nuvem. O Benfica é Benfica porque junta o recém-nascido com o quase-morto numa espiral de tempo que encontra velhos, novos e semi-novos todos de mão no peito à espera do golo. E o golo existe. O golo vai ser golo. O golo já foi golo e volta a ser golo porque depois de um golo há outro e ainda mais um golo e no fim o golo de mais uma vitória. Uma vitória à Benfica. Uma vida à Benfica.

Quando morre um benfiquista o Benfica leva uma cicatriz no peito e uma papoila na orelha direita para lançar rumo ao Quarto Anel onde aterra em cheiro, som e glória para se despedaçar em pétalas que cobrem o relvado na hora do golo do Benfica.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Óscar Benfica Cardozo



Este valeu por todos os 172 golos que nos deste, Tacuara. Este foi o teu golaço, o ultra-golo, o golo supremo. Este distinguiu-te, filtrou-te, revelou-te. Quando agarraste na bandeira e a deitaste sobre o nosso Rei, já não eras apenas mais um goleador da História do Benfica. Naquele momento juntaste-te aos Enormes, Eternos e Imortais: tornaste-te no Benfica. 

Falaremos de ti aos nossos netos, Óscar. E já temos saudades.

domingo, 25 de maio de 2014

Mereces tanto mais, Glorioso

Imaginam o Presidente do Benfica a viver um golo do Benfica assim? A vossa conclusão tem um nome: Ontem vi-te no Estádio da Luz.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Amado e odiado, um maravilhoso clube

Os fenómenos que acontecem por causa do Benfica - milhões de pessoas a festejar ou os milhares que andam de três dedos em riste pelas redes sociais - fazem explicar o amor tão amor que tanta gente sente por este clube e o ódio tão ódio que muita gente reserva a este maravilhoso clube. É que, de facto, não há mesmo nada equiparável ao Benfica. O Benfica é tão lindo que, como a pescada, antes de o ser já o era.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Era para a esquerda, Vítor.

O tempo é um líquido que se entranha no corpo e vai pingando para o chão a ritmos diferentes. Brota aos prantos, às vezes, chovendo dos braços; outras, cai devagar, com medo da queda. Não tenho noção se aquele penálti do Paneira ainda está aqui comigo ou se choveu há muitos anos. Sei que me molha, aos jorros, de tempos a tempos. E então eu sorvo dos poros aquela memória ou agacho-me de joelhos sobre as poças que a defesa de Bucci deixou a reflectir na água. 

Toda a gente sabe que era para o lado esquerdo, Vítor, mas a incredulidade de ver Faustino Asprilla no relvado e os pedidos sôfregos de Gabriel Alves - "falta acção disciplinar!" - para um amarelo que não chegou, confundiram Paneira na hora da decisão. Não foi astuto, o nosso 7, porque se tivesse visto a massa disforme de cabeças que compunham o primeiro anel tinha sentido a direcção do sucesso - o público todo a contorcer os pescoços e os olhos, fazendo sinais de golo: "é para ali, caralho", como se as redes e os fumos e os fios de aço fossem transparentes -, tinha visto o golo antes dele acontecer.

Mas o tempo escoou para outro lado qualquer e, quando demos conta, em vez de um 3-1 que pecava por nulo - não escasso, mas nulo -, que devia ter sido um 6-1 ou 7-1 sem espinhas, acabou nas mãos de Bucci e depois no desespero de João Pinto num 2-1 sem verdade, desonesto porque cruel. O Benfica acabava um jogo de tareia monumental contra uma equipa fabulosa agarrado a um golinho de vantagem e a olhar para o golo sofrido com ansiedades e desperdícios. 

Mas recuemos: Veloso dá de primeira em Rui Costa que recebe junto à linha, sem pressas. Ouve-se um som de fundo de milhares de gargantas aos soluços: "vai, vai, vai" que no plano geral dá "aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah", que era o som de quase todos os 90 minutos que viam o Benfica jogar. O Maestro espera que o adversário o ultrapasse e depois, sim, avança pelo meio, sempre com aquele ar de quem já está a festejar o golo e viu tudo o que vai acontecer enquanto os italianos procuram disfarçar a tristeza do que não sabem que já foi. De repente, faz um passe para Yuran e continua a correr - aquele 2-1 mágico que, por mais tácticas e prelecções que existam em laboratórios do futebol mais evoluído, destrói qualquer marcação - para receber mais à frente, já em território inimigo, e levantar a bola com a pontinha do dedão enquanto um jogador do Parma se deita no relvado da Luz e vê as costas do Maestro correrem na direcção da baliza e fintarem de anca mais outro que apareceu por ali e depois, logo de seguida, meterem na frente de Isaías o charme do golo. Isaías correu que nem um cavalo alado, ou então voou com um trote terrestre, e quando chegou à frente dos Diabos amansou a bola com um só toque e fez um golo junto ao poste que ainda é melhor porque deixa o salto de 120.000 adeptos em suspenso e passível de ser fotografado com alma e vinho e dúvida e tudo no meio. 

Houve depois uma coisa coisa estranha na área do Benfica que ainda ninguém sabe bem como foi e que acabou nas redes do Neno e o árbitro validou mas não deve ter sido muito bem um golo porque disto eu não sinto a escorrer-me dos braços para o chão. Houve Helder, acho que sim, aos pontapezinhos sobre a bola e depois algo estranho e de que me não recordo bem que originou passe, depois remate e depois um golo, uma espécie de golo, e que sentimos no coração não bem como gelo mas como quando morre gente, que é o sentir do adepto do Benfica quando vê golos adversários no estádio - uma morte silenciosa, cortando veias ou sorvendo veneno. 

No resumo, vê-se Nevio Scala descrente naquilo, tal era o banho de bola a que assistia e ainda por cima gratuitamente - os treinadores, mesmo os maus ou bons ou medíocres, por menos ou mais que façam das suas equipas, têm esse privilégio dos deuses de partilharem relvado com a loucura e com o génio. Nevio Scala estava assim, após o golo do Parma: dava-se por feliz ao mesmo tempo que sentia no coração aquela pontada da injustiça - quase vergonha - de andar a levar a sua equipa a solo sagrado. O público, mesmo gelado ou de luto, respirava de tal forma que punha cubos de gelo ou então mantos de veludo sobre as cabeças de quem nos visitava. Não queria ser Nevio Scala ou aqueles olhos tontos dele em suplício. "E agora que marcámos, o que é que vem aí?"

O que veio foi um fartote de Benfica, que parece que decidiu fazer uma recolha de todos os melhores momentos das centenas de equipas benfiquistas anteriores ao mesmo tempo que se despedia de nós: aquele grupo de gente de 94, vendo agora com distância e saudade, dava todo o ar de sentir de tal forma o clube que já conhecia a nossa tragédia que havia de chegar. Jogavam para escrever Benfica. Tinham pena de nós e por isso decidiram dar-nos tantos momentos e jogos e golos e jogadas e emoções, para que não nos esquecêssemos de que um dia houve este clube que nos fascinou e eternizou crianças até sermos velhos. Compraram-nos futuro naquelas épocas, decidiram deixar memórias tão fortes que nos permitissem aguentar os 20 anos que estavam por vir. 

E nós comprámos, sem medos nem hesitações, tudo o que eles davam e tudo o que eles deixavam dentro de nós - foi assim, até hoje, que viemos respirando e bebendo e comendo, sempre na esperança de ver o Benfica outra vez, com estes bancos de oásis deixados na pele.

Yuran recebe na esquerda, à entrada do meio-campo adversário, com um toque faz cueca sobre o marcador e segue em frente, feliz. Mete no meio em Isaías e - oh, o 2-1! - corre para ir ao encontro da bola, o touro sertanejo não duvida, faz compasso de espera e mete no ucraniano que vai, gazela, perto da área do Parma, de primeira levanta a bola para um Isaías que veio de trás e aparece em vólei falhado e circense, a bola tabela no relvado e vai a caminho de Paneira que, por ter dois cérebros no pé direito, em vez de chutar ou inventar mosntruosos caminhos, a deixa bater primeiro e depois, com a cara da chuteira, abre na direita onde João Pinto a recolhe - sem saber se dá meia-volta e remata ou se dá lugar ao improviso - e deixa para Rui Costa que estava desde o início da jogada a acompanhar o lance com os olhos e com o génio. Depois foi só rematar, simples e para dentro da baliza. Correu desalmado para a bandeirola de canto porque os putos não sabem o que hão-de fazer com o golo, é uma coisa pesada e sem maneiras o golo, não tem coreografia de sentidos, tanto pode dar pirueta como morte instantânea. Deu mãos na cabeça, um abraço do João Pinto e um tapinha do Silvino que por estas alturas já preparava o seu ofício de oficial tapinhador de jogadores. 

Foi um golo que conteve dentro de si todos os golos do Benfica desde o Bermudes e Cosme até àquele segundo. E ainda hoje é esse golo que nos leva ao estádio de bandeiras e cachecóis no corpo. Vamos em busca desse Benfica até ao final dos nossos dias. E esse, por mais que tentem, nunca no-lo vão roubar.