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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre o Veloso


São 538 jogos oficiais ao longo de 15 anos de Benfica. São 7 campeonatos nacionais, 6 taças de Portugal, 3 supertaças. São 3 finais europeias, um penalty falhado e um bigode que transborda mística. São histórias e estórias de quem provou que tão ou mais importante que o talento natural é ter ambição, vontade e capacidade de trabalho.

Fez as suas escolhas e cometeu os seus erros. Foi arrastado para um negócio que lhe roubou o dinheiro de uma vida e lhe deixou apenas dívidas. Que se saiba, não o estoirou em carros, meninas e vinho verde. Um negócio, apenas isso, que correu mal. Muito mal.

Não sei quais os motivos que levaram a que, ainda hoje, o Benfica não tenha ajudado o mítico ex-capitão. Pode simplesmente não ter pedido ajuda, pode ter sido recusada e até admito que o Benfica não tenha necessariamente que o ajudar, pelo menos não lhe deve nada. Mas há uma coisa chamada "dever moral". Sejamos sinceros: Veloso, a fazer de estátua junto a uma bandeirola de canto no Seixal tem mais mística, impacto, benfiquismo e utilidade que um qualquer Pedro Guerra na Benfica TV. O Benfica não é nem deve ser a Santa Casa da Misericórdia, mas com tantos cargos passíveis de serem ocupados dentro do clube, inclusivamente como adjunto nos escalões de formação (até porque Veloso tem o curso de treinador), e com tantas relações institucionais com múltiplas empresas, não seria possível arranjar um cargo/função (e não um tacho!) ao homem que capitaneou o Benfica por quase dez anos e co-responsável pelo benfiquismo de tanta gente nascida nos anos 70 e 80?

Independentemente das asneiras e erros cometidos, pai é sempre pai, e Veloso é um ícone do Benfica. Deveríamos estimar estas pessoas.